quarta-feira, 12 de agosto de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado.*


Quarta Feira, 12 de Agosto de 2.026.


*Eleição entra no preço*


Lá fora, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua sem sinal de acordo e mantém o Brent perto de US$ 90, aumentando a importância do CPI americano de hoje para as apostas sobre os juros do Fed.


… A eleição entrou de vez no preço dos ativos brasileiros, depois que o JPMorgan reduziu sua recomendação para o País e alertou para o aumento da volatilidade até outubro. O movimento reforçou a saída de estrangeiros da B3, justamente quando a ata do Copom manteve setembro em aberto e o IPCA confirmou a melhora da inflação corrente, mas deixou dúvidas sobre os próximos meses. Lá fora, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua sem sinal de acordo e mantém o Brent perto de US$ 90, aumentando a importância do CPI americano de hoje para as apostas sobre os juros do Fed. A agenda tem ainda Serviços no Brasil, relatórios da Opep e AIE, e muitos balanços, incluindo BB e CSN.


VOLATILIDADE CONTRATADA – O mercado brasileiro teve um dia de forte deterioração, descolado de outros emergentes e de Nova York, com a combinação de risco eleitoral e rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan estimulando a saída de investidores estrangeiros.


… O gatilho para colocar a eleição definitivamente na pauta veio do JPMorgan, que reduziu a recomendação para os ativos brasileiros de overweight (compra) para neutra, avisando que prefere ficar à margem da volatilidade esperada para os próximos meses.


… O banco argumentou que o ciclo de flexibilização monetária está perto do fim, enquanto a economia desacelera e o crédito se deteriora. Sua expectativa é de apenas mais um corte de 0,25 ponto da Selic em setembro, seguido por uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027.


… Para os analistas do JPMorgan, a eleição presidencial acrescenta outra camada de incerteza.


… Na avaliação do banco, os ativos brasileiros ainda carregam pouco prêmio eleitoral e a volatilidade tende a aumentar à medida que outubro se aproxima. “Tudo parece muito calmo por enquanto”, afirmou o JPMorgan, apostando em um período mais turbulento até outubro.


… Para o mercado doméstico, a eleição também começa a cobrar seu preço. As pesquisas CNT/MDA e Futura divulgadas ontem reforçaram a liderança de Lula e aumentaram a preocupação dos investidores com a condução da política fiscal no próximo governo.


… Na CNT/MDA, Lula aparece com 48% contra 39,1% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, uma vantagem de 9 pontos. Já a Futura mostrou uma disputa mais apertada: Lula e Flávio estão tecnicamente empatados, com 46,5% e 44%, respectivamente.


… A combinação de incerteza eleitoral, juros reais elevados, baixo crescimento e déficit fiscal ajuda a explicar o fluxo de saída dos gringos, que tem sido percebido em agosto. Até o dia 7, os investidores estrangeiros já haviam retirado R$ 5,5 bilhões da B3 no mês.


ATA DIVIDE O MERCADO – A avaliação do JPMorgan de que o ciclo de cortes da Selic está perto do fim coincide com a aposta majoritária do mercado após a ata do Copom, que manteve em aberto os próximos passos da política monetária.


… Das 36 instituições consultadas pelo Broadcast, 23 esperam só mais um corte de 0,25 ponto em 2026, levando a Selic a 13,75% em setembro, patamar que permaneceria até o fim do ano. Outras oito casas projetam dois ou três cortes, e cinco acreditam que ficará nos atuais 14%.


… A ata reconheceu com mais clareza que os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade vêm se acumulando e contribuindo para a desinflação, mas evitou dar qualquer indicação sobre setembro. A magnitude do ciclo continuará sendo definida à luz dos dados.


… Para o Itaú, o documento manteve aberta a avaliação sobre os próximos passos, sem sinais mais claros sobre a trajetória dos juros. O banco espera novo corte em setembro, enquanto o Goldman Sachs vê probabilidade ligeiramente superior a 50% de manutenção da Selic.


… A XP também aposta em pausa e destacou a preocupação do Copom com os choques globais de oferta ligados à energia, inteligência artificial e El Niño, além da resiliência da demanda e das expectativas de inflação acima da meta.


