Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
BDM Matinal Riscala
Terça-Feira, 22 de Setembro de 2026.
TRUMP DISCUTE IRÃ, LULA VAI À ONU E COPOM SOLTA ATA.
*A expectativa da reunião de Trump com líderes do Golfo, em busca de avanços sobre a guerra e o Irã, injeta otimismo no mercado*
… A forte queda do petróleo devolveu fôlego aos mercados, com o Brent novamente na casa dos US$ 100, enquanto o aumento dos fluxos por Ormuz e rotas alternativas reduziu o temor de escassez. A expectativa da reunião de Trump com líderes do Golfo, em busca de avanços sobre a guerra e o Irã, também injeta otimismo no mercado, assim como a visita de Xi aos Estados Unidos, na quinta-feira. Ainda em Nova York, as atenções se voltam hoje para a Assembleia Geral da ONU, onde Lula abre os discursos e pode se encontrar com o presidente americano. No Brasil, a ata do Copom pode calibrar as apostas em novo corte da Selic, enquanto a Quaest reforçou o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A TRÉGUA DO PETRÓLEO – O petróleo caiu forte pela quarta sessão seguida nesta segunda-feira e aliviou a pressão sobre os mercados globais. O Brent recuou 3,40%, a US$ 100,34, depois de chegar a operar abaixo de US$ 100, enquanto o WTI perdeu 3,86%, a US$ 92,37.
… A melhora veio principalmente da percepção de que a oferta está conseguindo contornar parte das interrupções provocadas pela guerra.
… A Saudi Aramco carregou cerca de 14 milhões de barris em sete superpetroleiros no Golfo Pérsico no domingo, ampliando os embarques pelos terminais da região depois da interrupção dos fluxos pelo oleoduto Leste-Oeste até o Mar Vermelho.
… Também ajudou a reduzir o prêmio de risco a notícia de que o volume de petróleo e cargas que atravessou o Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas foi o maior em seis meses, segundo o Comando Central dos Estados Unidos.
… Para o Julius Baer, o mercado global não está ficando sem petróleo.
… O aumento dos fluxos por Ormuz e por rotas alternativas vem compensando as interrupções no oleoduto Leste-Oeste e em Bab al-Mandeb, enquanto a demanda mais fraca ajuda a manter o mercado praticamente equilibrado.
… O banco projeta o Brent a US$ 77,50 nos próximos três meses.
… Mas esse redirecionamento também encontra limites. Segundo a Kpler, as transferências de petróleo entre navios no Golfo de Omã estão perto da capacidade máxima, pressionando os serviços de apoio locais.
… A tensão militar também continua. O Reino Unido deve oferecer apoio às forças sauditas no combate aos Houthis, segundo a Bloomberg. Trump chegou a considerar um ataque contra os rebeldes do Iêmen no fim de semana, mas decidiu não fazer isso por enquanto.
… A reunião de Trump com líderes do Golfo nesta terça-feira, à margem da Assembleia Geral da ONU, está no radar do mercado, que espera sinais sobre a guerra, o Irã e a segurança das rotas de energia.
… A diplomacia iraniana também estará em Nova York. O chanceler Abbas Araghchi chegou nesta segunda-feira, e o presidente Masoud Pezeshkian é esperado nesta terça, em meio aos esforços para destravar as negociações entre Washington e Teerã.
… Trump também propôs a criação de um fundo para reconstruir a infraestrutura energética danificada pela guerra e reduzir a dependência de Ormuz. Os Estados Unidos entrariam com US$ 5 bilhões e buscariam outros US$ 5 bilhões de oito parceiros do Oriente Médio.
… A pressão para reduzir os preços dos combustíveis também vem de casa. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou a aprovação de Trump em 32%, a menor de sua carreira política, enquanto a desaprovação chegou a 66%.
… Apenas 17% dos americanos aprovam a forma como Trump vem lidando com o custo de vida, apontado como a principal questão para as eleições de meio de mandato de novembro.
… A pesquisa mostra que o desgaste alcançou a própria base republicana, em meio à guerra com o Irã e à disparada da gasolina e do diesel. Pela primeira vez, entre os republicanos, os que desaprovam a condução do custo de vida por Trump superam os que aprovam, por 51% a 44%.
XI JINPING & TRUMP – A expectativa pela visita de Xi Jinping aos Estados Unidos nesta quinta-feira também ajudou o humor dos mercados.
… O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, destacou o andamento positivo das negociações com a China antes da cúpula do líder chinês com Trump. A reunião deve tratar de tarifas, inteligência artificial e minerais críticos, entre outros temas.
… À espera de novidades, a IA deu impulso extra a Wall Street nesta segunda-feira (abaixo). O índice de semicondutores PHLX avançou 4,29%, com Intel em alta de 12% e AMD de 10%. Na máxima do dia, a AMD chegou pela primeira vez a US$ 1 trilhão em valor de mercado.
… A Capital Economics avalia que a recente queda nas avaliações relativas das ações de tecnologia não significa que a bolha de IA já tenha estourado e vê espaço para o rali avançar mais.
… Trump deve decidir antes do encontro com Xi se aprova a criação de uma “linha direta” de comunicação sobre IA com Pequim, para permitir contato imediato entre os dois países em caso de problemas relacionados à tecnologia.
LULA & TRUMP – Os dois presidentes podem se encontrar nos bastidores da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, em Nova York. Não há uma reunião formal agendada, mas assessores brasileiros veem espaço para um contato entre eles.
… Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura do Debate Geral, às 10h, e deve usar sua fala para defender a soberania e a democracia brasileira, além de tratar das guerras, comércio, tarifas, clima e crime organizado.
… A expectativa é de novos contrapontos a Trump, mas em linguagem diplomática e sem citar diretamente o presidente americano.
… Nesta segunda-feira, porém, o presidente subiu o tom em entrevista à CNN. Voltou a dizer que Trump age como “imperador” e afirmou que o governo estuda quais produtos americanos poderão entrar na lista de reciprocidade ao tarifaço dos Estados Unidos.
… Ao mesmo tempo, disse que não pretende entrar em confronto com os Estados Unidos e quer negociar.
… Lula também afirmou estar preocupado com uma possível interferência do secretário de Estado americano, Marco Rubio, na eleição brasileira, pela proximidade dele com a família Bolsonaro. Ressalvou, porém, que até agora existem apenas suspeitas e nada de concreto.
… Lula deve aproveitar a exposição internacional para mandar um recado ao eleitorado brasileiro a poucos dias do primeiro turno.
… Nesta segunda-feira, o exterior mais positivo somou-se às apostas do mercado em uma vitória de Flávio Bolsonaro para derrubar os juros e o dólar, enquanto o Ibovespa ensaiava retomar os 187 mil pontos (leia abaixo).
QUAEST – A nova pesquisa Quaest, divulgada após o fechamento, reforçou o cenário de empate entre Lula e Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, ante 41% de Lula, diferença dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.
… Há uma semana, Flávio tinha os mesmos 42%, enquanto Lula marcava 40%.
… A novidade desta rodada está no primeiro turno, em que Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados pela primeira vez na campanha. O presidente tem 37% das intenções de voto e o senador, 33%. Augusto Cury aparece com 6%.
… O levantamento captou o eleitorado depois do anúncio do reajuste do Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. O aumento entra em vigor entre o primeiro e o segundo turno.
… Os números indicam que, até aqui, o anúncio do reajuste não produziu uma mudança relevante na disputa entre Lula e Flávio.
