Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Call Matinal
1) Ontem, dia 17, o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil. Nossa percepção é de que o reajuste de 15% do Bolsa Família derrubou a bolsa pela manhã e a virada veio com a Vale e o noticiário eleitoral.
2) Nesta sexta, dia 18, os mercados operam em alta, impulsionados pelos ganhos das ações de tecnologia e pela queda dos preços do petróleo, que ajuda a melhorar o sentimento dos investidores. Nesta madrugada, o BoJ encerrou a semana elevando os juros a 1,25%, maior nível em 31 anos, depois da alta do Fed e do corte do Copom.
3) No mercado global, o petróleo deu uma aliviada ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão no estreito de Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global.
4) No Brasil, Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, passando do reajuste do Bolsa Família até as canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro segue tecnicamente empatada.
5) Qual impacto destas medidas populistas sobre as contas públicas?
6) No curto prazo, as apostas são mais favoráveis à novos cortes de gastos, mas a discussão para 2027 acaba se tornando o grande desafio. Necessidade de Caixa, de R$ 5,8 bi em 2026 e de R$ 22,7 bi anuais em 2027 e 2028.
Para abrir espaço, o governo terá que cortar R$ 22,7 bi do Orçamento de 2027 — parte deve vir da Previdência. A IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão técnico do Congresso) calcula que, com receitas superestimadas, o orçamento de 2027 vai exigir contingenciamento de R$ 35,7 bi para cumprir a meta.
Vamos monitorando.
BDM Matinal Riscala
… A semana dos bancos centrais termina com o BoJ elevando os juros ao maior nível em 31 anos, enquanto os mercados ainda digerem as decisões do Fed e do Copom e recalibram as apostas para a Selic. O petróleo deu algum alívio ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão em Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global. No Brasil, Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, do reajuste do Bolsa Família às canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro continua tecnicamente empatada.
BOJ ACELERA APERTO – Último dos bancos centrais a decidir sobre juros nesta semana, depois do BCE, Fed, BoE e Copom, o Banco do Japão elevou nesta madrugada sua taxa em 25pbs, de 1% para 1,25%, no segundo aumento em apenas três meses.
… A decisão ocorre depois da rara intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos para sustentar o iene no fim de julho e de uma pressão incomum de Washington para que o BoJ acelerasse o aperto monetário.
… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, vinha cobrando publicamente juros mais altos e chegou a defender medidas “decisivas” para conter a fraqueza do iene. Após a alta do Fed, a diferença entre as taxas dos dois países continua pressionando a moeda japonesa.
… A alta para 1,25% era amplamente esperada e agora a dúvida é se o movimento representa uma aceleração do ciclo ou apenas uma antecipação pontual diante do aumento das pressões inflacionárias. Por isso, são importantes os comentários de Kazuo Ueda.
… Estrategistas do Citi, Wells Fargo e ING veem risco de enfraquecimento do iene se o presidente do BoJ não sinalizar novos aumentos em ritmo mais rápido. Mais de 90% dos analistas consultados pela Bloomberg esperam outra alta do juro japonês até janeiro.
… Antes da decisão, a moeda japonesa rondava 156 por dólar. Citi e ING veem espaço para 157/159 se a comunicação não convencer.
PETRÓLEO RESPIRA – O petróleo caiu pelo segundo pregão seguido, com sinais de avanço diplomático no Oriente Médio reduzindo parte da pressão sobre a oferta. O Brent para novembro recuou 0,95%, a US$ 104,82, e o WTI perdeu 0,51%, a US$ 101,91.
… A China pediu reservadamente ao Irã que use sua influência para conter os houthis, após um apelo da Arábia Saudita a Pequim.
… Riad busca apoio depois que a milícia avançou pela costa do Mar Vermelho e nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandab, elevando os riscos para as exportações sauditas. Também ajudou o aumento do fluxo de petróleo da Arábia Saudita via Omã.
… Ainda assim, o mercado físico permanece apertado e o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua caindo.
