segunda-feira, 27 de abril de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Segunda Feira,27 de Abril de 2.026.


*Impasse no Oriente Médio pressiona supersemana*


A superquarta reúne Fed e Copom, enquanto BCE, BoE e BoJ também decidem juros nos próximos dias, no ambiente ainda contaminado pelo avanço do petróleo e riscos inflacionários


… A semana começa sob pressão para os mercados, com uma agenda carregada de decisões de política monetária, em meio ao agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio. A superquarta reúne Fed e Copom, enquanto BCE, BoE e BoJ também decidem juros nos próximos dias, no ambiente ainda contaminado pelo avanço do petróleo e riscos inflacionários. O calendário de indicadores é denso, com IPCA-15, IGP-M, arrecadação, Pnad e Caged no Brasil, além da primeira prévia do PIB/1TRI e do PCE de março nos Estados Unidos. A temporada de balanços ganha tração, com big techs em Nova York e Vale, Gerdau e Santander na B3 – tudo isso antes do feriado de 1º de Maio, na sexta-feira.


NEGOCIAÇÃO FRACASSA –A tentativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana fracassou antes mesmo de começar, desmontando a principal premissa de alívio que sustentou os mercados na sexta-feira.


… O encontro previsto em Islamabad não ocorreu, com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, deixando o Paquistão e o presidente Donald Trump cancelando o envio de seus representantes, em mais um sinal de desencontro entre as partes.


… Mais do que um ruído pontual, o episódio explicita o impasse nas tratativas, com o Irã afirmando que não negociará sob pressão ou bloqueio, enquanto os Estados Unidos mantêm o cerco aos portos iranianos.


… O ambiente de desconfiança mútua trava qualquer avanço diplomático e reforça a leitura de que o conflito caminha para um horizonte mais prolongado, sem sinal claro de resolução.


… Nesse contexto, o Estreito de Ormuz segue como peça central da disputa, com Teerã tratando o controle da passagem como estratégia definitiva na guerra, enquanto forças americanas ampliam a presença militar na região.


… A interrupção do fluxo de petróleo, gás e insumos estratégicos continua pressionando a cadeia global e elevando o custo econômico do conflito, mesmo sob um cessar-fogo que, na prática, não resolve o impasse.


… A deterioração também se reflete em outras frentes da região.


… Apesar da trégua formal, Israel voltou a atacar o sul do Líbano no fim de semana após emitir alertas de evacuação, evidenciando a fragilidade dos acordos paralelos e o risco de novos focos de tensão no entorno do conflito principal.


… O mercado volta a encarar o Oriente Médio não como um episódio de escalada pontual, mas como uma crise prolongada, que deve manter elevados os prêmios de risco — especialmente no petróleo — e seguir contaminando as expectativas de inflação e o crescimento global.


FIM DE SEMANA – No sábado à noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas de um jantar com jornalistas no hotel Washington Hilton, após disparos serem ouvidos no local. Não houve feridos, mas o evento foi cancelado.


… Informações do Serviço Secreto apontam que Trump seria o alvo do atirador, que foi preso e identificado.


SUPERSEMANA – A agenda concentra uma combinação de decisões de política monetária e indicadores relevantes no exterior e no Brasil, em um ambiente ainda pressionado pelo cenário geopolítico — e pelo petróleo — e pelos riscos inflacionários.


… O BoJ abre a sequência antes da superquarta, com a decisão na madrugada de terça-feira, enquanto Fed e Copom anunciam juros na quarta-feira, e BCE e BoE, na quinta. A expectativa é de manutenção das taxas em todos eles, com exceção do BC do Brasil (abaixo).


… Em paralelo, dados-chave de atividade e inflação estão previstos, como a primeira prévia do PIB/1TRI e o PCE nos Estados Unidos, além do IPCA-15 de abril. Nesse contexto, os mercados tendem a concentrar a volatilidade até o feriado de 1º de Maio.


… No início da semana, a agenda é mais leve, com destaque para a confiança do consumidor na Alemanha, hoje, e nos Estados Unidos, amanhã, enquanto no Brasil saem, pela manhã, o Boletim Focus (8h35) e os dados de crédito de março (8h30).