… A rejeição dos dois principais candidatos também segue em empate técnico: 56% não votariam em Flávio e 55%, em Lula. Já o governo é desaprovado por 50% e aprovado por 44%. A avaliação negativa subiu de 38% para 42%, e a positiva oscilou de 32% para 33%.
MAIS PESQUISAS – A Quaest não foi o único levantamento a apontar uma disputa apertada. A pesquisa BTG/Nexus divulgada mais cedo nesta segunda-feira também mostrou o presidente Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados.
… No mercado, plataformas de apostas no exterior também entraram no radar, como a Polymarket, que atribuía 63% de chance de vitória a Flávio, contra 37% de Lula no fim da tarde. Agentes citaram essas apostas entre os fatores que ajudaram o bom humor dos ativos brasileiros.
… A agenda de pesquisas continua carregada. A AtlasIntel divulga nova rodada nacional na quarta-feira, com 5 mil eleitores ouvidos até hoje. Na quinta-feira, sai o Datafolha, com entrevistas realizadas entre terça e quinta. No sábado, será a vez do Veritá.
… Ao longo da semana também serão divulgadas pesquisas estaduais, incluindo levantamentos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
MAIS AGENDA – A ata do Copom, às 8h, é o destaque doméstico do calendário econômico desta terça-feira e pode ajudar a definir se o BC tem espaço para prolongar o ciclo de cortes da Selic após reduzir a taxa para 13,75% na semana passada.
… O mercado estará atento principalmente ao detalhamento da leitura sobre a atividade.
… No comunicado, o Copom trocou a avaliação de que os indicadores “sugerem” moderação pela afirmação de que eles “mostram” desaceleração gradual, mudança interpretada como sinal de maior confiança no esfriamento da economia.
… Também será importante entender como o BC chegou à projeção de inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. Para 2027, a estimativa subiu marginalmente de 3,8% para 3,9%.
… O mercado buscará ainda pistas sobre quanto o petróleo, o câmbio, o comportamento dos serviços e do mercado de trabalho podem limitar novos cortes, além do peso que o Copom atribui à desancoragem das expectativas e às incertezas eleitorais e fiscais.
… Depois do comunicado, a maioria das instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast passou a esperar mais um corte de 0,25 ponto em novembro, levando a Selic a 13,50%. Das 36 casas consultadas, 20 projetam nova redução e 15, manutenção em 13,75%.
… Com isso, a mediana para a taxa Selic no fim deste ano caiu de 13,75% para 13,50%. Para o fim de 2027, porém, subiu de 12% para 12,38%, sinal de que o mercado ainda vê limites para o alívio monetário mais adiante.
… Além da ata, o mercado terá na quinta-feira o Relatório de Política Monetária, outra oportunidade para o BC detalhar o cenário e os próximos passos da Selic, com entrevista de Galípolo. No mesmo dia, será divulgado o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 4º bimestre.
ESPAÇO FISCAL – Em entrevista ao G1, nesta segunda-feira, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o governo identificou espaço de R$ 19,6 bilhões no Orçamento de 2026 para acomodar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família.
… Desse total, R$ 11,5 bilhões vieram da redução da projeção de gastos com benefícios previdenciários. Também houve revisão para baixo das despesas com BPC, pessoal e subsídios. O aumento do Bolsa Família terá impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
… Segundo Moretti, o gasto será incorporado às regras fiscais e não altera a projeção de superávit do próximo ano.
ARRECADAÇÃO – Além da ata, às 11h sai a arrecadação federal de agosto. A mediana do Projeções Broadcast aponta para R$ 239 bilhões, alta real de cerca de 10% sobre o mesmo mês do ano passado. As estimativas vão de R$ 233,3 bilhões a R$ 248,9 bilhões.
… A expectativa é de que tributos ligados à atividade doméstica, como PIS/Pasep, Cofins e IPI, além dos recolhimentos sobre importações, sustentem o resultado, mesmo com os sinais de desaceleração da economia.
… As receitas ligadas ao petróleo também devem dar impulso.
… O PicPay estima em R$ 12 bilhões os recolhimentos com exploração de recursos naturais, cerca de R$ 9 bilhões acima de agosto de 2025 em termos reais. Desse aumento, pelo menos R$ 3 bilhões seriam receitas extraordinárias associadas à alta do petróleo provocada pela guerra.
… Às 14h30, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulga o Boletim Macrofiscal, com novas projeções para atividade e inflação, seguido de entrevista coletiva. Mais cedo, às 9h, Galípolo recebe André Esteves (BTG) no escritório do BC em São Paulo.
LÁ FORA – No exterior, as atenções estarão concentradas na Assembleia Geral da ONU e nos encontros de Trump à margem do evento, especialmente a reunião com líderes do Golfo. O mercado espera sinais sobre a guerra, o Irã e a segurança das rotas de energia.
… A agenda de indicadores é mais fraca, mas investidores acompanham uma nova rodada de discursos de dirigentes dos principais bancos centrais, em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros.
… Nos Estados Unidos, falam John Williams/Nova York (11h05), Philip Jefferson (11h20) e Thomas Barkin/Richmond (14h).
… Na Europa, Christine Lagarde participa às 8h de uma conferência sobre a resposta dos bancos centrais aos desafios futuros. Às 11h, sai a leitura preliminar da confiança do consumidor da zona do euro em setembro, com previsão de queda de -15,5 para -15,8.
… Os mercados do Japão ficaram fechados por feriado.
TEM DIAS EM QUE TUDO ENCAIXA – Para onde é que o investidor olhou ontem, viu boas notícias, com o petróleo quase furando US$ 100, a taxa da Note de dez anos abaixo de 5% e os papéis das gigantes de tecnologia em rali.
… Só os alertas dos Fed boys sobre a inflação é que destoaram do risk-on, mas tiveram impacto relativizado.
… Por aqui, também a corrida eleitoral acirrada, com chance de vitória da oposição, compôs o ambiente positivo, com a curva do DI afundando, o dólar voltando à faixa de R$ 5,10 e o Ibovespa retomando os 186 mil pontos.
… Na véspera da ata do Copom, que pode deixar a porta aberta para novo corte da Selic, como fez o comunicado, todos os contratos dos juros futuros pagaram prêmio de risco inferior a 14%, indicando que operaram relaxados.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,550% (de 13,554% no ajuste anterior); Jan/28, 13,505% (contra 13,623%); Jan/29, 13,675% (de 13,831%); Jan/31, 13,880% (de 14,035%); e Jan/33, 13,985% (de 14,150%).
… O primeiro boletim Focus depois da Superquarta mostrou queda na expectativa para a Selic no fim do ano, de 13,75% para 13,50%, indicando que o mercado projeta mais um corte de 0,25 ponto em novembro ou dezembro.
… Já a mediana para o IPCA deste ano interrompeu uma sequência de três semanas de queda e subiu de 4,90% para 4,92%, enquanto a de 2027 permaneceu em 4,30%, bem mais pessimista do que a projeção do BC, de 3,90%.
… Durante evento da PUC-SP, nesta segunda-feira, o economista-chefe e sócio da Warren, Felipe Salto, disse que a ideia de que a inflação convergirá para o patamar de 3% no horizonte relevante de 18 meses “é uma fantasia”.
… Segundo ele, a fixação da meta em 3% ocorreu sem qualquer embasamento técnico e empírico e, na prática, aprisiona a economia a uma taxa real de juros elevada. “O resultado é uma economia com o freio de mão puxado.”
