quarta-feira, 23 de setembro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo cai, mas Fed mantém mercado sob pressão*


Em Nova York, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursa na ONU, sob expectativa de mais sinais sobre as negociações com Washington


… O petróleo abaixo de US$ 100 e a retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã aliviam os temores de inflação, mas não tiram o Fed do modo hawkish. O mercado já virou a aposta para nova alta dos juros em outubro, após dirigentes reforçarem a preocupação com os preços. No Brasil, o movimento é inverso: a ata do Copom ampliou as expectativas de novos cortes da Selic, enquanto a Fazenda reduziu as projeções para PIB e inflação. A 12 dias da eleição, a política segue no radar, com nova pesquisa AtlasIntel prevista para hoje. Em Nova York, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursa na ONU, sob expectativa de mais sinais sobre as negociações com Washington.


ABAIXO DE US$ 100 – A retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã derrubou o petróleo pela quinta sessão seguida e levou o Brent a fechar abaixo dos três dígitos pela primeira vez desde 9 de setembro, a US$ 99,25, em queda de 1,09%. O WTI caiu 2%, a US$ 90,52.


… O movimento ganhou força depois que Donald Trump revelou que Steve Witkoff e Jared Kushner haviam se reunido por três horas com representantes iranianos, à margem da Assembleia Geral da ONU, e classificou as conversas como “muito produtivas”.


… O chanceler Abbas Araghchi participou do encontro, mediado pelo Catar, que teve a reabertura do Estreito de Ormuz no topo da pauta.


… Trump falou em “muitas” sinalizações positivas e disse que uma nova rodada deve ocorrer em breve.


… O tom do presidente contrastou com o discurso feito poucas horas antes na ONU, quando Trump voltou a ameaçar “aniquilar” a República Islâmica caso não haja acordo e afirmou que jamais permitirá que o Irã tenha uma arma nuclear.


… Mesmo após a reunião, manteve o estilo morde e assopra. De um lado, disse acreditar que o Irã fará “algo de bom” e que a guerra pode acabar antes das eleições de novembro. De outro, não descartou atacar Pickaxe, local ligado ao programa nuclear iraniano, se detectar movimentação.


… Embora Trump tenha afirmado que o fluxo de petróleo no Golfo está no maior nível desde o início da guerra, os riscos de oferta permanecem.


… Um comitê do Parlamento iraniano aprovou dispositivos que permitem a apreensão de 20% das cargas de navios que descumprirem as regras de Teerã para Ormuz, enquanto o G7 voltou a pressionar o Irã a cortar o apoio aos Houthis.


… Na Líbia, protestos já reduziram a produção em cerca de 130 mil barris por dia e a estatal ameaça declarar força maior. Já o Iraque tenta ampliar rotas alternativas, com transporte por caminhões e negociações para elevar as exportações via Turquia.


… Nesta 4ªF, as atenções se voltam ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que discursa na Assembleia Geral da ONU, enquanto o mercado aguarda sinais sobre a próxima rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã.


FED – A quinta queda seguida do petróleo e a perspectiva de descompressão da inflação global não tiraram o Federal Reserve do modo hawkish. Dirigentes voltaram a reforçar a preocupação com a inflação e o mercado já virou a aposta para nova alta em outubro.


… No CME, a probabilidade de aumento de 25 pontos-base na próxima reunião subiu para 54,2%, contra 45,8% de manutenção. Há uma semana, o quadro era inverso: 53% apostavam em estabilidade e 43,5% em alta.


… Para dezembro, apenas 10,8% ainda projetam manutenção dos juros no nível atual. As apostas se dividem entre uma alta acumulada de 25 pontos-base, com 47,8%, e de 50 pontos-base, com 41,4%.


… Thomas Barkin (Richmond) disse que a inflação é hoje o lado mais problemático do duplo mandato e que os riscos para a estabilidade de preços superam os riscos para o emprego, justificando a alta de 25 pontos-base promovida pelo Fed na semana passada.


