quinta-feira, 5 de novembro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Copom faz pausa; onda azul sacode mercados*


BC ganha tempo para avaliar a piora das expectativas de inflação e as incertezas fiscais após a reeleição de Lula, deixando as próximas reuniões em aberto


… O Copom fez uma pausa no ciclo de cortes e manteve a Selic em 13,75%, ganhando tempo para avaliar a piora das expectativas de inflação e as incertezas fiscais após a reeleição de Lula, deixando as próximas reuniões em aberto. Mas ontem o alívio veio de fora: a onda azul nas eleições americanas enfraqueceu Trump, derrubou o petróleo e provocou uma festa em Wall Street, com recuo dos Treasuries e do dólar. No Brasil, os juros futuros recuaram fortemente e o Ibovespa voltou a subir, enquanto cresce a expectativa por um pronunciamento de Lula. A agenda desta quinta-feira traz produção industrial, decisão de juros do Banco da Inglaterra e uma bateria de balanços na B3.


BC GANHA TEMPO – Diante da turbulência provocada pela reeleição de Lula e das incertezas sobre a política fiscal do próximo governo, o Copom optou por ganhar tempo. A decisão de manter a Selic em 13,75% interrompeu o ciclo de flexibilização, mas não o encerrou.


… Ao deixar em aberto os próximos passos, o BC afastou, por ora, a perspectiva de uma nova alta e preservou a possibilidade de retomar os cortes quando houver maior clareza sobre a equipe econômica e, sobretudo, sobre o compromisso do Lula 4 com a trajetória da dívida pública.


… O comunicado expôs o dilema enfrentado pelo BC: a inflação e as expectativas pioraram justamente quando a atividade econômica passou a dar sinais mais fortes de desaceleração. O Comitê reconheceu o cenário “desafiador” para a política monetária.


… A mudança de diagnóstico em relação à reunião de setembro foi expressiva. A atividade, antes descrita como em “moderação gradual”, passou a apresentar “moderação mais acentuada”, sobretudo nos setores cíclicos.


… E o mercado de trabalho, até então aquecido em setembro, continua resiliente, mas já mostra sinais de desaquecimento na margem.


… Na direção oposta, a inflação e as medidas subjacentes, que vinham desacelerando e estavam abaixo do teto da meta, ultrapassaram o limite de tolerância. As expectativas do Focus para 2026 subiram de 4,9% para 5,2%, e as de 2027 passaram de 4,3% para 4,8%.


… Mais significativa foi a revisão das projeções do próprio BC.


… A inflação estimada para 2027 saltou de 3,9% para 4,7%, e para 2026 avançou de 5,2% para 5,6%. No horizonte relevante da política monetária, que passou do primeiro para o segundo trimestre de 2028, a projeção subiu de 3,2% para 3,5%, afastando-se ainda mais da meta de 3%.


… Diante do cenário subitamente desfavorável, o BC também endureceu o tom da mensagem e retirou do texto a referência à definição da “magnitude total do ciclo de calibração” à luz de novas informações, presente no comunicado de setembro.


… A exclusão enfraquece a sinalização de continuidade dos cortes, mas não foi acompanhada de qualquer indicação de que o ciclo esteja definitivamente encerrado ou de que a Selic permanecerá em 13,75% por um período prolongado.


… A política fiscal continua no centro das preocupações. O BC reiterou que acompanha seus efeitos sobre os ativos financeiros e a política monetária, num ambiente de desancoragem das expectativas, depreciação cambial e aumento dos prêmios de risco.


… Ao pausar o ciclo, o Copom compra tempo para avaliar se a deterioração das expectativas será absorvida ou revertida.


… Na hipótese mais favorável, a definição da equipe econômica e a apresentação de medidas fiscais capazes de melhorar a percepção sobre a dívida pública poderão abrir espaço para novos cortes. Por enquanto, o BC preferiu não se comprometer com nenhuma direção.


A DURAÇÃO DA PAUSA – As primeiras avaliações dos economistas convergem na leitura de que a piora da inflação e das expectativas justificou a manutenção da Selic, mas divergem sobre a duração da pausa e a possibilidade de retomada dos cortes em 2027.


… Para Marco Caruso, economista-chefe do Santander, o BC não caracterizou a decisão como encerramento do ciclo de calibração nem sinalizou uma manutenção prolongada dos juros. “A melhor forma de preservar a possibilidade de voltar a cortar pode ser pausar agora.”


