segunda-feira, 29 de junho de 2026

Crescimento muda



Jean Paul Veiga

"Um belo video institucional do Banco Central do Brasil sobre os 30 anos de criação do Comitê de Política Monetária (COPOM) -- elegante, suprapartidário, impecável. A arte dos bancos centrais experimentou o que Alan Blinder (ex-VP Fed e Professor Princeton) chamou de "revolução silenciosa": maior colegialidade e transparência nas decisões.

No Brasil, o COPOM expressou muito bem essa evolução, inclusive publicando os votos vencidos de suas sessões. O atual debate sobre eventuais falhas na supervisão bancária não pode ser confundido com gestão macroeconômica, nem pode ofuscar esse importante processo de statecrafting da autoridade monetária. Entretanto, independentemente do arcabouço institucional, falta sim ao País uma revisão profunda das ideias e métodos -- os cânones macroeconômicos que foram desacreditados pelas crises do subprime e da Covid. "

A vida é um sopro

 Diário de um economista de mercado

1. Chegamos a metade do ano de 2026. Dá para fazer um balanço? Se formos analisar o momento atual, no Brasil e no mundo, veremos que a figura histriônica de Donald Trump deu uma chacoalhada no mundo, nesta postura sempre desafiante sobre a mobilidade de fatores.

2. No Brasil, por outro lado, temos um governo gastador, com a máquina da economia turbinada por medidas fiscais e parafiscais. E isso tudo piora porque temos uma eleição pela frente e este governo, populista que é, não poupará esforços para continuar se mantendo no poder, gastando, prometendo, alimentando ilusões...

3. Em família, chegamos ao bom porto seguro do meu filho se formando no mestrado de Delft, Holanda, em Engenharia Aeroespacial, depois de uma longa caminhada. Tentaremos ir a formatura. Missão mais do que cumprida.

4. Em paralelo, vivenciamento uma fase de espera, desafios, coisas que não estão no meu controle. Gostaria muito de um Brasil melhor, menos corrupto, menos "relativista", mais objetivo e menos picareta, mas este até existe entre os cidadãos, mas não ao alcance em Brasília, "cidade de fantasias e faz de conta". Cidade, ao meu ver, de burocratas que se locupletam das mordomias e esquemas do poder público.

5. Sempre considero que não elejo ou voto para presidente desde quando da reeleição de FHC, em 1999. Me recuso a votar no panorama que se vê. Minto. Em algumas ocasiões até votei em primeiro turno, mas nem nesta etapa tem sido fácil. Como sou carioca, vivo neste limbo permanente de negar minha cidadania. Me recuso. O nível é muito baixo e só predomina o populismo, a mentira, a ignorância. 

6. Temos tanta gente boa por aí, mas, difícil furar o bloqueio pesado dos esquemas de poder...do STF corrupto e em conluio, do Executivo, nem me fale, do Legislativo das emendas impositivas (dinheiro simplesmente some...instituiram os esquemas de corrupção, oficializaram...).

7. Quando fui para Portugal, em 2018/19, meu pensamento era não mais retornar. Não que Portugal fosse uma beleza. Eles, na sua austeridade e dureza, são muito mais limitados financeiramente do que o Brasil, mas sempre digo que lá se atingiu um marco civilizatório, uma forma de levar a vida, que nós, pelos tantos pecados venais, não conseguimos.

8. Os "tugas", embora mais pobres, são muito mais civilizados e educados do que por aqui, este país continente cercado de contradições. Sempre afirmo. Não somos pobres, mas muito injustos. Legislamos em causa própria, sempre em defesa de grupos de pressão, não a favor da coletividade ou da sociedade como um todo. Os grupos de pressão vencem suas demandas, e o restante da sociedade fica na margem. Não pode dar certo.

9. Enfim, termino dizendo que isso aqui não pode dar certo enquanto mantida a composição de poder em Brasília. 

10. Fim de papo. Fui...

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Segunda Feira, 29 de Junho de 2.026.


*Ormuz abre espaço para o payroll*


… Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques no fim de semana, mas o cessar-fogo aparentemente continua valendo. Com o petróleo perto dos níveis anteriores ao conflito e o fluxo pelo Estreito de Ormuz caminhando para a normalização, investidores passam a concentrar a atenção nos fundamentos da economia americana. Na agenda, depois de o PCE confirmar uma inflação relativamente comportada, o payroll – antecipado para quinta-feira por causa do feriado de 4 de Julho – é o principal teste para as expectativas de juro do Fed. No Brasil, o alívio com o petróleo, somado ao IPCA-15 e à comunicação mais flexível do BC, mantém vivo o debate sobre novo corte da Selic, enquanto o investidor espera pelo Caged e pela produção industrial.


A OUTRA GUERRA – O fim de semana confirmou que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã continua extremamente frágil.


Os preços do petróleo subiram no domingo, enquanto os futuros dos índices de ações dos EUA avançaram, depois que os EUA e o Irã supostamente concordaram em cessar os ataques após repetidas trocas de tiros no Golfo Pérsico durante o fim de semana.


a atuação do Banco Central pode ser interpretada como parte da estratégia de redução do estoque de swaps cambiais tradicionais, que permanece acima de US$ 90 bilhões.


… Washington voltou a bombardear instalações militares iranianas em resposta a novos ataques contra embarcações que cruzavam o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã retaliou com mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein.


… Em paralelo, Israel manteve ataques no Líbano e o Hezbollah rejeitou o acordo negociado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito.


… A escalada, porém, não recolocou o mercado no mesmo ponto de algumas semanas atrás.


… Se, no auge da guerra, a principal preocupação era um eventual fechamento de Ormuz, agora a discussão passou a ser outra: quem controlará o estreito e em que ritmo o fluxo de petróleo voltará à normalidade.


… A diferença é relevante porque muda completamente a forma de precificar o risco geopolítico.


… Mais do que uma rota estratégica, Ormuz passou a representar a principal moeda de barganha das negociações entre Washington e Teerã, ajudando a explicar por que o controle da navegação se tornou o centro da disputa.