… Barkin lembrou que a inflação está acima da meta de 2% há mais de cinco anos e destacou que mais de 60% dos componentes do PCE avançam acima de 3% em 12 meses.


… Susan Collins (Boston) também apoiou a alta da semana passada e vê maior probabilidade de cenários em que a inflação permaneça “notavelmente acima de 2%”. Para ela, juros “um pouco mais restritivos” ajudarão a garantir o retorno sustentável à meta.


… O tom duro prevaleceu nos mercados apesar do alívio do petróleo. Os Treasuries longos terminaram em alta, o dólar ganhou força e as bolsas de Nova York fecharam sem direção única (leia mais abaixo).


COPOM – Na contramão do Fed, a ata do Copom reforçou as apostas em novos cortes da Selic e ajudou a derrubar os juros futuros nesta 3ªF. A mediana do Projeções Broadcast para o fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25% após a divulgação do documento.


… Das 33 instituições consultadas, 19 esperam agora mais dois cortes de 0,25 ponto porcentual, em novembro e dezembro, levando a Selic a 13,25%. Seis projetam apenas mais uma redução, para 13,50%, e oito esperam manutenção nos atuais 13,75%.


… A ata trouxe poucas novidades em relação ao comunicado, mas o mercado enxergou sinais que favorecem a continuidade da flexibilização. O principal foi o maior grau de convicção do BC sobre a desaceleração da atividade e a transmissão dos juros altos para a economia.


… Pela primeira vez, o Copom dedicou um parágrafo ao crédito bancário, destacando a desaceleração das linhas com recursos livres, especialmente as de prazo mais longo e mais sensíveis à política monetária.


… O Comitê manteve a sinalização de que a magnitude do ciclo será ajustada à evolução do cenário, sem indicar que 13,75% seja o ponto de parada ou estabelecer um gatilho para interromper os cortes.


… O Santander considerou a ata marginalmente dovish e destacou justamente a ausência de uma sinalização de pausa. O banco entende que o Copom preservou a opção de um novo corte, embora ele não esteja contratado.


… O Bradesco também viu poucas novidades, mas avaliou que as adições favorecem a continuidade da flexibilização. A casa prevê mais dois cortes de 0,25 ponto, com Selic a 13,25% no fim do ano.


… Para a XP, o fato de os trechos sobre o balanço de riscos e a estratégia de política monetária terem sido mantidos reforça que a continuidade do ciclo permanece como cenário-base do BC. A casa também projeta Selic de 13,25% no fim do ano.


… Já o Itaú considerou a ata praticamente inalterada e entende que o BC manteve os próximos passos em aberto, sem oferecer sinais mais claros sobre a trajetória futura dos juros.


… O C6 mantém cenário de Selic estável em 13,75% até dezembro, diante das expectativas desancoradas, da assimetria altista dos riscos e da inflação ainda pressionada, embora não descarte novos cortes.


… Na 5ªF, o BC divulga o Relatório de Política Monetária do 3º trimestre, com novas projeções e atualização do cenário para a atividade.


FAZENDA – Também nesta terça-feira, o Ministério da Fazenda trouxe a atualização dos dados macroeconômicos, com reduções de 2,3% para 2% da projeção do PIB em 2026 e de 5,1% para 4,9% na estimativa para o IPCA, ainda acima do teto da meta, de 4,5%.


… Para 2027, a previsão do PIB caiu de 2,5% para 2,3% e a de inflação subiu de 3,6% para 3,8%, diante dos efeitos do El Niño sobre os alimentos.


… A Fazenda vê perda de fôlego da atividade no segundo semestre e avalia que os efeitos defasados dos juros altos já aparecem principalmente na indústria, nos serviços e no crédito – cujo impulso está negativo há dez meses, consistente com uma política monetária restritiva.


