segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Jonas Frederighi

 Desde já, o meu candidato. Não tem outro melhor. 



O depoimento de Tarcísio ao Estadão captura bem o constrangimento histórico: um país do tamanho do Brasil, com fronteira, comércio e influência regional, terminou assistindo de camarote à implosão do regime venezuelano — e, pior, com o Executivo brasileiro reagindo tardiamente, sem liderança e em rota de colisão com o sentimento predominante na região. Na leitura dele, a queda de Maduro encerra “um ciclo ruim” e reabre uma janela de reconstrução institucional; o Brasil, em vez de conduzir uma transição negociada, teria escolhido a omissão e a camaradagem política com o chavismo, pagando o preço de virar coadjuvante.


O raciocínio central é forte porque conecta três camadas: (1) a Venezuela como caso-limite de deterioração institucional e empobrecimento, (2) o impacto regional de um regime acusado de simbiose com o crime (narcotráfico como “chaga” geopolítica) e (3) o custo estratégico da inércia brasileira. Essa crítica ecoa uma expectativa clássica de potência regional: quando o vácuo é deixado, alguém ocupa — e, aí, a forma tende a ser mais traumática do que o conteúdo. O ponto mais duro é o rótulo de “irrelevância”: a tese é que a ausência de protagonismo não foi neutra; foi uma escolha que empurrou os acontecimentos para fora do controle regional.

Na conclusão, vale amarrar o que o debate costuma varrer para debaixo do tapete: a convergência político-ideológica que marcou ciclos de proximidade Brasília–Caracas e o “ecossistema” de relações que orbitou esse eixo. Houve, sim, políticas de aproximação, financiamento e obras que viraram símbolos — como o financiamento do BNDES para projetos do metrô de Caracas, relatado na imprensa à época , além do histórico contencioso em torno da refinaria Abreu e Lima/PDVSA . Houve também o elemento eleitoral-comunicacional: delações e reportagens apontaram pagamentos ilegais ligados à campanha de Chávez em 2012 envolvendo publicitários brasileiros, com Maduro citado como operador de entregas em dinheiro . Esse pano de fundo explica por que a narrativa de “surpresa” não convence: muita coisa foi documentada, debatida e — em vários casos — judicializada.

Em 2022, o TSE determinou remoções de conteúdos considerados ofensivos ou desinformativos contra Lula (com multas que chegaram a R$ 100 mil ao dia em casos específicos) ; e há decisões que, explicitamente, tratam como falsos áudios e postagens que falavam em “acordos” com Maduro e outros líderes regionais . Defensores enxergam proteção da integridade eleitoral; críticos veem um filtro que, na prática, estreitou associações políticas que hoje aparecem de novo no centro do debate. O chamado final, então, é simples e difícil de rebater: transparência total sobre a relação Brasil–chavismo (contratos, financiamentos, interlocuções), auditoria séria do que foi feito em nome de “integração regional” e coragem institucional para encarar o óbvio — ditaduras não caem sozinhas, e democracias não se preservam no piloto automático.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Venezuela abre semana do payroll*


Ainda na sexta-feira, sai o IPCA de dezembro


… O petróleo operava estável no fim da noite deste domingo, depois da captura relâmpago do presidente venezuelano, Nicolas Maduro. Apesar da turbulência geopolítica, a Opep+ confirmou ontem a aposta de não mexer na produção. Os mercados globais abrem sob a cautela da ofensiva de Trump, mas alguns profissionais de mercado não descartam impacto moderadamente positivo nos negócios domésticos. A operação militar agita o início da semana importante em indicadores, com destaque na agenda para o payroll e o IPCA de dezembro na sexta-feira. O Conselho de Segurança da ONU convocou reunião de emergência para hoje (12h), que terá participação do Brasil.


WELCOME TO THE JUNGLE – Na reação ao interesse estratégico norte-americano, que prevaleceu sobre a soberania venezuelana, Lula foi confrontado a responder à ação, mas fez uma ginástica para evitar atrito direto com Trump.


… Em publicação no X, não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, mas condenou os atos.


… Disse que “ultrapassam uma linha inaceitável, numa afronta gravíssima à soberania e precedente extremamente perigoso a toda a comunidade internacional”, mas disse que o Brasil “segue à disposição para promover o diálogo”.


