quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Call Matinal 0411

04/11/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0311)

Na terça-feira (03), o Ibovespa fechou em forte queda de 1.42%, a 165.528 pontos, volume de R$ 42,6 bi, pressionado principalmente por Petrobras e Vale. A preocupação com possíveis mudanças na condução da política econômica e da Selic pesou sobre os negócios, na véspera da decisão do Copom. Já o dólar subiu 0,79%, a R$ 5,487, enquanto os juros futuros avançaram, refletindo a cautela dos investidores com os rumos da economia brasileira. Tá feia a coisa.

 

 

MERCADOS

Principais Mercados

NY +0,3% US tech +0,6% US Semis +2,6% UEM -0,5% España -0,8% VIX 20,8% Bund 3,33%. T-Note 4,97%. Spread 2A/10A USA=+32pb B10A: ESP 3,93% PT 3,77% ITA 4,46% FRA 4,95% Euribor 12m 3,32%. USD 1,119 JPY 177,6/€. Ouro 3.930$. Brent 103,6$. WTI 96,1$. Bitcoin +1,4% (77.804$). Ether +1,7% (2.293$).

 

Dia 0411

Mercados acordando nesta manhã de quarta-feira refletindo a dura derrota de Donald Trum, nas eleições midterm ocorridas ontem. Uma nova composição de forças se estabelece a partir daí, com Trump tendo que tomar decisões primeiro pensando no Congresso. Na composição de forças, os democratas passam a ter 54 cadeiras no Senado, contra 44 dos republicanos e na Câmara, 231 a 139. Isso pode representar algum impacto ao mundo em conturbação que estamos vivendo atualmente. Só consideramos difícil encontrar algum candidato forte para as próximas eleições presidenciais, talvez alguém ligado ao grupo de Barack Obama. No mercado, dia de Copom e parece que o BCB deve ignorar os debates sobre as sugestões de André Lara Resende, e até manter o juro no patamar atual (13,75%), como quem diz, “eu não me dobro à pressões políticas”. Uma pausa no ciclo de quedas, até que se dissipem as incertezas sobre as políticas fiscal e monetária, daria tempo para uma reavaliação do cenário e permitiria retomar a calibração dos juros em condições mais favoráveis. Insistir no corte em meio ao estresse poderia ampliar a turbulência e colocar em risco a credibilidade do Copom. Aguardemos a reunião com o resultado a ser divulgado após as 18h30.

 

Agenda, 0411

Brasil

5h - IPC-Fipe de outubro, que deve desacelerar de 0,51% para 0,45%.

8h - FGV divulga o IPC-S Capitais de outubro.

14h30 - Ministério do Trabalho libera o Caged de setembro, com previsão de abertura líquida de 163.639 vagas formais

Banco Central informa o fluxo cambial semanal. 

Fenabrave apresenta hoje os dados de emplacamentos de veículos de outubro.

Resultados do terceiro trimestre, após o fechamento do mercado: Axia Energia, GPA, C&A, Dexco, Vibra Energia, Prio, Smart Fit, Tenda e Totvs.

Europa

PMI finais de serviços de outubro, com a Alemanha, zona do euro e Reino Unido. 

7h - prévia da inflação ao consumidor da zona do euro tem expectativa de aceleração da taxa anual de 3,8% para 4%.

Estados Unidos

10h15 - relatório ADP de emprego privado.

10h30 - balança comercial de setembro, com déficit estimado em US$ 107,8 bilhões.

11h45 - PMI final de serviços, seguido, ao meio-dia, pelo ISM de serviços, que deve subir de 54,9 para 55 pontos.

12h30 - Departamento de Energia (DoE) divulga os estoques semanais de petróleo, com previsão de queda de 200 mil barris.

 

 

 

Boa semana a todos !         

BDM Matinal Riscala

 *COPOM DEVE OPTAR POR PAUSA NOS CORTES DA SELIC*


[04/11/26]


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato


... Dificilmente o BC irá contrariar a forte deterioração do ambiente financeiro e levar adiante o corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, esperado antes da reeleição do presidente Lula. Uma pausa no ciclo de quedas, até que se dissipem as incertezas sobre as políticas fiscal e monetária, daria tempo para uma reavaliação do cenário e permitiria retomar a calibração dos juros em condições mais favoráveis. Insistir no corte em meio ao estresse poderia ampliar a turbulência e colocar em risco a credibilidade do Copom. Trata-se, sem dúvida, da reunião mais difícil presidida por Gabriel Galípolo, em meio a uma enorme expectativa do mercado. O resultado será divulgado após as 18h30.


*COPOM NA BERLINDA* – A manutenção da taxa Selic em 13,75% tornou-se o cenário majoritário, diante da forte deterioração das condições financeiras, da piora das expectativas de inflação e das incertezas sobre a política fiscal do próximo governo.


... A ausência de sinalizações concretas sobre o ajuste das contas públicas e a composição da equipe econômica elevou os prêmios de risco, provocou forte depreciação cambial e abriu a curva de juros futuros, que já incorpora expectativas de novo aperto monetário em 2027.


... A discussão em torno das propostas de André Lara Resende para um novo desenho da política monetária acrescentou uma fonte de incerteza.


... As negativas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que as propostas estejam em avaliação no governo não foram suficientes para tranquilizar o mercado. Até porque sua permanência no cargo durante o Lula 4 é considerada improvável.


... Nesta terça-feira, o primeiro Focus após a eleição confirmou a dimensão da deterioração das expectativas. 


... A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, enquanto a estimativa para 2027 saltou de 4,34% para 4,76%. A piora alcançou também os horizontes mais longos, com as projeções para 2028 indo de 3,75% para 4% e as de 2029, de 3,5% para 3,98%.


... No câmbio, a projeção para o dólar em dezembro deste ano saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto a estimativa para o fim de 2027 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40. Para a Selic, o consenso passou de 13,25% para 13,50% no fim de 2026 e de 11,75% para 12,50% em 2027. 


... O movimento reforça a percepção de que o mercado já não espera apenas uma interrupção temporária dos cortes, mas também uma trajetória de juros mais elevados nos próximos anos. As opções digitais negociadas na B3 apontam predominância das apostas de manutenção da Selic.


... Ontem, XP e Santander também abandonaram a previsão de queda de 0,25 ponto porcentual na reunião de hoje. Para Marco Antonio Caruso (Santander), pausar o ciclo neste momento seria a forma mais confiável de preservar a possibilidade de novos cortes adiante. 