… Segundo a secretária Débora Freire, o aperto das famílias decorre mais do custo do crédito do que do nível de endividamento.


… A projeção de 4,9% para o IPCA ainda não incorpora as recentes desonerações de gasolina e etanol, que, nos cálculos da Fazenda, podem retirar cerca de 0,15 ponto porcentual da inflação.


… No cenário externo, a Pasta passou a tratar o choque do petróleo como persistente e elevou de cerca de US$ 79 para US$ 87 a premissa média para o Brent em 2026. A Fazenda ressalva, porém, que não considera os preços atuais um “novo normal” para a commodity.


… A grade foi fechada em 4 de setembro e também não incorpora o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que deve ter impacto em 2027.


LULA NA ONU – A 12 dias da eleição, o presidente Lula aproveitou o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para defender bandeiras do governo e da campanha à reeleição e mandar recados aos Estados Unidos.


… Sem citar Trump, criticou a interferência externa em processos eleitorais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Também afirmou que o Brasil não terceirizará o combate ao crime organizado e disse que o País não precisa de porta-aviões vigiando suas águas.


… Lula voltou a atacar as bets, que “transformam vício em lucro”, defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso semanal, e afirmou que o Brasil não cederá a pressões de multinacionais contra o Pix. Defendeu ainda a regulação das big techs e da inteligência artificial.


… Sobre minerais críticos e terras raras, disse que o acesso às reservas brasileiras terá como contrapartida geração de valor no País, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos nacionais. Na agenda ambiental, destacou a redução do desmatamento na Amazônia.


… Com duras críticas à ONU, cuja “credibilidade nunca esteve tão baixa”, Lula voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança.


JANTAR COM EMPRESÁRIOS – Na sexta-feira, Lula terá um jantar com cerca de 200 empresários e banqueiros no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, numa tentativa de reduzir o mal-estar do mercado com as recentes sinalizações do presidente na área fiscal.


… A reação negativa veio depois que Lula afirmou, em comício no dia 12, que era preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit”, e foi reforçada pelo reajuste de 15,04% do Bolsa Família e pela preparação de um novo programa para reduzir o endividamento das famílias.


… O encontro terá a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Fernando Haddad. A reunião ocorre a poucos dias da eleição e em meio ao empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas de segundo turno.


AGENDA DOS MERCADOS – Sem horário definido, a AtlasIntel divulga nova pesquisa eleitoral de abrangência nacional, principal destaque desta quarta-feira, que tem agenda esvaziada de indicadores e apenas o IPC-S da terceira quadrissemana de setembro (8h).


… Em Brasília, Gabriel Galípolo recebe às 10h executivos do Banco da China Brasil e, às 14h30, o BC informa o fluxo cambial semanal.


… Lá fora, a bateria de PMIs preliminares de setembro começa de madrugada com a Alemanha, zona do euro e Reino Unido. Às 10h45, saem os dados dos Estados Unidos, com previsão de leve desaceleração da indústria, de 53,9 para 53,8, e dos serviços, de 56,5 para 56.


… Às 11h05, o diretor do Fed Michael Barr participa de evento em Chicago. Às 11h30, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo.


… A Assembleia Geral da ONU entra no segundo dia de debates em Nova York, com discurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sob atenção após a retomada das negociações entre Washington e Teerã.


FESTA DO K AQUI – Entrou bastante dinheiro estrangeiro na B3 no pregão da última sexta-feira: R$ 3,6 bilhões, ampliando as entradas no mês para R$ 9,2 bilhões, enquanto o saldo no ano está positivo em R$ 27,5 bilhões.


… Sinais de ingresso de capital externo também foram identificados ontem na bolsa, segundo o Broadcast, no apetite que coincide com a melhora da percepção de risco, com o petróleo abaixo de US$ 100 e o trade eleitoral promissor.


