segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Gabriel Cesar

 Opinião impopular (com números):


1- Não houve fraude.

2- A campanha do Flávio foi muito bem.


Classes C, D e E foram diariamente aterrorizadas com:

-fim do bolsa família,

-congelamento de salários e aposentadorias,

-revogação do fim da escala 6x1,

-corte de R$ 200bi de programas sociais,


O brasileiro mais vulnerável quer mais gastos sociais e confia que Lula é o nome para fazer isso. Não adianta Flávio dizer que vai triplicar o Bolsa Família… Numa disputa pra ver quem dá mais benefícios, esse eleitor confia que Lula dará mais mais a ele. Vamos aos números.


Em Carnaubeira da Penha (PE), 83% da população municipal é beneficiária do Bolsa Família. Foi a cidade com maior votação proporcional do Lula, 88,33% no 1° turno e 92,34% no 2°.


Quando a campanha de ameaça de corte de programas sociais convence o eleitor indeciso, isso vira rejeição a Flávio. Ou seja, aquele eleitor está disposto a votar em qualquer um, menos no Flávio. O voto por rejeição também explica o erro das pesquisas, que têm dificuldade de captar esse voto enrustido.


O voto enrustido é justamente parte do voto desses 10 milhões que não votaram no 1° turno em Lula - mas foram convencidos a ter mais medo do Flávio. Essa parcela foi convencida de que Lula seria o “mal menor”. Ela ainda achava Lula ruim o suficiente para ter vergonha de respondê-lo na pesquisa, mas no escurinho da urna votaram 13 contra os “cortes”.


Não vou nem adentrar na teoria da fraude, pois a redução da abstenção total (3M) foi menor que a diferença total da eleição (4.4M). Ou seja, mesmo se 100% dos votos de redução de abstenção tiverem sidos roubados pelo mesário (o que é impossível), isso não mudaria o resultado.


O erro da teoria da fraude é achar que todos os votos adicionais de Lula precisam vir dos 14 milhões que não votaram nem Lula e nem Flávio no 1° turno. Essa premissa é que força a conclusão de que Lula precisaria levar 70% dos votos em disputa. Isso é muito difícil.


O mais provável? Mais votos estavam em disputa do que estes 14M: parte dos votos de Flávio virou, em especial os das classes C, D e E, bombardeadas pela campanha de cortes/congelamentos de programas sociais. Enquanto Flávio falava de proposta, Lula falava do risco do eleitor perder o sustento. Prevaleceu o medo. E é aqui que acho que Flávio foi bem.


Lula ganhou 10 milhões de votos a mais, mas terminou só 4.4 na frente. Como?


Flavio manteve a vantagem de 2.2M no saldo de votos do 1° turno.


E ainda agregou mais 3.4M.


Vocês acham que isso é pouca coisa? Que a campanha de Lula não fariam essa mesma campanha de terrorismo eleitoral contra Tarcísio, Cury, Caiado? É só olhar pro passado: Flavio perdeu por 3,6%. José Serra e Alckmin perderam de 19% e 12% de diferença pro PT mesmo com Mensalão. Aécio perdeu por margem de 3,2% mesmo no meio do Petrolão. Nenhum deles tinha Bolsonaro no sobrenome e isso não os impediu de sofrer o terrorismo eleitoral do PT.


O que fica de lição?


Lula herdará um déficit gigantesco do seu próprio governo, ele contratou a própria crise.


A oposição precisa decidir se cai na armadilha de brigar com o resultado ou se aproveita essa oportunidade para salvar o Brasil. O Lula de 2026 é muito parecido com a Dilma de 2014: assume com vitória apertada, sem maioria no Congresso e com crise contratada. Todos sabemos como terminou aquele governo.


Com uma boa gestão de oposição, temos uma oportunidade de mostrar um caminho diferente ao Brasil: defesa de reformas (PEC não vai à sanção ou veto), impeachment de ministros que cometeram crime de responsabilidade (outra que não passa pelo presidente), um Congresso de fato atuante.


Precisaremos de uma oposição forte e ativa. Dobrar a aposta na teoria da fraude é algo que tem tudo para censurar a oposição com zero ou pouca chance de retorno concreto.


Entendo os indignados, eu trabalhei muito por um resultado diferente... Por isso, digo que precisamos de SABEDORIA para superar as turbulências e aproveitar as oportunidades que virão. Ao trabalho. Haverá muito.

Thomas Conti

Autópsia da defunta campanha da direita, baseada na mais pura opinião pessoal:

- Jair nomear Flávio como sucessor para garantir alguém que o tirasse da cadeia foi o erro maior da campanha. Arriscou que o sobrenome carregaria um nome fraco, sob pena de ficar sem presidente algum. Era evidente que Tarcísio era um candidato mais forte e que conseguiria montar uma coalizão maior, mas precisaria da benção de Jair mobilizando o eleitorado cativo dele. Deu no que deu.

- Flávio começou sua campanha corrigindo os erros maiores que a campanha derrotada de Jair cometeu em 22. Não criticou as urnas, não criticou vacina, não insistiu em falar de armas de fogo. São três temas que não tem apoio da maioria dos brasileiros, mas que o pai não conseguia largar. Mais que isso, evitou até usar demais da imagem do pai. Provavelmente sabia que quem se importava com isso já era voto no bolso dele, e não queria trazer para ele a rejeição mais alta que o pai tem.

- Resultado do 1º turno mostrando um resultado para Flávio muito melhor que as pesquisas indicavam, e elegendo toda a direita para o legislativo, subiu à cabeça. Ficaram extremamente confiantes na vitória. Não dá para culpá-los tanto por isso, afinal uma virada eleitoral entre 1º e 2º turno nunca tinha acontecido. Mas prudência é bom.

- Após o 1º turno essa confiança mudou parte do tom da campanha. Marçal ganhou mais espaço. Aparece hostilizando indecisos, dispensando e ofendendo eleitores de Renan Santos. Muito, muito ruim. Isso é clima de "já ganhou" total. Estão concorrendo com alguém que já foi presidente três vezes e acham que podem dispensar 3 milhões de votos??? Isso é puro ego e burrice. E não ofende só o pessoal do Missão, não, porque muitos indecisos também viram isso. Se fazem pouco caso de 3 milhões de pessoas imagina o espectador independente que só tem 1 voto para depositar?

- Nem uma semana depois do 1º turno, Flávio grava vídeo prometendo que quem passará a faixa presidencial para ele será o próprio pai. Aqui fica claro o clima de "já ganhou", e que o poder subiu à cabeça. Quem deveria passar a faixa é o atual presidente, não o pai - que, aliás, fugiu do país e não se dignou a passar a faixa. Até as tradições do país estão abaixo  dos interesses particulares da família?

- O primeiro debate presidencial focado em atacar sem parar com ofensas. Vestiu a roupa, o estilo e a profundidade de conteúdo de Marçal. Como não participou de debates no 1º turno, aquela foi a primeira impressão de muita gente sobre quem era Flávio Bolsonaro. E não foi boa.

- Mudanças de pauta. Flávio passou o 2º turno copiando ideias e pautas ruins de Lula, ou criando novas ideias ruins dele, como o calote nas dívidas bancárias. Em parte, faz sentido essa estratégia. Se as propostas forem muito parecidas a eleição vira sobre quem você gostaria que tocasse aquelas propostas, e Flávio estava confiante que ele ganharia nesse embate. De novo, ego. Talvez para alguns eleitores ele tenha passado a imagem de falso e seria melhor bancar alguma das decisões históricas dele, para marcar uma mudança com a situação atual.

- Vídeo do Nikolas sobre o nordeste. Não me parece que tenha pego bem. Reforçou estereótipos diversos, especialmente o de se julgarem salvadores da região mesmo sem terem nada a mostrar nesse sentido. Os vazamentos da gravação depois pegaram muito mal.

- Crimes, mais crimes, e ainda mais suspeitas de crimes. A quantidade de esqueletos no armário que apareceram sobre Flávio nessas poucas semanas foi muito impressionante. Praticamente todo dia aparecia um novo vínculo suspeito, uma transação não-explicada. Ser o candidato novo e que deveria passar a imagem de mudança, mas não conseguir peitar de frente o PT no quesito corrupção, é um fracasso incrível. Mas 100% previsível para quem sabia um pouquinho que seja do histórico dele. Obs: TODOS os políticos com nome grande na direita sabiam desde o começo desse histórico sujo do Flávio, para eles não foi surpresa alguma.

- Histórico pouco presidenciável. Difícil pensar que um candidato à presidente vai ter que se explicar por que votou contra licença maternidade. Ou por que foi a favor de tirar a marcação de munições. No contexto dessa eleição, ele também começou falando contra o fim da escala 6x1 e terminou apoiando no discurso. Começa com cortar R$200 bi e termina sem conseguir dizer nada que vai cortar de fato, só gastos a serem ampliados. A imagem que passa é de um oportunista.

- O 2º debate e o caráter pessoal. Usar os 9 dedos de Lula como ofensa foi algo muito natural para o Flávio, esse tipo de piada é refresco nos círculos da direita. Ele só esqueceu que não está falando com sua claque que votaria nele não importa o que ele faça. Para um eleitor indeciso, ver um homem adulto fazer ofensa baixa a um idoso de 80 anos que já foi presidente três vezes é uma demonstração muito ruim de caráter. Depois ele pediu desculpas e as pesquisas mostraram que esse foi o ponto mais alto de Flávio no debate, agradou os indecisos (e foi o que mais desagradou os bolsonaristas). Em seguida, chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha assassinada, de novo uma demonstração muito ruim de caráter. 

Em resumo, me parece que os erros da campanha da direita começaram no ego de Jair. Flávio começou sabendo bem os temas que precisava evitar para se diferenciar do pai, e foi muito acima do esperado no primeiro turno. O ego inflou e ele mostrou mais de quem ele é. 

A maioria dos brasileiros indecisos não gostou do que viu. Dos 14 milhões de votos totais a mais depositados no 2º turno, 10 milhões foram para Lula.

