sábado, 6 de dezembro de 2025

Millôr Fernandes

 Millôr, que definiu o Brasil como o 'país do oximoro', ganha biografia que vai além da figura pública

Historiadora Andréa Queiroz apresenta novo trabalho após dez anos de árdua pesquisa

Por Nelson Lima Neto

06/12/2025 10h00  

O jornalista Millôr Fernandes em seu ateliê, em Ipanema — Foto: Leonardo Aversa / 21-09-1994


Esta e outras frases célebres da crônica nacional têm a assinatura de Milton Viola Fernandes, o grande Millôr Fernandes (1923-2012), que ocupa a prateleira mais alta do jornalismo. O carioca que fez de Ipanema seu quintal tem sua trajetória contada no livro “De Milton a Millôr: a trajetória de um jornalista ipanemense, pasquiniano e sem censura” (Appris), da historiadora Andréa Queiroz, cujo lançamento acontece neste sábado, no Cafezin Trem das Gerais, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. A obra é o resultado de dez anos de pesquisa que vai além da figura pública, apresentando desde o menino órfão do Méier até o intelectual que transformou humor em crítica e marcou a imprensa alternativa.


“Acredito que Millôr, ao lado de outros cronistas de sua geração, foi um dos grandes criadores da ‘Cultura do Carioquismo’, que apresentava o Rio de Janeiro como metonímia do Brasil, justamente num período em que a cidade era a capital federal”, afirma a autora, que também detalha no livro a suposta invenção do jornalista: o frescobol (foto).


Millôr foi um jornalista artesanal, como define a Andréa. Aprendeu o ofício tendo começado na revista O Cruzeiro como contínuo, e assim foi conhecendo todo processo produtivo.


Não é possível ignorar, também outra grande invenção junto da patota d’O Pasquim, a chamada “República de Ipanema”. Ele projetou em suas crônicas a sua Ipanema ideal, onde fez morada — o escritor virou escultura na orla do bairro — e deixou o seu legado, e que muitas vezes se contrastava com a Ipanema real.


A autora aproveita para listar outras três frases marcantes do mestre:


“Livre pensar é pensar.”

“Sou um carioca de algema. Não me vejo em outro lugar que não seja o Rio.”

“Nós, os humoristas, temos bastante importância para ser presos e nenhuma para ser soltos.”

Por falar em Millôr...

O mestre dizia que vivíamos no país do oximoro — expressões formadas por termos de sentidos opostos, como “o grito do silêncio”. Costumava citar o exemplo da Escola Superior de Guerra: sendo de “guerra”, não poderia ser “superior”. É o caso do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que faz lobby contra o projeto que eleva a taxação da jogatina. Sendo “jogo”, não poderia ser “responsável”. Com todo respeito.

Reflexões

 06/12/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

Reflexões

 

Estourou como uma bomba o anúncio nesta semana de que o “mito” Jair Bolsonaro, do PL, havia escolhido seu filho, Flavio Bolsonaro, o 01, para herdar seu espólio político. Dentre os Bolsonaros se tornou então o candidato “oficial”. Bom? Ruim? Será o senador por São Paulo competitivo para enfrentar a candidatura da frente de esquerda em 2026, ao que tudo indica, Luis Ignácio Lula da Silva, até porque não existem outras opções.

 

Diante disso, muitos já consideram a eleição de Lula, a quarta, no alto dos seus quase 80 anos, como “favas contadas”, não sendo surpresa se acontecer em primeiro turno em 2026.

 

Pode ser que sim, pode ser que não. Um ponto a salientar é o desgaste de Lula, da frente de esquerda, aqui incluso o PSOL, o PDT, o PSB, o Podemos, e outros. Todas as pesquisas indicam que Lula não é o franco favorito em 2026. Mais ainda. Existe elevada rejeição (também para Bolsonaro) e se o candidato adversário for Tarcísio de Freitas, as coisas podem mudar.

 

O fato é que Flavio Bolsonaro não tem bagagem para encarar uma eleição majoritária com o PT, contra a máquina pública, etc. Isso pode deixar o Tarcísio de Freitas nas portas de uma desistência, preferindo a reeleição do governo do Estado e deixando para 2030 um possível embate nacional. Ruim, muito ruim para os mercados, que no dia 05 operaram em forte realização, Ibovespa recuando mais de 4% e dólar, próximo a R$ 5,45.

