terça-feira, 5 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Guerra estressa juros e coloca Copom à prova*


… A ata do Copom, que sai daqui a pouco (8h), ganha um peso adicional após o estresse observado na curva de juros, em meio à nova disparada do petróleo e à deterioração do cenário geopolítico. O documento será lido à luz de um mercado que já recalibrou expectativas, e quer entender se a guerra sem horizonte no Oriente Médio pode interromper o ciclo de quedas da Selic. Nos Estados Unidos, onde investidores já especulam com uma alta do juro, são importantes na agenda dois índices de atividade e o relatório Jolts, com abertura de vagas. No calendário de balanços da B3, divulgam resultados a Ambev, antes da abertura, e Itaú Unibanco, após o fechamento da Bovespa.


GUERRA SEM FIM –A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico reacendeu o risco de escalada e colocou em xeque a trégua que vinha sendo mantida nas últimas semanas.


… Houve novos episódios envolvendo drones, mísseis e embarcações no Estreito de Ormuz, com impactos também sobre os Emirados Árabes Unidos. Um ataque de drone provocou incêndio numa zona petrolífera em Fujairah, reforçando o risco sobre a infraestrutura energética.


… O aumento das tensões levou a uma nova disparada do petróleo, com o Brent voltando a se aproximar de US$ 115, refletindo o risco de interrupção prolongada da oferta. O Estreito de Ormuz segue como ponto central do conflito.


… Restrições ao tráfego marítimo e a avaliação de que a passagem pode permanecer comprometida por mais tempo projetam um cenário difícil.


… Apesar de declarações pontuais sobre negociações, o cenário é de impasse e dificuldade de retomada de acordo entre Washington e Teerã.


… A escalada já contamina outros ativos, com alta dos juros dos Treasuries e fortalecimento do dólar, em meio à revisão das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos (leia abaixo mais sobre os mercados).


… Avaliações no mercado apontam para um conflito mais longo, intercalando episódios de tensão e impacto sobre energia, inflação e juros.


O TOM DA ATA – A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que levou a uma forte abertura das taxas dos Treasuries e dos juros na B3, nesta segunda-feira, pode deixar a sensação de que a ata do Copom está com a validade vencida.


… Considerando a súbita piora do ambiente, o mercado já começa a cogitar uma pausa nos cortes na próxima reunião, em junho.


… Mais do que apenas obter detalhes sobre a composição da inflação, em meio aos desdobramentos do choque de energia e uma certa resiliência da atividade, investidores vão observar a gravidade com o Banco Central tratará o tema da guerra.


… O mercado segue incorporando o efeito da guerra em suas projeções de inflação, que tiveram novo recrudescimento no Boletim Focus, com a mediana para o IPCA deste ano subindo pela oitava semana seguida, de 4,86% a 4,89%, contra 4,6% da previsão do BC.


… O Copom também deve explicações sobre os motivos que levaram os diretores a manter o corte de 0,25 ponto, apesar de ter elevado sua projeção de inflação no 4TRI/2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5% – ainda mais longe da meta.


… O documento sempre pode argumentar o que Galípolo vem repetindo, que o conservadorismo do BC levou o juro a um patamar tão elevado que há reserva suficiente para suportar o choque. Mas até quando e até onde o BC acredita que possa cortar?


… Como observou o economista Sérgio Goldenstein (Eytse Estratégia), o Comitê não apontou o balanço de riscos como assimétrico, ao contrário do que esperavam diversos analistas, nem sinalizou, de forma explícita, a iminência de uma interrupção do processo de calibração.


… Em um primeiro momento, o mercado descartou as chances de uma queda de 0,50pp. Agora já está colocando em xeque o corte de 0,25pp.


… No Copom de abril, a evolução do cenário externo não parecia sugerir uma deterioração adicional em relação à reunião de março, mas a ata chega em um dia de acirramento dos conflitos, que mudou a percepção sobre sua duração e extensão.


… O petróleo Brent, termômetro da crise, voltou a bater US$ 115, com novas ameaças de Trump de “varrer o Irã da face da Terra”.