... Sérgio Goldenstein (Eytse Estratégia) também considera a pausa a alternativa mais adequada, diante da deterioração do balanço de riscos.


... Segundo ele, a elevação dos prêmios de risco, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação representam a materialização de riscos altistas já identificados pelo próprio Copom, em especial a desancoragem das expectativas e o câmbio persistentemente depreciado.


... Goldenstein estima que a projeção de inflação do BC para o segundo trimestre de 2028, novo horizonte relevante da política monetária, possa chegar a 3,5%, ante os 3,1% projetados em setembro para o mesmo período e os 3,2% previstos para o primeiro trimestre.


... Já no câmbio, alerta para uma particularidade: a média em dez dias úteis usada pelo Copom ficou próxima de R$ 5,20, enquanto o dólar já ronda R$ 5,50. Se a depreciação persistir, parte das pressões inflacionárias poderá não estar integralmente refletida no cenário de referência.


... O economista chama atenção ainda para a combinação de choques de custos, incluindo o petróleo acima de US$ 100, o risco de reajustes dos combustíveis, os possíveis efeitos do El Niño sobre alimentos e energia e o impacto da redução da jornada de trabalho. 


... O principal argumento em favor da pausa está nos riscos de um corte adicional de apenas 0,25 ponto porcentual. 


... Na avaliação de Goldenstein, se a decisão fosse interpretada como uma postura excessivamente tolerante diante da piora inflacionária, poderia provocar nova abertura da curva de juros, pressão sobre o câmbio e maior deterioração das expectativas.


... O resultado seria um aperto das condições financeiras capaz de neutralizar, ou até superar, os benefícios da redução da Selic.


... Há, contudo, fatores que recomendam cautela antes de concluir que a Selic precisará voltar a subir. 


... A atividade econômica apresenta sinais de desaceleração, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros, enquanto a restrição do crédito, o aumento da inadimplência e a piora das condições financeiras tendem a conter a demanda. 


... A própria abertura da curva de juros já representa um aperto adicional, independentemente da decisão do Copom. Goldenstein projeta crescimento de apenas 0,5% para o PIB em 2027 e não considera que o estresse recente, por si só, justifique novas altas da taxa básica.


... Para o comunicado, ele espera um tom mais conservador, com reconhecimento da piora do balanço de riscos e da necessidade de acompanhar a evolução das condições financeiras, sem declarar encerrado o ciclo de cortes nem descartar a possibilidade de retomá-los.


... A pausa permitiria ao Banco Central ganhar tempo até que haja maior clareza sobre a política fiscal, preservando a flexibilidade para voltar a calibrar os juros caso o cenário se torne mais favorável. Assim, 2027 e até mesmo dezembro continuam sendo opções vivas.


*BDM LIVE* – Horas antes da decisão do Copom, hoje, às 12h, Rosa Riscala e Téo Takar entrevistam Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, sobre as perspectivas para a Selic e os desafios diante da deterioração do cenário fiscal e financeiro após as eleições.


*JUROS SEM TABU* – Em meio à enxurrada de críticas à proposta de André Lara Resende há duas perguntas incontornáveis: Por que o Brasil convive há tanto tempo com uma das maiores taxas reais de juros do mundo? E qual é o peso dessa política sobre a trajetória da dívida pública?


... Em artigo publicado em setembro, intitulado Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos, Lara Resende sustenta que o principal motor do desequilíbrio fiscal não é o déficit primário, mas o custo de financiamento da dívida, que já consome mais de 10% do PIB ao ano.


... Enquanto a dívida bruta custa quase 13% ao ano, o PIB nominal cresce cerca de 7%, tornando insustentável a trajetória do endividamento. Para ele, nenhum ajuste nas contas primárias seria capaz de compensar essa diferença sem provocar uma recessão profunda.


... Assim, o economista propõe uma mudança profunda na condução da política monetária, que permitiria reduzir rapidamente o custo da dívida pública, melhorando a perspectiva fiscal e contribuindo, segundo sua tese, para a estabilidade dos preços.


... Para isso, André Lara Resende propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), responsável por estabelecer metas fiscais e monetárias para um horizonte de quatro a cinco anos, incluindo uma banda para a taxa básica de juros.


... A Selic seria reduzida para um intervalo entre 3% e 5,5%, um cálculo que toma como referência um piso equivalente à meta de inflação, hoje em 3%, e um teto correspondente à soma dessa meta com o crescimento potencial da economia, estimado em 2,5%. 


... A transição seria gradual: ao longo de aproximadamente 12 meses, a taxa cairia para perto de 7,5%, incluindo uma margem temporária de segurança de dois pontos porcentuais.


... André Lara Resende também prevê intervenções do Banco Central para suavizar eventuais pressões cambiais decorrentes da saída de capitais especulativos, utilizando parte das reservas internacionais, superiores a US$ 350 bilhões.


... A proposta provocou forte reação entre economistas e instituições financeiras, que questionam sobretudo a possibilidade de reduzir os juros sem comprometer a ancoragem das expectativas de inflação, a estabilidade cambial e o financiamento da dívida pública.


... Lara Resende, porém, rejeita a caracterização de sua proposta como tabelamento dos juros e diz que há “má-fé” nessa leitura. Ao jornalista José Paulo Kupfer (UOL), ele afirmou que sempre foi contrário a qualquer tipo de tabelamento.


*SÓ DEPOIS DA COP* – Lula somente deverá anunciar os primeiros nomes de seu novo ministério após retornar da COP31, na Turquia, segundo informações que circulam em Brasília – o que significa que o mercado ainda poderá ter mais alguns dias de incertezas.


... O presidente participará da conferência climática nos dias 11 e 12, e depois segue para a cúpula da Asean, nas Filipinas, nos dias 14 e 15.


... Para as duas viagens, Lula convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, em nova sinalização de aproximação com o Congresso. Segundo o Estadão, os convites foram feitos na semana passada e ainda estão sob avaliação dos parlamentares.


... O PT já declarou apoio à reeleição dos dois presidentes das Casas em 2027. Enquanto Motta reúne apoio de partidos do Centrão, Alcolumbre enfrenta a possibilidade de uma candidatura do PL, que terá 28 senadores na próxima legislatura e poderá disputar o comando da Casa.


