segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Sergio Bulgacov

 Desde minha incursão pela esquerda, quando jovem, pude conhecer mais de perto suas práticas, contradições e a realidade de suas entranhas, tornei-me liberal e de direita por convicção. Essa mudança não ocorreu por acaso, mas pela observação de suas práticas e ideais ao longo da história, bem como pelas experiências em diferentes países.


A direita também tem suas contradições, mas considero seus princípios e propostas mais realistas e próximos dos desafios concretos da sociedade.


Para esta eleição, meu candidato era Tarcísio. Não foi possível.


Resta-me, agora, a esperança de uma alternância de poder que traga mudanças efetivas, especialmente naquilo que, a meu ver, nunca recebeu da esquerda a atenção e a prioridade necessárias, no Brasil e em outras partes do mundo.


Refiro-me a questões fundamentais:


- Educação e universidades que realmente façam a diferença na formação das pessoas e no desenvolvimento do país.

- Fortalecimento das instituições, com respeito às leis, à democracia e à responsabilidade pública.

- Investimento em ciência, tecnologia e produtividade, tanto no setor público quanto no empresarial.

- Segurança pública, para que o cidadão possa exercer o direito elementar de andar livremente pelas ruas, sem medo.

- Combate efetivo ao narcotráfico e ao avanço do crime organizado.

- Aprimoramento do SUS, reconhecendo suas virtudes, mas enfrentando suas deficiências.

- Presidente e ministros que saibam o que está acontecendo e compreendam os problemas do país, e assumam a responsabilidade por elas.

- Valorização do mérito no serviço público, com competência e qualificação como critérios fundamentais de seleção e ascensão profissional.


Não há transformações instantâneas. Mas estou convencido de que, se conseguirmos melhorar apenas 10% em cada uma dessas áreas, o Brasil será o melhor país do mundo.


Mais um aspecto que considero fundamental: causa-me estranheza e até constrangimento observar colegas professores que convivem diariamente com os graves problemas de suas universidades, comportando-se como se eles simplesmente não existissem.


Jamais consegui aceitar essa postura de indiferença, muito menos a conivência com o descaso institucional e o acobertamento sistemático de problemas que deveriam ser reconhecidos, discutidos e enfrentados com responsabilidade.


A universidade não pode exigir espírito crítico da sociedade enquanto se recusa a exercê-lo sobre si mesma.


Tornar a crítica mais contundente reduz as repetições e ganha fluidez e competencias.

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