… Na terça-feira, a decisão do BoJ na madrugada é seguida pelo IPCA-15 de abril, que deve acelerar para 0,98% (Broadcast), e pela arrecadação de março no Brasil, com previsão de R$ 229,75 bilhões, além da confiança do consumidor do Conference Board nos Estados Unidos.


… A quarta-feira concentra a decisão do Fed, às 15h, seguida da coletiva de Jerome Powell, além do Copom no fim da tarde. Pela manhã, saem o IGP-M de abril, que deve repetir março em 0,52% (Broadcast), e o IPP. À noite, a China divulga seus índices PMI.


… Na quinta-feira, além das decisões de política monetária do BoE e do BCE, são destaques os resultados preliminares do PIB/1TRI na zona do euro e nos Estados Unidos, que têm ainda o PCE de março. No Brasil, saem dados fiscais, a taxa de desemprego do IBGE e o Caged.


… Na sexta-feira, com mercados fechados no Brasil pelo feriado de 1º de Maio, a agenda segue no exterior com indicadores de atividade nos Estados Unidos, como o PMI e o ISM industrial, encerrando a semana com potencial elevado de volatilidade.


WARSH – Comitê do Senado vota na quarta a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, após o Departamento de Justiça encerrar investigação sobre Jerome Powell, o que abre caminho para o avanço do nome indicado por Donald Trump.


BALANÇOS – A semana também é carregada na temporada do 1TRI, com destaque para as big techs em Nova York e nomes relevantes na B3, em um momento em que os resultados ganham peso adicional na sustentação dos ativos, diante do cenário macro mais incerto.


… Nos Estados Unidos, o foco está nas gigantes de tecnologia, com Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta na superquarta-feira, além de Apple na quinta, em uma semana que também traz nomes como Visa, Qualcomm, Ford, Mastercard e Caterpillar.


… Os números das big techs são decisivos para testar a sustentação recente dos recordes em Nova York.


… Também divulgam balanços bancos como Santander e Deutsche Bank, além de empresas industriais e de energia, como BP, Airbus, Shell e Chevron, ampliando o peso da temporada no cenário global.


… Na B3, a semana é igualmente relevante, com balanços concentrados até quarta e destaque para Gerdau e Assaí hoje (após o fechamento), Vale e Neoenergia (amanhã) e Santander Brasil, Weg, Suzano, Multiplan e Hypera (quarta), e Irani (quinta).


… As prévias do Broadcast junto ao mercado indicam um trimestre forte para a Vale, com lucro estimado em US$ 2,51 bilhões e Ebitda ao redor de US$ 4 bilhões, refletindo o desempenho operacional acima do esperado no período.


… Para a Gerdau, expectativa de lucro de R$ 1,2 bilhão, alta de quase 60% na comparação anual, sustentada pela operação na América do Norte.


… Já o Santander Brasil deve apresentar um desempenho mais moderado, com lucro próximo de R$ 4 bilhões, em meio a uma postura mais cautelosa na concessão de crédito e ajustes internos, incluindo a transição de comando.


PETROBRAS – Divulgará seu relatório de Produção e Vendas referente ao primeiro trimestre de 2026 na quinta (30), após o fechamento.


… Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a Petrobras deverá repassar aos clientes um reajuste de 18% no preço do querosene de aviação (QAV) a partir de sexta-feira (1º de maio), sob os impactos da guerra. O reajuste já teria sido comunicado aos clientes pelas distribuidoras.


… Será a terceira alta seguida do querosene de aviação: 9,4% em março e 54% em abril, com o QAV acumulando elevação de 99%.


… Ainda no front de combustíveis, o governo planeja elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, medida que deve ser analisada pelo CNPE em 7 de maio e que busca reduzir a dependência de importações em meio à alta do petróleo provocada pela guerra.


… A proposta teria caráter temporário, com validade inicial de 180 dias, e poderia reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de compras externas, segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia.


… Em paralelo, o governo prorrogou até 5/5 o prazo para Estados aderirem à subvenção ao diesel, que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro.


SUPERQUARTA –As decisões do Fed e do Copom ocorrem em um ambiente mais complexo para a política monetária global, marcado por inflação resiliente, atividade ainda firme e, mais recentemente, pelo choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio.