… Já o PicPay espera mais um corte de 0,25 ponto, mas chamou atenção para a ênfase do BC na desancoragem das expectativas, que aumenta o custo da desinflação e exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo.


… Para o Santander, o Copom precisa explicar muito menos por que pode continuar os cortes, mas ainda não explicou por que deveria parar.


… Na avaliação do head de Política Monetária e Mercados do banco, Marco Antonio Caruso, se a atividade continuar moderando e a inflação projetada permanecer ao redor da meta, a discussão sobre a extensão do ciclo no quarto trimestre continua aberta.


… Na ponta mais otimista com a flexibilização monetária, a Warren Rena prevê agora mais dois cortes de 0,25 ponto neste ano, enquanto o Banco Pine passou a projetar reduções nas três reuniões restantes, levando a Selic a 13,25% em dezembro.


… Um ponto de atenção comum nas análises são os choques de oferta.


… O Copom reiterou que não deve reagir aos efeitos primários desses choques, mas terá de atuar caso haja contaminação das expectativas e dos preços. A preocupação ganha importância diante da guerra no Oriente Médio e dos riscos do El Niño sobre os preços dos alimentos.


IPCA DÁ ALÍVIO – A preocupação do Copom com os choques de oferta ganha importância justamente quando a inflação corrente mostra sinais mais favoráveis, mas aumentam as dúvidas sobre o comportamento dos preços nos próximos meses.


… O IPCA desacelerou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, menor taxa desde agosto do ano passado, embora tenha ficado acima da mediana de 0,03% do Projeções Broadcast. Em 12 meses, recuou de 4,64% para 4,44% e voltou a ficar abaixo do teto de 4,5% após dois meses.


… O alívio veio principalmente dos alimentos in natura. Na direção contrária, energia elétrica subiu 3,09% e foi a maior pressão individual. Apesar da surpresa acima das previsões, a composição confirmou o processo gradual de desinflação.


… Serviços e bens industriais subjacentes perderam força, enquanto medidas anualizadas acompanhadas pelo Banco Central também mostraram desaceleração, embora os serviços mais ligados ao mercado de trabalho continuem rodando em níveis elevados.


… Agosto pode trazer um alívio ainda maior. O bônus de Itaipu deve provocar queda temporária das contas de luz e as projeções apontam para deflação no IPCA, embora parte desse efeito seja devolvida em setembro.


… O problema está mais adiante. A forte queda dos alimentos que ajudou julho pode estar perto do fim, enquanto um El Niño mais intenso ameaça a produção agrícola e pode voltar a pressionar os preços a partir de setembro.


… A guerra no Oriente Médio acrescenta outro risco. A alta do petróleo pode produzir efeitos secundários sobre a inflação mesmo sem repasse imediato dos combustíveis, justamente o tipo de contaminação que o Copom afirmou estar preparado para combater.


… Assim, a fotografia da inflação melhorou, mas o filme para os próximos meses continua incerto: depois de voltar para dentro do teto da meta em julho e possivelmente registrar deflação em agosto, o IPCA pode reacelerar no fim do ano.


SEM SINAL DE ACORDO – As negociações para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã continuam sem produzir avanços concretos para um acordo, enquanto os confrontos se espalham pelas principais rotas marítimas da região.


… Já depois do fechamento do petróleo, as Forças Armadas dos Estados Unidos dispararam dois mísseis Hellfire contra o cargueiro Vela Nova, de bandeira panamenha, que teria ignorado ordens para parar e tentava romper o bloqueio americano aos portos iranianos no Golfo de Omã.


… Ao mesmo tempo, Teerã ampliou as condições para reabrir o Estreito de Ormuz.


… Além do fim da guerra e do bloqueio americano, o Irã exige a liberação de ativos congelados no exterior e vinculou a abertura da passagem ao encerramento dos conflitos em outras partes da região, incluindo Líbano e Gaza.


… Autoridades iranianas também advertiram que a inclusão da questão nuclear nas negociações será “complexa” e “difícil”, enquanto a Guarda Revolucionária ameaçou atingir infraestrutura de energia e sistemas ligados à internet em caso de novos ataques.


… As declarações contrastam com sinais mais otimistas dos mediadores. Autoridades paquistanesas afirmaram que Estados Unidos e Irã estão próximos de algum entendimento, enquanto o Catar disse que as negociações alcançaram estágio avançado.


