quarta-feira, 4 de novembro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *COPOM DEVE OPTAR POR PAUSA NOS CORTES DA SELIC*


[04/11/26]


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato


... Dificilmente o BC irá contrariar a forte deterioração do ambiente financeiro e levar adiante o corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, esperado antes da reeleição do presidente Lula. Uma pausa no ciclo de quedas, até que se dissipem as incertezas sobre as políticas fiscal e monetária, daria tempo para uma reavaliação do cenário e permitiria retomar a calibração dos juros em condições mais favoráveis. Insistir no corte em meio ao estresse poderia ampliar a turbulência e colocar em risco a credibilidade do Copom. Trata-se, sem dúvida, da reunião mais difícil presidida por Gabriel Galípolo, em meio a uma enorme expectativa do mercado. O resultado será divulgado após as 18h30.


*COPOM NA BERLINDA* – A manutenção da taxa Selic em 13,75% tornou-se o cenário majoritário, diante da forte deterioração das condições financeiras, da piora das expectativas de inflação e das incertezas sobre a política fiscal do próximo governo.


... A ausência de sinalizações concretas sobre o ajuste das contas públicas e a composição da equipe econômica elevou os prêmios de risco, provocou forte depreciação cambial e abriu a curva de juros futuros, que já incorpora expectativas de novo aperto monetário em 2027.


... A discussão em torno das propostas de André Lara Resende para um novo desenho da política monetária acrescentou uma fonte de incerteza.


... As negativas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que as propostas estejam em avaliação no governo não foram suficientes para tranquilizar o mercado. Até porque sua permanência no cargo durante o Lula 4 é considerada improvável.


... Nesta terça-feira, o primeiro Focus após a eleição confirmou a dimensão da deterioração das expectativas. 


... A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, enquanto a estimativa para 2027 saltou de 4,34% para 4,76%. A piora alcançou também os horizontes mais longos, com as projeções para 2028 indo de 3,75% para 4% e as de 2029, de 3,5% para 3,98%.


... No câmbio, a projeção para o dólar em dezembro deste ano saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto a estimativa para o fim de 2027 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40. Para a Selic, o consenso passou de 13,25% para 13,50% no fim de 2026 e de 11,75% para 12,50% em 2027. 


... O movimento reforça a percepção de que o mercado já não espera apenas uma interrupção temporária dos cortes, mas também uma trajetória de juros mais elevados nos próximos anos. As opções digitais negociadas na B3 apontam predominância das apostas de manutenção da Selic.


... Ontem, XP e Santander também abandonaram a previsão de queda de 0,25 ponto porcentual na reunião de hoje. Para Marco Antonio Caruso (Santander), pausar o ciclo neste momento seria a forma mais confiável de preservar a possibilidade de novos cortes adiante. 


... Sérgio Goldenstein (Eytse Estratégia) também considera a pausa a alternativa mais adequada, diante da deterioração do balanço de riscos.


... Segundo ele, a elevação dos prêmios de risco, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação representam a materialização de riscos altistas já identificados pelo próprio Copom, em especial a desancoragem das expectativas e o câmbio persistentemente depreciado.


... Goldenstein estima que a projeção de inflação do BC para o segundo trimestre de 2028, novo horizonte relevante da política monetária, possa chegar a 3,5%, ante os 3,1% projetados em setembro para o mesmo período e os 3,2% previstos para o primeiro trimestre.


... Já no câmbio, alerta para uma particularidade: a média em dez dias úteis usada pelo Copom ficou próxima de R$ 5,20, enquanto o dólar já ronda R$ 5,50. Se a depreciação persistir, parte das pressões inflacionárias poderá não estar integralmente refletida no cenário de referência.


... O economista chama atenção ainda para a combinação de choques de custos, incluindo o petróleo acima de US$ 100, o risco de reajustes dos combustíveis, os possíveis efeitos do El Niño sobre alimentos e energia e o impacto da redução da jornada de trabalho. 


