Análise Bankinter Portugal
NY -0,6% US tech -0,1% US Semis +1,3% UE +0,1% Espanha -0,1% VIX +2,7%. Bund 3,37% T-Note 4,79%. Spread 2A-10A USA=+39,2pb B10A: ESP 3,80% PT 3,70% ITA 4,18% FRA 4,24%. Euribor 12m 3,12% (fut.12m 3,37%). USD 1,162. JPY 178,2. Ouro 4.400,78$. Brent 98,84$. WTI 93,82$. Bitcoin -0,96% (78.942$). Ether -0,46% (2.497$).
HOJE: Nova escalada da tensão no Estreito de Ormuz, com ataques a petrolíferos, o que aproxima o preço do petróleo bruto à barreira psicológica dos 100 $/barril. Os EUA destruíram 5 petrolíferos em resposta a ataques sobre a sua frota.
No lado empresarial, o nome de hoje é Inditex, que anunciou resultados do 2T 2026 fiscal abaixo do esperado em crescimento de margens e EPS (+BPA +8% a/a vs. +12% esperado).
Finalmente, na macro na Ásia, novamente bons dados no Japão. O Tankan Industrial de setembro melhor do que o esperado junta-se à revisão em alta de ontem do PIB 2T (+1,4% t/t anualizado), mantém a expetativa de que o BoJ suba taxa de juros em +25 p.b. na próxima reunião. O yen continua com tendência de fortalecimento. Na China, o IPC aumenta +0,8% a/a, em linha com o esperado e Preços Industriais +3,8% a/a, ligeiramente acima do esperado.
Em suma, sessão em “compasso de espera”, com tendência em baixa perante a escalada de tensão geoestratégica; até à reunião do BCE (amanhã), que pode confirmar a segunda subida de taxas de juros do ano (para 2,50% / 2,65%) e a inflação americana de sexta-feira, determinante para a Fed (16 set.).
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
terça-feira, 8 de setembro de 2026
UM BREVE RESUMO SOBRE A ARGENTINA
O que era pra ser um episódio no Market Makers para entender o que está acontecendo na Argentina tornou-se uma verdadeira aula sobre a história do país. Porque para entender a Argentina de hoje, é preciso olhar pra trás.
Fabio Giambiagi e José Carlos Carvalho foram os professores dessa imersão, cuja 1ª parada foi em 1973, o ano em que Perón volta do exílio depois de 18 anos fora.
Ele volta como messias, com 60% dos votos, mas envelhecido, sem entender o país que tinha deixado quase duas décadas antes. E volta pra um país já rachado entre extrema esquerda guerrilheira e extrema direita fascistoide, ambas achando que tinham a bênção dele.
Giambiagi (argentino de nascença) tinha 11 anos quando foi buscar o avião de Perón no aeroporto de Ezeiza, em 1973, com mais de um milhão de pessoas no mesmo campo. Os dois grupos começaram a se matar entre si. Entre 200 e 300 mortos naquele dia. Perón fez um discurso à noite sem sequer mencionar o episódio. "Aquilo foi o sinal. Agora tá tudo liberado", resume Giambiagi.
Dali em diante foi ladeira abaixo. Perón assume, tenta um plano de controle de preços clássico, a inflação que rondava 30% ao ano dispara para 300% em poucos meses — o Rodrigazo de 1975, batizado em homenagem ao ministro da Economia da vez. Giambiagi tinha 13 anos e viu o dinheiro que os pais davam pra comprar figurinha evaporar de poder de compra. Foi o motivo, ele conta, de ter virado economista.
O golpe militar de 1976 é o capítulo mais sombrio. E aqui está um dos pontos mais importantes do episódio: por que a ditadura argentina, mais sangrenta e mais curta que a brasileira, deixou uma cicatriz política tão mais profunda — a ponto de moldar até quem vence eleições 40 anos depois?
A resposta, segundo Giambiagi, passa pela apropriação política da bandeira dos direitos humanos. O casal Kirchner, ele argumenta sem meias palavras, escapou da repressão para a Patagônia nos anos 70 e construiu carreira lá, longe do risco — o que é absolutamente legítimo, ele faz questão de dizer. O problema é o que veio depois: ao chegar ao poder décadas mais tarde, o kirchnerismo se apresentou como a encarnação da luta pelos direitos humanos, enquanto outros, mais velhos ou da mesma geração, arriscaram a vida de verdade na resistência e foram apagados do relato.
É essa corrupção simbólica, na leitura de Giambiagi, que criou o terreno fértil para o oposto: um governo que hoje trata parte dessa história com um verniz de reabilitação — sem, segundo ele, reivindicar abertamente a ditadura, mas adotando uma linguagem que absolve.
Vindo até o presente: como um economista libertário radical, xingando adversários no rádio, ganha a eleição num país que supostamente rejeitou os extremos depois da ditadura?
A resposta dos dois convidados converge num único ponto: fadiga total.
Veja a conversa completa - e a avaliação deles sobre o governo Milei - neste link: https://lnkd.in/efwDU86C
CALL MATINAL
CALL MATINAL
08/09/2026
Julio Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
No fechamento de sexta-feira, dia 05, o Ibovespa fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi. Já o dólar, por aqui, acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
O mercado volta do feriado com uma combinação que exige atenção: petróleo perto dos US$ 100, juros pressionados e aumento do risco geopolítico. O comportamento do Brent será determinante. Uma permanência acima dos US$ 100 pode reforçar as expectativas de inflação e dificultar o trabalho dos bancos centrais. No Brasil, além do cenário externo, IPCA e eleições começam a ganhar peso crescente na formação dos preços dos ativos.
