Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Brian Winter
Se eu tivesse que descrever a eleição do Brasil em 2 palavras, elas seriam “polarização apática”. Sim, ainda é um país 50-50, mas a vibe clara da eleição de 2026 é a falta de entusiasmo de ambos os lados. Você sente isso no momento em que chega — tão difícil encontrar alguém que esteja verdadeiramente ANIMADO para votar em Lula ou Flávio. Tão diferente de 2018 ou 2022, quando os brasileiros sentiam que havia tanto em jogo — por causa da economia ruim, da pandemia e das ameaças à democracia. Desta vez, os eleitores dizem meh, a economia está OK, mas meu salário parece valer menos, Lula está OK, mas é velho, Flávio tem esqueletos no armário, mas não é percebido como agressivo como o pai dele.
Nesse… ambiente sem vento, até a menor brisa pode parecer relevante. Flávio está tendo um momento nas pesquisas atualmente, provavelmente por causa do que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal, mas falei com analistas que se perguntam se na verdade são os eleitores reagindo aos preços mais altos de combustível por causa da guerra no Irã e às pressões inflacionárias gerais e ao endividamento das famílias. É uma eleição MUITO difícil de prever porque ela é simultaneamente muito apertada, mas o nível de convicção entre muitos eleitores é tão baixo. Flávio ligeiramente favorito hoje, mas por enquanto eu evitaria fazer apostas grandes de qualquer jeito. PS “polarização apática” é um pouco acadêmico para mim, mas o melhor que consegui fazer.Questão não é ideológica, mas ética
Pois é, mas vamos esclarecer.
A tentativa de golpe veio de um ato desesperado de parte do governo Bolsonaro, sabendo que o retorno de Lula ao poder representaria o retorno dos escândalos de corrupção, o que acabou se confirmando com o caso das aposentadorias do INSS, do caso Lulinha e do escabroso caso do Banco Master.
Além disso. Não há aquela velha máxima de que “democracia” é uma plantinha que deve ser regada com carinho a todo momento... A bem da verdade não é isso que temos visto no dia a dia dos poderes, nas escusas relações entre eles.
O que a governança doo PT mais tem feito é torturar a “democracia”, com inúmeras situações em que o regime democrático é insuficiente e sempre usurpado.
As perseguições à candidatos da oposição, como no caso do Deltan, é um exemplo disso. Nada justifica, apenas pelo fato de que o juiz que deliberou é ligado ao PT e ao Lula. Na verdade, é ligado a Gleise Hoffman.
Em verdade, o que temos é o aparelhamento vergonhoso da máquina pública, de orgãos de controle, como o STF. Predomina a a velha máxima de José Dirceu de que todos têm um “preço”, o que o levou a sair comprando todo o Congresso e outras instituições, quando do escândalo do Mensalão. Isso é a “democracia” do PT- De fato, ela tem um preço. E a estranha cooptação dos presidentes do Senado e da Camara, Alcolumbre e Motta?
Cadê o equilíbrio e a harmonia dos poderes, tão necessários numa democracia?
Em VERDADE, não tem nada de democracia ou disputa ideológica, muito menos, um projeto de governo. O que há é uma acirrada disputa pelo poder, por nacos do setor público, pelos interesses que estão em jogo no momento, e partindo do PT, do quinhão de grana em disputa.
Mais um ponto. Não existe mais ideologia no mundo. Isso é apenas uma “cortina de fumaça”, um subterfugio para a defesa de certos “interesses” , nem sempre republicanos ou democráticos.
Façamos uma análise histórica da evolução das esquerdas, o “porquê” deste conceito.
Os termos, esquerda e direita, nasceram na Revolução Francesa, mais precisamente, em 1789. Naquela ocasião, os membros da Assembleia Constituinte, reunidos para deliberar sobre o poder de veto de Luís XVI, sentaram-se espontaneamente de ambos os lados do presidente: à direita, os monarquistas fiéis ao rei e dispostos a lhe dar o direito de veto absoluto; à esquerda, os adversários que queriam limitar o veto do rei. Dessa distribuição dos deputados por afinidades originou-se a separação entre direita, considerada conservadora ou reacionária, e esquerda, considerada reformista ou revolucionária, marcadores que ainda pontuam a vida política de todas as democracias do mundo.
Outro evento marcante, o que inclusive, deu origem ao socialismo, foi o movimento dos socialistas utópicos, emergidos das relações de trabalho extremamente injustas na eclosão da revolução industrial. Surgiram daí os movimentos dos trabalhadores, o que, depois deu origem à obra seminal de Karl Marx, Das Capital. Eram os trabalhadores buscando conquistar os direitos, que depois se consolidaram, como a criação dos sindicatos, os turnos de trabalho, os limites, etc.
O problema é que ao longo da história foi se observando também a esquerda, muitas vezes, na contramão dos acontecimentos. E isso sempre foi a marca do PT, afeito a diversas situações de “efeito”, clichês, mas zero em profundidade e longevidade.
