segunda-feira, 11 de maio de 2026

Semana 11 15/05

 📆 Semana começa com Focus, enquanto EUA têm bateria de dados imobiliários e leilões do Tesouro.


🇧🇷 Cenário Doméstico

No Brasil, os investidores acompanham pela manhã o Boletim Focus, em meio a revisões para o IPCA e manutenção das projeções para Selic e câmbio. Também saem o IPC-Fipe e, à tarde, a balança comercial semanal, em um ambiente de expectativa para o IPCA de abril que será divulgado amanhã e deve calibrar as apostas para o Copom. Reta final da temporada de balanços no Brasil. Entre os balanços das empresas estão Petrobras, BTG Pactual, Natura, Banco do Brasil, CSN, Casas Bahia, Nubank e MRV.


🌍 Cenário Internacional (EUA/Europa/Ásia/outros)

Nos EUA, o dia é mais técnico, com dados de vendas de casas existentes e uma sequência de leilões de títulos do Tesouro.

O mercado segue atento ainda ao noticiário geopolítico envolvendo Irã e às sinalizações em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping ao longo da semana, temas que podem influenciar dólar, Treasuries e commodities.


📊 Agenda do dia – Brasil

▪️ 05:00 -  IPC-Fipe

▪️ 08:00 -  IPC-S Capitais – 1ª quadrissemana - Maio/2026

▪️ 08:25 – Boletim Focus (BCB)

▪️ 15:00 – Balança comercial semanal (Secex)


🕒 Agenda do dia – Exterior

▪️ 14:00 – EUA: Vendas de Casas Existentes (abril)

▪️ 15:30 – EUA: Leilões de Títulos de 3 e 6 meses

▪️ 17:00 – EUA: Leilão de Notas de 3 anos

Um grito de socorro nas universidades

 Editorial de hoje do Estadao sobre a hegemonia cultural de esquerda na academia !!!


“Um grito de socorro pelas universidades


Acadêmicos oferecem o antídoto para reverter a perversão dos câmpus em incubadores de intolerância e restaurar sua vocação de usina de criação e difusão de conhecimento


08/05/2026


Um grupo de professores lançou o manifesto . É uma reação a um ambiente de “conformidade ideológica, autocensura e intolerância”, em que “eventos são cancelados ou interrompidos, aulas são boicotadas, participantes são intimidados e expostos”, comprometendo “a legitimidade pública da universidade e as próprias condições de produção de conhecimento”.


Desde a Academia de Platão, passando pelas universidades medievais, a pesquisa e o ensino só prosperaram em ambientes de confronto intelectual. O conhecimento amadurece quando hipóteses rivais colidem e argumentos são macerados pelo escrutínio. Se essa dinâmica cede lugar ao constrangimento, a investigação perde fôlego, e o ensino, densidade.


Mas hoje a composição ideológica nas humanidades é estreita. Uma pesquisa na USP e na UFBA identificou que 93% dos professores de História e 73% dos de Direito são de esquerda. Além disso, 61% dos docentes já evitaram temas controversos e 35% deixaram de convidar palestrantes por medo de represália. Quase metade dos estudantes pratica autocensura. Não é necessário um tribunal para produzir punição quando reprovações moralistas substituem o exame de argumentos e a chantagem reputacional se antecipa a qualquer instância formal.


A universidade, que ajudou a dissolver ortodoxias esclerosadas, forjou novas. A militância progressista interpreta todo discurso como “relação de poder”; desconfia do pluralismo como mecanismo de perpetuação de “opressões”, substitui disputas racionais por gestões morais e usa cancelamentos e linchamentos virtuais para disciplinar dissidentes. Numa ironia involuntária, mimetiza velhas ferramentas confessionais: proselitismo, heresias, blasfêmias, dogmas, penitências públicas. Os novos fariseus e zelotas podem vestir a linguagem emancipatória da inclusão social ou racial e, ainda assim, excluir brutalmente ideias e convicções.