Foram acachapantes as manifestações ocorridas pelo Brasil, em especial, na Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. Isso muito me intriga sobre o potencial competitivo do lulo-petismo. Não conseguem encher uma praça. Como pode? Em paralelo, a situação do ministro do STF envolvido é insuportável, tendo até surgido um abaixo assinado de 13 ex-ministros condenando o ato em si. O que falta para ele pedir para sair? Cinicamente, continua se comportando como se fosse o “imperador do Buçaco”. Diante deste desgaste, a oposição a este governo cresce, por saber sim que o ministro “presta” serviços ao governo e seus asseclas. Isso desgasta, desgasta e desgasta.
Em pesquisas recentes, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois (41%). Se Lula continuar querendo passar pano para esta constrangedora situação, não será surpresa se o candidato bolsonarista o ultrapassar nas pesquisas.
Nos mercados, o retorno do feriado no Brasil e em NY trás mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre EUA e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta.
08/09/2026
Julio Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
No fechamento de sexta-feira, dia 05, o Ibovespa fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi. Já o dólar, por aqui, acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
O mercado volta do feriado com uma combinação que exige atenção: petróleo perto dos US$ 100, juros pressionados e aumento do risco geopolítico. O comportamento do Brent será determinante. Uma permanência acima dos US$ 100 pode reforçar as expectativas de inflação e dificultar o trabalho dos bancos centrais. No Brasil, além do cenário externo, IPCA e eleições começam a ganhar peso crescente na formação dos preços dos ativos.
Foram acachapantes as manifestações ocorridas pelo Brasil, em especial, na Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. Isso muito me intriga sobre o potencial competitivo do lulo-petismo. Não conseguem encher uma praça. Como pode? Em paralelo, a situação do ministro do STF envolvido é insuportável, tendo até surgido um abaixo assinado de 13 ex-ministros condenando o ato em si. O que falta para ele pedir para sair? Cinicamente, continua se comportando como se fosse o “imperador do Buçaco”. Diante deste desgaste, a oposição a este governo cresce, por saber sim que o ministro “presta” serviços ao governo e seus asseclas. Isso desgasta, desgasta e desgasta.
Em pesquisas recentes, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois (41%). Se Lula continuar querendo passar pano para esta constrangedora situação, não será surpresa se o candidato bolsonarista o ultrapassar nas pesquisas.
Nos mercados, o retorno do feriado no Brasil e em NY trás mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre EUA e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta.
Absurdos...
Eu não voto, anulo sempre. Mas como negar os fatos do poder de mobilização da direita, contra zero da esquerda? Isso se define pelo "anti-petismo", pelo sentimento de cansaço, de querer se livrar desta corja. E nada tem a ver com bolsonarismo, mas sim com a mobilização da sociedade contra esta canalhada, ineficiente ao extremo na manutenção da máquina pública, na gestão governamental, só servindo para se locupletar. As manifestações de 7 de setembro são a demonstração cabal de que existe safadeza no transcurso das apurações eleitorais, das pesquisas como um todo. O PT não consegue encher uma praça!!! E aí me vêm estas pesquisas mostrando Lula na frente??? A quem querem enganar ???
BDM Matinal Riscala
Bom dia Mercado
*Rosa Riscala: Brent perto de US$ 100 e Quaest na volta do feriado*
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois
… Os mercados voltam do feriado no Brasil e em Nova York com mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta, enquanto nova pesquisa Quaest esquenta a campanha eleitoral, com empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro, em meio à crise no STF, que ganhou força como tema dos candidatos.
QUAEST EMPATA – Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno na nova Quaest, no primeiro empate numérico entre os dois. A vantagem de Lula, que chegou a oito pontos em julho e havia caído para apenas um na rodada anterior, desapareceu.
… No primeiro turno, Lula oscilou de 37% para 36%, Flávio permaneceu em 29% e Augusto Cury (Avante) recuou de 10% para 8%. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.
… A pesquisa, divulgada no feriado, deve manter vivo o trade eleitoral que levou os ativos brasileiros a um forte rali na semana passada.
… Este é o primeiro levantamento inteiramente realizado após a escalada da crise no STF, que, segundo analistas políticos, estaria prejudicando mais a campanha petista, com as revelações de mensagens inéditas ligando Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro.
… A pesquisa da Quaest trouxe ainda uma piora na avaliação do governo.
… A aprovação de Lula caiu de 45% para 43%, enquanto a desaprovação subiu de 48% para 50%. Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro, o saldo negativo, que chegou a um ponto no início de agosto, agora é de sete pontos.
… A rejeição aos dois principais candidatos segue elevada: 55% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 53% rejeitam Lula, porcentuais estáveis em relação à rodada anterior. Já Cury perdeu força como opção de terceira via entre os independentes.
FORA LULA, FORA MORAES – A crise no Supremo dominou o ato de 7 de Setembro organizado pela campanha de Flávio na Avenida Paulista. Manifestantes levaram faixas com “Fora Moraes” e “Fora Lula” e bonecos infláveis de Donald Trump e André Mendonça.
… Flávio Bolsonaro associou diretamente Lula a Alexandre de Moraes, disse que quem vota no presidente também vota no ministro – que é o inimigo nº 1 do bolsonarismo – e prometeu acabar, caso seja eleito, com o que chamou de “consórcio” entre os dois.
