Análise Bankinter Portugal
NY -0,4% US tech +0,2% US Semis +3,4% UEM +0,2% España -0,1% VIX 15,3% Bund 3,38%. T-Note 4,78%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,82% PT 3,72% ITA 4,21% FRA 4,24% Euribor 12m 3,116% USD 1,163 JPY 178,4/€ 153,5/$. Ouro 4.469$. Brent 97,9$. WTI 93,3$. Bitcoin -1,2% (78.834$). Ether -1,1% (2.477$).
:: SESSÃO. Ontem, sessão tranquila nas bolsas, sem referências desde os EUA, que estiveram fechados devido ao Dia do Trabalho. As principais bolsas europeias fecharam com sinal misto, entre +/-0,3%.
A pressão em alta no preço do petróleo, que voltava a aumentar +1,2% até 97 $/barril, contrastava os bons dados macro que conhecemos na zona euro: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, até +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
No mercado das divisas, destaque para a forte apreciação do yen (+4,5% na semana, até 153,5 $), pelas expetativas de endurecimento monetário por parte do Banco do Japão. Espera-se que suba +25 p.b. até 1,25%, a 18 de setembro. Também pode ter sido o caso do governo japonês aproveitar o feriado norte-americano para intervir na divisa. Em qualquer caso, a forte apreciação da divisa acelera o desmantelamento do famoso carry trade, o que pode gerar volatilidade no mercado.
Para hoje esperamos uma sessão parecida à de ontem, sem um rumo claro, embora com um pouco mais de volume com a reabertura dos EUA. Na frente geoestratégica, o Irão afirmou estar perto de um acordo com Omã para estabelecer uma rota segura pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent continua perto dos 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações.
O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada.
Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Carlos Alberto Sardemberg

Carlos Alberto Sardemberg

“Muitos analistas sugeriram que Alexandre de Moraes deveria renunciar ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da revelação dos fortes indícios de relações impróprias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Afastado, Moraes contrataria um bom advogado e se dedicaria a sua defesa. Seria, de fato, uma atitude republicana, levando em conta os interesses do país — dado o tamanho do caso — e preservando o próprio STF.
Se fizesse isso, Moraes se despiria da couraça que o protege — o poder do cargo — e perderia o foro privilegiado. Voltaria a ser um brasileiro comum, embora rico. Especulando: que condições deveriam estar presentes para que Moraes tomasse tal decisão? Duas: a convicção pessoal de que é inocente e a certeza de que teria um julgamento justo.
Tire o leitor suas próprias conclusões — mas Moraes não apenas permaneceu no cargo, como usou seus poderes para atacar, não para se defender. Atacou o ministro André Mendonça, que havia tornado público o relatório da Polícia Federal (PF) em que aparecem fortes indícios de que Moraes mantinha as tais relações impróprias com Vorcaro. Aliás, “relações impróprias” é a expressão mais leve que se pode aplicar ao caso. Pelos três grandes jornais brasileiros, muitos se referiram a Moraes como advogado, conselheiro ou funcionário do banqueiro que praticou a maior fraude financeira da História brasileira. (…)
Muitos juristas opinaram sobre o caso. Alguns disseram que a atitude de Mendonça pode ter atropelado o devido processo legal. Outros afirmaram que o ministro relator tem a prerrogativa de mandar investigar. Aliás, no inquérito das fake news, Alexandre de Moraes fez isso diversas vezes — e logo determinando mandados de prisão, busca, apreensão e censura. Mendonça não fez nada parecido. Não pediu a apreensão para perícia dos celulares de Moraes, onde podem estar as respostas a Vorcaro. De todo modo, depois do formal, resta o conteúdo — não contestado nem por Moraes, nem por Gonet. E o conteúdo é devastador.
De maneira que ficamos assim: de um lado, Mendonça recomenda a investigação de Moraes, com base no relatório (oficial) da PF que apanhou as 51 conversas entre o ex-banqueiro e o ministro. Os crimes apontados são advocacia administrativa, corrupção, prevaricação e exploração de prestígio. Dá cadeia. De outro, Moraes pede a investigação de Mendonça, por vícios formais no processo.
O presidente do STF, Edson Fachin, chamou os dois processos para seu gabinete. E deu prazo de cinco dias úteis para que todos os envolvidos se manifestem. O pessoal do abafa, a longa fileira de autoridades que se beneficiaram do dinheiro de Vorcaro, já está em campo. A tese: um caso anula o outro, um empate. Assim, segue o argumento, ou os dois ministros estão inocentados ou os dois devem ser punidos.
Não poderia haver ofensa maior ao povo brasileiro. Não há empate. Um ministro aparece como interlocutor e consultor de um fraudador do sistema financeiro. Esse é o conteúdo. Outro ministro talvez tenha ido além de sua autoridade formal. Parece claro, mas já ofenderam o povo tantas vezes.”
Ver menos
Amilton de Aquino
Como meus amigos devem ter percebido, quase não posto mais nas redes sociais. A razão é a desesperança. Mas hoje estou saindo um pouco da abstinência para falar algumas coisas que estão entaladas. Então, vou direto ao ponto: o que fazer para resolver a crise institucional que nos arrasta para o abismo?
