quarta-feira, 9 de setembro de 2026

BDM Matinal Riscala

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026.
*TRADE ELEITORAL DESCOLA BRASIL DA PRESSÃO EXTERNA*
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

*A campanha ganha combustível adicional com a crise no STF, que se agravou com o afastamento da cúpula da PF por André Mendonça*

… A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a escalar ontem à noite, com a destruição de cinco petroleiros iranianos por forças americanas e novos ataques de Teerã a uma base dos EUA na Jordânia. O Brent encostava nos US$ 100 no pregão asiático, ampliando os temores com a inflação, enquanto o mercado mantém elevadas as apostas em alta dos juros pelo Fed. No Brasil, porém, o trade eleitoral continua desafiando o ambiente externo, embalado pelas pesquisas que mostram empate entre Lula e Flávio Bolsonaro. A campanha ganha combustível adicional com a crise no STF, que se agravou com o afastamento da cúpula da PF por André Mendonça. A agenda da quarta-feira é praticamente vazia.

ESCALADA NO GOLFO – A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a escalar ontem à noite, com a destruição de cinco petroleiros iranianos por forças americanas perto da Ilha de Kharg e novo ataque do Irã a uma base dos Estados Unidos na Jordânia.

… Segundo o Centcom, os ataques aos petroleiros foram uma resposta a duas tentativas da Guarda Revolucionária de atingir um navio de guerra americano com mísseis balísticos nos últimos dois dias. A embarcação não foi atingida e não houve vítimas.

… Os ataques aos petroleiros ocorreram perto da Ilha de Kharg, por onde passa cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.

… Antes da confirmação da ofensiva contra os petroleiros, a agência Fars havia relatado duas explosões na ilha, sem sinais de fogo ou fumaça, além de explosões no condado de Jask. Não havia indicação de que a infraestrutura petrolífera de Kharg tenha sido atingida.

… Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis contra forças americanas na base de Al Azraq, na Jordânia. O governo jordaniano informou que interceptou 18 dos 20 mísseis balísticos disparados pelo Irã e que os outros dois caíram em áreas isoladas.

… A Marinha da Guarda Revolucionária também determinou a evacuação imediata das tripulações de petroleiros em águas do Kuwait e do Bahrein, afirmando que as embarcações serão alvo de ataques.

… A nova frente amplia os riscos para o transporte de petróleo no Golfo Pérsico. A Arábia Saudita, que segundo a Al Mayadeen realizou mais de 100 ataques contra o Iêmen nos últimos três dias, ativou sirenes no sul do país, diante do risco de novas ofensivas.

… Outra frente da guerra também se intensificou, com ataques dos Houthis a instalações de energia da Arábia Saudita, que provocaram incêndios e interrupções nas operações e deixaram mais de 70 feridos. Entre os alvos esteve uma refinaria da Saudi Aramco em Jizan.

… A escalada levou o Brent a superar US$ 99 durante o pregão, antes de fechar a US$ 97,92 (+0,95%). O WTI avançou 1,69%, a US$ 93,03. O petróleo perto dos US$ 100 reacendeu os temores de inflação, pressionou os Treasuries e pesou sobre as bolsas de Nova York (abaixo).

 A nova troca de ataques e a ameaça iraniana contra petroleiros no Kuwait e no Bahrein, após o fechamento, ampliavam os ganhos do petróleo no eletrônico. O Brent avançava 1,43%, a US$ 99,32, enquanto o WTI subia 1,60%, a US$ 94,52, no início do pregão asiático.




… O BofA estima que o Brent poderá oscilar entre US$ 95 e US$ 120 se os conflitos persistirem até o fim do ano. O Goldman Sachs também admite preços de até US$ 120 caso a produção dos países do Golfo Pérsico permaneça 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis normais.




… Em Washington, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, minimizou o impacto inflacionário da energia e disse esperar oferta abundante de petróleo quando terminarem as guerras no Irã e na Ucrânia. Segundo ele, o pico dos preços de energia deve ser temporário.




… O presidente Donald Trump conversou ontem por uma hora com Vladimir Putin e, segundo o Kremlin, defendeu o fim rápido da guerra na Ucrânia como caminho para uma ampla retomada das relações entre os Estados Unidos e a Rússia.




… Paralelamente à ofensiva militar, Washington ampliou a pressão econômica sobre Teerã, impondo sanções a 36 empresas, companhias aéreas e prestadores de serviços ligados ao setor de aviação iraniano.




JUROS SOB PRESSÃO – O petróleo novamente perto dos US$ 100 aumenta a preocupação dos bancos centrais com a inflação.




… Nos Estados Unidos, o payroll mais forte do que o esperado elevou as apostas em uma alta dos juros pelo Fed já neste mês (dia 16). Para o Charles Schwab, a resistência do mercado de trabalho pode dar ao banco central maior espaço para apertar a política monetária.




… O próximo teste será a inflação, com o PPI amanhã e o CPI na sexta-feira.




… O mercado em Nova York também acompanha os leilões do Tesouro e aguarda hoje o anúncio do volume da recompra de Treasuries desta semana, depois de o Tesouro informar que dobraria, a partir de 9 de setembro, as recompras de títulos de prazos mais longos.




… Apesar do aumento das apostas em alta dos juros pelo Fed, o dólar perdeu força ontem. Para o Rabobank, as discussões sobre as recompras de títulos contribuíram para abalar a confiança na moeda, enquanto a valorização do iene ganhou força.




… No Japão, as expectativas de aperto pelo BoJ na semana que vem levaram o iene ao maior nível em seis meses diante do dólar, enquanto, na Europa, uma alta de 25 pontos-base é amplamente esperada na reunião do BCE de amanhã.




