terça-feira, 15 de setembro de 2026

OESP e Alexandre Shwartzman



Minha opinião




O artigo de opinião do Estadão de hoje, domingo, 13/09/2026, a dois dias da sessão que definirá não o destino de Xandão mas sim o do próprio tribunal que eventualmente o julgará (se chegarmos a este ponto, já estaremos no lucro: o mais provável mesmo é caminhar para a pizza suprema de sempre, mas espero estar enganado)... o que eu falava mesmo? Ah, sim, o artigo de opinião do Estadão é contra Lula e tudo o que ele significa. Não vou compartilhar aqui seu texto que de qualquer modo estará em breve em diversos murais; quero usá-lo apenas para expressar a minha opinião sobre o clima geral em relação às eleições daqui a exatas três semanas.




Negócio seguinte: após o fim da ditadura militar, o choque da morte de Tancredo Neves (lembro como choramos ao som de 'Coração de Estudante' na voz de Milton Nascimento) e o consequente susto de Sarney (lembro da imagem dele, quase congelado, na posse, o pavor estampado no rosto), tivemos bastante turbulência, parimos uma Constituição Federal coalhada de micro-gerenciamento e portanto fadada a se tornar a colcha de retalhos que é hoje, emendada em média 3,5 vezes por ano, vimos um caçador de marajás se revelar um caçador de propinas mas finalmente, após Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a nação parecia ter recobrado o controle da aeronave, escapado das turbulências e começado a voar em céu tranquilo, ainda com muitas desigualdades sociais mas com boas chances de reduzi-las progressivamente ao longo dos anos.




Aí aconteceu o PT na história do Brasil, e os vinte e três anos que se sucederam desde sua tomada de poder levaram ao Brasil de hoje. Interessante que essas duas letras sejam muito usadas popularmente para designar 'perda total', o que definitivamente não foi o caso. Sob o PT, em especial durante o primeiro governo Lula, muita coisa boa aconteceu, mesmo tendo ele abraçado ditadores ao longo de toda a sua carreira, mostrando uma afinidade quase doentia por qualquer um que enfrentasse de frente os ianques, não importa com que armas. Acontece que o escorpião não consegue mudar sua sina, e sempre vai picar o sapo. Tudo bem que o PT aceitou o resultado das eleições quando perdeu em 2018, e diz agora que aceitará novamente se o Lula IV não se concretizar. Isso é uma das poucas coisas que se pode dizer de positivo para recomendar o voto nele num segundo turno entre Lula e Flávio. Nada, absolutamente nada se compara ao desastre que foi o governo Bolsonaro, se é que se pode usar o termo 'governo' para o que aconteceu de 2019 a 2022. Nem vou entrar em detalhes, iria dobrar o tamanho desse texto que já está longo demais.




Por que estou escrevendo tudo isso? É que li um artigo, de novo no Estadão (é o primeiro jornal que leio toda manhã, mas não é o único), de Alexandre Schwartsmann, cujo texto vou reproduzir a seguir. Ele analisa, do ponto de vista de um economista, as causas da atual situação do Brasil. Concordo com cada palavra dele, e só faltou ele usar o termo que rima com peixaria (tem uma letra a menos, e também começa com 'p', mas se eu escrevê-la aqui o Facebook me censura). Segue seu texto.




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Rima com peixaria: a crise institucional é expressão do fracasso econômico

Por Alexandre Schwartsman

12/09/2026




Escrevo em meio ao conflito aberto no Supremo Tribunal Federal sobre um tema acerca do qual não costumo me pronunciar, embora tenha implicações econômicas para lá de sérias. E, muito embora não seja obviamente o mais indicado para responder se um ministro do STF tem poderes para revogar a decisão de uma das turmas da corte (quem, na verdade, sabe?), não é necessário muito para entender as consequências da bagunça que se tornou o tribunal mais importante do Brasil.




Vieram agora a público indícios de ligações suspeitas entre integrantes da corte o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hesito em tratá-las como “não republicanas”; são plenamente republicanas, desde que adicionemos as bananas.




Ministros se acusam. Um solitário ministro, no papel de Penélope, desfaz o que três outros fizeram. O presidente da corte assiste, assim como a população, a degradação institucional do que um dia foi chamado de Excelso Pretório.




Não ocorreu por acaso. O País enfrenta há décadas um esforço de demolição das suas instituições. Sempre nos inclinamos para o casuísmo, ignorando as regras que constrangem interesses momentâneos.




Temos uma Lei de Responsabilidade Fiscal, mas encontramos maneiras de contorná-la. A Regra de Ouro deveria impedir que o endividamento financiasse despesas correntes acima dos limites constitucionais, mas exceções terminaram por esvaziá-la. Driblamos o teto de gastos, o arcabouço fiscal e a lei de governança das estatais, sempre ao sabor dos poderes de plantão — e isso para ficar apenas nas matérias econômicas.




Houve, é bom que se diga, tentativas para mudar este estado das coisas. Reformas, aprovadas em diferentes governos, até que tentaram reverter o processo. No final, porém, prevalece a entropia.




Ao contrário, portanto, de países em que o enriquecimento se dá principalmente pela inovação, portanto elevação da produtividade, fundamento do crescimento sustentado, aqui compensa mais cultivar relações com o poder público.




Quando a proximidade com Brasília oferece retorno superior ao investimento, à concorrência e à inovação, não é difícil prever para onde migrarão dinheiro e talento. As festas de Vorcaro e sua presença ubíqua nos altos escalões da república são apenas uma manifestação particularmente vistosa de fenômeno muito mais amplo.




Não é por azar que o crescimento da produtividade é pífio, mal atingindo 0,2% ao ano de 2012 para cá. Quando todos buscam laços pessoais para ganhar dinheiro, faltam os que fazem o País crescer de verdade.




Não é peixaria, mas rima com ela.

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