… O profissional defendeu uma revisão do regime de metas de inflação, que permitiria ao País abrir caminho para juros reais mais baixos e para a retomada do debate sobre crescimento econômico (atualmente em desaceleração).
… A proposta, batizada por Salto de “2 + 4”, combinaria superávit primário de 2% do PIB em dois anos e meio com meta de inflação para 4% para destravar a queda dos juros e recolocar o crescimento no centro da pauta econômica.
… Sobre o contexto fiscal, o economista reconheceu que a dívida é alta, mas que o debate público sobre as contas públicas tem sido contaminado por “terrorismo e alarmismo” em torno de uma suposta insolvência do Estado.
… “Isso é qualquer coisa menos uma crise de insolvência do Estado”, afirmou.
… O dilema, segundo ele, é como endereçar um ajuste fiscal com o Orçamento engessado por despesas obrigatórias vinculadas à receita, benefícios atrelados ao salário mínimo, renúncias tributárias e penduricalhos no serviço público.
SEIS E MEIA DÚZIA – Ouvido pelo Broadcast sobre o quadro fiscal, o estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, disse que os mercados deveriam se concentrar menos no vencedor da eleição.
… O foco, segundo ele, deve ser se a próxima administração, independentemente de qual seja, vai optar por enfrentar o problema fiscal “de forma voluntária ou se vai esperar que os mercados financeiros forcem o ajuste”.
… “Ambos os candidatos herdam o mesmo problema: uma trajetória de dívida desafiadora”, lembrou McCormick.
… Ele está cauteloso em tratar qualquer desfecho da corrida presidencial como “duradouramente favorável ao real”, porque existe outra força rolando como influência para o fluxo: o risco de um carry trade menos atraente.
… Fed hawkish e Copom mais dovish surgem como potenciais fatores desestabilizadores do câmbio.
… Por enquanto, porém, o real só vai: esteve ontem entre as moedas mais fortes do dia, mesmo com relatos de saída de recursos sazonais, típicas de final de trimestre, que levantam especulações de nova atuação do BC com leilões.
… A perspectiva de alternância de poder com as eleições presidenciais aliviou o dólar à vista, que caiu 0,70%, cotado a R$ 5,1082, destoando do movimento do índice DXY lá fora, onde marcou alta de 0,23%, aos 100,429 pontos.
… No exterior, o dólar monitorou os comentários mais agressivos dos Fed boys, apesar da trégua do petróleo.
… Austan Goolsbee disse que os choques persistentes na oferta, incluindo a alta do petróleo e a imposição de tarifas, deixam o Fed com pouca escolha a não ser elevar os juros e que é precisa ter coragem para enfrentar a inflação.
… Reforçando a percepção de que o aperto monetário ainda não terminou, afirmou que só se sentiria confortável com uma redução dos juros caso haja evidências convincentes de que os preços estão voltando à meta de 2%.
… Na AP, Susan Collins prevê um segundo aumento de juros neste ano e estabilidade das taxas em 2027.
… Sem direito a voto pelo sistema de rodízio do Fed, Alberto Musalem vê a atual taxa dos juros, de 3,75% a 4,00%, como “acomodatícia” e insuficiente para conter a inflação resultante da forte demanda e do choque de energia.
… O euro caiu 0,18%, a US$ 1,1471, a libra recuou 0,21%, a US$ 1,3372, e o iene perdeu 0,35%, a 157,36 por dólar.
… Em boletim econômico divulgado ontem, o BC europeu alertou que as variações do preço do gás no mercado atacadista podem afetar a inflação ao consumidor na zona do euro mais rapidamente do que em anos anteriores.
… O Rabobank passou a prever um aperto monetário pelo BCE na reunião de dezembro, para 2,75% (de 2,50% hoje).
ÁGUA E ÓLEO – Os juros dos Treasuries não se misturaram ontem aos alertas dos Fed boys sobre a inflação, preferindo focar na queda do petróleo, que devolveu a taxa da Note de dez anos para baixo do patamar dos 5%.
… Fechou a 4,951% (contra 5,005% no pregão anterior), enquanto o rendimento do T-Bond de 30 anos fechou em nível inferior a 5,30%, em 5,284%, de 5,330% na última sexta-feira. O yield da Note-2 anos caiu a 4,750% (de 4,758%).
… O afastamento dos juros dos Treasuries dos níveis recentes de estresse e a disparada das ações de tecnologia, descontando a série de incidentes recentes de segurança, projetou o Nasdaq para um novo recorde de fechamento.
… Na expectativa de que o encontro de Xi Jinping e Trump nesta semana possa dar um novo impulso para a inteligência artificial, o índice da bolsa eletrônica saltou 2,26%, para o pico histórico de 27.122,09 pontos.
… Além de Intel e AMD, também dispararam os papéis da Meta (+11,8%) e da Nvidia (+2,22%).
… O Dow Jones subiu 0,71%, para 52.048,83 pontos, e o S&P 500 avançou 1,49%, para 7.764,70 pontos.
… Por aqui, foram as ações dos bancos que operaram embaladas pela queima de prêmio na curva do DI e deram suporte para que o Ibovespa fechasse em alta de 0,74%, aos 186.595,60 pontos, com giro de R$ 19,4 bilhões.
… BTG unit subiu 3,42%, a R$ 63,50, Itaú PN registrou valorização de 1,77%, para R$ 43,08, Santander unit avançou 1,53%, a R$ 29,92, e Bradesco PN ganhou 0,94%, a R$ 18,16. A exceção foi BB ON, que caiu 0,91%, para R$ 22,99.
… Já as blue chips das commodities operaram no vermelho. As ações da Petrobras (PN, -1,03%, a R$ 48,00; e ON, -0,99%, a R$ 52,88) pegaram carona nas perdas do petróleo. De olho nos custos de frete, Vale caiu 1,12%, a R$ 72,55.
CIAS ABERTAS NO AFTER – SANTANDER BRASIL protocolou pedidos necessários à OPA de permuta, incluindo registro da matriz como emissor estrangeiro, programa de BDRs e registro da oferta na CVM e B3.
CAIXA. Bancários recusaram proposta sobre o plano de saúde e mantiveram greve nacional.
PETROBRAS prevê iniciar no começo de 2027 a perfuração de um dos três poços contingentes ao Morpho, na Margem Equatorial, disse a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos…
… Segundo ela, a empresa tem dez blocos em parceria com a ExxonMobil na Foz do Amazonas à espera de licenciamento ambiental…
… Petrobras informou ontem que fechou dois contratos com a PPSA para comercialização de gás da União, com valores estimados de R$ 1,2 bilhão na compra de gás não processado e R$ 1,7 bilhão na venda de gás processado.
BRASKEM. O Broadcast apurou que credores propõem aporte de US$ 3 bilhões pela Petrobras na petroquímica em dois anos. A Braskem deve rejeitar a proposta e pode encaminhar pedido de recuperação judicial.
RAÍZEN. IG4 Capital negocia compra de dívidas ligadas aos negócios de açúcar e etanol para montar posição antes da conclusão da reestruturação financeira, segundo fontes do Valor.
JBS esclareceu que seu pedido de cancelamento de registro como emissora de valores mobiliários na categoria A foi uma formalidade, já que a JBS N.V. substitui a JBS S.A. como emissora.
REDE D’OR pagará R$ 400 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,1841 por ação. Pagamento será em 6/10, com papéis “ex” em 25/9.
BRADSAÚDE pagará R$ 250 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,08551 por ação. Pagamento será em 26/2/2027, com papéis “ex” em 25/9.