Fazendo um balanço rápido, veremos que o PT foi contrário ao Plano Real, à diversas transferências de controle de estatais ineficientes para o setor privado, privatizações, reformas estruturantes, etc. Imaginem deixar a telefonia com o Estado? Um desastre.
E poderíamos lembrar a oposição à independência do BCB, preferindo que a instituição continuasse à mercê dos interesses privados de grupos de pressão. Poderíamos citar outras diversas situações em que o país avançou, mas o PT foi contra, como nas reformas da Previdência ou trabalhista.
Na verdade, tudo que representou avanço para o País, o PT sempre foi contrário, pelo espírito de corpo dos servidores, dos sindicatos aparelhados, etc.
E o que dizer dos vários esquemas do PT com empreiteiras, estatais, Centrão, empresários, etc?
No caso das empreiteiras, Lula se tornou um “caixeiro viajante”, um mascate, a viajar por países da Africa, sempre em comunhão com governos corruptos.
Em verdade, em vários países os movimentos de esquerda vão se perdendo por uma visão superficial da realidade, um olhar sempre procrastinador e idílico sobre a necessidade de mudanças mais profundas. Diante disso, alguns caroneiros, outros mais oportunistas, ou até candidatos providenciais e sensatos, de outro espectro político, vem conquistando espaço.
Não se trata do velho embate entre esquerda e direita, mas sim da assertividade ou a falta dela, da objetividade contra o discurso vazio e da idealização excessiva contra o pragmatismo e a objetividade.
Nos EUA, há a ascenção da direita personalista de Donald Trump, em Portugal, o partido Chega, respondendo com mais objetividade ao problema da imigração, além de grupos considerados radicais de direita na Alemanha, inclusive, flertando com o neonazismo, algo execrável e condenável.
Na América do Sul, também há um movimento forte de expansão de grupos mais conservadores, na Argentina, Colombia, Chile, Peru, etc. Aos poucos, a esquerda vai perdendo espaço, não só na América do Sul, mas pelo mundo.
Em verdade, não dá para achar que a corrupção, a traficância de influência, o aparelhamento da máquina pública, vêm sendo levado a frente com “excelência” apenas por governos de esquerda. No Centrão, a direita predomina e a corrupção, um modus operanti.
Mas a impressão que se tem é que a esquerda, e aqui destacamos o PT, colocou como algo secundário a questão ética, o combate à corrupção. Sintoma dos tempos.
Afinal, eles tiveram que partir para esta narrativa capenga, já que toda a cúpula do PT se viu envolvida na LAVA JATO e no Mensalão. Blindaram o presidente Lula, mas várias provas, anotações dos CEOs da Odebrecht, por exemplo, o colocavam no centro do furacão. Não me parece que tenha sido algo isolado, mas sistemático, organizado, hieraraquizado.
Em verdade, o mote do PT, das esquerdas, tem sido levantar também maus feitos de outros candidatos, do bloco conservador, para argumentar que todos roubam, portanto…
Nada mais comodista, como é a forma de atuação das esquerdas…
Thomas Traumann
Mais de trinta anos atrás, um outro gangster saiu das sombras, comprou Brasília inteira, acumulou bilhões e a sua queda mergulhou o país numa crise sem precedentes. Como o banqueiro Daniel Vorcaro, Paulo César Siqueira Cavalcante Farias (1945-1996), o PC, era um homem de soluções. Podia ser o aluguel de um avião para campanha, as compras da primeira-dama, a licitação da construtora ou o resultado de uma votação no plenário. PC resolvia tudo até que a disputa entre os irmãos Fernando e Pedro Collor o transformou num estorvo, na memória viva de que tantos os derrotados quantos os vencedores do processo de impeachment de 1992 lhe deviam demais.
Em o “O Tesoureiro – O esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias” (Editora Todavia; 144 páginas; Livro: R$73,74; e-book: R$ 54,90) o repórter Xico Sá revira os garranchos dos cadernos de anotação de papel reciclado da Folha de S. Paulo nos anos 1990, a poeira das memórias perdidas nas boates de Maceió e acorda o fantasma do morto para recontar a sua versão particular de como um ex-seminarista se tornou o homem mais poderoso do Brasil.
Sá escreve como uma Xerazade bebendo uísque duplo e entretendo prostitutas enquanto os clientes não chegam no bar de bar de beira de estrada. É nítida a sua inspiração no jornalismo gonzo do norte-americano Hunter S. Thompson (1937-2005), o estilo de narração em primeira pessoa em que a aventura da busca da notícia é a notícia em si. Pobre Thompson que nunca bebeu o café ruim da Dona Olinda nos corredores da Folha ou teve como fonte a garota de programa Brigitte Monfornt.
Assim que PC Farias fugiu para Londres, em outubro de 1993, fugindo de Buenos Aires por medo de ser sequestrado pelos guerrilheiros das Farc, Brigitte telefonou para Xico Sá:
_ Tem um quinto Beatle atravessando a Abney Road _ ela lhe escreveu.