Na pesquisa, hipóteses são descartadas por consensos ideológicos. No ensino, o currículo é homogeneizado, o cânone é mutilado e escolas divergentes são obliteradas. O tumor não só sufoca a liberdade de expressão, como desintegra a capacidade de conhecer. Os universitários são despejados na vida civil imbuídos de uma libido para conformar a si e aos outros.


Previsivelmente, a pressão externa cresce, na forma de invectivas caricatas e projetos de intervenção. Cria-se um circuito de retroalimentação: patologias endógenas dão munição a ataques exógenos que reforçam reflexos paranoicos. As esquerdas iliberais colonizaram a academia e asfixiam sua liberdade; em retaliação, as direitas iliberais buscam sitiá-la e demoli-la. O câmpus, que deveria ser arena intelectual, virou trincheira política.


Instituições financiadas pelo público dependem de confiança pública. Mas ela está sendo pulverizada pela percepção de alheamento, alinhamento e intolerância. Segundo pesquisa da Quaest, 59% dos brasileiros confiam pouco ou nada na universidade pública, e 54% creem que ela promove mais ideologia do que ensino de qualidade. Menosprezar esse mal-estar como ressentimento obscurantista ou negar a doença só acelerará sua virulência.


O manifesto clama por três remédios. Primeiro, “neutralidade institucional”: universidades não devem adotar posições oficiais sobre temas políticos ou ideológicos, a menos que estejam em jogo os instrumentos de sua missão, como autonomia e financiamento. Segundo, “liberdade acadêmica”: universidades devem escudar docentes e discentes contra punições ou perseguições. O desconforto do contraditório não pode ser tratado como ofensa a ser eliminada. O teste de integridade é a proteção do dissidente, não do consenso. Terceiro, “pluralismo”: diversidade de ideias, doutrinas, autores e perspectivas. Isso não significa relativismo: o questionamento a consensos deve ser mediado pelo método científico e pela argumentação honesta.


Universidade é laboratório, não tribunal. A busca da verdade exige atrito, não anestesia. Onde ideias podem circular livremente e se chocar sem medo, a mentira é castrada e a verdade ganha músculo. Onde isso falta, sobra a unanimidade burra – e truculenta”.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


NY +0,8% US tech +2,4% US Semis +5,5% UEM -1% España -1% VIX 17,2% Bund 3,00%. T-Note 4,40%. Spread 2A-10A USA=+47pb B10A: ESP 3,42% PT 3,36% ITA 3,73% FRA 3,62% Euribor 12m 2,708% (fut.12m 2,941%) USD 1,175 JPY 184,6/€ 157,1/$. Ouro 4.655$. Brent 105,3$. WTI 99,8$. Bitcoin +1,1% (80.773$). Ether +2 % (2.334$). 


:: SESSÃO. Após a forte subida americana de sexta-feira (não tanto na Europa), o natural é que hoje se estanque. Os excelentes resultados das empresas de semis e o inesperadamente bom dado de emprego americano em abril, publicado na sexta-feira (Criação de Emprego 115K vs. 65K esperado vs. 185K anterior) são os fatores dinamizadores fundamentais mais recentes. Mas a rejeição de Trump à proposta iraniana há umas horas, que era absolutamente previsível, faz com que o petróleo aumente e isso reforça a expetativa de uma sessão plana, no melhor dos casos.


GEOESTRATÉGIA. Tom neutro. Trump ainda tem tempo para pressionar. As eleições de meio mandato serão a 3 de novembro, portanto, tem até setembro, digamos. Enquanto isso, Wall St. não detém a sua subida e isso proporcionar-lhe-ia algum crédito para continuar a pressionar o Irão. Um petróleo caro prejudica-lhe eleitoralmente, mas o West Texas continua abaixo da fronteira dos 100 $/b. e é provável que reduza ou anule os impostos sobre combustíveis para o consumidor/eleitor, argumento, por exemplo, que os impostos alfandegários permitem adotar essa medida. Em paralelo, Cuba continua a descompor-se internamente; pode estar a calcular os tempos para que o desfecho, sob a forma de uma queda gradual, o fortaleça politicamente em novembro. E nesta quinta/sexta-feira terá uma reunião com Xi Jingpin. China está indiretamente debilitada após a neutralização da Venezuela, a sua economia está estancada e a última coisa que precisa é não ter o petróleo de Ormuz e ter de recorrer ao petróleo indiretamente procedente da frota fantasma russa (como acontece agora), portanto, provavelmente irá adotar uma atitude nada beligerante e até construtiva com Trump.