TRACK&FIELD pagará R$ 13,1 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,00862 por ação. Pagamento será em maio de 2027, considerando posição acionária de 24/9.
AMERICANAS concluiu venda de ativos de dez lojas deficitárias do Natural da Terra em São Paulo ao Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões.
ECORODOVIAS. Antipodes Partners passou a deter 5,53% do capital, equivalente a 38,5 milhões de ações ON.
ENEVA. Aneel realizou reunião sobre solução consensual para contratos de termelétricas da companhia, mas manteve o teor das discussões sob sigilo. Proposta prevê economia de quase R$ 400 milhões por ano ao consumidor.
SÃO MARTINHO aprovou compra de 48,78 hectares em Iracemápolis (SP) por meio de controlada imobiliária.
SIMPAR. Consórcio liderado pela CS Infra venceu concessão de 634 km de rodovias em Mato Grosso, por 30 anos. Projeto exigirá investimentos de cerca de R$ 93 milhões por ano.
GPS comprará 80% da Qualidados, consultoria de engenharia e gestão de projetos com receita bruta de R$ 272,4 milhões em 12 meses. Operação depende de aprovação do Cade.
COMPASS encerrou programa de recompra após adquirir 3,2 milhões de ações, equivalentes a 1,86% dos papéis em circulação.
LOG CP. Fundo Multisetorial Plus reduziu participação de 8,85% para 4,8% das ações ON.
Call Matinal
Call Matinal 2209, by Julio Hegedus Netto, economista
1) O Ibovespa fechou, nesta segunda-feira, dia 21, em alta de 0,74%, a 186.595 pontos, giro financeiro de R$ 19,4 bi. Já o dólar comercial recuou 0,7%, a R$ 5,1084, diante do maior apetite de risco global.
2) Esta terça-feira (22) começa com cautela nos mercados internacionais. Os futuros de Wall Street e as principais bolsas europeias operam em queda moderada, enquanto a Ásia fechou com desempenho misto.
3) O mercado começa o dia dividido entre alívio e cautela. A redução recente do prêmio geopolítico do petróleo trouxe algum alívio, mas o Brent opera novamente acima dos US$ 100, a mostrar um cenário longe de normalizado. Qualquer mudança envolvendo Irã, Estreito de Ormuz ou países do Golfo pode provocar movimentos rápidos nas commodities.
4) No Brasil, mais um dia de disputa eleitoral apertada e de ata do Copom, quando será possível uma noção melhor dos próximos passos do BCB. Essa resposta poderá mexer diretamente com juros futuros, dólar, bancos, varejo, construção civil, small caps e empresas mais endividadas.
5) No tabuleiro politico para as eleições do dia 4, daqui a 12 dias, o clima é cada vez mais nebuloso, com o STF trabalhando pesado para viabilizar a quem os ministros do baixo clero apoiam. Nuno Maraques está balançando no STF pelas movimentações de Alexandre de Moraes, que mesmo encalacrado continua se movimentando. Incrível o grau de cinismo deste cidadão. Nas pesquisas, a disputa entre Lula da Silva e Flavio Bolsonaro continua bem equilibrada.
Bankinter Portugal Matinal
NY +1,4% US tech +2,8% US Semis +4,3% UE +1,3% Espanha +1,1% VIX 14,9% Bund 3,46%. T-Note 4,95%. Spread 2ª-10ª USA=+20pb B10A: ESP 3,91% PT 3,81% ITA 4,34% FRA 4,46% Euribor 12m 3,35% USD 1,147 JPY 180,4/€ 157,4/$. Ouro 4.343$. Brent 100,3$. WTI 95,8$. Bitcoin +7,3% (86.980$). Ether +5,8% (2.784$).
:: SESSÃO:
Após cinco sessões consecutivas de quedas, o preço do petróleo regista avanços hoje, embora de forma moderada (Brent: 101,9 $/barril; +1,5%). Parte desse aumento é explicado por uma interrupção do abastecimento na Líbia, após o ataque de um grupo armado, um incidente que poderá ter reduzido a produção em cerca de 200.000 barris diários sobre uma oferta global próxima dos 100 milhões de barris/dia.
Em qualquer caso, um aumento pontual é razoável após 5 dias de quedas e num contexto de tensa espera. Hoje começa a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque (de 22 a 28 de setembro). O mercado quer confirmar se será realizada uma reunião entre Trump e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, com a esperança de que se suavize a tensão no M. Oriente. Ontem, Trump afirmou estar “provavelmente” aberto a reunir-se com ele.
Esta Assembleia será fundamental também porque (i) Donald Trump, a Primeira-Ministra dinamarquesa e o Primeiro-Ministro da Gronelândia assinarão hoje o novo acordo de seguração sobre a ilha, às 15:30 h, na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Este acordo dá aos EUA o controlo permanente sobre a segurança da Gronelândia, impedindo a presença de outros países sem a aprovação de Washington, mas Dinamarca mantém a soberania sobre a ilha. Os EUA teriam a intenção de abrir duas novas bases militares na ilha, adicionais à que já têm em operação no nordeste. A notícia alivia as tensões transatlânticas e aumenta o controlo dos EUA sobre o Ártico, cenário-chave para controlar as rotas marítimas do futuro, além de lhes dar acesso a enormes reservas de recursos naturais. (ii) Na quinta-feira, reunião de Trump e Xi Jinping onde debaterão relações comerciais (minerais) ou IA.
Portanto, a geopolítica é fundamental e as restantes referências ficarão para segundo plano. O mais importante será a Confiança do Consumidor de setembro (15 h), que poderá moderar-se ligeiramente num contexto de maior tensão geopolítica.
Com isso, se não ocorrerem surpresas na geoestratégia, o razoável é que as bolsas optem, como ontem, pelas subidas. Impulsionadas principalmente por todo o setor de tecnologia e melhoria do sentimento da IA. Meta subia ontem +11% após se conhecer os bons dados de transferências do seu novo agente de IA (lançado a 8 de setembro).
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Fernando Schuller
𝗔𝗦 𝗗𝗘𝗦𝗖𝗨𝗟𝗣𝗔𝗦 𝗗𝗘 𝗖𝗔𝗥𝗠𝗘𝗡 𝗟𝗨𝗖𝗜𝗔
Fernando Schüler, O Estado de S. Paulo, 20.09.2026
"Peço desculpas ao povo brasileiro, que talvez tenha esperado de mim uma postura diferente", disse a ministra Cármen Lúcia, na sessão do STF. Por um instante, imaginei que a ministra iria emendar algo como "desculpa pelos desvios éticos" ou, quem sabe, "pela nossa recusa de investigar qualquer coisa" ou, ainda, "pelos sete anos de inquérito das fake-news". Mas não. As desculpas eram por "não ter ajudado a acalmar as coisas", no tribunal.
De um bom comentarista, li que ela teria se solidarizado com o "povo brasileiro em seu sentimento coletivo de vergonha". Será? Não há o mínimo consenso sobre o que causa "vergonha", na sociedade. 67% dos eleitores de Lula, segundo o PoderData, aprovam o ministro Alexandre de Moraes. O mesmo ministro que há pouco era ovacionado em espetáculos musicais, em São Paulo, tido como a "muralha" de nossa democracia e mesmo como o grande responsável pela "libido nacional".
