*Rosa Riscala: Mercados apostam em avanço entre Trump e Xi*
A semana começa com os mercados em clima positivo, embalados pela expectativa com o encontro entre Trump e Xi Jinping, enquanto o petróleo recua pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio. A melhora do fluxo por Ormuz e novas iniciativas diplomáticas ajudam a aliviar o Brent, enquanto ataques houthis mantêm a tensão sobre a infraestrutura saudita e Bab el-Mandeb. No Brasil, Lula abre amanhã a Assembleia Geral da ONU, enquanto o caso Master continua produzindo novos desdobramentos. Na agenda econômica, ata do Copom, IPCA-15, Relatório de Política Monetária e pesquisas eleitorais dividem as atenções com uma bateria de discursos do Fed e os PMIs nos Estados Unidos e na Europa.
ORMUZ DÁ ALÍVIO – O petróleo abriu em queda pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio durante o fim de semana.
… No eletrônico, o Brent recuava 2,17%, para US$ 101,60, com o mercado acompanhando a melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz e os novos esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
… Segundo o Centcom, o volume de petróleo, cargas e GNL que atravessou Ormuz nas últimas duas semanas atingiu o maior nível em seis meses, apesar dos ataques iranianos a embarcações.
… As forças americanas dizem ter protegido mais de 2 mil navios e auxiliado o transporte de mais de 1 bilhão de barris nos últimos dois meses.
… No fim de semana, os houthis lançaram um míssil balístico contra Riad, interceptado pela defesa saudita, e reivindicaram ataques com mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, importante polo de exportação no Mar Vermelho.
… Yanbu é especialmente sensível porque recebe o oleoduto Leste-Oeste, que permite à Arábia Saudita escoar petróleo sem passar por Ormuz. O corredor, com capacidade para transportar cerca de 4 milhões de barris por dia, já havia sido danificado por ataques na semana passada.
… A pressão se estende a Bab el-Mandeb. Os houthis prometeram manter as ofensivas contra a Arábia Saudita até o fim do bloqueio às áreas do Iêmen sob seu controle e ameaçaram reagir contra outros países que se juntem a Riad.
… O grupo avançou neste mês pela costa ocidental do Iêmen até o estreito, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
… Outro amortecedor vem da China, que acumulou cerca de 1,4 bilhão de barris em reservas estratégicas e reduziu suas importações de petróleo em 32% no segundo trimestre. Os estoques ajudaram a limitar a disparada dos preços durante os seis meses de guerra.
… Embora o mercado continue vulnerável a novas interrupções, especialmente diante dos ataques à infraestrutura saudita e da pressão simultânea sobre Ormuz e Bab el-Mandeb, a escalada militar convive com novas tentativas diplomáticas.
… Trump voltou a ameaçar o Irã neste domingo, mas disse estar aberto a encontrar o presidente Masoud Pezeshkian, que estará em Nova York junto com o chanceler Abbas Araghchi para a Assembleia Geral da ONU nesta semana.
… Amanhã, ele deve se reunir à margem da Assembleia com líderes dos países do Golfo para discutir os próximos passos na guerra e propostas para uma estratégia pós-conflito. Washington já trabalha no plano, que deve ser finalizado após as eleições de meio de mandato.
TRUMP RECEBE XI – O presidente também deve se encontrar nesta semana com Zelensky e com Xi Jinping, que será recebido em Washington, na quinta-feira, para uma agenda que vai da trégua comercial entre Estados Unidos e China a Taiwan, Irã e inteligência artificial.
… No comércio, os mercados estarão atentos à possível prorrogação da trégua tarifária que vence em 10 de novembro e a eventuais anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias.
… O clima melhorou neste domingo, após Scott Bessent classificar como “muito proveitosa” a reunião com o vice-premiê chinês, He Lifeng, em Nova York. Os dois lados disseram que continuarão trabalhando em um acordo comercial.
… Bessent também propôs a criação de um mecanismo de notificação entre os dois países para incidentes de segurança nacional envolvendo inteligência artificial.