*PEC DA SEGURANÇA* – O Senado aprovou ontem, em segundo turno, por 75 votos a zero, a PEC da Segurança Pública, numa vitória do governo Lula, que conseguiu impedir a inclusão da redução da maioridade penal no texto. 


... Por uma margem apertada, de 38 a 36, os senadores decidiram deixar o tema para discussão posterior. A proposta segue para promulgação.


... A PEC amplia a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado, permite a criação de polícias municipais e destina mais recursos ao setor. Com a aprovação, Lula poderá cumprir a promessa de criar o Ministério da Segurança Pública.


*ORÇAMENTO/2027* – Ainda ontem, o senador Eduardo Braga (MDB) foi indicado relator da peça, que o governo pretende aprovar até 17/12.


... Com a definição do relator, a equipe econômica poderá enviar uma mensagem modificativa, remanejando recursos para acomodar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, sem elevar o total de despesas previsto nem alterar a meta fiscal, segundo o Ministério do Planejamento.


*MIDTERMS* – Democratas saíram na frente na apuração das eleições americanas, na Câmara e no Senado, enquanto os mercados acompanham os resultados em busca de sinais sobre a força política de Donald Trump na segunda metade de seu mandato.


... Os futuros de Nova York perderam o fôlego inicial e passaram a cair, acompanhados pelos rendimentos dos Treasuries. Segundo o ING, o dólar pode ser pressionado, tanto pelo risco de paralisia política quanto por possíveis efeitos sobre o entusiasmo dos investidores com a IA.


... A IA entrou no debate eleitoral diante das críticas aos incentivos fiscais para data centers, ao consumo de energia e água e aos impactos dessas instalações sobre as comunidades. Uma maioria democrata no Congresso poderia abrir espaço para maior escrutínio e restrições ao setor.


... O Brown Brothers Harriman avalia que uma vitória democrata nas duas Casas deve ter reação moderada, por já estar incorporada às apostas. Mas, no início da madrugada, os futuros das bolsas em Nova York caíam forte. 


... Se confirmada, a onda azul, com vitória democrata nas duas Casas, poderá ampliar os obstáculos à agenda de Trump e aumentar o risco de impasses fiscais, incluindo negociações sobre o teto da dívida e paralisações do governo.


... As eleições de meio de mandato também funcionam como um referendo sobre o governo Trump, em meio à insatisfação dos eleitores com a inflação, o custo de vida e os preços da energia, agravados pela guerra com o Irã.


*AFTER HOURS* – Os balanços de empresas ligadas à inteligência artificial animaram o pós-mercado em Nova York. 


... A AMD subiu 5,02%, após superar as expectativas de receita e lucro, impulsionada pela forte demanda por chips para data centers. A receita dessa divisão saltou 97%, para US$ 8,5 bilhões, enquanto a companhia projetou faturamento de US$ 17 bilhões para o quarto trimestre.


... A Super Micro Computer avançou 7,20%, depois de divulgar lucro acima das previsões e receita recorde de US$ 19,95 bilhões, quase quatro vezes o faturamento registrado um ano antes.


*ITAÚ* – No Brasil, o Itaú Unibanco divulgou, também após o fechamento, lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% em um ano e em linha com o consenso. No after hours, os ADRs de Itaú recuaram 0,14%. 


... O banco realiza teleconferência sobre o balanço hoje, às 8h.


... Em entrevista à Broadcast, Renato Lulia, diretor de Estratégia Corporativa, alertou que o cenário para o crédito deverá ser mais restritivo em 2027. Ele também antecipou desaceleração das receitas com serviços e seguros, que devem encerrar o ano próximas ao piso do guidance.


... Leia abaixo, em Cias Abertas, os demais resultados divulgados ontem à noite!


*BALANÇOS DE HOJE* – Na B3, nove empresas divulgam resultados do terceiro trimestre nesta quarta-feira, todas após o fechamento do mercado: Axia Energia, GPA, C&A, Dexco, Vibra Energia, Prio, Smart Fit, Tenda e Totvs.


... O destaque é a Axia, que deve apresentar lucro líquido de R$ 2,39 bilhões, alta de 63% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o consenso Prévias Broadcast, apesar da sazonalidade desfavorável para a geração de energia e dos baixos preços no mercado spot.


... A companhia chega ao balanço em meio à pressão sobre as ações do setor elétrico, após os deságios agressivos no recente leilão de transmissão levantarem preocupações sobre a rentabilidade dos projetos e a concorrência de estrangeiras com acesso a financiamento mais barato.


... Nos Estados Unidos, o McDonald's divulga resultados antes da abertura, com projeção de lucro de US$ 3,38/ação. Após o fechamento, é a vez da Qualcomm, com estimativa de US$ 2,17/ação. A AIG também apresenta seu balanço, com expectativa de ganho de US$ 1,88/ação.


*MAIS AGENDA* – A quarta-feira começa às 5h com o IPC-Fipe de outubro, que deve desacelerar de 0,51% para 0,45%, segundo o Broadcast, com o alívio da energia elétrica compensando parcialmente a pressão dos alimentos. Às 8h, a FGV divulga o IPC-S Capitais de outubro.


... Às 14h30, o Ministério do Trabalho libera o Caged de setembro, com previsão de abertura líquida de 163.639 vagas formais, após a criação de 165.827 postos em agosto. No mesmo horário, o Banco Central informa o fluxo cambial semanal. 


... Sem horário definido, a Fenabrave apresenta hoje os dados de emplacamentos de veículos de outubro.


... No exterior, a madrugada traz uma bateria de PMIs finais de serviços de outubro, com a Alemanha, zona do euro e Reino Unido. 


... Ainda na Europa, às 7h, a prévia da inflação ao consumidor da zona do euro tem expectativa de aceleração da taxa anual de 3,8% para 4%, enquanto o núcleo deve permanecer em 2,5%.


... Nos Estados Unidos, o relatório ADP de emprego privado (10h15) deve mostrar criação de 70 mil vagas em outubro, após 90 mil em setembro. 


... Ontem, o relatório JOLTS mostrou aumento das vagas abertas de 7,190 milhões em agosto, dado revisado, para 7,523 milhões em setembro, acima da previsão de 7,125 milhões. A grande expectativa é para o payroll, na sexta-feira. 


... Às 10h30, os Estados Unidos divulgam a balança comercial de setembro, com déficit estimado em US$ 107,8 bilhões. Às 11h45, sai o PMI final de serviços, seguido, ao meio-dia, pelo ISM de serviços, que deve subir de 54,9 para 55 pontos.