… Se até poucos dias atrás não faria sentido uma sinalização mais hawkish, hoje um tom mais dovish pode trazer desconfiança, diante da deterioração adicional das expectativas, que pode levar a um encerramento precoce do ciclo de calibração.


DURIGAN – Em entrevista ao Roda Viva (TV Cultura), ontem à noite, o ministro afirmou que a maior pressão para a condução da política monetária vem hoje da guerra no Oriente Médio, discordando de que o fiscal e as medidas de crédito adotadas têm prejudicado o BC.


… Segundo ele, a expansão da política fiscal aconteceu no primeiro ano do governo, em 2023, quando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição abriu espaço para a expansão de programas sociais e para contornar “problemas herdados da gestão anterior”.


LULA & TRUMP – Durigan deve acompanhar o presidente Lula aos Estados Unidos, para o encontro com Trump, na quinta-feira. A reunião é vista pela diplomacia brasileira como passo relevante para normalizar as relações comerciais após o período de tarifas e incertezas.


… Na pauta, além da agenda econômica, devem entrar temas como a guerra no Oriente Médio, a situação na Venezuela e parcerias em minerais críticos e terras raras, além de investimentos em datacenters e big techs, como confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin.


… Segundo ele, tudo está na mesa em meio à tentativa de reverter os efeitos do tarifaço. “A orientação é fortalecer a relação bilateral e reduzir barreiras, em um ambiente que considera de oportunidade para investimentos recíprocos.”


… Também a classificação de facções criminosas brasileiras por parte dos Estados Unidos deve fazer parte das conversas entre Lula e Trump.


MINERAIS CRÍTICOS – Às vésperas da viagem de Lula aos Estados Unidos, com minerais críticos no centro da agenda com Trump, o governo negociou mais poder para o Conselho Nacional de Minerais Críticos Estratégicos no projeto que tramita na Câmara.


… O acordo com o relator, deputado Arnaldo Jardim, enterrou a proposta inicial de criação da estatal Terrabras, mas ampliou o papel do Conselho, que deixa de ser apenas consultivo e passará a ter poder de análise prévia de projetos e de operações societárias.


… Além disso, vai monitorar mudanças de controle e acordos internacionais envolvendo minerais estratégicos, e poderá vetar fusões e aquisições com base em critérios de soberania nacional e interesse público, seguindo modelos adotados nos Estados Unidos, Canadá e Chile.


… O governo ainda poderá impor condicionantes à exportação, exigindo agregação de valor, e mantém aberta a possibilidade de uso de imposto sobre exportações no futuro. O relator trabalha para aprovar o projeto até quarta-feira, com leitura do parecer prevista para hoje.


AUTONOMIA DO BC – O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar, pautou para amanhã, quarta-feira, a votação da PEC que estabelece autonomia orçamentária do Banco Central, proposta que enfrenta resistência da equipe econômica.


… O parecer do relator Plínio Valério mantém o BC como entidade pública de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira. Apesar da oposição do governo, Galípolo tem defendido a proposta junto aos senadores.


MAIS AGENDA – Além da ata do Copom, a terça-feira traz indicadores de atividade e emprego nos Estados Unidos, com os PMIs de serviços e o relatório Jolts, além de balanços relevantes na B3, com Ambev antes da abertura e Itaú Unibanco após o fechamento.


… A Fipe divulga o IPC de abril às 5h, com mediana de 0,47% nas Projeções Broadcast, intervalo de 0,42% a 0,49% e leitura anterior de 0,59%.


… Ambev divulga balanço do primeiro trimestre antes da abertura do mercado, com expectativa de lucro líquido de R$ 3,5 bilhões, queda de 7,8% na comparação anual, em um cenário de volumes mais fracos e custos ainda elevados, e faz teleconferência com investidores às 12h30.


… O Itaú Unibanco divulga resultado após o fechamento da Bovespa, com expectativa de lucro líquido de R$ 12,32 bilhões, estável na margem trimestral, mas com alta de 10,5% na comparação anual e manutenção de rentabilidade elevada.


… Nos Estados Unidos, os índices de gerentes de compras de serviços dos Estados Unidos e o relatório Jolts de abertura de vagas no país são destaques. A S&P Global divulga o PMI final de abril às 10h45 e o ISM, o PMI de serviços às 11h.


