terça-feira, 1 de abril de 2025

As três falhas do BCB

 ANÁLISE: As três falhas do BC no caso do Banco Master


Alex Ribeiro De São Paulo


 


A situação do Banco Master é perfeitamente administrável pelo Banco Central (BC), que tem experiência e ferramentas para lidar com dificuldades de instituições financeiras de médio porte. Mas o episódio expõe falhas nas áreas de regulação, supervisão e resolução.


Na regulação financeira, o Banco Central deixou esticar a corda num sistema de captação que cria os incentivos errados, permitindo o chamado risco moral - ou seja, que alguns ganhem uma renda extra às custas dos riscos assumidos por outros.


Nesse caso, os depositantes compravam, nas plataformas de investimento, CDBs — não só do Master, não há nenhum privilégio aqui — recebendo bem mais do que o CDI sem se preocupar com os riscos que o banco está assumindo com a aplicação desses recursos, porque essas captações são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).


Quem paga a conta é o sistema bancário como um todo, principalmente as grandes instituições de varejo, que fazem o grosso das contribuições ao FGC. Implicitamente, há a garantia também do Banco Central, que criou o FGC na crise bancária do Plano Real. Na origem, o BC encheu o pote por meio da liberação de compulsórios, a título de antecipação de contribuição — e fica essa lembrança em todos, por mais que o FGC tenha uma administração privada.


Quem descreve a situação de risco moral é o próprio Banco Central, na exposição de motivos da Resolução no 5.114, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que procurou limitar, ao longo dos anos, o uso desse expediente pelas instituições financeiras.


Essa foi uma segunda tentativa do Banco Central de limitar a regra, e está sendo aplicada de forma paulatina. Uma anterior, feita em 2019, exigia depósitos de recursos para ampliar os custos dessas captações, e acabou não surtindo os efeitos desejados. Ou seja: há seis anos, pelo menos, os incentivos errados preocupavam a autoridade monetária.


O sistema de garantia do seguro depósito, que apoia os bancos menores, não é de todo ruim, porque permite o fortalecimento de concorrentes num mercado altamente concentrado. O abuso da fórmula, junto com outras regras que criam uma assimetria nas exigências regulatórias, é que dá problema. O BC percebeu, neste caso, mas foi muito lento para corrigir.


Isso nos leva à segunda falha do Banco Central: sua supervisão deveria ter identificado e agido antes que o problema se tornasse mais volumoso.


Não há sistema imune a dificuldades de instituições financeiras, e nenhum banco central é capaz de identificar todos os problemas. Mas esse episódio, de certa forma, expõe os problemas causados pelo desmonte da estrutura do Banco Central, com a aposentadoria e saída de funcionários, o que reduziu o quadro de pessoal da fiscalização.


Boa parte dessas dificuldades pode ser suprida com o uso de tecnologia para monitorar as instituições financeiras à distância. Mas não há sistema de supervisão que funcione sem botinas suficientes no campo de batalha.


Uma terceira questão está na resolução do problema, uma vez identificado. O Banco Master precisava de um comprador ou de um parceiro com fôlego para ajudá-lo a atravessar um momento difícil, criado pelo aperto da Selic. Nessas situações, o problema também é do regulador bancário.


Muito tem se falado que cabe à autoridade monetária aprovar ou não a operação agora que foi fechada, mas essa discussão evidentemente está incompleta. A obrigação do Banco Central é acompanhar e avaliar previamente toda a negociação, e só permitir o anúncio da solução se a equação estiver completamente fechada.


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acaba de chegar ao cargo, e o problema está nas mãos dele - como Arminio Fraga, há mais de duas décadas, teve que lidar com o Marka e o FonteCindam, que vinham da gestão anterior.


Mas as reuniões de Galípolo com dirigentes do Banco Master e com compradores — BRB — ou potenciais compradores deixam a instituição financeira exposta. Nessas ocasiões, o regulador tem que se antecipar, ser discreto e ágil.