Com a informação, o repórter negociou com a família um telefonema de PC:
- Alô, dom Xico, quanto tempo, como está esse Brasil velho de guerra?”, disse PC, confirmando que havia fugido para o Reino Unido, que à época não mantinha tratado de extradição com o Brasil.
Xico Sá é um animal em extinção. Suas fontes são garçons, taxistas, prostitutas, policiais corruptos, gente que os repórteres com camisas de monograma nem enxerga. Ele não entrevista processos, conta histórias.
Foi Xico Sá quem mostrou pela primeira vez como funcionava a tabela de preços da campanha Collor: os empresários que doassem US$ 1 milhão teriam direito a serem ouvidos pelo governo; por US$ 2 milhões, seriam ouvidos e teriam voz; por US$ 3 milhões, poderiam indicar nomes para os ministérios e estatais. A maioria escolheu a terceira opção.
O livro prova que o Brasil de PC Farias é diferente do Brasil de Daniel Vorcaro. Os valores inflacionaram muito desde então.
BDM Matinal Riscala
Terça-Feira, 22 de Setembro de 2026.
TRUMP DISCUTE IRÃ, LULA VAI À ONU E COPOM SOLTA ATA.
*A expectativa da reunião de Trump com líderes do Golfo, em busca de avanços sobre a guerra e o Irã, injeta otimismo no mercado*
… A forte queda do petróleo devolveu fôlego aos mercados, com o Brent novamente na casa dos US$ 100, enquanto o aumento dos fluxos por Ormuz e rotas alternativas reduziu o temor de escassez. A expectativa da reunião de Trump com líderes do Golfo, em busca de avanços sobre a guerra e o Irã, também injeta otimismo no mercado, assim como a visita de Xi aos Estados Unidos, na quinta-feira. Ainda em Nova York, as atenções se voltam hoje para a Assembleia Geral da ONU, onde Lula abre os discursos e pode se encontrar com o presidente americano. No Brasil, a ata do Copom pode calibrar as apostas em novo corte da Selic, enquanto a Quaest reforçou o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A TRÉGUA DO PETRÓLEO – O petróleo caiu forte pela quarta sessão seguida nesta segunda-feira e aliviou a pressão sobre os mercados globais. O Brent recuou 3,40%, a US$ 100,34, depois de chegar a operar abaixo de US$ 100, enquanto o WTI perdeu 3,86%, a US$ 92,37.
… A melhora veio principalmente da percepção de que a oferta está conseguindo contornar parte das interrupções provocadas pela guerra.
… A Saudi Aramco carregou cerca de 14 milhões de barris em sete superpetroleiros no Golfo Pérsico no domingo, ampliando os embarques pelos terminais da região depois da interrupção dos fluxos pelo oleoduto Leste-Oeste até o Mar Vermelho.
… Também ajudou a reduzir o prêmio de risco a notícia de que o volume de petróleo e cargas que atravessou o Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas foi o maior em seis meses, segundo o Comando Central dos Estados Unidos.
… Para o Julius Baer, o mercado global não está ficando sem petróleo.
… O aumento dos fluxos por Ormuz e por rotas alternativas vem compensando as interrupções no oleoduto Leste-Oeste e em Bab al-Mandeb, enquanto a demanda mais fraca ajuda a manter o mercado praticamente equilibrado.
… O banco projeta o Brent a US$ 77,50 nos próximos três meses.
… Mas esse redirecionamento também encontra limites. Segundo a Kpler, as transferências de petróleo entre navios no Golfo de Omã estão perto da capacidade máxima, pressionando os serviços de apoio locais.
… A tensão militar também continua. O Reino Unido deve oferecer apoio às forças sauditas no combate aos Houthis, segundo a Bloomberg. Trump chegou a considerar um ataque contra os rebeldes do Iêmen no fim de semana, mas decidiu não fazer isso por enquanto.
… A reunião de Trump com líderes do Golfo nesta terça-feira, à margem da Assembleia Geral da ONU, está no radar do mercado, que espera sinais sobre a guerra, o Irã e a segurança das rotas de energia.
… A diplomacia iraniana também estará em Nova York. O chanceler Abbas Araghchi chegou nesta segunda-feira, e o presidente Masoud Pezeshkian é esperado nesta terça, em meio aos esforços para destravar as negociações entre Washington e Teerã.
… Trump também propôs a criação de um fundo para reconstruir a infraestrutura energética danificada pela guerra e reduzir a dependência de Ormuz. Os Estados Unidos entrariam com US$ 5 bilhões e buscariam outros US$ 5 bilhões de oito parceiros do Oriente Médio.
… A pressão para reduzir os preços dos combustíveis também vem de casa. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou a aprovação de Trump em 32%, a menor de sua carreira política, enquanto a desaprovação chegou a 66%.
… Apenas 17% dos americanos aprovam a forma como Trump vem lidando com o custo de vida, apontado como a principal questão para as eleições de meio de mandato de novembro.