… Os Estados Unidos ampliaram a rota marítima pelo lado de Omã para facilitar o tráfego comercial enquanto o Irã insiste que qualquer operação deve permanecer sob sua supervisão e afirma que o estreito poderá recuperar sua capacidade pré-crise em 30 dias.


… Apesar da troca de ataques e das versões divergentes sobre as negociações, Washington e Teerã mantêm abertos os canais diplomáticos para discutir o memorando que prevê a normalização do transporte marítimo e a ampliação das exportações iranianas de petróleo.


… Essa talvez seja a principal mudança de percepção dos investidores. A guerra continua produzindo ataques, ameaças e violações do cessar-fogo, mas o mercado passou a avaliar o conflito pela capacidade de manter Ormuz funcionando.


… Depois de o Brent devolver praticamente todo o prêmio incorporado durante a guerra, a expectativa de aumento da oferta de petróleo passou a pesar tanto quanto — ou até mais do que — a própria escalada militar.


… A Bloomberg mostrou neste fim de semana que o governo Trump já trabalha para desmontar décadas de sanções contra o Irã como parte do acordo firmado entre os dois países.


… O processo ainda enfrenta obstáculo, mas revela que a estratégia americana deixou de mirar apenas o encerramento da guerra.


… O objetivo passou a incluir a reintegração do petróleo iraniano ao mercado internacional, reduzindo os preços da energia e ajudando a conter as pressões inflacionárias globais.


… Se essa leitura prevalecer, a geopolítica deixa de ditar sozinha o comportamento dos mercados e volta a influenciar os preços principalmente por meio do petróleo.


… Com o Brent novamente próximo dos níveis anteriores ao conflito, investidores entram na semana concentrando atenção nos indicadores econômicos, que retomam o protagonismo na formação das expectativas para os juros do Fed.


VEM AÍ O PAYROLL – Resolvida, ao menos por enquanto, a preocupação mais imediata com o petróleo, o mercado volta a fazer a pergunta que realmente interessa ao Fed: a economia americana continua forte o suficiente para manter os juros elevados por mais tempo?


… A resposta começa a ser construída ao longo da semana, mas terá seu principal teste no relatório mensal de empregos (payroll), antecipado para quinta-feira por causa do feriado da Independência nos Estados Unidos, que fecha os mercados na sexta-feira, dia 3.


… Se o índice de preços de gastos com consumo (PCE) já confirmou que a inflação segue relativamente comportada, a principal dúvida agora é se a atividade e o mercado de trabalho continuarão justificando a postura cautelosa do Federal Reserve.


… Nesse contexto, o payroll será o principal evento da semana.


… Antes dele, investidores acompanham a pesquisa Jolts sobre abertura de vagas, o relatório ADP de emprego no setor privado, os PMIs e o ISM industrial, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, em busca de sinais sobre o ritmo da economia.


MAIS AGENDA – A semana também será marcada pelo fórum anual do BCE, em Sintra, que reúne o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a presidente do BCE, Christine Lagarde, além de outros dirigentes de bancos centrais.


… Hoje, investidores acompanham o índice de sentimento econômico da zona do euro e os PMIs da China, no final da noite. Amanhã, a confiança do consumidor americano. Na quarta, o ISM industrial nos Estados Unidos. E na quinta, auxílio-desemprego e encomendas à indústria.


… Depois da queda do petróleo reduzir parte da pressão sobre as expectativas de inflação, qualquer indicação sobre os próximos passos da política monetária pelo Fed deve ganhar ainda mais peso para os mercados globais.


NO BRASIL – Aqui, o emprego também será destaque, com o Caged de maio amanhã, terça-feira, que deve mostrar abertura líquida de cerca de 120 mil vagas formais, segundo a mediana das estimativas do Projeções Broadcast, após 85 mil vagas em abril.


… Embora o resultado ainda deva confirmar a resiliência do mercado de trabalho, economistas já esperam uma desaceleração gradual das contratações nos próximos meses, em linha com a perda de fôlego da economia.


… Além do Caged, a semana também traz hoje o IGP-M de junho (8h), o Boletim Focus (8h25) e o resultado primário do Governo Central (9h30), com projeção de um déficit de R$ 53,2 bilhões, além da produção industrial de maio, na quinta-feira.


… Depois do IPCA-15 abaixo do esperado, do Relatório de Política Monetária e da queda do petróleo reforçarem apostas de novo corte da Selic, o mercado avalia se os indicadores confirmam um cenário de desaceleração compatível com a continuidade do ciclo de afrouxamento.


GALÍPOLO – O presidente do Banco Central entra em férias nesta segunda-feira, depois de participar, ao lado do diretor Paulo Picchetti, da reunião anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS), realizada neste fim de semana em Basileia, na Suíça.


COPA DO MUNDO – Enquanto a seleção brasileira disputa o mata-mata contra o Japão, às 14h, a B3 manterá o funcionamento regular dos mercados de ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, além de derivativos e de renda fixa privada nesta segunda-feira (29).


… O giro, no entanto, tende a cair em cerca de 20%, segundo dados históricos levantados pela Nelogica em dias de jogo do Brasil.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente Lula lança nesta hoje (9h30) o programa voltado a consumidores com dívidas em dia, batizado de Desenrola Adimplentes, que busca ampliar o acesso ao crédito para quem mantém bom histórico de pagamentos.


PLANO SAFRA. O governo deve anunciar nesta semana o Plano Safra 2026/27 sem medidas para reforçar o seguro rural ou criar um programa de renegociação das dívidas do setor, já que a equipe econômica resiste a iniciativas com impacto fiscal adicional.


BOLSONARO. O prazo da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente terminou na sexta-feira sem definição do ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual dele para o regime fechado, em meio às disputas internas no PL e ao embate entre Michelle e Flávio Bolsonaro.


PROFECIA DOVISH – Demorou para os ruídos de comunicação despertados pelo comunicado do Copom serem neutralizados, mas a semana terminou com as críticas esvaziadas de complacência do Banco Central com a inflação alta.


… Se por um lado a ata falhou em desfazer os mal-entendidos, teve sucesso a estratégia do RPM e de Galípolo e Picchetti de esclarecer a linguagem, sinalizando que vale tanto a alternativa de corte do juro quanto de pausa.