… O governo Lula, que não chancelou as eleições que mantiveram Maduro no poder, vem tentando se colocar como interlocutor entre a Venezuela e os Estados Unidos, até agora sem respaldo, porém, de nenhuma das partes.


… No domingo, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto, manifestando “profunda preocupação” com as ações que ameaçam a estabilidade da América Latina.


… Em ano eleitoral, o que se vê é Lula tentando modular o tom nesta crise internacional, já antecipando que a pauta da derrubada do regime de Maduro pelos americanos deverá ser amplamente explorada pela oposição em Brasília.


… Politicamente, a direita e o Centrão vão colar a imagem de Lula à ditadura venezuelana, acirrando a polarização.


… Em relação aos reflexos da crise sobre os mercados globais, analistas preveem, no máximo, volatilidade momentânea sobre o petróleo, já que hoje a Venezuela produz apenas 1% de toda a commodity global.


… A importância econômica do país diminuiu significativamente nos últimos 50 anos, considerando que, na década de 1970, a produção correspondia a 8% da oferta global, com 3,5 milhões de bpd contra 1 milhão atualmente.


… Apesar de estar em guerra declarada com o narcotráfico, Trump admitiu após a captura de Maduro o interesse no petróleo e disse que o governo de transição será bancado pelas exploração das maiores reservas do mundo.


CAIU DE MADURO – Sem dar mais detalhes e nem prazos, Trump disse que as forças de segurança dos Estados Unidos vão permanecer na Venezuela “até uma transição segura, adequada e criteriosa”, e alertou a vice de Maduro.


… Disse para a revista The Atlantic que Delcy Rodríguez pode pagar um preço maior do que o líder deposto “se não fizer o que é certo”, horas depois de ela ter dito que a Venezuela defenderia os seus recursos naturais.


… A bordo do Air Force One, na noite deste domingo, Trump disse que os EUA “estão no comando” da Venezuela.


… O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enfatizou que o governo de Washington manterá o bloqueio sobre as exportações de petróleo venezuelano com o objetivo de “enquadrar” a vice de Maduro.


… As Forças Armadas da Venezuela reconheceram a posse de Delcy como presidente interina do país.


… Já a oposição venezuelana afirma que o presidente de direito é o exilado Edmundo González Urrutia. Trump afastou a chance de a líder da oposição e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, assumir o cargo.


… A deposição de Maduro levanta a lebre sobre até onde Trump está disposto a ir na política externa. “O que aconteceu na Venezuela poderá acontecer com outros que não sejam justos com seu povo”, disse o republicano.


… Potencial próxima da lista, a Colômbia foi classificada de “vizinho doente que gosta de vender cocaína aos Estados Unidos”. No aviso em dois, Trump disse de que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “não ficará muito tempo”.


… Também paira um alerta sobre uma possível intervenção no Irã para tirar à força o líder supremo Ali Khamenei.


… Aliada do regime de Maduro e importante compradora de petróleo da Venezuela (80% do volume produzido por lá), a China pediu a libertação imediata do líder venezuelano, levado para um centro de detenção federal em NY.


… Apesar de Pequim condenar a ação, Trump disse que a Venezuela não atrapalha o “bom relacionamento” com Xi.


EFEITO CARACAS – O mercado acredita que o ataque à Venezuela deve ter impacto neutro a positivo por aqui.


… Para o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, a operação reforça a percepção de que a América Latina caminha para “liberdade econômica e desenvolvimento através do setor privado, e não do estatismo ou do populismo”.


… Otimista, ele disse ao Broadcast que a prisão de Maduro tende a destravar fluxos de capital de médio e longo prazo, com expectativa é de que a entrada de dólares derrube os juros locais e sustente o Ibovespa.


… Na avaliação do economista-chefe da Equador Investimentos, Eduardo Velho, dificilmente haverá escalada no conflito e a operação militar encerra as incertezas sobre quando os Estados Unidos iriam atacar a Venezuela.


MAIS AGENDA – Ponto alto da semana, o payroll de dezembro, atrasado pelo shutdown, sai na sexta-feira e, antes dele, a situação do emprego será conferida na quarta-feira pelo relatório Jolts e pesquisa ADP do setor privado.


