sábado, 19 de abril de 2025

O novo não

 O novo “não” de Tarcísio de Freitas para Bolsonaro


19/04/2025 04h06 Atualizado há 5 horas


Jair Bolsonaro externou a aliados, há algumas semanas, que não vivia seu melhor momento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.


O motivo foi o novo convite feito para Tarcísio deixar o Republicanos e migrar para seu partido, o PL.


Jair Bolsonaro queria que o pupilo político migrasse para sua legenda antes que o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitasse a denúncia contra ele, por tentativa de golpe de Estado, mas isso não ocorreu.


O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já chegou a anunciar a ida do governador de São Paulo para o PL em diferentes ocasiões, ao longo do ano passado.


Primeiramente, Valdemar disse em entrevistas que Tarcísio comunicou a ele que iria para o PL antes das eleições municipais. Depois que o pleito de 2024 passou, o presidente do partido alegou que o governador estava esperando o fim das eleições daquele ano para fazer a mudança.


Sempre que foi perguntado publicamente sobre o tema, Tarcísio disse que ficaria no Republicanos. Por muito tempo Tarcísio alimentou críticas sobre a conduta política de Valdemar Costa Neto. Além disso, uma ida para o PL significaria um controle maior de Bolsonaro sobre seu destino político.



https://oglobo.globo.com/google/amp/blogs/bela-megale/post/2025/04/o-novo-nao-de-tarcisio-de-feitas-para-bolsonaro.ghtml

Leitura de sábado 3

 Leitura de Sábado:China não voltará a comprar soja dos EUA como antes, diz professor da Cornell

10:00 19/04/2025 


Por Gabriel Azevedo


São Paulo, 17/04/2025 - O professor de economia aplicada Wendong Zhang, da Universidade Cornell, no Estado de Nova York, avalia que, mesmo que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo para encerrar a disputa envolvendo a questão tarifária, os chineses dificilmente voltarão a importar soja do país nos mesmos volumes de antes. "Não acho que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática", afirma ele, em entrevista ao Broadcast Agro. Nesta semana, o governo Donald Trump afirmou que as tarifas aplicadas contra produtos chineses chegaram a 245%, após sucessivas rodadas de sobretaxas. Do outro lado, a China impôs retaliações, elevando a até 84% taxas de importação sobre bens norte-americanos.


Trump justifica as medidas como forma de pressionar a China por acordos comerciais mais vantajosos. Já Pequim classificou a atitude como "erro sobre erro" e prometeu lutar "até o fim". Em meio a esse embate, o agronegócio brasileiro observa com atenção os desdobramentos. Uma reaproximação comercial entre Estados Unidos e China, como já ocorreu no primeiro acordo entre os dois países em 2020 (chamado de "Fase 1"), poderia afetar diretamente os embarques brasileiros de soja e carne - produtos que hoje lideram a pauta de exportações do Brasil para o mercado chinês.


Zhang é especialista em comércio agrícola, China e política internacional. A seguir, os principais trechos da entrevista:


Broadcast Agro - A China está formando estoques e ampliando o plantio de soja, enquanto aumenta as compras do Brasil. Como o senhor analisa essa estratégia? É uma mudança estrutural ou apenas um reflexo da guerra comercial com os EUA?


Wendong Zhang - Nos últimos anos, a China aumentou seus estoques de soja em mais de 25%, principalmente através da empresa estatal Sinograin. Isso dá ao país margem para pausar ou redirecionar compras em momentos de tensão política. Junto com os esforços para expandir a área plantada internamente, essa estratégia claramente reduziu a dependência chinesa da soja americana no curto prazo. Não é apenas uma questão de estabilizar preços, mas de garantir segurança caso as relações se deteriorem novamente. Ao mesmo tempo, vemos a forte preferência chinesa pela soja brasileira como parte de um realinhamento de longo prazo, não apenas uma reação de curto prazo. Em 2024, o Brasil forneceu mais de 70% de todas as importações chinesas de soja, número que seria considerado alto mesmo uma década atrás. Os importadores chineses preferem os grãos brasileiros não apenas pelo preço, mas pela logística mais previsível e pelas relações comerciais mais amigáveis. Com empresas estatais chinesas investindo diretamente em portos brasileiros, isso parece mais uma mudança estratégica do que um ajuste temporário.