… A tecnologia terá lugar de destaque na visita. Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, da Nvidia, Jensen Huang, da Qualcomm, Cristiano Amon, e o presidente do conselho da Apple, Tim Cook, estão entre os executivos esperados para o jantar de Estado com Trump e Xi.
… Às vésperas do encontro, Trump anunciou que pretende nomear um novo “czar” da inteligência artificial e criar uma “Força de IA”, defendendo que os Estados Unidos acelerem o desenvolvimento da tecnologia para preservar a liderança sobre a China.
LULA NA ONU – Outro encontro poderá ocorrer entre o presidente do Brasil e Trump, nos bastidores da Assembleia Geral, como no ano passado, quando surgiu a famosa “química” entre os dois. Lula abre o debate amanhã e será seguido pelo presidente americano.
… Lula chegou neste domingo a Nova York, para uma estadia curta, mas de peso também para a campanha eleitoral no Brasil. A poucos dias do primeiro turno, um dos principais eixos de seu discurso será a defesa da soberania nacional, que ganhou espaço na estratégia da reeleição.
… A expectativa é de que Lula defenda as instituições e o processo eleitoral e rejeite interferências externas, sem citar nominalmente Trump. O presidente deve adotar linguagem diplomática e evitar referências à crise no STF, considerada pelo governo um assunto interno.
… Lula pretende ainda criticar medidas e sanções comerciais unilaterais e defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, desde que respeitados o direito internacional e a integridade territorial dos países.
… A defesa do multilateralismo ganhou um novo capítulo neste domingo, quando Lula assinou com os líderes da União Europeia, Quênia e Canadá um manifesto que pede reformas nas instituições internacionais diante do aumento dos conflitos e da fragmentação geopolítica.
… O documento cita os riscos de gargalos marítimos globais, como o Estreito de Ormuz, para as cadeias de suprimentos, além dos desafios da inteligência artificial, choques financeiros e mudanças climáticas.
… A agenda de Lula inclui entrevista hoje à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, e reuniões com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador democrata Bernie Sanders. Mais de 30 autoridades haviam solicitado encontros.
… Amanhã, antes do discurso na ONU, Lula se reúne com o secretário-geral da organização, António Guterres. O retorno ao Brasil está previsto para poucas horas depois do discurso. Ele não participará do jantar oferecido por Trump aos chefes de Estado.
MAIS POLÍTICA – Câmara e Senado não têm sessões deliberativas previstas nesta semana, às vésperas do primeiro turno. Depois de mais uma semana de crise, o STF não tem julgamentos relacionados ao caso Master. Mas o caso ganhou novos capítulos no fim de semana.
… Um vídeo mostrou Moraes e a mulher desembarcando de uma aeronave ligada a Vorcaro, após o ministro ter dito que “jamais” havia viajado em avião do banqueiro. O escritório de Viviane Barci confirmou o uso de serviços da empresa, mas disse que Vorcaro nunca esteve nos voos.
… Também aumentou a pressão sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto ao lado de Vorcaro em Londres. A oposição cobrou seu afastamento. Gonet afirma que a imagem é de 2024, quando não havia investigação contra o banqueiro.
… Outro vídeo, também de 2024, mostrou Vorcaro em uma festa do Master em Londres com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Andrei e Gonet são citados em mensagens nas quais o banqueiro pediu a Moraes que interviesse para tentar frear as investigações sobre o banco.
… Ainda neste domingo, Flávio Dino deu prazo de 90 dias para que a União, sob coordenação do Ministério da Fazenda, apresente uma avaliação do arcabouço da CVM e propostas para aprimorar a autarquia, diante das fragilidades na supervisão apontadas no caso Master.
… Faltando duas semanas para as eleições e depois das turbulência no STF, o calendário das pesquisas eleitorais prevê Quaest e BTG Nexus para hoje, AtlasIntel na quarta-feira e Datafolha e Real Time Big Data na quinta-feira.
MAIS AGENDA – A ata do Copom amanhã, terça-feira, e o IPCA-15 de setembro concentram as atenções na agenda econômica da semana, que traz ainda o Relatório de Política Monetária do BC e uma bateria de divulgações fiscais do governo.