Primeiro, vamos imaginar uma vitória de Lula. Ele indicará mais quatro ministros para o STF. Ou seja, se hoje está tudo quase dominado (pois nos resta a esperança de que a pressão da opinião pública leve Cármen Lúcia a pender a balança contra a ala lulista, que vai tentar de tudo para manter Moraes e Toffoli), uma continuidade de Lula tende a consolidar, de forma escancarada (e talvez irreversível), a ditadura de toga no Brasil. Ora, se nem mesmo a comprovação de que ministros do STF ganharam centenas de milhões para proteger o maior gângster do país é suficiente para destituí-los do poder, nada mais será.
Do ponto de vista econômico, o cenário também se agrava, pois Lula, em vez de acenar para algum controle de gastos, faz justamente o contrário: agora promete estender o Pé-de-Meia também aos alunos do Ensino Fundamental. Ou seja, a dívida pública segue estourando, continuamos pagando mais de um trilhão em juros e estamos agora mais endividados do que nunca — governo e população. É crise certa.
Agora, vamos imaginar uma vitória de Flávio Bolsonaro. Certamente não seria o Bolsonaro do início do governo, incentivando protestos contra o STF. Seria o Bolsonaro pós-pandemia, sentado no colo do Centrão. Aliás, neste momento já está de conchavo com Gilmar Mendes, tendo orientado seu líder no Congresso, Rogério Marinho, a não assinar o pedido de impeachment de Moraes no Senado. Tudo em nome da “institucionalidade”, explicou Marinho!
Do ponto de vista econômico, o país ganharia um fôlego para baixar a curva de juros futura, o que se refletiria positivamente nos demais indicadores. Mas não seria suficiente para nos livrar da crise já contratada por Lula, exigindo cortes de gastos impopulares. O PT, claro, surfaria na onda da impopularidade do governo Flávio, já preparando a narrativa para voltar em 2030.
Do ponto de vista moral, em ambos os casos, Vorcaro terá amigos no poder. Ou seja, continuaremos sendo o país da corrupção institucionalizada.
Até aqui, nenhuma novidade. Eu já esperava por esse cenário desde que Flávio foi escolhido em detrimento de Tarcísio de Freitas. Por isso, parei de postar.
Mas eu ainda tinha uma vaga esperança de que Renan Santos despontasse como uma opção viável, pelo menos para 2030. Até a ascensão de Cury, tudo se encaminhava para isso. Em terceiro nas pesquisas, ele estava pautando os debates, tocando nas feridas, falando o que precisava ser falado — seja sobre os remédios amargos para a economia, seja no combate às narrativas politicamente corretas dominantes que dão sustentação ao PT no poder.
Mas eis que surgiu mais um coach pelo caminho.
Cury não tem a menor chance nem energia para chegar ao segundo turno, nem de almejar qualquer coisa para o futuro, mas já conseguiu estancar o crescimento de Renan Santos. A grana investida pelo Avante em bots indianos na madrugada pós-debate da Band e em influenciadores — inclusive Pablo Marçal — surtiu efeito. Parte do eleitorado de centro, cansado do PT e do bolsonarismo, apostou suas fichas em um pastel de vento.
Após sua vergonhosa participação na sabatina do JN, achei que Cury iria murchar e Renan recuperaria sua trajetória de crescimento, especialmente depois de ter vencido Toffoli em sua desastrada tentativa de impedir sua campanha.
Ao que as pesquisas apontam até aqui, nenhum sinal disso acontecer.
Ou seja, o Brasil não merece Renan Santos: um candidato sem rabo preso, inteligentíssimo, com experiência política e administrativa, preparado para debater qualquer assunto e com coragem de colocar a própria vida em risco em nome de uma causa perdida como o Brasil.
Então, volto à questão inicial deste post: como dar um basta na ditadura de toga?
Renan Santos mostrou que é possível. Desde a primeira sabatina, deu a fórmula: decisão ilegal não se cumpre.
“E quem decide o que é legal?”, perguntou a jornalista global.
“A Constituição”, respondeu Renan.
Dias depois, Renan teve a oportunidade de colocar à prova sua afirmação. E venceu.
Toffoli teve que voltar atrás porque percebeu que, do outro lado, havia alguém disposto a ir para a cadeia em nome do que acredita — algo que poderia escancarar ainda mais para o mundo o absurdo a que chegamos. E então, voltou atrás.
Enfim, registro aqui meu desabafo para fazer justiça a Renan e ao partido Missão — um esforço hercúleo de uma juventude que lutou anos e anos para fundar um partido com um projeto de país.
Que essa nova geração consiga dar um rumo ao Brasil, pois, a depender do nosso eleitorado atual, nosso país, na melhor das hipóteses, continuará sendo a eterna promessa do país do futuro que nunca chega. Da minha parte, ciente que não vou ver o país que Renan sonha, vou cuidar da minha vida. Boa sorte para as novas gerações.
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