BRASIL DESCOLA – Aqui, nem o petróleo perto dos US$ 100 nem a perspectiva de um Fed mais hawk foram suficientes para interromper a festa do trade eleitoral, que ganhou força com as últimas pesquisas mostrando um cenário de empate entre Lula e Flávio Bolsonaro.


… O movimento tem características claramente domésticas. Desde o início de setembro, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, acumula alta de quase 9%, enquanto o EEM, ligado aos mercados emergentes, avança 2,3%.




… A Quaest mostrou Lula e Flávio empatados em 41% no 2º turno, enquanto a BTG/Nexus apontou 46% para o senador e 45% para o presidente.




… Nas pesquisas estaduais da Quaest divulgadas ontem à noite, Flávio lidera numericamente no segundo turno nos três maiores colégios eleitorais do País: em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.




… Em São Paulo, a vantagem de Flávio é de oito pontos (41% a 33%); no Rio, ele está seis pontos na frente (43% a 37%); em Minas, a diferença é de três pontos para o senador (40% a 37%). Pernambuco é a exceção, com Lula à frente por 57% a 26%.




… O mercado interpreta o avanço da oposição como aumento da probabilidade de uma política fiscal mais austera a partir de 2027. A reação foi especialmente forte nos juros longos, que caíram mais de 20 pontos-base, com os principais vencimentos abaixo de 14%.




… O comportamento da curva mostra que o mercado está reduzindo os prêmios para 2027 em diante. Enquanto o DI para janeiro de 2027 ficou praticamente estável, em 13,570%, o janeiro de 2031 caiu quase 20 pontos-base, para 13,905%.




… Já o dólar furou R$ 5,10 logo pela manhã, enquanto o Ibovespa chegou a flertar com os 190 mil pontos (leia mais abaixo).




MAIS PESQUISA – O trade eleitoral continuará sendo testado nos próximos dias. A AtlasIntel divulga amanhã uma nova pesquisa nacional, além de levantamentos estaduais, enquanto Datafolha e Veritá apresentam novas rodadas na sexta-feira.




CRISE VIRA CAMPANHA – A crise no STF virou combustível para a disputa presidencial, com Flávio colocando o confronto na Corte no centro de sua ofensiva contra Lula e Moraes, apesar de ele próprio continuar exposto pelas revelações sobre o financiamento de Dark Horse.




… O escândalo ganhou força depois que André Mendonça retirou o sigilo das mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, com diálogos que indicaram uma relação próxima entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes.




… A crise voltou a escalar quando Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF, que faziam apontamentos sobre a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias.




… Moraes usou o material para pedir a Fachin uma investigação sobre Mendonça e sua inclusão no inquérito das fake news.




… Ontem, Mendonça reagiu afastando preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, afirmando que a PF fez uma “arapongagem institucional”, com monitoramento sistemático e coleta dirigida sobre ele e Jorge Messias.




… A decisão foi levada à Segunda Turma, onde Mendonça, Nunes Marques – também indicado por Jair Bolsonaro – e Luiz Fux formaram maioria pela manutenção dos afastamentos. Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu a conclusão do julgamento, mas a liminar está valendo.




… Na PF, os 11 diretores do primeiro escalão divulgaram nota em apoio a Andrei e Almada e colocaram os cargos à disposição do substituto. O diretor-executivo William Murad, número 2 da corporação, assumiu interinamente o comando e saiu em defesa dos afastados.




… O governo reagiu por meio da AGU, que pediu a Fachin a suspensão da liminar, argumentando que Mendonça interferiu na prerrogativa do presidente da República e se antecipou a um procedimento já aberto pelo presidente do STF para apurar a divulgação dos relatórios.




NAS MÃOS DE FACHIN – Na última decisão da noite, Fachin deu 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o recurso da AGU. Depois da resposta, o processo voltará à Presidência do STF para análise. Fachin tenta assumir o controle da mais grave crise do Judiciário.




… Segundo o Estadão, ele cogita assumir a relatoria dos inquéritos do Master e do INSS, hoje com Mendonça, e encerrar o inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes há sete anos, numa tentativa de conter os dois polos do confronto.




… Interlocutores do presidente do STF avaliam que já não há espaço para um acordo e que as condutas de Mendonça e Moraes precisam ser investigadas. Uma das alternativas é levar as acusações ao plenário da Corte, em sessão pública.




… A pressão por uma resposta do Supremo aumentou também fora de Brasília.




… Mais de 2,5 mil entidades empresariais aderiram ao manifesto encampado pela Fiesp pedindo que o plenário examine publicamente os fatos. CNI, Anfavea e Associação Comercial de São Paulo estão entre as signatárias.




… Em outra iniciativa, OAB-SP e mais 25 entidades defenderam uma apuração transparente e propuseram uma reforma do Judiciário, com código de conduta, ampliação das hipóteses de impedimento e suspeição, mandato para ministros do STF e limites às decisões monocráticas.




… O impacto eleitoral já entrou no cálculo da própria Corte.




… No mesmo Estadão, pessoas próximas a Fachin avaliam que a crise fortaleceu o campo da direita nas manifestações de Sete de Setembro, que tiveram Moraes como principal alvo. Flávio, Cury, Renan, Caiado e Zema apoiaram ontem a decisão de Mendonça. Lula não comentou.




AGENDA VAZIA – Um discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, em jantar do Bundesbank, na Alemanha (14h), é o único destaque lá fora, enquanto no Brasil a FGV divulga (8h) o primeiro IPC-S Capitais de setembro e o BC, o IC-Br de agosto e o fluxo cambial semanal (14h30).




