terça-feira, 22 de setembro de 2026

Questão não é ideológica, mas ética

É preciso colocar o debate político no Brasil no seu devido lugar. Muitos chegam ao “ultrapassado”, mas sempre oportunista, argumento, de que há importância na governança do PT de Lula, atualmente, neste terceiro mandato, pela preservação da “democracia”. Foram eles a preservarem a tal da “democracia”, depois da tentativa quixotesca de golpe de alguns elementos isolados do governo Bolsonaro.

Pois é, mas vamos esclarecer.

A tentativa de golpe veio de um ato desesperado de parte do governo Bolsonaro, sabendo que o retorno de Lula ao poder representaria o retorno dos escândalos de corrupção, o que acabou se confirmando com o caso das aposentadorias do INSS, do caso Lulinha e do escabroso caso do Banco Master.

Além disso. Não há aquela velha máxima de que “democracia” é uma plantinha que deve ser regada com carinho a todo momento... A bem da verdade não é isso que temos visto no dia a dia dos poderes, nas escusas relações entre eles.

O que a governança doo PT mais tem feito é torturar a “democracia”, com inúmeras situações em que o regime democrático é insuficiente e sempre usurpado.

As perseguições à candidatos da oposição, como no caso do Deltan, é um exemplo disso. Nada justifica, apenas pelo fato de que o juiz que deliberou é ligado ao PT e ao Lula. Na verdade, é ligado a Gleise Hoffman.

Em verdade, o que temos é o aparelhamento vergonhoso da máquina pública, de orgãos de controle, como o STF. Predomina a a velha máxima de José Dirceu de que todos têm um “preço”, o que o levou a sair comprando todo o Congresso e outras instituições, quando do escândalo do Mensalão. Isso é a “democracia” do PT- De fato, ela tem um preço. E a estranha cooptação dos presidentes do Senado e da Camara, Alcolumbre e Motta?

Cadê o equilíbrio e a harmonia dos poderes, tão necessários numa democracia?

Em VERDADE, não tem nada de democracia ou disputa ideológica, muito menos, um projeto de governo. O que há é uma acirrada disputa pelo poder, por nacos do setor público, pelos interesses que estão em jogo no momento, e partindo do PT, do quinhão de grana em disputa.

Mais um ponto. Não existe mais ideologia no mundo. Isso é apenas uma “cortina de fumaça”, um subterfugio para a defesa de certos “interesses” , nem sempre republicanos ou democráticos.

Façamos uma análise histórica da evolução das esquerdas, o “porquê” deste conceito.

Os termos, esquerda e direita, nasceram na Revolução Francesa, mais precisamente, em 1789. Naquela ocasião, os membros da Assembleia Constituinte, reunidos para deliberar sobre o poder de veto de Luís XVI, sentaram-se espontaneamente de ambos os lados do presidente: à direita, os monarquistas fiéis ao rei e dispostos a lhe dar o direito de veto absoluto; à esquerda, os adversários que queriam limitar o veto do rei. Dessa distribuição dos deputados por afinidades originou-se a separação entre direita, considerada conservadora ou reacionária, e esquerda, considerada reformista ou revolucionária, marcadores que ainda pontuam a vida política de todas as democracias do mundo.

Outro evento marcante, o que inclusive, deu origem ao socialismo, foi o movimento dos socialistas utópicos, emergidos das relações de trabalho extremamente injustas na eclosão da revolução industrial. Surgiram daí os movimentos dos trabalhadores, o que, depois deu origem à obra seminal de Karl Marx, Das Capital. Eram os trabalhadores buscando conquistar os direitos, que depois se consolidaram, como a criação dos sindicatos, os turnos de trabalho, os limites, etc.

O problema é que ao longo da história foi se observando também a esquerda, muitas vezes, na contramão dos acontecimentos. E isso sempre foi a marca do PT, afeito a diversas situações de “efeito”, clichês, mas zero em profundidade e longevidade.

Fazendo um balanço rápido, veremos que o PT foi contrário ao Plano Real, à diversas transferências de controle de estatais ineficientes para o setor privado, privatizações, reformas estruturantes, etc. Imaginem deixar a telefonia com o Estado? Um desastre.

E poderíamos lembrar a oposição à independência do BCB, preferindo que a instituição continuasse à mercê dos interesses privados de grupos de pressão. Poderíamos citar outras diversas situações em que o país avançou, mas o PT foi contra, como nas reformas da Previdência ou trabalhista.

Na verdade, tudo que representou avanço para o País, o PT sempre foi contrário, pelo espírito de corpo dos servidores, dos sindicatos aparelhados, etc.

E o que dizer dos vários esquemas do PT com empreiteiras, estatais, Centrão, empresários, etc?

No caso das empreiteiras, Lula se tornou um “caixeiro viajante”, um mascate, a viajar por países da Africa, sempre em comunhão com governos corruptos.

Em verdade, em vários países os movimentos de esquerda vão se perdendo por uma visão superficial da realidade, um olhar sempre procrastinador e idílico sobre a necessidade de mudanças mais profundas. Diante disso, alguns caroneiros, outros mais oportunistas, ou até candidatos providenciais e sensatos, de outro espectro político, vem conquistando espaço.

Não se trata do velho embate entre esquerda e direita, mas sim da assertividade ou a falta dela, da objetividade contra o discurso vazio e da idealização excessiva contra o pragmatismo e a objetividade.

Nos EUA, há a ascenção da direita personalista de Donald Trump, em Portugal, o partido Chega, respondendo com mais objetividade ao problema da imigração, além de grupos considerados radicais de direita na Alemanha, inclusive, flertando com o neonazismo, algo execrável e condenável.

Na América do Sul, também há um movimento forte de expansão de grupos mais conservadores, na Argentina, Colombia, Chile, Peru, etc. Aos poucos, a esquerda vai perdendo espaço, não só na América do Sul, mas pelo mundo.

Em verdade, não dá para achar que a corrupção, a traficância de influência, o aparelhamento da máquina pública, vêm sendo levado a frente com “excelência” apenas por governos de esquerda. No Centrão, a direita predomina e a corrupção, um modus operanti.

Mas a impressão que se tem é que a esquerda, e aqui destacamos o PT, colocou como algo secundário a questão ética, o combate à corrupção. Sintoma dos tempos.

Afinal, eles tiveram que partir para esta narrativa capenga, já que toda a cúpula do PT se viu envolvida na LAVA JATO e no Mensalão. Blindaram o presidente Lula, mas várias provas, anotações dos CEOs da Odebrecht, por exemplo, o colocavam no centro do furacão. Não me parece que tenha sido algo isolado, mas sistemático, organizado, hieraraquizado.

Em verdade, o mote do PT, das esquerdas, tem sido levantar também maus feitos de outros candidatos, do bloco conservador, para argumentar que todos roubam, portanto…

Nada mais comodista, como é a forma de atuação das esquerdas…

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