… Na ata da reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%, o mercado buscará pistas sobre os próximos passos do Copom, depois que o comunicado reconheceu uma desaceleração mais clara da atividade e melhora da inflação.
… Ainda amanhã, a Fazenda divulga às 10h30 o Boletim Macrofiscal, com novas projeções oficiais para atividade e inflação, além do resultado da arrecadação federal de agosto. A divulgação do boletim estava inicialmente prevista para a última sexta-feira e foi transferida para dia 22.
… Na quinta-feira, sai o Relatório de Política Monetária, acompanhado de entrevista coletiva do presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto Fazenda e Planejamento apresentam o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do quarto bimestre.
… O documento deverá detalhar o espaço fiscal para o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado na semana passada.
… As contas públicas ganharam mais atenção após o governo revisar suas projeções para a dívida. As estimativas enviadas ao Congresso junto com o PLOA de 2027 apontam a dívida bruta em 83,7% do PIB no fim deste ano, chegando a 89,6% em 2029 e 89,7% em 2030.
… Também na quinta-feira, reúne-se o Conselho Monetário Nacional. O IPCA-15 encerra a semana dos indicadores domésticos na sexta-feira.
… Hoje, como todas as segundas-feiras, o Banco Central divulga a Pesquisa Focus, às 8h25.
LÁ FORA – Nos Estados Unidos, a agenda de indicadores é mais leve, mas o mercado acompanhará uma bateria de discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros, depois da alta de 0,25 ponto da semana passada.
… Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, já reforçou o tom duro neste domingo (leia abaixo).
… Hoje fala Austan Goolsbee. Amanhã será a vez de John Williams, Philip Jefferson e Thomas Barkin. Michael Barr participa de evento na quarta-feira, e Williams, Barkin, Beth Hammack e Anna Paulson estão entre os dirigentes com compromissos na quinta e na sexta-feira.
… Os PMIs preliminares de setembro serão conhecidos na quarta-feira nos Estados Unidos e na Europa. Para o PMI americano, a previsão é de 54 na indústria, 56 nos serviços e 56,3 no composto. Ainda na quarta, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo.
… Na sexta-feira, sai a leitura final de setembro da confiança do consumidor da Universidade de Michigan, incluindo as expectativas de inflação.
ÁSIA HOJE –No Japão, os mercados permaneceram fechados hoje por feriado local; amanhã também não haverá pregões.
… Já na China, o PBoC manteve as principais taxas de juros inalteradas, segundo comunicado divulgado neste domingo, com a referência para empréstimos (LPR) de 1 ano em 3% ao ano e a LPR de 5 anos em 3,5% ao ano. Os juros seguem no mesmo nível desde maio de 2025.
ELEIÇÃO NA ALEMANHA – A apuração neste domingo revelou perdas expressivas para a CDU, do chanceler Friedrich Merz, nas eleições estaduais de Berlim e Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, enquanto a AfD ampliou sua votação.
ENERGIA QUE MOVE – Chamou a atenção na sexta-feira nos negócios a capacidade que os juros futuros domésticos exibiram de resistir à pressão nas taxas dos Treasuries, com o yield da Note de dez anos rompendo de novo os 5%.
… Apesar de o rendimento do título do Tesouro americano ter voltado a superar este nível de estresse, por aqui, a curva do DI operou de lado, porque o trade eleitoral ainda parece estar blindando contra as ondas de piora externa.
… Pela manhã, o investidor mostrou algum desconforto, depois de a Datafolha mostrar estagnação de Flávio Bolsonaro, mesmo após a tensa sessão do STF. Mas já à tarde a esperança de vitória da oposição voltou a dominar.
… Faltando apenas duas semanas para a eleição presidencial, as próximas pesquisas eleitorais servirão de tira-teima sobre a competitividade da candidatura bolsonarista ou o eventual risco de uma estagnação nas intenções de voto.
… A notícia de que o Ministério Público junto ao TCU pediu a suspensão do reajuste de 15% do Bolsa Família, alegando que a medida fere a LRF, foi bem recebida pelo mercado, um dia depois do “pacote de bondades” de Lula.