RESULTADOS CORPORATIVOS. Tom magnífico. Estão a ser simplesmente excelentes. Isto transmite a ideia de que as guerras (Ucrânia, Irão) e o petróleo não estão a afetar, por agora. Nos EUA, com quase 90% das empresas já publicadas, o EPS (Lucro por Ação) expande-se +26% vs. +14,4% esperado, e na Europa +12% vs. +4%.  


MACRO. Bom tom. O bom emprego americano de sexta-feira assentou muito bem. Hoje, às 15 h, Vendas de Habitações Usadas nos EUA, que se esperam decentes ou até boas (4,05M vs. 3,98M). No resto da semana, destacam-se 3 dados americanos: amanhã, inflação de abril a aumentar até +4% (+3,7% esperado desde +3,3%), na quinta-feira, Vendas a Retalho a aguentarem razoavelmente bem (+0,5% vs. +1,7%) e na sexta-feira, Produção Industrial decente e a melhorar (+0,2% vs. -0,1%).  


:: CONCLUSÃO. Talvez consiga subir um pouco hoje, embora não deva depois do rally americano de sexta-feira e de Wall St. estar há 6 semanas seguidas a subir (Europa tem alternado subidas semanais com retrocessos). Mas a inércia em alta é muito potente graças aos resultados corporativos, a uma macro mais sólida do que o esperado (provavelmente também esta semana) e a um mercado que está disposto a conviver cordial e pacientemente não só com a guerra na Ucrânia, mas também com a do Irão. Provavelmente, isto assim acontece porque a Rússia começa a estar realmente debilitada (Putin poderá estar a ser questionado internamente) e a China prefere manter distância ao Irão, o que, no fundo, manifesta uma posição também mais débil da sua parte. O pior desfecho para todos hoje seria bolsas planas e obrigações a ganharem um pouco de yield (quedas de preços), mas muito pouco.


FIM

BDM Matinal Riscala

 Petróleo reacende alerta para inflação global

Plano de paz fracassa e Brent mantém mercado preso a impacto sobre energia e juros


11/05/2026


… A semana começa sob nova pressão do petróleo, que subia 3% na noite deste domingo, após Trump dizer que a resposta do Irã à proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos é “inaceitável”. O Brent voltou aos US$ 104, reacendendo o temor de inflação global em meio aos entraves nas negociações e mantendo o mercado preso ao risco geopolítico e ao impacto sobre energia e juros. Em paralelo, a agenda da semana ganha peso com os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que podem recalibrar expectativas para o Fed e o Copom em um ambiente sensível ao conflito no Oriente Médio. Na B3, segue a temporada de balanços, com destaque para Petrobras após o fechamento.


GUERRA SEM TRÉGUA – A reação de Donald Trump, de rejeitar a nova proposta de paz apresentada pelo Irã, reacende o temor de prolongamento da guerra no Oriente Médio e desmonta o otimismo que sustentou o rali dos mercados na semana passada.


… A resposta foi imediata na abertura dos mercados asiáticos.


… Os futuros das bolsas em Nova York recuaram, o dólar voltou a ganhar força frente às principais moedas e o petróleo disparou, com o Brent avançando quase 3% na abertura desta segunda-feira, com a percepção de que o Estreito de Ormuz poderá continuar fechado.


… A deterioração do humor ocorre poucos dias depois de Wall Street renovar máximas históricas, embalada pelo payroll americano acima do esperado, pela resiliência da economia americana e pelo novo rali das ações ligadas à inteligência artificial.