… De última hora, a surpresa com o IPCA-15 de junho abaixo do esperado e o tombo de dois dígitos (10,6%) acumulado pelo petróleo no curto intervalo de tempo da semana passada conspiram a favor da aposta dovish.


… Apesar dos novos episódios de instabilidade no Oriente Médio, o petróleo desponta como gatilho desinflacionário importante.


… O Itaú mantém a estimativa de 5,4% para o IPCA do ano, mas admite viés de baixa com a afundada do petróleo. Em meio ao progresso diplomático com o Irã, o banco reduziu a projeção do barril de US$ 85 para US$ 80 em 2026.


… Apesar do ajuste em baixa da previsão da commodity, o Itaú revisou para cima a projeção do juro terminal, de 13,75% para 14,00%, apostando que o Copom terá espaço para cortar a Selic só mais uma vez, na reunião de agosto.


… A instituição financeira está posicionada na ponta mais conservadora, enquanto outra parte do mercado se arrisca na percepção de que podem vir mais cortes, ainda que dentro do sistema “stop and go”, entrecortado por pausas.


… No ambiente de risk-on, os juros futuros de curto e médio prazo caíram aos menores níveis em cerca de um mês.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,050% (de 14,091% no ajuste anterior); Jan/28, 14,180% (contra 14,246%); Jan/29, 14,255% (de 14,339%); Jan/31, 14,370% (de 14,396%); e Jan/33, 14,415% (de 14,381%).


… No pano de fundo, o dólar abaixo de R$ 5,20, em leve queda de 0,20%, a R$ 5,1676, colaborou para queimar prêmios de risco. O real só não subiu mais, porque o petróleo mais barato prejudica moedas de países produtores.


… A Warren observou que, entre as mudanças efetuadas pelo Tesouro no cronograma de emissões para o terceiro trimestre, o Tesouro surpreendeu ao passar a emitir a LTN jan/28 como vértice de 12 meses.


… Historicamente os vértices de 12 meses têm vencimentos em abril e outubro”, afirma Vital, em nota.


… No câmbio, segundo o Broadcast, a atuação do BC com casadões (à vista conjugado com swap reverso) pode ser interpretada como estratégia de redução do estoque de swaps tradicionais, que permanece acima de US$ 90 bilhões.


NAVEGAR É PRECISO – À medida que a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz vai aliviando as preocupações com o abastecimento global, o petróleo embarca na espiral de queda que administra as expectativas de política monetária.


… Apesar de Trump ter acusado o Irã de violar o cessar-fogo, o barril do Brent para agosto testou os patamares anteriores ao estouro da guerra e furou os US$ 72, negociado a US$ 71,99, depois de ter derretido 4,34%.


… Além de a oferta da commodity estar sendo recomposta, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que Israel e o Líbano estruturam um acordo para encerrar o conflito, após nova rodada de conversas.


… O petróleo cai rápido e levanta a lebre sobre a chance de o Fed desistir de subir o juro em setembro, mesmo depois de Kevin Warsh ter entrado na pele dos falcões, assumindo o discurso de combate à inflação como prioridade. 


… A chance de um aperto monetário em setembro, que rondava os 70%, ainda é a aposta principal do mercado, mas caiu para menos de 50% na sexta-feira, no day after do PCE comportado e com o petróleo nos níveis pré-guerra.


… A convicção hawkish do mercado vai sendo colocada à prova, apesar do tom duro dos Fed boys. Neel Kashkari, que em março projetava corte do juro até o fim do ano, abandonou esta aposta na sexta-feira e passou a projetar alta.


… O colega John Williams afirmou que a inflação americana está “indiscutivelmente elevada”. Depois do PCE, as expectativas de política monetária serão operadas pelo payroll, esta semana, e pelo CPI, que sai no próximo dia 14.


… Diante do alívio inflacionário do petróleo, o dólar e os juros dos Treasuries desanuviaram a pressão na sexta-feira. A taxa da Note de 2 anos caiu para 4,086%, contra 4,126% na véspera, e a de 10 anos recuou a 4,372%, de 4,395%.


… No câmbio, o DXY completou mais um pregão sem subir (-0,07%), a 101,357 pontos, com a falta de fôlego do dólar. O euro avançou 0,12%, a US$ 1,1389, a libra (+0,03%) fechou a US$ 1,3199 e o iene avançou a 161,74/US$.


RESSIGNIFICANDO – Vira e mexe, a percepção de que os investimentos em inteligência artificial podem estar exagerados domina o noticiário e promove uma onda de correção nos papéis das gigantes de tecnologia.


… Ao que tudo indica, Wall Street parece estar atravessando agora mais um destes momentos.


… Na sexta-feira, reportagem do NYT informou que a OpenAI, dona do ChatGPT, estuda adiar seu IPO para 2027, diante do fraco desempenho da SpaceX desde sua estreia na bolsa e a recente volatilidade de empresas ligadas à IA.


… As techs se destacaram entre as maiores perdas em Nova York, em especial, as fabricantes de chips, como a Sandisk (-10,46%), a Qualcomm (-7,57%), Marvell Technology (-5,15%), Micron Technology (-6,69%) e Intel (-3,42%).


… Cauteloso, o Nasdaq caiu 0,24%, aos 25.297,618 pontos, enquanto os outros dois principais índices de ações fecharam em queda marginal: Dow Jones, -0,09%, aos 51.876,11 pontos, e S&P 500, -0,05%, aos 7.353,47 pontos.


… Mas aqui a coisa foi muito diferente para o Ibovespa, que até abriu em queda, mas logo se descolou do peso externo e esteve muito perto de tocar os 174 mil pontos na máxima do dia, de olho em um potencial corte da Selic.


… O índice à vista fechou em alta de 0,79%, aos 173.295,14 pontos, e acumulou ganho de quase 3% na semana, diante do clima mais favorável criado pela derrocada do petróleo. O giro continuou fraco na sexta-feira: R$ 23,9 bilhões.