… Descoladas do exterior, a taxa do DI para Jan/27 ficou estável, em 13,555%; Jan/28 fechou em 13,630% (de 13,617% ano ajuste); Jan/29, 13,840% (de 13,845%); Jan/31, 14,020% (de 14,061%); e Jan/33, 14,130% (14,185%).
… Além da politização do enredo nos negócios, os juros futuros esperam esta semana pelo teor da ata do Copom, neste momento em que o BC avalia o esfriamento gradual da atividade como sinal de eficácia da política monetária.
… O Bradesco divulgou relatório revisando para baixo a previsão para o PIB deste ano, de 1,9% para 1,7%, e de 2027, de 1,3% para 1,0%, já que os dados do terceiro trimestre continuam sinalizando moderação do ritmo.
… No câmbio, como aconteceu com o DI, chegou a haver algum mal-estar pela manhã de sexta-feira com a falta de novidades do Datafolha. Mas o cenário eleitoral indefinido não chegou a evoluir para uma reação mais negativa.
… O dólar à vista fechou em leve alta de 0,10%, a R$ 5,1442, nada demais para um dia em que o real poderia ter sofrido maiores efeitos colaterais do tombo do iene, depois de o BoJ ter deixado em aberto os seus próximos passos.
… Durante seminário realizado pelo FGV/Ibre e Estadão, o sócio-fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, alertou que o Brasil se encontra em uma trajetória fiscal perigosa, com endividamento semelhante aos de países desenvolvidos.
… A amarga diferença é que o País não conta com a credibilidade das grandes economias globais.
… Xavier é contrário a propostas de cortar os juros “na marra” e usar reservas para controlar a taxa de câmbio.
… Segundo ele, apelar a estas medidas seria como um “beijo da morte”, causaria pânico entre investidores estrangeiros e detentores de ativos, provocando fuga de capitais e o surgimento de mercados paralelos de dólar.
PROMETEU MUITO E ENTREGOU POUCO – Foi praticamente um aperto dovish a decisão do BoJ de subir os juros em 25 pontos-base, a 1,25%, maior nível desde 1995, porque o placar veio rachado (7 a 2) e Kazuo Ueda frustrou.
… Apesar de o presidente do BC japonês ter reconhecido o risco de a inflação subjacente superar a meta de 2%, ele condicionou novos movimentos da política monetária à evolução da economia, dos preços e condições financeiras.
… Para quem esperava que ele pudesse vir muito mais agressivo, não deixou de ser uma decepção, descontada no iene, que só conseguiu reduzir parcialmente o mau humor com rumores de possível intervenção no câmbio.
… Ainda assim, o iene caiu forte (-0,50%), para 156,75 por dólar. Desde o estouro da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro, a inflação ganhou o atual contexto como o maior driver a ser administrado pelos grandes BCs.
… Em entrevista neste domingo à Fox News, o Fed boy Neel Kashkari advertiu que as pressões inflacionárias vão além dos preços do petróleo e que, mesmo excluindo energia e alimentos, a inflação continua rodando muito alta.
… O colega Jeff Schmid concorda que a pressão é disseminada entre bens e serviços, não apenas energia, e que os indicadores recentes apontam inflação acima de 3%, o que justifica o aperto promovido pelo Fed semana passada.
… Também no BCE, o vice-presidente, Boris Vujcic, disse que a precificação dos juros está sendo impulsionada principalmente pela alta de energia, porém, não seria aconselhável concentrar-se exclusivamente nesse fator.
… Outro integrante do Banco Central Europeu, Martins Kazaks afirmou que a taxa de juros de 2,75% representa um território restritivo, mas reconheceu que a instituição “pode ir além disso” se as perspectivas econômicas exigirem.
… O euro registrou alta de 0,10%, a US$ 1,1488, e a libra esterlina ganhou 0,28%, cotada a US$ 1,3396.
… De pouco adiantou o petróleo ter caído na sexta, porque continuou nos três dígitos e reforçou a convicção de que o Fed pode ter que se manter na direção atual para combater as pressões inflacionárias perigosamente altas.