… A pesquisa mostra que o desgaste alcançou a própria base republicana, em meio à guerra com o Irã e à disparada da gasolina e do diesel. Pela primeira vez, entre os republicanos, os que desaprovam a condução do custo de vida por Trump superam os que aprovam, por 51% a 44%.
XI JINPING & TRUMP – A expectativa pela visita de Xi Jinping aos Estados Unidos nesta quinta-feira também ajudou o humor dos mercados.
… O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, destacou o andamento positivo das negociações com a China antes da cúpula do líder chinês com Trump. A reunião deve tratar de tarifas, inteligência artificial e minerais críticos, entre outros temas.
… À espera de novidades, a IA deu impulso extra a Wall Street nesta segunda-feira (abaixo). O índice de semicondutores PHLX avançou 4,29%, com Intel em alta de 12% e AMD de 10%. Na máxima do dia, a AMD chegou pela primeira vez a US$ 1 trilhão em valor de mercado.
… A Capital Economics avalia que a recente queda nas avaliações relativas das ações de tecnologia não significa que a bolha de IA já tenha estourado e vê espaço para o rali avançar mais.
… Trump deve decidir antes do encontro com Xi se aprova a criação de uma “linha direta” de comunicação sobre IA com Pequim, para permitir contato imediato entre os dois países em caso de problemas relacionados à tecnologia.
LULA & TRUMP – Os dois presidentes podem se encontrar nos bastidores da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, em Nova York. Não há uma reunião formal agendada, mas assessores brasileiros veem espaço para um contato entre eles.
… Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura do Debate Geral, às 10h, e deve usar sua fala para defender a soberania e a democracia brasileira, além de tratar das guerras, comércio, tarifas, clima e crime organizado.
… A expectativa é de novos contrapontos a Trump, mas em linguagem diplomática e sem citar diretamente o presidente americano.
… Nesta segunda-feira, porém, o presidente subiu o tom em entrevista à CNN. Voltou a dizer que Trump age como “imperador” e afirmou que o governo estuda quais produtos americanos poderão entrar na lista de reciprocidade ao tarifaço dos Estados Unidos.
… Ao mesmo tempo, disse que não pretende entrar em confronto com os Estados Unidos e quer negociar.
… Lula também afirmou estar preocupado com uma possível interferência do secretário de Estado americano, Marco Rubio, na eleição brasileira, pela proximidade dele com a família Bolsonaro. Ressalvou, porém, que até agora existem apenas suspeitas e nada de concreto.
… Lula deve aproveitar a exposição internacional para mandar um recado ao eleitorado brasileiro a poucos dias do primeiro turno.
… Nesta segunda-feira, o exterior mais positivo somou-se às apostas do mercado em uma vitória de Flávio Bolsonaro para derrubar os juros e o dólar, enquanto o Ibovespa ensaiava retomar os 187 mil pontos (leia abaixo).
QUAEST – A nova pesquisa Quaest, divulgada após o fechamento, reforçou o cenário de empate entre Lula e Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, ante 41% de Lula, diferença dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.
… Há uma semana, Flávio tinha os mesmos 42%, enquanto Lula marcava 40%.
… A novidade desta rodada está no primeiro turno, em que Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados pela primeira vez na campanha. O presidente tem 37% das intenções de voto e o senador, 33%. Augusto Cury aparece com 6%.
… O levantamento captou o eleitorado depois do anúncio do reajuste do Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. O aumento entra em vigor entre o primeiro e o segundo turno.
… Os números indicam que, até aqui, o anúncio do reajuste não produziu uma mudança relevante na disputa entre Lula e Flávio.
… A rejeição dos dois principais candidatos também segue em empate técnico: 56% não votariam em Flávio e 55%, em Lula. Já o governo é desaprovado por 50% e aprovado por 44%. A avaliação negativa subiu de 38% para 42%, e a positiva oscilou de 32% para 33%.
MAIS PESQUISAS – A Quaest não foi o único levantamento a apontar uma disputa apertada. A pesquisa BTG/Nexus divulgada mais cedo nesta segunda-feira também mostrou o presidente Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados.
… No mercado, plataformas de apostas no exterior também entraram no radar, como a Polymarket, que atribuía 63% de chance de vitória a Flávio, contra 37% de Lula no fim da tarde. Agentes citaram essas apostas entre os fatores que ajudaram o bom humor dos ativos brasileiros.
… A agenda de pesquisas continua carregada. A AtlasIntel divulga nova rodada nacional na quarta-feira, com 5 mil eleitores ouvidos até hoje. Na quinta-feira, sai o Datafolha, com entrevistas realizadas entre terça e quinta. No sábado, será a vez do Veritá.
… Ao longo da semana também serão divulgadas pesquisas estaduais, incluindo levantamentos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
MAIS AGENDA – A ata do Copom, às 8h, é o destaque doméstico do calendário econômico desta terça-feira e pode ajudar a definir se o BC tem espaço para prolongar o ciclo de cortes da Selic após reduzir a taxa para 13,75% na semana passada.
