quarta-feira, 16 de setembro de 2026

OESP

Magnífico editorial do Estadão:
" *Espetáculo degradante no Supremo*


Por meio de chicanas e ofensas, Moraes e seus aliados tumultuam a sessão que deveria se ater ao caso escabroso do ministro. Cármen Lúcia se disse envergonhada. Todo o Brasil decente está


O Supremo Tribunal Federal (STF) se desmoralizou perante a Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar. Ao fim de uma longa sessão, marcada por bate-bocas, ofensas e graves acusações entre alguns ministros, a Corte encerrou o dia no ponto exato em que começou, vale dizer, sem decidir sobre a abertura de investigação do ministro Alexandre de Moraes pela suposta consultoria que ele teria prestado ao banqueiro vigarista Daniel Vorcaro. Foi uma vitória, muito bem arquitetada, da turma chicaneira pró-Moraes e contra a sociedade, personificada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do indigitado.


Só a ministra Cármen Lúcia teve a dignidade de pedir desculpas ao País pelo “mal-estar cívico” que o STF provocou em “todos os cidadãos e todas as cidadãs” do Brasil. Ela se disse “envergonhada” pelo espetáculo degradante protagonizado por alguns de seus pares. Como ela, todo o Brasil decente está envergonhado.


Antes de Dino pedir vista a pretexto de serenar ânimos após um chilique teatral de Mendes e, assim, interromper o julgamento da questão principal por semanas ou meses, os chicaneiros se lançaram em enfadonhas perorações, de claro vezo procrastinatório, sobre questões preliminares minúsculas à luz da gravidade das suspeitas que pesam sobre o sr. Moraes. O propósito, evidentemente, era fugir, ao menos agora, da singela decisão de autorizar ou não a investigação – a mera investigação – do ministro.


Enquanto Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiam sobre qual deles teria “mais medo” da Polícia Federal (PF) e se insinuava a existência de uma “PF paralela” monitorando ministros, Mendes e Dino, em jogral, atacaram a autoridade do presidente do STF, o ministro Edson Fachin. Ambos chegaram a dizer que Fachin teria se valido de um expediente da ditadura militar para avocar a relatoria da petição de investigação de Moraes – não só um absurdo jurídico-factual, como um insulto à decência e à história de vida do ministro presidente. Eis o nível da degradação da mais alta instância judicial do País, à beira do irrecuperável.


Tudo o que se viu ontem foi pura chicana. Nenhum dos ministros discutiu de fato o conteúdo das dezenas de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Discutiram relatorias, ritos, objeto e outras filigranas. Sobre a gravidade do que lhes apresenta o caso concreto, nem uma palavra de horror ou de vergonha, à exceção, como notamos, de Cármen Lúcia. Tal foi a bagunça, decerto deliberada, que o ministro Kassio Nunes Marques nem sequer se constrangeu ao cometer a barbaridade de se declarar “impedido” por sua jurisdição à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – como se a Constituição não autorizasse o acúmulo de função de ministro do TSE e do STF. Impassível, Marques levantou-se e foi embora.




Ao contrário do que alega Moraes, não está em curso um ataque de golpistas ressentidos com ele ou com a Corte. Foram ministros como o próprio Moraes que lançaram o Supremo nesse esgoto moral, um ultraje à memória de todos os ministros de genuína reputação ilibada que lá já tiveram assento. São amplos os segmentos da sociedade civil, de convicções democráticas insofismáveis, que não se conformam em ver o Supremo se suicidar como instituição republicana em nome da salvação pessoal de um ou outro de seus integrantes. Quando uma ministra da própria Corte se diz envergonhada pelo que viu acontecer diante de seus olhos, não há brecha para que alguns de seus colegas sigam tratando como zelo processual o que é blindagem pura e simples.




Se, ao fim de toda essa história escabrosa, o Supremo decidir não investigar Moraes, não será mais visto como um Poder da República, e sim como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro – e de sabe-se lá mais quem. Caberá ao Senado, então, fazer o que a Corte não teve a decência de fazer e cassar o sr. Alexandre de Moraes. Nunca é demais lembrar que a força do Judiciário vem da legitimação cotidiana de seus juízes. E se o próprio Supremo vier a matá-la para que um dos seus possa escapar do escrutínio de suas atitudes, que a maioria dos senadores salve a Corte de si mesma.