... O principal argumento em favor da pausa está nos riscos de um corte adicional de apenas 0,25 ponto porcentual. 


... Na avaliação de Goldenstein, se a decisão fosse interpretada como uma postura excessivamente tolerante diante da piora inflacionária, poderia provocar nova abertura da curva de juros, pressão sobre o câmbio e maior deterioração das expectativas.


... O resultado seria um aperto das condições financeiras capaz de neutralizar, ou até superar, os benefícios da redução da Selic.


... Há, contudo, fatores que recomendam cautela antes de concluir que a Selic precisará voltar a subir. 


... A atividade econômica apresenta sinais de desaceleração, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros, enquanto a restrição do crédito, o aumento da inadimplência e a piora das condições financeiras tendem a conter a demanda. 


... A própria abertura da curva de juros já representa um aperto adicional, independentemente da decisão do Copom. Goldenstein projeta crescimento de apenas 0,5% para o PIB em 2027 e não considera que o estresse recente, por si só, justifique novas altas da taxa básica.


... Para o comunicado, ele espera um tom mais conservador, com reconhecimento da piora do balanço de riscos e da necessidade de acompanhar a evolução das condições financeiras, sem declarar encerrado o ciclo de cortes nem descartar a possibilidade de retomá-los.


... A pausa permitiria ao Banco Central ganhar tempo até que haja maior clareza sobre a política fiscal, preservando a flexibilidade para voltar a calibrar os juros caso o cenário se torne mais favorável. Assim, 2027 e até mesmo dezembro continuam sendo opções vivas.


*BDM LIVE* – Horas antes da decisão do Copom, hoje, às 12h, Rosa Riscala e Téo Takar entrevistam Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, sobre as perspectivas para a Selic e os desafios diante da deterioração do cenário fiscal e financeiro após as eleições.


*JUROS SEM TABU* – Em meio à enxurrada de críticas à proposta de André Lara Resende há duas perguntas incontornáveis: Por que o Brasil convive há tanto tempo com uma das maiores taxas reais de juros do mundo? E qual é o peso dessa política sobre a trajetória da dívida pública?


... Em artigo publicado em setembro, intitulado Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos, Lara Resende sustenta que o principal motor do desequilíbrio fiscal não é o déficit primário, mas o custo de financiamento da dívida, que já consome mais de 10% do PIB ao ano.


... Enquanto a dívida bruta custa quase 13% ao ano, o PIB nominal cresce cerca de 7%, tornando insustentável a trajetória do endividamento. Para ele, nenhum ajuste nas contas primárias seria capaz de compensar essa diferença sem provocar uma recessão profunda.


... Assim, o economista propõe uma mudança profunda na condução da política monetária, que permitiria reduzir rapidamente o custo da dívida pública, melhorando a perspectiva fiscal e contribuindo, segundo sua tese, para a estabilidade dos preços.


... Para isso, André Lara Resende propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), responsável por estabelecer metas fiscais e monetárias para um horizonte de quatro a cinco anos, incluindo uma banda para a taxa básica de juros.


... A Selic seria reduzida para um intervalo entre 3% e 5,5%, um cálculo que toma como referência um piso equivalente à meta de inflação, hoje em 3%, e um teto correspondente à soma dessa meta com o crescimento potencial da economia, estimado em 2,5%. 


... A transição seria gradual: ao longo de aproximadamente 12 meses, a taxa cairia para perto de 7,5%, incluindo uma margem temporária de segurança de dois pontos porcentuais.


... André Lara Resende também prevê intervenções do Banco Central para suavizar eventuais pressões cambiais decorrentes da saída de capitais especulativos, utilizando parte das reservas internacionais, superiores a US$ 350 bilhões.