… O Santander prevê a Selic estável até o início de 2027.


… O Itaú destacou que, ao classificar a Selic como “substancialmente contracionista”, o Copom elevou “bastante a barra para novas altas” dos juros. “A sinalização é que, no cenário que o próprio Copom projeta, ele não pretende voltar a subir os juros.”


… O banco espera estabilidade nas próximas reuniões.


… Também o Bradesco prevê a Selic em 13,75% até dezembro, mas vê espaço para a taxa recuar ao intervalo de 12,5% a 13% em 2027, dependendo do câmbio, da atividade e da inflação. Para o banco, “o dilema entre a inflação e a atividade econômica começa a aparecer”.


… O Citi considera que a retirada da referência à magnitude total do ciclo sugere que o BC já não está mirando uma sequência de cortes, mas a avaliação de que a Selic está substancialmente contracionista indica que ainda há espaço antes de uma eventual alta dos juros.


… O Citi também espera manutenção da taxa nas próximas reuniões.


… O Barclays elevou a projeção de inflação para 2027 de 4% para 5% e reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 1,3% para 1%. Entre os riscos inflacionários, Roberto Secemski cita a redução da jornada de trabalho, o novo IVA, o câmbio e os choques do petróleo.


… O banco prevê retomada dos cortes em meados de 2027, condicionada a um ajuste fiscal crível, com a Selic encerrando o ano em 12,25%.


… Do mesmo modo, a Capital Economics vê espaço para retomar os cortes em 2027, desde que o governo Lula adote medidas concretas para reduzir as preocupações fiscais. A consultoria preservou sua projeção de Selic em 11,75% no fim do próximo ano, com risco de alta.


MERCADO RESPIRA – Antes mesmo da decisão do Copom, os juros futuros tiveram forte queda, superior a 40 pontos-base nos vértices longos, acompanhando o recuo dos Treasuries e o tombo do petróleo.


… O alívio ganhou força com a informação de que o presidente Lula fará um pronunciamento à nação no fim de semana, sinalizando compromisso com as metas fiscais e medidas de ajuste, sem abandonar as promessas de campanha.


… Em sintonia com Wall Street, o Ibovespa interrompeu seis quedas e o dólar recuou em meio à melhora do apetite global por risco (abaixo).


A ONDA AZUL – A vitória histórica dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos impôs uma derrota contundente ao presidente Donald Trump, mudou a correlação de forças em Washington e provocou uma onda de alívio nos mercados globais.


… A conquista da maioria nas duas Casas do Congresso alimentou expectativas de contenção dos gastos públicos, menor agressividade comercial e, sobretudo, de uma saída para a guerra com o Irã. O petróleo despencou quase 9%.


… Também os rendimentos dos Treasuries e o dólar recuaram, enquanto Wall Street comemorou com um salto de 3% do Dow Jones.


… O resultado das midterms encerrou dois anos de controle republicano sobre o Executivo e o Legislativo e abriu caminho para uma oposição mais forte a Trump na segunda metade de seu mandato.


… Segundo projeções da Associated Press, os democratas já haviam conquistado até ontem 234 cadeiras na Câmara, acima das 218 necessárias para a maioria, e 54 assentos no Senado, onde precisavam de 51.


… A vitória também alcançou redutos tradicionalmente republicanos, como o Texas, ampliando o alcance político da chamada onda azul.


A GUERRA COBRA A CONTA – Donald Trump reconheceu que a disparada dos preços da gasolina provocada pela guerra com o Irã contribuiu decisivamente para a derrota republicana, mas disse não se arrepender da ofensiva.


… “Provavelmente essa foi a principal razão. O preço. Não a guerra, o preço”, afirmou. O vice-presidente, JD Vance, também atribuiu o revés eleitoral ao conflito, reforçando a percepção de que a Casa Branca poderá ser pressionada a rever sua estratégia no Oriente Médio.


… Trump afirmou que a guerra terminará “quando eu quiser que termine”, mas também sinalizou que poderá trabalhar com os democratas.


… Favorito para presidir a Câmara, o deputado Hakeem Jeffries defendeu o fim do conflito antes da posse do novo Congresso, em janeiro, “após o recado claro contra uma guerra que encareceu combustíveis, fertilizantes e alimentos e agravou a crise do custo de vida dos americanos”.