São varias falhas, mas, felizmente, nenhuma é fatal, porque não apareceu nenhuma evidência de risco sistêmico e, nessas situações, o Banco Central tem toda a expertise, poderes e ferramentas para atuar. Mas será preciso ter os mecanismos de contingência para problemas de maior dimensão que eventualmente venham a acontecer .


Uma das questões é calibrar regras que procuram ampliar a concorrência à custa de eventuais arbitragens regulatórias. Outra é fortalecer a estrutura financeira e de pessoal do Banco Central com a aprovação da sua autonomia administrativa. Um terceiro é criar um sistema de resolução de crises bancárias que dê conta de problemas realmente grandes — há um projeto em tramitação no Congresso, mas alguns críticos acham que algumas modificações podem atrapalhar, em vez de ajudar.

Morgan Stanley

 🇧🇷  *Coluna do Broad: Reunião do Morgan Stanley com empresas brasileiras em NY atrai 40% mais investidores*


*A reunião anual do Morgan Stanley com empresas da América Latina em Nova York, que ocorrerá nos dias 2 e 3 de abril, receberá 200 investidores internacionais*, 40% a mais do que no ano passado. Das cerca de 50 companhias de capital aberto participantes, a maioria é brasileira. O restante divide-se entre México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile.


Além de fundos e gestoras especificamente da costa Leste dos EUA, estarão lá fundos de pensão e soberanos de outros países, como canadenses e árabes. _“O cheque ainda não foi escrito, mas a turma está olhando para se antecipar a uma mudança de cenário”_, afirma Eduardo Mendez, diretor gerente do Morgan Stanley no Brasil. Para ele, o principal motivo no maior número de inscritos é que o “Brasil está barato em termos históricos”.


Segundo Mendez, o que falta para o maior apetite de alocação no Brasil por parte dos investidores é maior visibilidade com respeito aos riscos ligados à política monetária e fiscal do País. Com a percepção de que o fim do ciclo da alta de juros se aproxima, um dos obstáculos será removido do caminho. Do lado fiscal, porém, há menos visibilidade, mas os grandes gestores globais têm a obrigação de tentar entender o momento e as perspectivas das empresas.

FGC e risco sistêmico

 https://www.moneytimes.com.br/exclusivo-fgc-descarta-risco-sistemico-em-caso-master-compra-pelo-brb-nao-revolve-todos-os-problemas-rnda/

BDM Matinal Riscala 0103

 *Rosa Riscala: EUA citam barreiras comerciais do Brasil*


… A agenda dos indicadores traz hoje os índices PMI industrial na zona do euro, Alemanha, Reino Unido e nos EUA, onde também será divulgado o relatório Jolts com a abertura de vagas de emprego em fevereiro. A zona do euro tem, ainda, dados de inflação e um discurso de Lagarde (BCE). A contagem regressiva para o anúncio das tarifas de Trump amanhã (4ªF) mantém a apreensão global e os mercados no modo aversão ao risco, com receio de uma guerra comercial de maiores proporções. Depois de dizer que “todos os países” serão atingidos, Trump prometeu ser “mais gentil e mais leniente”, afirmando que é uma “pessoa flexível”. No final do dia, um relatório do USTR acusou o Brasil e mais 58 países de imporem numerosas barreiras contra produtos americanos.


… Sobre o Brasil, o documento afirma que impõe tarifas relativamente altas sobre as importações de uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, TI, eletrônicos, produtos químicos, plásticos, maquinário, aço, têxteis e vestuário.


… Para o USTR, a falta de previsibilidade das alíquotas brasileiras traz dificuldade aos exportadores dos EUA na projeção de custos para fazerem negócios no Brasil, que apresenta restrições e exige que os contratos contenham requisitos de compensação.


… Na véspera do Dia da Libertação dos Estados Unidos, o relatório da USTR é um indicativo que o País também será atingido.


… Com relação à UE, o documento diz que os bens e serviços produzidos pelos americanos enfrentam barreiras persistentes para entrar nos países do bloco europeu, criticado por não manter uma única administração alfandegária.