Pedro Simon


(Eis a proposta de Pedro Simon, 96 anos, uns 70 de dedicação à vida pública, uns dos mais respeitados senadores da República de nossa História)


A grande crise brasileira

Pedro Simon

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.


Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.


Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master, o embate público entre ministros do Supremo Tribunal Federal, a dúvida lançada sobre a isenção do próprio procurador-geral da República e o conturbado afastamento do comando da Polícia Federal expuseram, aos olhos de todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Foi no Senado que passei trinta e dois dos meus sessenta anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação. Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


As ações que tomarmos a seguir definirão os rumos do país pelas próximas décadas. Rogo que o Supremo, no julgamento desta terça-feira, dia 15 de setembro, tenha condições de conduzir um julgamento aberto, público e transparente. O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o procurador-geral da República, diante das dúvidas lançadas sobre sua isenção, não participe do julgamento; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça. (Foto: Divulgação)

Por Pedro Simon – advogado, ex-governador do Rio Grande do sul, ex-senador e ex-ministro da Agricultura

BDM Matinal Riscala

 Quarta-feira 16 de Setembro de 2026


*FED E COPOM EM DIREÇÕES CONTRÁRIAS*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… A Superquarta chega com Fed e BC caminhando em direções opostas, mas pressionados pelo mesmo risco: o petróleo perto de US$ 110. Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, as decisões são amplamente esperadas: uma alta de 25pbs lá e um corte de 25pbs aqui. As atenções estarão concentradas na comunicação de Kevin Warsh e do Copom sobre os próximos passos, em um cenário de juros longos americanos nas máximas em quase duas décadas. O mercado acompanha ainda os desdobramentos da crise no STF, depois de o pedido de vista de Flávio Dino adiar a decisão sobre a investigação de Alexandre de Moraes e prolongar seus possíveis efeitos sobre a disputa eleitoral.


PETRÓLEO PERTO DE US$ 110 – Na véspera da Superquarta, com as decisões do Fed e do Copom, a guerra ampliou a ameaça à oferta global de petróleo e levou o Brent a fechar em US$ 108,75, alta de 2,9%, enquanto o WTI avançou 4,38%, a US$ 105,83.


… Além das contínuas restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, entrou em xeque uma das principais rotas alternativas: a Arábia Saudita suspendeu os carregamentos no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após fechar o oleoduto Leste-Oeste, atingido por ataques.


… Riad já avisou clientes europeus de que algumas cargas previstas para o fim de setembro serão canceladas. O governo americano afirmou ontem à noite, porém, que espera que o oleoduto volte a funcionar “muito em breve”.


… A pressão dos houthis abriu ainda uma nova frente de cooperação regional. Segundo a Axios, comandantes militares dos Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita e outros países árabes se reuniram secretamente na Alemanha na semana passada para discutir a escalada das tensões.


… A Kan News informou que os sauditas pediram ajuda aos Estados Unidos contra os houthis e que Washington repassou a solicitação a Israel, que já começou a fornecer informações de inteligência a Riad para proteger a navegação pelo Estreito de Bab al-Mandab e Mar Vermelho.


ORMUZ – A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter derrubado mais um drone militar americano sobre o Estreito de Ormuz, o terceiro, segundo Teerã, enquanto o vice-presidente JD Vance disse que o tráfego por Ormuz já voltou para bem mais de 50% do normal.


DESGASTE AMERICANO – Relatório oficial divulgado ontem revelou que a guerra provocou insuficiência nos estoques de armamentos avançados dos Estados Unidos, contrariando declarações de Trump de que o país dispõe de grandes quantidades desses equipamentos.


… O documento relata ainda danos ou destruição de dezenas de aeronaves e drones americanos e de centenas de estruturas em bases no Oriente Médio. Especialistas estimam que a recomposição de alguns estoques de mísseis e interceptadores poderá levar cerca de três anos.