… Por mais que o desfecho da guerra seja imprevisível, o mercado resolveu dar o benefício da dívida sobre o diálogo com o Irã, na esperança de que, quem sabe desta vez, as coisas caminhem para um acordo sobre o fim do conflito.


… Depois de ondas de volatilidade pela manhã, o alívio do petróleo serviu de gancho à tarde para uma melhora dos mercados domésticos. O Ibovespa rompeu os 187 mil pontos e o dólar e juros futuros viraram, passando a cair.


… Em teoria, o petróleo em queda seria desvantajoso para as ações da Petrobras. Mas, na prática, a leitura foi positiva, porque acionou o sentimento de risk on. Petrobras PN subiu 0,73%, a R$ 48,35, e ON, +0,61%, a R$ 53,20.


… Os papéis da Vale recobraram parcialmente as perdas recentes e subiram 0,39%, a R$ 72,83, apesar de o minério de ferro ter perdido 1%. O Ibovespa marcou alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, com giro de R$ 22,5 bilhões.


… Entre as blue chips financeiras, Santander unit registrou desvalorização de 0,60%, para R$ 29,74, apesar da notícia de que a matriz espanhola está avançando com a oferta de permuta de papéis. BB ON recuou 1,39%, a R$ 22,67.


… Já Bradesco PN subiu 1,49%, para R$ 18,43; Itaú PN ganhou 0,23%, a R$ 43,18; e BTG unit, +0,71% (R$ 63,95).


… Parte do setor financeiro operou embalada pela virada da curva do DI, garantida pela melhora no exterior.


… Apesar de a ata do Copom não ter descartado novos cortes da Selic, os juros futuros passaram boa parte do pregão subindo e só inverteram a mão à tarde, quando o petróleo passou a dominar a cena dos mercados globais.


… O investidor sabe que o barril ainda tem que cair com muito mais convicção para enfrentar o sentimento hawkish dominante no Fed. Ainda assim, parece que o mercado estava só esperando um pretexto para ensaiar uma melhora.


… Neste contexto, a esperança de paz no Oriente Médio veio a calhar para os contratos dos juros futuros e o dólar interromperem a correção em alta e voltarem a devolver prêmios de risco, ainda que de forma limitada.


… Os sinais de desaquecimento da atividade doméstica apontados pela ata do Copom foram também reconhecidos pela 4intelligence na arrecadação federal de agosto, de R$ 235,566 bilhões, abaixo da mediana de R$ 239 bilhões.


… Para a casa, os indicadores de atividade ainda indicam expansão, porém em ritmo mais moderado.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,525% (de 13,547% no ajuste anterior); Jan/28, 13,495% (contra 13,528%); Jan/29, 13,680% (de 13,712%); Jan/31, 13,870% (de 13,912%); e Jan/33, 13,960% (de 14,028%).


NÃO SEGUIU A CARTILHA – Seria até razoável supor que, com o petróleo em queda há cinco pregões consecutivos, o real também estivesse caindo, já que o Brasil é exportador líquido da commodity, o que deteriora os termos de troca.


… Mas, pelo contrário, o câmbio até mudou de faixa neste período, de R$ 5,15 para 5,10, em parte, provavelmente, porque está lendo com bons olhos o ajuste em queda do petróleo, que esvazia um fator de estresse nos negócios.


… O câmbio tem desafiado também outros gatilhos que poderiam estar trazendo pressão, como a perspectiva de o Fed continuar subindo o juro e de o Copom continuar cortando o juro, o que pode reduzir o apelo do carry trade.


… Operadores ouvidos pelo Valor entendem que o sentimento construtivo com o câmbio tem predominado, independentemente da narrativa externa, por causa da expectativa de alternância na condução da política fiscal.


… Isso pode estar ajudando a manter o mercado local mais estável, ainda que haja dúvidas sobre uma nova pernada de valorização do real antes do resultado eleitoral. Ontem, o dólar fechou em leve queda de 0,11%, a R$ 5,1029.