Considerando que agora Flávio quer contestar o resultado das urnas, a visão negativa que a maioria dos brasileiros formou dele se mostrou correta em tempo recorde.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Um possível governo Flávio Bolsonaro

 PREVISÕES SOBRE O (PROVAVEL) 

GOVERNO FLÁVIO BOLSONARO


Por Hugo Studart

O imperador romano Marco Aurélio registrou em seus Pensamentos que o poder não alteraria a natureza dos homens, mas apenas revelaria a matéria bruta de que seriam feitos. Na política, a transição de poder operaria como o desnudamento das ilusões retóricas em favor da crueza das forças institucionais. 


Isto posto, extraindo-se os discursos e narrativas eleitorais, os indícios apontam que a provável gestão de Flávio Bolsonaro não deve repetir as comoções ideológicas do mandato do pai Jair Messias. Todos os sinais apontam para um governo muito parecido com o de Michel Temer. A prioridade seria consertar a economia, fazendo uso da maioria no Congresso para implementar reformas necessárias, a começar pela do Judiciário, em um modelo fisiológico e liberal de governabilidade. Examinemos os principais pontos do debate:


SUPREMO - A pressão sobre o Poder Judiciário figura como o nó cego da governabilidade, com a composição de forças no Senado a projetar a abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo por impulso da base 

política do presidente eleito. As movimentações apontam prioritariamente para a cassação dos ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, em um desenho de liquidação bilateral de passivos, enquanto a base aliada exigiria ainda as inclusões de Flávio Dino e Gilmar Mendes. Por sua vez, a tentativa de mediação patrocinada por Gilmar sob a premissa da "estabilidade institucional" encontraria forte resistência na base partidária, a restringir a margem de conciliação do Executivo a um ponto intermediário.


DEMOCRACIA OU GOLPE? - Flávio nasceu e cresceu na política da negociação, e se até o pai jogou "dentro das quatro linhas" quase todo seu mandato, não haveria razão para dar golpe de Estado sob a vigilância dos EUA de Donald Trump, como tanto aponta as esquerdas e o PT do presidente Lula. Ora, Exército brasileiro não aceitou as propostas de Dilma Rousseff de implementar o Estado de Emergência; não aceitou nem mesmo a proposta de Jair Bolsonaro. Ademais, a 8 de janeiro o Exército saiu dos quartéis para prender os manisfestantes, não para dar um golpe. Não haveria razão para esse mesmo Exército, nos quartéis há 40 anos, desde 

1985, patrocinar um golpe de Flávio. Golpe por qual razão, se ele tem cerca de 75% do Congresso e, se implementar o impeachment de alguns ministros do Supremo, consegue restaurar o Estado Democrático de Direito que vem sendo 

vilipendiado por Suas Supremas Sapiências. Essa história de golpe é exatamente isso, história, narrativa eleitoral.


PRIVATIZAÇÕES - Uma das peças de campanha de Lula acusa Flávio de querer privatizar tudo e mais alguma coisa, incluindo instituições estratégicas como Banco do Brasil e Petrobras. De fato, há um debate interno entre os formuladores do Programa de Governo. Um dos membros da equipe que elabora o Plano Econômico, Marcelo Kayat, defende uma privatização radical, inspirado no 

modelo que Paulo Guedes gostaria de ter implementado. Contudo, os dois maestros da equipe, Adolfo Sachsida e Daniella Marques, defendem vender as estatais desnecessárias, "cabides de emprego", como já acusou Flávio, e valorizar as estatais estratégicas, como a Caixa Econômica Federal. Um modelo de gestão 

liberal moderada semelhante à de Henrique Meirelles no governo Temer. As declarações públicas de Flávio apontam que já se decidiu por Danielle e Sachsida.


RELAÇÕES EXTERIORES - Tudo indica que o Itamaraty foi entregue à senadora Tereza Cristina, que já anunciou que pretende priorizar a diplomacia comercial. Ela também se lançou candidata à Presidencia do Senado; nesse caso, indicaria um embaixador de sua confiança para o cargo. Eduardo Bolsonaro ja foi informado que descartado da formulação direta. Descartado até mesmo como embaixador na América de Trump, seu sonho de consumo.


ALINHAMENTO COM TRUMP - Sim, tudo indica que vai acontecer. Mas qual o real entrave? A gestão Lula alinhou o Brasil ao regime imperialista e predatório da China, entregando nossos recursos naturais aos chineses como faziam as velhas repúblicas de bananas com os americanos. O Brasil republicano nasceu sob inspiração do primo rico do Norte; nossas instituições foram espelhadas na maior democracia do mundo e há dois séculos orbitamos sob a zona de influência 

econômica e cultural norte-americana. Trocar esse eixo pela China não tem lógica. Argumentam que Trump é de direita, histriônico e inconsequente — verdade, mas é passageiro. Houve sobrenatural incômodo na aliança histórica com os Estados Unidos sob Carter, Clinton, Obama ou Biden? Suportem Trump por mais dois anos e o sobressalto passa. Mas o alinhamento de Estado permanece.


CÉREBRO PENSANTE - No governo do pai Jair, o epicentro das decisões era ocupado pelos três filhos: Flávio 01, Carlos 02 e Eduardo 03. Muitos militares e alguns políticos tentavam influir; Paulo Guedes até conseguia nas questões econômicas. Contudo, ao fim e ao cabo, tudo passava por eles. Já na futura gestão de Flávio, o centro pensante passa a ser o senador Rogério Marinho, coordenador geral da campanha presidencial. Racional, pragmático e executivo, há duas opções para Marinho: a Casa Civil ou a Presidência do Senado, opçãomais provável. Afinal, no início do mandato, boa parte do poder deve se deslocar 

para o Senado, onde vão ocorrer os impedimentos e de onde vão sair as reformas, como a do Judiciário. Na Câmara, a articulação aponta para o retorno de Arthur Lira.


EDUCAÇÃO, CULTURA, MEIO AMBIENTE - No governo do pai Jair, as três pastas foram entregues a gestões ideológicas. No caso da Educação e da Cultura, cada pasta acumulou a marca impressionante de cinco ministros em quatro anos. Sob a provável gestão de Flávio, contudo, a Educação deve ser exigida pelo Centrão. A grande novidade é a provável transferência das universidades federais para a 

estrutura do Ministério da Ciência e Tecnologia. Já a Cultura permanece como uma incógnita: existe a hipótese de o irmão Carlos Bolsonaro, senador eleito, reivindicar a área para implementar seu próprio projeto ideológico. Por fim, no Meio Ambiente — outro setor turbulento sob o pai —, ganha força a entrega da pauta ao ex-comunista Aldo Rebelo, mantendo distância tanto do negacionismo de Jair quanto da devastação observada no governo Lula.


SEGURANÇA PÚBLICA - Uma de suas promessas prioritárias de campanha. A tendência é a de que Flávio inicie seu governo com uma gestão de impacto, recriando o Ministério da Segurança Pública e colocando um homem forte no comando, como Ronaldo Caiado. Deltan Dallagnol, símbolo da Lava Jato, deve ganhar ministério se não conquistar o mandato de senador.


DINASTIA BOLSONARO - Se dependesse do exilado Eduardo Bolsonaro, haveria monarquia autocrática com dinastia — filho sucedendo pai, irmão passando o bastão para outro irmão. Mas essa hipótese está descartada. Flávio já negociou com a Faria Lima apoiar Tarcísio de Freitas na próxima eleição presidencial. Nesta, Tarcísio cumpre a sua parte. As dúvidas recaem sobre a extensão do mandato de Flávio: se de quatro ou oito anos, ou se ele vai mesmo propor uma PEC alterando o sistema para mandato único de cinco anos.


MILÍCIAS - Uma das grandes restrições a Flávio é seu passado de amizades com políticos e policiais acusados de ligações com as milícias do Rio de Janeiro. Nesse ponto, não difere muito das suspeitas de ligações entre o PCC e alguns deputados do PT de São Paulo. É bem possível que aliados do Rio ligados às milícias ganhem 

cargos em Brasília na área de segurança. Será péssimo. Mas as nomeações não devem resistir a três dias de noticiário.


PODER DO PRAGMATISMO - A história das instituições republicanas demonstra que a euforia das urnas se dobra à rigidez dos orçamentos e à aritmética do Congresso. O governo Flávio Bolsonaro se desenha não como revolução ideológica, mas como um exercício de sobrevivência política centrado na recomposição das contas públicas. O poder cobra o seu preço em pragmatismo.

Um cidadão indignado

 Visto e lido por aí....


"Sou brasileira e como estou cansada de dizer, vivo em Portugal há 20 anos e, ao longo desse tempo, aprendi que viver num país diferente daquele onde nascemos exige adaptação, respeito pelas leis, pelos costumes e pela maneira como aquela sociedade funciona.


Ao acompanhar as notícias sobre as manifestações pela habitação em Lisboa, especialmente a participação de uma brasileira como porta-voz de um movimento que acabou com acampamentos desmontados, dezenas de detenções e atos de vandalismo, confesso que fiquei bastante incomodada.


Não sou contra manifestações, muito menos contra o direito à habitação. Sei que Portugal atravessa uma crise habitacional grave, que os salários não acompanham o custo de vida e que muitas famílias enfrentam enormes dificuldades. São problemas reais que precisam de soluções sérias.


Mas uma coisa é reivindicar melhores condições de vida, outra é transformar um protesto numa situação de desordem. E quando vejo notícias de vandalização de monumentos históricos, como aconteceu com a estátua de D. Pedro IV, no Rossio, a minha indignação é ainda maior. Estamos a falar de património histórico e cultural português, que pertence a todos e merece ser preservado. Não consigo compreender como alguém pretende defender uma causa legítima desrespeitando aquilo que faz parte da história de um país.


O que também me incomoda é ver uma imigrante brasileira assumir uma posição de destaque num protesto com estas características. Não por ser brasileira, porque eu também sou, mas porque acredito que, quando escolhemos viver noutro país, precisamos de compreender e respeitar a sociedade que nos acolhe. Isso não significa aceitar injustiças em silêncio, mas também não significa querer fazer tudo à nossa maneira.