… A aposta principal e ampla do mercado é de que o Fed não mexerá no juro agora em janeiro. No sábado, a dirigente Anna Paulson sugeriu cortes mais adiante e disse estar “cautelosamente otimista” com o alívio da inflação.


… Hoje, ao meio-dia, sai nos Estados Unidos o PMI industrial de dezembro medido pelo ISM.


BIG TECHS – Entram no radar dos investidores hoje os discursos dos CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da AMD, Lisa Su, em evento em Las Vegas, que podem direcionar as expectativas do mercado financeiro para o setor de chips.


ZONA DO EURO – Tem inflação do CPI de dezembro na quarta-feira e o índice de preços ao produtor (PPI) no dia seguinte. Amanhã, o PMI composto é destaque no bloco europeu, na Alemanha e no Reino Unido.


UCRÂNIA X RÚSSIA – Ao longo da semana, estão marcadas conversas em Paris para discutir um plano de paz e garantias de segurança. As negociações contarão com a presença de Zelensky e de lideranças europeias.


… Questionado por um jornalista sobre a ação na Venezuela, o presidente ucraniano disse que, “se é possível lidar assim com ditadores, então os EUA sabem o que fazer a seguir”, sugerindo uma possível intervenção na Rússia.


OPEP+ – Seguindo à risca o entendimento de novembro, quando os membros concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março, o cartel e seus aliados confirmaram a pausa neste domingo.


… A decisão ocorre após os preços do petróleo terem caído quase 20% no ano passado, a maior queda anual desde 2020, em meio a preocupações crescentes com o excesso de oferta. A Opep+ volta a se reunir dia 1 de fevereiro.


CHINA HOJE – A atividade do setor de serviços cresceu no ritmo mais lento em seis meses em dezembro. O PMI/S&P Global caiu para 52,0, de 52,1 no mês anterior, menor valor desde junho, mas ainda em território de expansão.


… Na noite de quinta-feira (22h30), o foco de interesse se volta para a inflação chinesa (CPI e PPI) de dezembro.


JAPÃO HOJE – O PMI industrial medido pelo setor privado avançou de 48,7 pontos em novembro para 50 pontos em dezembro. O resultado encerrou um período de cinco meses de contração da atividade econômica no país.


AQUI – Interessam o IPCA de dezembro, na sexta-feira, e a produção industrial de novembro, na quinta-feira, enquanto o emprego forte pressiona a inflação de serviços e consolida as apostas de corte da Selic só em março.


… Hoje, sai o IPC-S de dezembro, às 8h, que deve desacelerar para 0,22%, após alta de 0,28% em novembro. Os recuos esperados para alimentos e passagens aéreas devem aliviar os preços. As projeções vão de 0,21% a 0,30%.


… Ainda segundo pesquisa Broadcast, a mediana das estimativas do mercado indica para esta segunda-feira, às 15h, um superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em dezembro, após saldo positivo de US$ 5,842 bilhões em novembro.


… As previsões para esta leitura da balança comercial variam de US$ 5,0 bilhões a US$ 8,0 bilhões.


… Na quinta-feira, Lula realiza evento no Palácio do Planalto para lembrar os ataques golpistas de três anos atrás.


SEM PRESSÃO – Depois do tombo de 1,43% na última sessão de 2025, o dólar continuou ladeira abaixo no primeiro dia de negócios de 2026, e fechou em baixa de 1,16%, a R$ 5,4256. No acumulado da semana, recuou 1,91%.


… O movimento nesses dois dias foi visto por operadores como um ajuste técnico, com o câmbio se acomodando ao novo cenário eleitoral e agora livre da pressão sazonal de remessas de lucros para o exterior.


… Afinal, boa parte da alta de 2,89% da moeda em dezembro foi provocada pelo “Flávio Day” e seus desdobramentos, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência sendo ratificada por seu pai.


… O alívio no câmbio também reflete o quadro de carry trade favorável por mais tempo. Os dados resilientes de emprego divulgados no apagar das luzes de 2025 enterraram as apostas de início de corte da Selic em janeiro.


