quinta-feira, 18 de junho de 2026

Call Matinal 1806

 Call Matinal

18/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1706)

MERCADOS

Na quarta-feira (17), o Ibovespa fechou em baixa de 0,7%, a 168.453 pts. Já o dólar comercial operou em alta de 0,42%, a R$ 5,1077. Impacto foi mais suave, amortizado pelo fato a Selic continuar elevada, mesmo após o corte de ontem do Copom, o que ainda mantém o carry trade atraente.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em alta nesta quinta-feira (18), após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar um acordo preliminar para encerrar a guerra com o Irã. A perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio também pressiona os preços do petróleo.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,55%

S&P 500 Futuro: +0,87%

Nasdaq Futuro: +1,50%

Bolsas operando em alta, mesmo com o tom mais duro do Fed na deliberação do Fed Funds.    

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,43%

Nikkei (Japão): +1,65%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,09%

Nifty 50 (Índia): -1,59%

ASX 200 (Austrália): -0,62%

Ações asiáticas fecharam mistas, mas repercute decisão do Fed.

Europa

 

 

 

STOXX 600: -0,49%

DAX (Alemanha): -0,12%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,89%

CAC 40 (França): +0,09%

FTSE MIB (Itália): -0,25%

Bolsas europeias mistas diante do tom mais duro do Fed. Hoje temos reunião do Bank of England.    

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -2,46%, a US$ 74,90 o barril

Petróleo Brent, -2,04%, a US$ 77,93 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -1,13%, a 747,00 iuanes (US$ 110,54)

Bitcoin, +0,13%, a US$ 64.447,99

Petróleo em alta leve, diante do acordo de Paz e a reabertura do Estreito de Ormuz.

 

NO DIA, 1806

Ao fim, o FOMC veio com a manutenção do Fed Funds, mas num discurso mais hawkish. Já o Copom veio reduzindo a Selic, cauteloso, abrindo espaço para a manutenção da taxa nas próximas reuniões. Reconheceu a piora do cenário inflacionário, mas encontrou espaço para manter aberta a discussão sobre a magnitude final do ciclo de flexibilização da Selic. Em comum, os dois recados mostraram que a inflação continua sendo a variável central para os mercados. Em detalhamento, o Copom reduziu em 0,25 pp, a 14,25%. O comunicado se mostrou mais preocupado, com destaque “para a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, a resiliência do mercado de trabalho, a piora das expectativas de inflação e os riscos associados à guerra no Oriente Médio”. Já nos EUA, a taxa básica foi mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas a atenção do mercado se concentrou nas novas projeções econômicas e no gráfico de pontos, que mostraram um comitê mais preocupado com a inflação e menos disposto a cortes.

 

Agenda macro 15 a 19 de junho

 

Quinta-feira, 18 de junho

08h00 – Reino Unido: BoE – Decisão de juros

Sexta-feira, 19 de junho

Suíça: Assinatura formal do acordo EUA-Irã

 

 

Boa semana para todos!

Vai rolar...

 Vai rolar: Fed fecha portas. Copom deixa a fresta


[18/06/26] A Superquarta terminou com menos incerteza geopolítica e mais dúvidas sobre os juros. O acordo entre Estados Unidos e Irã entrou em vigor e reduziu parte das preocupações com o petróleo, mas os bancos centrais seguiram em outra direção. Nos Estados Unidos, a estreia de Kevin Warsh no comando do Fed reforçou a percepção de que os juros permanecerão elevados por mais tempo. No Brasil, o Copom também reconheceu a piora do cenário inflacionário, mas encontrou espaço para manter aberta a discussão sobre a magnitude final do ciclo de flexibilização da Selic. Em comum, os dois recados mostraram que a inflação continua sendo a variável central para os mercados. (Rosa Riscala)

👉 Confira abaixo a agenda de hoje

Indicadores
▪️ 08h00 – Brasil: FGV – IGP-M (2ª prévia de junho)
▪️ 09h30 – EUA: Pedidos semanais de auxílio-desemprego
▪️ 09h30 – EUA: Pedidos continuados de auxílio-desemprego
▪️ 20h50 – Japão: Ata da penúltima reunião do BoJ