… No caso do Fed, o consenso é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com o mercado praticamente descartando mudanças nesta reunião e passando a discutir não mais o início dos cortes, mas a duração de uma política monetária restritiva.


… A precificação indica reduções marginais e tardias, em linha com o último “dot plot”, reforçando a tese de juros elevados por mais tempo.


… O avanço do petróleo adiciona uma camada extra de incerteza, ao elevar a inflação via energia e, ao mesmo tempo, ameaçar o ritmo da atividade global, colocando o Fed diante de um dilema mais complexo e com maior risco de erro de política.


… Nesse contexto, a coletiva de Powell ganha ainda mais peso, em meio à expectativa de que seja sua última à frente da autoridade monetária.


… No Brasil, o Copom decide a Selic no fim da tarde, com a maioria do mercado projetando um novo corte de 0,25 ponto, em um movimento de calibração, diante de um cenário que segue desafiador. Entre 37 instituições consultadas pela Agência Estado, 33 apostam nessa redução.


… A persistência da guerra e o petróleo próximo de US$ 100 reforçam a postura cautelosa do Banco Central, em um ambiente de expectativas de inflação pressionadas, ainda que o câmbio mais comportado ajude a mitigar parte desse impacto.


… O foco deve recair sobre o comunicado e o balanço de riscos, que podem indicar o ritmo dos próximos passos do ciclo de flexibilização.


CURTAS DA POLÍTICA – A semana em Brasília tem como destaque a sabatina de Jorge Messias na CCJ do Senado, na quarta-feira, para uma vaga no STF, com expectativa de votação no plenário (e aprovação do seu nome) no mesmo dia.


… No Congresso, o presidente Davi Alcolumbre convocou sessão para quinta-feira (30) para análise de vetos ao projeto da dosimetria aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, em uma pauta sensível, que pode ter repercussões políticas relevantes.


… Na última sexta-feira, Moraes concedeu prisão domiciliar a dezenas de presos com mais de 60 anos condenados pelos atos golpistas.


… Na Câmara, avança a PEC que propõe o fim da escala 6×1, com instalação de comissão especial e disputa em torno da relatoria, considerada um dos pontos mais sensíveis para o governo Lula, que apresentou um projeto de lei com o mesmo tema.


… O governo também deve lançar no feriado de 1º de Maio um novo programa de renegociação de dívidas, mirando famílias com renda mais baixa e buscando melhorar indicadores de popularidade.


… Em paralelo, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou neste domingo, na Agrishow, uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões para a modernização do setor agrícola, enquanto prepara medidas para renegociação de dívidas rurais.


… No radar político-eleitoral, Genial/Quaest divulga na quarta-feira, 29, nova pesquisa sobre a corrida presidencial.


CAIXA DE PANDORA – O mercado não perdeu a esperança de que as reuniões em separado no fim de semana dos EUA e Irã com o Paquistão (que nem aconteceram) pudessem prosperar para um diálogo diplomático coletivo.


… Mas fora as bolsas americanas, que partiram para novos recordes históricos, porque se entusiasmaram com as gigantes de tecnologia, o alívio da maioria dos ativos globais foi moderado, em sinal de otimismo cauteloso.


… Tanto isso é verdade, que o petróleo Brent nem chegou a cair, ainda que tenha subido muito pouco, só 0,24%, a US$ 105,33. Terminou a semana com um rali acumulado de 16,5%, sem coragem para devolver os excessos.


… Aqui, a torcida por um acordo de paz levou o dólar a operar novamente abaixo dos R$ 5. Mas a queda da moeda americana foi tão modesta, de 0,11%, para R$ 4,9982, que também mal dá para dizer que o câmbio relaxou a tensão.


… Parece mais certo falar que preferiu não escalar o estresse, em clima de expectativa pelas novidades da guerra. 


… Depois de ter chamado o leilão simultâneo de swap reverso e venda de dólar à vista (“casadão, no jargão do mercado), o BC rejeitou todas as propostas, possivelmente avaliando que o mercado exagerou nos prêmios pedidos.


… Nesta última semana do mês, a volatilidade redobrada em torno da disputa da ptax entra em cena no câmbio.


… Lá fora, além de ter operado de olho no envio das delegações americanas e iranianas para Islamabad, o mercado cambial também repercutiu a chance de que Kevin Warsh seja confirmado em breve para o comando do Fed.