... Às 12h30, o Departamento de Energia (DoE) divulga os estoques semanais de petróleo, com previsão de queda de 200 mil barris.


... À noite, o Japão divulga (20h50) a ata da penúltima reunião do BoJ, seguida pelos PMIs finais de serviços e composto de outubro (21h30).


*CHINA HOJE* – O PMI/S&P Global de serviços caiu para 50,8 em outubro, de 51,6 em setembro, contrariando a projeção de analistas de leve alta para 51,8. O PMI composto recuou de 52,4 para 52 de um mês para o outro.


... Apesar das quedas nos índices, os resultados continua acima de 50, sinalizando expansão da atividade econômica.


*NA MARRA* – Pouco mais de uma semana depois do choque do resultado eleitoral, o ruído do corte artificial da Selic elevou o receio com a credibilidade da política econômica e promoveu mais uma onda de estresse nos negócios. 


... Traders não só vêm eliminando rapidamente as apostas em queda dos juros pelo Copom nas últimas duas reuniões do ano (hoje e dezembro), como já precificam amplas chances de um aperto monetário no início de 2027. 


... Mas é cedo para cravar os próximos passos, porque tudo ainda pode se acomodar nas próximas semanas. 


... De qualquer maneira, como se viu, o Focus apontou uma piora nas expectativas de inflação pelos próximos três anos, até 2029, e contribuiu para injetar uma nova dose de nervosismo nos contratos dos juros futuros. 


... Na estratégia conservadora até que o mercado estabilize, o Tesouro promoveu leilão de lotes mínimos. 


... No fechamento, o DI para Janeiro de 2028 marcava 14,565% (contra 14,483% no ajuste anterior). O Jan/29 superou 15%, a 15,070% (de 14,962%). Jan/31 subiu a 15,370% (de 15,272%); e Jan/33, a 15,435% (de 15,349%). 


... No câmbio, as incertezas sobre a âncora fiscal desencadearam pressão renovada. Mesmo vindo de um rali acumulado de 9% na semana passada, o dólar continuou subindo e fechou na cotação mais cara do ano. 


... A moeda americana avançou mais 0,79%, negociada a R$ 5,4871, praticamente zerando a queda no ano (-0,03%). Testou R$ 5,51 na máxima do dia, em meio ao mal-estar sobre a suposta proposta de tabelamento da taxa de juros. 


*SE UM DIA SUBI, NÃO ME LEMBRO* – Em seis pregões depois do segundo turno, o Ibovespa caiu em todos eles e já voltou à menor pontuação desde janeiro. Com a bolsa a nocaute, ainda ontem teve o petróleo para piorar as coisas. 


... O tombo do barril durante o feriado, que já havia assustado os ADRs da Petrobras na segunda-feira, não poupou a estatal no pregão regular de um ajuste negativo intenso: PN afundou 3,79%, a R$ 50,71, ON, -3,65%, a R$ 57,82. 


... Apesar da queda livre de quase 8% do petróleo na véspera, uma correção não veio e a commodity ampliou as perdas ontem, com o contrato do Brent para janeiro caindo mais 1,12%, para fechar cotado a US$ 103,60. 


... A esperança na diplomacia e no diálogo entre os Estados Unidos e o Irã, a partir de mediações do Catar, voltou a falar mais alto, apesar do risco ainda considerável de retomada dos combates, que torna a situação incerta. 


... O alívio do petróleo ainda respondeu ontem à declaração de Trump de que cortará a ajuda anual de US$ 4 bilhões a Israel, argumentando que o país não necessita mais da assistência e tem condições de adquirir suas próprias armas. 


... Na dobradinha negativa das blue chips das commodities, também a Vale atraiu vendas fortes nesta terça-feira (-2,85%, a R$ 60,25), devolvendo grande parte do que subiu no pregão anterior (+3,28%) com o balanço trimestral.  


... O BofA cortou o preço-alvo do ADR da mineradora de US$ 15 para US$ 13, diante do cenário de oferta elevada e demanda fraca por minério de ferro. O banco vê os custos altos da companhia como um "ponto de atenção". 


... Entre os bancos, Bradesco PN puxou a fila negativa (-2,02%; R$ 13,58), seguido de BB (-1,70%; R$ 16,19) e BTG unit (-1,05%; R$ 50,98). Itaú PN caiu 0,47% antes do balanço, a R$ 38,49. Exceção, Santander unit subiu 2,26% (R$ 24,48).


... No momento de maior pessimismo do dia com os rumores sobre um possível “tabelamento” da Selic e a incerteza quanto ao futuro ministro da Fazenda no governo Lula 4, o Ibovespa chegou a entregar os 165 mil pontos. 


... Mas teve tempo de desacelerar a queda para 1,42% e fechar aos 165.528,92 pontos, com giro de R$ 32,4 bilhões. 


... A XP ainda enxerga o Ibovespa em 200 mil pontos no final do ano que vem, antecipando um potencial de valorização de 19%. Mas pondera que esse retorno não é muito superior ao oferecido pela renda fixa local. 


... Por isso, a corretora rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de compra para neutra e alertou para um quadro mais adverso, com inflação e juros em alta, riscos de queda das projeções de lucro e atividade desaquecida. 


*FICARAM BARATAS* – Depois da liquidação recente, parte das ações de chips e semicondutores negociadas em Nova York interrompeu a turbulência e garantiu um respiro para o Nasdaq, que subiu 0,83%, aos 25.372,01 pontos.


... Apesar disso, a Capital Economics avalia que a correção dos papéis ligados ao setor de tecnologia pode ser mais duradoura do que em episódios anteriores, diante das preocupações crescentes com os investimentos em IA.


... A consultoria também tem estranhado o fato de o tombo do petróleo não estar empolgando as bolsas. 


... De qualquer forma, a expectativa sobre o desfecho das eleições de meio de mandato justifica o comportamento menos entusiasmado dos investidores, que levou o S&P 500 a limitar os ganhos ontem a 0,36%, aos 7.568,92 pontos.


... Já o Dow Jones caiu 0,38%, a 51.786,72 pontos, frustrado pela Apple, que perdeu 1,9% no day after de seu balanço, após divulgar projeção de margem abaixo do esperado no 4Tri, devido ao alto preço dos chips de memória.