… Também às 11h, saem o relatório Jolts de abertura de vagas e os dados de vendas de moradias novas nos Estados Unidos.


… Antes, às 9h30, sai a balança comercial americana – mesmo horário de uma conferência de Christine Lagarde (BCE), na Alemanha.


… Também às 11h, a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, participa de simpósio.


… No final da noite (22h45), a S&P Global/RatingDog divulga o PMI composto da China de abril, após leitura de 51,8 em março. Os mercados financeiros seguem fechados hoje em Xangai e no Japão.


MAIS BALANÇOS –Além de Ambev e Itaú, divulgam resultados após o fechamento TIM Brasil, Copel, Prio, Iguatemi, RD Saúde, C&A e Tenda.


… No exterior, a Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev, divulga balanço antes da abertura dos mercados na Europa. Também antes da abertura, o HSBC divulga resultado em Londres. E após o fechamento em Nova York, tem AMD e Super Micro Computer.


A VER NAVIOS – Mais um pregão se passou sem qualquer sinal de desfecho para guerra e, pior, com ataques no Oriente Médio, disputa pelo Estreito de Ormuz e as ameaças de Trump de dizimar o Irã se atingir barcos americanos.  


… O clima de hostilidade acentuou a percepção no mercado de que o conflito ainda vai longe e desencadeou uma nova onda de estresse no petróleo, que projeta exatamente este risco de uma ofensiva militar mais duradoura.


… O Brent para julho disparou 5,79% e fechou cotado a US$ 114,44 por barril, no salto que antecipa mais inflação na veia e que puxos os juros dos Treasuries e levou a taxa do T-Bond de 30 anos a romper 5%, no pico em dois anos.


… O rendimento do título avançou para 5,019%, contra 4,965% no pregão anterior, enquanto o retorno da Note de dois anos subiu para 3,954% (de 3,888%) e o de dez anos foi a 4,440%, na comparação com 4,379% na última sexta.


… Diante do choque de energia mais prolongado do que se chegou a imaginar nas primeiras semanas da guerra, a ferramenta de apostas do CME indica que a chance de um aperto monetário em março voltou a superar 50%.


… O Fed boy Neel Kashkari não descartou a possibilidade de uma alta nos juros se a diplomacia for derrotada. “Não me sinto confortável em sinalizar corte. Talvez estejamos em cenários piores e tenhamos que ir na direção oposta.”


… O colega John Williams comentou que a inflação deve ficar em 3% este ano, só retornando à meta de 2% em 2027.


… O petróleo mais caro por mais tempo eleva os desafios para a inflação global. Aqui, antes mesmo de o conflito começar, o IPCA já apontava piora nas expectativas, diante da atividade e emprego aquecidos, apesar da Selic alta.


… Parte dos traders não quis nem esperar para ler a ata do Copom hoje e já migrou antecipadamente para a aposta de pausa da Selic em junho. Na curva, a chance de manutenção do juro é de 40% contra 54% de corte (Broadcast).


… Se a ata não passar pano para as turbulências atuais, a precificação de que o BC vai interromper o ciclo de “calibração” da política monetária tem tudo para ganhar ainda mais força, de olho onde o petróleo vai chegar.


… Sob a pressão do barril, que vive uma nova rodada de tensão, os juros futuros “abriram” bastante ontem.


… No fechamento, o DI para Jan/27 marcava 14,210% (de 14,141% no ajuste anterior); Jan/28, 13,950% (contra 13,790% antes do feriado); Jan/29, 13,850% (13,665%); Jan/31, 13,860% (13,670%); e Jan/33, 13,890% (13,716%).


REAL SE GARANTE – Imaginando que o Copom opte por não relaxar mais a Selic em junho, ganham o carry trade e o real, que vem caindo de forma limitada nos últimos dias, valendo-se do trunfo de o Brasil ser exportador de petróleo.


… Com valorização moderada de 0,32% ontem, o dólar à vista fechou abaixo de R$ 5, negociado a R$ 4,9677.