… O mercado vinha acreditando que um acordo entre Estados Unidos e Irã poderia começar a destravar a circulação de petróleo no Golfo Pérsico.


… Segundo o Wall Street Journal, o Irã teria aceitado transferir parte de seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país, mas rejeitado desmontar instalações nucleares — ponto considerado central por Washington e Israel.


… O regime iraniano negou a reportagem e a agência de notícias Tasnim reforçou que Teerã exige fim imediato da guerra, suspensão das sanções dos Estados Unidos sobre petróleo, liberação de ativos congelados e controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.


… O Irã considera a proposta americana equivalente a uma rendição e insiste que Washington deve pagar indenizações de guerra.


… O endurecimento do discurso ocorre num momento em que o cessar-fogo segue apenas formalmente em vigor.


… Apesar da trégua anunciada em abril, novos episódios militares continuam elevando a tensão na região. Um cargueiro foi atingido por drone próximo ao Catar neste domingo, enquanto Emirados Árabes Unidos e Kuwait afirmaram ter interceptado drones hostis.


… Benjamin Netanyahu também elevou o tom no fim de semana.


… Em entrevista à CBS, o primeiro-ministro israelense afirmou que “a guerra não acabou” e que Israel ainda precisa destruir a capacidade nuclear iraniana e eliminar os estoques de urânio enriquecido do país.


… O pano de fundo mais sensível para os mercados continua sendo o petróleo. A Saudi Aramco alertou que, mesmo em caso de reabertura imediata de Ormuz, o mercado levaria meses para normalizar fluxo, logística e abastecimento.


… Em outra frente, uma análise da Bloomberg aponta que a guerra já está provocando um consumo recorde dos estoques globais de petróleo, corroendo justamente o colchão de segurança usado pelo mercado para amortecer choques de oferta.


… O Morgan Stanley estima que os estoques globais caíram 4,8 milhões de barris por dia entre março e abril, no maior ritmo de redução já registrado, enquanto o Goldman Sachs afirma que os estoques visíveis já se aproximam dos menores níveis desde 2018.


… O JPMorgan alerta que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, os estoques da OCDE podem atingir níveis de “estresse operacional” já no próximo mês e níveis mínimos até setembro, elevando significativamente o risco de escassez global de combustíveis.


… Analistas afirmam que países asiáticos dependentes de importação, como Paquistão, Indonésia e Filipinas, podem enfrentar escassez crítica de combustíveis nas próximas semanas, enquanto estoques europeus de querosene de aviação se aproximam de níveis preocupantes.


… A avaliação predominante é de que o mercado entrou numa fase mais vulnerável, em que qualquer nova deterioração militar ou fracasso diplomático pode provocar movimentos abruptos no petróleo, reacender temores inflacionários e alterar a trajetória para juros globais.


VIAGEM À CHINA – Trump visita Pequim nos dias 14 e 15 de maio, na primeira viagem presidencial americana à China desde 2017.


… A reunião com Xi Jinping deve incluir discussões sobre a guerra no Irã e possíveis caminhos diplomáticos para reduzir a tensão no Oriente Médio, além da extensão da trégua comercial firmada em outubro do ano passado em Busan.


… Na pauta, compras chinesas de soja, carne bovina e aeronaves da Boeing, e temas estratégicos como semicondutores, IA e Taiwan.


MAIS AGENDA –A semana será marcada por uma combinação delicada guerra no Oriente Médio, petróleo, inflação e atividade econômica, em um ambiente em que o mercado tenta entender até onde o choque de energia pode contaminar preços, juros e crescimento global.


… No radar, dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, relatórios da OPEP e da AIE – ambos na quarta-feira, em meio à crescente preocupação com a redução dos estoques globais e os impactos prolongados do fechamento do Estreito de Ormuz.


… Aqui, o foco principal recai sobre o IPCA de abril, que será divulgado amanhã (terça-feira), com a mediana do Projeções Broadcast apontando desaceleração de 0,88% para 0,67% na margem, com algum alívio vindo da gasolina e de alimentos.