... Além disso, as vendas de iPads no quarto trimestre fiscal vieram inferiores às estimativas dos analistas. 


... Momentaneamente, as taxas dos Treasuries caíram junto com o petróleo, mas o alívio foi revertido, dando espaço no radar para a expectativa com as midterms e para a abertura de postos de trabalho revelada pelo relatório Jolts. 


... O juro da Note de dois anos subiu a 4,619% (de 4,585%) e o de dez anos avançou a 4,956% (contra 4,900%). 


... Também de olho nas eleições, o índice DXY do dólar avançou 0,12%, a 101,867 pontos.


... O euro operou de lado (+0,01%), a US$ 1,1196, apesar de o presidente do Bundesbank e membro do BCE, Joachim Nagel, ter afirmado que é “muito provável” que um aumento das taxas de juros seja necessário em dezembro. 


... Segundo ele, houve pressões inflacionárias acima do esperado em setembro, contribuindo para um cenário adverso. “Podemos e devemos evitar que uma disparada no preço da energia provoque uma inflação generalizada.”


... Às vésperas da reunião do BC inglês, a libra ficou estável (+0,07%), a US$ 1,3415. O iene caiu a 158,74 por dólar. 


*CIAS ABERTAS NO AFTER* – Fitch reafirmou o rating BB da PETROBRAS, com perspectiva estável, e elevou perfil de crédito autônomo de bbb para bbb+, destacando melhora da governança, geração de caixa e baixa alavancagem.


PRIO produziu 196,4 mil barris de óleo equivalente por dia em outubro, alta de 1,98% ante setembro. Vendas de petróleo caíram 5,15%, para 5,15 milhões de barris.


BRASKEM. Representantes da IG4 e da Petrobras negociam com credores em Nova York até sexta-feira, segundo fontes da Broadcast. Discussões incluem aporte de capital e recuperação extrajudicial da petroquímica.


BB SEGURIDADE teve lucro recorrente gerencial de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre, queda de 5,1% ante um ano antes. Resultado das participações recuou 6,6%, para R$ 2,363 bilhões.


BTG PACTUAL. Capital International Investors passou a deter 5,179% das ações preferenciais classe A, sem alteração no controle ou na administração.


AXIA ENERGIA. GQG Partners passou a deter 5,08% das ações ordinárias, incluindo papéis representados por ADRs.


ISA ENERGIA teve lucro regulatório de R$ 1,905 bilhão no terceiro trimestre, salto de 246% ante um ano antes. Receita líquida regulatória cresceu 41%, a R$ 1,511 bilhão, e Ebitda consolidado avançou 259%, a R$ 3,190 bilhões.


ENEVA fechou contratos para instalar terminal de GNL e complexo termelétrico de 690 MW no Espírito Santo. Companhia deterá 100% do projeto, com operação prevista para 2031.


ALUPAR venceu licitação no Chile para projeto de transmissão de US$ 85 milhões, com receita anual permitida de US$ 11,9 milhões e início de operação previsto para 2031.


RD SAÚDE teve lucro líquido ajustado de R$ 439,1 milhões no terceiro trimestre, alta de 9,2% ante um ano antes. Receita cresceu 7,8%, para R$ 11,4 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 14,7%, para R$ 1,024 bilhão.


YDUQS aprovou incorporação da Afya e estima sinergias de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em valor presente. Operação ainda depende de aprovações, incluindo aval definitivo do Cade.


COPASA. BlackRock reduziu participação para 4,986% das ações ordinárias, mantendo exposição adicional de 0,020% por meio de derivativos.


LATAM teve lucro líquido trimestral de US$ 441 milhões, alta de 16,3% ante um ano antes. Receita cresceu 18,4%, a US$ 4,5 bilhões, enquanto Ebitda ajustado caiu 4,7%, a US$ 1,095 bilhão, pressionado pelo combustível.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 187 milhões no terceiro trimestre, queda de 42,2% ante um ano antes. Receita recuou 8,5%, para R$ 2,29 bilhões, e Ebitda caiu 34,7%, para R$ 274,1 milhões.


C&A. O Goldman Sachs passou a deter posição comprada em derivativos equivalente a 4,95% das ações ordinárias, com liquidação financeira, além de posição vendida equivalente a 1,43%.


BRASILAGRO reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do ano-safra 2026/27. Receita cresceu 16%, para R$ 351,7 milhões, enquanto Ebitda ajustado operacional caiu 32%, para R$ 43,8 milhões.


AGROGALAXY foi notificada pela B3 para regularizar cotação de suas ações, abaixo de R$ 1, até abril de 2027. Companhia poderá propor novo grupamento de papéis.


PARANAPANEMA. Marcelo Vaz Bonini renunciou às diretorias Financeira e de RI. CEO, Vitor Saback, e diretor jurídico, Álvaro Cunha, assumirão interinamente as respectivas funções.


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Rubik Capital - Calma sob pressão

Calma sob pressão


No Brasil, a reeleição do presidente Lula no domingo contrariou a precificação quase unânime dos mercados, e a semana que se seguiu foi uma das mais extremas da história da bolsa brasileira. Antes de qualquer análise, cabe dimensionar o que aconteceu — porque a magnitude do evento é, em si, a informação mais relevante para entender o que vem adiante. Cabe destacar que mantemos visão construtiva com os ativos locais para um ciclo de longo prazo, o que detalharemos em nossa carta mensal ao longo da próxima semana.


A dimensão do movimento foi histórica. Na segunda-feira, o pregão foi interrompido pelo acionamento do circuit breaker — o primeiro desde março de 2020 —, e a semana se encerrou entre as cinco maiores quedas semanais do Ibovespa em reais desde o início do Plano Real, com forte valorização do dólar e reabertura expressiva da curva de juros. Em dólares, a semana foi a segunda pior desde o plano real, perdendo apenas para a crise de 2008. O ajuste alcançou todas as classes de ativos locais, de forma mais intensa nos segmentos de maior sensibilidade ao ciclo doméstico, como as small caps.


A dimensão estatística ajuda a entender a natureza do movimento, o EWZ (ETF de ações brasileiras negociadas no exterior) registrou na segunda-feira uma variação de 8,4 desvios-padrão em relação ao seu comportamento histórico — sob uma distribuição normal, um evento dessa magnitude teria probabilidade de uma em 45 quatrilhões. O que o número revela não é a improbabilidade da reeleição, um desfecho entre dois candidatos conhecidos, mas o quão desproporcional foi a reação dos preços ao resultado. Movimentos dessa ordem não refletem uma reavaliação de fundamentos, que se processa ao longo de semanas, e sim o desmonte abrupto de posições concentradas em um único cenário — quando o resultado veio diferente do precificado, não havia compradores do outro lado, e o ajuste que normalmente se distribui no tempo ocorreu em um único pregão.


