Por uma dessas coincidências que a vida nos reserva, na virada de 2022 para 2023, no início do mandato de Lula, a taxa Selic estava exatamente no mesmo nível em que está hoje, 13,75% ao ano. Ou seja, passaram-se quatro anos, e o governo Lula entrega para si mesmo a mesmíssima taxa Selic que encontrou há quatro anos. Foi incompetente para estabelecer as condições que permitissem ao BC reduzir a taxa básica de juros.
Assim como hoje, quatro anos atrás a gritaria dos petistas era a mesma A diferença é que, na época, os petistas tinham um boneco de vodu bem conveniente, o “bolsonarista” Campos Neto, que presidia o BC. Hoje, nem essa desculpa há, então as críticas se dirigem a esse ente imaterial chamado “mercado”. Convenhamos que a narrativa perde muito de sua força.
Se até o “menino de ouro” Galipolo foi hipnotizado pelas mandingas do “mercado”, então a única saída é acabar de vez com o Copom e estabelecer uma taxa de juros ex-ante para a economia brasileira. Esta é a proposta de André Lara Resende, e não é à toa que soou como música aos ouvidos dos petistas.
Apesar de tudo, o Copom será mantido. O que pode acontecer é a adoção de uma política monetária mais ao gosto do Planalto, como ocorreu na gestão Tombini. O resultado foi uma inflação de dois dígitos, e uma Selic, no final do governo Dilma, de 14,25%. Mas como os petistas não esquecem nada e não aprendem nada, essa é uma hipótese que não pode ser descartada.
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