… Como se viu, o Departamento de Justiça americano decidiu encerrar a investigação sobre Powell e a reforma da sede do Fed, removendo o obstáculo que faltava para a provável confirmação de Warsh para a vaga na presidência.


… O sentimento é de que o sucessor de Powell imprima um viés mais dovish. O DXY caiu 0,24%, a 98,533 pontos, o euro subiu 0,30%, a US$ 1,1720, a libra ganhou 0,50%, a US$ 1,3533, e o iene se valorizou para 159,43 por dólar.


… Com o campo livre para Warsh assumir a cadeira no Fed, as taxas dos Treasuries caíram, ainda que o mercado considere improvável que o novo presidente americano opte por arriscar a credibilidade da política monetária.


… De qualquer maneira, ao longo de sua gestão, pode contribuir para dar uma marca menos conservadora do Fed.


… O yield da Note-2 anos recuou para 3,778%, contra 3,831% na véspera, e o de dez anos caiu a 4,304% (de 4,326%).


… A melhora da percepção de risco com as negociações presenciais no Paquistão também levou os juros futuros a devolverem por aqui uma pequena parte dos prêmios acumulados ao longo dos últimos dias de tensão com a guerra.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,095% (de 14,128% no ajuste anterior); Jan/28, 13,630% (contra 13,694%); Jan/29, 13,470% (de 13,547%); Jan/31, 13,495% (de 13,590%); e Jan/33, 13,560% (de 13,658%).


BANDEIRA AMARELA – Na sexta-feira, a Aneel confirmou as projeções que vinham circulando no mercado e acionou a bandeira tarifária amarela para maio, após o volume de chuvas dos reservatórios ter ficado abaixo da média.


… Os consumidores de energia elétrica terão custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Desde que o ano começou, a bandeira permanecia verde, tendo vista as condições favoráveis à geração de energia no País.


… A possibilidade de El Niño no segundo semestre do ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça a perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo de 2026.


… A Terra Investimentos não se surpreendeu com a bandeira amarela e manteve a projeção do IPCA de 5,2% no ano.


ME INCLUAM FORA DESSA – Como os demais ativos domésticos, o Ibovespa também teve um pregão morno, com a diferença de que não acompanhou o alívio no dólar e nos juros futuros, e muito menos o impulso das bolsas em NY.


… Os novos recordes de lá foram seguidos por aqui à distância e, no pior momento, o Ibovespa chegou a perder os 190 mil pontos. A bolsa abre cada vez mais longe dos 200 mil pontos, que estiveram tão perto do alcance.


… O sonho ainda não acabou e a conquista desta marca inédita continua valendo nos prognósticos do ano.


… No curto prazo, porém, o que se vê é um refugo da bolsa, que engatou a terceira correção seguida, prejudicada pela Petrobras (PN -1,28%, a R$ 47,16; e ON -0,97%, a R$ 52,24) e pelos bancos. Só Itaú PN subiu: 0,43% (R$ 44,37).


… BB ON caiu 1,30% (R$ 22,70), Santander recuou 0,60% (R$ 29,68), Bradesco PN perdeu 0,25% (R$ 19,92) e BTG devolveu 0,13% (R$ 60,88), derrubando o Ibovespa em 0,33%, aos 190.745,02 pontos, com giro fraco, de R$ 25 bi.


… Às vésperas de seu balanço (amanhã), Vale caiu de leve (-0,12%; R$ 85,87), enquanto o minério subiu 0,19%. Usiminas abriu bem a temporada de balanços: saltou 5,55% (R$ 7,61). Os R$ 8 voltam ao target após quase dois anos.


… Em Nova York, nem bem a safra de resultados corporativos começou, e as bolsas já têm corrido livres.


… O que se comenta é que o mercado de ação continua sensível à guerra, mas a confiança em números positivos das empresas no primeiro trimestre ajuda a absorver os choques do conflito militar, que está difícil de se resolver.


… Meta e Amazon, que soltam balanços na quarta-feira, registraram fortes ganhos de 2,4% e 3,5%, respectivamente, no último pregão, depois de terem anunciado um acordo bilionário para o uso de chips de inteligência artificial.