… Lá fora, a moeda americana não tem desprezado os alertas conservadores dos Fed boys e, no acumulado deste mês, o índice DXY já subiu mais de 1%, voltando a superar a marca dos 100,000 pontos agora em setembro.


… Ontem, marcou alta de 0,17%, a 100,601 pontos, com o dólar se sobressaindo na comparação com o euro, que caiu 0,14%, para US$ 1,1456, e a libra, que perdeu 0,22%, a US$ 1,3348. Já o iene subiu para 157,35 por dólar.


… O ING projeta novo aperto do BCE neste ano, mas acredita que a postura mais agressiva do Fed deixa o euro mais vulnerável a testar US$ 1,140 ou até as mínimas de junho, em US$ 1,132, se o juro americano subir em outubro.


… Com pelo menos mais uma alta no radar, não teve petróleo que conseguisse derrubar as taxas dos Treasuries mais longos, ainda que o retorno da Note-10 anos tenha permanecido abaixo de 5%, em 4,953% (de 4,951% na véspera).


… O rendimento do T-bond de 30 anos avançou para 5,292%, contra 5,284% no pregão anterior.


… Desbancando os sinais de diplomacia com o Irã, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,36%, aos 51.863,69 pontos, e o S&P 500 ficou estável, aos 7.764,64 pontos, porque a rigidez dos Fed boys não está para brincadeira.


… Único a operar blindado foi o Nasdaq, que subiu 0,45% e foi impulsionado para um novo recorde de fechamento, aos 27.244,28 pontos, refletindo o avanço do setor de tecnologia (Intel, +1,69%; AMD, +1,38%; e Sandisk, +6,82%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS resgatará antecipadamente US$ 1,08 bilhão em títulos globais com vencimento em 2028. Liquidação financeira será em 25/9…


… TCU analisa hoje, em sessão extraordinária e reservada, a política de preços da estatal, com foco na sustentabilidade econômico-financeira e nas regras de governança.


PPSA. O primeiro leilão de gás natural do pré-sal que é destinado à União deve ser realizado no dia 22 de outubro e deve ter os preços atrelados ao Henry Hub, de acordo com Luis Fernando Paroli, presidente da Pré-Sal Petróleo…


… O MME definiu oferta de 1,1 milhão de metro quadrados por dia de gás da União neste primeiro leilão da estatal gestora dos contratos de partilha.


SUZANO reajustará preços da celulose em todos os mercados, segundo o Valor. Alta será de US$ 50 por tonelada nas Américas e Europa e de US$ 20 na Ásia.


AXIA aprovou resgate compulsório de ações PNC em até R$ 3,9 bilhões. Operação envolve até 70,7 milhões de ações, equivalentes a 15,46% da classe PNC.


ENEVA. Proposta para alterar contratos de termelétricas deve ser encerrada no TCU após rejeição da Aneel, segundo o Valor. Agência decidiu manter inalterados os contratos.


AUREN ENERGIA. Cesp pediu à CVM conversão do registro de emissor da categoria B para A, como parte da reorganização societária do grupo.


EMBRAER. Instabilidade global no GPS da frota E2 afetou mais de 70 voos da Azul e 15 mil passageiros, segundo fontes do Valor. Fabricante afirmou que os aviões dispõem de sistemas e procedimentos para operar com segurança.


ANAC informou que a tarifa aérea média doméstica subiu 14,5% em termos reais em agosto contra um ano antes, para R$ 776,87. O preço do QAV avançou 31,8% no período.


BMG fará emissão de R$ 350 milhões em letras financeiras, podendo chegar a R$ 500 milhões. Recursos serão usados para alongar dívida, reforçar caixa e financiar atividades do banco.


ONCOCLÍNICAS concluiu venda da espanhola Medsir por 1 euro e encerrou arbitragem. Acordo elimina obrigações futuras relacionadas ao investimento, que poderiam chegar a 52 milhões de euros.