… O mercado estará atento principalmente ao detalhamento da leitura sobre a atividade.
… No comunicado, o Copom trocou a avaliação de que os indicadores “sugerem” moderação pela afirmação de que eles “mostram” desaceleração gradual, mudança interpretada como sinal de maior confiança no esfriamento da economia.
… Também será importante entender como o BC chegou à projeção de inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. Para 2027, a estimativa subiu marginalmente de 3,8% para 3,9%.
… O mercado buscará ainda pistas sobre quanto o petróleo, o câmbio, o comportamento dos serviços e do mercado de trabalho podem limitar novos cortes, além do peso que o Copom atribui à desancoragem das expectativas e às incertezas eleitorais e fiscais.
… Depois do comunicado, a maioria das instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast passou a esperar mais um corte de 0,25 ponto em novembro, levando a Selic a 13,50%. Das 36 casas consultadas, 20 projetam nova redução e 15, manutenção em 13,75%.
… Com isso, a mediana para a taxa Selic no fim deste ano caiu de 13,75% para 13,50%. Para o fim de 2027, porém, subiu de 12% para 12,38%, sinal de que o mercado ainda vê limites para o alívio monetário mais adiante.
… Além da ata, o mercado terá na quinta-feira o Relatório de Política Monetária, outra oportunidade para o BC detalhar o cenário e os próximos passos da Selic, com entrevista de Galípolo. No mesmo dia, será divulgado o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 4º bimestre.
ESPAÇO FISCAL – Em entrevista ao G1, nesta segunda-feira, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o governo identificou espaço de R$ 19,6 bilhões no Orçamento de 2026 para acomodar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família.
… Desse total, R$ 11,5 bilhões vieram da redução da projeção de gastos com benefícios previdenciários. Também houve revisão para baixo das despesas com BPC, pessoal e subsídios. O aumento do Bolsa Família terá impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
… Segundo Moretti, o gasto será incorporado às regras fiscais e não altera a projeção de superávit do próximo ano.
ARRECADAÇÃO – Além da ata, às 11h sai a arrecadação federal de agosto. A mediana do Projeções Broadcast aponta para R$ 239 bilhões, alta real de cerca de 10% sobre o mesmo mês do ano passado. As estimativas vão de R$ 233,3 bilhões a R$ 248,9 bilhões.
… A expectativa é de que tributos ligados à atividade doméstica, como PIS/Pasep, Cofins e IPI, além dos recolhimentos sobre importações, sustentem o resultado, mesmo com os sinais de desaceleração da economia.
… As receitas ligadas ao petróleo também devem dar impulso.
… O PicPay estima em R$ 12 bilhões os recolhimentos com exploração de recursos naturais, cerca de R$ 9 bilhões acima de agosto de 2025 em termos reais. Desse aumento, pelo menos R$ 3 bilhões seriam receitas extraordinárias associadas à alta do petróleo provocada pela guerra.
… Às 14h30, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulga o Boletim Macrofiscal, com novas projeções para atividade e inflação, seguido de entrevista coletiva. Mais cedo, às 9h, Galípolo recebe André Esteves (BTG) no escritório do BC em São Paulo.
LÁ FORA – No exterior, as atenções estarão concentradas na Assembleia Geral da ONU e nos encontros de Trump à margem do evento, especialmente a reunião com líderes do Golfo. O mercado espera sinais sobre a guerra, o Irã e a segurança das rotas de energia.
… A agenda de indicadores é mais fraca, mas investidores acompanham uma nova rodada de discursos de dirigentes dos principais bancos centrais, em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros.
… Nos Estados Unidos, falam John Williams/Nova York (11h05), Philip Jefferson (11h20) e Thomas Barkin/Richmond (14h).
… Na Europa, Christine Lagarde participa às 8h de uma conferência sobre a resposta dos bancos centrais aos desafios futuros. Às 11h, sai a leitura preliminar da confiança do consumidor da zona do euro em setembro, com previsão de queda de -15,5 para -15,8.
… Os mercados do Japão ficaram fechados por feriado.
TEM DIAS EM QUE TUDO ENCAIXA – Para onde é que o investidor olhou ontem, viu boas notícias, com o petróleo quase furando US$ 100, a taxa da Note de dez anos abaixo de 5% e os papéis das gigantes de tecnologia em rali.
… Só os alertas dos Fed boys sobre a inflação é que destoaram do risk-on, mas tiveram impacto relativizado.
… Por aqui, também a corrida eleitoral acirrada, com chance de vitória da oposição, compôs o ambiente positivo, com a curva do DI afundando, o dólar voltando à faixa de R$ 5,10 e o Ibovespa retomando os 186 mil pontos.