… A controladora do Facebook e do Instagram também repercutiu bem a demissão de 10% de sua equipe.


… Intel saltou 23,64% com o balanço melhor do que o esperado e o guidance positivo para este segundo trimestre.


… O Nasdaq avançou 1,63%, a 24.836,60 pontos, e o S&P 500 subiu 0,80%, a 7.165,08 pontos, ambos renovando as suas máximas de fechamento de todos os tempos. Só o Dow Jones ficou de fora e caiu 0,16%, aos 49.230,71 pontos.  


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE formalizou a incorporação da Baovale Mineração para simplificar estrutura e reduzir custos. A Vale que já detém 100% das ações da Baovale, o que elimina a necessidade de emissão de novas ações.


BANCO DO BRASIL estima R$ 3 bilhões em propostas de crédito na Agrishow, que será realizada entre 26 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP).


BRB. Fachin suspendeu decisão que proibia venda de bens do DF para cobrir rombo do Master no banco.


BTG alertou clientes de contas internacionais sobre possível vazamento de dados após ataque hacker à parceira DriveWealth; banco afirma que não houve impacto em ativos, mas fará troca de números de contas.


RAÍZEN enviou proposta alternativa a credores para captação de R$ 2,5 bilhões a R$ 5 bilhões, que se somaria a R$ 4 bilhões com que a Shell e Rubens Ometto (presidente do conselho da Raízen) se comprometeram. (Bloomberg)


SUZANO confirmou captação de US$ 400 milhões com vencimento em 2033 e avanço em reestruturação de dívida.


ELDORADO captou US$ 400 milhões com vencimento em 2033 e avançou em reestruturação de dívida.


ENGIE pagará R$ 657,7 milhões em proventos (R$ 0,0875 em JCP e R$ 0,4882 em dividendos). Ex em 05/05. A empresa também ratificou a aquisição do controle acionário da Companhia Energética do Jari.


ENEL. Fitch rebaixou ratings de AAA(bra) para AA+(bra), com perspectiva negativa…


… Enel SP tenta reverter processo na Aneel que pode levar à caducidade da concessão. (fontes do Broadcast)


ISA ENERGIA. Axia afirmou em formulário 20-F que há 16 ações que contestam privatização da companhia.


SABESP avalia incorporar a totalidade das ações da EMAE que ainda não possui, que viraria subsidiária integral. O preço da ação da EMAE em OPA unificada proposta será de R$ 61,83.


HAPVIDA teve participação dos controladores reduzida para 52,47% do capital, de 55,4%…


… O movimento ocorreu um dia depois de a família Pinheiro, fundadora e controladora da operadora, ter elevado a participação de 51,39% para 55,4%, às vésperas da eleição do novo conselho de administração, na próxima quinta…


… A gestora Squadra, que publicou uma dura carta questionando a atual gestão da companhia, está indicando três nomes para o conselho: Eduardo Parente, Tania Sztamfater Chocolat e Bruno Magalhães e Silva.


ONCOCLÍNICAS. Faltando poucos dias para a assembleia que definirá o novo conselho, na quinta, a Mak Capital, que detém 6,38% da empresa, conseguiu maioria para indicar Marco Grodetzky à presidência do colegiado…


… Mas o resultado desagradou à Latache, acionista com quase 15%. A ideia era chegar à assembleia com uma chapa única. No entanto, não se chegou a um consenso…


… O vice-presidente e sócio da Latache, Marcel Cecchi, renunciou. O cargo passa a ser ocupado pelo atual diretor presidente e diretor médico da companhia, Carlos Gil Moreira Ferreira, até a assembleia desta semana.


MAGAZINE LUIZA pagará R$ 63 milhões em dividendos (R$ 0,0813 por ação). Ex em 27/04.


RIACHUELO. O Citi iniciou a cobertura da ação ordinária da empresa com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14, o que representa um potencial de valorização de 43,3% contra o fechamento de sexta-feira.


SIMPAR captou R$ 1,7 bilhão em aumento de capital e abriu subscrição de sobras.


MOVER vendeu participação de 14,86% na Motiva ao Bradesco BBI por mais de R$ 5 bilhões.