… Lá fora, as evidências de que a trégua está sendo violada acionaram posições defensivas no câmbio e o índice DXY subiu 0,22%, a 98,374 pontos. A libra recuou 0,29%, a US$ 1,3535, mas o iene (157,09 por dólar) caiu pouco.


… Circularam rumores de que o BoJ voltou a intervir, após a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, repetir alertas contra movimentos especulativos. Para o Goldman Sachs, a faixa de 160 ienes por dólar é uma “linha de defesa”.


… Desestabilizado pela ameaça de Trump de reabrir a guerra comercial e elevar em 25% as tarifas sobre importações de carros e caminhões da União Europeia, o euro caiu 0,22%, a US$ 1,1701, e ignorou o risco de um BCE conservador.


… O presidente do BC alemão, Joachim Nagel, disse que a guerra deve afetar o bloco “por um bom tempo” e que pode exigir um aumento dos juros em junho se não houver uma melhora significativa nas perspectivas de inflação.


BATENDO EM RETIRADA – Abalada pelo cenário de guerra, a rotação de ativos para os emergentes vem diminuindo e já se traduz em uma fuga maior dos investidores estrangeiros, que na última quarta-feira retiraram R$ 1,9 bi da B3.


… O saldo final do capital externo no acumulado de abril será conhecido hoje e, por enquanto, está pouco abaixo de R$ 5 bilhões. No ano, soma R$ 58,2 bilhões. O menor apetite dos gringos também tem aparecido no giro do Ibovespa.


… Mais modesto, o volume nos negócios ontem ficou em R$ 26,4 bilhões. Na volta do feriado de 1º de maio, o índice à vista da bolsa doméstica acompanhou a tensão global e fechou em baixa de 0,92%, aos 185.600,12 pontos.


… Nem a Petrobras conseguiu faturar direito o salto de quase 6% do petróleo. Tudo que o papel PN conseguiu subir foi 0,53%, a R$ 49,34, enquanto a ação ON desafiou o rali da commodity e terminou em queda de 0,80%, a R$ 54,29.


… Sem a referência do minério, com a China em feriado, Vale chamou vendas firmes e caiu 3,10%, a R$ 78,66.


… Destaque também para o mau humor dos bancos com o Irã e Trump, que continuam irredutíveis. Bradesco PN caiu 2,12% (R$ 18,91), Itaú PN perdeu 1,78% (R$ 42,40), Santander recuou 1,65% (R$ 28,56) e BB, -1,35% (R$ 21,91).


… Os sinais de fracasso do cessar-fogo também pesaram o ambiente nas bolsas americanas. O Dow Jones caiu 1,13%, para 48.941,90 pontos; o S&P 500 perdeu 0,41%, aos 7.200,75 pontos; e o Nasdaq recuou 0,19%, a 25.067,80 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – ANP aprovou acordos de individualização da produção pela PETROBRAS das jazidas de Sururu e Berbigão, localizadas na Bacia de Santos, com efetividade a partir de 1º de maio…


… A Petrobras informou que se qualificou para integrar o Dow Jones Best-in-Class World Index (DJ BIC), da S&P Global Corporate Sustainability Assessment (CSA), pelo segundo ano consecutivo…


… A KLABIN também teve sua participação renovada na edição 2025/2026 na carteira Global do DJ BIC. Esse é o sexto ano consecutivo de sua participação nesta categoria.


PRIO. A produção total de petróleo em abril atingiu 173.416 barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), ante 161.323 boe/dia em março. O número representa uma alta de 7,5% na comparação mensal.


HAPVIDA. Família controladora reduziu participação de 52,5% para 47,87% do capital social.


RD SAÚDE concluiu a venda da 4Bio para a Health Ventures, com recebimento de R$ 100 milhões e direito a parcelas remanescentes corrigidas pelo CDI e crédito futuro estimado em R$ 120 milhões.


ONCOCLÍNICAS aprovou contrato de R$ 150 milhões para fornecimento de medicamentos oncológicos, com garantias via cessão fiduciária de recebíveis. O Citi descontinuou a cobertura da companhia.


ODONTOPREV teve lucro líquido de R$ 152,1 milhões no 1TRI26, queda de 10,3% contra um ano antes, com receita de R$ 595,4 milhões, alta de 4%.


