domingo, 4 de outubro de 2026

Marcelo Guterman

 Esse post foi escrito, mais ou menos como está a seguir, no dia 15/09, após aquele espetáculo circense que presenciamos no STF. Decidi não publica-lo no dia, deixando-o dormir na gaveta para amadurecer a ideia ou, quem sabe, esquecê-la. O gol de mão do STF/TSE no caso do debate da Globo, no entanto, foi a gota d’água que me fez, finalmente, tomar a decisão de publicá-lo. Aí está, portanto. Divirtam-se.


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Na véspera do 2o turno de 2022, escrevi um post explicando o meu voto em Jair Bolsonaro (havia votado em Luis Felipe D’Ávila (Novo) no 1o turno). A minha linha de argumentação, à época, foi puramente econômica: dos dois modelos em disputa, minha avaliação pessoal é que a agenda do então presidente, por mais falhas que tivesse, era superior ao do desafiante. Já tínhamos experimentado o desastre petista na economia com a Dilma, e nunca caí no canto da sereia do pragmatismo de Lula.


Esta eleição de 2026, no entanto, é diferente. Se eu havia investido tempo e energia para desenvolver um racional para o meu voto, dessa vez o voto será com base em outro órgão do corpo humano que não o cérebro: o fígado. Meu voto, ainda no primeiro turno, será para Flavio Bolsonaro.


Deixe-me explicar não o racional do voto, mas a sua trajetória, do meu cérebro para o meu fígado, ao longo desses meses.


Tudo começou em dezembro do ano passado, quando Bolsonaro pai escolheu o 01 como seu candidato. Pensei: não vou ser refém dessa pantomima. Quem Jair Bolsonaro pensa que é, ao apontar um desqualificado como o seu filho, e achar que vou atrás sem pensar. Pela primeira vez na vida, pensei, vou anular meu voto para presidente no 2o turno.


E fiquei com essa escolha durante meses. Até que os episódios envolvendo os ministros do STF começaram a provocar em mim uma sensação dolorosa de impotência. Como pode ministros com as canetas mais poderosas do país fazerem o diabo e continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes? É isso então? São inimputáveis? Podem fazer o diabo, inclusive mudando regras na mão peluda, só para se protegerem e favorecerem o seu campo político?


Foi daí que, no início envergonhadamente, e depois descaradamente, uma ideia começou a tomar forma no meu fígado: não, não sou impotente. Tenho um instrumento que pode, se não dar um jeito, pelo menos dar uma lição nesse pessoal. E esse instrumento é o voto. É pouco, é quase nada, mas é melhor do que nada.


Eu sei que isso que eu vou falar agora é xadrez 4D, mas não deixa de ser divertido pensar que, talvez, Jair Bolsonaro tenha sido mais esperto do que pareceu a princípio ao escolher seu filho. Ele o escolheu não somente por ser da família, mas também por ser uma completa nulidade. Se Flávio ganha a eleição, a humilhação para Lula e sua trupe será completa. Imagine o incumbente, com a caneta de presidente na mão, com o apoio tácito do STF, ser derrotado pelo filho inepto de um cara que está na prisão? Impagável.


Fosse Tarcísio o candidato, a derrota de Lula faria parte do jogo. Tarcísio é extremamente inteligente, excelente administrador, teria o apoio maciço do Centrão a zero de jogo, enfim, seria um adversário à altura. Já Flávio, bem, a sua única credencial é ter o sobrenome Bolsonaro. Lembrando a antológica definição do general Mourão, se o sobrenome do Flávio fosse bananinha, provavelmente estaria agora em algum emprego obscuro por aí. Toda a sua carreira política foi feita na cola do pai, e sua performance no Senado foi pífia, para dizer o mínimo. Mas é justamente a sua desqualificação que o credencia não para ser presidente, mas para aplicar um corretivo em toda essa gente. É a própria definição do Cacareco.


Alguns dirão que é uma irresponsabilidade eleger alguém para o mais alto cargo da República justamente pela sua desqualificação. Ao que eu respondo: ultimamente, quando eu ouço a palavra “República”, tenho uma mistura de ataque de risos e náuseas. A República Brasileira já foi devidamente avacalhada, não será a eleição de um Bolsonaro que piorará o que não dá para ser pior. (Eu avisei no início que a decisão foi feita com o fígado).


