quinta-feira, 24 de julho de 2025

Celso Ming

 Celso Ming: A espada de Trump sobre o Brasil


O dia 1º de agosto (mês do desgosto) está logo aí e, até lá, não há muito o que fazer para enfrentar a barbaridade do tarifaço do presidente Donald Trump.


Não há abertura para negociação comercial, até porque a questão de fundo não é comercial, é política. Nem mesmo a primeira carta do presidente Lula, enviada por ocasião do anúncio do tarifaço anterior, de 10%, mereceu resposta. Quem recebeu uma carta especial de Trump, com apoio e tudo mais, foi o ex-presidente Bolsonaro. A revogação dos vistos dos ministros do STF é outra demonstração de que o Brasil está sendo castigado para livrar a cara de Bolsonaro.


Há outras alegações para a pancada, todas políticas: de que o presidente Lula vem provocando o império com acenos ao inimigo Irã, ou que está empurrando os países membros do Brics a escantear o dólar como moeda para liquidação de contas entre eles.


Como  Trump é dado a “recuetas”, há quem espere uma redução do tarifaço, fixado em 50% sobre todas as exportações do Brasil aos Estados Unidos. Mas é melhor não contar com isso. Mesmo o simples adiamento da entrada em vigor das novas alíquotas parece pouco provável, porque não resolve o problema principal, apenas mantém suspensa a espada de Dâmocles.


Um revide de qualquer natureza, já cogitado com base na Lei da Reciprocidade, é mais do que contraindicado. Pode atiçar novas vinganças, dado o telhado de vidro que tem o Brasil.


Uma das tentativas ensaiadas pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, é coordenar as empresas importadoras de produtos brasileiros para pressionar o governo Trump, sob o argumento de que o tarifaço desarticula seus negócios e, além disso, produz inflação sobre a cesta básica dos Estados Unidos, na medida em que encarece o café, o suco de laranja, a carne e os pescados. Pode-se tentar por aí, mas parece difícil que funcione, dada a natureza política do problema.


Já deu para ver que as autoridades dos Estados Unidos inventarão quaisquer pretextos para continuar bombardeando a economia brasileira: pode ser pelo sucesso do Pix, por vendas de produtos pirateados na rua 25 de Março ou pela suposta falta de empenho do presidente Lula em desenvolver a produção de terras raras.


O governo Lula parece ter começado a aceitar o pior - que é a perda de 2% do PIB em receitas de exportação para os Estados Unidos. Já avisou que os setores mais prejudicados terão ajuda para compensar os estragos.


Mas há o que pode e deve ser feito aqui. Primeiramente, fortalecer a economia, especialmente na área fiscal, para reduzir a vulnerabilidade em relação à dívida pública, à inflação e ao alto custo do crédito provocado pelos juros elevados. Outra frente de trabalho deve ser o fechamento de novos acordos comerciais e a diversificação dos destinos das exportações, a fim de reduzir a dependência das receitas vindas dos Estados Unidos.


No mais, nada afastará definitivamente o mundaréu de incertezas. Trump já disse que distribui maldades “porque quer e porque pode”.


O Broadcast publica, em primeira mão, a coluna do jornalista Celso Ming, do jornal O Estado de S. Paulo


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: ONTEM, sessão em alta nas bolsas, que subiram animadas pela notícia do acordo alfandegário entre os EUA e o Japão (15% vs. ameaça de 25%), além da Indonésia e Filipinas (19%). A subida da bolsa de Tóquio (+3,5%) foi um bom prelúdio para lançar as restantes bolsas em alta. Esta alegria não chegou às obrigações e as yields dos principais mercados retrocederam de forma testemunhal numa sessão de risk-on. Trump deita mais lenha ao fogo dos impostos alfandegário e menciona que os situará entre 15% e 50%. A UE poderá contra-atacar com um imposto alfandegário recíproco de 30% caso não chegue a acordo com os EUA, o que afetaria as importações com um valor de 100.000 M€. Não houve macro relevante, exceto a Confiança do Consumidor da UE (julho). Entre as empresas, Iberdrola caiu -4,7% até 15,15€, coincide com o preço da ampliação de capital. Continua a temporada de resultados. Como esperávamos, o mercado castigou as empresas que dececionaram, como ASMI (-9,4%), SAP (-4,1%), Enphase Energy (-14,2%) ou Texas Instruments (-13,3%). Tesla (-4% aftermarket) e Alphabet (+2%) publicaram depois do fecho de Nova Iorque, as guias não convencem e vêm a cair no aftermarket. A tecnologia irá ver-se animada hoje. À primeira hora, publicaram Nestlé (fracos), BESI, BNPP, Deutsche, Repsol e BE Semiconductor, entre outros e, em geral, com resultados que convenceram, o que poderá levar a um início de sessão em alta.