... A proposta provocou forte reação entre economistas e instituições financeiras, que questionam sobretudo a possibilidade de reduzir os juros sem comprometer a ancoragem das expectativas de inflação, a estabilidade cambial e o financiamento da dívida pública.


... Lara Resende, porém, rejeita a caracterização de sua proposta como tabelamento dos juros e diz que há “má-fé” nessa leitura. Ao jornalista José Paulo Kupfer (UOL), ele afirmou que sempre foi contrário a qualquer tipo de tabelamento.


*SÓ DEPOIS DA COP* – Lula somente deverá anunciar os primeiros nomes de seu novo ministério após retornar da COP31, na Turquia, segundo informações que circulam em Brasília – o que significa que o mercado ainda poderá ter mais alguns dias de incertezas.


... O presidente participará da conferência climática nos dias 11 e 12, e depois segue para a cúpula da Asean, nas Filipinas, nos dias 14 e 15.


... Para as duas viagens, Lula convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, em nova sinalização de aproximação com o Congresso. Segundo o Estadão, os convites foram feitos na semana passada e ainda estão sob avaliação dos parlamentares.


... O PT já declarou apoio à reeleição dos dois presidentes das Casas em 2027. Enquanto Motta reúne apoio de partidos do Centrão, Alcolumbre enfrenta a possibilidade de uma candidatura do PL, que terá 28 senadores na próxima legislatura e poderá disputar o comando da Casa.


*PEC DA SEGURANÇA* – O Senado aprovou ontem, em segundo turno, por 75 votos a zero, a PEC da Segurança Pública, numa vitória do governo Lula, que conseguiu impedir a inclusão da redução da maioridade penal no texto. 


... Por uma margem apertada, de 38 a 36, os senadores decidiram deixar o tema para discussão posterior. A proposta segue para promulgação.


... A PEC amplia a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado, permite a criação de polícias municipais e destina mais recursos ao setor. Com a aprovação, Lula poderá cumprir a promessa de criar o Ministério da Segurança Pública.


*ORÇAMENTO/2027* – Ainda ontem, o senador Eduardo Braga (MDB) foi indicado relator da peça, que o governo pretende aprovar até 17/12.


... Com a definição do relator, a equipe econômica poderá enviar uma mensagem modificativa, remanejando recursos para acomodar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, sem elevar o total de despesas previsto nem alterar a meta fiscal, segundo o Ministério do Planejamento.


*MIDTERMS* – Democratas saíram na frente na apuração das eleições americanas, na Câmara e no Senado, enquanto os mercados acompanham os resultados em busca de sinais sobre a força política de Donald Trump na segunda metade de seu mandato.


... Os futuros de Nova York perderam o fôlego inicial e passaram a cair, acompanhados pelos rendimentos dos Treasuries. Segundo o ING, o dólar pode ser pressionado, tanto pelo risco de paralisia política quanto por possíveis efeitos sobre o entusiasmo dos investidores com a IA.


... A IA entrou no debate eleitoral diante das críticas aos incentivos fiscais para data centers, ao consumo de energia e água e aos impactos dessas instalações sobre as comunidades. Uma maioria democrata no Congresso poderia abrir espaço para maior escrutínio e restrições ao setor.


... O Brown Brothers Harriman avalia que uma vitória democrata nas duas Casas deve ter reação moderada, por já estar incorporada às apostas. Mas, no início da madrugada, os futuros das bolsas em Nova York caíam forte. 


... Se confirmada, a onda azul, com vitória democrata nas duas Casas, poderá ampliar os obstáculos à agenda de Trump e aumentar o risco de impasses fiscais, incluindo negociações sobre o teto da dívida e paralisações do governo.


... As eleições de meio de mandato também funcionam como um referendo sobre o governo Trump, em meio à insatisfação dos eleitores com a inflação, o custo de vida e os preços da energia, agravados pela guerra com o Irã.


*AFTER HOURS* – Os balanços de empresas ligadas à inteligência artificial animaram o pós-mercado em Nova York. 