Dois fatores amplificaram o ajuste ao longo da semana: (i) a ausência de uma âncora para a política econômica, com os nomes para o Ministério da Fazenda oscilando sem anúncio e um pronunciamento à nação prometido apenas para os próximos dias — sem saber quem conduzirá a agenda e com que prioridades, os agentes financeiros reduzem posições e a liquidez se retrai, o que por si só amplia os movimentos de preço; (ii) o ruído, com boatos de bastidores sobre medidas tributárias (volta da CPMF, por exemplo) e, nas primeiras horas, o questionamento da validade do resultado pelo candidato derrotado — componentes que tendem a se dissipar à medida que a transição se organiza. A resposta institucional veio no decorrer da semana, com o Tesouro cancelando leilões e realizando três recompras de títulos para sustentar o funcionamento do mercado, e com a Fazenda afirmando dispor de medidas fiscais prontas para apresentação, incluindo a busca do centro da meta.


No plano estrutural, a semana trouxe um dado que merece atenção, com o Brasil deixando de ser credor externo líquido pela primeira vez em dezenove anos. A dívida externa alcançou US$ 407 bilhões, o maior patamar em quatro décadas, superando as reservas internacionais de US$ 402 bilhões, com o endividamento externo crescendo quase o dobro das reservas nos últimos anos. O relatório mensal da dívida pública do Tesouro reforçou a leitura de deterioração, com o estoque crescendo em ritmo elevado e a composição se deteriorando — a parcela crescente de títulos pós-fixados, indexados à Selic, encurta o prazo efetivo da dívida e transmite imediatamente qualquer elevação de juros ao custo do estoque, justamente num momento de curva aberta. Cabe, porém, a dimensão técnica. A dívida externa líquida equivale a menos de 0,3% do PIB, as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos externos de curto prazo, cerca de 73% da dívida externa pertence ao setor privado e o setor público, isoladamente, segue credor em aproximadamente 6% do PIB — razão pela qual as agências de classificação não enxergam risco externo iminente. O sinal é de tendência, e o entrave do país segue sendo fiscal, não externo. Na próxima quarta-feira, o Copom decide a Selic em ambiente de choque cambial e curva pressionada — em nossa visão, o comitê deve pausar o ciclo de cortes para evitar desvalorização cambial ainda mais acentuada.


O posicionamento mais defensivo que viemos implementando ao longo das últimas semanas protegeu os fundos. Em levantamento próprio, o Bequest, nosso fundo de ações, foi o quarto melhor desempenho entre os fundos de ações long biased comparáveis na segunda-feira — ainda assim, o resultado traz a dimensão do choque. Aproveitamos a oportunidade para encerrar as proteções que havíamos montado, realizando seus ganhos, e para alocar parte do caixa em empresas de alta qualidade. Nossa visão para o Brasil permanece construtiva, e a carta mensal da próxima semana detalhará por que entendemos que o país segue com um ciclo estrutural positivo à frente. Tornamo-nos, porém, ainda mais seletivos e cautelosos, concentrando a alocação em ativos de maior qualidade, menor alavancagem e grande capacidade de repasse de preços — exportadoras, bancos e empresas de utilidade pública entre os principais. Nosso fundo multimercado segue positivo no mês, e estamos retomando parte da alocação em títulos prefixados que havíamos reduzido após o primeiro turno, agora em patamares de taxa substancialmente mais elevados.


Todas as alocações vêm sendo feitas com parcimônia e sem pressa. A volatilidade dos mercados apresenta a propriedade conhecida como cluster de volatilidade — períodos turbulentos tendem a ser seguidos por períodos turbulentos, e períodos calmos por períodos calmos, de modo que a volatilidade de hoje é o melhor previsor da volatilidade de amanhã. Após um choque desta magnitude, a volatilidade permanece elevada por algumas semanas antes de normalizar, o que significa que as oportunidades não se esgotam em um único dia, mas se apresentam em sequência. Caso a definição da equipe econômica e a sinalização fiscal venham na direção esperada, os preços atuais oferecem relação de risco-retorno que consideramos atrativa para quem dispõe de caixa e de horizonte de longo prazo— e é com esse horizonte que seguimos trabalhando.


O Ibovespa recuou 18,1% na semana, com o índice de small caps caindo 32,8%, e o dólar subiu 9,6% ante o real, encerrando acima de R$ 5,40. Na curva de juros, a taxa do título público prefixado com vencimento em 2030 subiu 20,6%, para 15,3%, e a taxa do título atrelado ao juro real avançou 18,2%, para IPCA+8,0%.


Ambiguidade construtiva


No cenário internacional, a semana teve a decisão do FOMC como eixo, com a manutenção da taxa que havíamos antecipado e a elevação de dezembro seguindo precificada, complementada por mais um capítulo da reavaliação das teses de inteligência artificial, agora com a Alphabet no centro. As eleições de meio de mandato americanas, na próxima terça-feira, e a diplomacia em torno do Irã completaram o quadro.


O Fed manteve a taxa básica no intervalo de 3,75% a 4,00%, em decisão dividida por dez votos a dois, com os dissidentes defendendo nova elevação. O comunicado adotou tom paciente, condicionando os próximos passos à acumulação de informações — ao mesmo tempo em que elevou a avaliação sobre a atividade de sólida para forte, o que os agentes financeiros leram como manutenção de viés duro. A probabilidade de elevação em dezembro segue em torno de 70%. Em nossa visão, caso a alta venha, deve ser a última ou penúltima do ciclo — leitura que ganhou companhia relevante ao longo da semana, com o presidente do Fed de Nova York afirmando que pode ser apropriada mais uma elevação, mas que não vê razão para ir além.


Na coletiva, Warsh anunciou que, a partir de 2027, uma das oito reuniões anuais do comitê não terá voto nem comunicado, e duas em 2028, reservadas a deliberações estratégicas de horizonte mais longo. Entendemos o movimento como parte de uma transição para um estilo de comunicação mais próximo da era Greenspan, com menos reuniões decisórias, respostas mais abertas e maior espaço para ambiguidade — um terreno que, em nossa avaliação, se prepara para que o comitê não precise elevar os juros tanto quanto a curva chegou a precificar.