HOJE: O importante é a reunião do BCE, que irá manter taxas de juros nos níveis atuais (2,00% depósito/2,15% crédito) após aplicar -200 p.b. de cortes desde junho de 2024. O BCE considera que está bem posicionado para navegar as incertezas do contexto atual (o IPC está no seu objetivo de 2%, o euro fortaleceu-se, o preço da energia caiu, os salários moderaram o seu crescimento e os estímulos fiscais deverão ajudar a reativar a economia). Tudo aponta que estamos perante uma pausa prolongada do BCE. O foco estará entre o tom de Lagarde e as pistas que dê sobre prolongar esta pausa de taxas de juros a curto prazo. Em todo o caso, estimamos que poderá voltar a baixar taxas de juros na sua reunião de 18 de dezembro, se as tensões comerciais prejudicarem o crescimento ou os estímulos tardarem a chegar. Da macro restante, destaca-se o conjunto de PMIs Industriais e Serviços na UE e nos EUA. Espera-se que melhorem perante o otimismo na frente comercial. Na frente micro, a temporada de resultados dá uma pausa, apenas ressaltamos LVMH que publicará após o fecho do mercado. Trump menciona que estuda segregar NVIDIA (subiu +1% no mercado after-hours) para promover a concorrência entre os fabricantes de chips para IA.


Hoje o mercado deverá continuar a subir perante as perspetivas de novos acordos alfandegários depois dos assinados com o Japão e vários países asiáticos. Esperamos uma sessão positiva, mais na Europa do que nos EUA, e animada à primeira hora pelos resultados empresariais.


S&P500 +0,8%; Nq-100 +0,4%; SOX 0%; ES50 +1,0%; IBEX +0,2%; VIX 15,4; Bund 2,60%; T-Note 4,38%; Spread 2A-10A USA=+50pb; B10A: ESP 3,20%; PT 3,02%; FRA 3,27%; ITA 3,46%; Euribor 12m 2,038% (fut.2,113%); USD 1,177; JPY 172,5; Ouro 3.388$; Brent 68,7$; WTI 65,4$; Bitcoin -1,5% (118.000$); Ether -3,47% (3.571$).


FIM

Imbróglio Master BRB

 https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/07/23/bc-pede-que-brb-e-master-refacam-contas-de-ativos-para-avaliar-viabilidade-do-negocio.ghtml


*BC pede que BRB e Master refaçam contas de ativos para avaliar viabilidade do negócio*


_Operação anunciada em março ainda depende de aval do Banco Central para ser fechada_


Por Thaís Barcellos — Brasília


O Banco Central fez um novo pedido de informações ao Banco Master e ao BRB no âmbito da análise do negócio anunciado entre as duas instituições. Segundo um interlocutor a par do assunto, o BC encontrou inconsistências nas informações compartilhadas pelos bancos em relação aos ativos que foram incluídos na operação, o chamado perímetro, e também àqueles que ficaram de fora.


O objetivo é garantir tanto a viabilidade econômica do novo conglomerado que vai surgir com a aquisição pelo BRB de uma fatia do Master quanto uma solução adequada para a parte restante. A revisão das informações envolvem tantos dados financeiros, como o valor dos ativos, como se há cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), por exemplo.


Na prática, a nova solicitação do BC deve refinar o perímetro da operação, que, conforme a última informação, deixava cerca de R$ 33 bilhões de ativos de fora, de R$ 23 bilhões inicialmente.


Quanto mais amplo o perímetro, pior a qualidade dos ativos, disse uma das pessoas envolvidas nas tratativas. Foram retirados, por exemplo, precatórios e participações em empresas em dificuldades. O acordo prevê a compra de 58% do capital social total do Master pelo BRB (49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais).


