Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Bankinter Matinal Portugal
NY +0,0% US tech +0,8% US Semis +2,1% UE +0,1% Espanha +0,2% VIX 14,2% Bund 3,46%. T-Note 4,96%. Spread 2ª-10ª USA=+19pb B10A: ESP 2,61% PT 3,82% ITA 4,36% FRA 4,50% Euribor 12m 3,33% USD 1,145 JPY 180,2/€ 157,4/$. Ouro 4.361$. Brent 99,3$. WTI 94,6$. Bitcoin -0,8% (86.265$). Ether -1,2% (2.752$).
SESSÃO: Com a falta de notícias relevantes na frente convencional, os mercados aguentam bastante bem as inúmeras notícias da frente geopolítica, no marco da Cimeira da NATO. De momento, o mais determinante foi o regresso de conversações entre os EUA e o Irão, que permitiu que o petróleo perdesse a avaliação dos 100 $ (Brent 98,30 $). A tecnologia também recupera impulso após avanços na frente da IA (novo agente de IA “Muse” por parte de Meta, também sucessos anunciados por Alibaba) e que devolve ao Nasdaq máximos históricos. As obrigações não baixam a guarda, mas não estão tão tensionadas e deverão tender a estabilizar-se. O tom hawkish/duro de declarações recentes de Barkin e Goolsbee da Fed, ontem, à última hora, não deverá surpreender após a subida de taxas de juros a 16 de setembro.
Hoje o foco continua nos EUA perante o que possa surgir hoje e à espera do encontro entre Trump e Xi Jinping, amanhã, em Washington. As reuniões anteriores das suas equipas foram “conciliadoras”, portanto, será de esperar que ambos os líderes evitem elevar a tensão e, antes, tentem acalmar as relações bilaterais num contexto já suficientemente tenso. Em segundo plano, hoje é dia dos PMIs de setembro (9 h na UE e 14:45 h nos EUA), que deverão confirmar que a economia global continua em expansão. De momento, Austrália desacelera um pouco enquanto a Índia avança mais do que o esperado.
Em suma, tudo aponta para uma sessão com ligeira inércia positiva, celebrando este contexto de um pouco mais de tranquilidade e esperança de uma melhoria em Ormuz. Petróleo em baixa, fechos asiáticos, em geral, todos positivos e futuros em alta apontam para isso.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Brian Winter
Se eu tivesse que descrever a eleição do Brasil em 2 palavras, elas seriam “polarização apática”. Sim, ainda é um país 50-50, mas a vibe clara da eleição de 2026 é a falta de entusiasmo de ambos os lados. Você sente isso no momento em que chega — tão difícil encontrar alguém que esteja verdadeiramente ANIMADO para votar em Lula ou Flávio. Tão diferente de 2018 ou 2022, quando os brasileiros sentiam que havia tanto em jogo — por causa da economia ruim, da pandemia e das ameaças à democracia. Desta vez, os eleitores dizem meh, a economia está OK, mas meu salário parece valer menos, Lula está OK, mas é velho, Flávio tem esqueletos no armário, mas não é percebido como agressivo como o pai dele.
Nesse… ambiente sem vento, até a menor brisa pode parecer relevante. Flávio está tendo um momento nas pesquisas atualmente, provavelmente por causa do que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal, mas falei com analistas que se perguntam se na verdade são os eleitores reagindo aos preços mais altos de combustível por causa da guerra no Irã e às pressões inflacionárias gerais e ao endividamento das famílias. É uma eleição MUITO difícil de prever porque ela é simultaneamente muito apertada, mas o nível de convicção entre muitos eleitores é tão baixo. Flávio ligeiramente favorito hoje, mas por enquanto eu evitaria fazer apostas grandes de qualquer jeito. PS “polarização apática” é um pouco acadêmico para mim, mas o melhor que consegui fazer.Questão não é ideológica, mas ética
Pois é, mas vamos esclarecer.
A tentativa de golpe veio de um ato desesperado de parte do governo Bolsonaro, sabendo que o retorno de Lula ao poder representaria o retorno dos escândalos de corrupção, o que acabou se confirmando com o caso das aposentadorias do INSS, do caso Lulinha e do escabroso caso do Banco Master.
Além disso. Não há aquela velha máxima de que “democracia” é uma plantinha que deve ser regada com carinho a todo momento... A bem da verdade não é isso que temos visto no dia a dia dos poderes, nas escusas relações entre eles.