… Diz o USTR que, embora as tarifas sejam geralmente baixas para produtos não agrícolas, algumas são altas, como os 26% para peixes e frutos do mar, 22% para caminhões, 14% para bicicletas, 10% para veículos e 6,5% para fertilizantes e plásticos.


… Sobre o Canadá, que faz parte do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, o órgão afirma que os EUA continuam preocupados com possíveis ações canadenses que limitariam ainda mais as exportações de laticínios.


… O USTR também cita as barreiras de acesso que dificultam as exportações de vinho, cerveja e destilados americanos.


… Houve também uma queixa em relação à energia, acusando o mercado de Alberta de fornecer pontos de acesso separados e desiguais para os produtores de Montana e de propor taxas adicionais e outras restrições à energia importada.


… A Representação de Comércio americana ainda mencionou a China, citando o Acordo da Fase Um, assinado em janeiro/2020, afirmando que o país ficou muito aquém nos seus compromissos de compra de bens e serviços dos EUA.


… Este acordo prevê melhorar o acesso dos EUA ao mercado chinês nos setores da agricultura e dos serviços financeiros, além de abster-se de práticas problemáticas relacionadas à propriedade intelectual (PI) e transferência de tecnologia.


… Já no domingo, na entrevista à CBS News, Trump havia reclamado da “difícil relação comercial” com os países da Ásia, dizendo que os EUA tratarão os seus parceiros de maneira “muito mais generosa” [do que são tratados].


… Foi nessa entrevista que ele admitiu que “todos os países” serão atingidos pelas tarifas recíprocas, sugerindo que a negociação poderá vir depois dessa primeira medida. “Começaremos com todos os países, vamos ver o que acontece.”


… Trump parece convencido de que “vários países eliminarão tarifas contra nós”, mas, nesta 2ªF, a China, o Japão e Coreia do Sul concordaram em responder conjuntamente às tarifas dos Estados Unidos, informou a agência Reuters.


… A resposta dos parceiros comerciais é um ponto de grande preocupação nesse jogo do presidente dos EUA. O receio é de que retaliações, e não negociações, possam ser o estopim de um movimento de alto impacto para o crescimento global.


… Nos EUA, os temores de uma desaceleração do PIB, que já está nas projeções do mercado, se somam aos riscos inflacionários, na conjunção perversa de estagflação – o que seria um enorme desafio para a política do Fed.


… Se o cenário mais pessimista se confirmar, o Fed talvez tenha de escolher se prioriza a desaceleração da economia, ou recessão, cortando os juros, ou se mantém o aperto monetário para evitar que a inflação se desvie da convergência para a meta.


… Até aqui, o mercado aposta na redução das taxas, assim como a maioria dos Fed boys.


… Nesta 2ªF, John Williams (Fed/NY) disse esperar que a economia dos EUA continue crescendo este ano, em ritmo mais lento do que em 2024. “Não vou prever chances de uma recessão”, mas admitiu que as incertezas sobre as tarifas são elevadas.


… Já o presidente Thomas Barkin (Fed/Richmond) afirmou que não vê um “cenário de estagflação, no momento”.


… Em Wall Street, as incertezas são maiores e continuam a determinar uma corrida para ativos seguros, como o ouro, que renovou máxima história, enquanto o dólar avança ante pares e os juros dos Treasuries cedem na busca por qualidade (abaixo).


REUNIÃO DO BC – As incertezas sobre o cenário externo dominou a reunião entre economistas e diretores do Banco Central nesta 2ªF. Participantes relataram ao Broadcast que o debate das tarifas americanas tomou a maior parte do tempo.


… O único consenso é que a incerteza aumentou e que ainda não é possível cravar qual será o efeito do tarifaço.


… Em linhas gerais, a avaliação dos analistas é de que a mudança na política comercial dos EUA vai levar a uma desaceleração da economia do país e, consequentemente, a um cenário de juros mais baixos.


… Teoricamente, isso seria positivo para o real, mas a aversão ao risco pode enfraquecer o câmbio e pressionar o IPCA.