Broadcast Agro - Quanto impacto a guerra comercial de 2018/19 causou às exportações americanas? Os agricultores dos EUA conseguirão recuperar o espaço perdido no mercado chinês?


Zhang - A guerra comercial de 2018/2019 deixou marcas duradouras. As exportações americanas de soja para a China caíram drasticamente, e, mesmo com a recuperação parcial dos volumes, o dano à reputação não foi totalmente reparado. Em 2024, a participação dos EUA nas importações chinesas de soja permaneceu em torno de 26%, bem abaixo dos níveis anteriores à guerra comercial. Um estudo do Centro de Pesquisa Agrícola mostrou que, embora os agricultores americanos tenham recebido dinheiro do governo como compensação, as relações comerciais foram enfraquecidas e a confiança foi perdida. Isso é muito mais difícil de restaurar com um cheque. Nossas projeções indicam que a participação dos EUA nas importações chinesas ficará entre 28% e 32% em 2025/26, dependendo da evolução das tarifas e do clima. Isso está bem abaixo dos níveis de 40-45% antes de 2018. Mesmo com safras americanas mais fortes, não acredito que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática ou um problema grave na oferta de outros países. O mundo mudou - e a forma como a China compra também.


Broadcast Agro - O Brasil conseguirá manter sua posição de liderança, apesar dos problemas de infraestrutura? E como secas ou enchentes extremas podem afetar esse cenário?


Zhang - O Brasil fez progressos reais, não há como negar. A expansão do Arco Norte (sistema de portos nas regiões Norte e Nordeste) e os investimentos em ferrovias ajudaram a aliviar os congestionamentos. Mas gargalos sazonais e custos de frete interno ainda são barreiras. Meus modelos sugerem que o Brasil poderia atingir cerca de 100 milhões de toneladas de soja em exportações até 2026, se tudo correr bem. Mas isso pressupõe investimento contínuo e logística mais eficiente da colheita ao porto. Então sim, a infraestrutura é uma limitação - mas uma que está melhorando com o tempo. Os impactos climáticos são extremamente importantes nessa equação. Vimos isso durante a seca argentina de 2023/24 - a China rapidamente redirecionou compras para o Brasil e, em menor medida, para os EUA. Se Mato Grosso enfrentasse uma seca severa ou inundações, eu estimaria um redirecionamento de 5 a 8 milhões de toneladas de demanda. Os choques climáticos são o fator imprevisível nesse sistema, e eles forçam a China a manter planos B - e fornecedores - alternativos.


Broadcast Agro - Muitos analistas falam em "desglobalização". O senhor concorda? Como essa tendência afeta o comércio agrícola global?


Zhang - Eu chamaria de desglobalização seletiva ou estratégica. Os países ainda comercializam, mas estão mais cautelosos agora. Após a pandemia, a guerra na Ucrânia e as tarifas EUA-China, as nações importadoras de alimentos estão repensando os riscos. O comportamento de compra da China - construindo estoques, diversificando fornecedores, investindo em logística - mostra uma clara mudança do comércio baseado na busca pelo menor preço para um comércio baseado em segurança. É um padrão que espero que continue. Essa nova lógica mudou fundamentalmente os fluxos globais. Em 2024, a China importou quase 9 milhões de toneladas da Argentina, Uruguai e Rússia - países que vendiam muito menos há uma década. E não são apenas as importações - a China também está investindo em alternativas proteicas e aumentando a produção doméstica de soja. O resultado é um sistema mais flexível e menos dependente dos EUA.


Mesmo que as tarifas desapareçam, não espero que a China retorne aos padrões de compra anteriores a 2017 tão cedo. Nossas simulações mostram que a guerra tarifária custou cerca de 2,5% do PIB aos EUA e ainda mais à China. As exportações agrícolas americanas caíram mais de US$ 25 bilhões entre 2018 e 2020. Os estados do Meio-Oeste americano, onde se concentra a produção de soja, foram os mais afetados, mesmo com os pagamentos do governo. As tarifas chamaram atenção para os desequilíbrios comerciais? Sim. Mas trouxeram mudança estrutural na China? Não, longe disso. No final, os agricultores americanos pagaram um preço alto por uma mensagem política.