Eventos
▪️ 09h00 – Reino Unido: BoE – Decisão de política monetária
▪️ 09h15 – Philip Lane (BCE) participa de fórum do Deutsche Bank
▪️ Reunião do Conselho Europeu em Bruxelas

BDM

BDM Matinal Riscala

 *Fed fecha portas. Copom deixa a fresta*

Hoje é a vez do BoE da Inglaterra de decidir juros


18/06/2026


… A Superquarta terminou com menos incerteza geopolítica e mais dúvidas sobre os juros. O acordo entre Estados Unidos e Irã entrou em vigor e reduziu parte das preocupações com o petróleo, mas os bancos centrais seguiram em outra direção. Nos Estados Unidos, a estreia de Kevin Warsh no comando do Fed reforçou a percepção de que os juros permanecerão elevados por mais tempo. No Brasil, o Copom também reconheceu a piora do cenário inflacionário, mas encontrou espaço para manter aberta a discussão sobre a magnitude final do ciclo de flexibilização da Selic. Em comum, os dois recados mostraram que a inflação continua sendo a variável central para os mercados.


SEM PAUSA – O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano, como era amplamente esperado pelo mercado, mas surpreendeu ao evitar qualquer sinalização de interrupção do ciclo de flexibilização monetária.


… A decisão veio acompanhada de um comunicado mais preocupado, com destaque para a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, a resiliência do mercado de trabalho, a piora das expectativas de inflação e os riscos associados à guerra no Oriente Médio.


… O Banco Central elevou sua projeção para o IPCA no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,5% para 3,7%, ampliou o balanço de riscos para a inflação e passou a listar quatro fatores de alta, contra três de baixa.


… Entre eles, incluiu explicitamente estímulos ao consumo capazes de manter a economia crescendo acima do potencial e enfraquecer parte dos canais tradicionais de transmissão da política monetária.


… Em condições normais, a combinação de atividade mais forte, inflação mais elevada e expectativas desancoradas seria suficiente para justificar uma pausa. O Copom, no entanto, foi por outro caminho.


… O Comitê argumentou que o período prolongado de manutenção dos juros em nível contracionista já produziu evidências da transmissão da política monetária para a atividade e que a magnitude total do ciclo ainda dependerá da evolução dos dados.


… A principal novidade foi a sinalização de uma espécie de “rolagem” do horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028.


… Segundo o Banco Central, a trajetória de juros necessária para garantir a convergência da inflação à meta no fim de 2027 levaria as projeções para um nível abaixo da meta a partir do horizonte considerado na próxima reunião.


… Por isso, passou a defender trajetórias alternativas capazes de assegurar a convergência da inflação no início de 2028 com menor volatilidade da atividade econômica. Na prática, piorou seu diagnóstico sobre a inflação, mas preservou espaço para novos cortes da Selic.


… Ao evitar um guidance explícito para uma pausa, manteve aberta a possibilidade de prosseguir com a calibração dos juros.


CHOQUE HAWKISH – A estreia de Kevin Warsh no comando do Fed provocou forte reprecificação das expectativas para os juros americanos.


… Sem surpresas, a taxa básica foi mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas a atenção do mercado se concentrou nas novas projeções econômicas e no gráfico de pontos, que mostraram um comitê mais preocupado com a inflação e menos disposto a cortes.


… O Comitê elevou suas estimativas para a inflação nos próximos anos, com destaque para a forte revisão do núcleo do PCE em 2026, de 2,7% para 3,3%. As projeções também passaram a indicar juros mais elevados por mais tempo.


… Os argumentos: a economia americana continua resiliente; o mercado de trabalho, equilibrado; e as pressões inflacionárias, persistentes.


… O chamado dot plot reforçou a mudança de tom. Nove dirigentes passaram a projetar pelo menos uma alta de juros ainda neste ano, enquanto oito defendem manutenção das taxas e apenas um vê espaço para quedas.


… Para os investidores, a manutenção dos juros ficou em segundo plano diante da percepção de que o debate dentro do Fed deixou de girar em torno de cortes e passou a incorporar a possibilidade de novas altas das taxas.