… Entre os destaques corporativos, a Apple realiza às 14h (de Brasília) em Nova York seu evento anual de lançamento de produtos, com novos iPhones no centro das atenções e expectativa sobre um possível modelo dobrável.




CHINA HOJE – A inflação ao consumidor (CPI) subiu 0,8% em agosto contra igual mês do ano anterior, em linha com a expectativa. Já o índice de preços ao produtor (PPI) teve alta anual de 3,8%, acima da projeção de 3,2%.




NA COLA – A crise no STF pega fogo, rende dividendos políticos à candidatura de Flávio nas pesquisas eleitorais e o mercado surfa na esperança de vitória da chapa à direita, associada a uma maior disciplina fiscal e controle de gastos.




… O dólar furou R$ 5,10 ontem e chegou a rodar na faixa de R$ 5,07 no piso intraday, os juros futuros longos afundaram mais de 20 pontos e operaram abaixo de 14%, e o Ibovespa rompeu os 189 mil pontos na máxima.




… O índice à vista chegou até os 189.488 pontos no auge do otimismo, pela manhã, com todo o jeito de que quer buscar os 190 mil pontos, agora que ninguém está mais conseguindo segurar a euforia com o trade eleitoral.




… Segundo reportagem do Valor, a aposta em um rali depois das eleições leva as posições em opções de EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em NY, ao maior nível desde 2007: chegou a 5,2 milhões na sexta-feira.




… Em outra pista da animação do momento com o Brasil, o BofA elevou ontem a recomendação para as ações brasileiras de marketweight (exposição na média do mercado, equivalente a neutra) para overweight (compra).




… A decisão ocorre na esteira da desaceleração da atividade econômica e da inflação menor, que permitiriam um ciclo de afrouxamento monetário mais profundo. O banco reduziu a projeção da Selic de 2027 de 12,75% a 11,25%.




… O ajuste radical promovido na estimativa é bem inferior à mediana das apostas no boletim Focus, de 12%.




… Na volta do feriado, além de a bolsa ter operado embalada pela chance de derrota de Lula, contou com o estímulo extra da alta do petróleo, que puxou a Petrobras: ON ganhou 2,36%, a R$ 53,24, e PN subiu 2,08%, para R$ 48,09.




… No fechamento, o Ibovespa marcou 187.366,84 pontos, com alta de 1,20% e giro de R$ 21,2 bilhões.




… A Vale também avançou (+0,51%, a R$ 79,02), embora em menor intensidade frente ao minério de ferro (+1,36%).




… Os bancos terminaram majoritariamente no azul: Bradesco PN, +1,79% (R$ 18,22); Itaú PN, +1,22% (R$ 42,43); BB, +0,36% (R$ 22,60); e BTG unit, +2,18% (R$ 60,53). A exceção foi Santander unit, com leve perda de 0,13% (R$ 30,39).




BEM NA FITA – Assim como a bolsa, o real operou turbinado pela nova rodada de pesquisas eleitorais e pelo petróleo. A moeda brasileira ostentou a segunda melhor colocação entre as 33 divisas mais líquidas do mundo.




… Perdeu só para o peso chileno, que foi impulsionado pelo recorde histórico do cobre, a US$ 6,8235 a libra-peso na Comex, em alta de 2,11%, diante da oferta global mais apertada, estoques reduzidos e temores com o tarifaço.




… Abaixo de R$ 5,10, o dólar à vista fechou em baixa de 0,88%, a R$ 5,0858, após tocar R$ 5,0712 na mínima.




… Depois do fechamento, o BC anunciou o chamado “casadão” para quinta-feira, com a venda de dólares no mercado à vista conjugada com a compra de dólares no mercado futuro por meio da realização de swap reverso.




… A operação pode aceitar oferta de até US$ 1 bilhão. Ao longo desta terça-feira, o Valor apontou que operadores chamaram atenção para a piora no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do à vista.




… O spread é uma espécie de termômetro da liquidez e rodou acima de 1,5%, considerado indício de estresse. Um gestor comentou que setembro encerra trimestre e é comum maior pressão por conta de fluxos sazonais de saída.




… Driblando a aversão a risco externa, os juros futuros voltaram a desarmar prêmio de risco com a chance de vitória da oposição. O contrato de DI para Jan/31 veio abaixo de 14% e mergulhou para 13,905% (de 14,096% na quinta).




… Jan/29 despencou para 13,715% (de 13,855% no pregão anterior) e Jan/33, para 14,015% (contra 14,221%). O contrato para janeiro de 2027 marcou 13,575% (de 13,571% no ajuste anterior) e Jan/28, 13,520% (contra 13,582%).




… No boletim Focus, os economistas aumentaram a previsão do PIB deste ano pela primeira vez em mais de dois meses, de 1,92% para 1,93%, e reduziram a da inflação pela segunda semana consecutiva, de 5,01% para 5%.




… Mas o resultado continua estourando o teto da meta fixada pelo BC, de 4,5%.




O TIMING HAWKISH – Primeiro foi Kevin Warsh falando duro contra a inflação em Jackson Hole, depois foi o payroll forte e agora é o petróleo perto dos US$ 100 que redobra a expectativa pelo resultado do CPI na sexta-feira.




… Na defensiva, as taxas dos Treasuries sobem, enquanto a aposta principal para o Fed deste mês volta a ser de alta do juro. O yield da Note de dois anos avançou a 4,393% (de 4,372%) e o de dez anos, a 4,792% (de 4,781%).