Não vou pedir compreensão de ninguém para o meu voto.


Antibolsonaristas soltarão fogo pelas ventas, pois Bolsonaro é o diabo na terra. Para estes, só digo que quero mais é ver o parquinho pegando fogo.


Bolsonaristas soltarão rojões, cumprimentando-me pela minha escolha. Para estes, digo que estou escolhendo o candidato deles não porque seja o melhor, ou mesmo o menos pior, mas porque é o pior. Quanto mais ruim, mais feia e ridícula será a derrota desse sistema em torno de Lula.


Isentões, meus companheiros de jornada política, lamentarão, pois ambos os candidatos são péssimos, no que eu concordo e, racionalmente, o voto nulo seria mais adequado. Mas, lembrem-se, minha decisão foi feita com o fígado, não com o cérebro.


E se Lula ganhar? Bem, se Lula ganhar, ganhou. Sinceramente, I couldn’t care less. Eu terei feito a minha parte em tornar a sua vitória mais difícil e, de certa forma, humilhante, porque, lembre-se sempre, do outro lado está Flávio Bolsonaro, um nada. Uma vitória apertada já será uma derrota, muito pior que em 2022, quando do outro lado da disputa estava o presidente da República.


Não tenho a mínima ilusão de que Flávio fará um “bom governo” se eleito, ou que trabalhará para termos um Supremo decente. No final do dia, ele comerá na mão do sistema, como fez o seu pai. Mas não peçam coerência para o meu fígado. Meu voto visa tão somente a pequena satisfação de imaginar a cara de bunda do Gilmar Mendes no dia da apuração. Só isso.

OESP

Intolerável intolerância progressista

Editorial, O Estado de S. Paulo (01/10/2023)


Cada vez mais a esquerda iliberal se crê autorizada a empregar todo e qualquer meio, solapando a ordem jurídica e o processo democrático, para impor seus fins messiânicos


Está em curso uma campanha, em boa parte promovida pelos integrantes do Executivo, de discriminação e no limite criminalização das pautas de direita, como se a disputa entre progressistas e conservadores fosse uma batalha existencial da civilização contra a barbárie.


A pretensão do PT ao monopólio do bem e da verdade é constitutiva. Expoentes da direita sempre foram demonizados como “fascistas” e “inimigos do povo”. Mesmo a outros progressistas a oferta do partido se resume à vassalagem ou à apostasia. Toda crítica é desmoralizada como conspiração das “elites”. Ainda hoje o partido exige reparações pelo “golpe” do Legislativo e do Judiciário em Dilma Rousseff e por sua “perseguição política” a Lula e outros “guerreiros do povo brasileiro” flagrados em tramoias antirrepublicanas, como no mensalão e no petrolão.


O jihadismo esquerdista encabeçado pelo lulopetismo frequentemente foi propagado por setores que, marcados, por razões históricas e sociológicas, por uma hegemonia progressista, funcionam como sua caixa de ressonância, como a academia, redações ou a chamada classe artística. Na última geração, a intolerância maniqueísta das vanguardas da “luta de classes” foi inflamada pelas pautas identitárias da nova esquerda.


Para a esquerda iliberal, as responsabilidades individuais são dissolvidas em “estruturas” de opressão. Nesse estado de espírito paranoico, não basta não ser racista, misógino, homofóbico; quem não é ostensivamente “anti”, quem não milita pela causa, quem não faz rituais de expiação pelo mero fato de ter uma determinada cor de pele, pertencer a um gênero ou ter uma orientação sexual é desmoralizado como uma peça da máquina de opressão. A política é submetida a emoções tribais e quem questiona a pureza ideológica dos redentores deve ser disciplinado, punido ou mesmo eliminado do debate público por tribunais midiáticos e campanhas de “cancelamento”.


Considerem-se alguns debates recentes, como a exploração de novas fronteiras petrolíferas, a demarcação de reservas indígenas ou a legalização do aborto. Em todos esses casos, não há uma disputa inequívoca entre o bem e o mal, mas zonas de conflito entre bens juridicamente tutelados. No caso da exploração de petróleo na Margem Equatorial, por exemplo, há uma equação entre riscos ambientais e ganhos socioeconômicos; no caso das reservas indígenas, entre os direitos dos povos originários e os de proprietários (muitas vezes indígenas aculturados) de boa-fé; no caso do aborto, entre a autonomia das mulheres e a vida do nascituro. Além do mérito, há a questão da competência para arbitrar esses conflitos, por exemplo, entre o Legislativo e o Judiciário.