… Kevin Warsh optou por não divulgar uma projeção individual e aproveitou sua primeira coletiva para reforçar críticas ao excesso de “forward guidance”, sinalizando uma mudança na forma de comunicação do banco central americano.


… Para Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, a reunião reforçou que o Fed voltou a priorizar o combate à inflação.


… Segundo ele, o choque energético ligado ao Oriente Médio passou a aparecer formalmente nas projeções da autoridade monetária, enquanto a combinação de crescimento acima do potencial, desemprego baixo e inflação resistente reduz a necessidade de cortes no curto prazo.


… A reação dos mercados foi imediata – os rendimentos dos Treasuries avançaram, o dólar ganhou força frente às principais moedas e as bolsas americanas fecharam em queda – e reproduzida nos ativos domésticos, que esperavam pelo Copom.


SEM PESTANEJAR – Warsh, de quem se esperava uma postura mais diplomática na estreia em seu primeiro Fomc, foi firme no discurso. Ainda que corressem especulações de que o voto pelo corte era dele, afastou o receio de que ele pudesse ceder à pressão de Trump.


… Na entrevista coletiva após a decisão do Comitê, o novo presidente do Fed admitiu que a inflação “está bem acima da meta” e que é obrigação da autoridade monetária garantir que não haja efeitos de segunda ordem nos preços.


… “Temos a capacidade e o compromisso de manter a inflação em 2%.”


… Sempre crítico à gestão de Jerome Powell por não reduzir os juros, Donald Trump mudou radicalmente o discurso após a decisão do primeiro Fomc de Warsh, ao admitir que o BC americano pode ter que subir juros ainda neste ano.


… “Pode acontecer”, afirmou Trump, após a reunião do G7, na França. “Não tem problema o Fed ter mantido as taxas, tanto faz”. A declaração no fim da tarde acelerou a alta dos rendimentos dos Treasuries e a queda das bolsas.


ACORDO ASSINADO – O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã entrou oficialmente em vigor após ser assinado por Donald Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, antecipando o cronograma inicialmente previsto para esta quinta-feira.


… O acordo encerra formalmente a guerra iniciada em fevereiro e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão imediata das sanções ao petróleo iraniano e o início de uma nova fase de negociações entre os dois países.


… A assinatura consolida o principal avanço diplomático desde o início do conflito e reduz o maior foco de preocupação para os mercados globais.


… O memorando estabelece a retomada gradual da circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de energia, após meses de interrupções que provocaram forte alta do petróleo e ampliaram os temores de desaceleração econômica global.


… O alívio já começou a aparecer nos preços. O Brent recuou para abaixo de US$ 80 por barril nesta semana diante da expectativa de normalização dos fluxos de exportação da região e da volta do petróleo iraniano ao mercado internacional após a suspensão das sanções americanas.


… O acordo, porém, está longe de encerrar todas as disputas entre Washington e Teerã.


… O memorando deixa para os próximos 60 dias de negociações justamente os temas mais sensíveis do conflito, incluindo os estoques iranianos de urânio enriquecido, o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos.


… Questionado sobre o prazo, Trump afirmou que não o considera rígido, desde que o Irã cumpra os compromissos assumidos.


… A implementação também continua cercada de dúvidas. Autoridades iranianas afirmaram que o Estreito de Ormuz não retornará às condições anteriores à guerra e indicaram que a normalização do tráfego ocorrerá de forma gradual.


… O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse ainda que Teerã pretende cobrar pelos serviços prestados na rota marítima e voltou a demonstrar desconfiança em relação aos Estados Unidos.


… O entendimento também abriu uma frente política para Trump dentro do próprio Partido Republicano.


… Aliados importantes passaram a criticar o acordo por considerar que ele oferece concessões excessivas ao Irã sem resolver definitivamente as questões nucleares que serviram de justificativa para a guerra.


… A Casa Branca aposta que a redução das tensões econômicas compensa o adiamento das negociações mais complexas. Ainda assim, a sustentação do acordo dependerá da implementação dos compromissos assumidos e do sucesso das negociações que começam agora.