... A AMD subiu 5,02%, após superar as expectativas de receita e lucro, impulsionada pela forte demanda por chips para data centers. A receita dessa divisão saltou 97%, para US$ 8,5 bilhões, enquanto a companhia projetou faturamento de US$ 17 bilhões para o quarto trimestre.


... A Super Micro Computer avançou 7,20%, depois de divulgar lucro acima das previsões e receita recorde de US$ 19,95 bilhões, quase quatro vezes o faturamento registrado um ano antes.


*ITAÚ* – No Brasil, o Itaú Unibanco divulgou, também após o fechamento, lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% em um ano e em linha com o consenso. No after hours, os ADRs de Itaú recuaram 0,14%. 


... O banco realiza teleconferência sobre o balanço hoje, às 8h.


... Em entrevista à Broadcast, Renato Lulia, diretor de Estratégia Corporativa, alertou que o cenário para o crédito deverá ser mais restritivo em 2027. Ele também antecipou desaceleração das receitas com serviços e seguros, que devem encerrar o ano próximas ao piso do guidance.


... Leia abaixo, em Cias Abertas, os demais resultados divulgados ontem à noite!


*BALANÇOS DE HOJE* – Na B3, nove empresas divulgam resultados do terceiro trimestre nesta quarta-feira, todas após o fechamento do mercado: Axia Energia, GPA, C&A, Dexco, Vibra Energia, Prio, Smart Fit, Tenda e Totvs.


... O destaque é a Axia, que deve apresentar lucro líquido de R$ 2,39 bilhões, alta de 63% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o consenso Prévias Broadcast, apesar da sazonalidade desfavorável para a geração de energia e dos baixos preços no mercado spot.


... A companhia chega ao balanço em meio à pressão sobre as ações do setor elétrico, após os deságios agressivos no recente leilão de transmissão levantarem preocupações sobre a rentabilidade dos projetos e a concorrência de estrangeiras com acesso a financiamento mais barato.


... Nos Estados Unidos, o McDonald's divulga resultados antes da abertura, com projeção de lucro de US$ 3,38/ação. Após o fechamento, é a vez da Qualcomm, com estimativa de US$ 2,17/ação. A AIG também apresenta seu balanço, com expectativa de ganho de US$ 1,88/ação.


*MAIS AGENDA* – A quarta-feira começa às 5h com o IPC-Fipe de outubro, que deve desacelerar de 0,51% para 0,45%, segundo o Broadcast, com o alívio da energia elétrica compensando parcialmente a pressão dos alimentos. Às 8h, a FGV divulga o IPC-S Capitais de outubro.


... Às 14h30, o Ministério do Trabalho libera o Caged de setembro, com previsão de abertura líquida de 163.639 vagas formais, após a criação de 165.827 postos em agosto. No mesmo horário, o Banco Central informa o fluxo cambial semanal. 


... Sem horário definido, a Fenabrave apresenta hoje os dados de emplacamentos de veículos de outubro.


... No exterior, a madrugada traz uma bateria de PMIs finais de serviços de outubro, com a Alemanha, zona do euro e Reino Unido. 


... Ainda na Europa, às 7h, a prévia da inflação ao consumidor da zona do euro tem expectativa de aceleração da taxa anual de 3,8% para 4%, enquanto o núcleo deve permanecer em 2,5%.


... Nos Estados Unidos, o relatório ADP de emprego privado (10h15) deve mostrar criação de 70 mil vagas em outubro, após 90 mil em setembro. 


... Ontem, o relatório JOLTS mostrou aumento das vagas abertas de 7,190 milhões em agosto, dado revisado, para 7,523 milhões em setembro, acima da previsão de 7,125 milhões. A grande expectativa é para o payroll, na sexta-feira. 