O ofício foi enviado às partes após uma série de reuniões de integrantes do BC com representantes do BRB e do Master nos últimos dias. No sábado, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, recebeu, junto com outros diretores do BC, Daniel Vorcaro, presidente do banco privado, e o CEO, Augusto Ferreira de Lima.


Na segunda, foi a vez de se encontrar com Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, e com o diretor executivo de Finanças, Dario Oswaldo Garcia Junior. Por fim, nesta terça, Vorcaro, Costa e outros diretores do banco público estiveram no BC para uma reunião com os diretores de Fiscalização, Ailton Aquino, e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Renato Gomes.


Procurados, os bancos não se manifestaram.


Há cerca de um mês, o BC já havia questionado os dois bancos por inconsistências nas operações de compra de carteira de crédito consignado entre eles no fim de 2024. No ano passado, o BRB comprou cerca de R$ 8 bilhões em carteiras de crédito do banco liderado por Daniel Vorcaro, em uma espécie de primeiro passo na relação entre as duas instituições financeiras.


Apesar do novo pedido do BC, pessoas envolvidas na operação mantêm a expectativa de que a análise do processo no regulador pode ser concluída nas "próximas semanas". Um interlocutor pontuou que todas as partes, inclusive o BC, têm interesse em uma solução negociada para os problemas do Master. O Conselho de Defesa Econômica (Cade) já aprovou a operação.


*Negociação*


A operação entre os dois bancos está envolta em polêmicas. O Master enfrenta problemas de liquidez. O banco adotava estratégia que se baseava em captações via CDBs com retornos bastante acima da média do mercado, com a salvaguarda do Fundo Garantidor de Créditos.


Por outro lado, os ativos para fazer frente a esses compromissos são em parte ilíquidos, como os precatórios e a participação em empresas em crise.


Nesse caso, se o Master entrasse em crise, o FGC, que é formado com contribuições das instituições financeiras associadas, teria de arcar com um volume relevante de ressarcimento para pessoas físicas com aplicações de até R$ 250 mil de pessoas físicas - um problema para o sistema financeiro.


Segundo o balanço de 2024, o Master tinha R$ 12,4 bilhões de CDBs a vencer até o fim deste ano, contra um ativo total para o mesmo período de R$ 18,3 bilhões. No total, o estoque de CDBs e CDIs era de R$ 49,8 bilhões. A liquidez do FGC, em junho de 2024, era de R$ 107,8 bilhões.


Diante disso, chamou atenção o interesse do BRB, um banco público, no negócio. O BRB defendeu, contudo, que a operação seria importante na estratégia de crescimento da instituição, possibilitando uma atuação maior nas áreas de câmbio, mercado de capitais e cartão de crédito consignado.


"O novo conglomerado prudencial visa fortalecer a atuação conjunta no mercado, pela oferta completa de produtos e serviços bancários, de seguridade, meios de pagamento e investimentos a pessoas físicas e jurídicas, presença nacional e estrutura de governança, capital, liquidez, rentabilidade e conformidade regulatória compatível com o porte do novo conglomerado", disse o BRB na época do anúncio da compra.


Recentemente, a venda de ativos privados de Vorcaro ao BTG no valor de R$ 1,5 bilhão foi considerado um passo importante para viabilizar a operação com o BRB dentro do BC, já que os recursos foram aplicados no Master, dando um "refresco" imediato de liquidez. Para o Banco Central, é importante que o caso Master seja resolvido por inteiro.


FALCÃO NOTÍCIAS

BDM Matinal Riscala

 Bom dia


Bom Dia Mercado.


Quinta Feira, 24 de Julho de 2.025.


*Diálogo interditado*


Em indireta, ontem à noite, Trump disse que “os países com quem não estamos nos dando bem pagarão tarifas de 50%”


… IBM afundou 5,1% no after hours em NY, apesar do lucro forte divulgado após o fechamento. Também Tesla caiu em reação aos balanços. Só Alphabet subiu. Hoje tem Intel e, na Europa, Deutsche, BNP Paribas e Lloyds. Multiplan é o destaque na B3. A agenda dos mercados inclui ainda reunião do BCE, que deve manter o juro estável na Zona do Euro, e as prévias de julho dos índices PMI da atividade global. Em forte campanha pela demissão de Powell, para que o Fed corte o juro logo, Trump visita o Fed às 17h. No Brasil, a Receita informa a arrecadação de junho, enquanto o governo Lula fracassa em abrir canal de negociação comercial com os Estados Unidos. Em indireta, ontem à noite, Trump disse que “os países com quem não estamos nos dando bem pagarão tarifas de 50%”.