ACABOU A QUÍMICA – O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump na cúpula do G7 começou com elogios nos bastidores, mas terminou em troca pública de críticas sobre democracia, soberania e eleições.


… Após ouvir um “good job” do americano durante o evento, Lula foi pego com o microfone aberto quando afirmou que Trump age como um “imperador” ao comentar medidas adotadas contra o Brasil. Mas teve troco.


… Questionado por jornalistas sobre o cenário político brasileiro, Trump afirmou que o País vive um momento “perigoso politicamente” e fez comentários sobre a situação da família Bolsonaro, misturando referências a diferentes integrantes do grupo político.


… Já durante entrevista em Genebra, Lula rebateu dizendo que Trump conhece pouco o Brasil e defendeu o sistema eleitoral brasileiro, além de afirmar que o presidente americano tem o direito de ter suas preferências políticas, mas não deveria interferir em assuntos internos.


… O episódio encerrou a expectativa de uma aproximação entre os dois líderes durante a cúpula do G7 e reforçou a deterioração da relação política entre Brasília e Washington justamente no momento em que os dois governos negociam questões comerciais sensíveis.


MERCOSUL E JAPÃO – Brasil e Japão anunciaram o início das negociações para um acordo de parceria econômica entre o país asiático e o Mercosul, após reunião entre Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, durante a cúpula do G7, na França.


… Segundo nota conjunta, o Japão pretende ampliar exportações de automóveis, autopeças e produtos agropecuários para o bloco sul-americano, enquanto busca fortalecer o acesso a minerais críticos, petróleo e outras matérias-primas estratégicas da região.


CURTAS DA POLÍTICA – Relatórios da Polícia Federal obtidos a partir do celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre a liberação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa ligada à cunhada do parlamentar.


… Segundo o Estadão, investigadores também analisam a relação entre a operação e uma emenda apresentada por Motta que poderia beneficiar negócios da família de Vorcaro. O presidente da Câmara afirmou que a operação ocorreu dentro da legalidade.


NOVA TENTATIVA. Após ter uma segunda proposta de delação premiada rejeitada, o banqueiro Daniel Vorcaro busca reforçar sua equipe de defesa para retomar as negociações com as autoridades.


… Um dos nomes cotados para assumir a estratégia é o criminalista Cezar Bitencourt, advogado que atuou no acordo de colaboração do tenente-coronel Mauro Cid. Interlocutores afirmam que Vorcaro continua avaliando a delação como o caminho mais viável para tentar deixar a prisão.


BIG TECHS. O STF definiu que plataformas digitais não poderão ser responsabilizadas por conteúdos publicados por usuários quando houver “dúvida razoável” sobre a existência de crime, desde que seja realizada uma análise de diligência qualificada.


… A ressalva foi incluída na tese que amplia a responsabilidade das empresas por conteúdos ilícitos e permite punição caso deixem de remover publicações após notificação do usuário, mesmo sem ordem judicial.


MAIS AGENDA – Após as decisões do Fed e do Copom, o mercado entra em modo de assimilação das mensagens dos bancos centrais, enquanto acompanha mais uma decisão de política monetária, desta vez, do Banco da Inglaterra (BoE), às 9h.


… No Reino Unido, a expectativa é de manutenção da taxa básica em 3,75% ao ano, mas investidores esperam possíveis sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária em um ambiente ainda marcado por inflação elevada e desaceleração econômica.


… Nos Estados Unidos, os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30) podem ajudar a calibrar as expectativas para a atividade e o mercado de trabalho, em um momento em que o Fed reforçou sua preocupação com a inflação e reduziu a disposição para cortes de juros.


… Na Ásia, a ata reunião do BoJ à noite será acompanhada após a elevação dos juros para 1%, o maior nível em mais de três décadas.


… No Brasil, a agenda é esvaziada e traz apenas a segunda prévia do IGP-M de junho (8h); na primeira prévia subiu 0,21%.


DURIGAN – O ministro da Fazenda concede mais uma entrevista ao vivo para o grupo Metrópoles nesta quinta-feira, 18, das 8h às 9h.


AFTER HOURS – As ações da Apple avançaram 0,40% (US$ 297,14) no after hours em Nova York após o CEO Tim Cook afirmar que será “inevitável” elevar os preços de parte dos produtos da companhia diante da disparada dos custos de chips de memória e armazenamento.