… Em tom de confronto, afirmou que indicará cinco ministros ao STF porque Moraes “cairá” e prometeu “resgatar a credibilidade” do Judiciário.
… O candidato comparou-se ao pai, Jair Bolsonaro, afirmou que eventuais tentativas de interferência na eleição “não vão dar certo”, disse temer uma “terceira facada” contra ele e aliados e contou que faz campanha usando colete à prova de balas.
… Flávio participou da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, o ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, 32,5% menos do que no 7 de Setembro do ano passado.
UNIÃO NA FOTO – Já Lula tentou transformar o 7 de Setembro numa demonstração de união institucional em meio à escalada da crise no STF. A pedido do presidente, Edson Fachin e Davi Alcolumbre compareceram ao desfile em Brasília e dividiram a tribuna de honra com Hugo Motta.
… O esforço de Lula, porém, não apagou o constrangimento. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da AGU, Jorge Messias, que vêm se desentendendo desde as novas revelações do caso Master, ficaram na mesma tribuna, mas nem se cumprimentaram.
… Dos ministros do STF, apenas o presidente, Edson Fachin, compareceu.
… Na véspera, Messias havia reagido a comentários de Andrei nos bastidores de que a AGU evitava contestar determinações “absurdas” de André Mendonça por causa da amizade entre os dois, afirmando que a função pública não pode se orientar por “circunstâncias pessoais”.
… A Secom estimou em 70 mil pessoas o público na Esplanada, onde apoiadores entoaram “fim da 6×1”.
SOBERANIA – O slogan oficial das comemorações foi “Soberania, a força que une o Brasil”, destacado no pronunciamento do presidente em rede nacional para mandar recados aos Estados Unidos e reforçar um dos eixos de sua campanha à reeleição.
… “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, afirmou, em reação às pressões do governo Trump.
… Lula incluiu na defesa da soberania as terras raras, os minerais críticos, o petróleo da Margem Equatorial e as reservas de água doce, dizendo que essas riquezas devem servir para produzir tecnologia, riqueza e empregos no Brasil.
… Defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum governante estrangeiro pode determinar de quem o País compra ou para quem vende.
STF LEVA CRISE AO PLENÁRIO – André Mendonça liberou para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal o caso do relatório da PF que revelou as mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.
… O presidente Edson Fachin ainda não marcou a data, mas a iniciativa abre caminho para que a maior crise recente da Corte deixe de ser administrada apenas nos bastidores e obrigue os ministros a se posicionarem.
… Fachin havia tentado enquadrar a guerra na sexta-feira, ao impedir Moraes de usar o inquérito das fake news para investigar Mendonça e reunir no mesmo procedimento as suspeitas contra os dois ministros.
… Pediu explicações a Moraes, Mendonça, PGR e PF e sinalizou que pretende dar tratamento conjunto aos casos.
… A trégua, porém, não veio. Flávio Dino criticou publicamente a possibilidade de encerrar o inquérito das fake news, uma das bandeiras de Fachin para desescalar a crise, enquanto relatos indicam que Mendonça está praticamente isolado entre os colegas.
… Gilmar Mendes e Flávio Dino estariam entre os mais distantes do ministro; Luís Fux e Nunes Marques permanecem mais próximos.
… Também aumentaram os questionamentos sobre o material usado por Moraes para pedir a investigação de Mendonça.
… A associação dos delegados da PF classificou como “totalmente irregular” o uso de um relatório produzido para consumo interno e sem valor probatório, enquanto a inteligência da Abin afirmou que o documento não segue os parâmetros metodológicos da atividade.
… A tensão aumentou com a revelação de que Andrei entregou a Moraes seis relatórios de inteligência produzidos sobre André Mendonça.
… A associação dos delegados também pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido nas apurações relacionadas ao material de Daniel Vorcaro, já que o próprio PGR aparece nas mensagens que tiveram o sigilo levantado por Mendonça.
… A crise começa ainda a mobilizar o setor privado. Empresários e executivos de grandes companhias e do mercado financeiro se reúnem na quarta-feira com juristas para discutir propostas de uma reforma institucional. São esperados de 50 a 60 participantes.
PETRÓLEO COMPLICA O FED – O petróleo voltou a se aproximar dos US$ 100 durante o feriado, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e aos sinais de que a crise no Estreito de Ormuz começa a atingir efetivamente o fluxo de cargas.
… O Brent chegou a US$ 98,06 pela manhã, maior nível desde 3 de junho, e fechou em Londres a US$ 97,00. A pressão aumentou também com relatos de um novo ataque às instalações da Saudi Aramco em Jizan, perto da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.
… No fim de semana, os Estados Unidos atingiram três petroleiros iranianos em resposta ao lançamento de mísseis contra navios da Marinha americana. Teerã afirmou depois ter atacado uma embarcação militar não tripulada dos EUA em Ormuz.
… A versão foi negada pelo Comando Central americano, mas o Irã prometeu respostas “mais rápidas, pesadas e dolorosas” a novas ofensivas.
… O maior risco continua concentrado em Ormuz. O Irã anunciou que criará uma nova zona restrita nas proximidades do estreito e advertiu que embarcações que utilizarem o corredor apoiado pelos Estados Unidos estarão sujeitas a ataques.
… Teerã também ameaçou países que participarem militarmente de operações na região.
… Os efeitos já aparecem no tráfego. As travessias por Ormuz caíram 28% na última semana, para 77, enquanto os carregamentos recuaram de 45 para 33. Entre os dias 4 e 6, 21 das 28 travessias utilizaram o esquema de navegação imposto unilateralmente pelo Irã.