Isso não é uma trivialidade. No Chile, ainda recentemente, o juiz Diego Simpértigue foi destituído da Suprema Corte por suas relações impróprias com advogados de empresas com interesses no tribunal. Rapidamente, se formou um consenso na sociedade chilena de que aquilo era inaceitável, e o sistema de freios e contrapesos se pôs em ação. Simpértigue foi destituído em 28 dias. No Brasil, não dispomos de um mínimo acordo sobre questões éticas fundamentais, na sociedade.
O problema do STF não é o espetáculo de maus modos, mas ter se convertido em um poder sem limites. Foi assim quando, há dez anos, o País assistiu a Constituição ser "relativizada" com a manutenção dos direitos políticos da presidente destituída. E em 2019, na abertura do inquérito sobre fake news, com base em um artigo do regimento que falava em infrações cometidas na "sede" do tribunal; foi assim quando a própria ministra mandou pelos ares a vedação à censura prévia, apoiando a proibição do lançamento daquele documentário sobre o atentado ao ex-presidente. Depois, vivemos o longo transe de exceção. As pessoas sem foro julgadas no STF, a censura prévia em larga escala, a quebra da imunidade parlamentar.
O fórum Brasil Adiante, organizado pelo Estadão, identificou questões muito simples que nossas instituições – se tivessem alguma coragem – poderiam enfrentar. Uma é disciplinar as decisões monocráticas. Se precisávamos de um sinal de alerta sobre isso, tivemos semana passada. A guerra de decisões entre os ministros, em direções opostas, à revelia de qualquer decisão colegiada, que deveria funcionar como regra na Corte.
Não acho que a ministra ou seus colegas devam desculpas pela "intranquilidade" no País, mas sim pela lógica de exceção que criaram no Brasil dos últimos anos. Não porque geraram "mal-estar cívico", mas porque falharam na única obrigação em que uma Suprema Corte não poderia falhar: garantir a vigência das leis e da Constituição.
Call Matinal
1) No dia 18, o Ibovespa recuou 0,41%, aos 185.229,17 pontos, com giro de R$ 26,8 bilhões, turbinado pelo exercício de opções. Já o dólar fechou em leve alta de 0,10%, a R$ 5,1442, nada demais para um dia em que o real poderia ter sofrido maiores efeitos colaterais do tombo do iene, depois de o BoJ ter deixado em aberto os seus próximos passos.
2) Os mercados, nesta segunda-feira (21), operam em alta, apoiados pela queda dos preços do petróleo e pelo maior otimismo dos investidores em torno da cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
3) Abrimos a semana, portanto, de olho no encontro de Donald Trump com Xi Jinping na cúpula anual das Nações Unidas em NY. É um momento em que vários líderes estarão lá, não esquecendo Lula da Silva, ainda que se perdendo nos últimos dias com o escândalo do STF e seus ministros, em maioria, bem encalacrados.
4) No Oriente Médio, a melhora do fluxo por Ormuz e novas iniciativas diplomáticas são um contraponto para a cotação do barril de petróleo, Brent e WTI, enquanto ataques houthis mantêm a tensão sobre a infraestrutura saudita e Bab el-Mandeb.
5) No Brasil, Lula abre nesta terça-feira a Assembleia Geral da ONU, enquanto o caso Master escala em desdobramentos desagradáveis para a campanha petista.
6) A última foi a foto de Alexandre de Moraes se esbaldando num jatinho de Vorcaro, em total dissintonia com o que é certo ou errado. Sem dúvida que o cinismo de alguns ministros do STF é algo que nos assalta todos os dias. E não há punição para atos tão desabonadores! Não é uma simples carona num jatinho, mas muita mentira, muita safadeza. Algo precisa ser feito para dar um basta nisso tudo. Caso contrário, a perca de credibilidade das instituições só tende a se agravar. Impunidade, esta é a palavra do momento.
7) Na agenda econômica, temos a ata do Copom, o IPCA-15, o Relatório de Política Monetária e as pesquisas eleitorais além de uma série de discursos do Fed e os PMIs nos Estados Unidos e na Europa.
8) A ata do Copom amanhã, terça-feira, e o IPCA-15 de setembro concentram as atenções na agenda na semana, que traz ainda o Relatório de Política Monetária do BC e uma bateria de divulgações fiscais do governo.
9) Na ata da reunião, que reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%, o mercado buscará pistas sobre os próximos passos do Copom, depois que o comunicado reconheceu uma desaceleração mais clara da atividade e melhora da inflação.
BOA SEMANA A TODOS!
Mario Sergio Conti
Artigo do Mario Sergio Conti na 'Folha de S. Paulo' de hoje, p. B12.
AMIGOS DA GRANA E DA ESBÓRNIA
As amizades interesseiras e prazerosas de Aristóteles no Supremo
Na medonha sessão de terça-feira (15) do Supremo, Edson Fachin e Flávio Dino terçaram tolices em torno de uma questiúncula. O presidente o orientou a pedir-lhe autorização quando quisesse interromper a fala de outro juiz. Dino não obedeceu. Alegou que apartes são concedidos por quem tem a palavra, não pelo chefe do STF.
Fachin veio a reconhecer seu erro e, mais para frente, Dino fez troça dele: pediu-lhe autorização para fazer um aparte. Com um risinho, Fachin notou que o pedido era irônico. Dino concordou e citou Aristóteles: "A ironia descontrai o ambiente".
Ocorre que o filósofo disse outra coisa: "A ironia é mais própria de um homem livre que o deboche, pois o irônico produz o riso para si, e o bufão o faz para os outros". Noutro livro, dá à ironia o significado de "autodepreciação" e diz que ela é inferior à franqueza porque o irônico faz uma simulação, em vez de dizer a verdade na lata.
"Ah, essa falça cultura!", diria Millôr Fernandes. Dino quis dar uma de sabido, um pecadilho na missa negra do Supremo. Mas poderia ter lembrado o que Aristóteles diz sobre a amizade: "Ninguém escolheria viver sem amigos, mesmo que tivesse todos os outros bens".
Para ele, a justiça é secundária quando há amizade, pois nela a pessoa age pelo bem dos amigos. O afeto mútuo barra o egoísmo, a ideia de que o proveito pessoal deve guiar a ação. Ao apontar para a concórdia, a amizade lubrifica a vida social. Nem tudo são flores, porque Aristóteles vê dois tipos de amizade falsa.
Uma é a utilitária. Seu alicerce é o interesse, sobretudo material. É uma amizade pervertida. É aí que entra o STF. Cinco de seus dez juízes cultivavam amizades interesseiras com Daniel Vorcaro, relações tingidas por trocas mercantis.
Alexandre de Moraes o atendia porque sua família tinha com ele um contrato de R$ 131 milhões. André Mendonça o recebeu na sua empresa e o convidava para conversas porque queria que o Banco Master a cacifasse. Dias Toffoli fez negócios com Vorcaro. O filho de Luiz Fux convivia com o bandidaço, que deu R$ 500 mil ao filho de Nunes Marques.
A segunda amizade pérfida, segundo Aristóteles, é marcada por prazeres juvenis. Seu vínculo são as emoções compartilhadas: diversão, entretenimento, o gozo da companhia agradável. É uma amizade efêmera, que pode durar uma viagem, uma degustação, uma orgia.
Mendonça, Moraes e Toffoli não são jovenzitos, mas cabem na categoria, chamados que foram pelo corruptor para desfrutar de prazeres. Eles e uma penca de mandachuvas, como o procurador-geral, Paulo Gonet. Hoje todos negam ter ido aos fuzuês. Acabou a amizade.
