segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Mario Mesquita

 O governo quer trocar o teto cumulativo de emissões externas (US$100 bi, já quase esgotado) por um limite anual automático de US$35 bilhões — quase 8x a média histórica de emissões desde 2002 (US$4,3 bi/ano) e quase 3x o recorde anual (US$12,5 bi, em 2005) – esse limite foi estabelecido pelo Senado, ao qual cabe disciplinar a matéria. Considero a alteração do limite uma ideia perigosa, pois arrisca reverter uma das maiores conquistas da política econômica brasileira das últimas décadas: a posição líquida credora em dólares do Estado, que tem permitido a implementação de medidas anticíclicas por ocasião das crises globais, como em 2009 e 2020. Avalio que, em vez de aceitar a proposta, o Senado deveria endurecer os critérios de aprovação (por exemplo, requerendo quórum qualificado), e que a verdadeira solução para o desafio do financiamento do governo estaria na adoção de uma combinação mais racional de políticas fiscal e monetária.

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