KORA SAÚDE teve homologado pela Justiça o plano de recuperação extrajudicial, com alongamento de passivos de R$ 1,3 bilhão.


PAGUE MENOS teve lucro líquido de R$ 52,2 milhões no 1TRI26, mais de dez vezes superior ao de um ano antes. Receita líquida somou R$ 3,81 bilhões, alta de 13%, e Ebitda ajustado atingiu R$ 331,9 milhões, avanço de 22,2%.


BB SEGURIDADE teve lucro de R$ 2,21 bilhões no 1TRI26, 4,86% acima do esperado pelos analistas no Broadcast.


NEOENERGIA informou que o valor atualizado de resgate compulsório de ações será de R$ 34,02 por ação; pagamento será feito no próximo dia 15.


ISA ENERGIA teve lucro líquido de R$ 357,7 milhões no 1TRI26, alta de 6% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 1,021 bilhão, avanço de 10,6%, e receita líquida atingiu R$ 1,226 bilhão, crescimento de 8,3%.


MOVIDA teve lucro líquido de R$ 124,5 milhões no 1TRI26, alta de 58,7% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 1,568 bilhão, avanço de 17,2%, e receita líquida atingiu R$ 3,780 bilhões, alta de 6,0%…


… A companhia projeta lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no 2TRI26.


LOCALIZA. Norges Bank elevou participação para 5,04% das ações preferenciais.


SMARTFIT teve rating AA+(bra) reafirmado pela Fitch, com perspectiva estável.


LOG COMMERCIAL PROPERTIES teve lucro líquido de R$ 134 milhões no 1TRI26, alta de 55,2% contra um ano antes, com Ebitda de R$ 185 milhões, avanço de 53,2%, e receita líquida de R$ 66 milhões, crescimento de 19,4%.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 266,1 milhões no 1TRI26, alta de 10% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 304,8 milhões, avanço de 16,3%, e receita líquida atingiu R$ 1,65 bilhão, queda de 1,3%.


HIDROVIAS DO BRASIL teve prejuízo de R$ 34 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 2 milhões um ano antes. Ebitda somou R$ 194 milhões, queda de 6%, e receita líquida atingiu R$ 445 milhões, recuo de 18%.


TUPY elegeu Harro Burmann como novo diretor-presidente, com início do mandato em 1º de junho…


… A gestora Charles River, acionista minoritária da fabricante de motores, pediu a reprovação das contas de 2025.


PICPAY firmou parceria com a TIM Brasil para integração de produtos e serviços.


BIOMM. BTG Pactual Gestão passou a deter 12,2% do capital da companhia.


IRANI aprovou pagamento de R$ 5,1 milhões em dividendos, equivalente a R$ 0,02243 por ação.

Malu Gaspar

 https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/em-reuniao-secreta-bc-pressiona-brb-e-revela-cogitar-intervencao-ou-privatizacao.ghtml


*Em reunião secreta, BC pressiona BRB por solução*


Por Malu Gaspar


Numa reunião secreta realizada no feriado de 1º de maio, diretores e técnicos do Banco Central (BC) pressionaram dirigentes do BRB por uma alternativa rápida à crise de liquidez, e chegaram a sugerir que alguma medida poderia ser tomada ainda no final de semana caso a situação do banco estatal de Brasília se revelasse insolúvel.


Durante o encontro, que não foi registrado na agenda oficial de nenhum dos participantes, falou-se em realizar uma intervenção, mas cogitou-se também fatiar algumas áreas do banco e repassar a concorrentes, no que foi interpretado pelos executivos do BRB como uma pressão pela privatização da instituição.


Participaram das discussões pelo BC os diretores Ailton de Aquino (Fiscalização) e Gilneu Vivan (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução) e três técnicos do órgão regulador. Pelo BRB estavam o presidente, Nelson de Souza, os diretores Antônio José Barreto de Araújo Júnior (Finanças e Controladoria) e Ana Paula Teixeira (Controles e Riscos) e o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.


