Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
UM BREVE RESUMO SOBRE A ARGENTINA
O que era pra ser um episódio no Market Makers para entender o que está acontecendo na Argentina tornou-se uma verdadeira aula sobre a história do país. Porque para entender a Argentina de hoje, é preciso olhar pra trás.
Fabio Giambiagi e José Carlos Carvalho foram os professores dessa imersão, cuja 1ª parada foi em 1973, o ano em que Perón volta do exílio depois de 18 anos fora.
Ele volta como messias, com 60% dos votos, mas envelhecido, sem entender o país que tinha deixado quase duas décadas antes. E volta pra um país já rachado entre extrema esquerda guerrilheira e extrema direita fascistoide, ambas achando que tinham a bênção dele.
Giambiagi (argentino de nascença) tinha 11 anos quando foi buscar o avião de Perón no aeroporto de Ezeiza, em 1973, com mais de um milhão de pessoas no mesmo campo. Os dois grupos começaram a se matar entre si. Entre 200 e 300 mortos naquele dia. Perón fez um discurso à noite sem sequer mencionar o episódio. "Aquilo foi o sinal. Agora tá tudo liberado", resume Giambiagi.
Dali em diante foi ladeira abaixo. Perón assume, tenta um plano de controle de preços clássico, a inflação que rondava 30% ao ano dispara para 300% em poucos meses — o Rodrigazo de 1975, batizado em homenagem ao ministro da Economia da vez. Giambiagi tinha 13 anos e viu o dinheiro que os pais davam pra comprar figurinha evaporar de poder de compra. Foi o motivo, ele conta, de ter virado economista.
O golpe militar de 1976 é o capítulo mais sombrio. E aqui está um dos pontos mais importantes do episódio: por que a ditadura argentina, mais sangrenta e mais curta que a brasileira, deixou uma cicatriz política tão mais profunda — a ponto de moldar até quem vence eleições 40 anos depois?
A resposta, segundo Giambiagi, passa pela apropriação política da bandeira dos direitos humanos. O casal Kirchner, ele argumenta sem meias palavras, escapou da repressão para a Patagônia nos anos 70 e construiu carreira lá, longe do risco — o que é absolutamente legítimo, ele faz questão de dizer. O problema é o que veio depois: ao chegar ao poder décadas mais tarde, o kirchnerismo se apresentou como a encarnação da luta pelos direitos humanos, enquanto outros, mais velhos ou da mesma geração, arriscaram a vida de verdade na resistência e foram apagados do relato.
É essa corrupção simbólica, na leitura de Giambiagi, que criou o terreno fértil para o oposto: um governo que hoje trata parte dessa história com um verniz de reabilitação — sem, segundo ele, reivindicar abertamente a ditadura, mas adotando uma linguagem que absolve.
Vindo até o presente: como um economista libertário radical, xingando adversários no rádio, ganha a eleição num país que supostamente rejeitou os extremos depois da ditadura?
A resposta dos dois convidados converge num único ponto: fadiga total.
Veja a conversa completa - e a avaliação deles sobre o governo Milei - neste link: https://lnkd.in/efwDU86C
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