… Depois do fechamento, a UKMTO relatou um novo incidente de segurança em Ormuz, perto de Omã. A tripulação está bem e as autoridades investigam o caso, ainda sem informações sobre as circunstâncias. A tensão também permanece elevada.
… Trump disse estar perto de decidir se retoma ataques em grande escala contra o Irã, enquanto Benjamin Netanyahu afirmou no lançamento de sua campanha eleitoral que Israel deve “concluir a missão” e derrubar o regime iraniano.
… Mesmo após as últimas quedas, o Brent continua acima de US$ 100 e acumula alta de quase 14% no mês e de mais de 70% no ano, mas o recuo dos últimos dois pregões ajudou a aliviar a pressão sobre os mercados e as expectativas para os juros (leia mais abaixo).
MERCADO AJUSTA SELIC – Passada a Superquarta, o mercado refez as contas para a Selic e a maioria agora espera mais um corte de 25pbs em novembro, para 13,50%. No Broadcast, 20 de 36 instituições apostam em nova redução, enquanto 15 esperam manutenção em 13,75%.
… A mediana para novembro e dezembro caiu de 13,75% para 13,50%, refletindo principalmente a percepção de que o Copom ganhou confiança na desaceleração da atividade e deixou a porta aberta para continuar o ciclo.
… Mas a divisão permanece grande. O PicPay vê apenas mais um corte, para 13,50%, enquanto a Porto Asset projeta duas reduções e Selic de 13,25% em dezembro. O Itaú, na outra ponta, espera pausa em 13,75% até o fim do ano.
… Petróleo, câmbio, expectativas de inflação e eleições estão entre os principais riscos.
… Na terça-feira, a ata do Copom será importante para esclarecer até que ponto aumentou a confiança do Banco Central na desaceleração da economia e no comportamento da inflação.
… Se no curto prazo as apostas ficaram mais favoráveis a novos cortes, a discussão para 2027 é mais difícil.
… A mediana para a Selic no fim do próximo ano subiu de 12% para 12,38%. O Barclays estima 12% e avalia que o espaço para uma queda sustentável dos juros dependerá menos de quem vencer as eleições e mais da qualidade do plano fiscal apresentado pelo próximo governo.
… Pelas contas do banco, estabilizar a dívida exigiria superávits primários de pelo menos 2% do PIB nos próximos anos. Partindo de um déficit estimado em 0,5% neste ano, o ajuste necessário superaria 2,5 pontos do PIB, ou cerca de R$ 350 bilhões.
… Para o Barclays, os primeiros passos do próximo governo serão decisivos para construir credibilidade, mesmo que o ajuste completo não possa ser feito de imediato. Sem uma sinalização convincente, o risco é de juros altos por mais tempo.
TIROU DA CARTOLA – O reajuste de 15% do Bolsa Família virou, em poucas horas, uma das principais armas da campanha eleitoral e abriu uma nova frente de discussão fiscal. A 17 dias do primeiro turno, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio, para R$ 777.
… O impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027 e 2028. A equipe econômica afirma que a despesa será acomodada sem ampliar o limite global de gastos e sem comprometer as metas fiscais.
… O remanejamento virá no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 24.
… O Planejamento pretende usar, entre outras fontes, uma revisão para baixo das despesas da Previdência. A IFI contesta a conta e afirma que esses gastos já estão subestimados no Orçamento de 2027, projetando impacto de R$ 24 bilhões com o reajuste.
… A Warren faz uma leitura menos negativa. Avalia que os R$ 5,8 bilhões podem ser acomodados neste ano e que a correção respeita a LRF, mas calcula impacto de R$ 23,2 bilhões em 2027 e diz que o PLOA terá de ser corrigido, tornando mais difícil o cumprimento da meta fiscal.
… A controvérsia rapidamente chegou à Justiça Eleitoral. André Mendonça rejeitou ontem ação do deputado Zé Trovão contra o reajuste por falta de legitimidade para questionar a eleição presidencial e não analisou o mérito da medida. Outros partidos e candidatos avaliam recorrer.