Leitura de sábado 2

 Leitura de Sábado: Governo precisará de R$ 118 bi a mais em receitas para fechar contas em 2026

10:00 19/04/2025 


Por Giordanna Neves, Fernanda Trisotto e Amanda Pupo


Brasília, 15/04/2025 - O governo federal precisará de um esforço adicional de R$ 118 bilhões em receitas para conseguir fechar as contas públicas em 2026, de acordo com o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias. Segundo ele, a equipe econômica trabalha com três frentes principais para atingir esse objetivo, todas voltadas à ampliação da eficiência arrecadatória, sem a necessidade de aumentar tributos.


As propostas envolvem mecanismos para facilitar a recuperação de créditos tributários em litígio, medidas para intensificar a execução de créditos tributários já reconhecidos e ações voltadas à melhoria do ambiente de negócios. "Esse conjunto de medidas vai ser discriminado por ocasião da lei orçamentária. Até agosto essas medidas precisam estar em tramitação no legislativo", disse durante coletiva de apresentação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026.


Malaquias explicou que os mecanismos de facilitação na resolução de litígios tributários envolvem medidas já adotadas em exercícios anteriores, com foco na aceleração da regularização fiscal.


Quanto às iniciativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios, ele destacou que diversos fluxos de trabalho no sistema tributário impõem custos operacionais significativos aos contribuintes, os quais podem ser reduzidos por meio de ações de simplificação. "À medida que reduzimos isso, a gente permite que esses contribuintes ganhem competitividade (...) Medidas de simplificação ampliam a aderência de contribuintes a normas tributárias", afirmou.


Já as medidas de garantia de execução de crédito tributário, segundo ele, não representam aumento da carga tributária, mas sim a recuperação de valores que já são devidos ao governo e que, por diferentes razões, ainda não foram efetivamente arrecadados

Leitura de sábado

 Leitura de Sábado:China não voltará a comprar soja dos EUA como antes, diz professor da Cornell

10:00 19/04/2025 


Por Gabriel Azevedo


São Paulo, 17/04/2025 - O professor de economia aplicada Wendong Zhang, da Universidade Cornell, no Estado de Nova York, avalia que, mesmo que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo para encerrar a disputa envolvendo a questão tarifária, os chineses dificilmente voltarão a importar soja do país nos mesmos volumes de antes. "Não acho que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática", afirma ele, em entrevista ao Broadcast Agro. Nesta semana, o governo Donald Trump afirmou que as tarifas aplicadas contra produtos chineses chegaram a 245%, após sucessivas rodadas de sobretaxas. Do outro lado, a China impôs retaliações, elevando a até 84% taxas de importação sobre bens norte-americanos.


Trump justifica as medidas como forma de pressionar a China por acordos comerciais mais vantajosos. Já Pequim classificou a atitude como "erro sobre erro" e prometeu lutar "até o fim". Em meio a esse embate, o agronegócio brasileiro observa com atenção os desdobramentos. Uma reaproximação comercial entre Estados Unidos e China, como já ocorreu no primeiro acordo entre os dois países em 2020 (chamado de "Fase 1"), poderia afetar diretamente os embarques brasileiros de soja e carne - produtos que hoje lideram a pauta de exportações do Brasil para o mercado chinês.


Zhang é especialista em comércio agrícola, China e política internacional. A seguir, os principais trechos da entrevista:


Broadcast Agro - A China está formando estoques e ampliando o plantio de soja, enquanto aumenta as compras do Brasil. Como o senhor analisa essa estratégia? É uma mudança estrutural ou apenas um reflexo da guerra comercial com os EUA?


Wendong Zhang - Nos últimos anos, a China aumentou seus estoques de soja em mais de 25%, principalmente através da empresa estatal Sinograin. Isso dá ao país margem para pausar ou redirecionar compras em momentos de tensão política. Junto com os esforços para expandir a área plantada internamente, essa estratégia claramente reduziu a dependência chinesa da soja americana no curto prazo. Não é apenas uma questão de estabilizar preços, mas de garantir segurança caso as relações se deteriorem novamente. Ao mesmo tempo, vemos a forte preferência chinesa pela soja brasileira como parte de um realinhamento de longo prazo, não apenas uma reação de curto prazo. Em 2024, o Brasil forneceu mais de 70% de todas as importações chinesas de soja, número que seria considerado alto mesmo uma década atrás. Os importadores chineses preferem os grãos brasileiros não apenas pelo preço, mas pela logística mais previsível e pelas relações comerciais mais amigáveis. Com empresas estatais chinesas investindo diretamente em portos brasileiros, isso parece mais uma mudança estratégica do que um ajuste temporário.