… No domingo, a Opep+ manteve inalterada a produção em outubro, mas a guerra reduz a capacidade do cartel de influenciar os preços.
MAIS HAWKISH – A nova pressão do petróleo chega quando o payroll forte de agosto virou novamente as apostas para o Fed deste mês.
… Divulgado na sexta-feira, o relatório apontou que os Estados Unidos criaram 162 mil vagas, acima do teto das projeções do Broadcast, de 125 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% e o salário médio por hora trabalhada avançou 0,3%.
… Durante o feriado, as apostas em alta de 25 pontos-base em setembro foram ampliadas para 60,4%, contra 39,6% de chance de manutenção. O movimento praticamente desfez a reviravolta provocada na véspera pelas declarações de Christopher Waller.
… Beth Hammack, do Fed de Cleveland, reforçou a ala hawkish ao afirmar que a política monetária não está restritiva e que a inflação continua alta demais. Em sentido contrário, Trump e integrantes do governo voltaram a pressionar por juros menores.
… O ING avalia que o payroll reforçou o argumento a favor de uma alta, mas que a decisão ainda depende da inflação.
… E é justamente aí que petróleo e Fed voltam a se encontrar.
… O BofA espera a primeira alta dos preços de energia no CPI em três meses, enquanto o diesel nos Estados Unidos atingiu US$ 5,85 por galão. A virada levou a UBS a rever a projeção de juros estáveis até o fim do ano. O banco agora prevê duas altas de 25pbs, em setembro e dezembro.
CPI – A expectativa agora é para o CPI de agosto, principal indicador da semana, que sai na sexta-feira e será o último teste antes da decisão do Fed, nos dias 15 e 16. Em julho, o índice subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente.
… Antes, na quinta-feira, o PPI deve mostrar nova aceleração da inflação ao produtor. A mediana das projeções é de alta de 0,4% no mês e 5,4% em 12 meses, ante estabilidade e 4,7% em julho. Para o núcleo, são esperados 0,3% e 4,6%, respectivamente.
… Ainda na sexta-feira, junto com o CPI, também são importantes a leitura preliminar de setembro da confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan. A mediana para o índice é de 52,5, ante 51,7 em agosto.
BCE – A decisão do Banco Central Europeu é outro destaque da semana internacional, na quinta-feira, com ampla expectativa de alta de 25pbs, para 2,50%, diante do avanço da inflação e das pressões provocadas pela energia.
… Pesquisa da Reuters com 65 economistas aponta que este deve ser o segundo e último aumento dos juros neste ciclo, mas o Deutsche Bank passou a prever mais uma alta de 25pbs em dezembro, levando a taxa a 2,75%.
… Christine Lagarde concede entrevista coletiva após a decisão, quando as atenções estarão voltadas às sinalizações sobre os próximos passos.
… A agenda de bancos centrais inclui ainda decisões no Chile, na terça-feira, Turquia e Peru, na quinta, e Rússia, na sexta-feira.
CHINA – As exportações tiveram alta anualizada de 25% em agosto, abaixo da expectativa de 27,3%. Já as importações avançaram 28,2% e frustraram o consenso de 29%.
… A balança acumulou superávit comercial de US$ 119,1 bilhões, menor do que a projeção de US$ 127,1 bilhões.
… Hoje à noite, saem o CPI e PPI. As projeções apontam para inflação ao consumidor de 0,8% em 12 meses e alta de 3,2% nos preços ao produtor.
JAPÃO – A economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre contra os três meses anteriores, acima da estimativa preliminar (0,5%). Em ritmo anualizado, o PIB real avançou 1,4%, em linha com a leitura preliminar.
NO BRASIL – O destaque da semana também é a inflação, com o IPCA de agosto, na sexta-feira. Em julho, a inflação subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses. Já hoje (8h) sai o IGP-DI de agosto, que deve voltar ao campo positivo com a alta dos agropecuários.
… A mediana do Broadcast é de alta de 0,03%, após queda de 0,86% em julho. Em 12 meses, o IGP-DI deve desacelerar de 2,77% para 2,59%.
… Também na agenda doméstica, o IBGE divulga na quinta-feira o volume de serviços de julho, após estabilidade em junho.
NY NO FERIADO – A estrela foi o iene, que subiu para 154,38 por dólar, superando o pico cravado desde a atuação conjunta dos governos do Japão e Estados Unidos. O gatilho de alta vem da perspectiva de que o BoJ acelere o passo.
… Na noite de ontem, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que a ação coordenada terá continuidade, em um momento em que a moeda japonesa se valoriza, após um longo período de fraqueza.
… O euro subiu para US$ 1,1623, em contagem regressiva para um aumento do juro pelo BCE esta semana, e a libra avançou a US$ 1,3541. O índice DXY exibiu queda de 0,25%, a 98,926 pontos, na sessão limitada pelo feriado.
… O dólar devolveu o que havia subido na sexta-feira do payroll quase três vezes maior do que o esperado. Naquele pregão, por aqui, a moeda norte-americana acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
… Apesar da alta no dia, o dólar acumulou queda de 1,26% na semana passada, refletindo o maior apetite por risco dos investidores com o trade eleitoral, após as últimas pesquisas mostrarem acirramento da disputa à Presidência.
… Embalados pelo otimismo com o quadro de empate técnico, os juros futuros recuaram, ainda que o alívio tenha sido limitado pela alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries com o payroll que pegou todo mundo de surpresa.