… Já o CBO calculou que a guerra custou US$ 38 bilhões aos Estados Unidos nos primeiros cinco meses e deve acrescentar US$ 3 bilhões por mês às despesas. O órgão do Congresso estima ainda que o conflito elevará a inflação americana em 0,5% nos primeiros três meses de 2027.


RÚSSIA E UCRÂNIA – A pressão sobre o mercado de energia vem também da Europa. Rússia e Ucrânia voltaram a atacar instalações energéticas ontem, apesar de o presidente Trump ter anunciado na véspera um acordo para poupar esses alvos.


… Zelensky afirmou que Kiev atingiu uma refinaria russa em Syzran, enquanto Moscou voltou a atacar a infraestrutura energética ucraniana.


FED SOB PRESSÃO


O mercado chega à decisão do Fed convencido de uma alta de 25 pontos-base, com 95% de probabilidade precificada, mas a escolha pode dividir o Fomc e a sinalização de Kevin Warsh para os próximos passos será tão importante quanto a decisão.


… Para o UBS, a reunião oferece a Warsh a oportunidade de transformar em ação a retórica mais hawkish adotada desde que assumiu o comando do Fed, em junho. E, principalmente, em seu discurso em Jackson Hole. Sua coletiva será às 15h30.


… A decisão do Fomc, esperada para as 15h, não deve ser unânime. UBS e ASA esperam votos pela manutenção, enquanto o comunicado deve evitar guidance claro sobre os próximos movimentos e reforçar a necessidade de novos avanços na desinflação.


… O Fed enfrenta uma combinação desconfortável de petróleo perto de US$ 110 e juros longos nas máximas em quase duas décadas. A T-note de 10 anos chegou ontem a 5,041%, maior nível desde 2007, antes de devolver parte da alta.


… Nem toda a alta dos rendimentos dos títulos, no entanto, é atribuída à elevação dos juros.


… Pesquisa da Bloomberg mostra que 40% dos investidores em títulos/renda fixa apontam a aceleração dos preços como maior ameaça aos Treasuries nos próximos seis meses, seguida pelas preocupações fiscais, com 38%. Apenas 7% citam novas altas do Fed.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu ontem que a necessidade de conter o déficit pressiona os juros longos americanos.


COPOM CORTA, MAS E DEPOIS?


– No sentido contrário ao Fed, o Copom deve reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 13,75%, às 18h30. A curva precifica 96% de probabilidade desse movimento e 75 das 78 instituições consultadas pelo Broadcast também esperam o corte.


… A dúvida está no que acontece depois. Para novembro, os DIs já indicam praticamente um empate, com 52% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 48% de manutenção. Para dezembro, a aposta em manutenção sobe para 84%.


… Desde a reunião de agosto, o cenário doméstico ficou mais confortável para o BC. A desaceleração da atividade se espalhou por mais setores, enquanto a inflação corrente e a média dos núcleos perderam força, embora os serviços continuem pressionados.


… O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas a demanda doméstica foi mais fraca do que o número cheio sugere. O consumo das famílias caiu 0,4%, a indústria de transformação recuou e os serviços avançaram pouco.


… Os indicadores posteriores reforçaram nesta terça-feira a perda de fôlego, com o varejo recuando 0,8% somente em julho.


… Os juros elevados também começam a aparecer com mais clareza no crédito. As concessões livres às empresas recuaram, a inadimplência aumentou e a taxa média cobrada das empresas chegou a 25,4% em julho, maior nível desde 2017.


… Do outro lado, permanecem a inflação de serviços, as expectativas acima da meta e as incertezas fiscal e eleitoral. E o cenário externo, que piorou bastante com o petróleo perto de US$ 110 e a alta dos juros longos americanos.


… O choque do petróleo, porém, não exige necessariamente uma resposta direta do BC. O que importa para a política monetária é uma eventual contaminação do câmbio, das expectativas e da inflação subjacente. Até agora, o real tem mostrado resistência à piora desse cenário.


COMUNICAÇÃO SERÁ FUNDAMENTAL – O mercado não espera guidance para novembro, e acredita que o BC deixará os próximos movimentos dependentes da atividade, da inflação, do câmbio e das expectativas. Ou seja, deve manter em aberto todas as possibilidades.


