sábado, 3 de outubro de 2026

Amilton de Aquino

 E chegamos à eleição mais estranha de todos os tempos. Todo mundo cabisbaixo, tentando fugir de polêmicas, sem debates, sem regras, com juízes atuando descaradamente como cabos eleitorais, uma oposição mais suja que pau de galinheiro e um presidente idem, acuado, fazendo o diabo para se reeleger, empurrando uma bomba fiscal para os próximos anos que pode cair no colo dele mesmo e, claro, nas costas da população, especialmente de quem rala o dia inteiro para pagar a conta.


Uma eleição decidida pelo medo de um dos polos, em que um se “limpa” na sujeira do outro e vice-versa.


E, neste mar de incertezas, três certezas — ou quase certezas:


1) Não existe mais espaço para uma terceira via moderada. Na era das bolhas, só há espaço para quem consegue chamar atenção de alguma forma, mesmo recorrendo a hipérboles.


2)  Renan Santos vai ficar em terceiro lugar, a única candidatura com uma militância de fato capaz de fazer alguma diferença na reta final, com chance de se tornar uma alternativa de fato a atual polarização. As de Caiado, Cury e Zema tendem a desidratar ainda mais.


3) Quem assumir terá um mandato difícil.


Se for Lula, será um mandato ainda mais impopular, com uma conta de juros de R$ 1,1 trilhão ao ano, agora com uma tendência de alta ainda maior, depois do festival de “bondades” nas semanas que antecederam a eleição. Um Lula ainda mais escorado no STF, que tende a passar por cima de tudo, ainda mais com mais quatro indicações do PT para reforçar sua tropa na instituição que dará a última palavra (passando por cima, inclusive, da Constituição, como já tem acontecido sucessivamente) durante as próximas décadas.


Se for Flávio, um mal menor, pois, além de representar alguma chance de pelo menos estabilização da dívida, haveria ainda uma chance de dar uma equilibrada no STF. Digo uma chance porque, embora tenha se falado muito por aí das tais “quatro vagas” que o próximo presidente vai indicar, na prática, só uma delas ocorrerá no início do mandato — e isso se Lula não inventar uma manobra de emergência para fazer a indicação da vaga do “Bessias” ainda neste ano, algo que ele vai tentar se perder.


Dos outros três, o pior deles, Gilmar Mendes, só no finalzinho do mandato. Os outros dois, Fux e Cármen Lúcia, só depois de 2028.


Ou seja, as duas substituições que de fato Flávio faria em meados do mandato não mexeriam no placar da maioria que Lula já tem hoje no STF e que poderá ficar ainda mais consolidada caso consiga completar a vaga remanescente até o final de dezembro.


Portanto, se Flávio for o eleito, governará na coleira do pior STF de todos os tempos. Pelo menos, desta vez, além de um Bolsonaro mais moderado, parte da imprensa já percebeu o monstro que ajudou a criar no STF, o que seria um fator que tenderia a dar uma equilibrada no jogo.


Enfim, continuaremos, na melhor das hipóteses, num mar de incertezas. Certeza mesmo é que continuaremos pagando muito imposto para sustentar uma das piores elites da humanidade.

Amilton de Aquino

 E chegamos à eleição mais estranha de todos os tempos. Todo mundo cabisbaixo, tentando fugir de polêmicas, sem debates, sem regras, com juí...