… Mais sensível às decisões de política monetária, a taxa da Note de dois anos subiu 4,372%, de 4,342%, com o emprego reacendendo a chance de alta dos juros pelo Fed neste mês e agitando a expectativa para a inflação.
… O aperto monetário de volta à mesa roubou fôlego das bolsas em Nova York. O Dow Jones caiu 0,51%, para 53.414,25 pontos; o S&P 500 recuou 0,38%, para 7.718,60 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,29%, a 26.506,99 pontos.
… A cautela em Nova York zerou os ganhos do Ibovespa, que ainda preferiu assumir uma postura defensiva antes do final de semana prolongado, especialmente diante das potenciais novidades eleitorais e das incertezas geopolíticas.
… O índice à vista da bolsa doméstica fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi.
… Petrobras ignorou a leve alta do petróleo e a notícia sobre a licença recebida do Ibama para a companhia perfurar mais três poços em bloco da Margem Equatorial. ON caiu 1,08%, a R$ 52,01, e PN recuou 0,95%, para R$ 74,11.
… Vale ganhou só 0,22% (R$ 78,62), bem menos do que o minério (+1,04%). Entre os bancos, Itaú PN (R$ 41,92) e Santander unit (-0,03%, R$ 30,43) fecharam estáveis. Bradesco PN subiu 0,62% (R$ 17,90) e BB, +0,31% (R$ 22,52).
… A gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, informou na carta mensal de agosto, divulgada na sexta-feira, que aumentou a exposição à renda variável no Brasil, diante das evidências de uma disputa eleitoral mais competitiva.
CIAS ABERTAS NO AFTER – VIBRA aprovou a 11ª emissão de debêntures, de R$ 1,4 bilhão. Parte da operação servirá para troca de dívidas e parte para reforço de capital de giro e fins corporativos gerais.
SANTANDER BRASIL. Ativa retomou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 por unit, potencial de valorização de 8,4% sobre o fechamento de sexta-feira.
AZZAS 2154. S&P rebaixou rating de brAA+ para brAA e colocou a nota em CreditWatch negativo, após anúncio da separação de Arezzo&Co, Soma e Farm.
CVC aprovou a sétima emissão de debêntures, de até R$ 450 milhões. Operação será feita por troca de títulos já existentes, sem entrada de novos recursos no caixa da companhia.
MOVIDA. Moody’s Local reafirmou rating AA+br e manteve perspectiva estável, citando posição competitiva, rentabilidade e controle da alavancagem, apesar do fluxo de caixa livre ainda negativo.
ENEL SP voltou a pedir à Aneel a nulidade do processo sobre a caducidade da concessão e defendeu seu arquivamento. Agência mantém avaliação favorável à recomendação de caducidade.
*Rosa Riscala: Brent perto de US$ 100 e Quaest na volta do feriado*
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois
… Os mercados voltam do feriado no Brasil e em Nova York com mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta, enquanto nova pesquisa Quaest esquenta a campanha eleitoral, com empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro, em meio à crise no STF, que ganhou força como tema dos candidatos.
QUAEST EMPATA – Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno na nova Quaest, no primeiro empate numérico entre os dois. A vantagem de Lula, que chegou a oito pontos em julho e havia caído para apenas um na rodada anterior, desapareceu.
… No primeiro turno, Lula oscilou de 37% para 36%, Flávio permaneceu em 29% e Augusto Cury (Avante) recuou de 10% para 8%. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.
… A pesquisa, divulgada no feriado, deve manter vivo o trade eleitoral que levou os ativos brasileiros a um forte rali na semana passada.
… Este é o primeiro levantamento inteiramente realizado após a escalada da crise no STF, que, segundo analistas políticos, estaria prejudicando mais a campanha petista, com as revelações de mensagens inéditas ligando Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro.
… A pesquisa da Quaest trouxe ainda uma piora na avaliação do governo.
… A aprovação de Lula caiu de 45% para 43%, enquanto a desaprovação subiu de 48% para 50%. Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro, o saldo negativo, que chegou a um ponto no início de agosto, agora é de sete pontos.
… A rejeição aos dois principais candidatos segue elevada: 55% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 53% rejeitam Lula, porcentuais estáveis em relação à rodada anterior. Já Cury perdeu força como opção de terceira via entre os independentes.
FORA LULA, FORA MORAES – A crise no Supremo dominou o ato de 7 de Setembro organizado pela campanha de Flávio na Avenida Paulista. Manifestantes levaram faixas com “Fora Moraes” e “Fora Lula” e bonecos infláveis de Donald Trump e André Mendonça.
… Flávio Bolsonaro associou diretamente Lula a Alexandre de Moraes, disse que quem vota no presidente também vota no ministro – que é o inimigo nº 1 do bolsonarismo – e prometeu acabar, caso seja eleito, com o que chamou de “consórcio” entre os dois.
… Em tom de confronto, afirmou que indicará cinco ministros ao STF porque Moraes “cairá” e prometeu “resgatar a credibilidade” do Judiciário.
… O candidato comparou-se ao pai, Jair Bolsonaro, afirmou que eventuais tentativas de interferência na eleição “não vão dar certo”, disse temer uma “terceira facada” contra ele e aliados e contou que faz campanha usando colete à prova de balas.
… Flávio participou da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, o ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, 32,5% menos do que no 7 de Setembro do ano passado.
UNIÃO NA FOTO – Já Lula tentou transformar o 7 de Setembro numa demonstração de união institucional em meio à escalada da crise no STF. A pedido do presidente, Edson Fachin e Davi Alcolumbre compareceram ao desfile em Brasília e dividiram a tribuna de honra com Hugo Motta.