… Na visão da Stifel Economics, serão necessários mais do que dois aumentos de juros para garantir o retorno à meta. Neste cenário mais restritivo, as taxas da Note de dez anos voltaram a superar 5%, a 5,005% (contra 4,929%).
CREO EN BRUJAS – As bolsas em Nova York monitoraram a retomada da trajetória de alta dos Treasuries e as preocupações com a política monetária japonesa, mas oscilaram em margem estreitas, sem cautela mais intensa.
… O triple witching, vencimento simultâneo de três tipos de contratos, pode ter justificado a postura moderada. O Dow Jones caiu 0,18% (51.682,64 pontos); S&P 500, +0,17% (7.650,50 pontos); e Nasdaq, +0,39% (26.522,55 pontos).
… Também o Ibovespa não operou no susto, apesar de ter assumido alguma dose defensiva antes das próximas pesquisas eleitorais e de olho no comportamento dos juros dos Treasuries e desdobramentos da guerra.
… O alívio do petróleo desvalorizou a Petrobras (ON -1,09%, a R$ 53,41; e PN -0,23%, a R$ 48,50) e contribuiu para que o Ibovespa caísse 0,41%, aos 185.229,17 pontos, com giro de R$ 26,8 bilhões turbinado pelo exercício de opções.
… Vale (-1,53%; R$ 73,37) também colaborou para manter a bolsa no vermelho. Segundo o Broadcast, os custos de frete entre os Brasil-China chegaram a cerca de US$ 42 por tonelada e respingam sobre os papéis da mineradora.
… A própria empresa avalia que cerca de 120 milhões de toneladas de minério podem ficar economicamente inviáveis nas condições atuais, segundo relatos do Citi, após reunião com o CEO da Vale, Gustavo Pimenta.
… Para o Itaú BBA, a Vale está bem protegida no curto prazo, mas a cobertura cai de forma relevante em 2028.
… Entre as blue chips financeiras, Santander unit caiu 3,47% (R$ 29,47), Bradesco PN recuou 0,88% (R$ 17,99) e Itaú PN devolveu 0,59% (R$ 42,33), ao passo que BB ON avançou 1,84% (R$ 23,20) e BTG unit ganhou 0,43% (R$ 61,40).
CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS negou impacto socioambiental direto da exploração na Foz do Amazonas, após MPF pedir suspensão imediata da licença de perfuração até cumprimento de medidas em comunidades…
… Petrobras informou que recebeu R$ 448 milhões em subvenção à gasolina e acumula R$ 9,9 bilhões em repasses para combustíveis. Conselho também aprovou adesão à nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel…
… TCU julga na próxima quarta-feira, em sessão extraordinária e reservada, política de preços da Petrobras.
VIBRA fechou contrato de R$ 1,28 bilhão com a Inpasa Agroindustrial para fornecimento de etanol hidratado.
SABESP fará emissão de R$ 59,5 milhões em debêntures, com prazo de 1.778 dias e remuneração de 6,3% ao ano. Recursos financiarão projetos elegíveis ao Eco Invest Brasil.
ANEEL revisou a projeção de alta das contas de energia deste ano, de 8,6% para 9,4%.
TIM. Poste Italiane tornou-se controladora indireta da companhia após passar a deter cerca de 66,63% da Telecom Italia por meio de OPA.
PORTO pagará R$ 333,4 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,520657 por ação. Papéis ficam ex em 24/9 e pagamento será feito até abril de 2027.
FLEURY antecipou de 2/10 para 28/9 o pagamento de R$ 217,8 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,4007 por ação.
NATURA firmou parceria com a Aviva para abrir um spa da marca Ekos na Costa do Sauípe, na Bahia, com inauguração prevista para outubro. Será o segundo projeto da companhia no segmento de spas.
CYRELA. Invesco elevou participação para 5,01% das ações ON, equivalente a 19,2 milhões de papéis.
IGUATEMI. Fundos geridos pela Azvalor passaram a deter 18 milhões de units, equivalentes a 10,62% do capital.
TOTVS pagará R$ 85 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,15 por ação. Pagamento será em 8/10. Ex em 24/9.
POSITIVO fará emissão de R$ 120 milhões em notas comerciais, com prazo de dois anos e remuneração de DI + 1,35%. Recursos serão usados para refinanciar passivos.