Mas os progressistas iliberais se creem portadores de verdades absolutas e condutores da História legitimados a empregar quaisquer meios para a consumação de seus fins. O mero questionamento é denunciado como “violência”. A reação em defesa de direitos plausivelmente legítimos é anatematizada como reacionarismo. As teses de quem advoga por explorar as riquezas do petróleo, por garantir as propriedades de agricultores ou por preservar a vida do nascituro não são meramente objetadas, com base na Constituição, em função de supostas lesões a direitos do meio ambiente, dos indígenas ou das mulheres, mas recriminadas como ataques de predadores desalmados.


Isso exprime uma visão da vida pública típica de um Estado confessional, do tipo que o liberalismo veio a superar com a instauração do Estado Democrático de Direito e o princípio de que o progresso humano deve ser conquistado por debates, negociações e reformas. A direita iliberal representa uma ameaça a esse marco civilizacional, como se viu no 8 de Janeiro. Mas, ao equiparar todos os seus críticos a “extremistas” dignos de serem alijados da vida pública, a esquerda iliberal também é uma ameaça, não tanto pelos seus ideais, em princípio tão legítimos quanto os de seus adversários, mas pelos seus métodos: a intimidação, a censura, a ruptura, a imposição. Numa democracia, essa intolerância é intolerável.

sábado, 3 de outubro de 2026

Amilton de Aquino

 E chegamos à eleição mais estranha de todos os tempos. Todo mundo cabisbaixo, tentando fugir de polêmicas, sem debates, sem regras, com juízes atuando descaradamente como cabos eleitorais, uma oposição mais suja que pau de galinheiro e um presidente idem, acuado, fazendo o diabo para se reeleger, empurrando uma bomba fiscal para os próximos anos que pode cair no colo dele mesmo e, claro, nas costas da população, especialmente de quem rala o dia inteiro para pagar a conta.


Uma eleição decidida pelo medo de um dos polos, em que um se “limpa” na sujeira do outro e vice-versa.


E, neste mar de incertezas, três certezas — ou quase certezas:


1) Não existe mais espaço para uma terceira via moderada. Na era das bolhas, só há espaço para quem consegue chamar atenção de alguma forma, mesmo recorrendo a hipérboles.


2)  Renan Santos vai ficar em terceiro lugar, a única candidatura com uma militância de fato capaz de fazer alguma diferença na reta final, com chance de se tornar uma alternativa de fato a atual polarização. As de Caiado, Cury e Zema tendem a desidratar ainda mais.


3) Quem assumir terá um mandato difícil.


Se for Lula, será um mandato ainda mais impopular, com uma conta de juros de R$ 1,1 trilhão ao ano, agora com uma tendência de alta ainda maior, depois do festival de “bondades” nas semanas que antecederam a eleição. Um Lula ainda mais escorado no STF, que tende a passar por cima de tudo, ainda mais com mais quatro indicações do PT para reforçar sua tropa na instituição que dará a última palavra (passando por cima, inclusive, da Constituição, como já tem acontecido sucessivamente) durante as próximas décadas.


Se for Flávio, um mal menor, pois, além de representar alguma chance de pelo menos estabilização da dívida, haveria ainda uma chance de dar uma equilibrada no STF. Digo uma chance porque, embora tenha se falado muito por aí das tais “quatro vagas” que o próximo presidente vai indicar, na prática, só uma delas ocorrerá no início do mandato — e isso se Lula não inventar uma manobra de emergência para fazer a indicação da vaga do “Bessias” ainda neste ano, algo que ele vai tentar se perder.


Dos outros três, o pior deles, Gilmar Mendes, só no finalzinho do mandato. Os outros dois, Fux e Cármen Lúcia, só depois de 2028.


Ou seja, as duas substituições que de fato Flávio faria em meados do mandato não mexeriam no placar da maioria que Lula já tem hoje no STF e que poderá ficar ainda mais consolidada caso consiga completar a vaga remanescente até o final de dezembro.


Portanto, se Flávio for o eleito, governará na coleira do pior STF de todos os tempos. Pelo menos, desta vez, além de um Bolsonaro mais moderado, parte da imprensa já percebeu o monstro que ajudou a criar no STF, o que seria um fator que tenderia a dar uma equilibrada no jogo.