… Entre as blue chips, destaque positivo para os papéis do setor financeiro: Bradesco PN, +1,70% (R$ 17,92); BB ON, +1,45% (R$ 20,34); Itaú PN, +1,29% (R$ 42,24); BTG unit, +0,66% (R$ 54,66); e Santander unit +0,57% (R$ 26,35).


… As ações da Petrobras caíram firme com o petróleo (ON, -1,17%, a R$ 42,25; e PN, -1,01%, a R$ 38,06), mas o investidor está concentrando a atenção no efeito desinflacionário da commodity, que alivia a barra para o Copom.


… Em ajustes de final de mês e semestre, Vale recuou 0,65% (R$ 78,15), no sentido oposto ao minério de ferro.


… As ações PNA da Braskem desabaram 8,36%, para R$ 6,25, apesar da decisão que permite a suspensão por 60 dias de execuções judiciais por parte de credores, que, segundo a companhia, têm adotado “condutas agressivas”.


… Em documento obtido pelo Broadcast, a empresa citou tentativa do Banco Safra de buscar a “cobrança acelerada” de R$ 348,1 milhões em pedido de proteção, “antes mesmo da configuração de qualquer inadimplemento”.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS recebeu R$ 170 milhões da segunda parcela do programa de subsídio ao diesel, criado pelo governo federal para compensar os custos relacionados à comercialização do combustível.


ANP divulgou a lista de empresas habilitadas para os leilões de petróleo e gás previstos para 7 de outubro…


… Na Oferta Permanente de Partilha, quatro empresas passaram a integrar a lista de inscritas durante o atual ciclo: Galp Energia Brasil, Kufpec E&P Brasil, Repsol Exploração Brasil e Repsol Sinopec Brasil.


JBS foi oficialmente incluída no índice Russell 3000 da FTSE Russell, com vigência a partir da abertura do pregão hoje.


BB informou que o TCU não se opôs à repactuação do cronograma de devolução de dívida de R$ 4,1 bilhões do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD) contratado com o Tesouro.


BMG transferiu carteira de R$ 750 milhões em direitos creditórios para o FIDC Consig Premium I.


LOCALIZA. Conselho aprovou JCP de R$ 591,1 milhões, equivalentes a R$ 0,5351 por ação, com pagamento previsto para 20/08. Ações ficam ex hoje.


GPA. Família Coelho Diniz ampliou participação de 24,6% para 25,1% do capital.


CEMIG. UBS ampliou participação em derivativos referenciados em ações PN para 10,17%, contra 9,96% antes.


ISA ENERGIA. Fitch reafirmou o rating AAA (bra), com perspectiva estável.


AXIA ENERGIA SUL fará a 6ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,4 bilhão.


BANDEIRA AMARELA. Aneel manteve a bandeira tarifária amarela nas contas de energia em julho…


… Aneel formalizou repactuação de R$ 5,6 bilhões para reduzir reajustes tarifários de 21 distribuidoras; operação foi aprovada pelo Congresso no ano passado.


EMAE. OPA lançada pela Sabesp para compra de ações da companhia foi encerrada sem adesão de investidores.


COGNA ampliou participação na Educbank de 43% para 90% após adquirir fatia de 47% por R$ 46,3 milhões.


YDUQS. Amundi passou a deter 5,06% do capital social da companhia.


GAFISA homologou aumento parcial de capital de R$ 200,9 milhões por meio da conversão de créditos em ações.


WEG assinou contrato para fornecer motores elétricos ao projeto de lítio Thacker Pass, nos EUA, considerado o maior do país.


RUMO. Grupo Ultra desistiu de comprar a operadora privada de ferrovias controlada pela Cosan, segundo Lauro Jardim/O Globo.

Call Matinal 2906

 Call Matinal

29/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2606)

MERCADOS

Na sexta-feira (26), o Ibovespa fechou em alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos, após oscilar entre 171.123,94 e 173.964,44.  Volume somou R$ 23,7 bilhões. Na semana, índice subiu 2,95%.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de NY sobem após relatos de que os EUA e o Irã recuaram de uma nova escalada que ameaçava o frágil cessar-fogo que sustentava as negociações de paz. Os Estados Unidos e o Irã concordaram em cessar os ataques mútuos, segundo um alto funcionário americano, enquanto os dois lados planejam se reunir na terça-feira na capital do Catar para resolver a disputa sobre o Estreito de Ormuz.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,42%

S&P 500 Futuro: +0,78%

Nasdaq Futuro: +1,19%

Índices futuros de NY sobem após relatos de que os EUA e o Irã recuaram de uma nova escalada que ameaçava o frágil cessar-fogo que sustentava as negociações de paz.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), +1,16%

Nikkei (Japão): +0,15%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,57%

Nifty 50 (Índia): -0,52%

ASX 200 (Austrália): +0,68%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,08%

DAX (Alemanha): +0,17%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,01%

CAC 40 (França): -0,55%

FTSE MIB (Itália): +0,49%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +1,18%, a US$ 70,05 o barril

Petróleo Brent, +0,79%, a US$ 72,56 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,67%, a 746 iuanes (US$ 109,74)

Bitcoin, +0,72%, a US$ 59.803,80

 

 

NO DIA, 2906

Abrindo a semana ainda de olho nas estocadas entre Israel e Hezbolah, com ambos anunciando que não irão recuar sob a retirada ou não do Líbano. No cenário doméstico, a semana começa cheia de indicadores, com destaque para o IGP-M de junho e o Relatório Focus, que ajudam a calibrar as apostas para inflação e Selic. Também saem a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do BC e o resultado primário do Governo Central de maio, enquanto Lula lança o programa "Desenrola Adimplentes" e Galípolo participa de evento do BIS, na Suíça. No Cenário Internacional), o foco se divide entre dados de atividade e falas de dirigentes de bancos centrais, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que recoloca o petróleo no centro das atenções. Na Europa, saem a confiança do consumidor da zona do euro e a inflação da Espanha, além de discurso de Christine Lagarde (BCE) e fala de Huw Pill (BoE). Nos EUA, o índice de manufatura do Fed de Dallas e leilões de Treasuries ajudam a medir o humor com a economia americana, enquanto à noite Japão e China divulgam dados de desemprego, produção industrial e PMI composto.

 

Boa semana a todos!