PETRÓLEO DERRETE – A perspectiva de uma solução diplomática para o conflito provocou uma liquidação nos contratos de petróleo.


… O Brent para janeiro chegou a cair 10% durante o pregão e encerrou em baixa de 8,66%, a US$ 94,62 o barril, voltando a ficar abaixo dos três dígitos. O WTI para dezembro recuou 8,29%, a US$ 88,12.


… A queda trouxe alívio às preocupações com a inflação global e com a necessidade de manutenção de juros elevados.


… O Swissquote avalia que o novo Congresso poderá ampliar a fiscalização dos gastos militares e pressionar por uma saída diplomática. Uma perspectiva de navegação mais segura pelo Estreito de Ormuz ajudaria a sustentar preços menores.


… Mas o otimismo está longe de ser consensual: o Rabobank vê pouco terreno comum entre Washington e Teerã e não descarta uma escalada das tensões nas próximas semanas. Já a Kpler lembra que Trump ainda terá dois meses para agir sob a atual composição do Congresso.


FESTA EM WALL STREET – A onda azul também surpreendeu os investidores pela intensidade da reação positiva dos mercados (abaixo).


… Para Mohamed El-Erian, professor da Wharton School e conselheiro da Allianz, a vitória democrata acompanhada da reação favorável das bolsas, dos juros e do petróleo representou um “duplo golpe” para os republicanos mais conservadores.


… O economista advertiu, porém, que os democratas não devem interpretar o resultado apenas como uma adesão às suas propostas, mas também como expressão da insatisfação dos eleitores com o governo.


… O desafio agora, diz ele, será apresentar uma agenda capaz de responder a esse descontentamento.


IA NA CONTRAMÃO – Nem todos os setores participaram da festa. A perspectiva de maior regulação sobre a inteligência artificial e de restrições à construção de data centers pressionou empresas ligadas à infraestrutura tecnológica.


… O índice de semicondutores da Filadélfia (SOX) caiu mais de 3%, enquanto Nvidia perdeu 3,12%.


… Em contrapartida, gigantes já estabelecidas, como Amazon, Microsoft e Alphabet, avançaram, diante da avaliação de que novas barreiras regulatórias podem dificultar a entrada de concorrentes.


… O Texas, que elegeu a democrata Gina Hinojosa para o governo e James Talarico para o Senado, tornou-se um foco dessas preocupações. Gina defendeu uma moratória para novos data centers até a adoção de regras mais rigorosas e Talarico propôs maior fiscalização do setor.


… A mudança política representa um revés para Elon Musk, que transferiu para o Estado as sedes da Tesla e da SpaceX e investiu pesadamente na campanha republicana. As ações da Tesla caíram 3,34% ontem na sessão regular.


AFTER HOURS – Os papéis da Qualcomm despencaram 7,52% no pregão noturno, após a companhia divulgar queda anualizada de 7% na receita do quarto trimestre fiscal, para US$ 10,4 bilhões, em meio à expansão por data centers.


TRUMP SOB PRESSÃO – A nova composição do Congresso também amplia os riscos políticos para o presidente.


… No mercado de apostas, a probabilidade de Trump enfrentar um processo de impeachment até o fim do mandato saltou para 77% na Polymarket e 76,7% na Kalshi. Isso não significa, porém, que afastá-lo será fácil.


… A condenação exige o apoio de dois terços dos senadores presentes, um obstáculo elevado, mesmo com a maioria democrata.


… Trump advertiu que uma tentativa de impeachment “destruiria o Partido Democrata” e sinalizou disposição para negociar com a oposição em algumas questões econômicas. Ao mesmo tempo, ameaçou recorrer ao poder de veto para barrar propostas dos adversários.


… O Rabobank avalia que o presidente poderá intensificar o uso de seus poderes executivos, testando os limites diante de um Congresso hostil.


ALÍVIO COM PRAZO DE VALIDADE? – A perspectiva de um governo dividido reduz o espaço para novos estímulos fiscais e cortes de impostos, mas também aumenta o risco de paralisia legislativa.


… O ING alerta que a disputa orçamentária poderá atingir seu ponto mais crítico em meados de 2027, com possibilidade de um novo shutdown. Para o banco, uma paralisação deixaria novamente o Fed sem estatísticas oficiais para suas decisões de política monetária.