… Donald Trump, porém, afirmou que continuará usando a pressão econômica contra Teerã durante as negociações e não descartou a retomada de ataques militares. As exigências de lado a lado vêm reduzindo as expectativas de uma solução rápida para Ormuz.


… O impasse manteve o petróleo em alta pelo segundo dia seguido. O Brent chegou a superar US$ 90 durante o pregão e fechou com ganho de 1,36%, a US$ 88,91 por barril, depois de disparar quase 5% na véspera. O WTI avançou 1,30%, a US$ 83,20.


… O Depto de Energia dos Estados Unidos já incorporou restrições mais prolongadas em Ormuz, elevando de US$ 82 para US$ 87 a estimativa para o preço médio do Brent em 2026. O órgão espera que as limitações severas ao trânsito pelo estreito persistam durante agosto.


… A tensão também aumentou em Bab el-Mandeb.


… Um ataque dos houthis contra um navio comercial matou quatro tripulantes, e dois integrantes de uma equipe de resgate morreram em um novo ataque à embarcação. No mercado eletrônico, o petróleo ampliava os ganhos, com o Brent atingindo US$ 89,50.


CPI TESTA O FED – A alta do petróleo aumenta a importância do CPI de julho, que será divulgado hoje, às 9h30, e pode recalibrar as apostas para os juros do Fed em setembro, depois que o payroll fraco reduziu as expectativas de alta.


… A mediana apurada pelo Broadcast prevê avanço de 0,1% do CPI, após queda de 0,4% em junho, com a taxa em 12 meses desacelerando de 3,5% para 3,4%. Para o núcleo, a expectativa é de alta de 0,2% no mês e desaceleração da taxa anual de 2,6% para 2,5%.


… A criação líquida de 23 mil vagas em julho, muito abaixo das previsões, derrubou de mais de 60% para menos de 45% a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto dos juros em setembro. O CPI pode agora determinar se esse movimento se sustenta ou será parcialmente revertido.


… Uma inflação acima do esperado tende a recolocar setembro em discussão. Já uma leitura benigna reforçaria a possibilidade de manutenção dos juros, embora o Fed ainda receba os dados de emprego e inflação de agosto antes da reunião.


… A inflação continua sendo a principal preocupação dos dirigentes do Fed, e a persistência da guerra no Oriente Médio amplia as incertezas. Com o petróleo novamente perto de US$ 90 e Ormuz fechado, aumentou o risco de que a energia volte a pressionar os preços.


… Assim, o CPI de julho dificilmente encerrará sozinho o debate sobre setembro, mas deve ditar o tom das apostas para os juros, o dólar e os mercados globais até a próxima rodada de indicadores. Amanhã, quinta-feira, será divulgado o PPI americano.


MAIS AGENDA – Com o petróleo no centro das atenções, o mercado acompanha hoje os relatórios mensais da Opep e da Agência Internacional de Energia, com o da AIE à primeira hora, em busca de novas estimativas para oferta, demanda e os efeitos da guerra sobre o mercado global.


… Às 11h30, o Depto de Energia dos Estados Unidos divulga os estoques semanais de petróleo. A previsão é de queda de 600 mil barris nos estoques de óleo bruto, além de recuos de 1,3 milhão de barris na gasolina e de 1,6 milhão nos destilados.


… No Brasil, o destaque da agenda é a Pesquisa Mensal de Serviços de junho, às 9h, importante também para avaliar os sinais de desaceleração da atividade destacados ontem na ata do Copom. A mediana prevê queda de 0,2%, após recuo de 0,4% em maio.


… Se confirmada, será a segunda baixa mensal consecutiva de Serviços.


… As estimativas variam de queda de 1,6% a alta de 0,7%. Na comparação com junho do ano passado, a expectativa é de crescimento de 1,2%, após avanço de 0,4% em maio. O resultado ajudará a calibrar as estimativas para o PIB do 2TRI e as apostas para os próximos passos da Selic.


… A agenda doméstica tem ainda o fluxo cambial semanal, às 14h30.


BALANÇOS – Banco do Brasil e CSN são os principais destaques de uma bateria de 24 balanços que serão divulgados hoje após o fechamento.