… Na Folha, os Estados Unidos mantêm silêncio e governo brasileiro já teme a implementação de tarifas em agosto.


… Os americanos sinalizaram ao governo que as tratativas só devem caminhar a partir de uma autorização de Trump. Integrantes do Planalto dizem ter a informação de que o caso está na Casa Branca, sem previsão de resposta.


… O governo brasileiro já enviou duas cartas com propostas de negociação, sendo a primeira em 16 de maio. Com o diálogo interditado, Brasília já não acredita que conseguirá evitar a sanção, a partir de 1º de agosto.


… Os Estados Unidos continuam sem um embaixador oficial no Brasil, o que significa que não conta com interlocutor do governo Trump que tenha representatividade para gerenciar a crise comercial entre os dois países.


… Atualmente, a representação dos Estados Unidos no Brasil é chefiada pelo encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, que não é embaixador e não tem nível diplomático para discutir uma saída.


… Mesmo com chances remotas de um acordo, uma comitiva de oito senadores está viajando amanhã, sexta-feira, para Washington, na tentativa de sensibilizar empresários que compram do Brasil e parlamentares americanos.


… O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está na comitiva e escreveu no X que o objetivo é “dialogar” e conseguir preservar uma amizade e um comércio de 206 anos, “sem abrir mão da nossa soberania”.


… Segundo apurou a jornalista Thaís Herédia (CNN Brasil), os senadores dirão aos americanos que o tarifaço jogará o Brasil no colo da China, entendendo que a relação com os chineses é um dos pontos mais sensíveis para Trump.


O PLANO ESTÁ PRONTO – Após nova reunião do comitê interministerial do tarifaço, ontem à noite, Haddad disse que o plano de contingência para ajudar os exportadores afetados pelo tarifaço de Trump está “fechado”.


… O ministro não quis antecipar detalhes, informando que as medidas ainda serão levadas para o aval de Lula.


… “A área técnica dos três ministérios envolvidos [Fazenda, Indústria e Itamaraty] vão me apresentar as medidas nesta quinta-feira e, provavelmente, na semana que vem nós devemos levar para o presidente.”


… O plano de contingência está sendo elaborado a partir dos parâmetros definidos por Haddad e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.


… Desde o primeiro minuto, Haddad confirmou a intenção de oferecer apoio aos setores mais prejudicados, embora haja a preocupação de não comprometer as finanças públicas e o cumprimento das metas fiscais.


… Questionado sobre a criação de créditos subsidiados aos exportadores, o ministro disse que, não necessariamente, o plano de contingência vai implicar gastos primários, mas as pressões já estão surgindo.


… A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado pediu ao governo federal a criação de uma linha emergencial de R$ 900 milhões e a CNA estima que o tarifaço de Trump pode tirar US$ 5,8 bilhões do agro brasileiro.


… Suco de laranja, açúcar, álcool e carnes seriam os mais prejudicados com aumento nas tarifas de importação. Em 2024, o Brasil exportou US$ 12,1 bilhões em produtos do agro para os Estados Unidos.


… Se a tarifa de 50% for, de fato, aplicada, a CNA prevê uma redução de 48% no valor total das exportações.


… Sobre a iniciativa dos governadores para mitigar os efeitos da tarifa, como de Tarcísio (SP), Haddad disse que “toda ajuda é bem-vinda”, mas que R$ 200 milhões é pouco quando se está falando em US$ 40 bilhões de exportação.


… Por outro lado, o ministro observou que é “bom saber que os governadores caíram na real” e deixaram de apoiar o tarifaço de Trump, como fizeram no início. “Perceberam, finalmente, que é um problema do Estado brasileiro.”


… Otimista, Haddad ainda espera que o Brasil consiga um acordo, “se as duas partes se sentarem à mesa”. “Eu estou vendo a Europa, o Japão, a Indonésia, as Filipinas e o Vietnã se movimentarem. Vai chegar a vez do Brasil.”


