Fiquei impressionado - sério! - com a repercussão das minhas experiências nos EUA, entre os anos de 1973/74. Motivou comentários mil.
Observo que há muitos amigos que viveram nos EUA, no Canadá ou em países europeus, e que foram para lá como adeptos do socialismo, parece que nada apreenderam destas suas experiências. Alguns destes amigos e conhecidos fizeram mestrados e doutorados em países democráticos mas retornaram ainda com as velhas ideias socialistas mofadas.
Tenho um amigo de longa data com três doutorados em diferentes países democráticos e de economias abertas mas que, em recente depoimento na internet declarou voto ao Lisinácio. Este presidente engana quando afirma ter criado 15 universidades. Aqui em Curitiba ele mudou para Universidade o nome do Instituto Tecnológico, que funcionava há décadas. Fácil criar universidades mudando nomes.
Em meu mestrado em Ciência Política, na Unieuro em Brasília, apenas um dos professores era adepto da economia de mercado, com doutorado na Universidade de Chicago. Li todos os livros indicados por eles e os que mais me fizeram a cabeça eram os aconselhados pelo mestre formado em Chicago, famosa pela formação de profissionais com ideias liberalizantes.
Um dos professores ficou muito chocado quando descobriu que eu não era socialista, Ele não conseguia entender o que lhe parecia ser uma incongruência. Respondia a ele que incongruente era trabalhar em um jornal econômico, mantido por empresários, sendo um verdadeiro socialista.
O próprio Roberto Marinho empregava repórteres socialistas. "Deixe os meus comunistas em paz", disse ao ex-presidente Médici. O dono de O Globo explicava que se abrisse o jornal para jornalistas de direita corria o risco de perder o poder.
No Brasil os governos se intrometem em tudo. O Estado é mastodôntico. Basta lembrar que 75% das notícias publicadas diariamente na nossa imprensa têm origem nos Três Poderes, em Brasília. O percentual indica a dependência do país ao governo, quando deveria ser ao contrário. O governo atendendo os interesses de quem trabalha e gera impostos.
É comum lermos os depoimentos de criadores tecnológicos norte-americanos, como Steve Jobs e outros, de que começaram as suas empresas milionárias nas garagens de suas casas.
Isso seria impossível no Brasil. Digo por experiência própria. Anos atrás fui convidado para trabalhar como assessor de imprensa de uma Associação federal. Salário muito bom para a época, mas sem carteira de trabalho assinada. Teria de me tornar um MEI (Micro Empresário Individual) para ter nota fiscal ao receber os meus proventos mensais.
Enfrentei sozinho a enorme burocracia, o que me levou a contratar um contador especializado, que me cobrou R$ 800,00 para providenciar a papelada. Uma boa grana na época.
Coloquei como endereço comercial, a nossa casa em um condomínio rural. Afinal, apesar de micro empreendedor em assessoria de imprensa, só tinha mesmo um chefe e empregador, com quem deveria trabalhar diariamente, em sala a mim destinada.
Tudo correu bem no primeiro mês. Recebi meus proventos, entreguei a NF ao empregador e... recebi uma multa de R$ 800 porque não poderia cadastrar a minha microempresa em um endereço residencial, mesmo que rural. A MEI deveria ter, obrigatoriamente, um endereço comercial, para não incomodar os vizinhos.
Aleguei ao fiscal que trabalhava redigindo textos em computador, que era - e ainda é - um equipamento silencioso. Aleguei ainda que os meus vizinhos também usavam computadores e trabalhavam em suas casas.
- Então, por que não posso ter em minha casa, ou em minha garagem, como os americanos, o meu endereço comercial?.
Repetiu o tal fiscal, no mesmo tom professoral, que eu deveria alugar uma sala em área comercial, e que, como ele bem sabia, ficaria vazia. Aleguei também que ele iria lá e, como a sala estava sempre vazia, deixaria ouras multas por baixo da porta. Sem contar que teria de pagar, além do aluguel, as taxas de condomínio, de água e luz. Nem assim o homem amoleceu a sua alma dura, burocrática e fiscalizadora.
Mas, como todos nós sabemos, a burocracia brasileira se apega a detalhes de somenos importância. Como esta de que não se pode abrir uma empresa na garagem de casa, se não morarmos em uma área comercial.
Ah! Uma boa amiga, arquiteta, solidária com estes meus perrengues fiscais, me emprestou o endereço de sua sala e estúdio, em área comercial. Mas se esqueceu de informar o empréstimo do endereço à recepcionista. O fiscal, claro, foi lá bisbilhotar. A pobre recepcioonista, claro, disse ao fiscal do trabalho que eu não trabalhava naquele endereço. Outra multa de R$ 800.
Bem, ainda bem que os tais fiscais do trabalho pararam de me perseguir e pude trabalhar em paz pelo prazo de um ano de vigência do tal contrato, sem qualquer endereço registrado.
Bem, o tal contrato foi suspenso na data aprazada, coincidentemente quando alguém alegou ao presidente da tal Associação que pegaria mal e teria manchetes negativas caso a imprensa descobrisse que, em um dos Três Poderes, havia funcionários que trabalhavam sem a carteira de trabalho assinada. Nem eu, talvez por ser parte interessada, tinha pensado nesta hipótese.
Bem, como o presidente não assinou a minha carteira, corri e contratei o mesmo contador para dar baixa na tal microempresa individual, o que me custou outros mil reais (inflação!) e uma promessa: jurei a mim mesmo que nunca mais abriria outra MEI.