… Na véspera da ata do Copom, que pode deixar a porta aberta para novo corte da Selic, como fez o comunicado, todos os contratos dos juros futuros pagaram prêmio de risco inferior a 14%, indicando que operaram relaxados.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,550% (de 13,554% no ajuste anterior); Jan/28, 13,505% (contra 13,623%); Jan/29, 13,675% (de 13,831%); Jan/31, 13,880% (de 14,035%); e Jan/33, 13,985% (de 14,150%).
… O primeiro boletim Focus depois da Superquarta mostrou queda na expectativa para a Selic no fim do ano, de 13,75% para 13,50%, indicando que o mercado projeta mais um corte de 0,25 ponto em novembro ou dezembro.
… Já a mediana para o IPCA deste ano interrompeu uma sequência de três semanas de queda e subiu de 4,90% para 4,92%, enquanto a de 2027 permaneceu em 4,30%, bem mais pessimista do que a projeção do BC, de 3,90%.
… Durante evento da PUC-SP, nesta segunda-feira, o economista-chefe e sócio da Warren, Felipe Salto, disse que a ideia de que a inflação convergirá para o patamar de 3% no horizonte relevante de 18 meses “é uma fantasia”.
… Segundo ele, a fixação da meta em 3% ocorreu sem qualquer embasamento técnico e empírico e, na prática, aprisiona a economia a uma taxa real de juros elevada. “O resultado é uma economia com o freio de mão puxado.”
… O profissional defendeu uma revisão do regime de metas de inflação, que permitiria ao País abrir caminho para juros reais mais baixos e para a retomada do debate sobre crescimento econômico (atualmente em desaceleração).
… A proposta, batizada por Salto de “2 + 4”, combinaria superávit primário de 2% do PIB em dois anos e meio com meta de inflação para 4% para destravar a queda dos juros e recolocar o crescimento no centro da pauta econômica.
… Sobre o contexto fiscal, o economista reconheceu que a dívida é alta, mas que o debate público sobre as contas públicas tem sido contaminado por “terrorismo e alarmismo” em torno de uma suposta insolvência do Estado.
… “Isso é qualquer coisa menos uma crise de insolvência do Estado”, afirmou.
… O dilema, segundo ele, é como endereçar um ajuste fiscal com o Orçamento engessado por despesas obrigatórias vinculadas à receita, benefícios atrelados ao salário mínimo, renúncias tributárias e penduricalhos no serviço público.
SEIS E MEIA DÚZIA – Ouvido pelo Broadcast sobre o quadro fiscal, o estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, disse que os mercados deveriam se concentrar menos no vencedor da eleição.
… O foco, segundo ele, deve ser se a próxima administração, independentemente de qual seja, vai optar por enfrentar o problema fiscal “de forma voluntária ou se vai esperar que os mercados financeiros forcem o ajuste”.
… “Ambos os candidatos herdam o mesmo problema: uma trajetória de dívida desafiadora”, lembrou McCormick.
… Ele está cauteloso em tratar qualquer desfecho da corrida presidencial como “duradouramente favorável ao real”, porque existe outra força rolando como influência para o fluxo: o risco de um carry trade menos atraente.
… Fed hawkish e Copom mais dovish surgem como potenciais fatores desestabilizadores do câmbio.
… Por enquanto, porém, o real só vai: esteve ontem entre as moedas mais fortes do dia, mesmo com relatos de saída de recursos sazonais, típicas de final de trimestre, que levantam especulações de nova atuação do BC com leilões.
… A perspectiva de alternância de poder com as eleições presidenciais aliviou o dólar à vista, que caiu 0,70%, cotado a R$ 5,1082, destoando do movimento do índice DXY lá fora, onde marcou alta de 0,23%, aos 100,429 pontos.
… No exterior, o dólar monitorou os comentários mais agressivos dos Fed boys, apesar da trégua do petróleo.
… Austan Goolsbee disse que os choques persistentes na oferta, incluindo a alta do petróleo e a imposição de tarifas, deixam o Fed com pouca escolha a não ser elevar os juros e que é precisa ter coragem para enfrentar a inflação.
… Reforçando a percepção de que o aperto monetário ainda não terminou, afirmou que só se sentiria confortável com uma redução dos juros caso haja evidências convincentes de que os preços estão voltando à meta de 2%.
… Na AP, Susan Collins prevê um segundo aumento de juros neste ano e estabilidade das taxas em 2027.
… Sem direito a voto pelo sistema de rodízio do Fed, Alberto Musalem vê a atual taxa dos juros, de 3,75% a 4,00%, como “acomodatícia” e insuficiente para conter a inflação resultante da forte demanda e do choque de energia.
… O euro caiu 0,18%, a US$ 1,1471, a libra recuou 0,21%, a US$ 1,3372, e o iene perdeu 0,35%, a 157,36 por dólar.
… Em boletim econômico divulgado ontem, o BC europeu alertou que as variações do preço do gás no mercado atacadista podem afetar a inflação ao consumidor na zona do euro mais rapidamente do que em anos anteriores.
… O Rabobank passou a prever um aperto monetário pelo BCE na reunião de dezembro, para 2,75% (de 2,50% hoje).