… A declaração ajudou a reverter parte das perdas registradas no pregão regular e foi interpretada como sinal de que a empresa mantém poder de repasse de preços mesmo em um ambiente de desaceleração econômica e juros elevados.


… Cook evitou detalhar quando os reajustes ocorrerão ou quais produtos serão afetados, mas reforçou a percepção de que as pressões de custos continuam presentes em importantes segmentos da economia, tema que voltou ao radar após o tom mais duro do Fed nesta quarta-feira.


ABALOU O MERCADO – Foi uma surpresa o recado hawkish no primeiro Fomc do novo comandante Kevin Warsh.


… A mensagem de que não haverá mais corte do juro este ano, e até que poderão subir, levou os rendimentos dos Treasuries a uma forte alta, acompanhada pelo dólar, enquanto as bolsas em Nova York caíam de susto.


… No fechamento, o juro projetado pela T-Note de 2 anos subia para 4,224%, de 4,068% na sessão anterior. O Juro da T-Note de 10 anos avançava a 4,501%, de 4,445%. E o T-Bond de 30 anos recuava a 4,933%, de 4,946%.


… Na B3, os juros futuros subiram a reboque do cenário externo, ignorando a expectativa de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic pelo Copom.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,320% (de 14,250% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,640% (14,355%); Jan/29 a 14,685% (14,329%); Jan/31 a 14,570% (14,251%); e Jan/33 a 14,495% (14,240%).


GANHOU FORÇA – O dólar se fortaleceu globalmente, com a chance de um corte do juro completamente enterrada. O índice DXY disparou 0,93% e superou os 100 pontos (100,461). O euro caiu 1,04%, a US$ 1,1489. E a libra perdeu 1,09%, a US$ 1,3280.


… Por aqui, o impacto no câmbio foi mais suave, amortizado pelo fato a Selic continuar elevada, mesmo após o corte de ontem do Copom, o que ainda mantém o carry trade atraente. O dólar fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,1077.


DINHEIRO NO BOLSO – A cautela prevaleceu em Wall Street, fazendo os índices das bolsas trocarem de sinal após a mensagem dura do Fed, de que o combate à inflação é prioridade.


… Investidores aproveitaram para embolsar lucros de maneira generalizada. O Dow Jones caiu 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 perdeu 1,21%, aos 7.420,10 pontos. E o Nasdaq recuou 1,34%, aos 26.021,66 pontos.


… Entre os destaques negativos: Microsoft (-3,79%), Amazon (-3,46%), IBM (-3,12%), Home Depot (-2,85%), Nvidia (-1,33%) e Apple (-1,10%).


… Já os bancos Goldman Sachs (+0,78%) e JP Morgan (+0,70%) resistiram em leve alta. A fabricante da vacinas Moderna (+11,55%) e algumas techs tiveram mais sorte: Broadcom (+4,30%), Dell (+3,77%) e Intel (+3,46%).


… As ações da SpaceX (-4,95%) caíram pela primeira vez desde a estreia na bolsa, na sexta-feira passada.


SEM TER PARA ONDE IR – A bolsa brasileira acompanhou a tendência externa de aversão ao risco após o Fed, mas a queda por aqui foi mais suave do que em Wall Street. O mercado já estava fechado quando o Copom reduziu a Selic.


… O Ibovespa chegou a subir 1,31% de tarde, quando Trump disse que o Brasil “ficou turbulento, politicamente perigoso”, mas virou com o Fed e fechou em baixa de 0,70%, aos 168.453,93 pontos, com giro de R$ 28,9 bilhões.


… Entre as blue chips, dessa vez Vale ON (-2,04%; R$ 79,78) acompanhou o minério de ferro (-2,61%), enquanto Petrobras teve comportamento misto (ON -0,58%, a R$ 43,07; e PN +0,08%, a R$ 38,57), em dia de alta do petróleo.