… O episódio ganhou ainda um ingrediente incômodo para o governo: em 2022, a campanha de Lula pediu ao TSE a inelegibilidade de Jair Bolsonaro por medidas adotadas no Auxílio Brasil, argumentando que o programa havia sido usado como “instrumento político-eleitoral”.
… Em corner, Flávio Bolsonaro mostrou a delicadeza do tema para a oposição. Chamou os 15% de “merreca” e “migalha”, acusou Lula de tentar comprar votos e, ao mesmo tempo, prometeu manter o reajuste caso seja eleito – e “fazer muito mais”.
… Nos mercados, o anúncio provocou forte reação pela manhã, antes de o movimento perder força ao longo do pregão (leia mais abaixo).
E AINDA TEM CANETA DE GRAÇA – Depois do Bolsa Família, Lula ainda prometeu ontem distribuir canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade que estão na fila do SUS. O presidente não disse quando a medida começará nem se será implantada ainda neste mandato.
… Mas foi na crise do STF que Lula mudou claramente o tom. Depois de evitar se envolver na disputa que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente acusou Mendonça de usar o cargo para “fazer política” e fazer divulgações seletivas no caso Master.
… Pela primeira vez, também defendeu publicamente que as ações envolvendo Moraes e Mendonça sejam analisadas conjuntamente.
… Disse que, se Moraes tiver cometido irregularidades, “terá que pagar”, mas voltou a associar os ataques do bolsonarismo ao ministro à sua atuação nas eleições de 2022. Lula ainda deixou claro que pretende levar o caso Master para a campanha.
… Disse que vai explorar as ligações de Flávio com Vorcaro e que o candidato está “atolado até o pescoço” nas “falcatruas” envolvendo o banco.
… Lula sugeriu ainda, sem apresentar provas, que recursos buscados junto a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, possam ter sido usados para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
… No STF, Edson Fachin cancelou a sessão agendada para a próxima quarta-feira que analisaria a atuação de André Mendonça nas relatorias dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes do INSS. A nova data não foi informada.
LULA NA ONU – A campanha do presidente terá na próxima semana mais uma vitrine importante. A 12 dias do primeiro turno, Lula abrirá na terça-feira, 22, a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e deve aproveitar o discurso para mandar recados ao eleitor brasileiro.
… Soberania e defesa da democracia, duas bandeiras exploradas por ele na campanha, estarão entre os principais temas. O presidente deve ainda fazer contrapontos indiretos a Donald Trump, sem citá-lo nominalmente, e defender as instituições e o processo eleitoral brasileiro.
… O combate ao crime organizado também ganhará mais espaço do que no discurso do ano passado, numa resposta às críticas feitas pelo governo americano nesta semana. Guerras, clima, comércio e tarifas completam a pauta.
… Lula embarca no domingo e ficará pouco tempo nos Estados Unidos, retornando ao Brasil já na terça-feira. Não há encontro formal marcado com Trump, mas assessores veem espaço para uma conversa e consideram certo ao menos um cumprimento nos bastidores da ONU.
… Na segunda-feira, Lula deve se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a convite do democrata.
SEGUE O EMPATE – Divulgada após o fechamento do mercado, o novo Datafolha manteve Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. No segundo turno nada mudou. Lula continua com 46% e Flávio, 44%, os mesmos porcentuais da semana passada.
… A rejeição dos dois também é idêntica e bastante elevada, em 47%.
… Na estimulada, Lula permaneceu com 39%, enquanto Flávio oscilou de 35% para 36%. Já na espontânea, Lula avançou de 33% para 35% e Flávio oscilou de 25% para 26%, enquanto o número de indecisos caiu de 23% para 21%.
… A avaliação negativa do governo permaneceu em 42%, enquanto a positiva oscilou de 32% para 34%.
… O levantamento foi o primeiro realizado após a sessão do STF desta semana, que para muitos analistas políticos teria prejudicado Lula por sua proximidade com Alexandre de Moraes, e antes do anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família.