… Economistas destacam que a perda de força da gasolina nas últimas semanas ajuda a aliviar parcialmente a inflação corrente, mas ponderam que o choque provocado pela guerra segue pressionando combustíveis, cadeias industriais e custos ligados ao petróleo.


… Nos Estados Unidos, o mercado aguarda também nesta terça-feira o CPI de abril, em busca de sinais sobre o tamanho do impacto da alta do petróleo sobre a inflação. O consenso aponta avanço de 0,6% no índice cheio e aceleração do núcleo de 0,2% para 0,4% na margem.


… O dado ganha ainda mais relevância depois do payroll forte da semana passada e em meio à percepção de que o Federal Reserve pode permanecer mais tempo sem cortar juros, enquanto monitora os efeitos da guerra sobre energia e inflação.


… A agenda da semana ainda inclui vendas no varejo e volume de serviços no Brasil, vendas no varejo nos Estados Unidos, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve e do BCE ao longo dos próximos dias, com fala de Lagarde na quinta-feira.


HOJE – A China abriu o dia com os índices de preços ao consumidor e ao produtor de abril – o CPI chinês acelerou de 1% para 1,2% em 12 meses, em um momento em que Pequim monitora os impactos da guerra sobre energia, exportações e atividade global.


… Na sexta-feira à noite, Pequim informou que o crescimento das exportações acelerou fortemente em abril (14,1%) contra um ano antes, após subir 2,5% em março. O resultado superou a alta de 8,0% prevista por economistas em uma pesquisa do Wall Street Journal.


… Já as importações da China subiram 25,3% contra igual período de 2025, desacelerando levemente em relação a um aumento de 27,8% em março, mas superaram a alta de 16,0% esperada pelos economistas consultados.


… O superávit de US$ 84,82 bilhões superou março (US$ 51,1 bilhões), mas frustrou a previsão de US$ 92,3 bilhões.


… Aqui, saem o IGP-10 de maio (8h) e o Boletim Focus (8h25), e, nos Estados Unidos, vendas de casas usadas em abril (11h).


GALÍPOLO – O presidente do Banco Central participa nesta segunda-feira de reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, na Suíça, ao lado do diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti.


… Já entre quarta e sexta-feira, o BC promove sua conferência anual em Brasília, reunindo acadêmicos, representantes de bancos centrais, instituições multilaterais e agentes do mercado para debates sobre macroeconomia, estabilidade financeira e cenário internacional.


BALANÇOS – A reta final da temporada do 1TRI concentra alguns dos principais nomes da B3 nesta semana, em meio à volatilidade global provocada pela guerra no Oriente Médio, pela disparada do petróleo e pela discussão sobre inflação e juros nos Estados Unidos e no Brasil.


… O principal balanço será o da Petrobras, hoje, após o fechamento, com expectativa de lucro líquido ajustado de US$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre, alta de mais de 43% na comparação anual, impulsionada pela disparada do petróleo e produção recorde no mercado interno.


… Analistas também esperam Ebitda próximo de US$ 13 bilhões e dividendos de US$ 2,4 bilhões, sustentados pela forte geração de caixa.


… O foco, porém, continuará dividido entre distribuição de proventos, disciplina de investimentos e trajetória do capex, num ambiente em que a Petrobras se tornou uma das principais beneficiárias da alta global do petróleo.


… As ações preferenciais da estatal acumulam valorização superior a 50% em 2026, refletindo justamente o choque de energia provocado pela guerra e a expectativa de manutenção de preços elevados do Brent ao longo dos próximos meses.


… Ainda nesta segunda-feira, antes da abertura, o mercado acompanha os números de Vivo e BTG Pactual. E após o fechamento, também divulgam resultados Itaúsa, Natura, Hapvida, MRV, Direcional e Energisa.


… Amanhã (terça-feira), os destaques ficam para Braskem, JBS, PagBank e Cury, em uma sessão que deve começar a mostrar de forma mais clara os impactos da alta de energia, juros elevados e pressão de custos sobre empresas industriais, consumo e construção civil.