… A mediana do Projeções Broadcast mantém a Selic em 13,75% até o fim do ano, o que faria do corte de amanhã o último de 2026.


… Mas há divergências importantes no mercado sobre esse cenário.


… A Eytse Estratégia espera que o Copom continue reduzindo a Selic em passos de 25 pontos-base até o fim do ano.


… Para a consultoria, a desaceleração mais disseminada da atividade e o aumento da restrição no crédito permitem prolongar o ciclo, desde que não haja depreciação relevante do real ou nova deterioração das expectativas.


… Sérgio Goldenstein acredita que mesmo um leve ajuste na projeção do IPCA do BC para o horizonte relevante (1TR/28), de 3,2% em agosto para 3,3%, manteria a inflação ao redor da meta e seria compatível com novo corte de 25 pontos-base.


STF ADIA DESFECHO


– O pedido de vista de Flávio Dino deixou em suspenso a decisão do STF sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suas relações com Daniel Vorcaro ou pelas relações do escritório de advocacia de sua mulher com o banqueiro.


… A sessão terminou sem discutir o mérito e Dino terá 90 dias para devolver o processo, o que pode empurrar o desfecho para após as eleições. Se usar todo o prazo, o ministro só devolverá o processo em 13 de dezembro. Não há, porém, impedimento para que antecipe a devolução.


… Antes da suspensão, o STF formou placar de 4 a 3 contra uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que pretendia reunir o caso de Alexandre de Moraes ao processo sobre André Mendonça e redistribuir a relatoria.


… Votaram com o relator Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia para manter os julgamentos separados. Gilmar foi acompanhado por Cristiano Zanin e Moraes. Dino também havia se manifestado a favor, mas seu voto não foi contabilizado depois do pedido de vista.


… A sessão foi marcada por fortes atritos entre os ministros. Gilmar acusou Mendonça de ter motivações políticas na condução do caso, e Mendonça respondeu que o decano estava sendo “leviano”. Também houve embates entre Dino e Fachin e entre Moraes e Mendonça.


… Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de participar do julgamento.


… Com o julgamento de Moraes suspenso antes de uma decisão sobre a proposta de análise conjunta dos dois casos, permanece marcada para a semana que vem, dia 23 de setembro, a sessão sobre a abertura de processo contra André Mendonça. Fachin é o relator.


IMPACTO NA ELEIÇÃO


– A tensão no STF foi acompanhada de perto pelos investidores e acrescentou prêmio aos juros futuros intermediários e longos, embora o petróleo perto de US$ 110 e a pressão dos Treasuries também tenham pesado sobre a curva.


… Para gestores ouvidos pelo Broadcast, o principal canal de transmissão da crise do Supremo para os ativos continua sendo a eleição. A avaliação é de que o mercado tende a reagir menos ao resultado jurídico do que aos efeitos sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.


… O pedido de vista acrescenta uma variável a essa conta ao permitir que o caso permaneça sem solução durante a campanha.


… Um gestor avaliou que, quanto mais tempo o STF permanecer no noticiário, maior será o espaço para a oposição explorar o desgaste da Corte e tentar associá-lo a Lula. A própria campanha de Lula faz uma avaliação semelhante.


… Segundo apurou a Coluna do Estadão com petistas não há um desfecho capaz de produzir ganho eleitoral claro para o presidente. A abertura de investigação contra Moraes seria o cenário “menos pior”, porque permitiria a Lula tentar se descolar do ministro.


… E o presidente tem trabalhado nisso em sua campanha. Em entrevista à Record, ontem à noite, defendeu que todos os ministros envolvidos no caso Master sejam investigados, “sem distinção”, e afirmou que o STF enfrenta uma crise de credibilidade.


… Já Flávio Bolsonaro continua sabendo explorar a crise a seu favor. Ao comentar o pedido de vista que adiou o julgamento, acusou Dino de proteger Moraes e voltou a associar os dois ministros ao presidente Lula, em comício ontem em Fortaleza.