LULA PROCURA O MÉXICO – O presidente telefonou ontem para a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para dizer que quer aprofundar as relações comerciais com o país diante do “momento de incertezas”.


… Assim como o Brasil, os mexicanos foram alvos das tarifas de Trump (30%), a partir de 1º de agosto.


… Na conversa com Sheinbaum, Lula acertou a visita do vice-presidente e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, para o México, nos dias 27 e 28 de agosto, em comitiva composta por empresários e ministros do governo.


… Lula afirmou que quer expandir a relação entre o Brasil e o México em setores estratégicos, como o farmacêutico, agropecuária, etanol, biodiesel, aeroespacial, inovação e educação.


STF BAIXA A BOLA – Depois da tornozeleira a Bolsonaro, ministros do Supremo e até integrantes do governo de Lula defendem que o momento é de distensionar o ambiente, segundo apurou o Valor.


… Eles avaliam que o ex-presidente será condenado ainda este ano na ação da trama golpista e que decretar a prisão preventiva agora só geraria mais desgaste, apesar do risco real de fuga.


… A expectativa é que Bolsonaro e os demais sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista comecem a ser julgados em meados de setembro e que o processo caminhe rápido para a conclusão.


… Também Lula evitará encontros com os ministros do STF, de modo a reforçar aos Estados Unidos a independência entre Poderes, mostrando que o Executivo não tem proximidade nem ingerência sobre as decisões da Corte.


… No anúncio da tarifa de 50% para o Brasil, Trump atribuiu a taxação ao processo judicial contra Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado em ação no Supremo, julgada pelo ministro Alexandre de Moraes.


NEGOCIAÇÕES COM A UE AVANÇAM – A mídia americana antecipa que um acordo com a União Europeia está muito próximo. O próprio Trump contribuiu para essa sensação, dizendo estar “em negociações sérias com a UE”.


… Segundo o presidente, ainda muito animado com o acordo fechado com o Japão, “se eles (europeus) concordarem em se abrir para as empresas dos Estados Unidos, nós permitiremos que paguem tarifas mais baixas”.


… Na Bloomberg, diplomatas da UE veem progresso em direção a acordo com os Estados Unidos com tarifas de 15%, mas ainda pressionam para que as negociações com os Estados Unidos incluam o setor automotivo.


… A mesma informação foi dada pelo Financial Times, que os Estados Unidos e a União Europeia estão perto de um acordo tarifário de 15%. Segundo o FT, a cobrança sobre automóveis cairia de 27,5% para 15%.


… O bloco europeu e os Estados Unidos dispensariam tarifas sobre bens como aeronaves, bebidas destiladas e, ainda, sobre equipamentos médicos. Trump quer o mercado aberto a produtos agrícolas e automóveis americanos.


… Membros da UE estão otimistas, mas mantêm cautela ante a imprevisibilidade de Trump. O conselheiro econômico da Casa Branca, Peter Navarro, pediu “cautela” e disse que ainda há pontos sensíveis nas conversas.


… A própria Casa Branca minimizou reportagens que sugerem potencial acordo comercial com a UE, com a porta-voz dizendo que quaisquer suposições sobre o resultado das conversas são “prematuras e especulativas”.


… O bloco não descarta a imposição de contramedidas, caso o acordo não vingue. A UE planeja aplicar tarifas de 30% aos Estados Unidos sobre 100 bilhões de euros (US$ 117 bilhões) se Trump cumprir a ameaça de impor a taxa.


CHINA – Em entrevista à Bloomberg, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o governo avalia prorrogar o prazo de negociações com Pequim por 90 dias. O prazo atual termina no dia 12 de agosto.


BCE DEVE MANTER JURO – Em reunião nesta quinta-feira, o Banco Central Europeu deve manter sua taxa de juro em 2%, diante da incerteza elevada e indicadores dentro do esperado, segundo consenso apurado pelo Broadcast.


… O BCE anuncia sua decisão de política monetária às 9h15 (de Brasília). Lagarde fala meia hora depois, às 9h45.


… Também o BC da Turquia anuncia decisão de política monetária (8h): previsão de queda de 46% para 43,5%.