 

 Agenda 29 de junho a 02 de julho

 

Segunda-feira, 29/06

Indicadores

06h00 – Zona do euro: Comissão Europeia – Sentimento econômico (jun)

08h00 – Brasil: FGV – IGP-M (jun)

08h25 – Brasil: BC – Relatório Focus

08h30 – Brasil: BC – Nota de política monetária e crédito (mai)

09h30 – Brasil: Tesouro – Resultado primário do Governo Central (mai)

09h30 –  Brasil: Lula lança Desenrola Adimplentes

22h30 – China: PMI composto oficial (jun)

Leitura de fim de semana

 *Leitura de Domingo: FGC avalia se melhor opção econômica para Digimais é resgate ou liquidação*


Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 23/06/2026 - O resgate financeiro do Banco Digimais, envolvendo um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao potencial comprador, voltou aos holofotes após a operação da Polícia Federal que apura fraudes contra o sistema financeiro e determinou a busca e apreensão de até R$ 670 milhões do bispo Edir Macedo, dono do banco. A Broadcast apurou que o FGC segue com estudos em torno da viabilidade econômica de tal transação, os quais estão em estágio inicial.


Por outro lado, fontes afirmam que o BTG Pactual, que assinou um acordo de intenção de compra do Digimais no início de abril, pode desistir de ficar com a instituição, em razão de as condições precedentes à aquisição não terem sido cumpridas. A venda do Digimais seguiria novas regras do FGC, publicadas em janeiro deste ano, prevendo a realização de um leilão de venda de instituições em dificuldades financeiras. Além do leilão, o FGC deveria fazer um empréstimo para viabilizar a troca de controle. Em 2010, a venda do Banco Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos, foi viabilizada por um empréstimo do FGC.


Segundo fontes, os estudos do FGC estão sendo feitos por consultores independentes, para avaliar se o empréstimo seria mais barato ao fundo do que a cobertura de garantias a depositantes em caso de uma eventual liquidação. Até dezembro do ano passado, o Digimais tinha R$ 9,2 bilhões em depósitos a prazo, dos quais a grande maioria - R$ 8,6 bilhões - estavam em CDBs. O FGC dá cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado, até o teto de R$ 1 milhão. No balanço de 2025, o Digimais cita que seus parceiros de distribuição são Nubank, XP, BTG, Ágora, Itaú Corretora e Inter.


Ao anunciar o acordo, no começo de abril, o BTG comunicou que a conclusão da operação estava condicionada ao lançamento do processo, à declaração da proposta do BTG como vencedora e à obtenção de aprovações regulatórias, incluindo o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).


Este leilão para venda de bancos passou a ser permitido por mudanças feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nas regras de funcionamento do FGC. As medidas publicadas em janeiro deste ano ampliam o escopo de atuação do FGC em situações de "dificuldade financeira relevante" de instituições financeiras. Isso inclui o suporte a operações de mudança de controle societário da instituição em crise para evitar sua quebra.


*Aporte de Edir Macedo*


Em 2025, o Digimais teve lucro de R$ 31 milhões, com retorno patrimonial (ROE) de apenas 4,2%, um dos menores do mercado financeiro.


O índice de Basileia, que mede a capitalização do banco e sua capacidade de empresas, *fechou 2025 em 12,08%, acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. O indicador era projetado para aumentar para 13,5%, por conta de um aporte feito por Edir Macedo, de R$ 250 milhões, em dezembro, mas só aprovado pelo BC em março de 2026.*


A taxa de inadimplência do banco de Edir Macedo estava bem acima da média do mercado, em 12,37%, considerando atrasos acima de 90 dias. O banco teve uma série de problemas em carteiras como financiamento de veículos, que fez a inadimplência disparar, chegando a 43% ao final de 2022.


*Alerta*


Um dia antes da operação da Polícia Federal a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou as notas do banco e ao mesmo tempo retirou todas as classificações, por falta de "informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis", de acordo com comunicado.


Para justificar o rebaixamento, a agência cita o default do banco de Edir Macedo como uma "possibilidade real", impulsionado por "incertezas consideráveis em relação ao perfil financeiro do Digimais".


Procurado, o BTG não se pronunciou. O Digimais não retornou até o fechamento desta reportagem.


Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com


Broadcast+

Juro alto: causas e consequencias

 Juros altos asfixiam a economia. A solução não está apenas no Banco Central, mas principalmente na política fiscal.


O Brasil continua convivendo com uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Mesmo com a Selic iniciando um ciclo de queda, empresas e famílias seguem pagando uma conta pesada: crédito caro, consumo reprimido, investimentos adiados e aumento da inadimplência. Os gastos com juros já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano, drenando recursos que poderiam estar financiando crescimento, infraestrutura e geração de empregos.

O problema é que juros estruturalmente baixos não são decretados pelo Banco Central. Eles são consequência de credibilidade fiscal. Enquanto o governo amplia despesas obrigatórias, subsídios e déficits recorrentes, o mercado exige um prêmio de risco maior para financiar a dívida pública. O resultado é um círculo vicioso: mais gastos, mais dívida, mais juros e menos crescimento.

Os sinais já aparecem por toda parte. O endividamento das famílias atingiu níveis recordes, as recuperações judiciais de empresas continuam avançando e o setor produtivo perde competitividade. O Brasil chegou a gastar mais de 8% do PIB apenas com juros da dívida, percentual muito superior ao observado em economias emergentes comparáveis. É um custo silencioso que reduz a capacidade de investimento de toda a sociedade.

A discussão central para as eleições não deveria ser quem promete gastar mais, mas quem apresenta um plano crível para controlar o crescimento das despesas públicas, melhorar a qualidade do gasto e recuperar a confiança na trajetória fiscal do país. Sem responsabilidade fiscal, não existem juros baixos sustentáveis. E sem juros baixos, o crescimento econômico continuará sendo apenas uma promessa adiada.





Cenário e ciclos

 Resumo dos Ciclos de Crises e Cenários 2026


Crises de liquidez ocorrem historicamente em intervalos médios de 10 a 15 anos.

Estamos em 2026, dentro da janela crítica de risco.