MARCOPOLO. Goldman Sachs reduziu participação de 5,91% para 4,38% das ações PN.
PARANAPANEMA. João Carlos Correa de Vargas elevou participação para 27,84% do capital e tornou-se o maior investidor individual da companhia.
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
NY +0,2% US tech +0,7% US Semis +2,8% UE -1,4% Espanha -1,6% VIX 14,8% Bund 3,52%. T-Note 4,99%. Spread 2ª-10ª USA=+24pb B10A: ESP 3,99% PT 3,86% ITA 4,43% FRA 4,56% Euribor 12m 3,343% (futuro 12m 3,800%) USD 1,147 JPY 180,2/€ 157,1/$. Ouro 4.353$. Brent 102,1$. WTI 98,5$. Bitcoin +6,7% (81.518$). Ether +8,8% (2.664$).
:: SESSÃO. Parece que o petróleo retrocede um pouco, brincando com a fronteira dos 100 dólares por barril perante uma calma aparente entre os EUA e o Irão, portanto, as bolsas asiáticas sobem esta madrugada, especialmente a tecnologia na Coreia (+1,5%). O tom é de calma e as bolsas poderão subir um pouco (+0,5%), habituadas já às “yields fronteira”: T-Note 5%, Bund 3,50% e O10A Espanha 4%. O USD bastante apreciado (1,147) e o yen volta a depreciar-se (180,2/€ 157,1/$), o que demonstra que o efeito das intervenções é efémero. O tom parece menos
A polémica sobre a velocidade da IA simplesmente parece ter ficado suspensa, sem desenvolvimento, mas sem mais deterioração. Não há nenhuma conclusão, mas menos tensão. Contudo, um mercado um pouco menos tenso não significa necessariamente um mercado em alta, porque as fontes de incerteza (petróleo, obrigações e IA) permanecem ativas e poderão voltar a bloqueá-lo a qualquer momento. E não devemos esperar que a macro desta semana resolva a situação, porque se trata de indicadores de influência intermédia que provavelmente serão laterais: PMIs no mundo, IFO Clima Empresarial na Alemanha e 3 bancos centrais “periféricos” que repetirão taxas de juros (Suíça, Suécia e Noruega). Reunião Trump/Xi na quinta-feira, provavelmente com resultados de perfil baixo ou muito baixo.
Na realidade, além da imprevisibilidade do petróleo, as obrigações e a IA, a próxima referência previsível capaz de dirigir o mercado são os resultados corporativos 3T 2026 que começarão a ser publicados a 13 de outubro, com Goldman (Micron a 30 de setembro, porque termina o exercício em agosto). Espera-se que expandam +30% nos EUA, que é um ritmo mais do que respeitável. Principalmente ao ter em conta que vêm a bater amplamente as expetativas (no 2T, +53,4% vs. +24% esperado, por exemplo), portanto, parece razoável pensar que no 3T acontecerá algo parecido. Contudo, até que comecemos a ver esses números, teremos um mercado instável, inseguro e errático… provavelmente com bolsas laterais e a assentarem-se, à espera de que algo novo aconteça e a acostumarem-se a conviver cordialmente com umas yields das obrigações a longo prazo em torno dos “níveis-fronteira” comentados.
:: VÁRIOS: As eleições no 2 länder na Alemanha resultaram noutra vitória de AfD em Mecklembugo-Pomerania (1,9% população) e de Die Linke (antigos comunistas da RDA) em Berlim (4,5% população). Ucrânia ataca Moscovo com 1600 drones, com algum sucesso nas refinarias, mesmo em plenas eleições na Rússia, o que debilita a imagem de Putin e pode levar a uma intensificação da guerra. Japão fechado de segunda a quarta-feira.
:: CONCLUSÃO. Tom um pouco menos tenso, mas mercado submetido a elevada incerteza. Certamente irá subir um pouco hoje, mas continuaremos numa fase de espera de que algo mude ou que os resultados corporativos 3T animem um pouco a situação. O risco Ucrânia/Rússia é crescente e isso significa prémio de risco
FIM
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