Afagos e pontapés
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Afagos e pontapés
Vai rolar
Vai rolar: Trégua anima, payroll decide
[05/06/26] O mercado chega à sexta-feira dividido entre duas narrativas. De um lado, a queda do petróleo e a recuperação do apetite por risco refletem a aposta de que Donald Trump fará o possível para evitar uma nova escalada no Oriente Médio, reduzindo o risco de um choque mais duradouro sobre inflação e juros globais. De outro, os fatos no terreno continuam sugerindo que um acordo permanece distante, com Irã e Hezbollah rejeitando condições centrais defendidas por Washington. Nesse ambiente de alívio cauteloso, as atenções se voltam agora para o payroll de maio, principal evento da agenda global, em busca de sinais sobre a força da economia americana e os próximos passos do Fed. (Rosa Riscala)
👉 Confira abaixo a agenda de hoje
▪️ A sexta-feira traz como destaque absoluto o relatório de emprego dos Estados Unidos referente a maio, às 9h30.
▪️A expectativa é de criação de 85 mil vagas, segundo a mediana das projeções Broadcast, após os 115 mil postos abertos em abril.
▪️ A taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%, e o salário médio por hora deve subir 0,3% no mês e 3,4% em 12 meses.
▪️ No Brasil, a Anfavea divulga às 11h os dados de produção e vendas de veículos referentes a maio.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Fórum de Lisboa: para que? para quem? Marcelo Guterman
O tal Fórum de Lisboa me parece algo totalmente fora de contexto e, mais do que isso, fora do lugar. São todos, agradecidos desta formidável "boca livre". Mas me desculpem, não faz o menor sentido. Apenas para constar...Daniel Vorcaro cansou de fazer isso...cooptando autoridades, intelectuais e profissionais, que se dobrariam a estes acebípes, estas mordomias. Lamentável. Honestidade? Passou longe.
Salto certamente não notou a profunda contradição em termos que seu artigo representa. Mokyr ganhou o seu prêmio Nobel pela sua análise da interação entre ciência e inovação tecnológica como propulsor do crescimento econômico, e do papel das instituições de um país para que esse processo ocorra. Segundo Mokyr, não foi acaso a Revolução Industrial ter ocorrido inicialmente na Inglaterra, primeiro lugar em que o Rule of Law, e não o Rule of King, encontrou lugar. Segundo Salto, “é o progresso técnico, aliado a estruturas democráticas e confiáveis, sob instituições à altura, o caminho para elevar o crescimento ao longo prazo”. Perfeito, não estivesse Salto em um evento que representa a antítese desse conceito.
O economista não consegue perceber que Gilmar Mendes não é somente “uma mente privilegiada, cujo espírito público é gigantesco”. Ele é o mais influente ministro da mais alta Corte do país, com poder de vida e morte sobre cidadãos e empresas. Uma pessoa em sua posição deveria resguardar-se de qualquer suspeita de conflitos de interesses, o justo oposto do que esse festival de Lisboa representa. Nunca vamos saber se a presença de empresários brasileiros é motivada pela pura busca por conhecimento (como certamente é o caso do articulista), ou há outros interesses envolvidos. Afinal, Gilmar tem uma caneta poderosa, e não é possível separar uma coisa da outra.
Não para por aí. Gilmar Mendes é o principal responsável, na Corte, pelo fim da Lava Jato, a primeira operação policial que realmente chegou aos próceres da República. Por um breve período, sentimos a gostosa sensação de vivermos nesse país de Mokyr, onde as instituições garantem o Rule of Law, e não a proteção de quem domina a máquina do Estado. Juntar os termos “Gilmar Mendes” e “instituições” no mesmo artigo chega a ser um insulto à inteligência.
O fato de o Gilmarpalooza ocorrer em Lisboa e não em São Paulo ou Brasília é somente pitoresco. Não há noção do quão ridículo que é juntar brasileiros para discutir o Brasil na capital do colonizador. Ou até há, mas é vencida pela tentação de ter um bom motivo para viajar para a Europa em classe executiva. Salto acha isso tudo muito normal, até louvável, mas não percebe que é a mais pura tradução do patrimonialismo jeca que nos define como nação, e que verdadeiramente impede o nosso desenvolvimento econômico.
Alessandro Gagnor
Logos e Bios.