Grande Depressão (1929–1939): especulação e política monetária restritiva.

Intervalo de ~40 anos até o choque do petróleo.

Choque do Petróleo (1973–1979): geopolítica e energia.

Intervalo de ~14 anos até o crash da bolsa.

Crash da Bolsa (1987): alavancagem e pânico de liquidez.

Intervalo de ~10 anos até a crise asiática.

Crise Asiática (1997–1998): dívidas externas e fuga de capitais.

Intervalo de ~11 anos até a crise global.

Crise Financeira Global (2008–2009): hipotecas subprime e alavancagem bancária.

Intervalo de ~12–15 anos até o choque da COVID.

Choque de Liquidez COVID (2020): pandemia e paralisação global.

Intervalo de ~6 anos até 2026.

Média histórica confirma ciclos de 10–15 anos.

O risco sistêmico atual é elevado.

Tensões financeiras, geopolíticas e climáticas se acumulam.

Cenário 1: Hegemonia do dólar.

Crises contidas, dólar atrai liquidez global.

Probabilidade: 35%.

Cenário 2: Fragmentação monetária parcial.

Comércio internacional usa moedas alternativas.

Dívidas ficam mais complexas em múltiplas moedas.

Polarização e geoeconomia aceleram divisão em blocos.

Probabilidade: 40%.

Cenário 3: Crise sistêmica e ruptura.

Bolha de IA, colapso imobiliário chinês e bloqueio em Taiwan.

Fragmentação irreversível em dois sistemas financeiros.

Eventos climáticos extremos agravam.

Probabilidade: 25%.

Conclusão: cenário mais provável é fragmentação parcial.

O dólar ainda mantém força relativa.

Crise sistêmica é menos provável, mas plausível.

Ciclos históricos mostram que excessos raramente se resolvem sem choque.

Recuperações pós-crise podem ser em V, U, W ou L.

V: rápida queda e rápida retomada.

U: estagnação prolongada antes da recuperação.

W: dupla recessão com recaída.

L: queda profunda sem retorno por décadas.

Estratégias de proteção são essenciais.

Diversificação global reduz riscos.

Ativos reais oferecem resiliência.

Liquidez preventiva garante sobrevivência em choques.

Hedging climático mitiga riscos ambientais.

Proteção geopolítica evita concentração em áreas instáveis.

O ciclo de 2026 exige cautela estratégica.

Fragmentação monetária parcial é o cenário dominante.

O dólar ainda pode reforçar hegemonia.

Crise sistêmica permanece como risco latente.

A história mostra que rupturas são quase inevitáveis em ciclos de liquidez.

Adley Piovesan, economista há 38 anos, escritor, CFO da Aruatech sustentabilidade e CEO da Realtrader.

O momento Suez

 *O "Momento Suez" dos EUA sob a ótica do MPCP*


A comparação de Ray Dalio entre os Estados Unidos de 2026 e a Crise de Suez representa um alerta sobre os ciclos históricos de ascensão e declínio das grandes potências.

O Reino Unido perdeu sua condição de potência hegemônica quando sua capacidade financeira deixou de sustentar sua projeção geopolítica.

Segundo Dalio, os EUA enfrentam pressões semelhantes: dívida crescente, déficits elevados, perda relativa de confiança de alguns credores e avanço de alternativas ao dólar.

Pela ótica do Modelo Piovesan de Convergência dos Paradoxos (MPCP),
MPCP = (Dívida + Juros + Energia) ÷ (Produtividade + Crescimento + Liquidez)

Os Estados Unidos apresentam deterioração no numerador, mas continuam possuindo o denominador mais robusto do planeta.

Lideram inovação, inteligência artificial, mercado de capitais, universidades, segurança jurídica e capacidade militar, fatores que sustentam sua posição estrutural.

Ao mesmo tempo, intensifica-se a disputa entre dois grandes blocos:
Eixo das Democracias: liderado pelos Estados Unidos e seus aliados, concentrando inovação, capital, instituições e alianças militares.

Eixo das Ditaduras: liderado por China, Rússia e Irã, buscando reduzir a dependência do dólar, ampliar o uso de moedas locais, acumular ouro e construir sistemas financeiros alternativos.

Nesse contexto, a dominância do dólar não tende a desaparecer abruptamente, mas a sofrer uma erosão gradual.

O mundo caminha para uma ordem multipolar, na qual o dólar permanece como principal moeda de reserva, embora com menor participação relativa ao longo do tempo.

Conclusão Estratégica

O "Momento Suez" dos EUA não significa necessariamente o fim da hegemonia americana, mas o início de uma fase de transição em que a liderança dependerá menos do poder financeiro isolado e mais da capacidade de preservar produtividade, inovação, alianças estratégicas e credibilidade institucional.

Síntese Piovesan: o maior risco para os Estados Unidos não é apenas o crescimento da dívida, mas permitir que Dívida + Juros cresçam persistentemente mais rápido que Produtividade + Crescimento + Liquidez.

Se essa relação permanecer desequilibrada, a hegemonia tenderá a enfraquecer gradualmente; se o denominador voltar a acelerar, os EUA poderão prolongar sua liderança por muitas décadas, ainda que em um sistema internacional mais multipolar.

*Adley Piovesan, economista há 38 anos, escritor, CFO da Aruatech sustentabilidade e biomateriais e CEO da Realtrader.*

Anatemas...

 Ótimo artigo do Gustavo Franco nesta semana, O MENSAGEIRO. Nada mais acertado.

Discute pq a Selic É ELEVADA, hoje em 14,25%, havendo um piso para redução.

Acho incrível como mtos críticos à Selic CONSEGUEM público para fazer as suas "reclamações". Em maioria, nada entendem de mercado financeiro, de financiamento da dívida pública, de rolagem de títulos, de rigidezes deste mesmo mercado pela piora fiscal.

Quando a dívida bruta vai aumentando, e ela já se aproxima de 80% do PIB, as expectativas dos agentes vão se deteriorando também, e a rolagem de títulos, em diferentes prazos, vencimentos, tipos, encargos, também vão se alterando.

Vai se tornando mais difícil emitir títulos longos, estes sempre com prêmios mais atrativos (ou caros), e mais fácil colocar os mais curtos, todos considerando o risco fiscal.