… Para o BB, o mercado espera um lucro líquido de R$ 3,565 bilhões no segundo trimestre, queda de 6% em um ano, ainda pressionado pela inadimplência no agronegócio e em segmentos de pessoa física. Na B3, a ação caiu forte na véspera do resultado (abaixo).


… A expectativa é de que as provisões continuem elevadas e a rentabilidade permaneça em um dígito. No primeiro trimestre, o retorno sobre o patrimônio (ROE) caiu para 7,3%, o menor nível do ciclo.


… O mercado também estará atento a uma eventual revisão do guidance do banco diante do aumento do custo de risco.


… Já a CSN deve registrar prejuízo líquido de R$ 370 milhões no segundo trimestre, ante perda de R$ 130 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado é estimado em R$ 2,5 bilhões, queda de 5,2%, com a mineração pressionada por custos mais altos e pelo frete marítimo.


… Também divulgam resultados após o fechamento: CSN Mineração, Suzano, Casas Bahia, Equatorial Energia, Hapvida, MRV, Rede D’Or, Rumo, Sabesp, Copasa, Minerva, SLC Agrícola, Ultrapar, Americanas, Azzas, Cogna, CVC, Eneva, Kepler Weber, Positivo, Qualicorp e Vittia Fertilizantes.


OI – Em recuperação judicial, a Oi voltou a adiar a divulgação de seus resultados e não publicará hoje o balanço, como estava previsto.


… A companhia informou que ainda não concluiu a elaboração e a revisão das informações financeiras, diante dos impactos do processo de recuperação judicial e dos processos de venda de ativos. Permanecem pendentes os resultados desde o terceiro trimestre de 2025.


BRB – A falta do balanço de 2025 do Banco de Brasília virou um novo obstáculo ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões pedido pelo Distrito Federal ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.


… Segundo o FGC, as demonstrações financeiras são essenciais para avaliar a situação do banco e determinar se o valor solicitado é suficiente para viabilizar a operação. O problema é que o balanço, atrasado desde março, mostraria o tamanho do prejuízo do BRB com o Master.


… A governadora do DF, Celina Leão, afirmou que, se o documento for publicado antes do aporte, o banco seria liquidado.


… Ao mesmo tempo, ficou mais distante uma fonte alternativa de recursos. O governo do DF quer destinar R$ 508 milhões obtidos com a securitização da dívida ativa para subsidiar empresas de ônibus. O empréstimo do FGC também enfrenta resistência dos bancos privados.


… Na quinta-feira, haverá uma reunião no STF para discutir a ação do DF que tenta obrigar a União a conceder garantias à operação.


AFTER HOURS – A Super Micro subiu 7,56% no after hours em Nova York, após superar as expectativas de lucro. O resultado ajustado por ação foi de US$ 1,70, ante previsão de US$ 0,92, enquanto a receita atingiu US$ 11,1 bilhões.


… A CoreWeave foi o grande destaque, disparando 15,72%, com prejuízo menor que o esperado e receita de US$ 2,58 bilhões, alta de 122% em um ano. A companhia informou ainda uma carteira de pedidos de US$ 99,4 bilhões.


… Já o ADR da B3, que divulgou balanço após o fechamento, caiu 0,55% em Nova York, apesar da alta de 28,2% em um ano no lucro líquido do 2TRI (R$ 1,698 bilhão), crescimento de 8,8% da receita líquida (R$ 2,765 bilhões) e do avanço de 13% do Ebitda (R$ 1,938 bilhão).


… Confira abaixo no Cias Abertas os outros balanços divulgados ontem à noite!


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara cancelou a sessão de ontem à noite após o líder do PT, deputado Pedro Uczai, sofrer AVC durante a reunião de líderes, adiando a votação do projeto que reduz a tributação sobre combustíveis.


… O texto passou a incluir outros temas, como incentivos para fertilizantes e minerais críticos, isenções para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e antecipação de recursos para o Ministério da Defesa.


… No final da tarde, Davi Alcolumbre havia anunciado que levaria o projeto ao plenário do Senado hoje como item extrapauta.


BLUSINHAS. Alcolumbre marcou para hoje, às 14h30, a instalação da comissão mista que analisará a MP que zerou a chamada taxação das blusinhas. A medida perde validade em 8 de setembro, e o governo tenta concluir sua votação antes disso.