ÁGUA E ÓLEO – Os juros dos Treasuries não se misturaram ontem aos alertas dos Fed boys sobre a inflação, preferindo focar na queda do petróleo, que devolveu a taxa da Note de dez anos para baixo do patamar dos 5%.
… Fechou a 4,951% (contra 5,005% no pregão anterior), enquanto o rendimento do T-Bond de 30 anos fechou em nível inferior a 5,30%, em 5,284%, de 5,330% na última sexta-feira. O yield da Note-2 anos caiu a 4,750% (de 4,758%).
… O afastamento dos juros dos Treasuries dos níveis recentes de estresse e a disparada das ações de tecnologia, descontando a série de incidentes recentes de segurança, projetou o Nasdaq para um novo recorde de fechamento.
… Na expectativa de que o encontro de Xi Jinping e Trump nesta semana possa dar um novo impulso para a inteligência artificial, o índice da bolsa eletrônica saltou 2,26%, para o pico histórico de 27.122,09 pontos.
… Além de Intel e AMD, também dispararam os papéis da Meta (+11,8%) e da Nvidia (+2,22%).
… O Dow Jones subiu 0,71%, para 52.048,83 pontos, e o S&P 500 avançou 1,49%, para 7.764,70 pontos.
… Por aqui, foram as ações dos bancos que operaram embaladas pela queima de prêmio na curva do DI e deram suporte para que o Ibovespa fechasse em alta de 0,74%, aos 186.595,60 pontos, com giro de R$ 19,4 bilhões.
… BTG unit subiu 3,42%, a R$ 63,50, Itaú PN registrou valorização de 1,77%, para R$ 43,08, Santander unit avançou 1,53%, a R$ 29,92, e Bradesco PN ganhou 0,94%, a R$ 18,16. A exceção foi BB ON, que caiu 0,91%, para R$ 22,99.
… Já as blue chips das commodities operaram no vermelho. As ações da Petrobras (PN, -1,03%, a R$ 48,00; e ON, -0,99%, a R$ 52,88) pegaram carona nas perdas do petróleo. De olho nos custos de frete, Vale caiu 1,12%, a R$ 72,55.
CIAS ABERTAS NO AFTER – SANTANDER BRASIL protocolou pedidos necessários à OPA de permuta, incluindo registro da matriz como emissor estrangeiro, programa de BDRs e registro da oferta na CVM e B3.
CAIXA. Bancários recusaram proposta sobre o plano de saúde e mantiveram greve nacional.
PETROBRAS prevê iniciar no começo de 2027 a perfuração de um dos três poços contingentes ao Morpho, na Margem Equatorial, disse a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos…
… Segundo ela, a empresa tem dez blocos em parceria com a ExxonMobil na Foz do Amazonas à espera de licenciamento ambiental…
… Petrobras informou ontem que fechou dois contratos com a PPSA para comercialização de gás da União, com valores estimados de R$ 1,2 bilhão na compra de gás não processado e R$ 1,7 bilhão na venda de gás processado.
BRASKEM. O Broadcast apurou que credores propõem aporte de US$ 3 bilhões pela Petrobras na petroquímica em dois anos. A Braskem deve rejeitar a proposta e pode encaminhar pedido de recuperação judicial.
RAÍZEN. IG4 Capital negocia compra de dívidas ligadas aos negócios de açúcar e etanol para montar posição antes da conclusão da reestruturação financeira, segundo fontes do Valor.
JBS esclareceu que seu pedido de cancelamento de registro como emissora de valores mobiliários na categoria A foi uma formalidade, já que a JBS N.V. substitui a JBS S.A. como emissora.
REDE D’OR pagará R$ 400 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,1841 por ação. Pagamento será em 6/10, com papéis “ex” em 25/9.
BRADSAÚDE pagará R$ 250 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,08551 por ação. Pagamento será em 26/2/2027, com papéis “ex” em 25/9.
TRACK&FIELD pagará R$ 13,1 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,00862 por ação. Pagamento será em maio de 2027, considerando posição acionária de 24/9.
AMERICANAS concluiu venda de ativos de dez lojas deficitárias do Natural da Terra em São Paulo ao Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões.
ECORODOVIAS. Antipodes Partners passou a deter 5,53% do capital, equivalente a 38,5 milhões de ações ON.
ENEVA. Aneel realizou reunião sobre solução consensual para contratos de termelétricas da companhia, mas manteve o teor das discussões sob sigilo. Proposta prevê economia de quase R$ 400 milhões por ano ao consumidor.
SÃO MARTINHO aprovou compra de 48,78 hectares em Iracemápolis (SP) por meio de controlada imobiliária.
SIMPAR. Consórcio liderado pela CS Infra venceu concessão de 634 km de rodovias em Mato Grosso, por 30 anos. Projeto exigirá investimentos de cerca de R$ 93 milhões por ano.
GPS comprará 80% da Qualidados, consultoria de engenharia e gestão de projetos com receita bruta de R$ 272,4 milhões em 12 meses. Operação depende de aprovação do Cade.