… A agenda internacional ainda inclui hoje as preliminares de julho do PMI industrial e de serviços na Alemanha, Zona do Euro, Reino Unido e nos Estados Unidos (10h45), onde a previsão é de estabilidade sobre junho.


… As 9h30, saem os pedidos de auxílio desemprego e o índice de atividade nacional de junho do Fed/Chicago. E, às 11h, vendas de moradias novas em junho, que registraram um tombo de 13,7% em maio.


JAPÃO HOJE – O PMI composto se manteve estável entre junho e julho, em 51,5, segundo pesquisa preliminar da S&P Global. Acima do patamar neutro de 50, o indicador continua indicando expansão da atividade econômica…


… Já o PMI industrial cedeu de 50,1 para 48,8 no mesmo período de comparação, entrando em território de contração. O PMI de serviços teve alta de 51,7 para 53,5 na mesma comparação, ainda em território de expansão.


BALANÇOS – Os mercados já amanhecem com os resultados do Deutsche Bank (Alemanha), BNP Paribas (França) e Lloyds Banking (Reino Unido). Em NY, American Airlines divulga seus números antes da abertura.


… Após o fechamento do mercado, sai o balanço de Intel, com projeção de lucro por ação de US$ 0,01.


… Aqui, Multiplan divulga balanço após o fechamento e WEG faz teleconferência às 11h.


AFTER HOURS – Começando pela boa notícia, os papéis da Alphabet, empresa controladora do Google, subiram 1,82% no pregão noturno, depois de a empresa ter superado as expectativas nos resultados do segundo trimestre.


… A gigante de tecnologia teve lucro líquido de US$ 28,2 bilhões no período, acima dos US$ 23,6 bilhões do mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo crescimento em sua divisão de nuvem e inteligência artificial.


… O lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,31, superior à estimativa dos analistas, de US$ 2,18 por papel. A receita foi de US$ 96,43 bilhões, também surpreendendo para cima as expectativas de US$ 93,97 bilhões dos analistas.


… Já a frustração com os números da Tesla levou a ação a levar um tombo de 4,42% no after market. A fabricante de veículos elétricos registrou lucro líquido de US$ 1,17 bi no segundo trimestre, abaixo do US$ 1,4 bi de um ano antes.


… IBM também caiu feio na noite de ontem, com o mercado de olho no faturamento da divisão de software, de US$ 7,39 bilhões no segundo trimestre, ligeiramente menor do que os US$ 7,43 bilhões esperados pelos analistas.


… No setor financeiro, agradou a notícia do BofA de que o seu conselho autorizou um programa de recompra de ações de US$ 40 bilhões e a elevação em 8% dos dividendos trimestrais que serão pagos aos acionistas.


RÚSSIA VS UCRÂNIA – Possibilidade de encontro entre Zelensky e Putin foi descartada pelos russos.


IRÃ – Receberá delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nas próximas semanas, sinalizando que pode permitir que inspetores internacionais retomem o monitoramento do trabalho nuclear no país.


MAIS AGENDA – Receita divulga às 10h30 a arrecadação de junho e o resultado acumulado do primeiro semestre. No mês, o mercado prevê R$ 228,50 bilhões (mediana do Broadcast), após R$ 230,152 bilhões em maio.


… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, participará de reunião do CMN hoje, às 15h.


ANP – Reunião discute a nova base de cálculo do Preço de Referência do Petróleo, revisão das tarifas de gasodutos de transporte, nova octanagem da gasolina e suspensão de atividades de formulação de combustíveis.


VAZAMENTO NO PIX – O BC informou na noite de ontem que houve o vazamento de chaves Pix em razão de acessos indevidos ao Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, operado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


… Não foram expostos dados sensíveis, como senhas, movimentações, saldos financeiros, ou quaisquer informações sob sigilo bancário. “As informações obtidas são de natureza cadastral, que não permitem acesso às contas.”


… O site do CNJ informará um canal de consulta para os cidadãos verificarem se tiveram seus dados expostos.


ESTAMOS NA FILA – Aquela esperança de Trump amolecer o coração de pedra quanto ao Brasil foi despertada ontem pelo rumor de que as tarifas à UE podem ser reduzidas à metade, após os EUA se acertarem com o Japão.