TARIFAÇOS – O resultado eleitoral também foi recebido com alívio cauteloso por líderes internacionais, que esperam uma política externa americana menos combativa. Mas a mudança de comando no Congresso não significa uma alteração imediata da estratégia de Trump.


… O presidente já descartou reduzir as tarifas comerciais, sob o argumento de que a retirada das sobretaxas prejudicaria os investimentos industriais nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, disse que poderá trabalhar com os democratas em mais questões econômicas.


… Para o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, o tarifaço contribuiu para elevar o custo de vida dos americanos e pesou no resultado das eleições. Segundo ele, a vitória democrata pode abrir espaço para um diálogo mais construtivo entre Washington e Brasília.


… Os avanços poderão ocorrer especialmente no agronegócio, com oportunidades de cooperação em proteínas e biocombustíveis.


AGENDA – A quinta-feira tem como destaque a produção industrial de setembro, divulgada pelo IBGE às 9h. A mediana do Broadcast aponta queda de 0,3% ante agosto, após recuo de 0,6% no mês anterior. Na comparação anual, a expectativa é de retração de 1,9%.


… A indústria deve continuar mostrando fraqueza, com algum suporte da atividade extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, enquanto a transformação sofre os efeitos dos juros elevados, dos custos de energia e da demanda doméstica enfraquecida.


… Também às 9h, a S&P Global divulga o PMI de serviços de outubro, após marcar 49,2 pontos em setembro, em território de contração.


… Às 11h, o Tesouro realiza leilões de títulos prefixados, com ofertas de NTN-F e LTN.


… Na agenda política, Lula participa às 15h30 da primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, no Palácio do Planalto. Às 19h, realiza mais uma live com o Exército de Lula, comandado pelo deputado André Janones.


BOE SOB PRESSÃO – No exterior, o principal evento é a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra, às 9h.


… A expectativa é de alta de 25 pontos-base, para 4% ao ano, no primeiro aperto monetário britânico desde 2023, em resposta à persistência da inflação e ao choque dos preços da energia provocado pela guerra no Oriente Médio.


… A inflação britânica acelerou para 3,5% em setembro, bem acima da meta de 2%. Bank of America e Capital Economics avaliam que o aumento pode ser pontual, enquanto Wells Fargo e ING projetam outro aperto no primeiro trimestre de 2027.


AINDA LÁ FORA – Na Europa, saem as encomendas à indústria da Alemanha em setembro, que devem subir 3%, após tombo de 10,6% em agosto. Já as 7h, a zona do euro divulga os preços ao produtor, com previsão de alta de 2,5% no mês.


… Nos Estados Unidos, às 10h30, os pedidos semanais de auxílio-desemprego têm expectativa de 198 mil solicitações, ante 194 mil na semana anterior. No mesmo horário, o custo unitário da mão de obra no terceiro trimestre deve avançar 1,2%, após alta de 1,3% no segundo.


… Às 11h10, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, participa de painel. Na Europa, Christine Lagarde fala às 13h.


… Às 16h, o Banco do México anuncia sua decisão de juros. A taxa básica está atualmente em 6,5% ao ano.


JAPÃO HOJE – O PMI de serviços subiu de 51,3 em setembro para 51,7 em outubro, permanecendo acima do patamar neutro de 50, ou seja, indicando expansão da atividade. Já o PMI composto caiu de 52,3 para 52,1.


BALANÇOS – No calendário internacional, Bombardier, no Canadá, e ConocoPhillips, nos Estados Unidos, divulgam resultados antes da abertura dos mercados. Também estão previstos números de Sony, Toyota e Cigna.


… Após o fechamento em Nova York, os destaques incluem Airbnb e Cloudflare.


NA B3 – Aqui, a agenda de resultados corporativos é carregada, com Porto Seguro divulgando seus números antes da abertura do mercado. Após o fechamento, saem os balanços de Suzano, Localiza, Lojas Renner, Allos, Assaí, Sabesp, Fleury, Eztec, Vivara e PetroReconcavo.


… No varejo, Lojas Renner deve apresentar lucro líquido de R$ 195 milhões no 3TRI, queda de 30% em relação ao 3TRI/2025. A receita líquida do varejo deve avançar apenas 0,3%, para R$ 3,089 bilhões, refletindo o consumo enfraquecido de vestuário e o endividamento das famílias.