… Segundo o holandês Rabobank, o anúncio de intervenção de Bessent nos Treasuries parece ter minado a confiança no dólar e tem desencadeado debate sobre a desvalorização da moeda. Ontem, o DXY caiu 0,39%, a 98,787 pontos.




… O movimento de queda aconteceu, apesar de a chance de um Fed mais conservador estar no radar.




… Um segundo fator (além da atuação do Tesouro nos Treasuries) que, segundo o banco, afeta o sentimento no câmbio diz respeito à especulação do mercado sobre se houve, finalmente, uma mudança estrutural no iene.




… “Isso tem implicações para as visões de longa data sobre o carry trade e também sobre a possibilidade de investidores japoneses se sentirem menos incentivados a manter ativos estrangeiros, incluindo Treasuries.”




… A perspectiva de um ciclo de aperto mais rápido pelo BoJ levou o iene a renovar ontem seu maior nível em seis meses, a 153,94 por dólar, alta de 0,26%. O euro (US$ 1,1629) e a libra esterlina (US$ 1,3544) operaram estáveis.




… Apesar das pressões atuais, o presidente do BC inglês, Andrew Bailey, contesta a tese de que uma alta dos juros seria inevitável. “Quero dissipar a ideia de que sabemos para onde vamos e de que isso é incondicional”, disse.




… Seja como for, o mercado sabe que a nova escalada dos preços de energia causa desconforto aos BCs.




… O novo choque do petróleo resgata os receios inflacionários e assusta as bolsas em Nova York. O Dow Jones caiu 1,18%, a 52.786,07 pontos; S&P 500 recuou 0,58%, a 7.673,52 pontos; e Nasdaq perdeu 0,32%, a 26.421,41 pontos.




CIAS ABERTAS NO AFTER – EMBRAER alertou que a regulamentação do Imposto Seletivo pode elevar em cerca de 6,5% o custo de aquisição de aeronaves no Brasil, caso não sejam preservados os atuais benefícios tributários.




ANAC autorizou conclusão de voos em Congonhas após as 23h em situações excepcionais, sem permitir novos voos regulares fora do horário.




HYPERA fará emissão de R$ 1,35 bilhão em debêntures, com prazo de cinco anos e remuneração de DI + 0,72%. Recursos serão usados para recompra ou pré-pagamento de dívidas.




COPASA passou a integrar pela primeira vez o IBrX 50, índice que reúne 50 dos ativos de maior negociabilidade da B3. Companhia já havia entrado no Ibovespa em janeiro.




BANRISUL pagará R$ 90 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,22006263 por ação. Pagamento será em 28/9, com papéis negociados “ex” a partir de 14/9.




AXIA. BlackRock passou a deter 4,93% das ações ON e 4,06% das PNC da companhia.




ANEEL aprovou antecipação de R$ 308,4 milhões da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para formação de estoques de combustível no Amazonas, diante do risco de estiagem com o El Niño.




PETRORECONCAVO produziu média de 23,8 mil barris de óleo equivalente por dia em agosto, estável ante julho. Ativo Potiguar caiu 1,5%, enquanto Bahia avançou 2,1%.




AZZAS 2154 confirmou contatos com potenciais interessados nos ativos da Farm Rio, mas disse não ter recebido proposta vinculante nem tomado decisão sobre eventual operação.




GRUPO MATEUS encerrou programa de recompra após adquirir 5 milhões de ações ON. Papéis serão destinados a programas de remuneração de longo prazo.




MARABRAZ pediu à Justiça proteção de 180 dias contra cobranças de credores e liberação de recursos bloqueados enquanto aguarda análise do pedido de recuperação judicial.




VULCABRAS. Real Investor e Guepardo elevaram participações para 5,14% e 5,11% do capital, respectivamente, ultrapassando individualmente a fatia de 5%.




IOCHPE-MAXION. Charles River reduziu participação de 10,02% para 9,95% do capital, equivalente a cerca de 15,3 milhões de ações ON.




TENDA oficializou Marcos Cruz como CEO após três meses de transição, substituindo Rodrigo Osmo, que seguirá à frente da Alea até o primeiro semestre de 2027.




ENJOEI. Acionistas aprovaram grupamento das ações na proporção de 10 para 1, reduzindo o total de papéis de 205 milhões para cerca de 20,5 milhões.

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal

NY -0,6% US tech -0,1% US Semis +1,3% UE +0,1% Espanha -0,1% VIX +2,7%. Bund 3,37% T-Note 4,79%. Spread 2A-10A USA=+39,2pb B10A: ESP 3,80% PT 3,70% ITA 4,18% FRA 4,24%. Euribor 12m 3,12% (fut.12m 3,37%). USD 1,162. JPY 178,2. Ouro 4.400,78$. Brent 98,84$. WTI 93,82$. Bitcoin -0,96% (78.942$). Ether -0,46% (2.497$).

HOJE: Nova escalada da tensão no Estreito de Ormuz, com ataques a petrolíferos, o que aproxima o preço do petróleo bruto à barreira psicológica dos 100 $/barril. Os EUA destruíram 5 petrolíferos em resposta a ataques sobre a sua frota.

No lado empresarial, o nome de hoje é Inditex, que anunciou resultados do 2T 2026 fiscal abaixo do esperado em crescimento de margens e EPS (+BPA +8% a/a vs. +12% esperado).