Ao contrário do que se diz, às vezes não é a política que orienta os juízes. Dino, Zanin e Gilmar Mendes são sabidamente unha e carne com Lula. Mas se aplicaram em proteger Moraes, o que prejudica a candidatura do presidente.
Se a política não explica sua atitude, optaram por fazer justiça doa a quem doer? Não parece, já que estava em pauta elucidar o que Moraes fez, não a sua condenação. Então por que embaraçaram Lula? Falta um Aristóteles para estudar a questão. Talvez inventasse outro tipo de amizade: a corporativa, tão fraudulenta quanto as por interesse e prazer.
Outro filósofo, Kant, merecia ter sido citado no furdunço do STF. Para ele, a amizade é assunto pessoal, não deve ser ligado à política nem à justiça. A amizade vai contra o imperativo de tratar todos com igualdade, diz, pois a tendência humana é priorizar os amigos.
Convém esperar sentado que o Judiciário adote o imperativo igualitário. Em 2016, o Conselho Nacional de Justiça liberou a remuneração de palestras de juízes, então proibida. Resultado: as esbórnias do amigo Vorcaro. Há empresas que pagam R$ 60 mil por conferências de juízes de tribunais superiores.
Nem todas aceitam isso. Na própria tarde da sinistra sessão suprema, a presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, fez uma palestra na USP sobre a ameaça totalitária no mundo. Ela só vai a conferências acadêmicas —e desde que não seja remunerada.
Rocha foi a primeira juíza e presidente do STM em 206 anos. Na USP, recorreu a Adorno e Marx para dizer que a extrema direita só será barrada —e a democracia preservada— se houver empenho individual e coletivo.
BDM Riscala Matinal
A semana começa com os mercados em clima positivo, embalados pela expectativa com o encontro entre Trump e Xi Jinping, enquanto o petróleo recua pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio. A melhora do fluxo por Ormuz e novas iniciativas diplomáticas ajudam a aliviar o Brent, enquanto ataques houthis mantêm a tensão sobre a infraestrutura saudita e Bab el-Mandeb. No Brasil, Lula abre amanhã a Assembleia Geral da ONU, enquanto o caso Master continua produzindo novos desdobramentos. Na agenda econômica, ata do Copom, IPCA-15, Relatório de Política Monetária e pesquisas eleitorais dividem as atenções com uma bateria de discursos do Fed e os PMIs nos Estados Unidos e na Europa.
ORMUZ DÁ ALÍVIO – O petróleo abriu em queda pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio durante o fim de semana.
… No eletrônico, o Brent recuava 2,17%, para US$ 101,60, com o mercado acompanhando a melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz e os novos esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
… Segundo o Centcom, o volume de petróleo, cargas e GNL que atravessou Ormuz nas últimas duas semanas atingiu o maior nível em seis meses, apesar dos ataques iranianos a embarcações.
… As forças americanas dizem ter protegido mais de 2 mil navios e auxiliado o transporte de mais de 1 bilhão de barris nos últimos dois meses.
… No fim de semana, os houthis lançaram um míssil balístico contra Riad, interceptado pela defesa saudita, e reivindicaram ataques com mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, importante polo de exportação no Mar Vermelho.
… Yanbu é especialmente sensível porque recebe o oleoduto Leste-Oeste, que permite à Arábia Saudita escoar petróleo sem passar por Ormuz. O corredor, com capacidade para transportar cerca de 4 milhões de barris por dia, já havia sido danificado por ataques na semana passada.
… A pressão se estende a Bab el-Mandeb. Os houthis prometeram manter as ofensivas contra a Arábia Saudita até o fim do bloqueio às áreas do Iêmen sob seu controle e ameaçaram reagir contra outros países que se juntem a Riad.
… O grupo avançou neste mês pela costa ocidental do Iêmen até o estreito, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
… Outro amortecedor vem da China, que acumulou cerca de 1,4 bilhão de barris em reservas estratégicas e reduziu suas importações de petróleo em 32% no segundo trimestre. Os estoques ajudaram a limitar a disparada dos preços durante os seis meses de guerra.
… Embora o mercado continue vulnerável a novas interrupções, especialmente diante dos ataques à infraestrutura saudita e da pressão simultânea sobre Ormuz e Bab el-Mandeb, a escalada militar convive com novas tentativas diplomáticas.
… Trump voltou a ameaçar o Irã neste domingo, mas disse estar aberto a encontrar o presidente Masoud Pezeshkian, que estará em Nova York junto com o chanceler Abbas Araghchi para a Assembleia Geral da ONU nesta semana.
… Amanhã, ele deve se reunir à margem da Assembleia com líderes dos países do Golfo para discutir os próximos passos na guerra e propostas para uma estratégia pós-conflito. Washington já trabalha no plano, que deve ser finalizado após as eleições de meio de mandato.
TRUMP RECEBE XI – O presidente também deve se encontrar nesta semana com Zelensky e com Xi Jinping, que será recebido em Washington, na quinta-feira, para uma agenda que vai da trégua comercial entre Estados Unidos e China a Taiwan, Irã e inteligência artificial.
… No comércio, os mercados estarão atentos à possível prorrogação da trégua tarifária que vence em 10 de novembro e a eventuais anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias.
… O clima melhorou neste domingo, após Scott Bessent classificar como “muito proveitosa” a reunião com o vice-premiê chinês, He Lifeng, em Nova York. Os dois lados disseram que continuarão trabalhando em um acordo comercial.
… Bessent também propôs a criação de um mecanismo de notificação entre os dois países para incidentes de segurança nacional envolvendo inteligência artificial.
… A tecnologia terá lugar de destaque na visita. Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, da Nvidia, Jensen Huang, da Qualcomm, Cristiano Amon, e o presidente do conselho da Apple, Tim Cook, estão entre os executivos esperados para o jantar de Estado com Trump e Xi.
… Às vésperas do encontro, Trump anunciou que pretende nomear um novo “czar” da inteligência artificial e criar uma “Força de IA”, defendendo que os Estados Unidos acelerem o desenvolvimento da tecnologia para preservar a liderança sobre a China.
LULA NA ONU – Outro encontro poderá ocorrer entre o presidente do Brasil e Trump, nos bastidores da Assembleia Geral, como no ano passado, quando surgiu a famosa “química” entre os dois. Lula abre o debate amanhã e será seguido pelo presidente americano.
… Lula chegou neste domingo a Nova York, para uma estadia curta, mas de peso também para a campanha eleitoral no Brasil. A poucos dias do primeiro turno, um dos principais eixos de seu discurso será a defesa da soberania nacional, que ganhou espaço na estratégia da reeleição.
… A expectativa é de que Lula defenda as instituições e o processo eleitoral e rejeite interferências externas, sem citar nominalmente Trump. O presidente deve adotar linguagem diplomática e evitar referências à crise no STF, considerada pelo governo um assunto interno.
… Lula pretende ainda criticar medidas e sanções comerciais unilaterais e defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, desde que respeitados o direito internacional e a integridade territorial dos países.
… A defesa do multilateralismo ganhou um novo capítulo neste domingo, quando Lula assinou com os líderes da União Europeia, Quênia e Canadá um manifesto que pede reformas nas instituições internacionais diante do aumento dos conflitos e da fragmentação geopolítica.
… O documento cita os riscos de gargalos marítimos globais, como o Estreito de Ormuz, para as cadeias de suprimentos, além dos desafios da inteligência artificial, choques financeiros e mudanças climáticas.