Broadcast Agro - Quanto impacto a guerra comercial de 2018/19 causou às exportações americanas? Os agricultores dos EUA conseguirão recuperar o espaço perdido no mercado chinês?


Zhang - A guerra comercial de 2018/2019 deixou marcas duradouras. As exportações americanas de soja para a China caíram drasticamente, e, mesmo com a recuperação parcial dos volumes, o dano à reputação não foi totalmente reparado. Em 2024, a participação dos EUA nas importações chinesas de soja permaneceu em torno de 26%, bem abaixo dos níveis anteriores à guerra comercial. Um estudo do Centro de Pesquisa Agrícola mostrou que, embora os agricultores americanos tenham recebido dinheiro do governo como compensação, as relações comerciais foram enfraquecidas e a confiança foi perdida. Isso é muito mais difícil de restaurar com um cheque. Nossas projeções indicam que a participação dos EUA nas importações chinesas ficará entre 28% e 32% em 2025/26, dependendo da evolução das tarifas e do clima. Isso está bem abaixo dos níveis de 40-45% antes de 2018. Mesmo com safras americanas mais fortes, não acredito que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática ou um problema grave na oferta de outros países. O mundo mudou - e a forma como a China compra também.


Broadcast Agro - O Brasil conseguirá manter sua posição de liderança, apesar dos problemas de infraestrutura? E como secas ou enchentes extremas podem afetar esse cenário?


Zhang - O Brasil fez progressos reais, não há como negar. A expansão do Arco Norte (sistema de portos nas regiões Norte e Nordeste) e os investimentos em ferrovias ajudaram a aliviar os congestionamentos. Mas gargalos sazonais e custos de frete interno ainda são barreiras. Meus modelos sugerem que o Brasil poderia atingir cerca de 100 milhões de toneladas de soja em exportações até 2026, se tudo correr bem. Mas isso pressupõe investimento contínuo e logística mais eficiente da colheita ao porto. Então sim, a infraestrutura é uma limitação - mas uma que está melhorando com o tempo. Os impactos climáticos são extremamente importantes nessa equação. Vimos isso durante a seca argentina de 2023/24 - a China rapidamente redirecionou compras para o Brasil e, em menor medida, para os EUA. Se Mato Grosso enfrentasse uma seca severa ou inundações, eu estimaria um redirecionamento de 5 a 8 milhões de toneladas de demanda. Os choques climáticos são o fator imprevisível nesse sistema, e eles forçam a China a manter planos B - e fornecedores - alternativos.


Broadcast Agro - Muitos analistas falam em "desglobalização". O senhor concorda? Como essa tendência afeta o comércio agrícola global?


Zhang - Eu chamaria de desglobalização seletiva ou estratégica. Os países ainda comercializam, mas estão mais cautelosos agora. Após a pandemia, a guerra na Ucrânia e as tarifas EUA-China, as nações importadoras de alimentos estão repensando os riscos. O comportamento de compra da China - construindo estoques, diversificando fornecedores, investindo em logística - mostra uma clara mudança do comércio baseado na busca pelo menor preço para um comércio baseado em segurança. É um padrão que espero que continue. Essa nova lógica mudou fundamentalmente os fluxos globais. Em 2024, a China importou quase 9 milhões de toneladas da Argentina, Uruguai e Rússia - países que vendiam muito menos há uma década. E não são apenas as importações - a China também está investindo em alternativas proteicas e aumentando a produção doméstica de soja. O resultado é um sistema mais flexível e menos dependente dos EUA.


Mesmo que as tarifas desapareçam, não espero que a China retorne aos padrões de compra anteriores a 2017 tão cedo. Nossas simulações mostram que a guerra tarifária custou cerca de 2,5% do PIB aos EUA e ainda mais à China. As exportações agrícolas americanas caíram mais de US$ 25 bilhões entre 2018 e 2020. Os estados do Meio-Oeste americano, onde se concentra a produção de soja, foram os mais afetados, mesmo com os pagamentos do governo. As tarifas chamaram atenção para os desequilíbrios comerciais? Sim. Mas trouxeram mudança estrutural na China? Não, longe disso. No final, os agricultores americanos pagaram um preço alto por uma mensagem política.

