sábado, 13 de setembro de 2025

Leitura de sábado

 *LEITURA DE SÁBADO: CARLOS SLIM TEM MAIOR POSIÇÃO INDIVIDUAL EM BONDS DA BRASKEM IDESA*


15:00 13/09/2025 


Por Cynthia Decloedt e Talita Nascimento  

São Paulo, 09/09/2025 - O empresário mexicano Carlos Slim tem se movimentado e montado posição no mercado secundário de bonds, já se preparando para uma renegociação de dívidas da Braskem Idesa (subsidiária mexicana da Braskem), da qual detém cerca de 25% das ações. Segundo fontes próximas ao assunto, ele já teria uma das maiores fatias desses títulos, o que lhe dá vantagens na negociação e pode levá-lo a aumentar a participação acionária na empresa. Normalmente, a conversão de dívida em ações é uma das estratégias utilizadas em reestruturações de dívida.


A situação da Braskem Idesa, conforme mostrou o Broadcast, se agravou pela dificuldade de gerar caixa após falhas de fornecimento da petroleira estatal mexicana, a Pemex, e do atraso de uma parada de manutenção. A renegociação em curso, que conta com a Lazard Inc., o Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP e o Sainz Abogados para auxiliar a Braskem Idesa em sua avaliação de opções econômico-financeiras, está diante de uma empresa com problemas de liquidez e que precisa de novos prazos para os vencimentos de bonds.


A expectativa de alguns interlocutores é, no entanto, de que as conversas levarão a um corte (haircut) profundo no valor da dívida da companhia. "A situação de liquidez da Idesa é mais crítica do que se imagina e a reestruturação será dura", disse uma das fontes com conhecimento do assunto.


Outra fonte próxima à empresa acrescenta que a Idesa segue adimplente e que, neste momento, renegocia as condições de vencimentos que ainda estão por vir. Para a Braskem, que atualmente tem 75% de participação na Idesa, os impactos são limitados e, eventualmente, positivos. "A visão, inclusive de analistas do setor, é a de que toda essa questão não afeta, ao menos a princípio, o caixa da Braskem", disse a fonte próxima à empresa. Isso porque, além de ainda não haver atrasos, essas dívidas não poderiam ser cobradas da empresa-mãe brasileira. "Uma solução para a Braskem Idesa pode melhorar o valor de mercado da Braskem", acrescentou outra fonte que é interessada no assunto e acompanha de perto os movimentos.


A dívida líquida da Braskem Idesa é de cerca de US$ 2 bilhões, com alavancagem de 10,21 vezes (dívida líquida sobre EBITDA recorrente). Em 2029, se concentram 44% dos vencimentos da empresa, somando US$ 995 milhões. Procurada, a Braskem não comentou até o fechamento desta reportagem.

Leitura de sábado

 *LEITURA DE SÁBADO: GOOGLE CLOUD AVALIA TORNAR BRASIL UM HUB PARA TREINAMENTO DE MODELOS DE IA*


15:00 13/09/2025 

Por Aramis Merki 


São Paulo, 10/09/2025 - As condições de energia limpa e barata no Brasil colocam o país como um possível centro de treinamento dos modelos de inteligência artificial (IA), aponta Thomas Kurian, presidente global do Google Cloud. Segundo ele, a big tech está avaliando a demanda de empresas ao redor do mundo para usarem data centers brasileiros. Nesta quarta-feira, a empresa anunciou que vai instalar na sua infraestrutura sediada em São Paulo os chips TPU Trillium, que têm foco em processamento de IA.


Os serviços de computação em nuvem da big tech são usados por nove dos dez principais laboratórios de inovação do mundo, e essas instituições podem escolher a localização onde os seus dados ficam armazenados. Segundo Kurian, o Google Cloud já discute com alguns clientes para que a localização da nuvem fique no Brasil. 


Além disso, a sexta geração de TPUs - uma tecnologia de processadores criada pelo Google - servirá para clientes brasileiros que queiram rodar suas aplicações de IA localmente. Esta preferência pode existir por motivos de latência (tempo que os dados levam para serem transmitidos) ou mesmo por exigência regulatória.


*Mídias generativas*


Segundo Kurian, o uso da capacidade de processamento do Google para geração de mídias que vão além do texto já se equipara ao do Gemini, a inteligência artificial generativa da empresa. Há um pacote de ferramentas que o Google chama de mídia generativa, com aplicações para criar imagens, vídeos e áudios. No uso corporativo, o executivo aponta como exemplo o Chirp, que cria vozes personalizadas que estão sendo usadas em call centers. "É uma forma de a empresa ter uma voz para a marca."