O que a governança doo PT mais tem feito é torturar a “democracia”, com inúmeras situações em que o regime democrático é insuficiente e sempre usurpado.
As perseguições à candidatos da oposição, como no caso do Deltan, é um exemplo disso. Nada justifica, apenas pelo fato de que o juiz que deliberou é ligado ao PT e ao Lula. Na verdade, é ligado a Gleise Hoffman.
Em verdade, o que temos é o aparelhamento vergonhoso da máquina pública, de orgãos de controle, como o STF. Predomina a a velha máxima de José Dirceu de que todos têm um “preço”, o que o levou a sair comprando todo o Congresso e outras instituições, quando do escândalo do Mensalão. Isso é a “democracia” do PT- De fato, ela tem um preço. E a estranha cooptação dos presidentes do Senado e da Camara, Alcolumbre e Motta?
Cadê o equilíbrio e a harmonia dos poderes, tão necessários numa democracia?
Em VERDADE, não tem nada de democracia ou disputa ideológica, muito menos, um projeto de governo. O que há é uma acirrada disputa pelo poder, por nacos do setor público, pelos interesses que estão em jogo no momento, e partindo do PT, do quinhão de grana em disputa.
Mais um ponto. Não existe mais ideologia no mundo. Isso é apenas uma “cortina de fumaça”, um subterfugio para a defesa de certos “interesses” , nem sempre republicanos ou democráticos.
Façamos uma análise histórica da evolução das esquerdas, o “porquê” deste conceito.
Os termos, esquerda e direita, nasceram na Revolução Francesa, mais precisamente, em 1789. Naquela ocasião, os membros da Assembleia Constituinte, reunidos para deliberar sobre o poder de veto de Luís XVI, sentaram-se espontaneamente de ambos os lados do presidente: à direita, os monarquistas fiéis ao rei e dispostos a lhe dar o direito de veto absoluto; à esquerda, os adversários que queriam limitar o veto do rei. Dessa distribuição dos deputados por afinidades originou-se a separação entre direita, considerada conservadora ou reacionária, e esquerda, considerada reformista ou revolucionária, marcadores que ainda pontuam a vida política de todas as democracias do mundo.
Outro evento marcante, o que inclusive, deu origem ao socialismo, foi o movimento dos socialistas utópicos, emergidos das relações de trabalho extremamente injustas na eclosão da revolução industrial. Surgiram daí os movimentos dos trabalhadores, o que, depois deu origem à obra seminal de Karl Marx, Das Capital. Eram os trabalhadores buscando conquistar os direitos, que depois se consolidaram, como a criação dos sindicatos, os turnos de trabalho, os limites, etc.
O problema é que ao longo da história foi se observando também a esquerda, muitas vezes, na contramão dos acontecimentos. E isso sempre foi a marca do PT, afeito a diversas situações de “efeito”, clichês, mas zero em profundidade e longevidade.
Fazendo um balanço rápido, veremos que o PT foi contrário ao Plano Real, à diversas transferências de controle de estatais ineficientes para o setor privado, privatizações, reformas estruturantes, etc. Imaginem deixar a telefonia com o Estado? Um desastre.
E poderíamos lembrar a oposição à independência do BCB, preferindo que a instituição continuasse à mercê dos interesses privados de grupos de pressão. Poderíamos citar outras diversas situações em que o país avançou, mas o PT foi contra, como nas reformas da Previdência ou trabalhista.
Na verdade, tudo que representou avanço para o País, o PT sempre foi contrário, pelo espírito de corpo dos servidores, dos sindicatos aparelhados, etc.
E o que dizer dos vários esquemas do PT com empreiteiras, estatais, Centrão, empresários, etc?
No caso das empreiteiras, Lula se tornou um “caixeiro viajante”, um mascate, a viajar por países da Africa, sempre em comunhão com governos corruptos.
Em verdade, em vários países os movimentos de esquerda vão se perdendo por uma visão superficial da realidade, um olhar sempre procrastinador e idílico sobre a necessidade de mudanças mais profundas. Diante disso, alguns caroneiros, outros mais oportunistas, ou até candidatos providenciais e sensatos, de outro espectro político, vem conquistando espaço.
Não se trata do velho embate entre esquerda e direita, mas sim da assertividade ou a falta dela, da objetividade contra o discurso vazio e da idealização excessiva contra o pragmatismo e a objetividade.