Bankinter Portugal Matinal
Análise Bankinter Portugal
NY -0,7% US tech -0,3% US Semis +1,4% UEM -0,9% Espanha -0,5% VIX 18,7% Bund 3,04%. T-Note 4,49%. Spread 2A-10A USA=+42pb O10A: ESP 3,46% PT 3,40% ITA 3,77% FRA 3,67% Euribor 12m 2,79% (fut.12m 2,80%). USD 1,160 JPY 185,7/€. Ouro 4.434 $. Brent 97,4$. WTI 96,2$. Bitcoin -3,8% (64.906$). Ether -6,5% (1.779$).
SESSÃO: Iniciamos o dia com duas notícias relevantes: (i) Israel e o Líbano acordam um cessar-fogo, um avanço que poderá facilitar as negociações entre os EUA e o Irão. Até Trump considera agora plausível que seja alcançado um acordo já neste fim de semana. Este contexto está a favorecer uma ligeira correção do preço do petróleo (Brent: 97 USD/barril). (ii) Ontem, após o fecho da sessão norte-americana, a Broadcom e a CrowdStrike divulgaram os seus resultados. Ambas registam quedas superiores a -10%, em parte porque as suas perspetivas para os próximos trimestres ficaram ligeiramente aquém do esperado.
As restantes referências do dia deverão ter um impacto limitado, uma vez que se trata de indicadores relativos ao 1.º trimestre de 2026: Custos Laborais Unitários e Produtividade Não Agrícola (13h30). Além disso, o mercado deverá manter-se em compasso de espera antes da divulgação, amanhã, dos dados de Criação de Emprego nos EUA. A realidade é que a economia norte-americana continua a demonstrar resiliência: ontem mesmo verificou-se uma surpresa positiva em vários indicadores macroeconómicos, nomeadamente o Inquérito ao Emprego ADP, as Encomendas à Indústria e o ISM dos Serviços.
Ontem, as bolsas optaram por uma ligeira realização de mais-valias, num contexto marcado por um fluxo de notícias contraditório proveniente do Irão e pelo regresso da Administração Trump ao tema das tarifas aduaneiras. A Casa Branca estará agora a ponderar a aplicação de taxas que variariam entre 10% para aliados como a Europa, Canadá, México ou Taiwan e 12,5% para economias como a China, Índia ou Japão.
Contudo, hoje, com o acordo alcançado no Líbano e a moderação do preço do petróleo, o mercado poderá assistir a uma sessão que evolua de forma progressivamente mais favorável ao longo do dia, desde que o contexto geopolítico o permita.
A bolsa norte-americana continua próxima de máximos históricos, mas o investimento em tecnologia ganha tração e as estimativas de lucros para 2026 e 2027 continuam a ser revistas em alta. Neste enquadramento, torna-se difícil travar a tendência ascendente do mercado. A experiência recente demonstra que qualquer pausa ou correção tende a ser temporária. Adicionalmente, a estreia da SpaceX em bolsa, prevista para a próxima semana, deverá captar um interesse significativo por parte dos investidores.
FIM
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Projetos...
MANUAL DE MACROECONOMIA
Hoje partilho algo especial: adquiri o livro publicado em 2002 em honra de Edmund Phelps, um dos economistas mais influentes do último século, e cuja partida recente deixa um vazio profundo na ciência económica.☺️ Comprei esta obra como forma de homenagem. Não apenas ao Prémio Nobel, mas ao pensador que redefiniu a forma como entendemos crescimento, inovação, expectativas e prosperidade. A sua visão continuará a iluminar gerações.✌️ Esta obra tem um significado singular: reúne contribuições de alguns dos maiores nomes da economia dos séculos XX e XXI — mentes que moldaram políticas, teorias e instituições em todo o mundo: • Paul Samuelson: fundador da síntese neoclássica • Robert Solow: pai do modelo de crescimento moderno • Robert Hall: referência em ciclos económicos • Thomas Sargent: pioneiro das expectativas racionais • Joseph Stiglitz: gigante da economia da informação • Gregory Mankiw: autor que formou gerações • Olivier Blanchard:referência global em macro moderna • Michael Woodford: arquiteto da macroeconomia monetária contemporânea • Philippe Aghion: líder da economia do crescimento e inovação É raro encontrar, numa única obra, um diálogo tão rico entre escolas, gerações e visões económicas. É, acima de tudo, um testemunho do impacto extraordinário de Phelps — um economista que não apenas escreveu sobre inovação, mas inspirou inovação intelectual. Uma leitura que guardarei com carinho e respeito. Uma homenagem justa a um autor que continuará vivo através das suas ideias.👌
José Paulo Kupfer
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