… Para o Assaí, a expectativa é de lucro líquido ajustado de R$ 192 milhões, recuo anual de 1,5%, com receita líquida de R$ 19,2 bilhões, alta de apenas 1,5%. O atacarejo segue pressionado pelos juros elevados e pela dificuldade de recuperação das vendas.


TUDO AZUL – A impopularidade causada pela guerra de Trump contra o Irã, que custou derrotas importantes dos republicanos nas midterms, deu o start para a nova queda livre do petróleo e aliviou a pressão inflacionária global.


… A esse cenário mais favorável, somou-se a notícia de que Lula defenderá a agenda fiscal em cadeia nacional no domingo. A combinação dos dois gatilhos (petróleo e potencial política de corte de gastos) fez a festa nos negócios.


… A ponta longa dos juros futuros queimou mais de 40 pontos-base e alguns contratos furaram a marca dos 15%. O dólar voltou para a faixa de R$ 5,45 e o Ibovespa acordou do seu pesadelo vendedor vivido desde o segundo turno.


… Nem mesmo o tombo da Petrobras (ON, -7,64%, a R$ 53,40; e PN, -7,08%, a R$ 47,12) com o petróleo quebrou o clima na bolsa, que quis pegar carona no apetite externo e na expectativa de defesa da responsabilidade fiscal.


… Interrompendo o jejum de alta, o Ibovespa subiu pela primeira vez em seis pregões. Fechou com ganho de 1,23%, aos 167.563,47 pontos, e giro de R$ 32,9 bilhões, após ter despencado 19,5% desde o resultado-surpresa da eleição.  


… Ainda falta muito para a bolsa zerar toda a liquidação, mas é muito positiva a perspectiva de resolução rápida do conflito militar no Oriente Médio e, mais que isso, o aceno de Lula para acalmar o mercado sobre a condução fiscal.  


… Após os ruídos do episódio Lara Resende, lido pelo viés de um corte artificial da Selic para melhorar a trajetória da dívida pública, o investidor eleva a cobrança do compromisso público do governo com o rigor nas contas públicas.


… Acionado o risk-on ontem, profissionais relataram ao Broadcast a entrada de capital estrangeiro, trazendo fôlego para os papéis de bancos e da Vale, que saltou 3,49%, para R$ 62,35, impulsionada também pelo minério (+1,56%).


… Apesar disso, o papel ainda encontra dificuldades para reconquistar a barreira dos R$ 70.


… Entre os bancos, sobrou apetite por risco. No day after de seu balanço, Itaú PN subiu 3,17% (R$ 39,71). BTG unit saltou 5,96% (R$ 54,02); Santander, +5,43% (R$ 25,81); Bradesco PN, +3,69% (R$ 14,06); e BB, +1,85% (R$ 16,49).


LULA E TRUMP PISCAM – A sensação de que Lula não quer comprar briga com o mercado sobre o fiscal e de que, lá fora, Trump não tem mais capital político para bancar a continuidade da guerra derreteram os juros futuros.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2028 marcava 14,390% (de 14,632% no ajuste anterior); Jan/29, 14,785% (contra 15,135%); Jan/31, 14,990% (de 15,431%); Jan/33, 15,060% (de 15,509%); e Jan/35, 15,040% (de 15,486%).


… Embora sem influência nos negócios ontem, o resultado do emprego do Caged reforçou as evidências de desaquecimento gradual do mercado de trabalho, paralelamente à atividade econômica menos aquecida.


… Foram abertas 121,3 mil vagas com carteira assinada em setembro, abaixo da mediana da Broadcast, de 163,6 mil.


… Teoricamente, a derrocada do petróleo abaixo de US$ 95 teria potencial para provocar uma onda de vendas no real. Mas não foi o que se viu, porque o câmbio dispensou o apelo defensivo, diante do noticiário favorável do dia.


… Hoje, a moeda brasileira pode ampliar o gap de alta, diante da opção do Copom pela pausa da Selic, ao invés de corte, que mantém a atratividade do carry trade, favorecendo o interesse do fluxo de capital estrangeiro pelo Brasil.


… Se o mercado enxergar uma pausa mais longa no ciclo de flexibilização, pode sustentar ainda mais o câmbio, avaliou a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, à Broadcast. Ontem, o dólar caiu 0,64%, a R$ 5,4518.