… Entre beneficiários do programa, Lula tem 53% no primeiro turno, contra 28% de Flávio. Num eventual segundo turno, são 60% para Lula e 33% para Flávio – o que abre a possibilidade de o presidente aumentar os votos entre as famílias que recebem o Bolsa Família.
MASTER CHEGA A GILMAR – A crise do Banco Master ganhou mais um capítulo envolvendo o STF.
… Reportagem do Estadão de hoje revela que o ex-senador Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado por R$ 500 mil mensais por uma empresa de Daniel Vorcaro e tratou com o banqueiro de processos que estavam na Corte.
… Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram Chiquinho tratando de dois casos que tiveram participação de Gilmar. Em ambos, porém, o ministro votou contra os interesses do Master.
… Num dos episódios, Chiquinho atuou para viabilizar uma reunião de advogados ligados a interesses do banco com Gilmar. O jornal apurou que o encontro ocorreu. Depois, o ex-senador relatou a Vorcaro que a conversa de um dos advogados com o ministro havia sido “perfeita”.
… O outro processo era de relatoria de Gilmar e discutia regras para abertura de cursos de medicina, tema de interesse do Master, que financiava uma universidade. O ministro votou pela manutenção da legislação em vigor, posição contrária ao interesse de Vorcaro.
… Chiquinho inicialmente negou ter trabalhado para empresa de Vorcaro, mas, confrontado pela reportagem, reconheceu um contrato de consultoria com a Super Empreendimentos por “um curto período”. Negou, porém, ter intermediado encontros com Gilmar.
AGENDA – Depois da decisão do BoJ na madrugada, a sexta-feira tem agenda esvaziada.
… No Brasil, a FGV divulga às 8h a segunda prévia do IGP-M de setembro. Às 18h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do Fórum CEO Brasil, na Bahia. O Boletim Macrofiscal de setembro, inicialmente previsto para hoje, foi adiado pela Fazenda para terça-feira, dia 22.
… No câmbio, BC anunciou para hoje, às 10h30, dois leilões simultâneos de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de no máximo US$ 1,0 bilhão a ser distribuído, a critério do BC, entre as duas operações.
… Nos Estados Unidos, a produção industrial de agosto sai às 10h15, com previsão de alta de 0,3%, após avanço de 0,2% em julho.
… A agenda americana tem ainda falas de dois dirigentes do Fed: Michelle Bowman (10h30) e Jeff Schmid (12h45).
… De madrugada, Alemanha divulgou o PPI de agosto e Reino Unido, as vendas no varejo em agosto.
BAIXOU A ADRENALINA – Foi visível o susto inicial dos mercados com o anúncio do reajuste do Bolsa Família, faltando agora só 16 dias para o primeiro turno. Mas o estresse durou pouco e já à tarde os negócios melhoraram.
… Apesar de a iniciativa do governo Lula explicitar o uso eleitoreiro do programa, o investidor filtrou os riscos.
… O pacote de bondades acabou ofuscado pela aposta em maior chance de vitória da oposição nas eleições de outubro, com as pesquisas agora sob os efeitos da crise do STF, que podem trazer prejuízos à campanha petista.
… Outro fator importante que ajudou o mercado doméstico a se proteger da surpresa do Bolsa Família foi o quadro externo favorável ao risco, com alívio do petróleo, dos juros dos Treasuries, impulso das techs e confiança em Warsh.
… Os ativos aqui operaram em dois tempos. Num primeiro momento, o Ibovespa caiu mais de 1%, o dólar encostou em R$ 5,18 e os juros futuros abriram, embora nem todo o movimento no DI estivesse associado ao Bolsa Família.
… O que se viu foi a curva tentando forçar alguma pressão antes do leilão de pré-fixados do Tesouro. Acomodado este nervosismo inicial, o humor logo virou na segunda metade do pregão no DI, no dólar e na bolsa.
… No fechamento, o DI para Jan/27 caía a 13,555% (de 13,588% no ajuste anterior); Jan/28 recuava a 13,605% (de 13,681%); Jan/29, a 13,820% (de 13,903%); Jan/31, a 14,040% (de 14,116%); e Jan/33, a 14,165% (de 14,232%).