Finalmente, na macro na Ásia, novamente bons dados no Japão. O Tankan Industrial de setembro melhor do que o esperado junta-se à revisão em alta de ontem do PIB 2T (+1,4% t/t anualizado), mantém a expetativa de que o BoJ suba taxa de juros em +25 p.b. na próxima reunião. O yen continua com tendência de fortalecimento. Na China, o IPC aumenta +0,8% a/a, em linha com o esperado e Preços Industriais +3,8% a/a, ligeiramente acima do esperado.

Em suma, sessão em “compasso de espera”, com tendência em baixa perante a escalada de tensão geoestratégica; até à reunião do BCE (amanhã), que pode confirmar a segunda subida de taxas de juros do ano (para 2,50% / 2,65%) e a inflação americana de sexta-feira, determinante para a Fed (16 set.).

INFLAÇÃO

 


terça-feira, 8 de setembro de 2026

UM BREVE RESUMO SOBRE A ARGENTINA


O que era pra ser um episódio no Market Makers para entender o que está acontecendo na Argentina tornou-se uma verdadeira aula sobre a história do país. Porque para entender a Argentina de hoje, é preciso olhar pra trás.

Fabio Giambiagi e José Carlos Carvalho foram os professores dessa imersão, cuja 1ª parada foi em 1973, o ano em que Perón volta do exílio depois de 18 anos fora.

Ele volta como messias, com 60% dos votos, mas envelhecido, sem entender o país que tinha deixado quase duas décadas antes. E volta pra um país já rachado entre extrema esquerda guerrilheira e extrema direita fascistoide, ambas achando que tinham a bênção dele.

Giambiagi (argentino de nascença) tinha 11 anos quando foi buscar o avião de Perón no aeroporto de Ezeiza, em 1973, com mais de um milhão de pessoas no mesmo campo. Os dois grupos começaram a se matar entre si. Entre 200 e 300 mortos naquele dia. Perón fez um discurso à noite sem sequer mencionar o episódio. "Aquilo foi o sinal. Agora tá tudo liberado", resume Giambiagi.

Dali em diante foi ladeira abaixo. Perón assume, tenta um plano de controle de preços clássico, a inflação que rondava 30% ao ano dispara para 300% em poucos meses — o Rodrigazo de 1975, batizado em homenagem ao ministro da Economia da vez. Giambiagi tinha 13 anos e viu o dinheiro que os pais davam pra comprar figurinha evaporar de poder de compra. Foi o motivo, ele conta, de ter virado economista.

O golpe militar de 1976 é o capítulo mais sombrio. E aqui está um dos pontos mais importantes do episódio: por que a ditadura argentina, mais sangrenta e mais curta que a brasileira, deixou uma cicatriz política tão mais profunda — a ponto de moldar até quem vence eleições 40 anos depois?

A resposta, segundo Giambiagi, passa pela apropriação política da bandeira dos direitos humanos. O casal Kirchner, ele argumenta sem meias palavras, escapou da repressão para a Patagônia nos anos 70 e construiu carreira lá, longe do risco — o que é absolutamente legítimo, ele faz questão de dizer. O problema é o que veio depois: ao chegar ao poder décadas mais tarde, o kirchnerismo se apresentou como a encarnação da luta pelos direitos humanos, enquanto outros, mais velhos ou da mesma geração, arriscaram a vida de verdade na resistência e foram apagados do relato.

É essa corrupção simbólica, na leitura de Giambiagi, que criou o terreno fértil para o oposto: um governo que hoje trata parte dessa história com um verniz de reabilitação — sem, segundo ele, reivindicar abertamente a ditadura, mas adotando uma linguagem que absolve.

Vindo até o presente: como um economista libertário radical, xingando adversários no rádio, ganha a eleição num país que supostamente rejeitou os extremos depois da ditadura?
A resposta dos dois convidados converge num único ponto: fadiga total.

Veja a conversa completa - e a avaliação deles sobre o governo Milei - neste link: https://lnkd.in/efwDU86C

CALL MATINAL

CALL MATINAL
08/09/2026
Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

No fechamento de sexta-feira, dia 05, o Ibovespa fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi. Já o dólar, por aqui, acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.

O mercado volta do feriado com uma combinação que exige atenção: petróleo perto dos US$ 100, juros pressionados e aumento do risco geopolítico. O comportamento do Brent será determinante. Uma permanência acima dos US$ 100 pode reforçar as expectativas de inflação e dificultar o trabalho dos bancos centrais. No Brasil, além do cenário externo, IPCA e eleições começam a ganhar peso crescente na formação dos preços dos ativos.

Foram acachapantes as manifestações ocorridas pelo Brasil, em especial, na Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. Isso muito me intriga sobre o potencial competitivo do lulo-petismo. Não conseguem encher uma praça. Como pode? Em paralelo, a situação do ministro do STF envolvido é insuportável, tendo até surgido um abaixo assinado de 13 ex-ministros condenando o ato em si. O que falta para ele pedir para sair? Cinicamente, continua se comportando como se fosse o “imperador do Buçaco”. Diante deste desgaste, a oposição a este governo cresce, por saber sim que o ministro “presta” serviços ao governo e seus asseclas. Isso desgasta, desgasta e desgasta.

Em pesquisas recentes, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois (41%). Se Lula continuar querendo passar pano para esta constrangedora situação, não será surpresa se o candidato bolsonarista o ultrapassar nas pesquisas.

Nos mercados, o retorno do feriado no Brasil e em NY trás mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre EUA e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta.

Absurdos...