Para entender a conjuntura



O livro “Para entender a conjuntura econômica”, de Carmem Aparecida Feijó, Elvio Valente, Fernando Carlos G. de Cerqueira Lima, Márcio Silva Araujo e Paulo Gonzaga Mibielli de Carvalho, é uma obra voltada para quem deseja compreender o comportamento da economia no curto prazo — a chamada conjuntura econômica.


Resenha

Esta obra busca tornar acessível a análise dos principais indicadores econômicos, como inflação, PIB, taxa de juros, taxa de câmbio, saldo comercial, dívida pública, entre outros. Com uma linguagem clara e didática, os autores explicam como esses indicadores interagem entre si e quais são os impactos de políticas econômicas (monetária, fiscal e cambial) sobre o desempenho de uma economia.

O diferencial do livro está em sua abordagem prática e contextualizada: ele conecta conceitos teóricos da macroeconomia com os acontecimentos da economia brasileira, facilitando a compreensão da dinâmica econômica do país. Isso torna a leitura especialmente útil para estudantes de economia, administração e contabilidade, bem como para profissionais e interessados em acompanhar e interpretar a evolução econômica.

Além disso, a obra é publicada pelas editoras Minha Editora e Manole, conhecidas por materiais didáticos de qualidade, o que reforça o caráter educativo do livro.

Pontos fortes:
• Linguagem acessível, sem abrir mão do rigor técnico.
• Aplicação prática dos conceitos à realidade brasileira.
• Útil tanto para iniciantes quanto para quem deseja aprofundar o entendimento da conjuntura.

Se quiser, posso preparar um resumo por capítulo ou destacar os principais conceitos abordados no livro. Deseja isso?


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Mercado chinês

 OPINIÃO: O mercado chinês como alternativa para a diversificação de portfólios


Integração entre Brasil e China cria oportunidades de acesso a ativos em meio ao avanço da IA



O início do segundo mandato do governo de Donald Trump ilustra como estamos vivendo em um mundo de grande incerteza econômica e geopolítica. Tensões comerciais, avanços tecnológicos disruptivos e mudanças nas cadeias produtivas globais reforçam a necessidade de diversificação nos investimentos, à medida que países e empresas buscam novas formas de crescimento e resiliência.


Nesse contexto, um novo estudo publicado pela Itaú Asset Management, em parceria com a gestora chinesa E Fund, analisa como Brasil e China podem desempenhar um papel estratégico na diversificação de portfólios globais. Este white paper (relatório), intitulado “China-Brazil Economic Cooperation – A new era of Growth and Opportunity”, vai além das manchetes habituais, explorando como as duas maiores economias emergentes do mundo não apenas colaboram, mas transformam mercados globais, criando oportunidades de investimento e crescimento econômico.


Brasil x China: um relacionamento promissor


Brasil e China, frequentemente vistas como opostas em sua estrutura econômica, na verdade se complementam de maneira única. O Brasil se destaca como o maior exportador de produtos agrícolas e minerais, mas é um equívoco pensar que esse protagonismo se deve apenas à abundância de recursos naturais. A força do Brasil nesses setores é resultado de décadas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, que possibilitaram avanços fundamentais na produtividade e na sustentabilidade.


O país é o único do mundo capaz de colher três safras ao ano, uma conquista viabilizada por tecnologias agrícolas avançadas e práticas inovadoras de manejo do solo. Além disso, o Brasil transformou o Cerrado, antes considerado inadequado para a agricultura, em uma das regiões mais produtivas do planeta.


No setor mineral, o país também se destaca por inovações como a pelotização de baixo carbono, um processo que reduz as emissões de CO₂ na produção de pelotas de minério de ferro, tornando a cadeia do aço mais sustentável. Outra iniciativa importante é o avanço no uso de rejeitos sólidos, que permite um descarte mais seguro e ecologicamente responsável dos resíduos da mineração.


Já a China, além de sua força na manufatura e infraestrutura, avança rapidamente em Inteligência Artificial (IA), semicondutores e tecnologia digital. Um exemplo recente dessa evolução no setor de software é a DeepSeek, empresa que lançou um modelo de inteligência artificial competitivo em escala global. O caso ilustra como a China tem expandido sua presença tecnológica não apenas em áreas como veículos elétricos e baterias, mas também em outros segmentos de alto valor agregado no setor digital.