O Brasil vive há anos uma polarização política que, na minha opinião, se tornou insuportável. Ou se é de direita ou se é de esquerda, e parece que já não existe espaço para o bom senso. Tudo vira uma guerra ideológica. E sinceramente, não gostaria de ver essa mesma mentalidade transportada para Portugal. Saímos do Brasil, mas parece que, em alguns casos, o Brasil não sai de nós.


Nestes 20 anos, procurei adaptar-me à vida portuguesa sem deixar de ser brasileira. Nunca senti necessidade de impor os meus costumes ou a minha maneira de pensar. E tenho uma opinião que pode não agradar a todos: quem decide emigrar precisa de estar preparado para enfrentar dificuldades. Se não consegue manter-se ou não se identifica com a realidade do país que escolheu, regressar ao país de origem também é uma opção. Não podemos esperar que o país de acolhimento se transforme naquilo que gostaríamos que fosse.


Quanto à intervenção policial, se houve excessos, devem ser investigados. Mas também não podemos assumir automaticamente que toda a ação da polícia perante uma manifestação seja repressão, principalmente quando existem situações de desobediência e danos ao património público.


Portugal tem os seus problemas, muitos deles graves, e precisa de soluções. Mas não acredito que importar a radicalização e os confrontos políticos que tanto desgastaram o Brasil seja o caminho.


Até alguns anos atrás, tinha orgulho de ser brasileira, mas acho que o brasileiro de hoje deixa - e não é pouco - á desejar. Também tenho um enorme respeito pelo país onde escolhi construir a minha vida. Para mim, adaptar-me a Portugal nunca significou perder as minhas raízes, mas compreender que viver aqui não é tentar transformar este país numa cópia daquele que deixei para trás.


Reivindicar direitos é legítimo. Desrespeitar a história, as leis e o património de um país não deveria fazer parte de nenhuma reivindicação.


Ser Imigrante Também É Saber Respeitar O País Que Nos Acolhe"

Hugo Studart

 COMO BRIZOLA FORJOU LEONEL 

Poucos sabem, mas o líder político Leonel Brizola não se chamava Leonel. Nasceu Itagiba. Em 1923, quando tinha 1 ano, seu pai morreu degolado em uma daquelas revoltas armadas que sempre assolaram os pampas. Fazia parte das tropas de um caudilho maragato, o general Leonel Rocha. Itagiba passou a infância brincando de peleias; ele sempre era, com muito orgulho, o general Leonel. Aos 13 anos, quando foi para a cidade aprender a ler e escrever, teve que se registrar. Quando o escrivão lhe perguntou o nome, não tergiversou: Leonel de Moura Brizola. 


Acabo de ler a primeira referência a Leonel, o ídolo de Itagiba. A história se passa no conturbado governo de Artur Bernardes (1922-1926), quando explodiram revoltas armadas contra as oligarquias da Velha República para todo lado: Rio de Janeiro, com os 18 do Forte, Rio Grande do Sul e São Paulo, desencadeando a coluna de "revoltosos" liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, chefiada pelo major Miguel Costa e tendo como seu adjunto o capitão Luiz Carlos Prestes (movimento este que restou registrado pela História como Coluna Prestes)


A revolta dos pampas foi a pior, uma verdadeira guerra civil, desencadeada quando o caudilho Borges de Medeiros consegue se reeleger, na esteira de Bernardes,  para o sexto mandato como presidente do Rio Grande. A guerra civil, iniciada em janeiro de 1923, espalha-se pelo Estado, da Serra Gaúcha até a fronteira com a Argentina. Foram 13 batalhas, quase todas lideradas pelo general Honório Lemes. Leonel Rocha  era um dos comandantes "revolucionários", que liderou uma batalha na região de Carazinho, onde nasceu Brizola.


Em dezembro de 1923 o presidente Bernardes conseguiu negociar um acordo, com armistício e anistia, no qual a Constituição gaúcha fora alterada para impedir a reeleição de Borges de Medeiros (com a vitória politica dos rebelados, abriu-se caminho para que em 1927, em conluio oligarquico e fraude nas urnas, escolhessem governador o jovem ministro da Fazenda, um tal de Getúlio Vargas).


Mas muitos já haviam sucumbido com a revolução de 1923, dentre eles Brizola-pai. Contudo, naquela "revolução" seria forjada, ainda criança, um dos mais relevantes líderes políticos da história brasileira.


Votei em Brizola, sempre no primeiro turno, em 1989 e 1994. Hoje lamento o legado de caos que deixou em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Foi ele quem permitiu que o tráfico tomasse conta dos morros cariocas. Um mal até hoje não consertado.


Hugo Studart


Das lembranças de há 6 anos)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Boi de piranha

 *CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que Lula será o culpado se algo acontecer com ela ou com suas filhas*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger diz à CNN Brasil que está sendo ameaçada de morte*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger: Quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger, quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Sei, pela mídia, que Antonio Camilo e Lulinha ficaram amigos e viajaram*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vi Lulinha sentado com ministros de governo inúmeras vezes*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha viajou para casa do ministro Camilo Santana no Ceará*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha já participou, ouviu e esteve em pautas relativas a políticas públicas*

 *CNN BRASIL: Luchsinger: Presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil*

 *CNN BRASIL: Luchsinger cita reunião com inúmeros ministros, como Frederico de Siqueira Filho (Comunicações)*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vou fazer delação premiada; se o que eu fiz for crime, vou responder*

 *CNN BRASIL: Luchsinger desmente Lula e afirma que Lulinha já se reuniu com o ministros*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que ministros do governo Lula pediram favores a ela*


*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que não poupará ninguém em sua delação, nem o presidente nem o filho do presidente*

*CNN BRASIL: O filho dele vivia comigo pra cima e pra baixo. Acho que ele está esclerosado.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, posso trazer detalhes que não estão em whatsapp*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lula tem que conversar melhor com o filho.

 *CNN BRASIL: Luchsinger: diz que Lula precisa perguntar a Lulinha com o que ele trabalha*

*CNN BRASIL: Luchsinger cita relação de Lulinha com construtora portuguesa, Lula sabia*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula está a coagindo por dizer que ela é pilantra*

*BREAKING - Lulinha esteve com ministros e Lula mentiu, diz Luchsinger*

*FOLHA: Amiga de Lulinha afirma que quer fazer delação premiada e chama presidente de mentiroso*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula não pode continuar na presidência do Brasil*

*CNN BRASIL: Lula me colocou como "boi de piranha", diz Luchsinger.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, há como colaborar com o que assisti, sem ter participado*

Sergio Bulgacov

 Desde minha incursão pela esquerda, quando jovem, pude conhecer mais de perto suas práticas, contradições e a realidade de suas entranhas, tornei-me liberal e de direita por convicção. Essa mudança não ocorreu por acaso, mas pela observação de suas práticas e ideais ao longo da história, bem como pelas experiências em diferentes países.


A direita também tem suas contradições, mas considero seus princípios e propostas mais realistas e próximos dos desafios concretos da sociedade.


Para esta eleição, meu candidato era Tarcísio. Não foi possível.


Resta-me, agora, a esperança de uma alternância de poder que traga mudanças efetivas, especialmente naquilo que, a meu ver, nunca recebeu da esquerda a atenção e a prioridade necessárias, no Brasil e em outras partes do mundo.


Refiro-me a questões fundamentais:


- Educação e universidades que realmente façam a diferença na formação das pessoas e no desenvolvimento do país.

- Fortalecimento das instituições, com respeito às leis, à democracia e à responsabilidade pública.

- Investimento em ciência, tecnologia e produtividade, tanto no setor público quanto no empresarial.

- Segurança pública, para que o cidadão possa exercer o direito elementar de andar livremente pelas ruas, sem medo.

- Combate efetivo ao narcotráfico e ao avanço do crime organizado.

- Aprimoramento do SUS, reconhecendo suas virtudes, mas enfrentando suas deficiências.

- Presidente e ministros que saibam o que está acontecendo e compreendam os problemas do país, e assumam a responsabilidade por elas.

- Valorização do mérito no serviço público, com competência e qualificação como critérios fundamentais de seleção e ascensão profissional.


Não há transformações instantâneas. Mas estou convencido de que, se conseguirmos melhorar apenas 10% em cada uma dessas áreas, o Brasil será o melhor país do mundo.


Mais um aspecto que considero fundamental: causa-me estranheza e até constrangimento observar colegas professores que convivem diariamente com os graves problemas de suas universidades, comportando-se como se eles simplesmente não existissem.


Jamais consegui aceitar essa postura de indiferença, muito menos a conivência com o descaso institucional e o acobertamento sistemático de problemas que deveriam ser reconhecidos, discutidos e enfrentados com responsabilidade.


A universidade não pode exigir espírito crítico da sociedade enquanto se recusa a exercê-lo sobre si mesma.


Tornar a crítica mais contundente reduz as repetições e ganha fluidez e competencias.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Amilton Aquino

 Lula deu ontem sua última cartada. Às favas com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com a legislação eleitoral, que proíbe tudo o que está sendo feito agora, na cara dura, sem qualquer freio — nem do Congresso, nem do Judiciário. Tudo virou um oba oba. Ninguém quer fazer o papel de adulto na sala. Então, vamo que vamo, depois a gente resolve!


Sim, o pacote de bondades aprovado ontem (estimado na casa dos R$ 250 bilhões, fora o que já foi empenhado até aqui) certamente terá impacto eleitoral. Não sei se o suficiente para Lula virar o jogo, mas certamente vai transformar o próximo mandatário num refém das circunstâncias.


Não estamos escolhendo um presidente, mas um estelionatário eleitoral que, seja ele qual for, terá de mudar a rota atual, promovendo algum tipo de ajuste: recessivo, via corte de gastos; inflacionário; ou uma combinação dos dois (o mais provável), que nos colocará num quadro de estagflação.


E por que a situação é insustentável? Ora, quando Lula assumiu, o governo Bolsonaro havia pago, em 2022, escandalosos R$ 586 bilhões em juros da dívida pública. Sabe quanto o governo já pagou até aqui em 2026? R$ 1,18 trilhão! Não acredita? Dá uma googlada.