Eu não voto, anulo sempre. Mas como negar os fatos do poder de mobilização da direita, contra zero da esquerda? Isso se define pelo "anti-petismo", pelo sentimento de cansaço, de querer se livrar desta corja. E nada tem a ver com bolsonarismo, mas sim com a mobilização da sociedade contra esta canalhada, ineficiente ao extremo na manutenção da máquina pública, na gestão governamental, só servindo para se locupletar. As manifestações de 7 de setembro são a demonstração cabal de que existe safadeza no transcurso das apurações eleitorais, das pesquisas como um todo. O PT não consegue encher uma praça!!! E aí me vêm estas pesquisas mostrando Lula na frente??? A quem querem enganar ???

BDM Matinal Riscala

Bom dia Mercado

*Rosa Riscala: Brent perto de US$ 100 e Quaest na volta do feriado*

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois

… Os mercados voltam do feriado no Brasil e em Nova York com mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta, enquanto nova pesquisa Quaest esquenta a campanha eleitoral, com empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro, em meio à crise no STF, que ganhou força como tema dos candidatos.

QUAEST EMPATA – Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno na nova Quaest, no primeiro empate numérico entre os dois. A vantagem de Lula, que chegou a oito pontos em julho e havia caído para apenas um na rodada anterior, desapareceu.




… No primeiro turno, Lula oscilou de 37% para 36%, Flávio permaneceu em 29% e Augusto Cury (Avante) recuou de 10% para 8%. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.




… A pesquisa, divulgada no feriado, deve manter vivo o trade eleitoral que levou os ativos brasileiros a um forte rali na semana passada.




… Este é o primeiro levantamento inteiramente realizado após a escalada da crise no STF, que, segundo analistas políticos, estaria prejudicando mais a campanha petista, com as revelações de mensagens inéditas ligando Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro.




… A pesquisa da Quaest trouxe ainda uma piora na avaliação do governo.




… A aprovação de Lula caiu de 45% para 43%, enquanto a desaprovação subiu de 48% para 50%. Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro, o saldo negativo, que chegou a um ponto no início de agosto, agora é de sete pontos.




… A rejeição aos dois principais candidatos segue elevada: 55% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 53% rejeitam Lula, porcentuais estáveis em relação à rodada anterior. Já Cury perdeu força como opção de terceira via entre os independentes.




FORA LULA, FORA MORAES – A crise no Supremo dominou o ato de 7 de Setembro organizado pela campanha de Flávio na Avenida Paulista. Manifestantes levaram faixas com “Fora Moraes” e “Fora Lula” e bonecos infláveis de Donald Trump e André Mendonça.




… Flávio Bolsonaro associou diretamente Lula a Alexandre de Moraes, disse que quem vota no presidente também vota no ministro – que é o inimigo nº 1 do bolsonarismo – e prometeu acabar, caso seja eleito, com o que chamou de “consórcio” entre os dois.




… Em tom de confronto, afirmou que indicará cinco ministros ao STF porque Moraes “cairá” e prometeu “resgatar a credibilidade” do Judiciário.




… O candidato comparou-se ao pai, Jair Bolsonaro, afirmou que eventuais tentativas de interferência na eleição “não vão dar certo”, disse temer uma “terceira facada” contra ele e aliados e contou que faz campanha usando colete à prova de balas.




… Flávio participou da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, o ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, 32,5% menos do que no 7 de Setembro do ano passado.




UNIÃO NA FOTO – Já Lula tentou transformar o 7 de Setembro numa demonstração de união institucional em meio à escalada da crise no STF. A pedido do presidente, Edson Fachin e Davi Alcolumbre compareceram ao desfile em Brasília e dividiram a tribuna de honra com Hugo Motta.




… O esforço de Lula, porém, não apagou o constrangimento. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da AGU, Jorge Messias, que vêm se desentendendo desde as novas revelações do caso Master, ficaram na mesma tribuna, mas nem se cumprimentaram.




… Dos ministros do STF, apenas o presidente, Edson Fachin, compareceu.




… Na véspera, Messias havia reagido a comentários de Andrei nos bastidores de que a AGU evitava contestar determinações “absurdas” de André Mendonça por causa da amizade entre os dois, afirmando que a função pública não pode se orientar por “circunstâncias pessoais”.




… A Secom estimou em 70 mil pessoas o público na Esplanada, onde apoiadores entoaram “fim da 6×1”.




SOBERANIA – O slogan oficial das comemorações foi “Soberania, a força que une o Brasil”, destacado no pronunciamento do presidente em rede nacional para mandar recados aos Estados Unidos e reforçar um dos eixos de sua campanha à reeleição.




… “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, afirmou, em reação às pressões do governo Trump.




… Lula incluiu na defesa da soberania as terras raras, os minerais críticos, o petróleo da Margem Equatorial e as reservas de água doce, dizendo que essas riquezas devem servir para produzir tecnologia, riqueza e empregos no Brasil.




… Defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum governante estrangeiro pode determinar de quem o País compra ou para quem vende.




STF LEVA CRISE AO PLENÁRIO – André Mendonça liberou para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal o caso do relatório da PF que revelou as mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.




… O presidente Edson Fachin ainda não marcou a data, mas a iniciativa abre caminho para que a maior crise recente da Corte deixe de ser administrada apenas nos bastidores e obrigue os ministros a se posicionarem.




… Fachin havia tentado enquadrar a guerra na sexta-feira, ao impedir Moraes de usar o inquérito das fake news para investigar Mendonça e reunir no mesmo procedimento as suspeitas contra os dois ministros.




… Pediu explicações a Moraes, Mendonça, PGR e PF e sinalizou que pretende dar tratamento conjunto aos casos.