… Em relatório, o Barclays aponta que a renda fixa e câmbio podem entrar em um “ciclo virtuoso” caso Flávio vença.
… Ao analisar o comportamento em eleições anteriores no Brasil e outros emergentes, a estrategista para AL do banco, Andrea Kiguel, estima que o mercado pode precificar Selic de 10,50% no ano que vem (contra 13,75% hoje).
… Além da questão fiscal e inflacionária, o enfraquecimento da atividade doméstica pode jogar a favor de uma continuidade do ciclo de queda dos juros. Para a Capital Economics, o boom de crescimento do Brasil atingiu o pico.
… A consultoria estima que o PIB vai desacelerar forte, de cerca de 2% este ano para a metade disso em 2027, abaixo do consenso de 1,45% do boletim Focus, diante do esgotamento do período de superaquecimento.
… Diferente do que seria naturalmente esperado para um ano eleitoral, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, disse em evento nesta quinta-feira que não têm sido observados movimentos mais bruscos do real.
… “Aqui [o câmbio] é aquela rocha: dá uma pioradinha, vai para R$ 5,20; dá uma melhoradinha, vai um pouco abaixo de R$ 5,10. Bem firme”, constata, mesmo com o Fed elevando os juros e não descartando levar o ciclo mais longe.
THE ROCK – Imune às pressões, o dólar fechou ontem abaixo de R$ 5,15, em leve baixa de 0,23%, a R$ 5,1393, após ter subido mais cedo até R$ 5,1768, na máxima intraday que coincidiu com o anúncio de reajuste do Bolsa Família.
… Nada parece abalar mais seriamente o câmbio, nem mesmo a perspectiva de que o diferencial de juros se torne mais estreito, diante da chance de um Fed mais conservador e de um Copom eventualmente mais flexível.
… O real poderia ter caído junto com o petróleo ontem, mas manteve o sangue-frio e o foco no trade eleitoral.
… Termômetro da liquidez do câmbio, foi observada ontem uma piora no dólar casado, que é medido pela diferença em pontos entre o dólar futuro e o dólar à vista, o que levou o BC a anunciar leilão de linha para esta sexta-feira.
… Setembro é marcado por uma saída de capital do país por conta de fim de trimestre. No Valor, operadores dizem que, devido à cautela pré-eleições, esse montante pode ter aumentado, o que estaria exigindo intervenções do BC.
… Só neste mês, a autoridade monetária já realizou duas vezes o chamado “casadão”, a venda de dólares no mercado à vista conjugada com a compra no mercado futuro via swap reverso, no total de US$ 1 bilhão cada.
… Como o câmbio, também o Ibovespa relativizou ontem ao longo do pregão o desconforto com a chance de o reajuste do Bolsa Família puxar votos para a reeleição de Lula. À tarde, a bolsa já virava para o terreno positivo.
… O índice à vista fechou em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, com giro de R$ 18,6 bilhões.
… Os papéis dos bancos chegaram a acusar a cautela com o Bolsa Família, mas reduziram o mal-estar. Bradesco PN caiu pouco (-0,33%), a R$ 18,15, e Itaú fechou estável (-0,09%), a R$ 42,58. BB registrou alta de 0,31% (R$ 22,78).
… Santander unit escalou 2,52% (R$ 30,53), segunda maior alta do Ibovespa, e BTG unit avançou 0,51%, a R$ 61,14.
… Após duas sessões de fortes baixas, Vale recobrou o ânimo e subiu 2,07% (R$ 74,51), bem melhor que o minério (+0,28%). Petrobras oscilou pouco, apesar da queda do petróleo: ON, +0,32%, a R$ 54,00; e PN, -0,08%, a R$ 48,61.
REPUTAÇÃO EM DIA – Gostar, as bolsas não gostam quando as taxas dos juros sobem. Mas, no day after do Fed, Nova York julgou ser melhor que Kevin Warsh pregue intolerância contra a inflação do que fique atrás da curva.