… Os grandes bancos também não definiram tendência: Itaú PN (+0,87%; R$ 40,80), BB (+0,05%; R$ 19,41), Bradesco PN (-0,62%; R$ 17,55), BTG unit (-0,61%; R$ 50,39) e Santander unit (-0,04%; R$ 27,08).


… Natura (-8,74%; R$ 7,83) liderou as perdas do Ibovespa, seguida de CSN (-6,48%; R$ 5,63) e Usiminas PNA (-5,63%; R$ 9,56).


… Do lado positivo, Cosan (+6,12%; R$ 3,47) ficou no topo, após anunciar venda de 12% das propriedades da Radar, gestora de terras do grupo. Na sequência vieram Embraer (+3,24%; R$ 78,74), e BB Seguridade (+2,91%; R$ 39,30).


O BARATO QUE SAI CARO – A bolsa brasileira ficou muito mais dependente do capital externo, para o bem e para o mal, apontou Antonio Barreto, chefe de análise de ações da Verde Asset, em evento da gestora coberto pelo Valor.


… “Foi o que definiu praticamente toda a volatilidade de preço ao longo do primeiro semestre”, comentou. “A gente pode dizer muita coisa da bolsa, mas não pode falar que está cara. Isso não quer dizer que a bolsa vai ser um bom investimento.”


… Barreto pontua que, apesar do múltiplo baixo, o estrangeiro continua saindo e não há “ninguém morrendo de vontade de alocar capital aqui.


… Mesmo com a entrada de quase R$ 1 bilhão na segunda-feira (15), o fluxo de capital externo na bolsa em junho segue negativo em R$ 3,3 bilhões. No ano, o saldo ainda é positivo em R$ 38,3 bilhões.


TRATO É TRATO – Mesmo com o cessar-fogo praticamente garantido, após a imprensa vazar os 14 termos do acordo entre Estados Unidos e Irã, o petróleo arranjou força para subir, corrigindo uma pequena parte dos tombos recentes.


… Ao longo do dia, Trump voltou a fazer ameaças de ataque ao Irã, caso o país não “se comporte” e desrespeite os termos do acordo.


… Na agenda do dia, o DoE informou que os estoques americanos de petróleo caíram 8,262 milhões de barris na semana passada, quase o dobro da redução esperada (-4,6 milhões).


… A AIE divulgou seu relatório mensal, prevendo que a oferta cairá 3,9 milhões bpd em 2026, uma vez que as perdas de produção no Oriente Médio superam o aumento nas Américas. Já a demanda global cairá 1,1 milhão bpd.


… No fechamento, o Brent para agosto marcava alta de 0,74%, a US$ 79,55 por barril na ICE. E o WTI para julho avançava 0,97%, a US$ 76,79 por barril na Nymex. Mas tão logo saiu a notícia de que o acordo estava assinado, o petróleo voltou a cair na abertura desta quinta-feira.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS confirmou recebimento do pagamento da primeira parcela do programa de subvenção econômica do diesel, no valor de R$ 752 milhões, referente ao período de 12 a 31 de março.


GPA. Após retirada da “pílula de veneno”, empresário Silvio Tini passa a deter 25,8% das ações ON, via Bonsucex Holding.


… Considerando a soma das participações, a Bonsucex e Tini passam a ser os principais acionistas da companhia, seguidos pelo Grupo Coelho Diniz, informou o Broadcast.


ALLOS. Conselho aprovou distribuição de R$ 438 milhões em dividendos intermediários. Montante será dividido em três parcelas iguais de R$ 146 milhões, equivalentes a R$ 0,2919 por ação.


… Primeiro pagamento será em 02 de julho e os demais, em 04 de agosto e 02 de setembro.


TIM BRASIL. Conselho aprovou distribuição de R$ 400 milhões em juros sobre capital, equivalentes a R$ 0,167457 por ação. O pagamento ocorrerá até o dia 22 de julho. O papel fica ex-JCP no dia 23 de junho.


PORTO. Conselho aprovou distribuição de R$ 328,7 milhões em juros sobre capital, equivalentes a R$ 0,5128 por ação. As ações ficam ex-JCP no dia 23. O pagamento será realizado até 30 de abril de 2027.


RANDONCORP. Goldman Sachs reduziu participação de 5,03% para 4,91% das ações PN.