O que levou o Google a arquitetar os TPUs foi justamente a necessidade de mais capacidade de processamento para o seu assistente de voz. Em 2015, a companhia notou que se 30% dos usuários fizessem suas pesquisas em áudio, todos os processadores ficariam dedicados a isso. O uso dos TPUs no Brasil, portanto, é importante para viabilizar as IAs generativas de mídias.


*Outros lançamentos*


O Google Cloud também anunciou que organizações brasileiras poderão usar a versão do modelo de linguagem Gemini 2.5 mantendo dados em seus próprios data centers. A mudança permitirá que organizações tenham acesso à tecnologia mais recente sem comprometer requisitos de segurança nem desempenho. A Serpro, empresa estatal de tecnologia da informação, já utiliza os serviços do Google e será diretamente beneficiada.


Kurian destaca que o setor privado também tem interesse na forma, por trazer mais confidencialidade. "Existem empresas de saúde que querem isso porque têm registros de indivíduos que são identificáveis. Alguns bancos também estão usando esta configuração", diz. Além da questão de segurança, há ganhos no desempenho, segundo o Google Cloud.

Fernando Schuller

 Fernando Schüler estreia com o pé direito no Estadão. 👏👏👏


Divórcio brasileiro surgiu com clareza no julgamento de Bolsonaro 

Por Fernando Schüler 


“Para alguns, é o triunfo da democracia! Virada de página histórica! Assim mesmo, com pontos de exclamação. Sempre achei graça em um certo triunfalismo. Ele nos faz pensar que vivemos em um mundo sem contradição. O que por vezes é perigoso. Bolsonaro, por óbvio, tem lá seus pecados. Deveria ter reconhecido a derrota, conduzido a transição, passado a faixa. Deveria ter pedido a seus apoiadores que fossem para casa, antes daquele Natal. Dito isso, nenhum país precisa abrir mão da regra do jogo para defender sua democracia. E isso pela razão singela de que a preservação das regras e ritos republicanos faz parte da essência da própria democracia. E que não passa de uma estupidez sugerir que isso possa ser um estorvo, em algum sentido.


É exatamente este o sentido do voto do ministro Fux no julgamento. Ele diz coisas simples: se um partido vai à Justiça Eleitoral contestar o resultado de algumas urnas, como fez o PL, após as eleições, exerce seu direito. E triste do País que converte direitos em crimes, numa estranha alquimia. E o que faz um ex-presidente, sem foro privilegiado, julgado pelo Supremo, e ainda mais em uma de suas Turmas? Leio em alguns editoriais sobre “excessos” no STF, mas que tudo era necessário para condenar Bolsonaro. Será mesmo? Em algum momento, no embalo dos afetos políticos, aceitamos a tese de que os instrumentos de nossa democracia eram lentos e ingênuos demais para dar conta da defesa da própria democracia. E que por isso precisávamos de um pequeno leviatã solto por aí, falando grosso, censurando de ofício e ajustando as regras à base de pontos de exclamação. Tudo para nos devolver uma democracia liberal novinha em folha, sabe-se lá quando. 


De minha parte, vejo nisso não muito mais do que uma reedição de nossa velha tradição de um autoritarismo instrumental. A tentação do “jeito”, do “foro eterno”, das limitações à ampla defesa, da moça do batom dando um golpe de Estado, da censura prévia reiterada, da imunidade parlamentar indo para o espaço e tudo mais. Muita gente enxerga nisso apenas uma mania legalista meio “anglo-saxônica”, como escutei, dias atrás, em um debate. Discordo. A fidelidade à regra é a virtude republicana que se estende pelo tempo. E qualquer um sabe disso quando tem seus próprios direitos feridos. Quando sua empresa precisa de segurança jurídica; quando uma mulher exige direitos iguais; quando um cidadão demanda liberdade de dizer o que pensa, em um tuite ou na tribuna do Congresso.


No fundo, é este o divórcio brasileiro. Ele surgiu com clareza no julgamento de Bolsonaro. Não uma divergência entre esquerda ou direita, mas sobre o sentido da regra em uma democracia republicana. O ministro Fux terminou calado e mesmo hostilizado por um voto “exageradamente apegado à lei”, como escutei de um advogado. Há certa ironia e diria que uma imensa verdade, nessa afirmação. Algo que só o tempo dirá, como de resto sempre acontece, com quem tem a razão.”

Fernando Cavalcanti

 SÓ UM MILAGRE (DE NOVO)


O branquelão que vos escreve mal tinha saído da adolescência quando um nipo-americano decretou que a história tinha acabado. E com um final magnificamente feliz.


O fim da União Soviética, explicou Francis Fukuyama em 1994, demonstrava o reconhecimento não só do poderio militar e econômico dos EUA, mas de sua supremacia MORAL.