... Às 10h30, os Estados Unidos divulgam a balança comercial de setembro, com déficit estimado em US$ 107,8 bilhões. Às 11h45, sai o PMI final de serviços, seguido, ao meio-dia, pelo ISM de serviços, que deve subir de 54,9 para 55 pontos.


... Às 12h30, o Departamento de Energia (DoE) divulga os estoques semanais de petróleo, com previsão de queda de 200 mil barris.


... À noite, o Japão divulga (20h50) a ata da penúltima reunião do BoJ, seguida pelos PMIs finais de serviços e composto de outubro (21h30).


*CHINA HOJE* – O PMI/S&P Global de serviços caiu para 50,8 em outubro, de 51,6 em setembro, contrariando a projeção de analistas de leve alta para 51,8. O PMI composto recuou de 52,4 para 52 de um mês para o outro.


... Apesar das quedas nos índices, os resultados continua acima de 50, sinalizando expansão da atividade econômica.


*NA MARRA* – Pouco mais de uma semana depois do choque do resultado eleitoral, o ruído do corte artificial da Selic elevou o receio com a credibilidade da política econômica e promoveu mais uma onda de estresse nos negócios. 


... Traders não só vêm eliminando rapidamente as apostas em queda dos juros pelo Copom nas últimas duas reuniões do ano (hoje e dezembro), como já precificam amplas chances de um aperto monetário no início de 2027. 


... Mas é cedo para cravar os próximos passos, porque tudo ainda pode se acomodar nas próximas semanas. 


... De qualquer maneira, como se viu, o Focus apontou uma piora nas expectativas de inflação pelos próximos três anos, até 2029, e contribuiu para injetar uma nova dose de nervosismo nos contratos dos juros futuros. 


... Na estratégia conservadora até que o mercado estabilize, o Tesouro promoveu leilão de lotes mínimos. 


... No fechamento, o DI para Janeiro de 2028 marcava 14,565% (contra 14,483% no ajuste anterior). O Jan/29 superou 15%, a 15,070% (de 14,962%). Jan/31 subiu a 15,370% (de 15,272%); e Jan/33, a 15,435% (de 15,349%). 


... No câmbio, as incertezas sobre a âncora fiscal desencadearam pressão renovada. Mesmo vindo de um rali acumulado de 9% na semana passada, o dólar continuou subindo e fechou na cotação mais cara do ano. 


... A moeda americana avançou mais 0,79%, negociada a R$ 5,4871, praticamente zerando a queda no ano (-0,03%). Testou R$ 5,51 na máxima do dia, em meio ao mal-estar sobre a suposta proposta de tabelamento da taxa de juros. 


*SE UM DIA SUBI, NÃO ME LEMBRO* – Em seis pregões depois do segundo turno, o Ibovespa caiu em todos eles e já voltou à menor pontuação desde janeiro. Com a bolsa a nocaute, ainda ontem teve o petróleo para piorar as coisas. 


... O tombo do barril durante o feriado, que já havia assustado os ADRs da Petrobras na segunda-feira, não poupou a estatal no pregão regular de um ajuste negativo intenso: PN afundou 3,79%, a R$ 50,71, ON, -3,65%, a R$ 57,82. 


... Apesar da queda livre de quase 8% do petróleo na véspera, uma correção não veio e a commodity ampliou as perdas ontem, com o contrato do Brent para janeiro caindo mais 1,12%, para fechar cotado a US$ 103,60. 


... A esperança na diplomacia e no diálogo entre os Estados Unidos e o Irã, a partir de mediações do Catar, voltou a falar mais alto, apesar do risco ainda considerável de retomada dos combates, que torna a situação incerta. 


... O alívio do petróleo ainda respondeu ontem à declaração de Trump de que cortará a ajuda anual de US$ 4 bilhões a Israel, argumentando que o país não necessita mais da assistência e tem condições de adquirir suas próprias armas. 