Enfim, continuaremos, na melhor das hipóteses, num mar de incertezas. Certeza mesmo é que continuaremos pagando muito imposto para sustentar uma das piores elites da humanidade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Um ato terrorista q não se consumou

 *Pela primeira vez em mais de 20 anos, alguém tentou sequestrar um avião com destino a Israel.* 


_Milagrosamente, o agressor, um piloto de Omã, foi dominado antes de conseguir concluir sua missão._


A região inteira prendeu a respiração quando o voo matinal da Flydubai, de Dubai para Tel Aviv, emitiu um sinal de emergência, acionou o código de sequestro e pareceu desviar de sua rota sobre o espaço aéreo saudita. A tensão na região se dissipou, quase dando lugar a um riso aliviado, quando os primeiros relatos atribuíram o incidente a uma briga entre os dois pilotos. Esse riso, porém, logo desapareceu à medida que avaliações de segurança e depoimentos de passageiros revelaram que o copiloto havia esfaqueado o comandante repetidas vezes. 


O terrorista então assumiu os controles e direcionou a aeronave para o solo, perdendo quase 20.000 pés de altitude em pouco mais de um minuto, até que vários tripulantes e passageiros forçaram a entrada na cabine de comando e o imobilizaram. 


Muitas pessoas ficaram feridas durante a ação. 


O avião fez um pouso de emergência em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde os passageiros agora aguardam que Israel os leve de volta para casa.


A motivação específica e a afiliação do agressor ainda não foram confirmadas, mas Israel trata o incidente como um ato de terrorismo.


Ao contrário de muitos sequestros na longa história de Israel, o de hoje teve um final feliz. 


O episódio ocorreu, além disso, poucas semanas após o 25º aniversário do sequestro mais letal da história.


Muitas perguntas permanecem. Como esse homem obteve autorização para pilotar a aeronave? O que exatamente o motivou? E o que isso significa para o futuro das viagens aéreas no corredor de voo mais movimentado de Israel?


A El Al suspendeu seus voos regulares para os Emirados Árabes Unidos em março de 2026 devido a ameaças à segurança e não os retomou desde então. É possível que o agressor pretendesse criar uma ruptura nessa aliança crucial. Apenas ontem, Benjamin Netanyahu alertou, em um discurso na principal base aérea das Forças de Defesa de Israel (FDI), que "nossos inimigos tentarão nos atacar". "Não mexam conosco", advertiu ele. "Nosso braço longo os alcançará em qualquer lugar e a qualquer momento."


No entanto, não foi o punho vingador da Força Aérea de Israel nem um resgate heroico realizado por forças especiais que frustrou a ameaça de hoje.  Foi a coragem de israelenses comuns. Havia uma possibilidade muito real e trágica de que eu estivesse escrevendo um artigo completamente diferente hoje. Com o capitão lutando para sobreviver, o sistema de direção avariado e uma asa danificada, foi graças à bravura de um pequeno grupo de passageiros e tripulantes que quase 180 vidas foram salvas. Hoje, no quinto dia de Sucot, recitaremos as palavras do Hallel com fervor redobrado: “Este é o dia que o Senhor fez; alegremo-nos e regozijemo-nos nele.” – Amit Segal


https://x.com/AmitSegal/status/2105250626040926320


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Os fatos chegam sempre atrasados

 Os fatos chegam atrasados

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial 


Primeiro escolhemos. O candidato chega depois.

Entre os eleitores de menor escolaridade, Lula tem 49%, Flávio Bolsonaro, 29%.

Seria a prova definitiva da superioridade política do diploma, não fosse um detalhe devastador. 

Conheço, e como conheço, doutores capazes de defender disparates com bibliografia, nota de rodapé e absoluta convicção.

Diploma aumenta repertório, não vacina contra estupidez.

A explicação é bem menos confortável.

Ninguém chega sozinho à urna. Leva os pais, a renda, o bairro, o medo, a religião, o emprego que teve, o dinheiro que faltou, a ajuda que recebeu, a raiva que guardou e a turma à qual aprendeu a pertencer.

O candidato chega por último. Para milhões, Lula não é um político. É uma biografia emprestada. Emprego, consumo, proteção, a lembrança de uma época em que a vida pareceu melhorar. Para outros, é também a memória da corrupção, das condenações depois anuladas e de uma história judicial que o país ainda interpreta de maneiras opostas.