… A quarta-feira concentra uma das agendas mais pesadas da temporada, com Banco do Brasil, Equatorial, Eneva, Rede D’Or, CSN, CSN Mineração, SLC Agrícola, CVC, Casas Bahia, Americanas, Boa Safra e Positivo.


… Entre os balanços mais aguardados do dia, Banco do Brasil deve servir como termômetro para inadimplência, crédito e margem financeira em um ambiente ainda marcado por juros elevados, enquanto CSN ajuda a calibrar a leitura sobre demanda global por commodities metálicas.


… Na quinta, o foco recai sobre Nubank, Cosan, CPFL, Cyrela, Marfrig, Stone, Grupo Mateus, Três Tentos, Sanepar, Unipar, JHSF, Vamos e Light.


BRAZIL WEEK – Nova York recebe nesta semana a Brazil Week, série de eventos que reúne centenas de investidores, executivos, banqueiros, empresários e autoridades brasileiras e americanas.


… O evento ocorre poucos dias depois do encontro entre Trump e Lula, em meio às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.


… Até sexta-feira, bancos, gestoras, grupos empresariais e entidades promovem mais de 20 encontros voltados a temas como cenário macro e geopolítico, inteligência artificial, reformas estruturais, sucessão presidencial no Brasil e oportunidades de investimento no País.


CURTAS DA POLÍTICA – O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve realizar reunião extraordinária nesta segunda-feira, com destaque para a proposta de aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.


… A pauta também inclui mudanças na política de comercialização do gás natural da União, dentro da estratégia de reduzir preços no setor.


ESCALA 6X1. O debate sobre o fim da escala 6×1 avança nesta semana na comissão especial da Câmara. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, será ouvido na terça-feira e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na quarta-feira.


… O governo pressiona pela tramitação do projeto que reduz a jornada de trabalho, enquanto a comissão tenta acelerar o calendário da PEC antes que o texto enviado pelo Executivo passe a trancar a pauta da Câmara no fim de maio.


… O parecer do relator Leo Prates deve ser apresentado no dia 20 e votado no dia 26.


SEGURANÇA. Lula deve anunciar nesta semana a liberação de R$ 960 milhões para ações de segurança pública dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado, com medidas de combate às facções criminosas, regulamentação do PL Antifacção e novas ações operacionais.


DOSIMETRIA. PT, PCdoB e PV apresentaram ação ao STF para derrubar a Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso após a derrubada do veto de Lula e que beneficia condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.


… A decisão de Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da nova lei elevou a tensão política no fim de semana. Governistas classificaram a medida como “vitória da democracia”, enquanto a oposição acusa o STF de interferência sobre decisões do Congresso.


META DE INFLAÇÃO. O debate voltou ao radar após o PT defender, em seu congresso nacional, a revisão do alvo de 3%, reacendendo discussões dentro do governo, do mercado e da academia sobre o nível considerado adequado para o Brasil.


… Enquanto economistas ligados ao partido argumentam que uma meta mais elevada permitiria juros reais menores, integrantes da equipe econômica e parte do mercado avaliam que uma mudança agora poderia piorar expectativas e afetar a credibilidade do regime de metas.


TROCOU O DISCO – Tateando no escuro, os mercados globais saíram para o fim de semana ainda sem uma resposta do Irã sobre a proposta de paz. Mas, na sexta, deixaram a guerra em stand-by por um dia para olhar para o payroll.


… A economia dos Estados Unidos criou 115 mil empregos em abril, quase o dobro da mediana das apostas dos analistas, de 63 mil vagas. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3% contra o mês de março.


… O salário médio pago por hora, considerado um indicativo de inflação, subiu 0,16%, abaixo do previsão de 0,3%.


… O Bank of America resumiu bem a percepção deixada pelo relatório de emprego entre os investidores:


… O dado é sólido o suficiente para permitir confortavelmente que o Fed mantenha os juros estáveis, mas não indica um mercado de trabalho superaquecido, reduzindo os riscos extremos de novos apertos da política monetária.