... Na dobradinha negativa das blue chips das commodities, também a Vale atraiu vendas fortes nesta terça-feira (-2,85%, a R$ 60,25), devolvendo grande parte do que subiu no pregão anterior (+3,28%) com o balanço trimestral.  


... O BofA cortou o preço-alvo do ADR da mineradora de US$ 15 para US$ 13, diante do cenário de oferta elevada e demanda fraca por minério de ferro. O banco vê os custos altos da companhia como um "ponto de atenção". 


... Entre os bancos, Bradesco PN puxou a fila negativa (-2,02%; R$ 13,58), seguido de BB (-1,70%; R$ 16,19) e BTG unit (-1,05%; R$ 50,98). Itaú PN caiu 0,47% antes do balanço, a R$ 38,49. Exceção, Santander unit subiu 2,26% (R$ 24,48).


... No momento de maior pessimismo do dia com os rumores sobre um possível “tabelamento” da Selic e a incerteza quanto ao futuro ministro da Fazenda no governo Lula 4, o Ibovespa chegou a entregar os 165 mil pontos. 


... Mas teve tempo de desacelerar a queda para 1,42% e fechar aos 165.528,92 pontos, com giro de R$ 32,4 bilhões. 


... A XP ainda enxerga o Ibovespa em 200 mil pontos no final do ano que vem, antecipando um potencial de valorização de 19%. Mas pondera que esse retorno não é muito superior ao oferecido pela renda fixa local. 


... Por isso, a corretora rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de compra para neutra e alertou para um quadro mais adverso, com inflação e juros em alta, riscos de queda das projeções de lucro e atividade desaquecida. 


*FICARAM BARATAS* – Depois da liquidação recente, parte das ações de chips e semicondutores negociadas em Nova York interrompeu a turbulência e garantiu um respiro para o Nasdaq, que subiu 0,83%, aos 25.372,01 pontos.


... Apesar disso, a Capital Economics avalia que a correção dos papéis ligados ao setor de tecnologia pode ser mais duradoura do que em episódios anteriores, diante das preocupações crescentes com os investimentos em IA.


... A consultoria também tem estranhado o fato de o tombo do petróleo não estar empolgando as bolsas. 


... De qualquer forma, a expectativa sobre o desfecho das eleições de meio de mandato justifica o comportamento menos entusiasmado dos investidores, que levou o S&P 500 a limitar os ganhos ontem a 0,36%, aos 7.568,92 pontos.


... Já o Dow Jones caiu 0,38%, a 51.786,72 pontos, frustrado pela Apple, que perdeu 1,9% no day after de seu balanço, após divulgar projeção de margem abaixo do esperado no 4Tri, devido ao alto preço dos chips de memória.


... Além disso, as vendas de iPads no quarto trimestre fiscal vieram inferiores às estimativas dos analistas. 


... Momentaneamente, as taxas dos Treasuries caíram junto com o petróleo, mas o alívio foi revertido, dando espaço no radar para a expectativa com as midterms e para a abertura de postos de trabalho revelada pelo relatório Jolts. 


... O juro da Note de dois anos subiu a 4,619% (de 4,585%) e o de dez anos avançou a 4,956% (contra 4,900%). 


... Também de olho nas eleições, o índice DXY do dólar avançou 0,12%, a 101,867 pontos.


... O euro operou de lado (+0,01%), a US$ 1,1196, apesar de o presidente do Bundesbank e membro do BCE, Joachim Nagel, ter afirmado que é “muito provável” que um aumento das taxas de juros seja necessário em dezembro. 


... Segundo ele, houve pressões inflacionárias acima do esperado em setembro, contribuindo para um cenário adverso. “Podemos e devemos evitar que uma disparada no preço da energia provoque uma inflação generalizada.”


... Às vésperas da reunião do BC inglês, a libra ficou estável (+0,07%), a US$ 1,3415. O iene caiu a 158,74 por dólar. 