Não é por acaso que, mesmo promovendo seu festival de populismo, Lula já não encanta metade da população — ou mais da metade, como veremos no próximo dia 28 — com seus pacotes de bondades. Existe um mal-estar tão generalizado que estamos próximos de eleger não apenas um corrupto qualquer, mas justamente o cara que levou seu pai a rifar todo o espírito de combate à corrupção que o conduziu ao poder, em troca de blindagem contra investigações envolvendo seu filho rachador.


Pelo menos nesse quesito, Lula foi mais honesto, afirmando, mais uma vez, a respeito do próprio filho, flagrado em mais um episódio de corrupção: “Se ele dever, que pague”.


Mas, afinal, o tal pacote de bondades aprovado ontem será capaz de virar o jogo?


Acho difícil. Como já disse aqui, quem vai decidir essa eleição é a turma do meio, que rejeita ambos. Essa turma entende um pouco mais do que está acontecendo do que a média da população e sabe que a situação econômica é insustentável e que eleger Lula significa dar ao PT pelo menos mais 30 anos de domínio absoluto no STF.


Vai tapar o nariz e tacar 22 na urna. Essa é a minha aposta.


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Correção: “Honesto” é uma palavra que não se aplica a Lula. Na verdade, ele age com o próprio filho como age com qualquer um: sacrifica-o para se safar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Eleitor papagaio

 Eleitor papagaio e o preço que ninguém quer pagar


Temos um problema grave no debate público brasileiro: muita gente não analisa, só repete.


Repete slogan de populista, repete narrativa pronta, sem perguntar quanto custa, quem paga e quais são os efeitos da decisão.


Do lado da esquerda festiva, isso virou um ritual. Fala-se em "democracia" o tempo todo, mas se pratica o oposto: patrulha, cancelamento, arrogância moral e intolerância ao contraditório. Para muitos, democracia não é valor, é instrumento para ocupar espaço e garantir vantagem.


Somem-se a isso o conluio entre política e cúpula do Judiciário e a corrupção cínica, praticada com a certeza da impunidade. Resultado: uma geração que perdeu a noção do que é certo, ético e honesto.


A conta sempre chega. Chega como inflação, juros altos, dívida pública insustentável e serviço público precário.


O Brasil não precisa de mais repetidores de slogans. Precisa de cidadãos com senso crítico para fazer a pergunta básica: quanto custa e quem vai pagar?


#economia #política #democracia #responsabilidadefiscal #sensoCritico

domingo, 11 de outubro de 2026

Xico Graziano

 "Acordei nesse domingo pensando em Lilia Schwacz e sua fake news sobre o Pix. O que leva uma personalidade a fazer uma besteira dessas?

Professora de Antropologia da USP e Global Scholar de Princeton, escritora premiada, dona da editora Cia das Letras, alta sociedade, Lilia foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em março de 2024. Assenta na cadeira 9, tradicionalmente ocupada por literatas com perfil voltado à diplomacia, à pesquisa histórica, à antropologia e à ciência.


Falta de cultura e de informação não se poderá acusar a professora Lilia. Está acostumada aos longos debates sobre a história do Brasil. De onde vem a vulgaridade expressa em seu mentiroso selfie?


Sorridente, estilo jocoso, a acadêmica Lilia diz que vai usar o Pix "o máximo que puder agora pois se, por acaso, o Flávio ganhar ele vai acabar com o Pix a mando, sabe de quem? Do Trump".

Sinceramente, pergunto: ela sabia que tal informação se tratava de uma notícia falsa? Mesmo assim, a levou adiante?


Ou acredita, realmente, que a vitória de Flávio Bolsonaro deixará nosso país subserviente aos EUA de Donald Trump?


Percebam a gravidade do fato. Lilia não é uma reles influencer, daquelas (es) imbecis que vivem de lacração, com pensamentos rasos. Não, ela é uma notória intelectual e empresária. Estuda a vida toda.


Repito a pergunta inicial: o que a motivou a gravar esse infeliz selfie? Tinha tomado umas, ficado meio fora de si?


Em seu discurso de posse na ABL, há 2 anos, a professora afirmou que "Fortalecer instituições é a carpintaria da República, e é dessa marcenaria que precisamos cuidar, pois cidadania se faz assim: cada pessoa pratica a partir do seu quintal".


Qual seu conceito de CIDADANIA, profe, utilizar seu cartaz na alta sociedade para enganar as pessoas simples?


Do alto de seu quintal, achar que nós somos trouxas, em acreditar numa idiotice eleitoral dessas? 


Eu quero compreender, não denegrir, pois estou inconformado em ver uma pessoa ilustre, educada e estudada, que não gosta de aparecer, vir na rede para alavancar uma notícia falsa. Carpintaria da mentira?


A única explicação que encontro vem do mundo da lua. Quer dizer, pessoas que vivem nessas bolhas acadêmicas perdem a noção da realidade. Vivem um mundo de fantasia.


É típico da esquerda intelectual no Brasil, cuja formação vem dos anos de 1950/60, quando o paradigma comunista dominava boa parte da cultura, das artes e da intelligentsia. O mundo mudou, eles continuaram falando na luta de classes. Vejam seus filmes.


Sem o perceber, viraram eles fakes deles próprios. Fingem ser o que não são. Não é política. É ideologia velha.


Funciona para quem é rico."


https://x.com/xicograziano/status/2109239359991898587

sábado, 10 de outubro de 2026

Hugo Studart

 (Lembranças de há 4 anos)

BOLSONARO É FASCISTA? LULA É COMUNISTA?

Ontem uma jovem amiga quis minha opinião sobre o fascismo de Bolsonaro e, ainda, citou Hannah Arendt. Respondi que nem Bolsonaro é fascista, de acordo com os conceito de Arendt (ainda que tenha dois filhos que tentam ser, Eduardo e Carlos); muito menos Lula e comunista (ainda que esteja cercado de marxistas). Ambos são MESSIÂNICOS, respondi. Hoje o FB trouxe nas lembranças um fragmento de ensaio de minha autoria sobre o Messianismo Político, de acordo com os conceitos do filósofo Ernest Bloch, em "Princípio Esperança". Eis:


1 - MESSIANISMO POLÍTICO - É a aliança da vanguarda política com a teologia. A ideia é a de um grupo de vanguarda escolhido para levar a Luz. Esse grupo tem uma missão, uma função que transcende os interesses de um povo. Com Paulo de Tarso, aliança deixou de ser com um povo, o de Israel, e passou a ser com um povo mais amplo, a Igreja. A partir de Marx e Lenin, a aliança passa a ser com toda a Humanidade. Stalin leva o conceito à prática. A Jihad Islâmica também, por outros caminhos. 

No Brasil, temos o PT, o PSol e etc de um lado, sob a liderança de Lula; e os políticos evangélicos de outro, que aceitaram Bolsonaro como o Messias, se apresentando como legítimos portadores do facho de luz.


2 - O PROFETISMO - É típico das religiões messiânicas. Há homens que vão na frente. Não representam a sim mesmos; são “mediadores”, “anunciam”. O profeta é simultaneamente: profeta, chefe militar, chefe político, chefe religioso, chefe legislador e julgador, tudo numa só pessoa. Messianismo está intrinsecamente vinculado à ideia de Vanguarda. Profeta messiânico é o próprio Deus feito Homem, apontando o caminho para a Terra Prometida. Lula é o que tínhamos (ou temos?) de mais próximo a um Profeta a apontar o caminho para a redenção social.


3 - VANGUARDA - Século 18 trouxe novas cartas semânticas. Conceito de Civilização: define estágio dos povos, um superior ao outro, comparação e e hierarquização das culturas. Também o conceito de "vanguarda" que traga a redenção de um grupo inferior. Palavra vanguarda é posterior. Na época, ideia de quem vai á frente levando um "facho de luz". Por isso Iluminismo. 


4 - REVOLUÇÕES - O fundamento revolucionário é a que escatologia (fim da historia) chegue mais cedo, acelerar o metabolismo social. Robespierre quando radicaliza: “É preciso acelerar a historia”. Revolução acaba assim: Jacobinos matando girondinos, Stalin a Trotsky...


5 - FÉ CEGA, FACA AMOLADA - Hannah Arendt, em "Origens do Totalitarismo", classificou as Organizações de Vanguarda que sustentaram o comunismo, o fascismo e o nazismo de "seitas esotéricas". Criam realidades paralelas, sustentadas pelo maniqueísmo. "Nós somos a verdade, o caminho e a luz"; "quem não está conosco está contra nós"; "se nós somos a luz, os outros são as trevas". "A Luz precisa extirpar as trevas"...


Eis o que está em disputa no Brasil.


Obviamente me coloco na velha escola weberiana, que deseja a política dentro dos limites da racionalidade. 


Espero estar contribuindo com o debate


(Hugo Studart)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

OESP

 “Desnorteado depois da pancada nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um salve "urgente" nas redes sociais com três "recados" à militância petista. Primeiro, que tenham "humildade" e "não falem mal do eleitor que não votou na gente". Depois, que sua candidatura é "a única antissistema" e que a "promiscuidade" do Supremo Tribunal Federal (STF) foi jogada nas suas "costas". Por fim, que o crime organizado atua como uma "multinacional" e que lugar de bandido é na "cadeia". Ou seja, Lula quer que o eleitor esqueça quem ele sempre foi: arrogante, não humilde; associado ao "sistema", sobretudo ao STF; e leniente com o crime organizado.


Recorde-se que o PT "antissistema" que Lula acaba de inventar recebeu cinco dos últimos seis mandatos presidenciais. Por 18 anos, negociou orçamentos, costurou coalizões, manuseou estatais, distribuiu subsídios e aparelhou gabinetes por toda a República. Nos bastidores, engendrou grossos esquemas de corrupção, como o mensalão e o petrolão. O Congresso, que até outro dia era xingado de "inimigo do povo" pelos petistas, hoje é amigo do PT, embrulhando no atropelo, pelas mãos dos aliados de Lula nas presidências da Câmara e do Senado, pacotes eleitoreiros bancados pelo contribuinte. Uma legenda assim pode reivindicar muita coisa, exceto a credencial de rebelde em Brasília.