… Sentindo firmeza na credibilidade da política monetária, o rendimento da Note de dez anos devolveu a marca dos 5% e voltou para 4,929% (contra 5,015% na véspera), aproveitando também que o petróleo deu uma trégua.
… Análise no Valor aponta que o Fed hawkish não necessariamente significa o fim da alta das ações americanas.
… O histórico dos ciclos anteriores mostra que o S&P 500 costuma enfrentar turbulência no início do aperto monetário, mas pode recuperar terreno nos meses seguintes. O risco maior hoje se concentra nos Treasuries.
… As bolsas americanas atualmente estão olhando menos para o Fed em si e mais especificamente para o risco de o rendimento dos Treasuries de dez anos continuar orbitando perigosamente em torno do patamar dos 5%.
… Como as taxas da curva mostraram alívio ontem, Wall Street se sentiu à vontade para parar de cair depois de três pregões, aproveitando ainda o recuo do petróleo, a retomada de confiança em Warsh e o suporte das techs.
… Colocando em segundo planos os recentes alertas de que os robôs podem dominar o mundo, AMD saltou 6,36% e Intel, +7,67%. Nvidia ganhou 2,54% após o CEO, Jensen Huang, projetar o dobro das vendas de chips em 2027.
… O Nasdaq disparou 1,69%, aos 26.418,30 pontos, refletindo a valorização do setor de tecnologia (+2,20%). O Dow Jones encerrou em alta de 0,61%, aos 51.778,18 pontos; e o S&P 500 ganhou 1,14%, aos 7.637,73 pontos.
… No câmbio, horas antes de o BC japonês dar seu passo conservador, o iene subiu 0,17%, para 155,97 por dólar. Já a libra caiu 0,19%, a US$ 1,3359, após o BC inglês ter mantido o juro em 3,75% e desacelerado o aperto quantitativo.
… O euro subiu 0,11%, para US$ 1,1482, e o índice DXY fechou no zero a zero (-0,01%), a 100,248 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – B3 pagará R$ 1,13 bilhão em JCP, incluindo R$ 750 milhões extraordinários. Pagamento será em 7/10, com ações “ex” em 23/9.
ITAÚ recomprará R$ 11 bilhões em letras financeiras subordinadas emitidas em 2021. Operação terá impacto estimado de 0,7 ponto porcentual no índice de capital nível 2.
BANCO DIGIMAIS, de Edir Macedo, teve prejuízo líquido de R$ 581,406 milhões no primeiro semestre, segundo dados do BC; índice de Basileia ficou negativo em 4,62%.
LOJAS RENNER pagará R$ 227,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,24066 por ação. Pagamento será em 14/10, com papéis “ex” em 23/9.
ASSAÍ comprará por até R$ 80 milhões 18 postos de combustíveis já instalados em lojas da rede em São Paulo. Companhia vê potencial para superar 100 postos no longo prazo.
CASAS BAHIA. Debenturistas aprovaram vencimento antecipado de títulos após pedido de recuperação judicial, mas companhia contesta o direito com base em decisão judicial vigente.
IMC negocia fusão de seus negócios de restaurantes com a Vinci Compass, dona de Outback, Abbraccio e Aussie no Brasil, segundo fontes do Valor.
EZTEC fechou contrato para locação integral do Esther Towers ao Itaú, por dez anos. Empreendimento tem 91,4 mil metros quadrados e deve gerar receita de R$ 1,17 bilhão no período.
AXIA desenvolveu com o Cepel ferramenta para estimar emissões de carbono de ativos de geração e transmissão e apoiar a meta de redução de até 97% das emissões até 2030.
CEMIG pagará R$ 200 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06991 por ação. Papéis ficam “ex” em 23/9 e pagamento será feito até dezembro de 2027.
COPEL pediu cancelamento da listagem das ações no Latibex, da Bolsa de Madri, citando baixo volume de negociação e custos de manutenção.
BRAVA ENERGIA confirmou fim da venda de 11 concessões na Bacia Potiguar à Azevedo & Travassos e Petro-Victory, após condições para fechamento não serem cumpridas no prazo.