*CIAS ABERTAS NO AFTER* – Fitch reafirmou o rating BB da PETROBRAS, com perspectiva estável, e elevou perfil de crédito autônomo de bbb para bbb+, destacando melhora da governança, geração de caixa e baixa alavancagem.


PRIO produziu 196,4 mil barris de óleo equivalente por dia em outubro, alta de 1,98% ante setembro. Vendas de petróleo caíram 5,15%, para 5,15 milhões de barris.


BRASKEM. Representantes da IG4 e da Petrobras negociam com credores em Nova York até sexta-feira, segundo fontes da Broadcast. Discussões incluem aporte de capital e recuperação extrajudicial da petroquímica.


BB SEGURIDADE teve lucro recorrente gerencial de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre, queda de 5,1% ante um ano antes. Resultado das participações recuou 6,6%, para R$ 2,363 bilhões.


BTG PACTUAL. Capital International Investors passou a deter 5,179% das ações preferenciais classe A, sem alteração no controle ou na administração.


AXIA ENERGIA. GQG Partners passou a deter 5,08% das ações ordinárias, incluindo papéis representados por ADRs.


ISA ENERGIA teve lucro regulatório de R$ 1,905 bilhão no terceiro trimestre, salto de 246% ante um ano antes. Receita líquida regulatória cresceu 41%, a R$ 1,511 bilhão, e Ebitda consolidado avançou 259%, a R$ 3,190 bilhões.


ENEVA fechou contratos para instalar terminal de GNL e complexo termelétrico de 690 MW no Espírito Santo. Companhia deterá 100% do projeto, com operação prevista para 2031.


ALUPAR venceu licitação no Chile para projeto de transmissão de US$ 85 milhões, com receita anual permitida de US$ 11,9 milhões e início de operação previsto para 2031.


RD SAÚDE teve lucro líquido ajustado de R$ 439,1 milhões no terceiro trimestre, alta de 9,2% ante um ano antes. Receita cresceu 7,8%, para R$ 11,4 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 14,7%, para R$ 1,024 bilhão.


YDUQS aprovou incorporação da Afya e estima sinergias de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em valor presente. Operação ainda depende de aprovações, incluindo aval definitivo do Cade.


COPASA. BlackRock reduziu participação para 4,986% das ações ordinárias, mantendo exposição adicional de 0,020% por meio de derivativos.


LATAM teve lucro líquido trimestral de US$ 441 milhões, alta de 16,3% ante um ano antes. Receita cresceu 18,4%, a US$ 4,5 bilhões, enquanto Ebitda ajustado caiu 4,7%, a US$ 1,095 bilhão, pressionado pelo combustível.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 187 milhões no terceiro trimestre, queda de 42,2% ante um ano antes. Receita recuou 8,5%, para R$ 2,29 bilhões, e Ebitda caiu 34,7%, para R$ 274,1 milhões.


C&A. O Goldman Sachs passou a deter posição comprada em derivativos equivalente a 4,95% das ações ordinárias, com liquidação financeira, além de posição vendida equivalente a 1,43%.


BRASILAGRO reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do ano-safra 2026/27. Receita cresceu 16%, para R$ 351,7 milhões, enquanto Ebitda ajustado operacional caiu 32%, para R$ 43,8 milhões.


AGROGALAXY foi notificada pela B3 para regularizar cotação de suas ações, abaixo de R$ 1, até abril de 2027. Companhia poderá propor novo grupamento de papéis.


PARANAPANEMA. Marcelo Vaz Bonini renunciou às diretorias Financeira e de RI. CEO, Vitor Saback, e diretor jurídico, Álvaro Cunha, assumirão interinamente as respectivas funções.


*AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!*


*AVISO* – O Bom Dia Mercado é exclusivo para assinantes e não pode ser redistribuído.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Marcelo Battisti

  Economista americano citado por Lara Resende diz que brasileiro propõe uma teoria sem histórico Felipe Gutierrez · John Cochrane, de Stanf...