… O esforço de Lula, porém, não apagou o constrangimento. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da AGU, Jorge Messias, que vêm se desentendendo desde as novas revelações do caso Master, ficaram na mesma tribuna, mas nem se cumprimentaram.
… Dos ministros do STF, apenas o presidente, Edson Fachin, compareceu.
… Na véspera, Messias havia reagido a comentários de Andrei nos bastidores de que a AGU evitava contestar determinações “absurdas” de André Mendonça por causa da amizade entre os dois, afirmando que a função pública não pode se orientar por “circunstâncias pessoais”.
… A Secom estimou em 70 mil pessoas o público na Esplanada, onde apoiadores entoaram “fim da 6×1”.
SOBERANIA – O slogan oficial das comemorações foi “Soberania, a força que une o Brasil”, destacado no pronunciamento do presidente em rede nacional para mandar recados aos Estados Unidos e reforçar um dos eixos de sua campanha à reeleição.
… “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, afirmou, em reação às pressões do governo Trump.
… Lula incluiu na defesa da soberania as terras raras, os minerais críticos, o petróleo da Margem Equatorial e as reservas de água doce, dizendo que essas riquezas devem servir para produzir tecnologia, riqueza e empregos no Brasil.
… Defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum governante estrangeiro pode determinar de quem o País compra ou para quem vende.
STF LEVA CRISE AO PLENÁRIO – André Mendonça liberou para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal o caso do relatório da PF que revelou as mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.
… O presidente Edson Fachin ainda não marcou a data, mas a iniciativa abre caminho para que a maior crise recente da Corte deixe de ser administrada apenas nos bastidores e obrigue os ministros a se posicionarem.
… Fachin havia tentado enquadrar a guerra na sexta-feira, ao impedir Moraes de usar o inquérito das fake news para investigar Mendonça e reunir no mesmo procedimento as suspeitas contra os dois ministros.
… Pediu explicações a Moraes, Mendonça, PGR e PF e sinalizou que pretende dar tratamento conjunto aos casos.
… A trégua, porém, não veio. Flávio Dino criticou publicamente a possibilidade de encerrar o inquérito das fake news, uma das bandeiras de Fachin para desescalar a crise, enquanto relatos indicam que Mendonça está praticamente isolado entre os colegas.
… Gilmar Mendes e Flávio Dino estariam entre os mais distantes do ministro; Luís Fux e Nunes Marques permanecem mais próximos.
… Também aumentaram os questionamentos sobre o material usado por Moraes para pedir a investigação de Mendonça.
… A associação dos delegados da PF classificou como “totalmente irregular” o uso de um relatório produzido para consumo interno e sem valor probatório, enquanto a inteligência da Abin afirmou que o documento não segue os parâmetros metodológicos da atividade.
… A tensão aumentou com a revelação de que Andrei entregou a Moraes seis relatórios de inteligência produzidos sobre André Mendonça.
… A associação dos delegados também pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido nas apurações relacionadas ao material de Daniel Vorcaro, já que o próprio PGR aparece nas mensagens que tiveram o sigilo levantado por Mendonça.
… A crise começa ainda a mobilizar o setor privado. Empresários e executivos de grandes companhias e do mercado financeiro se reúnem na quarta-feira com juristas para discutir propostas de uma reforma institucional. São esperados de 50 a 60 participantes.
PETRÓLEO COMPLICA O FED – O petróleo voltou a se aproximar dos US$ 100 durante o feriado, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e aos sinais de que a crise no Estreito de Ormuz começa a atingir efetivamente o fluxo de cargas.
… O Brent chegou a US$ 98,06 pela manhã, maior nível desde 3 de junho, e fechou em Londres a US$ 97,00. A pressão aumentou também com relatos de um novo ataque às instalações da Saudi Aramco em Jizan, perto da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.
… No fim de semana, os Estados Unidos atingiram três petroleiros iranianos em resposta ao lançamento de mísseis contra navios da Marinha americana. Teerã afirmou depois ter atacado uma embarcação militar não tripulada dos EUA em Ormuz.
… A versão foi negada pelo Comando Central americano, mas o Irã prometeu respostas “mais rápidas, pesadas e dolorosas” a novas ofensivas.
… O maior risco continua concentrado em Ormuz. O Irã anunciou que criará uma nova zona restrita nas proximidades do estreito e advertiu que embarcações que utilizarem o corredor apoiado pelos Estados Unidos estarão sujeitas a ataques.
… Teerã também ameaçou países que participarem militarmente de operações na região.
… Os efeitos já aparecem no tráfego. As travessias por Ormuz caíram 28% na última semana, para 77, enquanto os carregamentos recuaram de 45 para 33. Entre os dias 4 e 6, 21 das 28 travessias utilizaram o esquema de navegação imposto unilateralmente pelo Irã.
… No domingo, a Opep+ manteve inalterada a produção em outubro, mas a guerra reduz a capacidade do cartel de influenciar os preços.
MAIS HAWKISH – A nova pressão do petróleo chega quando o payroll forte de agosto virou novamente as apostas para o Fed deste mês.
… Divulgado na sexta-feira, o relatório apontou que os Estados Unidos criaram 162 mil vagas, acima do teto das projeções do Broadcast, de 125 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% e o salário médio por hora trabalhada avançou 0,3%.
… Durante o feriado, as apostas em alta de 25 pontos-base em setembro foram ampliadas para 60,4%, contra 39,6% de chance de manutenção. O movimento praticamente desfez a reviravolta provocada na véspera pelas declarações de Christopher Waller.