Memória não gosta de auditor.

A rejeição trabalha no mesmo escritório.

Flávio carrega um sobrenome que entra na sala antes dele, junto com a pecha do autoritarismo bolsonarista. Lula carrega uma biografia que fecha a porta depois. Há quem rejeite antes de ouvir e quem absolva antes de julgar.

Os argumentos chegam depois. Advogados contratados pela sentença.

O Datafolha desta semana cometeu uma pequena indecência estatística: Lula e Flávio com os mesmos 45% de rejeição.

Iguais no número, diferentes na bagagem. Em Flávio, o sobrenome chega primeiro. Em Lula, uma longa biografia já está sentada à mesa. Não é equivalência. É simetria de trincheiras.

Faço parte da estatística, sem qualquer pretensão de neutralidade.

Entre os dois, minha rejeição a Lula decide meu voto. Flávio não precisa me entusiasmar.

Também carrego uma biografia para a urna.

Chamamos isso de escolha porque reconhecimento tribal ficaria feio na urna.

O grande engano é imaginar que um fato novo encontra uma cabeça disponível. Não encontra. O imóvel já tem inquilino.

Se favorece meu candidato, é prova. Se o desmente, é perseguição, contexto, sabotagem, imprensa, juiz, mercado, sistema. Para o adversário, evidentemente, contexto não existe. Embora a biografia política de Lula dispense apresentações.

Não é burrice. Seria fácil demais.

Um fato não disputa com outro fato. Disputa com uma biografia. Biografias são péssimas perdedoras.

A democracia fez uma aposta: diante dos fatos, revisaríamos nossas escolhas. A aposta não envelheceu bem.

Fizemos o contrário. A escolha vem pronta. Depois contratamos os fatos para defendê-la.


Alex Pipkin

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Diário




 Em recesso amigos. Aparecerei esporadicamente. Viajando hoje para a formatura do filho. Fechando um ciclo, dar de melhor ao nosso filhote, sem exacerbar, sem irresponsabilidade. Educação top pq eu sabia q ele ia usufruir. Valores, princípios e condutas. 

Colocarei aqui um Diário de viagem. 

Vamos em frente.

domingo, 27 de setembro de 2026

Elio Gaspari



A íntegra: Elio Gaspari

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"




Lula errou em 2023

Quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado

Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu




Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração.




Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.




O PT desperdiçou a oportunidade de governar com uma coligação mais inteligente e criativa do que a pobre polarização em que se caiu.




Faltando dez dias para o primeiro turno, ele acordou. O eleitor também acordou. Se não é ele, é Bolsonaro. O antipetismo que elegeu o ex-capitão em 2018 encolheu em 2026, até porque surgiram fatos que alimentam um antibolsonarismo. No início de outubro de 2018, Bolsonaro tinha 32% das preferências, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad tinha 21%. Aquele Brasil bolsonarista desmanchou-se, mas não acabou.




Lula vive um paradoxo, é o candidato que vai melhor nas pesquisas, mas seu governo é mal avaliado por 40% contra e 34% a favor, segundo o último Datafolha.




Lula revelou um certo cansaço com a campanha. Não era fadiga física, era cansaço do modo campanha. Um sinal desse cansaço é o bordão desafiador: "É esse país que vocês querem?". O eleitor sabe que é ele quem manda, não é preciso ser desafiado.




De certa maneira, Lula foi capturado pela polarização bolsonarista. Podendo ampliar sua base, estreitou-a ou engordou-a, recorrendo ao centrão.




Faltou criatividade ao petismo, mas ele teve a sorte de ganhar um adversário incapaz de formular uma ideia nova ou de buscar um novo aliado.




Tarcísio no 1º turno

Uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno pode atrapalhar a vida de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sobretudo se, no dia 25 de outubro, der praia.




A carta das apostas

As casas de apostas que compraram outorgas ao governo por R$ 2,5 bilhões vão brigar na Justiça para recuperar a franquia ou receber o dinheiro de volta.




Os deuses do jogo maltrataram as casas de apostas. Jogaram no colo da justiça a proteção às casas de tavolagem.




Era tudo o que a magistratura não precisava.

Amilton Aquino

 Lula deu ontem sua última cartada. Às favas com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com a legislação eleitoral, que proíbe tudo o que está s...