LOCALIZA pagará R$ 614,9 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,5565 por ação. Pagamento será em 18/11, com papéis “ex” em 28/9.


LOJAS RENNER. Jefferies cortou preço-alvo de R$ 20 para R$ 16, mas manteve a recomendação de compra, citando balanço robusto e potencial de valorização com eventual queda dos juros.


YDUQS. Fourth Sail Capital elevou participação para 6,16% do capital, equivalente a 16,9 milhões de ações.


ROMI poderá recuperar cerca de R$ 47 milhões em créditos tributários após decisão judicial definitiva. Impacto líquido estimado nos resultados é de R$ 37 milhões

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal


NY +0,0% US tech +0,8% US Semis +2,1% UE +0,1% Espanha +0,2% VIX 14,2% Bund 3,46%. T-Note 4,96%. Spread 2ª-10ª USA=+19pb B10A: ESP 2,61% PT 3,82% ITA 4,36% FRA 4,50% Euribor 12m 3,33% USD 1,145 JPY 180,2/€ 157,4/$. Ouro 4.361$. Brent 99,3$. WTI 94,6$. Bitcoin -0,8% (86.265$). Ether -1,2% (2.752$).


SESSÃO: Com a falta de notícias relevantes na frente convencional, os mercados aguentam bastante bem as inúmeras notícias da frente geopolítica, no marco da Cimeira da NATO. De momento, o mais determinante foi o regresso de conversações entre os EUA e o Irão, que permitiu que o petróleo perdesse a avaliação dos 100 $ (Brent 98,30 $). A tecnologia também recupera impulso após avanços na frente da IA (novo agente de IA “Muse” por parte de Meta, também sucessos anunciados por Alibaba) e que devolve ao Nasdaq máximos históricos. As obrigações não baixam a guarda, mas não estão tão tensionadas e deverão tender a estabilizar-se. O tom hawkish/duro de declarações recentes de Barkin e Goolsbee da Fed, ontem, à última hora, não deverá surpreender após a subida de taxas de juros a 16 de setembro.


Hoje o foco continua nos EUA perante o que possa surgir hoje e à espera do encontro entre Trump e Xi Jinping, amanhã, em Washington. As reuniões anteriores das suas equipas foram “conciliadoras”, portanto, será de esperar que ambos os líderes evitem elevar a tensão e, antes, tentem acalmar as relações bilaterais num contexto já suficientemente tenso. Em segundo plano, hoje é dia dos PMIs de setembro (9 h na UE e 14:45 h nos EUA), que deverão confirmar que a economia global continua em expansão. De momento, Austrália desacelera um pouco enquanto a Índia avança mais do que o esperado.


Em suma, tudo aponta para uma sessão com ligeira inércia positiva, celebrando este contexto de um pouco mais de tranquilidade e esperança de uma melhoria em Ormuz. Petróleo em baixa, fechos asiáticos, em geral, todos positivos e futuros em alta apontam para isso.

Editorial O GLOBO

 


terça-feira, 22 de setembro de 2026

E vamos em frente...

 


Zuenir Ventura, 1931 - 2026

 


Brian Winter

 Se eu tivesse que descrever a eleição do Brasil em 2 palavras, elas seriam “polarização apática”. Sim, ainda é um país 50-50, mas a vibe clara da eleição de 2026 é a falta de entusiasmo de ambos os lados. Você sente isso no momento em que chega — tão difícil encontrar alguém que esteja verdadeiramente ANIMADO para votar em Lula ou Flávio. Tão diferente de 2018 ou 2022, quando os brasileiros sentiam que havia tanto em jogo — por causa da economia ruim, da pandemia e das ameaças à democracia. Desta vez, os eleitores dizem meh, a economia está OK, mas meu salário parece valer menos, Lula está OK, mas é velho, Flávio tem esqueletos no armário, mas não é percebido como agressivo como o pai dele.