PISO DOS MÉDICOS. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o novo piso salarial de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas, com jornada de 20 horas semanais, válido para as redes pública e privada.


… O Ministério da Gestão estima impacto de R$ 25 bilhões até 2029. O aumento será implantado gradualmente em três anos.


FLÁVIO BOLSONARO. Negou que pretenda substituir Alfredo Gaspar como candidato a vice e classificou como “farsa” as acusações contra o deputado. Flávio disse ainda que participará dos debates com Lula e que não deve explicações sobre o Banco Master.


… O senador afirmou que o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, será uma pauta de sua campanha eleitoral.


LULA. Já o presidente começa a ver o Centrão se reaproximando, depois de passar todo o atual mandato numa relação de tensão com o Congresso. A articulação envolve o interesse de Alcolumbre e Motta de se reelegerem para comandar a Câmara e o Senado em 2027.


A FUGA DAS VERDINHAS – Assusta a grande quantidade de dinheiro estrangeiro que vem deixando a B3 em rápida velocidade. No curto intervalo de uma semana, quase R$ 6 bilhões em capital externo já bateram em retirada.


… Os dois últimos informes indicaram aceleração no ritmo das saídas dos investidores gringos: foram R$ 2,4 bilhões no pregão de quinta-feira (dia 6) e mais R$ 2,6 bilhões na sexta, acentuando o estresse com o que vem pela frente.


… Cresce a expectativa pela divulgação amanhã pela B3 do saldo relativo à sessão de ontem, marcada pela tensão com o rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan e maior preocupação do investidor com o cenário eleitoral.


… “Estamos observando vendas maciças de estrangeiros, que estão reduzindo posição neste período pré-eleição”, disse ao Valor Econômico um profissional de renda variável de um grande banco de investimentos.


… Em um sinal de alerta para o mercado, o EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, voltou a ser negociado abaixo da média móvel de 200 dias e abandonou a tendência de alta.


… “Estamos entrando em uma fase crítica do ciclo eleitoral e o Brasil tende a apresentar desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições”, projetou a equipe de ações para América Latina do JPMorgan.


… Não foi um bom sinal o giro do Ibovespa ter subido ontem para R$ 23,6 bilhões, porque sugere movimento vendedor por parte dos investidores estrangeiros, num dia em que a bolsa caiu forte, mais de quatro mil pontos.


… No maior recuo diário desde março, o índice à vista perdeu 2,50% e fechou no pior nível em sete meses, a 167.875 pontos, completando seis pregões seguidos no vermelho. No câmbio, o dólar saltou quase 1% e foi a R$ 5,16.


… Os juros futuros ignoraram o alívio do IPCA de julho e o fato de a ata do Copom ter deixado a porta aberta para novos cortes da Selic em setembro, e registraram alta moderada, na contramão do recuo das taxas do Treasuries.


… Com o rebaixamento do Brasil e a cena eleitoral no radar, os bancos exibiram sell-off: Itaú PN, -3,51% (R$ 39,00), Bradesco PN, -2,27% (R$ 16,79) e BB, -3,74% (R$ 19,28). BTG unit afundou 5,81% (R$ 50,13), em dia de balanço.


… A exceção foi Santander unit, em alta de 0,92% (R$ 29,52). O papel segue embalado pela intenção da matriz espanhola de realizar a oferta pública de aquisição (OPA) para comprar ações remanescentes da unidade brasileira.


… Vale caiu firme (-2,02%; R$ 74,40) e descolou da valorização de 1,26% do minério de ferro, enquanto o recuo de Petrobras (ON, -1,44%, a R$ 46,53; e PN, -1,35%, a R$ 41,66) contrariou a alta de pouco mais de 1% do petróleo.


NA LANTERNA – De todas as 33 moedas mais líquidas do mundo, contando as de mercados emergentes e as de economias mais sólidas, foi o real que teve ontem o pior desempenho, para ver como o problema foi pessoal.


… O rebaixamento do Brasil e o trade eleitoral redobraram a cautela, no ambiente de fuga do fluxo estrangeiro, que levou o dólar a disparar 0,98%, para R$ 5,1608. Há pouco mais de um mês, não alcançava uma cotação tão elevada.