… Apesar de o governo de Tóquio ser considerado duro na queda, as negociações prosperaram e alimentaram a aposta de que chegue a nossa vez, embora o Brasil seja um caso especial, com a maior taxação até agora (50%).


… Não está nada fácil vencer as resistências contra a Casa Branca, que impõe um muro ao diálogo.


… Contaminadas pelo viés político-ideológico, as negociações que envolvem a diplomacia do Itamaraty, os ministérios, os governadores e o empresariado, num esforço coletivo para evitar o pior, ainda não renderam frutos.


… Mas os mercados domésticos foram embalados ontem pela onda otimista, que devolveu o dólar à faixa de R$ 5,52, para a menor cotação desde o dia do tarifaço, em 9 de julho, quando Trump botou para quebrar com o Brasil.


… No câmbio à vista, a moeda norte-americana fechou em baixa expressiva de 0,79%, negociada a R$ 5,5230. A intensidade do alívio foi bem maior do que a observada lá fora no índice DXY, que caiu 0,18%, a 97,214 pontos.


… Na véspera do BCE e na contagem regressiva do acordo com o bloco europeu, apesar do alerta da Casa Branca contra rumores precoces da negociação, o euro subiu 0,20%, a US$ 1,1774, e a libra ganhou 0,38%, a US$ 1,3580.


… O iene avançou a 146,54 por dólar, depois de os japoneses terem conseguido reduzir as tarifas de 25% para 15%.


… Relaxados pela expectativa de que a UE será a próxima a se entender com Trump, os investidores desmontaram as posições defensivas nos Treasuries, abrindo espaço para as taxas dos títulos interromperem três quedas seguidas.


… O retorno da Note de 2 anos subiu a 3,888%, contra 3,833% na véspera, e o de 10 anos foi a 4,390%, de 4,341%.


… Este ajuste em alta das taxas dos Treasuries foi o gatilho que a curva do DI encontrou por aqui para parar de devolver tanto prêmio de risco e foi por isso que os juros futuros operaram descolados da melhora do câmbio.


… Pertos dos ajustes, o DI para Jan/26 fechou a 14,940% (contra 14,949% no pregão anterior); Jan/27, a 14,230% (de 14,254%); Jan/29, a 13,490% (de 13,491%); Jan/31, a 13,730% (de 13,713%); e Jan/33, a 13,830% (de 13,799%).


OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS? – Na torcida para que a bateria de acordos comerciais que Trump vem fechando de última hora possa “amaciar” a ofensiva contra o Brasil, o Ibovespa retomou a marca dos 135 mil pontos.


… No ambiente positivo, os novos recordes históricos nas bolsas em NY também ajudaram a embalar o índice à vista por aqui, que engatou alta firme de 0,99%, aos 135.368,27 pontos. Só o giro de R$ 16,6 bi é que não dá para nada.


… Petrobras e os bancos deram impulso ao Ibovespa, enquanto a leve queda da Vale não comprometeu o dia. Faltou um pouco de fôlego para as ações da mineradora, que vinham em alta há três pregões e caíram 0,14%, a R$ 57,42.


… A queda de 0,61% do minério facilitou a realização de lucro na Vale, que, no entanto, foi limitada pela boa repercussão no mercado dos resultados operacionais revelados pela produção e vendas do segundo trimestre.


… Os dados foram considerados “satisfatórios” pelo BofA, que elevou a ligeiramente a aposta do Ebitda entre abril em junho, de US$ 3,2 bilhões para US$ 3,3 bilhões. O banco ainda manteve a recomendação de compra às ações.


… Entres os motores da bolsa ontem, Petrobras se destacou com ganhos consistentes. O papel ON avançou 2,23%, para R$ 34,84, e o PN emplacou valorização de 2,04%, negociado a R$ 31,99, ignorando o petróleo morno.


… Preferindo esperar por um anúncio oficial do acordo entre os Estados Unidos e a União Europeia, ao invés de já embarcar na euforia antecipada, o barril do tipo Brent para setembro caiu de leve, só 0,11%, cotado a US$ 68,51.


… As blue chips financeiras subiram em bloco no Ibov. Bradesco e BB aceleraram a alta na reta final com a notícia no Valor de que o iFood teria interesse na Alelo, empresa de cartões de benefícios controlada pelos dois bancos.