… O ritmo moderado dos salários aponta que o emprego forte não tem embutido maior pressão inflacionária.


… Depois do payroll, a ferramenta do CME manteve a aposta de juro estável pelo Fed até o fim do ano que vem.


… Mesmo com a surpresa do dado do emprego, Stephen Miran continuou insistindo ser apropriado voltar a cortar juros, embora tenha reconhecido que o choque energético pode reduzir o número de cortes esperados para o ano.


… De seu lado, Austan Goolsbee não descartou uma flexibilização pelo Fed, mas disse não entender “como alguém pode olhar para a situação atual e considerar que a única opção viável seja um corte nas taxas de juros”.


… Segundo ele, todas as opções sobre os juros estão sendo consideradas, porque a inflação continua “alta e evoluindo na direção errada”, e “já estava elevada antes mesmo de a guerra no Oriente Médio estourar”.


… No mercado, a leitura tranquila do payroll esvaziou o risco de estagflação, não corroborou qualquer alarmismo de que os próximos movimentos do Fed possam ser de um aperto e despertou uma onda de apetite por risco.


… Por aqui, pela primeira vez em quase dois anos e meio (desde janeiro de 2024), o dólar furou o nível dos R$ 4,90. Fechou em baixa de 0,60%, para R$ 4,8939, faturando a fraqueza global da moeda americana e o petróleo caro.


… O contrato do barril do Brent para julho subiu 1,22%, a US$ 101,29, mas fechou a semana em queda de 6,36%.


… A pressão na sexta-feira veio da notícia de que os americanos atacaram dois petroleiros de bandeira iraniana, no Estreito de Ormuz, tentando violar o bloqueio aos portos do país. Mas Trump disse que o cessar-fogo está mantido.


VIRANDO A MARÉ – O dólar abaixo de R$ 5 ainda não acusa a reversão do fluxo externo para a renda variável.


… Em um intervalo de dez dias, até a última quarta-feira (dia 6), houve saída líquida de R$ 10,49 bilhões da B3, na pior sequência de retirada de recursos desde abril do ano passado, mês marcado pelo início do tarifaço de Trump.


… Diante da fuga, o saldo de k externo do ano recuou de R$ 64,88 bilhões para R$ 54,39 bilhões, queda de 16,16%.


… Reportagem do Broadcast apurou que, além da incerteza da guerra, o investidor estrangeiro tem trocado o Brasil por papéis de empresas de tecnologia de países emergentes, em particular as sediadas na Coreia do Sul e em Taiwan.


… A retirada do capital externo já parece estar se refletindo nos giros diários menores negociados pelo Ibovespa.


… No último pregão, o volume foi de R$ 29,4 bilhões. O índice à vista da bolsa doméstica fechou em alta moderada de 0,49%, a 184.108,29 pontos, com os investidores dispostos a descontar temporariamente o risco da guerra.


… Entre as blue chips, destaque para a reação da Vale (+1,77%; R$ 81,49), apesar do minério estável (-0,06%).


… Os bancos também se recuperaram parcialmente das perdas do dia anterior: Itaú PN, +1,15% (R$ 41,26); BB +0,51% (R$ 21,80); Santander unit, +0,46% (R$ 28,55); Bradesco PN, +0,38% (R$ 18,59); e BTG, +2,53% (R$ 58,65).


… Já Petrobras descolou do petróleo e recuou: PN, -1,19%, na mínima de R$ 45,67; e ON -0,87%, a R$ 50,11.


… Com o payroll afastando o receio de pouso forçado (hard landing), o S&P 500 e o Nasdaq renovaram os recordes, mas a indefinição sobre a resposta do Irã zerou os ganhos do Dow Jones: +0,02%, aos 49.609,16 pontos.


… Nos picos históricos, o S&P 500 subiu 0,84%, a 7.398,93 pontos, e o Nasdaq avançou 1,71%, aos 26.247,08 pontos.