… Sobre o cenário doméstico, a maioria dos analistas concluiu que o crescimento da economia deve ser maior do que se esperava este ano, devido a medidas como o novo consignado privado.


… Esse quadro acaba implicando em uma inflação alta por mais tempo, exigindo que o BC mantenha os juros em nível restritivo.


… A maioria das projeções para o crescimento do PIB de 2025 ficou entre 1,8% e 2,3%, enquanto as estimativas para a inflação estiveram entre 5% e 6%. Para a Selic, os economistas esperam um nível de 15,0% a 15,5% no fim do ciclo.


DIOGO GUILLEN – Em palestra ontem à noite na Faculdade ESEG, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, previu que o debate sobre incerteza no cenário econômico não se resolverá com o chamado “Liberation Day” nos Estados Unidos.


… “No dia seguinte, vai ter alguma discussão sobre tarifas que não foram implementadas, mas que ainda podem vir, ou qual serão as respostas dos países, algum escalonamento, se houver uma negociação. A incerteza deve se manter.”


… Em relação à política monetária, Guillen disse que, primeiro, será preciso saber como o Fed vai reagir e, segundo, como isso vai ter impacto no Brasil. “É um cenário de incerteza. Há um crescimento global menor e o que vai acontecer com o dólar.”


… Guillen confirmou que a defasagem temporal da política monetária na economia justifica o guidance de alta menor da Selic em maio, mas alertou que o ciclo de aperto permanecerá em meio à resiliência na inflação e ao dinamismo da economia.


… “Acho que o ciclo deve continuar, porque você tem um cenário adverso de inflação, com expectativas desancoradas, resiliência de crescimento, mercado de trabalho, tudo isso leva a um cenário adverso e exige a continuidade do ciclo.”


BRB & MASTER – Após se reunir nesta 2ªF com o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, Galípolo terá hoje (11h) um encontro com o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, logo após a sessão solene de 60 anos do BC na Câmara (9h).


… Paulo Henrique Costa avaliou como positiva a reunião com Galípolo, informando que “o processo de aquisição do Master pelo BRB começa a ser avaliado pelo BC de maneira oficial”. O BRB anunciou a operação, no valor de R$ 2 bilhões, na 6ªF.


… O banco público, controlado pelo Governo do DF, vai comprar 49% das ações ON do Master e 100% das ações PN.


… Além do presidente do BRB, Galípolo se encontrou ontem com o chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, que poderá entrar junto na compra de fatias do Banco Master, segundo reportagem do Estadão (na manchete de hoje).


… Quem acompanha de perto o desenho do negócio diz que carteira de precatórios (dívidas judiciais do governo) do Master ainda pode interessar ao BTG Pactual, pois esse era o interesse central de Esteves ao analisar as contas do Master.


… O BTG é um banco que atua fortemente nesse segmento.


… O Master detinha R$ 6,93 bilhões de precatórios federais, R$ 94,5 milhões de estaduais e R$ 58 milhões de municipais em junho do ano passado. O balanço do ano de 2024 fechado ainda não foi divulgado.


… O retorno do BTG para a mesa de negociação não afetaria a compra já anunciada pelo BRB. A saída pode ser costurada em uma negociação paralela, que seria analisada de forma conjunta pelo Banco Central mas em processos distintos.


… A esperança dos agentes que participam do desenho do negócio é que BRB e BTG consumam a maior parte das obrigações do Master e deixem uma porção menor na operação remanescente do banco, que apresenta maior risco.


… Dessa maneira, uma eventual intervenção do Banco Central ou dos bancos privados, via Fundo Garantidor de Crédito (FGC), custaria menos, diminuindo o risco para o sistema financeiro como um todo.


… O processo tem até 360 dias para ser analisado, mas a expectativa é que a operação seja concluída em até seis meses.


MAIS AGENDA – Além do presidente Gabriel Galípolo, todos os diretores do Banco Central participam hoje da sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos do Banco Central, a partir das 9h.