COMPASS encerrou programa de recompra após adquirir 3,2 milhões de ações, equivalentes a 1,86% dos papéis em circulação.
LOG CP. Fundo Multisetorial Plus reduziu participação de 8,85% para 4,8% das ações ON.
Call Matinal
Call Matinal 2209, by Julio Hegedus Netto, economista
1) O Ibovespa fechou, nesta segunda-feira, dia 21, em alta de 0,74%, a 186.595 pontos, giro financeiro de R$ 19,4 bi. Já o dólar comercial recuou 0,7%, a R$ 5,1084, diante do maior apetite de risco global.
2) Esta terça-feira (22) começa com cautela nos mercados internacionais. Os futuros de Wall Street e as principais bolsas europeias operam em queda moderada, enquanto a Ásia fechou com desempenho misto.
3) O mercado começa o dia dividido entre alívio e cautela. A redução recente do prêmio geopolítico do petróleo trouxe algum alívio, mas o Brent opera novamente acima dos US$ 100, a mostrar um cenário longe de normalizado. Qualquer mudança envolvendo Irã, Estreito de Ormuz ou países do Golfo pode provocar movimentos rápidos nas commodities.
4) No Brasil, mais um dia de disputa eleitoral apertada e de ata do Copom, quando será possível uma noção melhor dos próximos passos do BCB. Essa resposta poderá mexer diretamente com juros futuros, dólar, bancos, varejo, construção civil, small caps e empresas mais endividadas.
5) No tabuleiro politico para as eleições do dia 4, daqui a 12 dias, o clima é cada vez mais nebuloso, com o STF trabalhando pesado para viabilizar a quem os ministros do baixo clero apoiam. Nuno Maraques está balançando no STF pelas movimentações de Alexandre de Moraes, que mesmo encalacrado continua se movimentando. Incrível o grau de cinismo deste cidadão. Nas pesquisas, a disputa entre Lula da Silva e Flavio Bolsonaro continua bem equilibrada.
Bankinter Portugal Matinal
NY +1,4% US tech +2,8% US Semis +4,3% UE +1,3% Espanha +1,1% VIX 14,9% Bund 3,46%. T-Note 4,95%. Spread 2ª-10ª USA=+20pb B10A: ESP 3,91% PT 3,81% ITA 4,34% FRA 4,46% Euribor 12m 3,35% USD 1,147 JPY 180,4/€ 157,4/$. Ouro 4.343$. Brent 100,3$. WTI 95,8$. Bitcoin +7,3% (86.980$). Ether +5,8% (2.784$).
:: SESSÃO:
Após cinco sessões consecutivas de quedas, o preço do petróleo regista avanços hoje, embora de forma moderada (Brent: 101,9 $/barril; +1,5%). Parte desse aumento é explicado por uma interrupção do abastecimento na Líbia, após o ataque de um grupo armado, um incidente que poderá ter reduzido a produção em cerca de 200.000 barris diários sobre uma oferta global próxima dos 100 milhões de barris/dia.
Em qualquer caso, um aumento pontual é razoável após 5 dias de quedas e num contexto de tensa espera. Hoje começa a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque (de 22 a 28 de setembro). O mercado quer confirmar se será realizada uma reunião entre Trump e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, com a esperança de que se suavize a tensão no M. Oriente. Ontem, Trump afirmou estar “provavelmente” aberto a reunir-se com ele.
Esta Assembleia será fundamental também porque (i) Donald Trump, a Primeira-Ministra dinamarquesa e o Primeiro-Ministro da Gronelândia assinarão hoje o novo acordo de seguração sobre a ilha, às 15:30 h, na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Este acordo dá aos EUA o controlo permanente sobre a segurança da Gronelândia, impedindo a presença de outros países sem a aprovação de Washington, mas Dinamarca mantém a soberania sobre a ilha. Os EUA teriam a intenção de abrir duas novas bases militares na ilha, adicionais à que já têm em operação no nordeste. A notícia alivia as tensões transatlânticas e aumenta o controlo dos EUA sobre o Ártico, cenário-chave para controlar as rotas marítimas do futuro, além de lhes dar acesso a enormes reservas de recursos naturais. (ii) Na quinta-feira, reunião de Trump e Xi Jinping onde debaterão relações comerciais (minerais) ou IA.
Portanto, a geopolítica é fundamental e as restantes referências ficarão para segundo plano. O mais importante será a Confiança do Consumidor de setembro (15 h), que poderá moderar-se ligeiramente num contexto de maior tensão geopolítica.
Com isso, se não ocorrerem surpresas na geoestratégia, o razoável é que as bolsas optem, como ontem, pelas subidas. Impulsionadas principalmente por todo o setor de tecnologia e melhoria do sentimento da IA. Meta subia ontem +11% após se conhecer os bons dados de transferências do seu novo agente de IA (lançado a 8 de setembro).
José Paulo Kupfer
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