… Relaxado pelo payroll, o índice DXY caiu 0,17%, a 97,900 pontos. O euro subiu 0,46%, a US$ 1,1784, a libra ganhou 0,56%, a US$ 1,3630, e o iene avançou para 156,73 por dólar, com os relatos de intervenções recentes do BoJ.


… Também foi observado alívio nas taxas dos Treasuries: o juro da Note de 2 anos caiu a 3,892% (de 3,909% um dia antes), o da Note de 10 anos cedeu para 4,364% (de 4,387%) e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,944% (de 4,966%).


… Ainda os juros futuros domésticos aproveitaram o embalo para devolverem prêmios de risco.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,040% (de 14,069% no ajuste anterior); Jan/28, 13,595% (contra 13,642%); Jan/29, 13,505% (de 13,565%); Jan/31, 13,590% (de 13,665%); e Jan/33, 13,690% (de 13,768%).


QUEM DÁ MAIS? – Duas casas ajustaram para cima as apostas para a Selic no fim do ano, com o conflito no Oriente Médio exigindo maior cautela quanto ao ritmo de flexibilização monetária, diante do efeito colateral na inflação.


… A Armor Capital elevou a projeção de 13,00% para 13,50%. A Capital Economics passou a esperar 13,25% (de 12,50% antes), citando também que o ritmo da atividade econômica e do mercado de trabalho continuam aquecidos. 


… A Armor, que esperava IPCA no limite da margem de tolerância (4,5%) este ano, agora projeta o estouro do teto, a 4,8%. O BTG Pactual atualizou a sua estimativa de 4,7% para 4,9% em 2026 e de 4,1% para 4,2% no ano que vem.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que a Refinaria Abreu e Lima bateu recorde de produção de diesel S-10 em abril, com 385 milhões de litros.


PETRORECONCAVO. Produção média de abril caiu 1,2% ante março, para 24,4 mil barris de óleo equivalente por dia.


PPSA adiou sexto leilão de óleo, do final de julho para agosto, visando maior estabilidade do mercado.


EQUATORIAL confirmou extensão das concessões no Pará e no Maranhão até 2058 e 2060, respectivamente.


ENERGISA anunciou R$ 18 bilhões em investimentos após assinar com o governo federal a renovação de concessões de suas distribuidoras.


COPASA teve lucro líquido de R$ 368,1 milhões no 1TRI26, queda de 14,1% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 787,4 milhões, recuo de 3,2%, e receita líquida cresceu 3,2%, para R$ 2,128 bilhões…


… Aegea e Sabesp se cadastraram no processo para disputar fatia de 30% da Copasa. (Valor)


SANTANDER O conselho de administração aprovou, por unanimidade, a eleição de Gilson Finkelzstain para o cargo de diretor-presidente da companhia, em continuidade ao plano de sucessão de Mario Roberto Opice Leão, atual CEO.


ASSAÍ. Alaska Investimentos atingiu fatia de 5,01% do capital.


RIACHUELO pagará R$ 40 milhões em JCP, a R$ 0,07 por ação. Ex em 14/05.


EMBRAER. Brandes Investment passou a deter 5% das ações.


MOTIVA celebrou termo aditivo com o Estado de São Paulo ao contrato de concessão na Renovias, com saldo estimado em R$ 75 milhões em favor da concessionária.


KEPLER WEBER teve lucro líquido de R$ 17,1 milhões no 1TRI26, queda de 33% contra um ano antes. Receita líquida recuou 10,9%, para R$ 318,1 milhões, e Ebitda caiu 36,4%, para R$ 33,7 milhões.


FERTILIZANTES HERINGER teve lucro líquido de R$ 14,6 milhões no 1TRI26, queda de 75,5% contra um ano antes. Receita líquida recuou 42%, para R$ 525,3 milhões, e Ebitda ficou negativo em R$ 4,1 milhões.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Brasil na moda de novo...

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/05/brasil-na-moda-de-novoagora-vai.ghtml *Brasil na moda de novo…agora vai?*   _T...