… Também os juros futuros evitaram correr riscos nesta terça-feira tensa, mesmo depois de a ata do Copom não ter descartado a chance de continuidade do ciclo de calibração da Selic, condicionada aos próximos indicadores.


… Outra boa notícia, como se viu, foi o IPCA de julho ter desacelerado para perto de zero levando a inflação no acumulado em 12 meses abaixo do teto da meta, de 4,5%. Mas o alívio mal chegou à ponta curta do DI.


… O contrato de juro para Jan/27 marcou 13,755% (de 13,746% no ajuste anterior), enquanto o Jan/28 subiu a 13,895% (13,825%); Jan/29, a 14,180% (14,091%); Jan/31, a 14,410% (14,357%); e Jan/33, a 14,515% (14,480%).


… A pressão aqui destoou da queda das taxas dos Treasuries, que resolveram descontar o petróleo caro, o impasse no Oriente Médio e o suspense com o CPI, e abriram um leve ajuste em baixa, antes que as coisas possam piorar.


… O yield da Note-2 anos caiu para 4,226% (contra 4,241% na véspera) e o de 10 anos recuou a 4,691% (de 4,703%).


… Na avaliação do BofA, um CPI forte hoje pode colocar firmemente no radar uma alta do juro no Fed de setembro, mas a decisão provavelmente ainda dependerá dos dados de agosto, dada a aparente relutância de Kevin Warsh.


… Mesmo depois do payroll fraco, o banco mantém a projeção de três aumentos dos juros americanos este ano. “A função de reação do Fed ainda continua inclinada para o lado da inflação em seu mandato duplo”, avalia o BofA.


… Quem deve estar torcendo bastante para um CPI pior do que o esperado hoje é o BC japonês, na medida em que o dado não valorizaria o dólar e esvaziaria o risco de o iene furar a marca de 160/US$. Ontem, fechou a 159,27/US$.


… O câmbio teve oscilações marginais antes do indicador de inflação. O índice DXY fechou praticamente estável (+0,02%), aos 99,828 pontos, com o euro (+0,01%, a US$ 1,1543) e a libra (+0,02%, a US$ 1,3508) de lado.


… As bolsas em Nova York recuaram nesta terça-feira, em meio ao aumento das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e ao avanço nos preços do petróleo, com investidores à espera da inflação do CPI em julho.


… Entre as big techs, Alphabet ampliou o pessimismo (-3,84%) com o anúncio recente de mudanças no departamento de IA. Nasdaq caiu 0,6% (26.445,45 pontos); S&P 500, -0,32% (7.728,20 pontos); e Dow Jones, -0,34% (53.791,85).


CIAS ABERTAS NO AFTER – A Fitch elevou o rating global da AXIA de BB- para BB, com perspectiva estável, e o rating nacional de AA(bra) para AAA(bra)…


… Período para conversão de ações PNC em ON será de hoje até sexta-feira; papéis não convertidos serão automaticamente resgatados.


TAESA teve lucro líquido regulatório de R$ 206,8 milhões no segundo trimestre, queda de 28,5%. A receita regulatória cresceu 9,3%, para R$ 679,2 milhões, e o Ebitda regulatório avançou 10,6%, para R$ 577,2 milhões…


… Conselho aprovou R$ 206,8 milhões em dividendos e JCP, equivalentes a R$ 0,60 por unit, com pagamento em 26/11. Papéis ficam ex em 17/08.


ENEL SP. Diretoria da Aneel rejeitou recurso da companhia e manteve processo que pode levar à caducidade da concessão; decisão final caberá ao Ministério de Minas e Energia.


PAGBANK teve lucro líquido recorrente de R$ 576 milhões no segundo trimestre, alta de 1,9% ante um ano antes. Receita cresceu 1,7%, para R$ 3,4 bilhões…


… Conselho aprovou dividendo de US$ 0,28 por ação, com pagamento em 30/09. Papéis ficam ex em 17/09.


BV teve lucro líquido recorrente de R$ 491 milhões no segundo trimestre, alta de 6,8% ante um ano antes. Carteira de crédito cresceu 11,9%, para R$ 102,3 bilhões.


ASSAÍ negou estar negociando fusão, incorporação ou mudança de controle com o Grupo Muffato.