Essa complementaridade econômica tem sido acompanhada por um avanço na integração financeira entre os dois países. Desde 2013, quando Brasil e China assinaram um acordo de swap cambial (troca de taxas com o objetivo de proteger o investidor contra variações excessivas) no valor de R$ 60 bilhões para proteger transações comerciais da volatilidade do dólar, as relações financeiras se fortaleceram.


Em 2023, o Acordo de Compensação do Renminbi (RMB) foi um novo passo nessa direção, permitindo que transações comerciais sejam liquidadas diretamente entre real e yuan, sem necessidade de conversão para o dólar, reduzindo custos e facilitando operações em larga escala. Esse ambiente mais integrado abre espaço para novos instrumentos financeiros que permitam aos investidores brasileiros uma exposição mais eficiente ao mercado chinês.


Diversificação de portfólio


Meu colega Ahmad Mourad, analista quantitativo da Itaú Asset, exemplifica os benefícios dessa maior integração financeira e diversificação internacional através de um exercício intuitivo. Mourad construiu um portfólio risk parity utilizando o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, e o CSI 300, que reúne as 300 maiores empresas das bolsas chinesas.


De forma simples, um portfólio risk parity aloca mais capital nos ativos menos voláteis e menos capital nos ativos mais arriscados, garantindo que cada um contribua de forma semelhante para o risco total do portfólio — daí o nome “paridade de risco”. No estudo, a alocação foi ajustada anualmente com base na volatilidade observada no ano anterior.


Os resultados mostram que, enquanto o Ibovespa sozinho apresentou um retorno médio anual de 8% e uma volatilidade de 25%, o portfólio combinado com o CSI 300 em reais apresentou um retorno de 11% e uma volatilidade reduzida para 17%. O índice de Sharpe, que mede a relação entre retorno e risco, passou de 0,32 no caso do Ibovespa sozinho para 0,65 no portfólio combinado com o CSI 300 em reais.


Além disso, para responder à pergunta se os ganhos de diversificação advêm apenas da conversão cambial, Ahmad realizou um exercício fictício comparando o portfólio com o CSI 300 em reais com outro que utilizasse o índice diretamente em moeda chinesa (CNY). Mesmo sem considerar o impacto do câmbio, os resultados evidenciaram ganhos de diversificação significativos, com o índice de Sharpe alcançando 0,6, demonstrando que a baixa correlação estrutural entre os mercados é o principal fator por trás da eficiência do portfólio.


O white paper da Itaú Asset Management, em parceria com a E Fund, destaca como Brasil e China podem desempenhar um papel complementar não apenas no comércio global, mas também na construção de portfólios mais eficientes e resilientes.


À medida que a integração financeira entre Brasil e China avança, novas oportunidades surgem para facilitar o acesso a ativos chineses por investidores brasileiros e vice-versa. Seja por meio de instrumentos financeiros inovadores ou da ampliação do comércio e dos investimentos bilaterais, essa relação estratégica pode ajudar a enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais incerto e dinâmico.


https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/artigos-especialistas/mercado-chines-alternativa-para-diversificacao-de-portfolios//?utm_source=instagram&utm_medium=organic&utm_campaign=china-brasil&utm_content=materia

Casos de recuperação judicial

 Coluna do Broadcast: Com St. Marche, casos de recuperação extrajudicial somam R$ 3,3 bi em 2025


Por Cynthia Decloedt e Circe Bonatelli


São Paulo, 18/04/2025 - O volume dívidas sendo renegociadas por meio da recuperação extrajudicial subiu para R$ 3,3 bilhões este ano com a chegada à Justiça de um pedido da rede de supermercados St Marche. Isso representa um crescimento de mais de 800% em relação ao volume do primeiro trimestre de 2024, de acordo com o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). O Obre nota ainda que a dívida de R$ 528 milhões do St Marche é a segunda maior sendo reestruturada nesta modalidade em 2025, ficando atrás apenas do caso da Araguaia Níquel Metais (R$ 2,3 bilhões). No ano passado, os pedidos de recuperação extrajudicial tiveram um recorde histórico no País. Ao todo, foram 59 novos pedidos, totalizando R$ 39 bilhões em dívidas renegociadas, um aumento de 387,5% em relação a 2023.


