quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Hugo Studart

 COMO BRIZOLA FORJOU LEONEL 

Poucos sabem, mas o líder político Leonel Brizola não se chamava Leonel. Nasceu Itagiba. Em 1923, quando tinha 1 ano, seu pai morreu degolado em uma daquelas revoltas armadas que sempre assolaram os pampas. Fazia parte das tropas de um caudilho maragato, o general Leonel Rocha. Itagiba passou a infância brincando de peleias; ele sempre era, com muito orgulho, o general Leonel. Aos 13 anos, quando foi para a cidade aprender a ler e escrever, teve que se registrar. Quando o escrivão lhe perguntou o nome, não tergiversou: Leonel de Moura Brizola. 


Acabo de ler a primeira referência a Leonel, o ídolo de Itagiba. A história se passa no conturbado governo de Artur Bernardes (1922-1926), quando explodiram revoltas armadas contra as oligarquias da Velha República para todo lado: Rio de Janeiro, com os 18 do Forte, Rio Grande do Sul e São Paulo, desencadeando a coluna de "revoltosos" liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, chefiada pelo major Miguel Costa e tendo como seu adjunto o capitão Luiz Carlos Prestes (movimento este que restou registrado pela História como Coluna Prestes)


A revolta dos pampas foi a pior, uma verdadeira guerra civil, desencadeada quando o caudilho Borges de Medeiros consegue se reeleger, na esteira de Bernardes,  para o sexto mandato como presidente do Rio Grande. A guerra civil, iniciada em janeiro de 1923, espalha-se pelo Estado, da Serra Gaúcha até a fronteira com a Argentina. Foram 13 batalhas, quase todas lideradas pelo general Honório Lemes. Leonel Rocha  era um dos comandantes "revolucionários", que liderou uma batalha na região de Carazinho, onde nasceu Brizola.


Em dezembro de 1923 o presidente Bernardes conseguiu negociar um acordo, com armistício e anistia, no qual a Constituição gaúcha fora alterada para impedir a reeleição de Borges de Medeiros (com a vitória politica dos rebelados, abriu-se caminho para que em 1927, em conluio oligarquico e fraude nas urnas, escolhessem governador o jovem ministro da Fazenda, um tal de Getúlio Vargas).


Mas muitos já haviam sucumbido com a revolução de 1923, dentre eles Brizola-pai. Contudo, naquela "revolução" seria forjada, ainda criança, um dos mais relevantes líderes políticos da história brasileira.


Votei em Brizola, sempre no primeiro turno, em 1989 e 1994. Hoje lamento o legado de caos que deixou em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Foi ele quem permitiu que o tráfico tomasse conta dos morros cariocas. Um mal até hoje não consertado.


Hugo Studart


Das lembranças de há 6 anos)

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