Não tem jeito. A piora fiscal leva a piora nas condições de financiamento e aí, claro, os encargos financeiros se tornam mais elevados, abusivos até.

Por isso, eu achar engraçado estes neófitos do mundo, não só do mundo real, do mercado também, acharem um "absurdo", os encargos financeiros da dívida. Vão lá, ignorantes que são, falar mal dos "rentistas".

Ora, o Tesouro, para poder financiar sua dívida, precisa colocar os títulos no mercado (tesouro direto, manja?) e os demandantes são todos nós, os bancos, os fundos de pensão, os gringos, a pessoa física.

Todos nós financiamos a dívida pública. Não tem nada disso de "rentista"....cansativo este debate.

Só os ignorantes ou oportunistas polemizam sobre isso.

Daí a necessidade urgente de reduzir este passivo fiscal no País.

Fui...






Americanas...

 *Fraude com aval bancário*

Publicada em 26/06/2026 às 22:00


A investigação da Polícia Federal sobre a fraude bilionária na Americanas aponta que ao menos dois grandes bancos ajudaram a varejista a esconder informações relevantes dos auditores independentes. Fechado com Santander e Itaú no início de 2017, o acordo permitiu mascarar o real nível da dívida financeira da companhia e consolidou o esquema de resultados fictícios.


A informação foi apresentada por Fábio Abrate, ex-diretor do grupo Americanas, em delação premiada firmada com o Ministério Público Federal e homologada pela Justiça Federal em 2025. O Bastidor teve acesso exclusivo a trechos do depoimento citados pela Polícia Federal no relatório que embasou a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira, 25.


No documento, a PF afirma que o escândalo da Americanas representa “a maior fraude corporativa do Brasil”. “A manipulação contábil perdurou por pelo menos 10 anos e envolveu praticamente toda a estrutura de governança, as maiores instituições financeiras do país e duas das maiores empresas de auditoria independente”, diz o relatório.


Para entender o papel dos bancos no esquema, é preciso antes compreender os dois principais mecanismos da fraude.


O primeiro era a criação de VPCs fictícias, sigla para verbas de propaganda cooperada. No varejo, essas verbas são pagas por fornecedores para bancar a divulgação de produtos em lojas, folhetos e promoções. Na Americanas, segundo a PF, elas passaram a ser inventadas para melhorar artificialmente os resultados.


Quando o desempenho real da companhia não era suficiente para atingir as metas, diretores determinavam o lançamento de verbas inexistentes. Na prática, esses valores reduziam no papel o custo das mercadorias vendidas e inflavam indicadores acompanhados pelo mercado, como margem bruta e Ebitda. O rombo acumulado com VPCs fictícias chegou a 20,6 bilhões de reais.


Para sustentar a fraude, a companhia também produzia documentos falsos. Segundo o relatório, cartas antigas de fornecedores eram alteradas no Word, com troca de datas e valores, salvas em PDF e entregues aos auditores. “Era totalmente amador”, admitiu Marcelo Nunes, outro ex-diretor da Americanas que fechou acordo de delação. Mesmo assim, o método funcionou por mais de uma década.


O segundo mecanismo era o risco sacado, operação em que bancos antecipam pagamentos a fornecedores e depois recebem da empresa, com juros, em prazo maior. Na Americanas, essa dívida com os bancos era registrada como se fosse uma obrigação comum com fornecedores, e não como dívida financeira.


A classificação escondia do mercado o tamanho real do endividamento da companhia. O risco sacado chegou a 14,1 bilhões de reais em 2021. Quando o escândalo veio à tona, a reclassificação necessária para revelar esse montante como dívida financeira foi de 15,9 bilhões de reais. Hoje, o total da fraude da Americanas é estimado em 54,2 bilhões de reais.


As duas frentes se complementavam. As VPCs falsas inflavam artificialmente o resultado. O risco sacado escondia a dívida usada para sustentar o caixa. No balanço, uma fraude ajudava a encobrir a outra.


A PF encontrou indícios de que as fraudes começaram em 2009 e seguiram sem grandes obstáculos até 2016. A partir dali, Santander e Itaú se tornaram peças importantes para manter o esquema de pé.


Em fevereiro daquele ano, a Comissão de Valores Mobiliários publicou um ofício sobre operações de risco sacado. A CVM alertava que essas operações não poderiam ser avaliadas apenas pelo nome ou pelo formato usado no contrato. O que importava era a realidade da transação. Se, na prática, o banco estava financiando a empresa compradora, a dívida precisava aparecer no balanço como dívida financeira, com juros e encargos registrados no resultado. Para a CVM, esconder essa natureza da operação distorcia as informações apresentadas ao mercado e era irregular.


A orientação criou um problema para a Americanas. Segundo diz Abrate na delação, as cartas de circularização dos bancos, até então tratadas como uma etapa simples da auditoria, passaram a ser um ponto sensível. Essas cartas eram usadas pelos auditores para confirmar diretamente com as instituições financeiras as dívidas, aplicações e outros ativos e passivos existentes entre os bancos e a companhia.


Se os bancos informassem o risco sacado como dívida financeira, os auditores teriam acesso ao endividamento que a Americanas mantinha fora dessa classificação no balanço. A fraude ficaria exposta.


Na auditoria de 2015, realizada no início de 2016, o tema ainda era novo. Segundo Abrate, nem a companhia, nem os auditores, nem os bancos tiveram tempo para discutir em profundidade como o risco sacado seria informado nas circularizações e contabilizado.


No ano seguinte, para a auditoria referente ao exercício de 2016, a questão se tornou inevitável. Abrate, então diretor de Relações com Investidores da B2W, controlada pela Americanas, foi designado para conversar com os bancos. Ele foi escolhido, segundo seu próprio relato, porque era o executivo com melhor interlocução com as instituições financeiras.


A missão era saber como os bancos classificariam o risco sacado nas cartas enviadas aos auditores. Abrate levou a Santander e Itaú a posição da companhia: a Americanas tratava as operações como comerciais e, portanto, defendia que elas ficassem fora das cartas de circularização.