Os dados da semana não alteraram o quadro, com a inflação de consumo em linha com o esperado, os dados de renda levemente abaixo, o emprego em linha e o PIB levemente acima — indicador defasado, que retrata o passado e não faz preço. Na próxima terça-feira, as eleições de meio de mandato têm os democratas como favoritos para retomar a Câmara, com o Senado indefinido — resultado que reduziria a margem de manobra de Trump nos dois anos finais do mandato, com implicações para a agenda fiscal e para a condução da guerra.


A temporada de resultados trouxe o episódio mais contundente da reavaliação das teses de inteligência artificial até aqui. A Alphabet registrou a maior queda diária de sua história desde a abertura de capital, em 2004, após divulgar receita crescendo 25% e a divisão de nuvem dobrando de tamanho — números que, isoladamente, seriam celebrados. Entretanto, os investimentos de US$ 51 bilhões no trimestre levaram o fluxo de caixa livre a US$ 9 bilhões negativos, a dívida de longo prazo multiplicada por quase seis em um ano e a sinalização de investimentos significativamente maiores em 2027. O movimento reafirma a régua que o mercado passou a aplicar ao setor, discriminando quem converte investimento em geração de caixa — a Microsoft, que reportou na mesma semana, foi tratada de forma visivelmente mais branda.


A tensão no oriente médio durante a semana apresentou calmaria relativa, com vetores cruzados. A diplomacia avançou por meio de mediadores do Catar e do Paquistão, que levaram a Teerã uma proposta americana revisada, com o enviado americano descrevendo um acordo como próximo e Trump afirmando que o Irã quer negociar e que há tempo para isso — declaração que levou agentes a desmontar parte das proteções contra uma escalada de fim de semana. No estreito de Ormuz, porém, os incidentes seguiram, com o primeiro uso de minas submersas contra petroleiros desde o início da guerra e o número de ocorrências marítimas em máxima mensal. A moratória americana sobre novos ataques expira justamente no dia das eleições, e o Brent encerrou a semana estável.


No consolidado da semana, o S&P 500 recuou 0,6% e o Nasdaq caiu 2,0%, com a Alphabet recuando 12,3%, a Nvidia caindo 3,0%, o índice de empresas de inteligência artificial recuando 3,5% e o de semicondutores caindo 0,8%, enquanto o Dow Jones recuou 0,9% e o Russell 2000 subiu 1,3%.


As taxas dos títulos públicos americanos caíram 2,0% no vencimento de dois anos, para 4,6%, e 1,3% no de dez anos, para 4,9%, enquanto os preços dos títulos públicos de longo prazo subiram 0,6%. No Japão, a taxa do título de trinta anos subiu 0,4%, para 3,8%. O dólar global avançou 0,2%.


Globalmente, o DAX subiu 2,2% e o Nikkei recuou 1,3%; os índices de ações chinesas tradicionais e de tecnologia variaram 0,1% e -1,7%, respectivamente; e o índice de mercados emergentes caiu 1,6%. O ouro recuou 3,0%, na terceira semana consecutiva de realização, e o Brent caiu 0,2%, para US$ 117 por barril.


Qualquer necessidade estou à disposição.

Um abraço, Breno - Rubik Capital 

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 

NY +0,3% US tech +0,6% US Semis +2,6% UEM -0,5% España -0,8% VIX 20,8% Bund 3,33%. T-Note 4,97%. Spread 2A/10A USA=+32pb B10A: ESP 3,93% PT 3,77% ITA 4,46% FRA 4,95% Euribor 12m 3,32%. USD 1,119 JPY 177,6/€. Ouro 3.930$. Brent 103,6$. WTI 96,1$. Bitcoin +1,4% (77.804$). Ether +1,7% (2.293$).


SESSÃO: As últimas horas vêm marcadas por uma certa perturbação do fluxo de notícias na frente geoestratégica. Os ataques entre os huthies (Iémen) e a Arábia Saudita continuam, enquanto surgem novas especulações sobre um possível acordo entre os EUA e o Irão, com confirmações e desmentidos quase simultâneos. Por outro lado, os resultados preliminares das eleições de meio mandato americanas (mid-terms) refletem que os republicanos perderiam a Câmara de Representantes (Congresso) e o Senado, o que deveria favorecer alguma moderação na yield do T-Note (-3 p.b. hoje) e rotação de setores, favorecendo provavelmente saúde, renováveis, veículos elétricos e consumos. Embora neste contexto o petróleo consiga manter-se abaixo dos 105 $/barril (Brent), no plano convencional o fluxo de notícias continua fraco. Hoje conheceremos o IPC da zona euro, que poderá alcançar +4,0% vs. +3,8% anterior e os resultados empresariais são bons (+32,4% no EPS dos EUA), mas não impressionam (+30,6% esperado).


Em suma, todo aponta para uma sessão um pouco em baixa para as bolsas (-0,5%?), provavelmente pior na Europa do que nos EUA.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

O fator André Lara Resende

 Uma proposta econômica pode ser intelectualmente sofisticada e, ainda assim, arriscada demais para ser adotada.

Por Adolfo Sachsida

O mercado e as redes sociais estão agitados com a possibilidade de André Lara Resende (ALR) assumir um posto de destaque na nova equipe econômica de Lula. O rebuliço tem motivo, e neste artigo explico o motivo, sem recorrer a rótulos.

Começo pelo reconhecimento: ALR é um economista tecnicamente muito bem-preparado e intelectualmente sofisticado. Tratar suas ideias como ingênuas ou ridículas costuma revelar mais sobre a disposição dos críticos para o debate do que sobre as propostas que pretendem criticar.

Acredito que sua estratégia esteja errada e que sua implementação possa agravar os problemas que pretende resolver. Reconheço, porém, que existem hipóteses teóricas sob as quais ela funcionaria. Um debate honesto precisa admitir isso, e essa honestidade intelectual tem faltado no Brasil. A questão decisiva é saber se essas hipóteses descrevem bem a economia brasileira, e se os riscos associados a sua implementação superam os prováveis benefícios.

O que nos une e o que nos separa

ALR e eu compartilhamos uma preocupação: a trajetória da dívida pública precisa ser estabilizada. O problema fiscal é o mais urgente do país. Divergimos sobre o caminho.