… A moeda americana, que um dia antes havia cravado a máxima no ano, potencializou o alívio à tarde com a notícia de que Lula deve defender no pronunciamento superávits primários ao longo de todo seu quarto mandato.


SUCO DE LARANJA – O fracasso devastador do trumpismo nas eleições de meio de mandato acabou recebido com euforia pelas bolsas em Nova York, apesar da bandeira democrata de desmonte de parte da infraestrutura em IA.


… Falou mais alto para os investidores a esperança em um desfecho nos ataques ao Irã, na guerra cara e longa (mais de oito meses até agora), que puxou a inflação e despertou a insatisfação dos americanos com o custo de vida.


… O esvaziamento das preocupações com a inflação estimulou a busca por risco. O Dow Jones disparou 3,03%, a 53.356,12 pontos; o S&P 500 ganhou 1,58%, a 7.688,62 pontos; e o Nasdaq avançou 1,44%, a 25.736,51 pontos.


… Os principais índices de ações vinham ignorando nos últimos dias o alívio do petróleo, mas ontem tudo mudou.


… A garantia de que Trump terá de mudar sua estratégia militar e limitar o poder de gasto do Executivo encorajou o mercado a derrubar as taxas dos Treasuries: as da Note-2 anos caíram 4,576%, de 4,619% antes das midterms.


… Análise do ING, porém, aponta que a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro pode perder força nos próximos dias, diante da possibilidade de impasse político entre o Congresso democrata e o presidente republicano.


… O banco também avalia que uma economia americana ainda forte e pelo menos mais um aumento da taxa de juros pelo Fed devem limitar perdas maiores do dólar, que ontem relaxou com o petróleo e as eleições legislativas.


… A perspectiva de menor expansionismo fiscal e menos inflação levou o índice DXY a cair 0,30%, a 101,566 pontos. O iene subiu para 158,45 por dólar e a libra esterlina avançou 0,43%, para US$ 1,3474, na véspera da decisão do BoE.


… O euro ganhou 0,34%, a US$ 1,1232. Dois dirigentes do BCE assumiram discursos hawkish nesta quarta-feira.


… Klaas Knot, cotado para substituir Lagarde, disse que a inflação na zona do euro continuará sujeita a pequenos choques de alta e avaliou que BCE poderá ter de conviver com inflação acima da meta de 2% com maior frequência.


… O dirigente alertou que as pressões sobre o núcleo da inflação europeia e os seus efeitos de segunda ordem provavelmente se intensificarão, ampliando os desafios para a política monetária.


… Já Martins Kazaks defendeu aumento gradual dos juros contra o risco de a inflação se espalhar.


CIAS ABERTAS NO AFTER – AXIA ENERGIA teve lucro líquido de R$ 1,113 bilhão no terceiro trimestre, 53% abaixo do consenso do Broadcast. Ebitda de R$ 3,79 bilhões ficou 39,94% inferior às projeções…


… A companhia aprovou emissão de R$ 500 milhões em debêntures.


VIBRA teve lucro líquido de R$ 2,460 bilhões no terceiro trimestre, salto de 504% ante um ano antes. Receita ajustada cresceu 17%, para R$ 56,932 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 137%, para R$ 4,288 bilhões.


ENERGISA concluiu empreendimento de transmissão na região de Manaus 11 meses antes do prazo contratual, com investimento de R$ 234 milhões e receita anual permitida de R$ 22 milhões.


PRIO teve lucro líquido de US$ 521 milhões no terceiro trimestre, disparando 468% contra um ano antes. Receita cresceu 146%, para US$ 1,369 bilhão, e Ebitda avançou 268%, para US$ 1,13 bilhão.


CBA teve lucro líquido de R$ 616 milhões no terceiro trimestre, uma escalada de 367% contra um ano antes. Receita cresceu 18%, para R$ 2,7 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 142%, para R$ 565 milhões.


IRANI pagará R$ 13,9 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,06109 por ação, em 19 de novembro. Terão direito acionistas posicionados em 9 de novembro.


MOTIVA. JPMorgan reiterou recomendação overweight, com preço-alvo de R$ 19,50 para dezembro de 2027, e elegeu a companhia como uma das preferidas do setor de transportes.


RUMO. JPMorgan reiterou recomendação overweight, com preço-alvo de R$ 20 para dezembro de 2027, destacando perspectivas de geração de caixa e melhora nas tarifas de frete.