… A agenda de Lula inclui entrevista hoje à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, e reuniões com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador democrata Bernie Sanders. Mais de 30 autoridades haviam solicitado encontros.
… Amanhã, antes do discurso na ONU, Lula se reúne com o secretário-geral da organização, António Guterres. O retorno ao Brasil está previsto para poucas horas depois do discurso. Ele não participará do jantar oferecido por Trump aos chefes de Estado.
MAIS POLÍTICA – Câmara e Senado não têm sessões deliberativas previstas nesta semana, às vésperas do primeiro turno. Depois de mais uma semana de crise, o STF não tem julgamentos relacionados ao caso Master. Mas o caso ganhou novos capítulos no fim de semana.
… Um vídeo mostrou Moraes e a mulher desembarcando de uma aeronave ligada a Vorcaro, após o ministro ter dito que “jamais” havia viajado em avião do banqueiro. O escritório de Viviane Barci confirmou o uso de serviços da empresa, mas disse que Vorcaro nunca esteve nos voos.
… Também aumentou a pressão sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto ao lado de Vorcaro em Londres. A oposição cobrou seu afastamento. Gonet afirma que a imagem é de 2024, quando não havia investigação contra o banqueiro.
… Outro vídeo, também de 2024, mostrou Vorcaro em uma festa do Master em Londres com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Andrei e Gonet são citados em mensagens nas quais o banqueiro pediu a Moraes que interviesse para tentar frear as investigações sobre o banco.
… Ainda neste domingo, Flávio Dino deu prazo de 90 dias para que a União, sob coordenação do Ministério da Fazenda, apresente uma avaliação do arcabouço da CVM e propostas para aprimorar a autarquia, diante das fragilidades na supervisão apontadas no caso Master.
… Faltando duas semanas para as eleições e depois das turbulência no STF, o calendário das pesquisas eleitorais prevê Quaest e BTG Nexus para hoje, AtlasIntel na quarta-feira e Datafolha e Real Time Big Data na quinta-feira.
MAIS AGENDA – A ata do Copom amanhã, terça-feira, e o IPCA-15 de setembro concentram as atenções na agenda econômica da semana, que traz ainda o Relatório de Política Monetária do BC e uma bateria de divulgações fiscais do governo.
… Na ata da reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%, o mercado buscará pistas sobre os próximos passos do Copom, depois que o comunicado reconheceu uma desaceleração mais clara da atividade e melhora da inflação.
… Ainda amanhã, a Fazenda divulga às 10h30 o Boletim Macrofiscal, com novas projeções oficiais para atividade e inflação, além do resultado da arrecadação federal de agosto. A divulgação do boletim estava inicialmente prevista para a última sexta-feira e foi transferida para dia 22.
… Na quinta-feira, sai o Relatório de Política Monetária, acompanhado de entrevista coletiva do presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto Fazenda e Planejamento apresentam o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do quarto bimestre.
… O documento deverá detalhar o espaço fiscal para o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado na semana passada.
… As contas públicas ganharam mais atenção após o governo revisar suas projeções para a dívida. As estimativas enviadas ao Congresso junto com o PLOA de 2027 apontam a dívida bruta em 83,7% do PIB no fim deste ano, chegando a 89,6% em 2029 e 89,7% em 2030.
… Também na quinta-feira, reúne-se o Conselho Monetário Nacional. O IPCA-15 encerra a semana dos indicadores domésticos na sexta-feira.
… Hoje, como todas as segundas-feiras, o Banco Central divulga a Pesquisa Focus, às 8h25.
LÁ FORA – Nos Estados Unidos, a agenda de indicadores é mais leve, mas o mercado acompanhará uma bateria de discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros, depois da alta de 0,25 ponto da semana passada.
… Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, já reforçou o tom duro neste domingo (leia abaixo).
… Hoje fala Austan Goolsbee. Amanhã será a vez de John Williams, Philip Jefferson e Thomas Barkin. Michael Barr participa de evento na quarta-feira, e Williams, Barkin, Beth Hammack e Anna Paulson estão entre os dirigentes com compromissos na quinta e na sexta-feira.
… Os PMIs preliminares de setembro serão conhecidos na quarta-feira nos Estados Unidos e na Europa. Para o PMI americano, a previsão é de 54 na indústria, 56 nos serviços e 56,3 no composto. Ainda na quarta, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo.
… Na sexta-feira, sai a leitura final de setembro da confiança do consumidor da Universidade de Michigan, incluindo as expectativas de inflação.
ÁSIA HOJE –No Japão, os mercados permaneceram fechados hoje por feriado local; amanhã também não haverá pregões.
… Já na China, o PBoC manteve as principais taxas de juros inalteradas, segundo comunicado divulgado neste domingo, com a referência para empréstimos (LPR) de 1 ano em 3% ao ano e a LPR de 5 anos em 3,5% ao ano. Os juros seguem no mesmo nível desde maio de 2025.
ELEIÇÃO NA ALEMANHA – A apuração neste domingo revelou perdas expressivas para a CDU, do chanceler Friedrich Merz, nas eleições estaduais de Berlim e Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, enquanto a AfD ampliou sua votação.
ENERGIA QUE MOVE – Chamou a atenção na sexta-feira nos negócios a capacidade que os juros futuros domésticos exibiram de resistir à pressão nas taxas dos Treasuries, com o yield da Note de dez anos rompendo de novo os 5%.
… Apesar de o rendimento do título do Tesouro americano ter voltado a superar este nível de estresse, por aqui, a curva do DI operou de lado, porque o trade eleitoral ainda parece estar blindando contra as ondas de piora externa.
… Pela manhã, o investidor mostrou algum desconforto, depois de a Datafolha mostrar estagnação de Flávio Bolsonaro, mesmo após a tensa sessão do STF. Mas já à tarde a esperança de vitória da oposição voltou a dominar.
… Faltando apenas duas semanas para a eleição presidencial, as próximas pesquisas eleitorais servirão de tira-teima sobre a competitividade da candidatura bolsonarista ou o eventual risco de uma estagnação nas intenções de voto.
… A notícia de que o Ministério Público junto ao TCU pediu a suspensão do reajuste de 15% do Bolsa Família, alegando que a medida fere a LRF, foi bem recebida pelo mercado, um dia depois do “pacote de bondades” de Lula.
… Descoladas do exterior, a taxa do DI para Jan/27 ficou estável, em 13,555%; Jan/28 fechou em 13,630% (de 13,617% ano ajuste); Jan/29, 13,840% (de 13,845%); Jan/31, 14,020% (de 14,061%); e Jan/33, 14,130% (14,185%).
… Além da politização do enredo nos negócios, os juros futuros esperam esta semana pelo teor da ata do Copom, neste momento em que o BC avalia o esfriamento gradual da atividade como sinal de eficácia da política monetária.
… O Bradesco divulgou relatório revisando para baixo a previsão para o PIB deste ano, de 1,9% para 1,7%, e de 2027, de 1,3% para 1,0%, já que os dados do terceiro trimestre continuam sinalizando moderação do ritmo.
… No câmbio, como aconteceu com o DI, chegou a haver algum mal-estar pela manhã de sexta-feira com a falta de novidades do Datafolha. Mas o cenário eleitoral indefinido não chegou a evoluir para uma reação mais negativa.
… O dólar à vista fechou em leve alta de 0,10%, a R$ 5,1442, nada demais para um dia em que o real poderia ter sofrido maiores efeitos colaterais do tombo do iene, depois de o BoJ ter deixado em aberto os seus próximos passos.