IOCHPE-MAXION. Charles River eleva participação de 9,32% para 10,02% das ações ON.


TRACK&FIELD. Brasil Capital reduz participação de 8,83% para 4,89% das ações PN.


ULTRAPAR. Conselho aprovou novo programa de recompra de ações, de até 18 milhões de ações ON, equivalentes a 1,61% do capital, pelo período de um ano, encerrando em junho de 2027.


UNIPAR. Conselho aprovou novo programa de recompra de ações, de até 929,8 mil ações ON, até 129,8 mil ações PNA e até 3,627 milhões de ações PNB, pelo período de 18 meses, encerrando em dezembro de 2027.


AZEVEDO E TRAVASSOS. Assembleia aprovou grupamento de ações de 10 para 1. Também foi aprovada a incorporação da Andorinha Energia.


Aos assinantes do BDM, Bom Dia e Bons Negócios!

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -1,2% US tech -1,3% US Semis +1,4% UEM +0,8% España +1,35% VIX 18,4% Bund 2,93%. T-Note 4,44%. Spread 2A-10A USA=+38pb B10A: ESP 3,36% PT 3,30% ITA 3,63% FRA 3,66% Euribor 12m 2,76% USD 1,1517 JPY 184,9/€. Ouro 4.341$. Brent 77,7$. WTI 74,7$. Bitcoin -3% (63.811$). Ether -3,7% (1.729$).


:: SESSÃO: A Fed cumpriu o esperado e manteve as taxas de juros em 3,50%/3,75%, mas o comunicado soou um pouco mais hawkish (duro) do que o esperado pelo mercado, com o diagrama de pontos a passar a refletir uma subida de taxas de juros para este ano face a uma descida anteriormente, o que provocou que Nova Iorque acabasse a fechar em -1,2%, quando vinha praticamente plana antes da reunião. 


Na nossa opinião, a força económica (PIB em alta, desemprego baixo, inflação elevada) reduz a probabilidade de cortes em setembro, mas continuamos a pensar que o próximo movimento será em baixa face ao que o mercado desconta. A queda do petróleo (Brent 77 $ e WTI 74 $) e a menor tensão geopolítica apoiam que a inflação tenha alcançado o máximo e se modere para 3,0%-3,5% no final do ano. A Fed aponta para 3,6% no fecho de 2026 e 2,3% em 2027.


Com o mercado americano já fechado, ficamos a saber que Trump e o presidente iraniano assinaram um acordo de paz de forma digital, antecipando-se à reunião prevista para amanhã, na Suíça. O acordo inclui: (i) término da guerra em todas as frentes, incluindo Líbano, e extensão do cessar-fogo por 60 dias; (ii) Reabertura imediata do Estreito de Ormuz sem portagens; (iii) Levantamento do bloqueio norte-americano e isenção de sanções contra o Irão; (iv) Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares e a diluir as suas reservas de urânio altamente enriquecido. Elimina-se, assim, a incerteza sobre o final do conflito, o que faz cair o petróleo cerca de -3% até 77 $ Brent e 74 $ WTI.


Durante a sessão, teremos também outros 3 bancos centrais (BoE, Norgesbank e SNB), que provavelmente irão manter taxas de juros sem alterações. Teremos de estar especialmente atentos às mensagens, para ver se são um pouco mais dovish (suave) do que a da Fed, ontem, ou se também apoiam a possível subida de taxas de juros que a curva desconta tanto para o BoE como para o Norgesbank.


Na frente macro, as principais referências serão o Índice de Atividade da Fed de Filadélgia e o Indicador Adiantado nos EUA, que continuarão provavelmente a apontar para um sólido crescimento económico.


:: CONCLUSÃO. Será provavelmente uma semana de menos a mais, com a Europa a abrir provavelmente em baixa a tendendo a melhorar à medida que a sessão avança, principalmente após a abertura dos EUA, que deverão ver-se apoiados por menor risco geoestratégico. Para efeitos práticos, poderemos dizer que hoje será a última sessão da semana, já que na sexta-feira é feriado nos EUA e não teremos referências (bolsas e obrigações fechadas).

Call Matinal 1806

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