SIMPAR reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 35,2 milhões no terceiro trimestre. Receita cresceu 4,1%, a R$ 11,56 bilhões, e Ebitda avançou 19,9%, para R$ 3,48 bilhões.


MOVIDA. S&P Global destacou melhora operacional e manteve rating BB-, com perspectiva estável. Agência projeta relação entre geração de recursos operacionais e dívida de 20% a 21% em 2026.


VAMOS. JPMorgan rebaixou recomendação de overweight para neutro, citando alavancagem elevada e riscos associados à manutenção dos juros altos.


TEGMA teve lucro líquido de R$ 117 milhões no terceiro trimestre, alta de 46,5% ante um ano antes. Receita cresceu 19,9%, para R$ 760,6 milhões, e Ebitda avançou 11,1%, para R$ 129,8 milhões.


MILLS teve lucro líquido de R$ 130,9 milhões no terceiro trimestre, alta de 94,5% ante um ano antes, beneficiado por efeitos não recorrentes. Receita avançou 2,1%, para R$ 492,9 milhões.


IOCHPE-MAXION reverteu lucro e teve prejuízo líquido de R$ 16,1 milhões no terceiro trimestre. Receita cresceu 15,8%, para R$ 4,404 bilhões, e Ebitda avançou 7,2%, para R$ 386,3 milhões.


LAVVI teve lucro líquido de R$ 90,7 milhões no terceiro trimestre, queda de 13% ante um ano antes. Receita registrou alta de 28%, para R$ 531,9 milhões, e Ebitda ajustado avançou 15%, para R$ 143,3 milhões.


TENDA teve lucro líquido de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre, queda de 48,7% ante um ano antes. Receita cresceu 10,5%, para R$ 1,25 bilhão, e Ebitda teve avanço de 12,2%, para R$ 174,5 milhões.


HBR REALTY fechou acordo para vender participações em três shoppings e um empreendimento comercial por R$ 937,7 milhões, sendo R$ 562,6 milhões à vista. Fechamento está previsto até 11 de novembro.


TOTVS teve lucro líquido ajustado de R$ 237,2 milhões no terceiro trimestre, queda de 8,8% ante um ano antes. Receita cresceu 13,2%, para R$ 1,977 bilhão, e Ebitda ajustado avançou 16,9%, para R$ 500,9 milhões.


MERCADO LIVRE teve lucro líquido de US$ 448 milhões no terceiro trimestre, alta de 6,4% ante um ano antes. Receita teve crescimento de 45%, para US$ 10,75 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 5%, para US$ 982 milhões.


SMARTFIT teve lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre, alta de 40% ante um ano antes. Receita cresceu 29%, para R$ 2,3 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 30%, para R$ 763 milhões.


PAGUE MENOS teve lucro líquido de R$ 93,6 milhões no terceiro trimestre, alta de 23,4% ante um ano antes. Receita subiu 5,4%, para R$ 4,06 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 7,2%, para R$ 278,8 milhões.


COGNA. BlackRock reduziu participação de 5,05% para 4,999% das ações ordinárias, mantendo exposição adicional de 0,290% por meio de derivativos.


GPA reverteu lucro e teve prejuízo de R$ 220 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre. Receita caiu 9,6%, para R$ 4,1 bilhões, enquanto Ebitda ajustado cresceu 16,9%, para R$ 482 milhões.


C&A teve lucro líquido de R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre, alta de 145,1% ante um ano antes. Receita cresceu 2,3%, para R$ 1,88 bilhão, enquanto Ebitda ajustado pós-IFRS 16 recuou para R$ 317,6 milhões.


AZZAS 2154. BlackRock reduziu participação para 4,931% das ações ordinárias, equivalente a 10,2 milhões de papéis, em operação realizada em 30 de outubro.


DEXCO reverteu lucro e teve prejuízo líquido de R$ 161,9 milhões no terceiro trimestre. Receita cresceu 9,8%, para R$ 2,33 bilhões, e Ebitda ajustado recorrente avançou 31,6%, para R$ 585,4 milhões.


DAYCOVAL teve lucro recorrente de R$ 452 milhões no terceiro trimestre, queda de 4,7% contra um ano antes. Carteira de crédito expandida cresceu 24,4%, para R$ 80,1 bilhões, com ROAE de 22,4%.

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