… Durante seminário realizado pelo FGV/Ibre e Estadão, o sócio-fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, alertou que o Brasil se encontra em uma trajetória fiscal perigosa, com endividamento semelhante aos de países desenvolvidos.
… A amarga diferença é que o País não conta com a credibilidade das grandes economias globais.
… Xavier é contrário a propostas de cortar os juros “na marra” e usar reservas para controlar a taxa de câmbio.
… Segundo ele, apelar a estas medidas seria como um “beijo da morte”, causaria pânico entre investidores estrangeiros e detentores de ativos, provocando fuga de capitais e o surgimento de mercados paralelos de dólar.
PROMETEU MUITO E ENTREGOU POUCO – Foi praticamente um aperto dovish a decisão do BoJ de subir os juros em 25 pontos-base, a 1,25%, maior nível desde 1995, porque o placar veio rachado (7 a 2) e Kazuo Ueda frustrou.
… Apesar de o presidente do BC japonês ter reconhecido o risco de a inflação subjacente superar a meta de 2%, ele condicionou novos movimentos da política monetária à evolução da economia, dos preços e condições financeiras.
… Para quem esperava que ele pudesse vir muito mais agressivo, não deixou de ser uma decepção, descontada no iene, que só conseguiu reduzir parcialmente o mau humor com rumores de possível intervenção no câmbio.
… Ainda assim, o iene caiu forte (-0,50%), para 156,75 por dólar. Desde o estouro da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro, a inflação ganhou o atual contexto como o maior driver a ser administrado pelos grandes BCs.
… Em entrevista neste domingo à Fox News, o Fed boy Neel Kashkari advertiu que as pressões inflacionárias vão além dos preços do petróleo e que, mesmo excluindo energia e alimentos, a inflação continua rodando muito alta.
… O colega Jeff Schmid concorda que a pressão é disseminada entre bens e serviços, não apenas energia, e que os indicadores recentes apontam inflação acima de 3%, o que justifica o aperto promovido pelo Fed semana passada.
… Também no BCE, o vice-presidente, Boris Vujcic, disse que a precificação dos juros está sendo impulsionada principalmente pela alta de energia, porém, não seria aconselhável concentrar-se exclusivamente nesse fator.
… Outro integrante do Banco Central Europeu, Martins Kazaks afirmou que a taxa de juros de 2,75% representa um território restritivo, mas reconheceu que a instituição “pode ir além disso” se as perspectivas econômicas exigirem.
… O euro registrou alta de 0,10%, a US$ 1,1488, e a libra esterlina ganhou 0,28%, cotada a US$ 1,3396.
… De pouco adiantou o petróleo ter caído na sexta, porque continuou nos três dígitos e reforçou a convicção de que o Fed pode ter que se manter na direção atual para combater as pressões inflacionárias perigosamente altas.
… Na visão da Stifel Economics, serão necessários mais do que dois aumentos de juros para garantir o retorno à meta. Neste cenário mais restritivo, as taxas da Note de dez anos voltaram a superar 5%, a 5,005% (contra 4,929%).
CREO EN BRUJAS – As bolsas em Nova York monitoraram a retomada da trajetória de alta dos Treasuries e as preocupações com a política monetária japonesa, mas oscilaram em margem estreitas, sem cautela mais intensa.
… O triple witching, vencimento simultâneo de três tipos de contratos, pode ter justificado a postura moderada. O Dow Jones caiu 0,18% (51.682,64 pontos); S&P 500, +0,17% (7.650,50 pontos); e Nasdaq, +0,39% (26.522,55 pontos).
… Também o Ibovespa não operou no susto, apesar de ter assumido alguma dose defensiva antes das próximas pesquisas eleitorais e de olho no comportamento dos juros dos Treasuries e desdobramentos da guerra.
… O alívio do petróleo desvalorizou a Petrobras (ON -1,09%, a R$ 53,41; e PN -0,23%, a R$ 48,50) e contribuiu para que o Ibovespa caísse 0,41%, aos 185.229,17 pontos, com giro de R$ 26,8 bilhões turbinado pelo exercício de opções.
… Vale (-1,53%; R$ 73,37) também colaborou para manter a bolsa no vermelho. Segundo o Broadcast, os custos de frete entre os Brasil-China chegaram a cerca de US$ 42 por tonelada e respingam sobre os papéis da mineradora.
… A própria empresa avalia que cerca de 120 milhões de toneladas de minério podem ficar economicamente inviáveis nas condições atuais, segundo relatos do Citi, após reunião com o CEO da Vale, Gustavo Pimenta.
… Para o Itaú BBA, a Vale está bem protegida no curto prazo, mas a cobertura cai de forma relevante em 2028.
… Entre as blue chips financeiras, Santander unit caiu 3,47% (R$ 29,47), Bradesco PN recuou 0,88% (R$ 17,99) e Itaú PN devolveu 0,59% (R$ 42,33), ao passo que BB ON avançou 1,84% (R$ 23,20) e BTG unit ganhou 0,43% (R$ 61,40).
CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS negou impacto socioambiental direto da exploração na Foz do Amazonas, após MPF pedir suspensão imediata da licença de perfuração até cumprimento de medidas em comunidades…
… Petrobras informou que recebeu R$ 448 milhões em subvenção à gasolina e acumula R$ 9,9 bilhões em repasses para combustíveis. Conselho também aprovou adesão à nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel…
… TCU julga na próxima quarta-feira, em sessão extraordinária e reservada, política de preços da Petrobras.
VIBRA fechou contrato de R$ 1,28 bilhão com a Inpasa Agroindustrial para fornecimento de etanol hidratado.
SABESP fará emissão de R$ 59,5 milhões em debêntures, com prazo de 1.778 dias e remuneração de 6,3% ao ano. Recursos financiarão projetos elegíveis ao Eco Invest Brasil.
ANEEL revisou a projeção de alta das contas de energia deste ano, de 8,6% para 9,4%.
TIM. Poste Italiane tornou-se controladora indireta da companhia após passar a deter cerca de 66,63% da Telecom Italia por meio de OPA.
PORTO pagará R$ 333,4 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,520657 por ação. Papéis ficam ex em 24/9 e pagamento será feito até abril de 2027.
FLEURY antecipou de 2/10 para 28/9 o pagamento de R$ 217,8 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,4007 por ação.
NATURA firmou parceria com a Aviva para abrir um spa da marca Ekos na Costa do Sauípe, na Bahia, com inauguração prevista para outubro. Será o segundo projeto da companhia no segmento de spas.
CYRELA. Invesco elevou participação para 5,01% das ações ON, equivalente a 19,2 milhões de papéis.
IGUATEMI. Fundos geridos pela Azvalor passaram a deter 18 milhões de units, equivalentes a 10,62% do capital.
TOTVS pagará R$ 85 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,15 por ação. Pagamento será em 8/10. Ex em 24/9.
POSITIVO fará emissão de R$ 120 milhões em notas comerciais, com prazo de dois anos e remuneração de DI + 1,35%. Recursos serão usados para refinanciar passivos.
MARCOPOLO. Goldman Sachs reduziu participação de 5,91% para 4,38% das ações PN.
PARANAPANEMA. João Carlos Correa de Vargas elevou participação para 27,84% do capital e tornou-se o maior investidor individual da companhia.
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Análise Bankinter Portugal NY -1,5% US tech -1,9% US Semis -2,5% UEM -2% España -1,1% VIX 26,8% Bund 3,05%. T-Note 4,98%. Spread 2A-10A US...