Na conversa que durou duas horas, os diretores do BC se disseram preocupados com a crise de liquidez e pediram aos dirigentes do BRB que fossem transparentes a respeito da situação do banco, mencionando a necessidade de encontrar uma “solução”.


No final de março, quando o BRB deixou de publicar seu balanço em razão de um rombo que, se exposto, poderia levar à intervenção ou à liquidação imediata, o BC deu até o final de maio para a instituição encontrar uma saída para a crise. Desde então, o banco estatal de Brasília vem pagando uma multa diária de R$ 30 mil por dia, enquanto tenta captar recursos para pagar seus compromissos, resolvendo o problema de liquidez, e cobrir o rombo no patrimônio, avaliado em R$ 8,8 bilhões.


No último dia 20, o BRB anunciou a venda para a gestora Quadra de uma carteira de ativos que recebida do Banco Master numa troca pelas carteiras fraudadas compradas da instituição de Daniel Vorcaro. O negócio, pelos quais o BRB receberá R$ 4 bilhões, ainda não foi concretizado, mas na reunião os executivos do banco de Brasília disseram que o dinheiro entrará no caixa até o dia 20 de maio e cobraram do BC que respeite o prazo que ele mesmo estabeleceu.


Os executivos disseram ainda que estão tentando formas de financiamento alternativas ao empréstimo de outros R$ 4,5 bilhões que pediram ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e que pode não sair se não tiverem o aval da União, como já informamos no blog.


A chancela da União é a exigência do FGC e de um consórcio de bancos coordenados pelo Bradesco para aportar os recursos no BRB, mas o presidente Lula deu ordens nos bastidores aos bancos estatais e ao Tesouro para que não participe do salvamento do banco de Brasília.


A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), esperava ser recebida nesta segunda-feira por Lula para discutir o assunto, mas até agora não conseguiu.


*Privatização*


Caso nenhuma das alternativas em negociação pelos executivos do BRB vá adiante, a privatização é uma possibilidade real.


Uma das razões é que o BC sempre prefere uma solução de mercado, e uma intervenção em um banco estatal, com programas sociais, depósitos judiciais de vários tribunais pelo Brasil e carteiras de crédito consignado, seria bem mais complexas do que as realizadas em bancos privados. Outro dificultador é o fato de estarmos às vésperas de uma eleição em que o BRB certamente entrará na pauta dos debates. O fato de o BC já estar sobrecarregado com a liquidação do Master também não ajuda.


Celina tem se colocado contra uma eventual privatização do BRB. Seus aliados enxergam na pressa do BC o resultado da pressão de concorrentes privados. Mas o fatiamento dos negócios ou a venda de todo o banco para um concorrente pode acabar sendo mesmo a saída para estancar a crise da liquidez.


Entre as possibilidades discutidas está a venda do espólio de depósitos judiciais mantidos pelo BRB. Esses depósitos são, em geral, as cauções determinadas por juízes e que funcionam como garantias para evitar calotes ao final de ações dos processos. Os valores são custodiados pelos tribunais de Justiça, que fazem licitações para escolher o banco em que eles ficarão depositados.


O banco de Brasília ganhou certames nos últimos anos para custodiar os valores prometendo taxas de retorno maiores do que outras instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, mas ainda assim abaixo dos juros de mercado.


Atualmente, o BRB tem R$ 30 bilhões dos Tribunais de Justiça de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e também do Distrito Federal e dos Territórios.


Diferentemente de aplicações financeiras tradicionais, esses recursos têm natureza sensível: são garantias de processos judiciais e pressupõem segurança absoluta. Qualquer risco de perda ou atraso na disponibilidade pode gerar efeitos em cadeia sobre tribunais e governos.


Também estão sobre a mesa as carteiras de crédito do BRB e o consignado ofertado pelo banco no próprio Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins.


Como mostramos no blog no último dia 20, o BRB beirou a insolvência nos últimos meses. Para contornar as dificuldades, o banco vendeu um lote de carteiras de crédito consideradas boas pelo mercado, mas as alternativas não foram suficientes.


Além disso, o banco não tem conseguido captar mais empréstimos ou depósitos, o que nos cálculos dos executivos do banco vem encurtando o limite de tempo para que se encontre uma solução.