… A oferta de compra chegaria a R$ 5 bilhões, segundo a reportagem. Banco do Brasil deslanchou 1,61%, para R$ 20,21. Bradesco ON ganhou 1,64%, a R$ 13,63. Bradesco PN registrou alta 1,60% e fechou valendo R$ 15,88.


… Itaú PN teve valorização de 1,11%, a R$ 35,39, e as units do Santander avançaram 0,45%, para R$ 26,52.


TOPOS – Enquanto Trump continua mantendo o Brasil na geladeira, as indicações de negociações avançadas dos americanos com a União Europeia dão gás para as bolsas em NY persistirem na rotina de marcas inéditas.


… Pela primeira vez na história, o Nasdaq cruzou a barreira dos 21 mil pontos, em alta de 0,61%, aos 21.020,02 pontos. Recorde histórico ontem também para o S&P 500, que avançou 0,78%, para os 6.358,91 pontos.


… O índice Dow Jones fechou em alta de 1,14%, aos 45.010,29 pontos. A continuidade do ânimo será, porém, testada hoje pelo tombo dos papéis da Tesla e da IBM no after market, com a safra dos balanços no radar.


A FRITURA CONTINUA – Na véspera de sua vista ao Fed, Trump voltou a criticar Powell, que “não tem coragem” de cortar o juro, porque o “sujeito teimoso simplesmente não entende, nunca entendeu e nunca vai entender”.


… O presidente americano voltou a cobrar que o juro deveria estar 3 pontos porcentuais abaixo do nível atual. Segundo ele, a demora na retomada do ciclo de afrouxamento monetário tem prejudicado as famílias de modo geral.


… Em meio aos ataques, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que toma café da manhã praticamente toda semana com Powell e que projeta de um a dois cortes de juros pelo Fed até o final do ano.


… Para Bessent, a análise de tarifas do Fed “está um pouco errada”, mas assegurou que Trump não demitirá Powell.


… Na Bloomberg, o presidente da Câmara, Mike Johnson, se disse “desencantado” com Powell, mas questionado sobre eventual apoio à demissão do presidente do Fed, disse não ter clareza sobre autoridade legal para tanto.


EM TEMPO… No Globo, BC pediu que BRB e MASTER refaçam contas de ativos para avaliar viabilidade do negócio…


… O BC encontrou inconsistências nas informações compartilhadas pelos bancos em relação aos ativos que foram incluídos na operação, o chamado perímetro, e também àqueles que ficaram de fora.


SABESP deverá analisar as Parcerias Público-Privadas (PPPs) em estruturação pelo governo paulista, segundo o presidente da empresa, Carlos Piani…


… Piani também afirmou que a Sabesp deverá analisar outros grandes leilões de água e esgoto previstos para este ano, como Pernambuco e Rondônia.


PETRORECÔNCAVO. Citi rebaixou para neutra a recomendação para ação e cortou preço-alvo de R$ 18 para R$ 15…


… Banco disse esperar que companhia apresente retração dos números do segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, refletindo o câmbio e o recuo do petróleo, já que a produção ficou praticamente estável. 


ALLOS. Conselho de Administração aprovou os termos e condições do protocolo para cisão e incorporação de suas subsidiárias, em reunião realizada em 14/7.


AZUL apresentou receita líquida total de R$ 1,64 bilhão no mês de junho, com resultado operacional ajustado por itens não recorrentes relacionados à reestruturação de R$ 155,6 milhões…


… Informações são preliminares e não auditadas e foram elaboradas para fins de cumprimento das exigências do processo de recuperação judicial no EUA (“Chapter 11”)…


… Ainda de acordo com a prévia, companhia teve Ebitda ajustado de R$ 420,4 milhões, com margem Ebitda ajustada de 25,6%; margem operacional foi de 9,5%…


… Caixa e equivalentes de caixa e aplicações financeiras de curto prazo da companhia somaram R$ 1,6 bilhão, enquanto as contas a receber totalizaram R$ 1,69 bilhão…


… Essa é a primeira vez que a companhia divulga seus resultados financeiros mensais não auditados desde que iniciou o processo de reestruturação nos EUA, em 28 de maio.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...