… A trégua, porém, não veio. Flávio Dino criticou publicamente a possibilidade de encerrar o inquérito das fake news, uma das bandeiras de Fachin para desescalar a crise, enquanto relatos indicam que Mendonça está praticamente isolado entre os colegas.




… Gilmar Mendes e Flávio Dino estariam entre os mais distantes do ministro; Luís Fux e Nunes Marques permanecem mais próximos.




… Também aumentaram os questionamentos sobre o material usado por Moraes para pedir a investigação de Mendonça.




… A associação dos delegados da PF classificou como “totalmente irregular” o uso de um relatório produzido para consumo interno e sem valor probatório, enquanto a inteligência da Abin afirmou que o documento não segue os parâmetros metodológicos da atividade.




… A tensão aumentou com a revelação de que Andrei entregou a Moraes seis relatórios de inteligência produzidos sobre André Mendonça.




… A associação dos delegados também pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido nas apurações relacionadas ao material de Daniel Vorcaro, já que o próprio PGR aparece nas mensagens que tiveram o sigilo levantado por Mendonça.




… A crise começa ainda a mobilizar o setor privado. Empresários e executivos de grandes companhias e do mercado financeiro se reúnem na quarta-feira com juristas para discutir propostas de uma reforma institucional. São esperados de 50 a 60 participantes.




PETRÓLEO COMPLICA O FED – O petróleo voltou a se aproximar dos US$ 100 durante o feriado, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e aos sinais de que a crise no Estreito de Ormuz começa a atingir efetivamente o fluxo de cargas.




… O Brent chegou a US$ 98,06 pela manhã, maior nível desde 3 de junho, e fechou em Londres a US$ 97,00. A pressão aumentou também com relatos de um novo ataque às instalações da Saudi Aramco em Jizan, perto da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.




… No fim de semana, os Estados Unidos atingiram três petroleiros iranianos em resposta ao lançamento de mísseis contra navios da Marinha americana. Teerã afirmou depois ter atacado uma embarcação militar não tripulada dos EUA em Ormuz.




… A versão foi negada pelo Comando Central americano, mas o Irã prometeu respostas “mais rápidas, pesadas e dolorosas” a novas ofensivas.




… O maior risco continua concentrado em Ormuz. O Irã anunciou que criará uma nova zona restrita nas proximidades do estreito e advertiu que embarcações que utilizarem o corredor apoiado pelos Estados Unidos estarão sujeitas a ataques.




… Teerã também ameaçou países que participarem militarmente de operações na região.




… Os efeitos já aparecem no tráfego. As travessias por Ormuz caíram 28% na última semana, para 77, enquanto os carregamentos recuaram de 45 para 33. Entre os dias 4 e 6, 21 das 28 travessias utilizaram o esquema de navegação imposto unilateralmente pelo Irã.




… No domingo, a Opep+ manteve inalterada a produção em outubro, mas a guerra reduz a capacidade do cartel de influenciar os preços.




MAIS HAWKISH – A nova pressão do petróleo chega quando o payroll forte de agosto virou novamente as apostas para o Fed deste mês.




… Divulgado na sexta-feira, o relatório apontou que os Estados Unidos criaram 162 mil vagas, acima do teto das projeções do Broadcast, de 125 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% e o salário médio por hora trabalhada avançou 0,3%.




… Durante o feriado, as apostas em alta de 25 pontos-base em setembro foram ampliadas para 60,4%, contra 39,6% de chance de manutenção. O movimento praticamente desfez a reviravolta provocada na véspera pelas declarações de Christopher Waller.




… Beth Hammack, do Fed de Cleveland, reforçou a ala hawkish ao afirmar que a política monetária não está restritiva e que a inflação continua alta demais. Em sentido contrário, Trump e integrantes do governo voltaram a pressionar por juros menores.




… O ING avalia que o payroll reforçou o argumento a favor de uma alta, mas que a decisão ainda depende da inflação.




… E é justamente aí que petróleo e Fed voltam a se encontrar.




… O BofA espera a primeira alta dos preços de energia no CPI em três meses, enquanto o diesel nos Estados Unidos atingiu US$ 5,85 por galão. A virada levou a UBS a rever a projeção de juros estáveis até o fim do ano. O banco agora prevê duas altas de 25pbs, em setembro e dezembro.




CPI – A expectativa agora é para o CPI de agosto, principal indicador da semana, que sai na sexta-feira e será o último teste antes da decisão do Fed, nos dias 15 e 16. Em julho, o índice subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente.




… Antes, na quinta-feira, o PPI deve mostrar nova aceleração da inflação ao produtor. A mediana das projeções é de alta de 0,4% no mês e 5,4% em 12 meses, ante estabilidade e 4,7% em julho. Para o núcleo, são esperados 0,3% e 4,6%, respectivamente.




… Ainda na sexta-feira, junto com o CPI, também são importantes a leitura preliminar de setembro da confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan. A mediana para o índice é de 52,5, ante 51,7 em agosto.




BCE – A decisão do Banco Central Europeu é outro destaque da semana internacional, na quinta-feira, com ampla expectativa de alta de 25pbs, para 2,50%, diante do avanço da inflação e das pressões provocadas pela energia.




… Pesquisa da Reuters com 65 economistas aponta que este deve ser o segundo e último aumento dos juros neste ciclo, mas o Deutsche Bank passou a prever mais uma alta de 25pbs em dezembro, levando a taxa a 2,75%.




… Christine Lagarde concede entrevista coletiva após a decisão, quando as atenções estarão voltadas às sinalizações sobre os próximos passos.




… A agenda de bancos centrais inclui ainda decisões no Chile, na terça-feira, Turquia e Peru, na quinta, e Rússia, na sexta-feira.