Nesse… ambiente sem vento, até a menor brisa pode parecer relevante. Flávio está tendo um momento nas pesquisas atualmente, provavelmente por causa do que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal, mas falei com analistas que se perguntam se na verdade são os eleitores reagindo aos preços mais altos de combustível por causa da guerra no Irã e às pressões inflacionárias gerais e ao endividamento das famílias. É uma eleição MUITO difícil de prever porque ela é simultaneamente muito apertada, mas o nível de convicção entre muitos eleitores é tão baixo. Flávio ligeiramente favorito hoje, mas por enquanto eu evitaria fazer apostas grandes de qualquer jeito. PS “polarização apática” é um pouco acadêmico para mim, mas o melhor que consegui fazer.

Questão não é ideológica, mas ética

É preciso colocar o debate político no Brasil no seu devido lugar. Muitos chegam ao “ultrapassado”, mas sempre oportunista, argumento, de que há importância na governança do PT de Lula, atualmente, neste terceiro mandato, pela preservação da “democracia”. Foram eles a preservarem a tal da “democracia”, depois da tentativa quixotesca de golpe de alguns elementos isolados do governo Bolsonaro.

Pois é, mas vamos esclarecer.

A tentativa de golpe veio de um ato desesperado de parte do governo Bolsonaro, sabendo que o retorno de Lula ao poder representaria o retorno dos escândalos de corrupção, o que acabou se confirmando com o caso das aposentadorias do INSS, do caso Lulinha e do escabroso caso do Banco Master.

Além disso. Não há aquela velha máxima de que “democracia” é uma plantinha que deve ser regada com carinho a todo momento... A bem da verdade não é isso que temos visto no dia a dia dos poderes, nas escusas relações entre eles.

O que a governança doo PT mais tem feito é torturar a “democracia”, com inúmeras situações em que o regime democrático é insuficiente e sempre usurpado.

As perseguições à candidatos da oposição, como no caso do Deltan, é um exemplo disso. Nada justifica, apenas pelo fato de que o juiz que deliberou é ligado ao PT e ao Lula. Na verdade, é ligado a Gleise Hoffman.

Em verdade, o que temos é o aparelhamento vergonhoso da máquina pública, de orgãos de controle, como o STF. Predomina a a velha máxima de José Dirceu de que todos têm um “preço”, o que o levou a sair comprando todo o Congresso e outras instituições, quando do escândalo do Mensalão. Isso é a “democracia” do PT- De fato, ela tem um preço. E a estranha cooptação dos presidentes do Senado e da Camara, Alcolumbre e Motta?

Cadê o equilíbrio e a harmonia dos poderes, tão necessários numa democracia?

Em VERDADE, não tem nada de democracia ou disputa ideológica, muito menos, um projeto de governo. O que há é uma acirrada disputa pelo poder, por nacos do setor público, pelos interesses que estão em jogo no momento, e partindo do PT, do quinhão de grana em disputa.

Mais um ponto. Não existe mais ideologia no mundo. Isso é apenas uma “cortina de fumaça”, um subterfugio para a defesa de certos “interesses” , nem sempre republicanos ou democráticos.

Façamos uma análise histórica da evolução das esquerdas, o “porquê” deste conceito.

Os termos, esquerda e direita, nasceram na Revolução Francesa, mais precisamente, em 1789. Naquela ocasião, os membros da Assembleia Constituinte, reunidos para deliberar sobre o poder de veto de Luís XVI, sentaram-se espontaneamente de ambos os lados do presidente: à direita, os monarquistas fiéis ao rei e dispostos a lhe dar o direito de veto absoluto; à esquerda, os adversários que queriam limitar o veto do rei. Dessa distribuição dos deputados por afinidades originou-se a separação entre direita, considerada conservadora ou reacionária, e esquerda, considerada reformista ou revolucionária, marcadores que ainda pontuam a vida política de todas as democracias do mundo.