A estratégia que defendo começa pelo controle dos gastos primários, isto é, das despesas do governo antes do pagamento de juros. Um ajuste crível melhora as expectativas, reduz o risco-país e abre espaço para uma queda sustentável dos juros. Com o tempo, cai o custo de rolagem da dívida e melhora o crédito para empresas e famílias. Há ainda um efeito sobre a inflação: menos gasto público significa menos pressão sobre a demanda e um trabalho mais fácil para a política monetária.

Esse caminho tem custos, e seria desonesto defender responsabilidade fiscal como se fosse indolor. Se um programa assim começasse em 2027, considero possível uma contração da atividade no primeiro semestre, inclusive com queda do PIB em dois trimestres consecutivos, seguida de recuperação gradual. Esse cenário dependeria do desenho das medidas e da reação da economia.

A proposta de ALR, em essência, é uma espécie de monetização de parte da dívida. Em palavras simples, o Estado pagaria parte do que deve com moeda emitida. Em seu artigo recente, ele propõe um novo conselho para coordenar metas fiscais e monetárias, uma trajetória de queda da Selic e intervenções com reservas internacionais para suavizar pressões cambiais. A aposta é que juros menores reduzam o custo da dívida e estabilizem as contas sem exigir um ajuste recessivo. Pode-se dar a essa proposta o nome técnico que se preferir. É preciso examiná-la em seus próprios termos.

Onde está o risco

O risco da proposta de ALR está na resposta do mercado. O Banco Central pode reduzir a Selic, mas isso não significa que determine, na mesma proporção, as taxas pelas quais investidores aceitarão financiar o governo por vários anos. Se a redução for interpretada como incompatível com o controle da inflação e com a sustentabilidade fiscal, esses investidores exigirão mais para comprar títulos de prazo mais longo. A Selic cairia enquanto parte relevante dos juros de mercado subiria. É esse, a meu ver, o principal risco: a economia inicial no custo da dívida seria corroída pela deterioração das expectativas, pela desvalorização cambial e pelo aumento dos prêmios de risco. ALR conhece esse risco, e é justamente por isso que propõe atuar sobre toda a estrutura a termo dos juros, o que torna a proposta ainda mais intervencionista.

Tampouco considero suficiente invocar as reservas internacionais para encerrar a questão cambial. Elas dão capacidade de intervenção, mas não garantem que uma mudança persistente na disposição de manter ativos em reais seja neutralizada a um custo aceitável. Se a confiança se deteriorar, o governo terá mais dificuldade para alongar a dívida. Os credores passarão a preferir prazos menores e títulos protegidos contra a inflação ou o câmbio. A dívida ficaria mais cara, mais curta e mais vulnerável, com o risco adicional de se ancorar em moeda estrangeira.

No cenário adverso que considero relevante, a tentativa de aliviar o custo fiscal dos juros produziria inflação mais alta, financiamento mais difícil e depressão da atividade econômica. O ajuste que se queria evitar reapareceria depois, em condições muito piores.

O que é provável e o que é apenas possível


Isso significa que ALR esteja errado? Não. Se for possível reduzir o custo da dívida sem desancorar expectativas, pressionar o câmbio ou comprometer o financiamento do Estado, o benefício será evidente. Em teoria, a solução dele pode até ser superior à minha, pois resolve o problema fiscal sem custo de curto prazo. Mas, em economia, a magnitude dos efeitos importa tanto quanto a direção. Um mecanismo pode existir e ser insuficiente para sustentar a conclusão que se pretende extrair dele. E o fato de um resultado aparecer em um modelo não demonstra que as condições para obtê-lo estejam presentes no Brasil.

Aqui fala mais alto o meu lado conservador: na condução da política econômica, interessa-me mais o que é provável do que o que é teoricamente possível, e interessa-me também o tamanho do prejuízo se a aposta der errado. Controlar o gasto público exige escolhas difíceis e cobra um preço no curto prazo. Ainda assim, é uma base mais confiável para recuperar a confiança e reduzir os juros de forma sustentável.

Minha familiaridade com o debate proposto por ALR vem de longe. No início dos anos 2000, conheci modelos bem fundamentados com ideias semelhantes, apresentados por Marco Antônio Martins (PhD por Chicago, orientado pelo prêmio Nobel Robert Lucas) e por Marco Aurélio Bittencourt, meu colega de doutorado na UnB. Minha discordância, portanto, não nasce da recusa em examinar ideias heterodoxas, mas da avaliação dos riscos de implementá-las.

Respeito intelectualmente André Lara Resende, e suas propostas merecem ser discutidas com seriedade, inclusive por quem, como eu, considera perigoso colocá-las em prática. A sofisticação de uma ideia justifica o debate. Sua adoção exige a confiança de que ela sobreviverá ao encontro com a realidade.

Marcelo Guterman

 Por uma dessas coincidências que a vida nos reserva, na virada de 2022 para 2023, no início do mandato de Lula, a taxa Selic estava exatamente no mesmo nível em que está hoje, 13,75% ao ano. Ou seja, passaram-se quatro anos, e o governo Lula entrega para si mesmo a mesmíssima taxa Selic que encontrou há quatro anos. Foi incompetente para estabelecer as condições que permitissem ao BC reduzir a taxa básica de juros.


Assim como hoje, quatro anos atrás a gritaria dos petistas era a mesma A diferença é que, na época, os petistas tinham um boneco de vodu bem conveniente, o “bolsonarista” Campos Neto, que presidia o BC. Hoje, nem essa desculpa há, então as críticas se dirigem a esse ente imaterial chamado “mercado”. Convenhamos que a narrativa perde muito de sua força.

Se até o “menino de ouro” Galipolo foi hipnotizado pelas mandingas do “mercado”, então a única saída é acabar de vez com o Copom e estabelecer uma taxa de juros ex-ante para a economia brasileira. Esta é a proposta de André Lara Resende, e não é à toa que soou como música aos ouvidos dos petistas.

Apesar de tudo, o Copom será mantido. O que pode acontecer é a adoção de uma política monetária mais ao gosto do Planalto, como ocorreu na gestão Tombini. O resultado foi uma inflação de dois dígitos, e uma Selic, no final do governo Dilma, de 14,25%. Mas como os petistas não esquecem nada e não aprendem nada, essa é uma hipótese que não pode ser descartada.

E vamos em frente.

 


Marcelo Battisti

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