CHINA – As exportações tiveram alta anualizada de 25% em agosto, abaixo da expectativa de 27,3%. Já as importações avançaram 28,2% e frustraram o consenso de 29%.




… A balança acumulou superávit comercial de US$ 119,1 bilhões, menor do que a projeção de US$ 127,1 bilhões.




… Hoje à noite, saem o CPI e PPI. As projeções apontam para inflação ao consumidor de 0,8% em 12 meses e alta de 3,2% nos preços ao produtor.




JAPÃO – A economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre contra os três meses anteriores, acima da estimativa preliminar (0,5%). Em ritmo anualizado, o PIB real avançou 1,4%, em linha com a leitura preliminar.




NO BRASIL – O destaque da semana também é a inflação, com o IPCA de agosto, na sexta-feira. Em julho, a inflação subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses. Já hoje (8h) sai o IGP-DI de agosto, que deve voltar ao campo positivo com a alta dos agropecuários.




… A mediana do Broadcast é de alta de 0,03%, após queda de 0,86% em julho. Em 12 meses, o IGP-DI deve desacelerar de 2,77% para 2,59%.




… Também na agenda doméstica, o IBGE divulga na quinta-feira o volume de serviços de julho, após estabilidade em junho.




NY NO FERIADO – A estrela foi o iene, que subiu para 154,38 por dólar, superando o pico cravado desde a atuação conjunta dos governos do Japão e Estados Unidos. O gatilho de alta vem da perspectiva de que o BoJ acelere o passo.




… Na noite de ontem, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que a ação coordenada terá continuidade, em um momento em que a moeda japonesa se valoriza, após um longo período de fraqueza.




… O euro subiu para US$ 1,1623, em contagem regressiva para um aumento do juro pelo BCE esta semana, e a libra avançou a US$ 1,3541. O índice DXY exibiu queda de 0,25%, a 98,926 pontos, na sessão limitada pelo feriado.




… O dólar devolveu o que havia subido na sexta-feira do payroll quase três vezes maior do que o esperado. Naquele pregão, por aqui, a moeda norte-americana acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.




… Apesar da alta no dia, o dólar acumulou queda de 1,26% na semana passada, refletindo o maior apetite por risco dos investidores com o trade eleitoral, após as últimas pesquisas mostrarem acirramento da disputa à Presidência.




… Embalados pelo otimismo com o quadro de empate técnico, os juros futuros recuaram, ainda que o alívio tenha sido limitado pela alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries com o payroll que pegou todo mundo de surpresa.




… Mais sensível às decisões de política monetária, a taxa da Note de dois anos subiu 4,372%, de 4,342%, com o emprego reacendendo a chance de alta dos juros pelo Fed neste mês e agitando a expectativa para a inflação.




… O aperto monetário de volta à mesa roubou fôlego das bolsas em Nova York. O Dow Jones caiu 0,51%, para 53.414,25 pontos; o S&P 500 recuou 0,38%, para 7.718,60 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,29%, a 26.506,99 pontos.




… A cautela em Nova York zerou os ganhos do Ibovespa, que ainda preferiu assumir uma postura defensiva antes do final de semana prolongado, especialmente diante das potenciais novidades eleitorais e das incertezas geopolíticas.




… O índice à vista da bolsa doméstica fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi.




… Petrobras ignorou a leve alta do petróleo e a notícia sobre a licença recebida do Ibama para a companhia perfurar mais três poços em bloco da Margem Equatorial. ON caiu 1,08%, a R$ 52,01, e PN recuou 0,95%, para R$ 74,11.




… Vale ganhou só 0,22% (R$ 78,62), bem menos do que o minério (+1,04%). Entre os bancos, Itaú PN (R$ 41,92) e Santander unit (-0,03%, R$ 30,43) fecharam estáveis. Bradesco PN subiu 0,62% (R$ 17,90) e BB, +0,31% (R$ 22,52).




… A gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, informou na carta mensal de agosto, divulgada na sexta-feira, que aumentou a exposição à renda variável no Brasil, diante das evidências de uma disputa eleitoral mais competitiva.

CIAS ABERTAS NO AFTER – VIBRA aprovou a 11ª emissão de debêntures, de R$ 1,4 bilhão. Parte da operação servirá para troca de dívidas e parte para reforço de capital de giro e fins corporativos gerais.

SANTANDER BRASIL. Ativa retomou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 por unit, potencial de valorização de 8,4% sobre o fechamento de sexta-feira.

AZZAS 2154. S&P rebaixou rating de brAA+ para brAA e colocou a nota em CreditWatch negativo, após anúncio da separação de Arezzo&Co, Soma e Farm.

CVC aprovou a sétima emissão de debêntures, de até R$ 450 milhões. Operação será feita por troca de títulos já existentes, sem entrada de novos recursos no caixa da companhia.

MOVIDA. Moody’s Local reafirmou rating AA+br e manteve perspectiva estável, citando posição competitiva, rentabilidade e controle da alavancagem, apesar do fluxo de caixa livre ainda negativo.

ENEL SP voltou a pedir à Aneel a nulidade do processo sobre a caducidade da concessão e defendeu seu arquivamento. Agência mantém avaliação favorável à recomendação de caducidade.


GPS concluiu a aquisição de 100% da Uniflex, empresa de catering, após o cumprimento das condições precedentes previstas para a operação anunciada em junho.

Augusto de Franco

Democracia não é só haver eleições. Augusto de Franco estuda há anos e escreveu Como Nascem as Democracias, postou: "Há um razoável con...