O argumento financeiro também foi colocado na mesa. Abrate afirma na delação que informou aos bancos que, se os valores do risco sacado fossem apresentados aos auditores como dívida financeira, a Americanas deixaria de usar o produto. A razão era simples: o limite de endividamento bancário seria extrapolado e os indicadores financeiros da companhia ficariam muito ruins.


Segundo ele, as primeiras conversas ocorreram com André Juaçaba, no Santander, e Gustavo Balassiano, no Itaú. Nenhum dos dois tinha autonomia para resolver o assunto. A discussão, então, subiu dentro dos bancos.


No Itaú, segundo Abrate, Gustavo Balassiano encaminhou o tema ao diretor José Rudge, que levou a discussão ao Comitê Executivo do banco. O comitê era presidido por Cândido Bracher e tinha a participação dos diretores Alberto Fernandes, André Rodrigues, Eduardo Vassimon e Caio David.


No Santander, André Juaçaba submeteu a questão às esferas competentes. Abrate afirmou acreditar que, como ocorreu no Itaú, o tema foi levado ao Comitê Executivo do Santander, com participação de Jean Pierre, chefe de Juaçaba, de Sérgio Rial, então presidente do banco, e de outros diretores.


A decisão dos dois bancos foi a mesma. Depois das consultas internas, Santander e Itaú informaram a Abrate que concordavam com o entendimento da Americanas. O risco sacado seria tratado como operação comercial e não seria informado nas cartas de circularização, em desacordo com a CVM.


Segundo Abrate, os bancos chegaram a esse entendimento para não perder uma operação que “rendia muito dinheiro”. O risco sacado, afirmou o delator, não era realizado apenas com a Americanas e suas controladas.


A partir daquele momento, as operações de risco sacado deixaram de aparecer nas cartas enviadas aos auditores. Segundo Abrate, o entendimento firmado no início de 2017 seguiu até 2022.


No caso do Santander, a atuação foi além. Segundo Abrate, durante a negociação da redação das cartas de circularização, André Juaçaba pediu que a Americanas alterasse o teor da solicitação de informações enviada ao banco. A mudança permitiu que o Santander respondesse à auditoria sem incluir as operações de risco sacado.


Segundo Abrate, o banco orientou a companhia sobre como redigir a solicitação para que pudesse respondê-la sem inserir essas operações. Naquele dia, o executivo estava em São Paulo e entrou em contato com a sede da Americanas, no Rio de Janeiro, para avisar que uma nova carta de solicitação chegaria do Santander e precisaria ser assinada e reenviada ao banco.


Na prática, segundo a investigação, o Santander não apenas deixou de informar a dívida financeira aos auditores. Também ajudou a moldar o documento usado para manter essa dívida fora do alcance da auditoria independente.


Os demais bancos seguiram o entendimento de Santander e Itaú. A partir de então, as cartas de circularização passaram a ser emitidas sem as informações sobre risco sacado. Para o mercado, o dado deixou de ser transparente.


O papel dos bancos na ocultação do risco sacado não aparece apenas na delação de Fábio Abrate, embora esse seja o relato mais detalhado. A PF também encontrou conversas de WhatsApp e e-mails, localizados em dispositivos apreendidos, que mostram tratativas entre funcionários da Americanas e de instituições financeiras sobre a alteração das cartas de circularização enviadas aos auditores.


As delações de Marcelo Nunes e Flávia Carneiro, ambos ex-diretores, reforçam esse quadro. Nunes relata a reação interna de pânico após a CVM exigir mais transparência sobre o risco sacado, em 2016, e diz que Abrate assumiu a negociação com os bancos. Carneiro descreve as circularizações bancárias como parte da dinâmica da fraude, e não como um episódio isolado.


Esse conjunto de elementos levou a PF a abrir uma frente específica sobre a atuação das instituições financeiras. Na decisão que autorizou buscas contra acionistas de referência da Americanas, a Justiça Federal afirma que mensagens, e-mails e relatórios policiais corroboram as fraudes envolvendo risco sacado, VPCs e cartas de circularização.


Segundo o documento, as comunicações envolveram diretores da Americanas, funcionários de bancos e fornecedores, com o objetivo de submeter documentos à auditoria externa e camuflar a real situação financeira da varejista. O juiz também registrou a participação ativa de representantes de bancos em tratativas para emitir cartas de circularização sem menção a operações creditícias relevantes, como o risco sacado.


A decisão afirma ainda que a apuração não se limita aos interlocutores operacionais dos bancos. Para o juiz, os valores bilionários envolvidos e a necessidade de aprovação interna nas instituições financeiras indicam que operações dessa dimensão não avançavam sem conhecimento de escalões superiores.


O Bastidor procurou o Santander e o Itaú na tarde desta sexta-feira, 26, por meio de suas assessorias de imprensa.


Ao Santander, perguntou se o banco confirma as discussões com a Americanas sobre o tratamento do risco sacado nas cartas de circularização, qual foi a participação de André Juaçaba e Sérgio Rial nas tratativas e com base em qual análise jurídica, contábil ou regulatória a instituição sustentou o entendimento de que as operações deveriam ser tratadas como comerciais. O banco não respondeu até a publicação desta reportagem.


Ao Itaú, perguntou se o banco confirma que o tema foi levado ao Comitê Executivo, qual foi a participação de Gustavo Balassiano, José Rudge e dos integrantes do comitê, com base em qual análise o banco sustentou a classificação do risco sacado como operação comercial e se houve revisão interna desse posicionamento.


Em nota, o Itaú disse que não é investigado e que colabora com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações solicitadas sobre o caso Americanas. O banco afirmou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou, por meio de documentos apresentados à Justiça, “a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários”. Disse ainda que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização, que sempre alertou auditores e reguladores sobre a existência das operações de risco sacado e da exposição da varejista a fornecedores, e que chegou a interromper por mais de seis meses as operações de risco sacado com a companhia. O Itaú afirmou, por fim, que sempre atuou com “rigor ético e regulatório” e que confia no trabalho das autoridades.


https://obastidor.com.br/economia/fraude-com-aval-bancario/

Elena Landau

Terra sem lei Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está ...