Nos EUA, há a ascenção da direita personalista de Donald Trump, em Portugal, o partido Chega, respondendo com mais objetividade ao problema da imigração, além de grupos considerados radicais de direita na Alemanha, inclusive, flertando com o neonazismo, algo execrável e condenável.
Na América do Sul, também há um movimento forte de expansão de grupos mais conservadores, na Argentina, Colombia, Chile, Peru, etc. Aos poucos, a esquerda vai perdendo espaço, não só na América do Sul, mas pelo mundo.
Em verdade, não dá para achar que a corrupção, a traficância de influência, o aparelhamento da máquina pública, vêm sendo levado a frente com “excelência” apenas por governos de esquerda. No Centrão, a direita predomina e a corrupção, um modus operanti.
Mas a impressão que se tem é que a esquerda, e aqui destacamos o PT, colocou como algo secundário a questão ética, o combate à corrupção. Sintoma dos tempos.
Afinal, eles tiveram que partir para esta narrativa capenga, já que toda a cúpula do PT se viu envolvida na LAVA JATO e no Mensalão. Blindaram o presidente Lula, mas várias provas, anotações dos CEOs da Odebrecht, por exemplo, o colocavam no centro do furacão. Não me parece que tenha sido algo isolado, mas sistemático, organizado, hieraraquizado.
Em verdade, o mote do PT, das esquerdas, tem sido levantar também maus feitos de outros candidatos, do bloco conservador, para argumentar que todos roubam, portanto…
Nada mais comodista, como é a forma de atuação das esquerdas…
Thomas Traumann
Mais de trinta anos atrás, um outro gangster saiu das sombras, comprou Brasília inteira, acumulou bilhões e a sua queda mergulhou o país numa crise sem precedentes. Como o banqueiro Daniel Vorcaro, Paulo César Siqueira Cavalcante Farias (1945-1996), o PC, era um homem de soluções. Podia ser o aluguel de um avião para campanha, as compras da primeira-dama, a licitação da construtora ou o resultado de uma votação no plenário. PC resolvia tudo até que a disputa entre os irmãos Fernando e Pedro Collor o transformou num estorvo, na memória viva de que tantos os derrotados quantos os vencedores do processo de impeachment de 1992 lhe deviam demais.
Em o “O Tesoureiro – O esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias” (Editora Todavia; 144 páginas; Livro: R$73,74; e-book: R$ 54,90) o repórter Xico Sá revira os garranchos dos cadernos de anotação de papel reciclado da Folha de S. Paulo nos anos 1990, a poeira das memórias perdidas nas boates de Maceió e acorda o fantasma do morto para recontar a sua versão particular de como um ex-seminarista se tornou o homem mais poderoso do Brasil.
Sá escreve como uma Xerazade bebendo uísque duplo e entretendo prostitutas enquanto os clientes não chegam no bar de bar de beira de estrada. É nítida a sua inspiração no jornalismo gonzo do norte-americano Hunter S. Thompson (1937-2005), o estilo de narração em primeira pessoa em que a aventura da busca da notícia é a notícia em si. Pobre Thompson que nunca bebeu o café ruim da Dona Olinda nos corredores da Folha ou teve como fonte a garota de programa Brigitte Monfornt.
Assim que PC Farias fugiu para Londres, em outubro de 1993, fugindo de Buenos Aires por medo de ser sequestrado pelos guerrilheiros das Farc, Brigitte telefonou para Xico Sá:
_ Tem um quinto Beatle atravessando a Abney Road _ ela lhe escreveu.
Com a informação, o repórter negociou com a família um telefonema de PC:
- Alô, dom Xico, quanto tempo, como está esse Brasil velho de guerra?”, disse PC, confirmando que havia fugido para o Reino Unido, que à época não mantinha tratado de extradição com o Brasil.
Xico Sá é um animal em extinção. Suas fontes são garçons, taxistas, prostitutas, policiais corruptos, gente que os repórteres com camisas de monograma nem enxerga. Ele não entrevista processos, conta histórias.
Foi Xico Sá quem mostrou pela primeira vez como funcionava a tabela de preços da campanha Collor: os empresários que doassem US$ 1 milhão teriam direito a serem ouvidos pelo governo; por US$ 2 milhões, seriam ouvidos e teriam voz; por US$ 3 milhões, poderiam indicar nomes para os ministérios e estatais. A maioria escolheu a terceira opção.
O livro prova que o Brasil de PC Farias é diferente do Brasil de Daniel Vorcaro. Os valores inflacionaram muito desde então.
OESP
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