… Entre os indicadores, a FGV divulga o IPC-S de março (8h), com a mediana das estimativas desacelerando a 0,54% (1,18% em fevereiro), e a S&P Global informa o PMI industrial de março, que registrou 53,0 no mês de fevereiro.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/6/2031 e de NTN-B para 15/8/2028, 15/8/2032 e 15/5/2045.


… Na Europa, o dia começa com o PMI industrial de março no Reino Unido, na Alemanha e na zona do euro, que também divulga os dados preliminares da inflação de março e a taxa de desemprego de fevereiro.


… Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa em evento na Alemanha às 9h30.


… Nos EUA, o PMI industrial da S&P Global (10h45) pode recuar para 49,8 em março (de 52,7 em fevereiro) e o PMI industrial/ISM (11h) tem previsão de queda para 50,3 (em fevereiro).


… Também às 11h, sai o Relatório Jolts, com a abertura de vagas de emprego em fevereiro; previsão: 7,625 milhões.


CHINA HOJE – PMI industrial medido pela S&P Global/Caixin subiu para 51,2 em março, acima da expectativa de 50,8.


… Ainda na Ásia, o PMI industrial do Japão caiu de 49,0 em fevereiro para 48,8 em março.


… Também nesta 3ªF, o relatório Tankan informou que as empresas japonesas aumentaram suas previsões de inflação para um ano, três anos e cinco anos, apoiando os argumentos a favor de mais aumentos de taxas por parte do BoJ.


O RISCO TRUMP – A 2ªF fechou um trimestre que em 2024 parecia improvável.


… O ano começou bem, com Wall Street gostando do fato de o novo presidente dos EUA ter prometido políticas mais amigáveis às corporações. Em fevereiro, as bolsas bateram recordes.


… Mas o otimismo acabou em março com a retórica explosiva de Donald Trump contra parceiros comerciais e geopolíticos históricos e uma política tarifária, a ser anunciada amanhã, que ninguém sabe onde vai dar.


… Nesse intervalo, parte dos investidores passou a conviver com o medo de estagflação na maior economia do mundo, ou mesmo um cenário de recessão.


… Em NY, as bolsas derreteram no trimestre, abaladas principalmente pela baixa do mês passado. Em março, o Nasdaq perdeu 8,21%, o S&P 500 caiu 5,75% e o Dow Jones, -4,20%. De janeiro a março, caíram 10,42%, 4,59% e 1,28%, respectivamente.


… A média dos preços das ações das “sete magníficas”, as darlings do mercado até há pouco tempo, caiu 16% no trimestre, segundo cálculo da Bloomberg. Entre os piores desempenhos, Tesla cedeu 36%, Nvidia despencou 20%.


… “Foi um trimestre difícil para os investidores. Nem sabemos quais serão as tarifas finais”, disse Megan Horneman (Verdance Capital Advisors). “As chances de uma recessão aumentaram e os consumidores estão preocupados com os preços mais altos.”


… Ontem, depois de uma sessão de muita volatilidade na antevéspera do dia D das tarifas, o Nasdaq caiu 0,14%, para 17.299,29 pontos, O S&P 500 ganhou 0,55% (5.611,85) e o Dow Jones avançou 1% (42.001,75).


… Na fuga do risco, o yield da note de 2 anos caiu a 3,911% (de 3,914%), o da note de 10 anos, a 4,219% (de 4,235%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,591% (de 4,624%). O índice DXY subiu 0,16%, a 104,21 pontos. Mas no mês (-3%) perdeu terreno.


… O euro ficou estável (-0,07%) em US$ 1,0820; o iene também (-0,04%), a 149,923/US$; e a libra cedeu 0,16%, a US$ 1,2924.


… Enquanto isso, o mercado brasileiro, que terminou 2024 no susto, com dólar acima de R$ 6, juros em disparada e bolsa em queda, foi o ganhador improvável dos últimos três meses. 


