Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a partir de indicadores para o Brasil, entre 2010 e 2025.
Os dados indicam que a política fiscal no Brasil é eficiente, no sentido de impactar diretamente o nível de atividade e a taxa de desemprego. Já a política monetária tem efeitos limitados, tanto sobre a atividade econômica e o desemprego, quanto sobre a inflação, quando entra em confronto com a política fiscal. A análise sugere que as taxas de juros reais e a taxa de inflação no Brasil poderiam cair, de forma concomitante, se a taxa de crescimento dos gastos públicos fosse reduzida.
Apresento, também, possíveis motivos para a eficiência da política fiscal e a baixa potência da política monetária, que são:
- uma elevada propensão marginal a consumir da maior parte das famílias brasileiras, caracterizadas pelo baixo nível de renda, as quais são mais beneficiadas pelo aumento dos gastos públicos (programas sociais e previdência pública);
- mercado de crédito pró-cíclico, com expansão da oferta de crédito pelos bancos em momentos de aumento da renda das famílias e do valor de seus ativos, e redução em momentos de queda da renda, o que amplifica os efeitos da política fiscal;
- inércia inflacionária causada por mecanismos de indexação de preços, formais e informais, à inflação passada;
- remuneração de parte relevante da dívida pública pela taxa Selic, o que gera aumento da riqueza de seus detentores quando a taxa de juros é elevada pelo Banco Central e não a perda de riqueza que ocorreria se a dívida fosse remunerada por taxa de juros pré-fixada;
- segmentação do mercado de crédito, com o custo e a oferta do crédito direcionado (imobiliário, rural e crédito ofertado pelos bancos de desenvolvimento) tendo limitada sensibilidade a taxa de juros básica fixada pelo Banco Central;
- relação entre crédito e PIB relativamente baixa, comparativamente a outros países emergentes, o que reduz o impacto das variações da taxa de juros básica sobre a demanda agregada;
- baixo impacto do diferencial de juros internos e externos sobre a taxa de câmbio, que seria mais afetada por fatores como variações da percepção de risco País, cotações das commodities e a política monetária dos principais países desenvolvidos.