… Beth Hammack, do Fed de Cleveland, reforçou a ala hawkish ao afirmar que a política monetária não está restritiva e que a inflação continua alta demais. Em sentido contrário, Trump e integrantes do governo voltaram a pressionar por juros menores.
… O ING avalia que o payroll reforçou o argumento a favor de uma alta, mas que a decisão ainda depende da inflação.
… E é justamente aí que petróleo e Fed voltam a se encontrar.
… O BofA espera a primeira alta dos preços de energia no CPI em três meses, enquanto o diesel nos Estados Unidos atingiu US$ 5,85 por galão. A virada levou a UBS a rever a projeção de juros estáveis até o fim do ano. O banco agora prevê duas altas de 25pbs, em setembro e dezembro.
CPI – A expectativa agora é para o CPI de agosto, principal indicador da semana, que sai na sexta-feira e será o último teste antes da decisão do Fed, nos dias 15 e 16. Em julho, o índice subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente.
… Antes, na quinta-feira, o PPI deve mostrar nova aceleração da inflação ao produtor. A mediana das projeções é de alta de 0,4% no mês e 5,4% em 12 meses, ante estabilidade e 4,7% em julho. Para o núcleo, são esperados 0,3% e 4,6%, respectivamente.
… Ainda na sexta-feira, junto com o CPI, também são importantes a leitura preliminar de setembro da confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan. A mediana para o índice é de 52,5, ante 51,7 em agosto.
BCE – A decisão do Banco Central Europeu é outro destaque da semana internacional, na quinta-feira, com ampla expectativa de alta de 25pbs, para 2,50%, diante do avanço da inflação e das pressões provocadas pela energia.
… Pesquisa da Reuters com 65 economistas aponta que este deve ser o segundo e último aumento dos juros neste ciclo, mas o Deutsche Bank passou a prever mais uma alta de 25pbs em dezembro, levando a taxa a 2,75%.
… Christine Lagarde concede entrevista coletiva após a decisão, quando as atenções estarão voltadas às sinalizações sobre os próximos passos.
… A agenda de bancos centrais inclui ainda decisões no Chile, na terça-feira, Turquia e Peru, na quinta, e Rússia, na sexta-feira.
CHINA – As exportações tiveram alta anualizada de 25% em agosto, abaixo da expectativa de 27,3%. Já as importações avançaram 28,2% e frustraram o consenso de 29%.
… A balança acumulou superávit comercial de US$ 119,1 bilhões, menor do que a projeção de US$ 127,1 bilhões.
… Hoje à noite, saem o CPI e PPI. As projeções apontam para inflação ao consumidor de 0,8% em 12 meses e alta de 3,2% nos preços ao produtor.
JAPÃO – A economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre contra os três meses anteriores, acima da estimativa preliminar (0,5%). Em ritmo anualizado, o PIB real avançou 1,4%, em linha com a leitura preliminar.
NO BRASIL – O destaque da semana também é a inflação, com o IPCA de agosto, na sexta-feira. Em julho, a inflação subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses. Já hoje (8h) sai o IGP-DI de agosto, que deve voltar ao campo positivo com a alta dos agropecuários.
… A mediana do Broadcast é de alta de 0,03%, após queda de 0,86% em julho. Em 12 meses, o IGP-DI deve desacelerar de 2,77% para 2,59%.
… Também na agenda doméstica, o IBGE divulga na quinta-feira o volume de serviços de julho, após estabilidade em junho.
NY NO FERIADO – A estrela foi o iene, que subiu para 154,38 por dólar, superando o pico cravado desde a atuação conjunta dos governos do Japão e Estados Unidos. O gatilho de alta vem da perspectiva de que o BoJ acelere o passo.
… Na noite de ontem, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que a ação coordenada terá continuidade, em um momento em que a moeda japonesa se valoriza, após um longo período de fraqueza.
… O euro subiu para US$ 1,1623, em contagem regressiva para um aumento do juro pelo BCE esta semana, e a libra avançou a US$ 1,3541. O índice DXY exibiu queda de 0,25%, a 98,926 pontos, na sessão limitada pelo feriado.
… O dólar devolveu o que havia subido na sexta-feira do payroll quase três vezes maior do que o esperado. Naquele pregão, por aqui, a moeda norte-americana acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
… Apesar da alta no dia, o dólar acumulou queda de 1,26% na semana passada, refletindo o maior apetite por risco dos investidores com o trade eleitoral, após as últimas pesquisas mostrarem acirramento da disputa à Presidência.
… Embalados pelo otimismo com o quadro de empate técnico, os juros futuros recuaram, ainda que o alívio tenha sido limitado pela alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries com o payroll que pegou todo mundo de surpresa.
… Mais sensível às decisões de política monetária, a taxa da Note de dois anos subiu 4,372%, de 4,342%, com o emprego reacendendo a chance de alta dos juros pelo Fed neste mês e agitando a expectativa para a inflação.
… O aperto monetário de volta à mesa roubou fôlego das bolsas em Nova York. O Dow Jones caiu 0,51%, para 53.414,25 pontos; o S&P 500 recuou 0,38%, para 7.718,60 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,29%, a 26.506,99 pontos.
… A cautela em Nova York zerou os ganhos do Ibovespa, que ainda preferiu assumir uma postura defensiva antes do final de semana prolongado, especialmente diante das potenciais novidades eleitorais e das incertezas geopolíticas.