… Na rotação global de ativos forçada pelas incertezas nos EUA, investidores viram aqui uma oportunidade de ganhar dinheiro. A entrada de capital gringo derrubou o dólar, queimou prêmios nos juros futuros e disparou o Ibovespa.


… A última sessão do trimestre foi bem negativa em meio à aversão global ao risco, registrada ontem. O Ibov caiu 1,25%, aos 130.259,54 pontos, com volume financeiro de R$ 20,3 bilhões.


… Mas, no trimestre, o índice ganhou 8,29%, puxado pelo resultado de março, quando subiu 6,08%.


… E embora os sinais de que a economia siga em ritmo robusto tenham levantado o temor de uma Selic mais alta por mais tempo, o ranking das vencedoras do trimestre são quase todas ações cíclicas.


… Cogna (+91,7%), Magazine Luiza (+56,1%), CVC (+53,6%), Cyrela (+41%), Assaí (+35,8%), Yduqs (+34,9%) e Carrefour (+33,5%).


… O real foi outro ganhador do período, com ajuda da alta dos 300 pontos-base de alta da Selic desde dezembro passado. No mês, o dólar caiu 3,57%, no ano acumulou baixa de 7,68%. Ontem ainda teve a disputa da Ptax.


… Já em queda firme desde o início do dia, o dólar desceu até R$ 5,7016, acompanhando a virada das bolsas em Nova York para o campo positivo. Fechou em baixa de 0,98%, a R$ 5,7053, na contramão do exterior.


… O discurso do diretor de Política Monetária, Nilton David, garantindo que o BC vai buscar a meta de 3% na inflação, ajudou.


… O alívio no câmbio contribuiu para uma queima nos prêmios dos juros futuros, que também seguiram os Treasuries. Na B3, o Jan/26 caiu a 15,015% (de 15,115% no fechamento anterior) e o Jan/27 cedeu a 14,930% (de 15,060%).


… O Jan/29 foi a 14,715% (de 14,820%), o Jan/31 desceu a 14,860% 9de 14,940%) e o Jan/33, a 14,870% (de 14,940%).


… Na forte queda do Ibovespa ontem, pesou o recuo de 1,49%, a R$ 56,79, de Vale, afetada pelo minério em Dalian (-1,47%).


… Já a Petrobras operou na contramão da alta do petróleo. A ação ON caiu 0,61% (R$ 40,82) e a PN, -0,72% (R$ 37,16), enquanto na ICE o Brent/junho subiu 2,76%, a US$ 74,77/barril, após Trump ameaçar tarifas sobre compradores de óleo russo.


… À noite disse que não é seu desejo tarifar o petróleo russo, e que só adotaria a medida se “houvesse necessidade”.


… As ações dos bancos também caíram, com destaque para Bradesco ON, -2,32% (R$ 11,35), na mínima. Banco do Brasil registrou queda de 1,57% (R$ 28,19), Santander, -1,51% (R$ 26,720), Bradesco PN, -1,32% (R$ 12,67) e Itaú, -0,88% (R$ 31,41).


… Entre as poucas altas da sessão, Grupo Pão de Açúcar saltou 13,60%, a R$ 3,09, após pedido de convocação de assembleia para mudança do conselho da companhia. CVC (-6,19%), Vamos (-6,00%) e Marcopolo (-5,26%) lideraram as perdas.


… Fora do Ibovespa, BRB PN disparou 90,34% e BRB ON, +83,44% (R$ 13,74), após anunciar a compra do Banco Master.


EM TEMPO… Justiça mandou a VALE manter pagamento integral a atingidos de Brumadinho…


… Mineradora celebrou acordo com a Global Infrastructure Partners para joint-venture na Aliança Energia; companhia receberá US$ 1 bilhão em dinheiro e deterá participação de 30% na joint-venture; GIP terá 70%.


PETROBRAS, por meio do seu Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes), firmou acordo de cinco anos renováveis por igual período com o Instituto Francês do Petróleo e Energias Renováveis (Ifpen)…


… Acordo será para pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a projetos de transição energética e descarbonização.