HELBOR pagará R$ 2,67 milhões em dividendos (R$ 0,02015 por ação) em 29 de maio em duas parcelas. A primeira será paga aos acionistas que detinham papéis da companhia ao final do pregão de 5 de janeiro de 2026…


… A segunda parcela será destinada aos investidores posicionados na base acionária ao fim desta sexta-feira (24).


ÂNIMA EDUCAÇÃO pagará R$ 29 milhões em dividendos (R$ 0,07778 por ação). O pagamento será realizado em 15 de maio, com base na posição acionária de 24 de abril.


ENJOEI aprovou redução de capital de R$ 426,1 milhões, passando o capital social para R$ 250,9 milhões.


WESTWING. Agruciacapital passou a deter 5,05% do capital social.


UNIÃO PET. Fundos Kinea elevaram participação para 10,13% do capital, de 9,10% anteriormente.

Gilmar e a derrota auto-infligida

 Gilmar e a derrota autoinfligida

Marcus André Melo

Folha de São Paulo, 26/4/26


“Entrevistas recentes do ministro Gilmar Mendes têm causado perplexidade pelo tom defensivo e pelos ataques desferidos. Em vários momentos, não fica claro se suas falas constituem narrativas retóricas em reação à onda de críticas ao Supremo, avaliações efetivas dos fatos ou simplesmente atos falhos.


Dentre estes últimos, sua afirmação que oSupremo é parlamentarista deixa entrever uma visão da corte como governo ou estado dentro do estado, no qual ele próprio seria uma espécie de primeiro ministro que já teria iniciado démarches com chefes do poder executivo e das casas do legislativo para um "pacto republicano".


A imagem sinaliza também a pouca importância do Presidente Fachin, que seria mero chefe de estado, uma rainha da Inglaterra. E mais: o ministro afirmou que os pesos das vozes dentro da instituição são diferentes, que a representatividade delas é distinta: algumas delas podem paralisar iniciativas. Em bom português, alguns ministros valem mais que outros.


A outra face da moeda nessa toada é que para o ministro o ambiente externo do tribunal parece não importar ou importar pouco, o que contrasta marcadamente com os achados da literatura, como analisei aqui. Em "Judicial Reputation: A Comparative Theory", Garoupa e Ginsburg argumentam que a reputação é crítica para a autoridade e eficácia das cortes, especialmente porque os juízes carecem, "do poder da espada e do dinheiro". Por isso seria o "poder menos perigoso" como diria Hamilton. E deveria, segundo um analista famoso, cultivar "virtudes passivas", e.g. autocontenção.


Gilmar faz tudo ao contrário. Convoca a imprensa. E borra a defesa de indivíduos e instituição. Mas por quê? Quem busca mobilizar e para qual batalha? Quem mobiliza tipicamente está perdendo, mas não sabemos para que ou contra quem. Inimigos internos? Os novos senadores eleitos em novembro?


O ministro atacou a imprensa e comparou descabidamente a reputação desta última com a do próprio tribunal. Minimizar aqui a magnitude do escândalo é uma autossabotagem. A reputação não se mede apenas em pesquisas de opinião. Embora seja fato que a maioria da população —a estimativa é de algo entre 60% (Atlas Intel) e 53% (Datafolha) da população— não tem confiança na instituição. Como Garoupa e Ginsburg mostram, a reputação na audiência interna da corte —a comunidade jurídica— é crucial. E nela o impacto tem sido colossal. Idem, na imprensa.


Na imprensa nacional, já se acumulam dezenas de editoriais críticos dos principais veículos; na internacional, a cobertura aponta para uma crise de grande envergadura. A The Economist traz manchetes como "Impropriedade Suprema" e "Vasto escândalo na corte; o El País afirma que o caso "abala a confiança no Supremo" e "projeta uma sombra sobre o juiz mais poderoso do país"; e o Financial Times alerta para "riscos à integridade institucional".


A escala do impacto reputacional é consistente com a natureza dos malfeitos: trata-se de escândalo absolutamente inédito em nossa história. E mais: envolve não apenas um membro do tribunal, mas dois. A mobilização pelo ministro é uma espécie de derrota autoinfligida. Quanto mais intervém, maior o dano reputacional.”