No século XX, a democracia liberal foi desafiada pelo Comunismo. E a sensação de que a democracia não tinha força para combater o totalitarismo comunista fez surgir o fascismo, um totalitarismo sem extinção completa da propriedade privada.


No fundo, como as pessoas inteligentes sabem, as duas desgraças se equivalem. Comunistas e fascistas não se odiavam por incompatibilidade de ideias, e sim porque competiam pelo mesmo púlico.


Num mundo perfeito, a Alemanha nazista e a União Soviética comunista ter-se-iam digladiado sozinhas. Até que a vencedora do duelo de titãs totalitários ficasse tão exausta que fosse, numa vitória de Pirro, depois facilmente derrotada pelas democracias liberais.


E o totalitarismo se acabaria, e o mundo seria feliz para sempre.


Em vez disso, na II Guerra Mundial, as democracias liberais foram forçadas a escolher um aliado entre os 2 monstros. Por razões puramente táticas, escolheram o comunismo no lugar do nazi-fascismo.


E a partir daí seguiu-se meio século de horrores sem fim. Parecia que o Comunismo terminaria vencendo as democracias, como triunfara sobre o nazismo.


Lembro-me de meu professor de história no Colégio Nóbrega nos anos 1980, Newton Nery (estará ainda vivo?) colocando um mapa-múndi  no meio da sala de aula e grifando os países que iam virando comunistas em vermelho.


Em 1930, era só a URSS. Em 1950 eram ela, os países da então chamada Europa Oriental ou "Cortina de Ferro" e a China. Em 1970, eram esses e mais várias outras nações do mundo inteiro. E o número, explicava-nos Newton em 1985, não parava de crescer. Pois países capitalistas se tornavam comunistas, mas o contrário nunca se dava. (Impressionante como ele não percebia o caráter sinistro dessa diferença.) Em breve, concluía nosso teacher, babando de satisfação, o mundo inteiro seria vermelho.


Mas milagres existem.


E o branquelão que vos fala viu na TV, em 1989, após o aparentemente despretensioso repensar de excessos da Perestroika soviética, o povo alemão destruindo euforicamente o muro que separava, como as grades de uma prisão, os habitantes de Berlim. Em seguida, o país reunificou-se, e todas as ditaduras da Cortina de Ferro, uma após a outra, inclusive a própria URSS, desmoronaram feito gigantes de pés de barro.


Parecia um sonho tornado realidade. A dream come true.


E otimistas feito Fukuyama correram a explicar que o comunismo já estava "podre" por dentro. Agora, o mundo inteiro se tornaria democrático. O tal fim da história.


Em vez disso, líderes comunistas que não tinham o "penchant" democrático de Gorbachev e Yeltsin refletiam na lição oposta: "Se não esmagar logo o povo quando exige a democracia , a gente cai do poder."


E assim, pouco depois, quando o povo chinês tentou fazer sua própria Perestroika, foi massacrado. O mesmo ocorreu em outros países comunistas.


Calma, disseram os experts, o sonho não acabou. Incrementemos as relações comerciais com os países comunistas remanescentes, e eles, gradativamente, se tornarão democráticos. Mercados livres trarão ideias livres.


Well, essa "osmose" não se verificou. Ao abandonarem as economias fechadas e planificadas, permitindo uma dose controlada de capitalismo, sem liberdades individuais, as ditaduras comunistas só fizeram se tornar mais ricas. E, portanto, mais poderosas.


Voltaram a crescer e multiplicar-se pelo mundo e continuam tão avessas à democracia como antes. Só que, agora, têm muito dinheiro.


E nada é tão perigoso como gente má com dinheiro.


Então, eis o mundo de hoje: os EUA são uma nação dividida e instável, a Europa é um continente decadente, o Japão e a Coréia do Sul morrem de pura insuficiência de natalidade, enquanto a China caminha para ocupar o lugar dos EUA como potência mundial dominante.


Só que com a China não vai ter essa historinha de "soft power" dos americanos. Que procuram dominar pelo fascínio do dinheiro, da moda, do entretenimento e dos prazeres sensuais.


O domínio chinês é sinceramente brutal: ajoelhe-se, cale a boca e será deixado em paz. Do contrário, cadeia ou morte. Como Tibete, Hong Kong e, especialmente, Xinjiang bem o sabem. E Taiwan morre de medo de vir a experimentar.


Essa conversa toda é para dizer que concluí que o mundo, que eu , em minha feliz juventude, pensava que tinha dado certo está muito pior do que antes.


O cinquentão que vos fala teme ver "1984", de George Orwell, concretizado antes de morrer: com a China como o "Grande Irmão", a dar ordens absolutas para o mundo inteiro escravizado.


Acho que só um milagre nos salvará da China.


O que me dá um pouco de esperança é que, em 1985, também parecia que só um milagre salvaria o mundo da União Soviética.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...