O governo escandalizado com a "promiscuidade" do STF passou quatro anos recorrendo a ele ora como polícia da democracia, para perseguir adversários, ora como terceira casa legislativa, para abater legislações que o desagradavam e empurrar goela abaixo as que o interessavam. Na campanha, suas tropas de choque togadas meteram todos os dedos na balança eleitoral. O presidente que agora se diz preocupado com o "critério" de indicação ao STF é o mesmo que indicou seu advogado pessoal.


Em 2022, Lula declarou que a vitória da tal "frente ampla", que o colocou na Presidência, não era sua nem do PT, mas de um "imenso movimento democrático" contra o bolsonarismo. Tão logo se aboletou no Planalto, o hoje "humilde" Lula escanteou aliados, governou só com o PT e deu as costas a eleitores centristas, abraçando as pautas da esquerda antediluviana. Quatro anos depois, roga aos seus bate-paus que tratem com carinho os independentes de cujos votos agora precisa desesperadamente.


Chega a ser um insulto à inteligência e à memória. Em 2013, quando o PT vivia o auge do poder e da arrogância, a musa intelectual das esquerdas, Marilena Chauí, explicou num evento com caciques petistas, entre palmas da plateia e risos de Lula, que "odeia a classe média", porque ela é um "atraso de vida", "petulante" e "terrorista"; uma "abominação cognitiva", "ética" e "política", "porque ela é fascista". Eis a velha pedagogia petista: quem vota no PT é esclarecido; quem não vota é "fascista". Pior: se for pobre, é ingrato, razão pela qual o "pobre de direita", que não vota no PT, já virou personagem folclórico nos tratados da intelligentsia petista.


Tal como o milagre da recente conversão em massa dos petistas à religiosidade popular, a autocrítica tem hora marcada: a das eleições. Mas São Lula está há tanto tempo embriagado de si mesmo que nem sequer sabe o que é humildade. A mesma postagem que a cobra da militância afirma que "não temos que procurar defeito entre nós". Talvez porque, na sua cabeça, não há o que procurar.


O chefão petista pede agora três semanas de amnésia coletiva. A respeito da segurança pública, por exemplo, quer que o País inteiro esqueça que seus governos nada fizeram contra as organizações criminosas e que a militância lopetista continua a glamourizar bandidos como heróis da luta de classes ou a retratá-los como subproduto das injustiças sociais. Tudo para tentar conquistar um eleitor já vacinado contra as imposturas de Lula.


O nome elegante dessa estratégia é "reposicionamento". O vulgar é oportunismo. Lula pode trocar de discurso, de aliados, de inimigos, de princípios e até de biografia como quem troca de roupa. Mas não pode trocar de povo, e o recado das urnas ao presidente é que o brasileiro está farto de ser tratado como trouxa. Assim como a humildade dos petistas, a paciência do eleitor também tem prazo de validade.”


- Editorial Estadão

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Sergio Garschagem

 Fiquei impressionado - sério! - com a repercussão das minhas experiências nos EUA, entre os anos de 1973/74. Motivou comentários mil. 

Observo que há muitos amigos que viveram nos EUA, no Canadá ou em países europeus, e que foram para lá como adeptos do socialismo, parece que nada apreenderam destas suas experiências. Alguns destes amigos e conhecidos fizeram mestrados e doutorados em países democráticos mas retornaram ainda com as velhas ideias socialistas mofadas.

Tenho um amigo de longa data com três doutorados em diferentes países democráticos e de economias abertas mas que, em recente depoimento na  internet declarou voto ao Lisinácio. Este presidente engana quando afirma ter criado 15 universidades. Aqui em Curitiba ele mudou para Universidade o nome do Instituto Tecnológico, que funcionava há décadas. Fácil criar universidades mudando nomes.

Em meu mestrado em Ciência Política, na Unieuro em Brasília, apenas um dos professores era adepto da economia de mercado, com doutorado na Universidade de Chicago. Li todos os livros indicados por eles e os que mais me fizeram a cabeça eram os aconselhados pelo mestre formado em Chicago, famosa pela formação de profissionais com ideias liberalizantes.

Um dos professores ficou muito chocado quando descobriu que eu não era socialista, Ele não conseguia entender o que lhe parecia ser uma incongruência. Respondia a ele que incongruente era trabalhar em um jornal econômico, mantido por empresários, sendo um verdadeiro socialista. 

O próprio Roberto Marinho empregava repórteres socialistas. "Deixe os meus comunistas em paz", disse ao ex-presidente Médici. O dono de O Globo explicava que se abrisse o jornal para jornalistas de direita corria o risco de perder o poder. 

No Brasil os governos se intrometem em tudo. O Estado é mastodôntico. Basta lembrar que 75% das notícias publicadas diariamente na nossa imprensa têm origem nos Três Poderes, em Brasília. O percentual indica a dependência do país ao governo, quando deveria ser ao contrário. O governo atendendo os interesses de quem trabalha e gera impostos.

É comum lermos os depoimentos de criadores tecnológicos norte-americanos, como Steve Jobs e outros, de que começaram as suas empresas milionárias nas garagens de suas casas. 

Isso seria impossível  no Brasil. Digo por experiência própria. Anos atrás fui convidado para trabalhar como assessor de imprensa de uma Associação federal. Salário muito bom para a época, mas sem carteira de trabalho assinada. Teria de me tornar um MEI (Micro Empresário Individual) para ter nota fiscal ao receber os meus proventos mensais. 

Enfrentei sozinho a enorme burocracia, o que me levou a contratar um contador especializado, que me cobrou R$ 800,00 para providenciar a papelada. Uma boa grana na época.

Coloquei como endereço comercial, a nossa casa em um condomínio rural. Afinal, apesar de micro empreendedor em assessoria de imprensa, só tinha mesmo um chefe e empregador, com quem deveria trabalhar diariamente, em sala a mim destinada.

Tudo correu bem no primeiro mês. Recebi meus proventos, entreguei a NF ao empregador e... recebi uma multa de R$ 800 porque não poderia cadastrar a minha microempresa em um endereço residencial, mesmo que rural. A MEI deveria ter, obrigatoriamente, um endereço comercial, para não incomodar os vizinhos. 

Aleguei ao fiscal que trabalhava redigindo textos em computador, que era - e ainda é - um equipamento silencioso. Aleguei ainda que os meus vizinhos também usavam computadores e trabalhavam em suas casas. 

- Então, por que não posso ter em minha casa, ou em minha garagem, como os americanos, o meu endereço comercial?.

Repetiu o tal fiscal, no mesmo tom professoral, que eu deveria alugar uma sala  em área comercial, e que, como ele bem sabia, ficaria vazia. Aleguei também que ele iria lá e, como a sala estava sempre vazia, deixaria ouras multas por baixo da porta. Sem contar que teria de pagar, além do aluguel, as taxas de condomínio, de água e luz. Nem assim o homem amoleceu a sua alma dura, burocrática e fiscalizadora.

Mas, como todos nós sabemos, a burocracia brasileira se apega a detalhes de somenos importância. Como esta de que não se pode abrir uma empresa na garagem de casa, se não morarmos em uma área comercial.

Ah! Uma boa amiga, arquiteta, solidária com estes meus perrengues fiscais, me emprestou o endereço de sua sala e estúdio, em área comercial. Mas se esqueceu de informar o empréstimo do endereço à recepcionista. O fiscal, claro, foi lá bisbilhotar. A pobre recepcioonista, claro, disse ao fiscal do trabalho que eu não trabalhava naquele endereço. Outra multa de R$ 800. 

Bem, ainda bem que os tais fiscais do trabalho pararam de me perseguir e pude trabalhar em paz pelo prazo de um ano de vigência do tal contrato, sem qualquer endereço registrado. 

Bem, o tal contrato foi suspenso na data aprazada, coincidentemente quando alguém alegou ao presidente da tal Associação que pegaria mal e teria manchetes negativas caso a imprensa descobrisse que, em um dos Três Poderes, havia funcionários que trabalhavam sem a carteira de trabalho assinada. Nem eu, talvez por ser parte interessada, tinha pensado nesta hipótese.

Bem, como o presidente não assinou a minha carteira, corri e contratei o mesmo contador para dar baixa na tal microempresa individual, o que me custou outros mil reais (inflação!) e uma promessa: jurei a mim mesmo que nunca mais abriria outra MEI.

Lulo-petismo e o banco Master

 *Áudios de advogado a Vorcaro mostram insistência para que Mantega defendesse Master a Lula; ouça*

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Banqueiro buscou presidente para defender interesses do Master, citou que era necessário acionar ‘Alexandre’ e disse que Hugo Motta repassou informações de Galípolo. Planalto afirmou que Lula só se encontrou uma vez com Vorcaro e negou favorecimento; outros citados negam irregularidades


BRASÍLIA E SÃO PAULO- Mensagens de áudio do celular de Daniel Vorcaro, obtidas pelo Estadão, mostram que o banqueiro e seu então advogado Walfrido Warde insistiram em 2025 com o ex-ministro Guido Mantega para que se encontrasse pessoalmente com o presidente Lula. O objetivo do encontro seria defender o Banco Master em relação aos questionamentos que o banco já enfrentava no Banco Central.


Lula e Vorcaro se encontraram em dezembro de 2024. Os diálogos mostram que o banqueiro tentou com insistência fazer seus intermediários chegarem a Lula no ano seguinte. O BC vetou a venda do Master ao BRB em setembro de 2025 e, posteriormente, decretou a liquidação do banco de Vorcaro em novembro,


Guido Mantega foi contratado por Vorcaro como consultor por R$ 14 milhões para tratar de assuntos ligados ao governo federal. Segundo apurou o Estadão, o ponto de honra do banqueiro seria tentar fazer chegar a Lula e a outros integrantes do governo que o banco estava sendo injustiçado pelo BC e que as carteiras de crédito repassadas ao Banco Regional de Brasília (BRB) tinham o valor declarado pelo Master. Vorcaro acabaria preso no mesmo ano sob suspeita de fraude nesses ativos.


Procurado, o Planalto afirmou em nota que o presidente se reuniu apenas uma vez com Vorcaro, mas não respondeu se houve conversas com Mantega ou Warde sobre o Banco Master 


Nas conversas, Vorcaro também mencionou que considerava ter o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF), do presidente Lula, da Câmara dos Deputados e do Senado para conseguir aprovar no Banco Central a venda do Banco Master ao BRB. Por isso, ele afirmou que um diretor do BC contrário ao negócio estava “indo contra” essas quatro instituições.


