terça-feira, 4 de agosto de 2026

Chico Graziano

Fundada em 1927 por imigrantes japoneses, a Cooperativa Agrícola de Cotia foi uma das entidades pioneiras na comercialização de batatas, legumes e frutas no Brasil. Entre seus protagonistas se encontra Américo Utumi.


Com formação em direito pelo Largo do São Francisco (USP), desde os 18 anos o nissei Américo Utumi trabalhava como auxiliar de escritório na Cooperativa de Cotia, onde permaneceu por 40 anos (de 1952 a 1992). Chegou a ser vice-presidente. Empolgante, atencioso, querido, seu carisma o guindou a cargos de representação no movimento cooperativista, brasileiro e mundial. Tornou-se, mais que amigo, um braço direito de Roberto Rodrigues, o grande líder do setor, que presidiu a Aliança Cooperativa Internacional.


Fizeram a unificação do sistema e elaboraram, junto com tantos outros idealistas, a Lei Nacional do Cooperativismo (Lei 5.764 de 1971), marco legal vigente.


Fruto de sua destacada atuação, Américo Utumi foi eleito presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo, cumprindo 3 mandatos, de 1981 a 1993. Nessa época o conheci, precisamente em setembro de 1993, quando trabalhava no Ministério da Fazenda, em São Paulo, auxiliando Fernando Henrique Cardoso na articulação do Plano Real junto à agropecuária.


A estabilização da economia brasileira seria doída para os agentes produtivos que estavam endividados. Era o caso da Cooperativa de Cotia.

Américo Utumi me orientou, aconselhou, demonstrando uma virtude muito própria da cultura japonesa, mas rara por aqui: rigidez moral. Frente aos indícios de desvios e fraudes, ele não titubeou em endossar uma espécie de intervenção. A Cooperativa de Cotia estava falida. É triste, mas essa é a história final de uma cooperativa agrícola exemplar, que chegou a ser a maior da América Latina. Sua atuação estimulou a formação de tantas outras, significando muito para o desenvolvimento da horticultura e da fruticultura nacionais. Foram fundamentais também para o desenvolvimento do agro no cerrado, a partir da colonização em são Gotardo (MG).

Américo Utumi morreu em 1º de agosto, aos 92 anos. Deixou-nos seu exemplo. Seu sonho o torna inesquecível.

Leia o artigo completo.
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