AMERICANAS. TRF-2 decidiu que movimentações financeiras de acionistas de referência e do ex-CEO Sergio Rial podem continuar sendo monitoradas, mesmo após a Justiça ter suspendido bloqueio de seus bens, informou o Valor.


MULTIPLAN concluiu a venda de 9,33% do ParkShoppingBarigüi por R$ 250 milhões e passou a deter 84% do ativo.


DIRECIONAL teve lucro líquido de R$ 201,6 milhões no segundo trimestre, alta de 9,7%. Receita cresceu 20,1%, para R$ 1,28 bilhão, e Ebitda avançou 27,3%, para R$ 311,5 milhões…


… Conselho aprovou programa de recompra de até 32 milhões de ações, com prazo de 18 meses.


CURY teve lucro líquido de R$ 270,5 milhões no segundo trimestre, alta de 14,3%. Receita cresceu 25,5%, para R$ 1,690 bilhão, e Ebitda ajustado avançou 20,2%, para R$ 392,3 milhões…


… Companhia distribuirá R$ 190 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,6167 por ação, com pagamento em 08/09. Papéis ficam ex-dividendo em 17/08.


HELBOR teve lucro líquido de R$ 583 mil no segundo trimestre, ante R$ 1,64 milhão um ano antes. Receita caiu 26%, para R$ 212,7 milhões, prejudicada pela decisão da incorporadora de não realizar lançamentos no período.


AERIS teve prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre, 4,8% menor ante um ano antes. Receita caiu 46,6%, para R$ 129,3 milhões, e Ebitda ajustado recuou 22,3%, para R$ 12,405 milhões.


VIVEO reduziu o prejuízo líquido ajustado em 52%, para R$ 21,2 milhões no segundo trimestre. Receita cresceu 3,4%, para R$ 2,9 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 21,8%, para R$ 216,6 milhões.


BLAU teve lucro líquido de R$ 55,5 milhões no segundo trimestre, queda de 12%. Receita cresceu 5%, para R$ 487 milhões, e Ebitda recorrente avançou 3%, para R$ 126 milhões.


VITRU teve lucro líquido ajustado de R$ 159,9 milhões no segundo trimestre, alta de 31,5%. Receita cresceu 9,1%, para R$ 661,4 milhões, e Ebitda ajustado avançou 9,3%, para R$ 278 milhões.


CRUZEIRO DO SUL teve lucro líquido ajustado de R$ 100,7 milhões no segundo trimestre, alta de 60,6%. Receita cresceu 8,2%, para R$ 780,3 milhões, e Ebitda ajustado avançou 15,1%, para R$ 231,7 milhões.


VAMOS registrou lucro líquido de R$ 101,1 milhões no segundo trimestre, alta de 9%. Receita cresceu 10,8%, para R$ 1,56 bilhão, e Ebitda avançou 6,6%, para R$ 971,5 milhões.


MOTIVA registrou tráfego de 132,6 milhões de veículos em julho, alta de 32,1% ante um ano antes. Em bases comparáveis, o avanço foi de 1,2%.


FRASLE MOBILITY teve lucro líquido de R$ 88 milhões no segundo trimestre, alta de 82,1%. Receita cresceu 1,8%, para R$ 1,384 bilhão, e Ebitda avançou 18,4%, para R$ 282,3 milhões.


TAURUS teve lucro líquido de R$ 97,4 milhões no segundo trimestre, salto de 193,4%, impulsionado por reembolso de tarifas nos Estados Unidos. Receita caiu 10,3%, para R$ 360,9 milhões.


BRISANET teve lucro líquido de R$ 26 milhões no segundo trimestre, mais de quatro vezes o resultado de um ano antes. Receita cresceu 16%, para R$ 475,9 milhões.


CSU DIGITAL teve lucro líquido de R$ 20,1 milhões no segundo trimestre, queda de 15,2%. Receita cresceu 13,8%, para R$ 176,1 milhões, e Ebitda avançou 3,6%, para R$ 49,2 milhões.


ESPAÇOLASER reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 5,6 milhões no segundo trimestre. Receita caiu 3,5%, para R$ 257,5 milhões, e Ebitda ajustado recuou 23,5%, para R$ 49,4 milhões.

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