Lei foi flexibilizada em 2020


O crescimento nos processos de recuperação extrajudicial reflete flexibilidades realizadas na Lei de Recuperação Judicial e Falências, durante reforma feita em 2020, abrindo espaço para conversas diretas entre devedores e seus credores. Outros exemplos de empresas que optaram pelo instrumento são a Casas Bahia e a Sequoia, de logística.


Instrumento chama menos atenção do mercado 


Uma das principais diferenças é a exigência de um número menor de credores aderentes ao plano de reestruturação tanto na abertura do processo junto ao judiciário, quanto para a sua homologação. O instrumento também é bem recebido por retirar o estigma de uma recuperação judicial e diminuir os holofotes das renegociações das dívidas.


NICHO. O empresário do mercado imobiliário Alexandre Frankel, que está à frente da Vitacon e da Housi, vai lançar sua própria linha de moradias para idosos em São Paulo. O primeiro prédio irá a mercado no segundo semestre, em Higienópolis, com 300 apartamentos de 30 a 60 metros quadrados, e valor geral de vendas estimado em R$ 400 milhões. Outros dois projetos estão em desenvolvimento para o ano que vem nos bairros de Perdizes e Jardins.


EXPERIMENTAÇÃO. O mercado imobiliário brasileiro ainda não tem um conceito amplamente estabelecido de habitação para idosos. Mas, com o envelhecimento da população e a perspectiva de uma demanda crescente por moradias adaptadas, algumas empresas vêm se mexendo para criar produtos que atendam as necessidades dos idosos. Ainda são poucos projetos na área, e o tom é de experimentação.


SAÚDE. Neste caso, o projeto foi concebido para que cada prédio tenha uma equipe de enfermagem para atendimentos emergenciais e/ou resgates. Já os serviços de saúde recorrentes de cada morador poderão ser contratados à parte. O projeto para idosos incluirá ainda uma sala para consultas via telemedicina, equipada com aparelho para se medir a pressão arterial e a oxigenação Do sangue, por exemplo.


ATIVIDADES. As áreas comuns terão salas apropriadas para atividades como hidromassagem, fisioterapia e atividades físicas de baixo impacto, como ioga. Outros itens típicos de condomínios também estarão ali, como academia, salão de jogos e áreas verdes.


TENDÊNCIA. "Há muito tempo estamos estudando entrar no senior living. Esse é um setor que tomou proporções enormes", afirma Frankel, em entrevista à Coluna. "Em alguns anos, o Brasil vai ter mais 30 milhões de idosos, mas não dá mais para continuar nas soluções caseiras", diz, citando casos em que os idosos são cuidados por filhos ou acabam indo parar em asilos e casas de repouso.


ESTRUTURA. Neste modelo de negócios, a Housi é a startup responsável pela concepção e gestão do projeto, enquanto a Vitacon faz a incorporação imobiliária e as vendas. Os primeiros dois projetos serão skin in the game, ou "arriscando a própria pele", para Frankel, que é o acionista controlador de ambas as empresas. Mas o plano é comercializar esse projeto para outras incorporadoras.


HISTÓRICO. A Housi surgiu em 2012 a partir de um desdobramento de ativos da Vitacon, fundada em 2009. A Vitacon ficou famosa em São Paulo pelos apartamentos com área inferior a 20 m². A proposta era lançar imóveis mais acessíveis a moradores e investidores. Já a Housi virou uma plataforma online reunindo imóveis residenciais próprios (da Vitacon) e de terceiros para locação, com acréscimo de serviços condominiais pay per use.


AMEAÇA VIRTUAL. O sequestro de dados, conhecido como ataques de ransomware, mais que dobraram no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período no ano passado, somando 2.062 incidentes, de acordo com um levantamento da ISH Tecnologia, companhia nacional de cibersegurança. Durante um ataque de ransomware, dados sigilosos da empresa atingida são roubados por criminosos e têm seu acesso bloqueado, só liberado mediante pagamentos que podem ser milionários.


Contato: colunadobroadcast@estadao.com


Broadcast+

Trump x Powell

 Ameaças de Trump a Powell põem em xeque independência do Fed e preocupam analistas

21:26 18/04/2025 


Washington, 18/4/2025 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado seus ataques ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Ao mesmo tempo, a Suprema Corte está analisando um caso que pode facilitar a demissão de Powell por Trump.