As conversas mostram como Vorcaro tentou mobilizar integrantes dos Três Poderes para pressionar o BC a aprovar a operação envolvendo o Banco Master.


Nos diálogos, Vorcaro e Warde tratam de viabilizar encontros de Guido Mantega com o presidente Lula para defender os interesses do Banco Master.


Em 23 de julho de 2025, Warde tentou telefonar para Vorcaro e menciona ao banqueiro que estava com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro. “Preciso falar. Atende. To com Marcola”, escreveu. Após um desencontro, Warde enviou um áudio a Vorcaro dizendo que Mantega estava em viagem ao exterior mas que seria importante o banqueiro enviar um avião para buscá-lo para conversar com Lula.


“Irmão, deixa te falar, o Guido está em Londres. Só daqui dez dias, mas eu acho que seria o caso de você mandar teu avião lá buscar ele e trazer ele pra encontrar o presidente, veja aí o que você consegue fazer, conversa com ele”, afirmou Warde. Ouça o áudio:


Pouco depois, Warde encaminha ao banqueiro duas outras mensagens, sem identificar o autor. “Descobri o seguinte aqui: o pr falou com guido ontem por telefone, guido informou que esta em londres”, afirma a primeira. “Pr disse que vai chamar assim que retornar”, completa. Trechos dessas mensagens foram divulgados pelo jornal O Globo.


Dois dias depois, Warde enviou outro áudio para Vorcaro dizendo que precisa fazer uma videoconferência deles dois com Guido Mantega para orientar o ex-ministro sobre o Banco Master. Sem mencionar nominalmente Lula, Warde disse: “É urgente, ele vai falar com você sabe quem no domingo”. Ouça o áudio:


*Às 14h18, ele insiste: “Vc pode em 10 minutos falar comigo e Guido?”.*


*Uma hora depois, eles fazem uma conversa telefônica de 23 minutos de duração. “Parabéns. Importante call. Vai dar certo”, escreveu Warde após a ligação. “Muito obrigado”, respondeu Vorcaro.*


Além de acionarem Guido Mantega, Vorcaro também insistiu para que o próprio Walfrido tentasse falar pessoalmente com Lula. No dia 31 de julho, escreveu ao advogado. “Você precisa conversar com o chefe. Única chance nossa”, afirmou.


*Warde mencionou que estava tentando falar com Marcola, o então chefe de gabinete de Lula. “To indo. Marcola em reunião. Já lhe dou notícias”, escreveu. “Ele precisa escutar da sua boca. Que não tem problema nenhum e que o dano que estão causando é irreversível”, disse Vorcaro. “Vou resolver. Vamos desarmar tudo isso”, respondeu Warde.*


*Vorcaro sugere acionar ‘Alexandre’ e cita informações recebidas de Hugo Motta*



Nas conversas durante o período de análise do negócio no BC, Vorcaro mencionou ao advogado Walfrido Warde por diversas vezes a necessidade de obter a interferência de Lula em seu favor. No diálogo de 23 de julho de 2025, diante da dificuldade em viabilizar um encontro do ex-ministro Guido Mantega com Lula para tratar do assunto, Vorcaro sugeriu acionar uma outra pessoa para entrar em campo. “Alexandre”, escreveu a Warde, sem deixar claro se era uma referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Trechos dessas conversas foram divulgados anteriormente pelo jornal O Globo.


Vorcaro também relatou ter recebido informações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma conversa com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. No diálogo de Vorcaro com Motta, o presidente da Câmara afirma que Galípolo iria à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após uma reunião que tratava do Master no dia 17 de julho de 2025. O diálogo não deixa claro se Motta também participou dessa conversa. “Galípolo ficou de ir lá pra casa de Davi quando encerrasse a reunião”, escreveu Motta a Vorcaro, às 20h56. Às 21h55, Motta telefona a Vorcaro e conversa com ele por dois minutos.


Às 22h14, Vorcaro repassou a Warde as informações recebidas. “Galípolo acabou reunião agora. Inventou nova desculpa. Que agora tem erros contábeis. Falou pro Hugo. Não dá mais. Eles não vão fazer”, disse o banqueiro, em uma sequência de mensagens. Depois disso, Vorcaro disse a Warde que deveriam ir para o embate com o BC e pede que o advogado avise Lula. “Avise presidente amanhã e vamos pra guerra”, escreveu Vorcaro. “Vou levar a conhecimento do presidente”, respondeu Warde.


Mais tarde nesse mesmo dia, às 23h16, Vorcaro passou a criticar a atuação do então diretor do BC Renato Gomes, que se posicionou contra a venda do Master ao BRB. Ele sugeriu a Warde que solicitassem a “suspeição” de Renato Gomes. Foi nesse momento que o banqueiro disse que o representante da autoridade monetária estava “*indo contra*” o apoio que ele tinha no STF, no Congresso Nacional e na Presidência da República.


Em 23 de julho de 2025, *Warde conversou com Vorcaro sobre a necessidade de mobilizar Guido Mantega para conversar com Lula, mas passou a discutir um plano alternativo após saber que o ex-ministro estava no exterior. “*Vamos dar um jeito*”, escreveu às 15h49. Vorcaro responde às 15h51 com um nome: “*Alexandre*”. O banqueiro não deixa claro se era uma referência ao ministro Alexandre de Moraes. Warde apenas respondeu: “*Sim. Vou pavimentar*”.


Procurado, Hugo Motta afirmou por meio de sua assessoria, que sua atuação no caso foi dentro da atividade parlamentar. “O contato com o empresariado e representantes da sociedade brasileira é inerente ao exercício da atividade de qualquer parlamentar. Os diálogos publicados não exteriorizam, portanto, qualquer tipo de mácula à minha atuação parlamentar, sendo certo que todos os meus contatos mantidos com integrantes do setor privado sempre foram pautados pela institucionalidade e pela probidade. Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações.” A assessoria de Alcolumbre não se manifestou. Moraes também foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não se manifestou.


*Posicionamento do Palácio do Planalto*


Conforme já amplamente noticiado, o presidente Lula encontrou-se uma única vez com Daniel Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. Vorcaro havia ido ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e o encontro com o presidente não estava previamente agendado. Da conversa também participaram o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e atual presidente do Banco Central. Na ocasião, Vorcaro afirmou sentir-se alvo de perseguições, e o presidente respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. Cabe lembrar ainda que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição.


https://www.estadao.com.br/politica/audios-de-advogado-a-vorcaro-mostram-insistencia-para-que-mantega-defendesse-master-a-lula-ouca/

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Daniella Marques

Daniella Marques leva o legado de Paulo Guedes à campanha de Flávio Bolsonaro.

Edilson Salgueiro para a Oeste:

Aos 13 anos, ainda longe da Faria Lima e mais longe ainda de Brasília, Daniella Marques tinha o hábito de pôr os planos no papel. A menina nascida em Barra Mansa, município localizado no sul do Rio de Janeiro, não economizava nas metas. “Quero ter US$ 1 milhão”, escrevia frequentemente no diário. Conseguiu. A ambição vinha de uma família de classe média. O pai construiu carreira no Banco do Brasil, onde começou como escriturário. A mãe era professora da rede estadual.

Daniella nasceu em 16 de outubro de 1979. Formou-se em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, concluiu pós-graduação em Finanças no Ibmec e entrou no mercado financeiro. Antes dos 30 anos, já havia feito fortuna. Passou oito anos na Mercatto Asset, uma das principais gestoras de recursos do país, da qual se tornou sócia e chefe do setor de renda variável. Em 2013, a Mercatto se uniu a outras duas empresas do setor: a BR Investimentos, fundada por Paulo Guedes, e a Trapezus Asset Management. Essa operação deu origem à Bozano Investimentos. Daniella tornou-se sócia do futuro ministro da Economia e passou a responder pelas áreas de risco, compliance e operações.

A relação profissional entre os dois se estendeu até 2018. Na época, Daniella estava no topo da carreira. Tinha rendimentos anuais na casa dos milhões de reais, carro blindado e vida confortável no Rio. Foi quando tudo mudou. Em julho daquele ano, Guedes levou Daniella ao lançamento da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência pelo PSL, no Centro de Convenções SulAmérica, na capital fluminense. De acordo com o economista, a então sócia se impressionou com o ambiente, as músicas, as placas, as faixas e o entusiasmo dos cidadãos. Ao fim do evento, Daniella pediu para integrar o projeto. “Quero ir para Brasília te ajudar a transformar o Brasil”, disse.

Separada e com um filho de 4 anos, Daniella deixou o Rio e se mudou sozinha para a capital federal. Trocou os rendimentos milionários do mercado financeiro por cerca de R$ 25 mil mensais no serviço público. Depois da vitória de Bolsonaro, Guedes montou uma equipe de 21 dos chamados “supersecretários”. Daniella, nomeada para chefiar a Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia, era a única mulher do grupo. Em Brasília, passou a ser chamada de “superego” de Guedes.

Atuação sem holofotes

Entre antigos colegas de governo, Daniella é lembrada pela capacidade de ler o ambiente político. Essa habilidade se tornou especialmente útil para Guedes, que chegara a Brasília com uma agenda extensa e pouca experiência na política. Daniella passou a ajudá-lo na interlocução com parlamentares, em que uma frase mal colocada podia comprometer a aprovação de propostas importantes. Agia dessa forma sem buscar holofotes. Não gostava de aparecer.

Ela tinha acesso direto a Guedes e despachava com Bolsonaro mesmo quando o ministro não estava presente. Esse protagonismo cresceu sobretudo quando a relação entre Guedes e Rodrigo Maia, então presidente da Câmara, atravessava sucessivos atritos. Daniella servia de ponte. Entre outros projetos de relevância, participou das articulações no Congresso para a aprovação da reforma da Previdência, em 2019, e da PEC dos Precatórios, em 2021.