Outro evento marcante, o que inclusive, deu origem ao socialismo, foi o movimento dos socialistas utópicos, emergidos das relações de trabalho extremamente injustas na eclosão da revolução industrial. Surgiram daí os movimentos dos trabalhadores, o que, depois deu origem à obra seminal de Karl Marx, Das Capital. Eram os trabalhadores buscando conquistar os direitos, que depois se consolidaram, como a criação dos sindicatos, os turnos de trabalho, os limites, etc.

O problema é que ao longo da história foi se observando também a esquerda, muitas vezes, na contramão dos acontecimentos. E isso sempre foi a marca do PT, afeito a diversas situações de “efeito”, clichês, mas zero em profundidade e longevidade.

Fazendo um balanço rápido, veremos que o PT foi contrário ao Plano Real, à diversas transferências de controle de estatais ineficientes para o setor privado, privatizações, reformas estruturantes, etc. Imaginem deixar a telefonia com o Estado? Um desastre.

E poderíamos lembrar a oposição à independência do BCB, preferindo que a instituição continuasse à mercê dos interesses privados de grupos de pressão. Poderíamos citar outras diversas situações em que o país avançou, mas o PT foi contra, como nas reformas da Previdência ou trabalhista.

Na verdade, tudo que representou avanço para o País, o PT sempre foi contrário, pelo espírito de corpo dos servidores, dos sindicatos aparelhados, etc.

E o que dizer dos vários esquemas do PT com empreiteiras, estatais, Centrão, empresários, etc?

No caso das empreiteiras, Lula se tornou um “caixeiro viajante”, um mascate, a viajar por países da Africa, sempre em comunhão com governos corruptos.

Em verdade, em vários países os movimentos de esquerda vão se perdendo por uma visão superficial da realidade, um olhar sempre procrastinador e idílico sobre a necessidade de mudanças mais profundas. Diante disso, alguns caroneiros, outros mais oportunistas, ou até candidatos providenciais e sensatos, de outro espectro político, vem conquistando espaço.

Não se trata do velho embate entre esquerda e direita, mas sim da assertividade ou a falta dela, da objetividade contra o discurso vazio e da idealização excessiva contra o pragmatismo e a objetividade.

Nos EUA, há a ascenção da direita personalista de Donald Trump, em Portugal, o partido Chega, respondendo com mais objetividade ao problema da imigração, além de grupos considerados radicais de direita na Alemanha, inclusive, flertando com o neonazismo, algo execrável e condenável.

Na América do Sul, também há um movimento forte de expansão de grupos mais conservadores, na Argentina, Colombia, Chile, Peru, etc. Aos poucos, a esquerda vai perdendo espaço, não só na América do Sul, mas pelo mundo.

Em verdade, não dá para achar que a corrupção, a traficância de influência, o aparelhamento da máquina pública, vêm sendo levado a frente com “excelência” apenas por governos de esquerda. No Centrão, a direita predomina e a corrupção, um modus operanti.

Mas a impressão que se tem é que a esquerda, e aqui destacamos o PT, colocou como algo secundário a questão ética, o combate à corrupção. Sintoma dos tempos.

Afinal, eles tiveram que partir para esta narrativa capenga, já que toda a cúpula do PT se viu envolvida na LAVA JATO e no Mensalão. Blindaram o presidente Lula, mas várias provas, anotações dos CEOs da Odebrecht, por exemplo, o colocavam no centro do furacão. Não me parece que tenha sido algo isolado, mas sistemático, organizado, hieraraquizado.

Em verdade, o mote do PT, das esquerdas, tem sido levantar também maus feitos de outros candidatos, do bloco conservador, para argumentar que todos roubam, portanto…

Nada mais comodista, como é a forma de atuação das esquerdas…

Augusto de Franco

Democracia não é só haver eleições. Augusto de Franco estuda há anos e escreveu Como Nascem as Democracias, postou: "Há um razoável con...