Ao final da reunião com o BC, o BRB conseguiu segurar o prazo do fim de maio para entregar uma solução. Se vai conseguir, é um outro problema.

Ata do Copom

 🇧🇷 *Ata do Copom: Banco Central mantém tom cauteloso* - _por JP Morgan_


A ata da reunião do Copom da semana passada continuou indicando um processo de calibração gradual da taxa de juros. A comunicação segue consistente com mais um corte de 25 pontos-base na reunião de junho, com a intensidade e o ritmo do ciclo dependentes dos dados econômicos e financeiros, especialmente diante do conflito no Oriente Médio.


A atenção à decisão da semana passada e à ata divulgada agora se concentrou na avaliação do balanço de riscos para a inflação. Em ambos os casos, o Banco Central evitou apontar assimetrias de forma explícita, mas o tom foi mais duro do que em comunicações anteriores, refletindo maior preocupação com os efeitos secundários do choque do petróleo. A autoridade monetária reconheceu que a duração do conflito já materializou alguns riscos, com destaque para a alta das expectativas de inflação de médio prazo, com impactos visíveis em dados recentes de preços ao consumidor e no atacado. Na visão do Banco Central, um atraso na resolução do conflito eleva a probabilidade de efeitos mais duradouros sobre cadeias de produção e distribuição, com impacto ambíguo para o cenário de inflação no horizonte da política monetária.


Ainda assim, a avaliação do Banco Central é de que, em um contexto de política monetária restritiva sendo transmitida para a atividade econômica, os eventos recentes não impedem a continuidade do ciclo de calibração. Embora o Comitê tenha reforçado que os dados do primeiro trimestre indicam recuperação da atividade, a autoridade monetária avalia que os efeitos contracionistas sobre componentes cíclicos do PIB, observados no fim de 2025, devem se estender para 2026 por meio da desaceleração do crédito. Nesse cenário, o Banco Central mantém a leitura de que a economia segue em trajetória de moderação, em linha com o cenário-base.


#Notícias #TradeNews

Vorcaro e o rombo

 *Vorcaro tentou encobrir rombo de R$ 777 milhões após usar Master para financiar empresas de familiares, diz liquidante*

Teia de fundos e firmas tentou mascarar valores ligados aos parentes do banqueiro


Henrique Vorcaro, pai do dono do Master, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, já tiveram seus bens protestados em ação movida no mês passado pela liquidante do Banco Master, responsável por vender os bens e pagar os credores até a liquidação completa da instituição. A suspeita é que, por meio dessa operação financeira, iniciada em 2022, eles desviaram recursos milionários do cofre do Master para financiar, entre outros bens, uma mansão de US$ 35 milhões na Flórida, nos Estados Unidos.


Na ação, os advogados da liquidante pediram o protesto de bens desses dois familiares do dono do Master, ou seja, que haja um aviso sobre a disputa judicial se houver a intenção de vendê-los. O objetivo é evitar o esvaziamento de patrimônio e proteger eventuais ressarcimentos de credores do Master.


O suposto desvio teria se iniciado após um fundo de investimento ligado ao Master, chamado City, adquirir de empresas da família Vorcaro títulos de mercado chamados de "recebíveis".


Funciona assim: uma empresa que tem dinheiro a receber de vários clientes no futuro pode "empacotar" essas dívidas em contratos e vendê-los ao mercado, antecipando o dinheiro à vista. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que, em 2022, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões nas contas dessas empresas familiares, em troca de uma promessa de receber R$ 798 milhões nos anos seguintes.


A liquidante do Banco Master, entretanto, aponta fortes indícios de que esses recebíveis eram "podres", isto é, não tinham lastro real ou chance de serem pagos pelos clientes originais na outra ponta. Como o dinheiro esperado não entrava, administradora do fundo passou a registrar perdas progressivas nos meses seguintes, seguindo as regras da CVM.


"Os indícios apresentados corroboram a tese de que os Requeridos, familiares próximos do ex-controlador, possam ter atuado de forma consorciada para a canalização, desvio e ocultação de recursos bilionários", afirma a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acatou uma liminar pelo protesto dos bens da família.