Mas a atuação de Daniella nem sempre se restringiu aos bastidores. Em abril de 2019, Guedes foi à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para debater a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo. Na sessão, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o ministro era “tigrão” com aposentados e professores e “tchutchuca” com privilegiados e banqueiros. Guedes reagiu. A sessão virou tumulto. Daniella saiu em defesa de Guedes e discutiu com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). A parlamentar acusou a assessora do ministro de tê-la agredido e pediu a intervenção da Polícia Legislativa. Daniella acabou conduzida pelos seguranças, mas nenhuma ocorrência foi registrada.

Em fevereiro de 2022, Daniella ganhou mais espaço no Ministério da Economia. Deixou a função de assessora de Guedes para comandar a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade, uma das principais áreas da pasta. Ali, passou a cuidar de políticas voltadas à produtividade e ao ambiente de negócios. Mas durou pouco tempo. Apenas cinco meses depois, Daniella enfrentaria um desafio ainda maior.

Uma mulher na Caixa

Pedro Guimarães deixou a presidência da Caixa Econômica Federal em junho de 2022, depois de denúncias de assédio sexual e moral. O governo precisava escolher um substituto para comandar um dos maiores bancos do país em meio à crise. Escolheu Daniella, a primeira mulher a ocupar o cargo mais alto da instituição. Ela já começou anunciando mudanças. Disse que as denúncias seriam investigadas “com independência, com rigor, com seriedade” e que, se comprovadas, haveria punições. Além disso, criou o Diálogo Seguro Caixa, canal voltado ao acolhimento das funcionárias, à apresentação de denúncias e ao recebimento de sugestões. Nos primeiros 30 dias, as funcionárias passaram a ter um canal direto com a nova presidente. “Sou mulher, entendo o que é ser mulher no ambiente de trabalho”, disse às colaboradoras.

Controvérsias também marcaram a trajetória de Daniella à frente da Caixa. Na campanha eleitoral de 2022, o banco começou a conceder empréstimos a beneficiários do Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que havia substituído o Bolsa Família no governo Bolsonaro. As parcelas eram descontadas diretamente do benefício. Na época, a iniciativa foi questionada pelo Tribunal de Contas da União, que pediu investigação sobre os empréstimos.

Esse assunto ressurgiu em agosto deste ano, durante uma entrevista de Daniella ao jornal Folha de S.Paulo. Na ocasião, a ex-presidente da Caixa reprovou o aumento de gastos e a expansão de crédito promovidos pelo governo Lula em ano eleitoral. Uma das entrevistadoras lembrou que Bolsonaro também havia ampliado gastos e crédito em 2022 e citou os cerca de R$ 5 bilhões em consignados do Auxílio Brasil liberados pela Caixa entre os dois turnos daquela eleição. A jornalista ainda formulava a pergunta quando Daniella a interrompeu. “Que foram arquivados, né?”, respondeu a entrevistada, referindo-se aos questionamentos do TCU. “Vamos ser corretos na pergunta.” Antes de devolver a palavra à jornalista, arrematou: “Obrigada por ser factual. Se fizer pergunta, detalha”.

De volta ao setor privado

O governo Bolsonaro terminou em dezembro de 2022. Daniella deixou a Caixa em janeiro do ano seguinte e retornou ao setor privado. Ainda em 2023, passou a integrar o grupo de serviços financeiros Legend Capital, inicialmente como integrante do conselho. Mais tarde, chegaria à presidência da empresa.

A parceria profissional com Guedes seguiu na nova casa. O ex-ministro também havia ingressado na Legend em 2023 e assumido a presidência do conselho de administração. Daniella, contudo, voltava à iniciativa privada com uma trajetória própria: havia presidido a Caixa e trabalhado no primeiro escalão do Ministério da Economia.

Nos bastidores da Faria Lima, a executiva ganhou um apelido que resume a reputação de firmeza construída nesse percurso: “Dama de Ferro”. A alcunha remete a Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica que se tornou mundialmente conhecida pelo mesmo epíteto. Daniella também é chamada de “Paulo Guedes de Saias”, referência à parceria entre os dois e à afinidade na defesa de uma agenda econômica liberal.

Esse currículo abriu caminho para a entrada de Daniella na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Guedes havia sido procurado, mas não demonstrou interesse em retornar a Brasília e incentivou o senador a buscar integrantes da antiga equipe do Ministério da Economia. Daniella aceitou. Ela compõe o núcleo duro da campanha do Zero Um. Lá, participa da formulação do programa econômico. Daniella olha para as contas do país como quem examina um balanço: quanto o Estado deve, quanto gasta e que recursos tem à disposição para reorganizar as finanças. Nesse cálculo entram cerca de 760 mil imóveis da União, avaliados em mais de R$ 1,5 trilhão. Como solução, Daniella propõe obter recursos com parte desses ativos e destiná-los à redução da dívida pública, que ultrapassa R$ 9 trilhões.

O mesmo pente-fino alcançaria as despesas. Segundo a chefe da campanha econômica de Flávio, cerca de 45 estatais custam em torno de R$ 30 bilhões por ano aos cofres públicos, enquanto a administração federal reúne 22,5 mil cargos comissionados. “Privatização ou não é consequência”, observa, ao explicar que as estatais precisam ser reavaliadas periodicamente. “A lógica não é necessariamente privatizar tudo.”

A conta que Daniella pretende fechar é de um corte de R$ 190 bilhões em despesas, o equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para chegar lá, defende reduzir ministérios, combater supersalários e mudar a regra fiscal. Propõe ainda medidas para aumentar a produtividade, reduzir a burocracia, ampliar a digitalização dos serviços públicos e melhorar o ambiente de negócios.

É assim que Daniella liga as contas públicas à vida das famílias. Ela explica que, quando o governo gasta muito mais do que arrecada e aumenta a dívida, os efeitos inevitavelmente chegam ao bolso dos brasileiros. Juros altos encarecem o financiamento da casa, do carro e as compras parceladas. A inflação faz o dinheiro render menos no supermercado. “Quem não cuida das contas não cuida das pessoas”, costuma dizer em entrevistas.

O legado continua

A vida também mudou fora dos escritórios. Daniella se casou novamente e tornou-se mãe pela segunda vez, aos 45 anos. Chama Arthur, o filho mais novo, de “milagre”. Católica, costuma usar escapulários e fala abertamente sobre a importância da religião. “A fé é a base de tudo”, ressalta.

Nem o velho hábito de pôr os objetivos no papel desapareceu. Daniella garante que continua escrevendo o que pretende alcançar, como fazia ainda menina, aos 13 anos. Uma das metas daquela época era ter US$ 1 milhão. Teve êxito.

Agora, mais de três décadas depois, Daniella dá outro sentido à ambição. Quer retribuir o que conquistou na carreira e associa a volta à vida pública ao desejo de deixar um legado para os dois filhos. Mesmo com a rotina intensa da campanha, tenta reservar ao menos uma hora do dia para Arthur e Pedro Henrique, o primogênito.

Ao falar sobre o país que gostaria de deixar para os brasileiros, Daniella recorre à própria experiência como mãe. Afirma que cria os filhos para que estudem, cresçam e, no futuro, possam “voar” sozinhos. É a mesma lógica que tenta levar para a política: o Estado deve amparar quem precisa, mas também oferecer condições para que as pessoas conquistem autonomia.

Em 2018, Daniella disse a Guedes que queria ir a Brasília para ajudá-lo. Oito anos depois, pode retornar à capital federal para carregar o legado do ex-ministro.

Uma derrota cantada

 Eu continuo esperando um diagnóstico "corajoso", honesto, de um cientista político sobre a realidade do país. Muitos, pela necessidade do "pertencer", de não serem cancelados, continuam neste muxoco q presenciamos no pós primeiro turno. 


São vários fatores a explicarem a derrota do PT. O q derrubou a campanha do Lula não foi apenas a campanha do Flávio Bolsonaro, mas também um "sentimento anti PT", legítimo, "encroado" entre os corações e mentes da sociedade brasileira em todos os seus estratos. 


O crescimento da religião evangélica também ajuda a explicar isso, na sua batalha "ética e moral". É entre aspas mesmo, pq eu não gosto deste movimento neopentecostal (para mim, é tudo charlatão, vendedor de fé, exploradores), mas é uma realidade. 


É importante termos em mente, além dos vários erros de campanha, q o lulo-pestismo está desgastado e envelhecido. E possui uma mancha indelével, q é o seu histórico pesado de corrupção (Mensalão, Lava Jato, aposentados do INSS, Master, etc) e isso não é pouca coisa. Não deve ser naturalizado ou relativizado. São recursos desviados q poderiam financiar escolas e hospitais. Vão para o bolso dos "companheiros". 


E tbem me causa asco o "populismo vagabundo" praticado, de esmola para os mais fragilizados. 


Programas de governo ou projetos de poder pessoal? Infelizmente, o segundo. E 


as gastanças em viagens internacionais reforçam isso, né Janja tatibitati...?? (muito chatinha, por sinal).

Merval Pereira



RECOMENDO MUITO, AMIGOS QUERIDOS.




Orgulho e preconceito

Dirigentes do PT têm a pretensão de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção.

Por Merval Pereira

06/10/2026 04h30




Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.




Lula só foi eleito presidente, nas três vezes anteriores, porque voltou-se para o centro. Do “Lulinha, Paz e Amor” ao apelo a um governo de união nacional para proteger a democracia, adaptou sua agenda pública ao centro, dando lugar até à direita em certos momentos. A insinuação agora de que pode nomear o vice Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda num eventual quarto mandato vai nessa direção.




Talvez seja tarde demais, pois um dos seus erros fundamentais foi vender um governo de união nacional e entregar um governo petista como os demais que montou, com exceção do primeiro, que, sob a égide do ex-ministro Antonio Palocci, foi inteligente para manter-se ao centro, continuando a política econômica do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Assim como o economista Joaquim Levy foi engolido pela máquina do PT quando nomeado ministro da Fazenda da então presidente Dilma Rousseff, também Alckmin terá o mesmo destino se Lula conseguir dar a volta por cima e vencer a eleição no segundo turno.




Talvez a razão mais profunda para o desgaste do governo do PT seja exatamente esta, a pretensão de seus dirigentes de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção. O cansaço com Lula vem desse sentimento de subalternidade com que os não petistas são tratados por seus governos. Ou são manipulados pelas benesses sociais que o governo distribui, ou são relegados a segundo plano.