… A queda expressiva do dólar determinou o comportamento dos juros futuros, em uma sessão de liquidez reduzida, sem novidades no noticiário político e sem indicadores econômicos relevantes.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,700%, na mínima do dia (de 13,803% no ajuste anterior); Jan/29, 13,060% (de 13,192%); Jan/31, 13,330% (de 13,472%); e Jan/33, 13,455% (de 13,589%).


FILÉ MAL-PASSADO – As ações de frigoríficos pesaram sobre o Ibovespa no primeiro pregão do ano. O mercado não digeriu bem a decisão do governo chinês de estipular cotas de importação de carne bovina de vários países.


… No caso do Brasil, principal fornecedor da China, a cota será de 1,106 milhão de toneladas neste ano. É 26% menor que o montante exportado do Brasil em apenas 11 meses de 2025 (1,499 milhão de toneladas).


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,36%, aos 160.538,69 pontos, com giro expressivo para essa época do ano, de R$ 24 bilhões. Na semana, o índice fechou estável (+0,05%).


… Minerva ON (-6,77%, a R$ 5,37) foi a maior queda do índice, enquanto MBRF ON (-1,70%, a R$ 19,64) reduziu as perdas perto do fechamento, mas ainda ficou no vermelho. Em NY, a ação da JBS caiu 1,66% (US$ 14,18).


… A lista de maiores baixas trouxe ainda Cyrela ON (-3,77%, a R$ 23,96), que anunciou novas ações PN conversíveis e resgatáveis, além de um aumento de capital de R$ 2,5 bilhões; e Direcional ON (-3,47%, a R$ 13,63).


… Entre as blue chips de commodities, Petrobras ON (-0,83%, a R$ 32,30) e PN (-0,36%, a R$ 30,71) seguiram o sinal negativo do petróleo. Vale ON (+0,58%, a R$ 72,38) oscilou bastante, mas terminou no positivo.


… As ações de grandes bancos fecharam majoritariamente em baixa: Itaú PN (-0,15%, a R$ 39,15); BB ON (-1,09%, a R$ 21,68); e Santander Unit (-0,97%, a R$ 33,73). Já Bradesco PN subiu 0,16% (R$ 18,22).


… Na lista de maiores altas do índice figuraram GPA ON (+4,21%, a R$ 3,96); SLC Agrícola ON (+3,67%, a R$ 14,79) e CVC ON (+1,85%, a R$ 2,20).


SEGUROU A ONDA – As bolsas americanas não definiram tendência na primeira sessão de 2026, com investidores cautelosos, à espera do nome do substituto de Jerome Powell e de novos dados da economia.


… O Dow Jones começou o ano em alta de 0,66% (48.382,39 pontos); o S&P 500 subiu 0,19% (6.858,47), enquanto o Nasdaq ficou de lado (-0,03%, 23.235,63 pts). Na semana, os índices caíram 0,67%, 1,03% e 1,51%, respectivamente.


… Entre os destaques negativos do dia, Tesla caiu 2,59% após perder a liderança mundial nas vendas de veículos elétricos para a chinesa BYD. A companhia de Elon Musk entregou menos carros do que o esperado no 4TRI25.


… Já Intel (+6,72%) ficou entre as maiores altas, embalada pela expectativa do lançamento do novo chip “Panther Lake”. Outras fabricantes de chips pegaram carona na rival: Micron (+10,5%) e AMD (+4,35%).


… Tirando Nvidia (+1,26%) e Alphabet (+0,69%), o primeiro pregão de 2026 foi ruim para as sete magníficas. Além da Tesla, caíram Microsoft (-2,21%), Amazon (-1,87%), Meta (-1,47%) e Apple (-0,31%).


… No câmbio, o dólar subiu frente aos pares (DXY, +0,15%, aos 98,472 pontos) diante da expectativa de manutenção dos juros pelo Fed em janeiro, com o euro em baixa de 0,26% (US$ 1,1717) e a libra em -0,12% (US$ 1,3451).


DE LADO – O petróleo fechou em leve baixa na 6ªF, em sessão de poucos negócios, com o investidor monitorando as tensões geopolíticas (horas antes do ataque-surpresa à Venezuela) e em compasso de espera pela reunião da Opep+.