… O índice à vista da bolsa doméstica fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi.
… Petrobras ignorou a leve alta do petróleo e a notícia sobre a licença recebida do Ibama para a companhia perfurar mais três poços em bloco da Margem Equatorial. ON caiu 1,08%, a R$ 52,01, e PN recuou 0,95%, para R$ 74,11.
… Vale ganhou só 0,22% (R$ 78,62), bem menos do que o minério (+1,04%). Entre os bancos, Itaú PN (R$ 41,92) e Santander unit (-0,03%, R$ 30,43) fecharam estáveis. Bradesco PN subiu 0,62% (R$ 17,90) e BB, +0,31% (R$ 22,52).
… A gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, informou na carta mensal de agosto, divulgada na sexta-feira, que aumentou a exposição à renda variável no Brasil, diante das evidências de uma disputa eleitoral mais competitiva.
CIAS ABERTAS NO AFTER – VIBRA aprovou a 11ª emissão de debêntures, de R$ 1,4 bilhão. Parte da operação servirá para troca de dívidas e parte para reforço de capital de giro e fins corporativos gerais.
SANTANDER BRASIL. Ativa retomou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 por unit, potencial de valorização de 8,4% sobre o fechamento de sexta-feira.
AZZAS 2154. S&P rebaixou rating de brAA+ para brAA e colocou a nota em CreditWatch negativo, após anúncio da separação de Arezzo&Co, Soma e Farm.
CVC aprovou a sétima emissão de debêntures, de até R$ 450 milhões. Operação será feita por troca de títulos já existentes, sem entrada de novos recursos no caixa da companhia.
MOVIDA. Moody’s Local reafirmou rating AA+br e manteve perspectiva estável, citando posição competitiva, rentabilidade e controle da alavancagem, apesar do fluxo de caixa livre ainda negativo.
ENEL SP voltou a pedir à Aneel a nulidade do processo sobre a caducidade da concessão e defendeu seu arquivamento. Agência mantém avaliação favorável à recomendação de caducidade.
GPS concluiu a aquisição de 100% da Uniflex, empresa de catering, após o cumprimento das condições precedentes previstas para a operação anunciada em junho.
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
NY -0,4% US tech +0,2% US Semis +3,4% UEM +0,2% España -0,1% VIX 15,3% Bund 3,38%. T-Note 4,78%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,82% PT 3,72% ITA 4,21% FRA 4,24% Euribor 12m 3,116% USD 1,163 JPY 178,4/€ 153,5/$. Ouro 4.469$. Brent 97,9$. WTI 93,3$. Bitcoin -1,2% (78.834$). Ether -1,1% (2.477$).
:: SESSÃO. Ontem, sessão tranquila nas bolsas, sem referências desde os EUA, que estiveram fechados devido ao Dia do Trabalho. As principais bolsas europeias fecharam com sinal misto, entre +/-0,3%.
A pressão em alta no preço do petróleo, que voltava a aumentar +1,2% até 97 $/barril, contrastava os bons dados macro que conhecemos na zona euro: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, até +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
No mercado das divisas, destaque para a forte apreciação do yen (+4,5% na semana, até 153,5 $), pelas expetativas de endurecimento monetário por parte do Banco do Japão. Espera-se que suba +25 p.b. até 1,25%, a 18 de setembro. Também pode ter sido o caso do governo japonês aproveitar o feriado norte-americano para intervir na divisa. Em qualquer caso, a forte apreciação da divisa acelera o desmantelamento do famoso carry trade, o que pode gerar volatilidade no mercado.
Para hoje esperamos uma sessão parecida à de ontem, sem um rumo claro, embora com um pouco mais de volume com a reabertura dos EUA. Na frente geoestratégica, o Irão afirmou estar perto de um acordo com Omã para estabelecer uma rota segura pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent continua perto dos 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações.
O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada.
Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.
NY -0,4% US tech +0,2% US Semis +3,4% UEM +0,2% España -0,1% VIX 15,3% Bund 3,38%. T-Note 4,78%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,82% PT 3,72% ITA 4,21% FRA 4,24% Euribor 12m 3,116% USD 1,163 JPY 178,4/€ 153,5/$. Ouro 4.469$. Brent 97,9$. WTI 93,3$. Bitcoin -1,2% (78.834$). Ether -1,1% (2.477$).
:: SESSÃO. Ontem, sessão tranquila nas bolsas, sem referências desde os EUA, que estiveram fechados devido ao Dia do Trabalho. As principais bolsas europeias fecharam com sinal misto, entre +/-0,3%.
A pressão em alta no preço do petróleo, que voltava a aumentar +1,2% até 97 $/barril, contrastava os bons dados macro que conhecemos na zona euro: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, até +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
No mercado das divisas, destaque para a forte apreciação do yen (+4,5% na semana, até 153,5 $), pelas expetativas de endurecimento monetário por parte do Banco do Japão. Espera-se que suba +25 p.b. até 1,25%, a 18 de setembro. Também pode ter sido o caso do governo japonês aproveitar o feriado norte-americano para intervir na divisa. Em qualquer caso, a forte apreciação da divisa acelera o desmantelamento do famoso carry trade, o que pode gerar volatilidade no mercado.
Para hoje esperamos uma sessão parecida à de ontem, sem um rumo claro, embora com um pouco mais de volume com a reabertura dos EUA. Na frente geoestratégica, o Irão afirmou estar perto de um acordo com Omã para estabelecer uma rota segura pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent continua perto dos 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações.
O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada.
Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.
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The Economist
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