Há um sentimento de desprezo pelos não convertidos, que transmite uma sensação de não pertencimento a essa parte da sociedade. Lula tem sido incapaz de governar para todos, de ampliar sua base de apoio, trata com superioridade condescendente os que não o seguem. Nem ele nem o PT tentam entender os que os criticam, considerando-os inimigos, nem sequer adversários. A arrogância esteve presente até as últimas semanas da campanha, enquanto Lula considerava uma afronta à sua história a previsão de que poderia perder para Flávio.




O desprezo pelos que consideram inferiores contrasta com o fervor com que trata os excluídos. Se tivesse a mesma empatia com os que discordam de suas políticas, talvez pudesse encontrar o diálogo que o alçaria à altura dos estadistas. Não falo dos que o consideram comunista ou dos extremistas que conseguiram manipular a direita e os centristas. Exemplar dessa arrogância petista é a frase de Lula:




— Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa.




Claro que Flávio não é um gênio, longe disso, mas também Lula não é imbatível. O que falta a ele e aos seus é tentar entender por que votaram no outro, e não nele. Lembro-me de quando Lula tinha mais de 80% de aprovação, e seus acólitos provocavam:




— Em que planeta vivem os críticos?




Viviam neste planeta que foi se formando à medida que o governo Lula os foi desprezando e se esqueceu de ampliar sua base política para fechar-se numa redoma com os seus.




A união nacional que mobilizou os eleitores independentes na eleição de 2022 foi um estelionato eleitoral. Os que representavam a centro-direita em seu ministério foram relegados a segundo plano, assim como no governo Dilma Rousseff, a ponto de o vice-presidente Michel Temer ter se queixado por escrito de que era tratado como “um vice decorativo”. O mesmo acontecera com Levy, e aconteceu agora com as ministras Marina Silva e Simone Tebet.

Sergio Garschagen

 De Sergio Garschagen.

Relato interessante e valioso.

Também fui exchange student e fez muito sentido.


"Anos 70. Eu era contra a ditadura militar. Simpatizava com as esquerdas. Em suma, seguia, sem saber, a máxima do estadista francês George Clemenceau; "Aquele que aos 20 anos não é socialista não tem coração, mas aquele que continua socialista aos 40 anos, não tem cérebro".

Creio ter perdido a ilusão quando fui para os Estados Unidos com a então namorada, Regina, onde nos casamos.

Para sobreviver trabalhei como faxineiro noturno na fábrica de tratores John Deere, em Waterloo/Cedar Falls, no estado de Iowa.

Na primeira semana de trabalho fui cercado por três ou quatro outros trabalhadores que me dirigiram perguntas básicas: 

- Você é refugiado político da ditadura brasileira?

Respondi que não. Estava no país para aprender  o idioma. 

- Você sabe que tira o trabalho de um americano? 

Sim. Sabia, mas seria por pouco tempo, pois não pretendia ficar nos EUA mais quer um ano. 

-  ok. Se fosse um refugiado político iríamos trata-lo mal como um covarde. 

Eram típicos red necks locais, simplórios,  que após as perguntas me convidaram para sentar à mesa com eles. Sinal de que fora aceito. Até então me sentava sozinho no refeitório, na hora do lanche. 

Também costumava me sentar ao lado de uma companheira negra, simpática, de riso fácil,  enorme de gorda que queria me apresentar aos filhos. Acho que ela me via como um ET e por isso queria me mostrar à família. Brasil? Que planeta é este? Ria muito quando eu dizia que não iria ao bairro dela sozinho. Era perigoso para um branquelo. 

Só ousava ir ao bairro negro com o Fred, mineiro moreno que se passava por mexicano. Íamos, nos fins de semana,  aos bares onde se apresentava grupos de jazz.  Era de bom tom pagar uma rodada de cerveja, nas mesas  coletivas. 

Mas foi na Universidade de Cedar Falls que comecei a me livrar das ideias socialistas. Sei lá como, meio na cara de pau, arranjei uma bolsa para o curso de inglês para estrangeiros. Aulas no curso de Literatura Americana, onde sofria para acompanhar as aulas. Fui convidado pela professora duas vezes para ler um trecho de uma obra.   Na segunda leitura um jovem americano pediu a palavra e disse:

- Na sua primeira leitura não entendi uma única palavra. Hoje entendi muitas palavras. Seu inglês melhorou muito. Parabéns. 

Morri de vergonha ao me lembrar que anos antes, no Liceu "Muniz Freire", a classe inteira riu da pronúncia do português de um menino americano, do intercâmbio cultural do American Fields.

Fiquei chocado também com duas palestras na universidade: a primeira da Ku Klux Klan e a réplica, na semana seguinte, dos Panteras Negras. Auditório repleto de estudantes negros e brancos, todos em silêncio absoluto. Ao final dos discursos de ódio das duas correntes opostas, nenhuma vaia, nenhum aplauso.

Nesta época fizera um bom amigo na universidade: o professor cubano Nodarse, a quem procurei para entender a razão das duas palestras de ódio. Para minha surpresa, ele disse que estava surpres, decepcionado mesmo, era com a minha pergunta. 

- Sérgio, uma universidade forma os futuros dirigentes de um país. Eles devem conhecer todos os fatos políticos, bons ou ruins, com que terão de lidar no futuro. Por isso estas palestras.

E concluiu: estudante que vaiar ou tentar proibir estas manifestações podem ser expulsos. Fazem parte da grade curricular.

Sempre me lembro desta aula do professor Nodarse quando leio que estudantes brasileiros proíbem, com vaias e quebra-quebra,  palestras de convidados que eles não gostam. Sergio. Moro, à época da Lava-jato não conseguiu falar na PUC. Acho que foi no Rio de Janeiro.

Não é à toa que não temos um única universidade no ranking das 100 melhores do mundo. 

Mas, apesar da bronca que levei, o  que me deixou muito envergonhado, o professor Nodarse me convidou para trabalhar com ele, legalmente, com direito a green card, no Departamento de Espanhol da universidade. Os seus alunos ficavam fascinados com a semelhança da língua espanhola com o nosso. Português. Muitos conversavam comigo em espanhol e entendiam a resposta em português. 

Nodarse era um ex-comunista ligado aos irmãos Castro. Disse-me que marcharam juntos desde Sierra Maestra até Havana. Foi preso por um desentendimento com Raul Castro e colocado em um barco, por Fidel, com outros cubanos, muitos doentes, para Miami. 

De dia prestava depoimentos à CIA; à noite sua casa era  apedrejada por cubanos fugidos do regime.  Por isso seguiu para Iowa, bem longe de Miami. Um dia desabafou comigo:

-  Hoje lamento os anos perdidos  como comunista."

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Ódio autorizado

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 *Ódio autorizado* 


Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial


"Aconteceu no Bom Fim.

Não em Berlim, 1938. Em Porto Alegre, 2026. No corredor de um supermercado.


Uma jovem berrava "sionistas, genocidas, vermes".

Um homem parou. Não se escondeu. Disse: "Eu sou judeu e sou sionista".

Foi o suficiente para liberar o esgoto.

"Verme." "Nazista." "Judeu de merda."


Veio a ameaça. Depois, a ordem de despejo com o “vai embora daqui”.

E as pessoas aplaudiram.

É aqui que a gente apodreceu.

Nunca mais?


Quando "judeu de merda" é gritado em público e a resposta é aplauso, o problema já não é só quem grita. É quem bate palma e ainda se acha moralmente superior.


Existe uma militância que não sabe nada sobre judaísmo. Nada sobre sionismo. Nada sobre Israel. Menos ainda sobre Oriente Médio.

Mas sabe de cor quem tem que odiar hoje.


Estudar dá trabalho. Honestidade intelectual também. Pertencer é fácil. E, para muita gente, pertencer importa muito mais do que pensar.

A tribo te entrega três palavras, aponta o inimigo e te dá um certificado de gente boa. Você terceiriza a consciência, humilha o vizinho e volta pra casa achando que salvou o mundo. Horror.


Goebbels conhecia essa engenharia. Primeiro você transforma o judeu em verme. Depois aparece o idiota útil convencido de que esmagar verme é virtude.


Não sei o que aquela mulher pensa sobre as atrocidades contra civis em 7 de Outubro. Sei o que demonstrou ali.


Diante de um judeu que nunca tinha visto, ela já sabia exatamente como tirar a humanidade dele.

A barbárie não precisa de tanque. Precisa de voluntários.


Chega de covardia semântica.

Criticar Netanyahu é política. Debater Gaza, com fatos e dados, é legítimo e necessário.

"Judeu de merda" é antissemitismo.

Puro. Cru. Nojento.


Se fosse "preto de merda" ou "viado de merda", a indignação seria imediata e ruidosa.

Mas quando é judeu, pode. Basta colar "Palestina Livre" por cima do preconceito e o ódio ganha certificado de virtude.


Chega de nota de repúdio.

Eu quero B.O., investigação e processo. Com o crime provado, quero condenação na forma da lei. 


No Brasil, antissemitismo pode configurar crime de racismo. Racismo é imprescritível.

Digo honestamente. Não sei como reagiria se alguém me chamasse de "judeu de merda" nessas circunstâncias. Não partiria para a violência. Isso eu sei. Mas também não iria embora. 

Chamaria a polícia. Registraria ocorrência. Iria até o fim. Não deixaria aquilo morrer no corredor de um supermercado como se nada tivesse acontecido.


Há uma hora para desprezar o insulto. E há uma hora em que desprezá-lo significa ajudar a normalizá-lo.

Essa hora passou. Transbordou.

Sou judeu.

Não vamos baixar a cabeça. Não vamos pagar humilhação como pedágio para existir. Não vamos recuar um centímetro do Bom Fim, de Porto Alegre ou do Brasil.


O ódio já perdeu a vergonha.

Agora vai ter que aprender a ter medo da lei. Não há outra saída.

Porque tolerância com o intolerável também é uma forma de autorização."

Gabriel Cesar

 Opinião impopular (com números): 1- Não houve fraude. 2- A campanha do Flávio foi muito bem. Classes C, D e E foram diariamente aterrorizad...