… O Brent para março recuou 0,16% na ICE, para US$ 60,75 o barril. Na semana, ganhou 0,26%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – As ações da União Pet, resultante da fusão da PETZ e Cobasi, começarão a ser negociadas na B3 nesta segunda-feira (5), sob o código AUAU3.


TIM anunciou a retificação do valor bruto por ação a ser pago como JCP até 30 de junho deste ano, de R$ 0,1755 por ação para R$ 0,1757; montante total de R$ 420 milhões permanece inalterado.


CNS. Transnordestina Logística (TLSA), empresa do grupo, nomeou Ismael Trinks como diretor-presidente, diretor de administração e finanças e diretor de RI, em substituição a Tufi Daher Filho, que ocupava os cargos anteriormente…

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,2% US tech -0,2% US semis +4% UEM +1% España +1,1% VIX 14,5% Bund 2,90% T-Note 4,18% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,34% PT 3,20% FRA 3,62% ITA 3,57% Euribor 12m 2,245% (fut.2,462%) USD 1,169 JPY 183,6 Ouro 4.420$ Brent 60,4$ WTI 56,9$ Bitcoin +3,9% (92.427$) Ether +4,2% (3.156$).


SESSÃO: A atividade regressa, acompanhada da abundante macro provavelmente positiva e petróleo mais barato da Venezuela. Provável subida mais energética do que os futuros indicam à primeira hora (+0,5% Europa e +0,2% Wall St.). Poderíamos pensar em, no mínimo, +1%, e a tecnologia mais, tanto pelo FOMO como pela mudança na Venezuela tornar o petróleo mais barato (menos custos, menos inflação) e permite pensar em investimentos para reconstruir a sua economia.


Wall St. +16% em 2025, +23% em 2024 e +24% em 2023… e essa inércia favorece uma abertura em alta em 2026, pelo menos enquanto não surgem ameaças imediatas. As 3 principais chaves são a IA, as descidas de taxas de juros da Fed e lucros empresariais expansivos de duplo dígito baixo, em termos gerais. As notícias sobre a IA continuam a empurrar o mercado a curto prazo (semis +4% na sexta-feira), embora possa chegar a tornar-se um presente envenenado à medida que o ano avança, se alguma das empresas especializadas no seu desenvolvimento saírem à bolsa com avaliações ambiciosas. Mas isso ainda não aconteceu e sobram meses de tranquilidade relativa até então. De momento, na sexta-feira (2), Biren, designer de chips para IA, saiu à bolsa em HK a duplicar o seu preço de OPV (42,9HK $ vs. 19,60HK $ de saída).


A frente macro reativa-se esta semana, com inflação europeia e emprego americano com eixos principais, embora acompanhados de outros indicadores não tão influentes, mas também influentes: Sentimento Investidor na Europa, enquanto nos EUA teremos ISM Industrial, Custos Laborais, Produtividade e Ganhos Pessoais. De que forma esta macro abundante influenciará? Provavelmente em positivo, porque a inflação europeia irá retroceder (+2,0% vs. +2,1%), embora não seja fácil interpretar o emprego americano devido à rutura tenológica que a IA provoca (adiam-se contratações até comprovação dos ganhos de produtividade) e as distorções na receção de dados durante e depois do encerramento do governo. Mas o mercado irá conceder à Fed o benefício da dúvida, mantendo a sua fé em mais descidas de taxas de juros. E a mudança na Venezuela irá tornar o petróleo mais barato, o que reduzirá as escassas tensões inflacionistas e permite pensar numa reconstrução económica que deverá ajudar um pouco o tom do mercado.


CONCLUSÃO: O FOMO (Fear Of Missing Out) continuará a dominar visto que ninguém quer arriscar-se a ficar de fora, porque perder um hipotético arranque de ano em alta pode significar ficar numa posição delicada para o resto do ano, talvez difícil de recuperar. Se subir hoje, pode ser +1%/+2%, e a mudança na Venezuela contribuirá para essa subida, apesar das incertezas em relação aos detalhes.


FIM

Jonas Federighi

  O texto mostra que a ofensiva do ministro Jhonatan de Jesus (TCU) no caso Master começou a acender um alerta vermelho: analistas, técnicos...