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,8% US tech +2% US Semis +4,3% UEM -0,2% Espanha -1,1% VIX 18,7% Bund 3,01%. T-Note 4,32%. Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,46% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,65% Euribor 12m 2,735% (fut.12m 2,926%) USD 1,172 JPY 186,9/€ 159,5/$. Ouro 4.714$. Brent 107,4$. WTI 96,1$. Bitcoin -0,2% (77.749$). Ether -0,1% (2.323$). 


SESSÃO. Tom positivo. Excelente sessão americana na sexta-feira (não tanto a europeia), sobretudo para os semicondutores (+4,3%), que acumulam nada menos do que 18 subidas consecutivas. Continuam a ser a nossa recomendação nº1. Devido a essa subida tão forte na sexta-feira, a sessão de hoje deverá ser de estagnação ou mesmo de ligeira correção como reação natural. Mas muito limitada (cerca de -0,2%) e apenas para algum descanso, porque nesta fase o mercado já assumiu que irá conviver por tempo indefinido com o conflito no Irão e com um petróleo errático, mas não incomportável (insistimos que deverá recuar progressivamente para os 85$ em dezembro). Os resultados empresariais dão suporte, o ciclo económico mantém-se expansionista, ainda que com menor impulso, a inflação sobe mas é suportável e deverá desacelerar gradualmente, e é pouco provável que os bancos centrais subam taxas (apesar do suposto consenso nesse sentido).


GEOESTRATÉGIA. Tom tendencialmente positivo. O Irão pede um acordo para reabrir Ormuz, desde que a questão nuclear seja excluída. Este gesto evidencia que necessita de vender petróleo para garantir a sobrevivência do regime (tal como temos vindo a defender do ponto de vista geoestratégico), pelo que agora é claro que são os EUA que detêm a chave de qualquer acordo… e é pouco provável que cedam facilmente, uma vez que já não estão pressionados pelo consumo de armamento, dado que, na prática, a guerra terminou (não há combates nem ataques). Podemos dizer que os objetivos militares dos EUA (essencialmente neutralizar o Irão) já foram alcançados.


A tentativa de atentado contra Trump poderá favorecer a sua popularidade, enquanto Kevin Warsh poderá obter rapidamente aprovação do Senado para substituir Powell na Fed, uma vez que já não existe processo legal contra este último após a retirada das acusações.


COMPANHIAS. Tom positivo. Com cerca de 30% das empresas americanas já a reportar, o BPA médio cresce +26,8% vs +14,4% esperado, pelo que o balanço é francamente positivo. Esta semana o fluxo de resultados atinge o pico, com 5 das “7 Magníficas”: na quarta-feira Alphabet, Microsoft, Meta e Amazon, e na quinta-feira Apple.


MACRO. Tom neutro, mas com impacto positivo dos indicadores recentemente divulgados. Esta semana reúnem-se os bancos centrais do Japão (terça-feira), Canadá e EUA/Fed (quarta-feira) e UEM/BCE e Banco de Inglaterra (quinta-feira)… todos deverão manter taxas, o que, de certa forma, reforça a nossa estimativa de que não haverá subidas adicionais, mesmo com alguma pressão inflacionista… e que a Fed poderá até cortar uma vez este ano. A nossa estimativa vai contra o consenso, mas temos uma convicção relativamente elevada.


CONCLUSÃO. Mantemos a perceção de consolidação em tendência ascendente, o que significa que o cenário negativo seria lateralização e o positivo a continuidade do movimento de recuperação. Wall Street destaca-se positivamente face à Europa e deverá continuar a fazê-lo, mas a nossa estratégia de investimento já está mais exposta aos EUA do que à UEM, pelo que não surpreende. A sessão americana de hoje poderá ser mais fraca (cerca de -0,2%), mas apenas como reação natural após as fortes subidas de sexta-feira. Obrigações e divisas permanecem relativamente estáveis, praticamente laterais nos últimos dias. O tom dos próximos dias será sobretudo condicionado pelos resultados e guidance de 5 das “7 Magníficas” entre quarta e quinta-feira. Não antecipamos um mercado negativo — pelo contrário — salvo alguma surpresa negativa pouco provável.


FIM

Paulo Roberto de Almeida

 Oskar Schindler caiu desfalecido no meio da rua em 9 de outubro de 1974, na cidade alemã de Hildesheim. Morreu ali mesmo, vítima de insufic...