O rombo começou a aparecer publicamente no início de 2025, quando o fundo City admitiu ao mercado uma perda de 61,25% de seu patrimônio apenas no mês de março. No balanço de junho, o saldo negativo por calotes (chamada de "provisão para devedores duvidosos") atingiu a marca de R$ 714,9 milhões. Procurado, o City não comentou.


A suspeita levantada na ação é que, como o fundo estava assumindo um prejuízo bilionário para enriquecer diretamente empresas da família do ex-controlador, uma nova operação teria sido armada. Em 3 de julho de 2025, meses antes da liquidação do Master, o fundo City assinou um contrato vendendo todo esse "pacote" de recebíveis da família Vorcaro por R$ 776,9 milhões para uma empresa chamada Navarra S.A..


A liquidante identificou, entretanto, que a Navarra não era uma empresa do mercado interessada nos recebíveis, mas que tinha, como beneficiário final, o próprio Vorcaro, por meio de dois fundos, o Lunar e o Astralo 95, este último já apontado nas investigações como sendo um dos "cofres" usados pelo banqueiro. Na prática, a suspeita é que a operação teria servido para mascarar a dívida da família na contabilidade do Master e do fundo City, vinculado ao banco.


Semanas depois de assinar esse contrato de venda, no dia 24 de julho de 2025, a administradora do fundo City emitiu um comunicado ao mercado admitindo a irrecuperabilidade dos ativos, com uma queda de 99,98% no valor das cotas. Na prática, o informe indicou que o valor do fundo foi reduzido a quase zero: se uma pessoa tivesse investido R$ 100 no dia anterior, veria seu investimento despencar para apenas R$ 0,02.


A liquidante do Banco Master identificou essa manobra e obteve o protesto dos bens da família Vorcaro, argumentando que a operação com a Navarra não teve substância econômica, servindo apenas para mascarar o fato de que os créditos cedidos originalmente pela família ao fundo City eram de difícil recuperação e jamais seriam quitados.


"Identifica-se, de igual modo, fortes indícios de que os recursos supostamente desviados das Requerentes serviram ao financiamento de uma vida de alto luxo, materializada, entre outros, na aquisição de uma propriedade cinematográfica na cidade de Windermere, na Flórida (EUA), avaliada no montante recorde de US$ 35 milhões, de titularidade da empresa Sozo Real Estate Inc., cujos cargos de direção são ocupados pelos ora Requeridos", apontou a decisão.


As investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal apontam que o Astralo financiou outros bens, como um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília (utilizado por Daniel Vorcaro), um jatinho de R$ 538 milhões e aportes milionários na SAF do Atlético Mineiro. As apurações da PF revelam ainda que parte dos recursos do esquema bancou pagamentos de propina a fiscais do Banco Central para fazer vista grossa às operações, além de financiar o núcleo "A Turma", uma milícia privada utilizada pelo banqueiro para espancar e ameaçar jornalistas que tentassem expor as fraudes.


Nota da defesa de Henrique e Natália Vorcaro:



"Em meio ao que já se revelou como maledicência - porque nunca fundado em provas - tem-se nova tentativa de arrastamento do nome da família a fatos que não tem qualquer relação com seus outros membros, no que diz respeito àquilo que nunca passou de especulação.


As novas “suspeitas” não se sustentam! O que há é pura distorção da realidade, com finalidades não republicanas, típicas de quem, na falta de fatos, dá relevo aos boatos em uma construção artificial.


Essa estratégia, além de repetitiva, desconsidera fatos públicos e aposta na insistência de uma narrativa que não se sustenta. Os negócios feitos com as empresas parceiras citadas foram lucrativos para o Banco Master, como é o caso da venda da Promed.


Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações.


O foro adequado a tais aleivosias é o Poder Judiciário. Henrique Vorcaro, que nem citado foi ainda, já apresentou as explicações devidas e até mesmo as indevidas."


https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/05/vorcaro-tentou-encobrir-rombo-de-r-777-milhoes-apos-usar-master-para-financiar-empresas-de-familiares-diz-liquidante.ghtml?giftId=02ac6292ba87bf6

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