Isso ocorre diante da turbulência na economia real e nos mercados financeiros, provocada pelas tarifas sobre importações impostas por Trump. A maioria dos economistas e investidores de Wall Street teme que um ataque à longa independência do Fed em relação à política possa desestabilizar ainda mais os ativos e aumentar a incerteza que envolve a atividade.


Em declarações feitas na Casa Branca na quinta-feira, 17, Trump sugeriu que tem o poder de tirar Powell e o criticou por não cortar agressivamente as taxas de juros. "Se eu quiser tirá-lo, ele sairá bem rápido, acredite em mim", disse Trump. "Não estou satisfeito com ele." Nesta sexta-feira, 18, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que Trump "e sua equipe continuarão a estudar o assunto", referindo-se a uma forma de tirar Powell do cargo.


Os economistas há muito tempo preferem bancos centrais independentes, porque eles podem tomar medidas impopulares com mais facilidade para combater a inflação, como aumentar as taxas de juros.


A importância de um Fed independente ficou evidente após o prolongado surto inflacionário das décadas de 1970 e início de 1980. O ex-presidente do Fed Arthur Burns é amplamente responsabilizado por permitir que a inflação daquela época se acelerasse, ao ceder à pressão do então presidente Richard Nixon para manter as taxas baixas antes da eleição de 1972. Nixon temia que juros altos lhe custassem a eleição, que venceu por ampla margem.


Paul Volcker foi nomeado presidente do Fed em 1979 pelo presidente Jimmy Carter, e elevou a taxa de juros de curto prazo do Fed ao patamar de quase 20% (atualmente, está em 4,3%). As taxas altíssimas desencadearam uma recessão aguda, elevaram o desemprego a quase 11% e provocaram protestos generalizados.


Ainda assim, Volcker não recuou. Em meados dos anos 1980, a inflação havia voltado a níveis baixos. A disposição de Volcker de impor sofrimento à economia para conter a inflação é vista hoje pela maioria dos economistas como um exemplo-chave do valor de um Fed independente.


Reação


Uma tentativa de demitir Powell quase certamente faria os preços das ações caírem e os rendimentos dos títulos dispararem, elevando as taxas de juros sobre a dívida do governo e os custos de empréstimos para hipotecas, financiamentos de automóveis e cartões de crédito.


Os investidores preferem um Fed independente, em parte porque ele controla melhor a inflação sem influência política, mas também porque suas decisões são mais previsíveis. Se o Fed fosse mais influenciado pela política, os mercados teriam mais dificuldade em antecipar - ou entender - suas decisões.


Presidentes do Fed como Powell são indicados pelo presidente para mandatos de quatro anos e precisam ser confirmados pelo Senado. O presidente dos EUA também nomeia os outros seis membros do conselho do Fed, que podem cumprir mandatos escalonados de até 14 anos.


Essas nomeações permitem que um presidente do país, ao longo do tempo, altere significativamente as políticas do Fed. O ex-presidente Joe Biden nomeou cinco dos atuais sete membros: Powell, Lisa Cook, Philip Jefferson, Adriana Kugler e Michael Barr. Assim, Trump terá menos oportunidades para nomeações. Ele poderá substituir Kugler, que ocupa um mandato que termina em 31 de janeiro de 2026.


O Congresso, por sua vez, pode definir os objetivos do Fed por meio de legislação. Em 1977, por exemplo, o Parlamento deu ao Fed um "duplo mandato": manter os preços estáveis e buscar o máximo emprego. A lei também exige que o presidente do Fed preste depoimento duas vezes por ano, tanto na Câmara quanto no Senado, sobre a economia e a política de juros.


Powell diz que a lei não permite que um presidente do país demita um presidente da instituição exceto por justa causa. Há certa complicação nisso, pois Powell foi nomeado separadamente como membro do conselho de governadores do Fed e, depois, elevado ao cargo de presidente - por Trump, em 2017.


A maioria dos especialistas jurídicos concorda que Trump não pode demitir Powell do conselho de governadores do Fed, mas há menos consenso sobre se o presidente pode removê-lo da presidência.


Caso Trump tente mesmo demitir Powell, a disputa certamente acabaria na Suprema Corte. Na semana passada, a instituição permitiu que as demissões da gestão Trump permanecessem válidas enquanto analisa o caso. E pode decidir que o presidente, como chefe do Poder Executivo, pode demitir dirigentes de qualquer agência federal, mesmo que o Congresso tenha pretendido que ela fosse independente. / Associated Press

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