MAIS PESQUISAS


– Ainda nesta terça-feira, a Indexa/Broadcast apontou empate técnico, com Lula em 43% e Flávio em 42%. A vantagem do presidente caiu de cinco pontos percentuais em agosto para apenas um ponto em setembro.


… Já a CNT/MDA mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, acima da margem de erro, por 47,3% a 40%.


MAIS AGENDA


– Antes da Superquarta, o IBC-Br de julho, às 9h, será mais um teste para a desaceleração da atividade. A mediana do Projeções Broadcast aponta queda de 0,10% na margem, após recuo de 0,64% em junho, com estimativas de -0,40% a +0,40%.


… Na comparação anual, a projeção é de alta de 1,10%, com intervalo de 0,80% a 2,10%, desacelerando dos 2,35% registrados em junho.


… Mais cedo, às 8h, a FGV divulga o IGP-10 de setembro, que deve voltar ao terreno positivo após três meses de deflação. A mediana é de alta de 1,15%, ante queda de 0,51% em agosto, com estimativas entre +0,25% e +1,50%.


… Nos Estados Unidos, as vendas no varejo de agosto, às 9h30, são o principal indicador, com previsão de +0,7%, após queda de 0,6% em julho.


… Às 11h30, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados, em um momento de forte pressão sobre os preços da energia.


… No Reino Unido, o CPI de agosto sai às 3h, com previsão de aceleração para 3,1% em 12 meses, de 2,9% em julho. O núcleo deve passar de 2,6% para 2,7%. Às 6h, a zona do euro divulga a produção industrial de julho, com previsão de alta de 0,1%, após estabilidade no mês anterior.


… Ainda na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento em Frankfurt às 14h.


BDM LIVE – A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, conversa hoje, às 10h, com os jornalistas Rosa Riscala e Téo Takar sobre as expectativas para a decisão da Selic nesta Superquarta. Assista no canal do BDM no YouTube.


RISCA O FÓSFORO


– Simultaneamente, o investidor se vê desafiado a lidar com dois focos de incêndio no ambiente de negócios (petróleo em quase US$ 110 e crise de credibilidade do STF), que elevam a guarda.


… Está difícil de manter o sangue-frio com o estresse institucional no Supremo e com as taxas dos Treasuries rodando nas máximas em quase 20 anos, sem qualquer previsão factível para o fim da guerra no Oriente Médio.


… Ontem, o miolo e a ponta longa da curva do DI não conseguiram esconder a pressão dupla, doméstica e externa.


… No fechamento, o contrato para Jan/28 subiu a 13,670% (contra 13,628% na véspera); Jan/29 avançou para 13,940% (de 13,867%); Jan/31 saltou para 14,230% (de 14,108%); e Jan/33, para 14,370% (contra 14,255%).


… Em véspera de Copom, só os juros futuros curtos conseguiram se defender perto da estabilidade, porque o corte da Selic hoje é dado como certo e porque as vendas no varejo em julho do IBGE vieram no piso esperado (-0,8%).


… O contrato de DI para Janeiro de 2027 marcou 13,580%, praticamente igual aos 13,585% no ajuste anterior.


… O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, acredita que o Copom tem espaço para cortes adicionais das taxas se economia doméstica continuar enfraquecendo, mas adverte que Selic de um dígito só em 2028.


… “Será necessário um ajuste fiscal”, disse, durante painel no B3 Week a investidores estrangeiros. “Dependendo do ajuste fiscal, o País terá condições de alcançar um nível de crescimento do PIB semelhante ao global, de 2,5% a 3%.”


LENHA NA FOGUEIRA


– Lá fora, com o petróleo explodindo e o Fed preso nas cordas da inflação para elevar o juro hoje, as taxas dos Treasuries continuam operando sob pressão e reforçando o fracasso de Bessent em apagar o fogo.


… Nesta terça-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos atingiram picos não vistos desde 2007. Cravaram 5,041% durante a madrugada e fecharam o pregão regular em 5,001%, de 4,987% um dia antes.


… A última vez em que a taxa do bônus de dez anos fechou acima de 5% foi há quase três anos, em outubro de 2023, e permaneceu nesse nível por apenas um dia, o que transfere toda a atenção para o fechamento de hoje.