LOJAS MARISA registrou lucro líquido de R$ 5,8 milhões no 4TRI e reverteu prejuízo visto um ano antes; Ebitda somou R$ 120,2 milhões no trimestre e reverteu resultado negativo do mesmo período de 2023.


QUALICORP aprovou a distribuição de R$ 1,56 milhão em dividendos: R$ 0,0055/ação, com pagamento até 31/12; ex em 30/6.


RD SAÚDE aprovou a distribuição de R$ 118,1 milhões em JCP: R$ 0,0689/ON, com pagamento até 1º/12; ex em 4/4.


RAÍZEN. Norges Bank atingiu participação acionária de 5,012% na empresa, passando a deter 68.110.514 de ações PN.


LIGHT. Tempo Capital Gestão de Recursos passou a deter 2.520.441 de ações da empresa, 5,56% do capital social da companhia.


MINERVA. Conselho aprovou proposta de aquisição da Fortunceres e do Frigorífico Patagônia, que será levada a assembleia de acionistas; negócio seria no âmbito de aquisição de ativos da Marfrig.

Banco Master 2

 Josias: Compra do Banco Master é negócio malcheiroso sob qualquer ângulo


31/03/2025 13h56


A compra do Banco Master, anunciada na semana passada pelo banco estatal BRB (Banco de Brasília), é tido como negócio malcheiroso e há risco de não acabar bem, avaliou o colunista Josias de Souza durante o UOL News, do Canal UOL.


Esse negócio que resultou na compra de um pedaço do Banco Master pelo BRB é malcheiroso sob qualquer ângulo que se observe. Há risco de esse negócio não acabar bem.” Josias de Souza, colunista do UOL


Na sexta-feira (28), o BRB anunciou a compra de 58% do Banco Master, em negócio estimado em R$ 2 bilhões. A operação agora precisa passar pela aprovação do BC (Banco Central).


O Banco Master ficou por oferecer um título de CDB extremamente agressivo, um dos maiores rendimentos do setor, e por patrocinar —juntamente com outras empresas com ações em tramitação nos tribunais superiores— eventos jurídicos sobre o Brasil no exterior. No palco desses eventos, estavam ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de autoridades do governo Lula.


O Banco Master estava operando em situação em que o mercado financeiro olhava de esguelha, em uma situação que inspira todas as suspeitas do mundo. O dono do banco [Daniel Vorcaro] é um operador muito agressivo e, ao mesmo tempo, exibicionista.” Josias de Souza, colunista do UOL


O banqueiro no qual Josias se refere se chama Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master: diferentemente da maioria dos banqueiros, que preferem manter a discrição sobre seus investimentos e a sua vida pessoal, Vorcaro não tem problemas com a exposição pública.


O banqueiro já afirmou ter comprado o hotel Fasano Itaim como pessoa física, é sócio do Clube Atlético Mineiro e fez uma festa de debutante estimada em R$ 15 milhões para sua filha, que viralizou nas redes sociais.


Ele adotou uma estratégia agressiva para obter recursos. E utilizou para isso o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), fundo que é abastecido por todos os bancos. O Banco Central alterou regras, não caminhava as regras, ao perceber que a regra não caminhava bem. ”


O Banco Master teve que se capitalizar, alterou regras [...] e o Banco Central acendeu ali algumas luzes no painel de controle.”


Aí vem um banco público, que é o BRB, que é um banco que pertence ao governo de Brasília, e compra um pedaço desse banco, que tem como acionista majoritário o dono do Master. ”


Então, joga R$ 2 bilhões de dinheiro público, em uma operação na qual o mercado considera temerário e que o Banco Central já olhava como precaução. Aí fica a dúvida: como um banco chega a esse ponto e o Banco Central não interveio? Agora cabe o Banco Central testar a rigidez, porque dinheiro público entrou numa operação privada.” Josias de Souza, colunista do UOL


https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/03/31/banco-master-brb-banco-central-compra-aquisicao-suspeitas-criticas-mercado.htm

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...