 

Por outro lado, importante que se diga que a “famíglia” Bolsonaro, na sua incompetência costumaz, conseguiu entregar os anéis para esta turba hoje no poder, mas as eleições subjacentes, nos estados, Câmara, Senado, podem mostrar o contrário. Nas duas últimas eleições tivemos uma avalanche de votos da centro direita.

 

Há um sentimento “antiPT” na sociedade brasileira. Um cansaço por uma retórica gasta e repetitiva. Um modelo de gestão que só se repete na incompetência e na corrupção, dados os tantos esquemas. Não me eximo de sinalizar que em 2026, a eleição presidencial talvez seja disputada (vamos ver, ainda, quem irá para o segundo turno), mas não é difícil prever a surra q o PT vai levar, de novo, nos estados e no Congresso.

 

A ESQUERDA é sempre, burramente, "procrastinadora", não gosta de se expor, porque isso significa desgaste de popularidade. A partir daí, vai se observando governos de centro esquerda, notórios por “procrastinar” soluções impopulares, corretivas, mas duras.

 

Lembremos que foi isso a acontecer em Portugal, nos tantos anos da "geringonça", bloco de esquerda com o PSD; é isso a acontecer com o PT,se aliando aos bandidos e fisiológicos do Centrão. Mais de 20 anos no poder.

 

O Brasil mudou nestes 20 e tantos anos? Se mudou, foi pouco. Vários indicadores concretos só confirmam q continuamos um país injusto com elevada concentração de renda.

 

O fato é que o Brasil, e o mundo, pioraram em muitos aspectos neste século XXI. A violência explodiu nas grandes cidades, a vontade ir embora, uma realidade. São mais de 700 mil brasileiros tendo emigrado para os EUA, Miami e Boston em particular, para a Europa, Portugal como foco.

 

Além disso, são 16 milhões de brasileiros vivendo pessimamente em favelas, aos q os "politicamente corretos" cismam em chamar de "comunidade". Não, é favela mesmo, sem a mínima condição, sem saneamento, sem ventilação nos casebres, sem serviços públicos, em zonas de risco...é FAVELA sim e, mais do que isso, é invasão, ato este que o Brizola liberou no passado. A isso chamamos da “cultura da procrastinação”. Vivi isso em Portugal, com as portas escancaradas para a imigração, e muito poucas ações corretivas, endurecimentos, controles de aeroportos e fronteiras. Diante disso, houve uma invasão, paquistaneses, angolanos, brasileiros, venezuelanos, indianos, tibetanos, cabo verdianos, etc, etc. E muitos sem a mínima perspectiva, se empoleirando em pequenos apartamentos estourando...10 num quarto, inclusive, com fogareiro....vários incendios ocorreram a partir daí.

 

É neste contexto que abriram espaço para o crescimento da direita mais radical, ou conservadora, com o partido do André Ventura, o "Chega". O mesmo aconteceu para esta direita evangélica e messiânica aqui no Brasil.

 

Retornando às pobres cidades brasileiras, vamos nos espantando com o péssimo nível das governanças, dos governos municipais e estaduais. Zero de planejamento urbano, de visão de cidade, etc.

 

Aaahh isso é culpa da ditadura e do vácuo de 20 anos. Mentira. A ditadura acabou em 1985, 40 anos atrás! Desde então tivemos uma péssima Constituição, cheia de penduricalhos e exageros, q não trouxe grandes melhorias, só excessos e mais soluções mal engedradas. É o caos na Educação Pública, na segurança.

 

Somos o país dos puxadinhos, das gambiarras. E as coisas só pioram. Sempre me espanto.

 

Ahhh, precisamos importar tudo !! Somos pobres estruturalmente. Não, não somos! Somos uma potência em recursos. Temos energia limpa e barata, recursos naturais em abundância, terra a não acabar mais. Por que então tantos atrasos?

 

Perguntem aos 20 e tantos anos de lulo petismo, por exemplo. Precisaríamos de mais 20 anos de um governo equilibrado no poder, enxugando o Estado, privatizando empresas, saneando outras, para pensarmos num ciclo virtuoso. Infelizmente, o PT ganhou. E vai ganhar de novo se a oposição não apresentar alternativas e se unir.

 

Agora, é tentar juntar e resgatar os cacos.

Mercado com menor margem

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