OCEANPACT. Após incorporação da CBO, Pátria e Vinci passaram a deter 21,85% do capital cada, enquanto BNDESPar ficou com 10,92% e Flávio Nogueira de Andrade, com 13,03%.
TIM cancelará 13,2 milhões de ações mantidas em tesouraria após programa de recompra, sem alteração do capital.
IRANI aprovou plano de incentivo de longo prazo para executivos, com uso de ações em tesouraria e sem diluição dos acionistas. Programa ainda depende de aprovação em assembleia.
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
NY +1,1% US tech +1,7% US Semis +3,1% UE +0,9% Espanha +1,0% VIX 15,4% Bund 3,48%. T-Note 4,95%. Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,95% PT 3,84% ITA 4,34% FRA 4,44% Euribor 12m 3,35%. USD 1,148 JPY 179,2/€. Ouro 4.346$. Brent 104,8$. WTI 101,1$. Bitcoin +0,3% (76.440$). Ether +1,2% (2.447$).
:: SESSÃO ligeiramente em alta, mantendo o bom tom de ontem graças a um pouco menos de tensão geopolítica e superadas as reuniões dos bancos centrais sem surpresas. Hoje não há grandes referências na frente convencional, o petróleo modera-se -1,3% e as obrigações amanhecem estáveis.
Esta madrugada, o BoJ (Japão) subiu taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%, como se esperava, para tratar de conter o avanço da inflação e controlar os níveis da divisa. Contudo, a decisão não foi unânime (2 membros votaram contra) e isso faz com que o yen tenha reagido com quedas (157,1 $/Y).
Se a geopolítica o permitir, o resto das referências do dia não deverão ter peso suficiente para mudar a direção do mercado: (i) intervenção de Lagarde às 11:30 h, após a reunião do ECOFIN, que não deverá acrescentar grandes novidades, e (ii) Produção Industrial nos EUA, às 14:15 h, em princípio, continuísta.
:: CONCLUSÃO: Sem grandes incentivos e superados sem surpresas os eventos importantes da semana, a sessão deverá manter o bom tom que vimos ontem. Assim o refletem as bolsas asiáticas (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).
Escandalo na TURQUIA
• *Bolha Especulativa e Intervenção Estatal:* O governo da Turquia declarou que não existe risco "fundamental ou estrutural" para a Bolsa de Istambul (BIST 100) após a revelação de um escândalo em gestoras do país. As autoridades congelaram negócios de fundos operados por sete gestoras e ordenaram a liquidação forçada de 130 fundos de investimento para conter os desdobramentos de uma bolha especulativa. O índice BIST 100 recuou 8% no acumulado de terça e quarta-feira, mas registrou alta de 3% nesta quinta-feira (17/09).
• *Inadimplência de Resgates e Prisão de Diretores:* A crise eclodiu quando a principal gestora de fundos de Istambul, Pusula Portföy, informou a incapacidade de honrar os pagamentos de resgate no prazo regulamentar. O anúncio desencadeou investigações policiais que culminaram na prisão de diversos diretores de grandes fundos locais.
• *Concentração de Ativos e Diagnóstico Oficial:* De acordo com reportagem do *Financial Times*, a crise decorre da atuação de um grupo de fundos que, nos últimos dois anos, montou posições altamente concentradas em empresas com baixa liquidez e restrito *free float*. O Comitê de Estabilidade Financeira do Ministério do Tesouro e Finanças turco afirmou que se trata de um problema "temporário, gerenciável e restrito a problemas de crédito e liquidez" de gestoras específicas.
• *Risco Político e Manobra Eleitoral de Erdogan:* A turbulência no mercado financeiro ocorre em momento de incerteza política no país. O presidente Recep Tayyip Erdogan articula a antecipação das eleições para contornar o limite constitucional de mandatos, uma vez que, reeleito em 2014, estaria impedido de concorrer novamente caso cumpra o mandato integral até maio de 2028.
Call Matinal
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