… Durante a audiência ontem em comitê da Câmara americana, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu a alta nos rendimentos dos Treasuries a “questões globais”, mas reconheceu a necessidade de enfrentar o déficit.


… Apesar de os yields dos Treasuries terem continuado escalando nos últimos dias, mesmo após o Tesouro ter realizado semana passada a maior recompra de títulos, Bessent disse nesta terça que a operação foi um sucesso.


… O secretário também defendeu a intervenção conjunta do Tesouro com o Japão para sustentar a moeda japonesa e impedir que o governo de Tóquio vendesse Treasuries em massa para bancar operações para apreciar o iene.


… Apesar da perspectiva de que o BoJ eleve a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, esta semana, o iene caiu 0,52%, para 155,11 por dólar, porque a moeda americana aproveitou para ganhar força antes do Fed.


… O BofA calcula que o BC japonês promoverá quatro ajustes em alta na política monetária: um agora em setembro, outro em dezembro e mais dois, em março e julho do ano que vem, elevando a taxa básica ao nível terminal de 2%.


… Em véspera de Fed, o euro caiu 0,12%, para US$ 1,1545, e a libra esterlina perdeu 0,21%, a US$ 1,3479.


… Por aqui, o dólar subiu pouco, só 0,14%, cotado a R$ 5,1543, porque o petróleo caro traz compensações ao real.


NA CAUDA DO COMETA


– De carona no rali do petróleo, Petrobras alcançou ontem o maior valor de mercado da história, de R$ 693,14 bilhões, ultrapassando a marca dos R$ 680,1 bilhões que havia sido atingida em abril.


… O papel PN segue à risca o comportamento do barril e acumula alta de 73% no ano, exatamente igual ao Brent. Ontem, a ação saltou 3,09%, a R$ 50,43, e Petrobras ON (+3,63%), a R$ 56,23, liderou o ranking de altas do Ibovespa.


… O índice à vista da bolsa doméstica fechou com ganho de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, mas o giro reduzido, de apenas R$ 15,8 bilhões, comprova que o investidor se manteve na defensiva, com o petróleo e o STF no foco.


… Neste ambiente, Vale caiu 1,17%, à mínima intraday de R$ 74,60, e foi pior do que o minério (-0,56%).


… Os principais bancos também recuaram, em sua maioria: Bradesco PN, -0,71% (R$ 18,20); BB, -0,36% (R$ 22,04); Santander unit, -0,99% (R$ 30,07); e BTG unit, -0,46% (R$ 60,20). A exceção foi Itaú, que subiu 0,76% (R$ 42,67).


… As bolsas em Nova York não pararam em pé, diante da pressão persistente do petróleo, da alta de juro contratada para o Fed e do medo sobre a segurança na Inteligência Artificial. O Nasdaq recuou 0,78%, aos 25.981,57 pontos.


… O Dow Jones caiu 0,63%, aos 52.092,11 pontos; e o S&P 500 perdeu 0,45%, aos 7.585,73 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER


– Governo avalia usar títulos soberanos de Angola como garantia para financiamento de cerca de R$ 2 bilhões para venda de três C-390 da EMBRAER ao país africano, segundo o Valor.


AVIBRAS. Cade aprovou sem restrições a compra da maior indústria de defesa do Brasil pela Globe Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.


JBS e VIVA assinaram acordo para unir os negócios de couro na JBS VIVA, com participação de 50% para cada grupo. Operação ainda depende de condições para conclusão.


MINERVA aprovou aumento de capital de R$ 2,7 mil, com emissão de 544 ações ON decorrente do exercício de bônus de subscrição.


CVC. Fitch reafirmou rating BBB(bra) e revisou perspectiva de positiva para estável, diante de geração de caixa mais fraca e pressões sobre o setor de turismo.


ALLOS pagará R$ 438 milhões em dividendos, ou R$ 0,291919 por ação, em três parcelas entre outubro e dezembro.


WEG pagará quase R$ 450 milhões em JCP, equivalentes ao valor líquido de R$ 0,08845 por ação. Papéis ficam ex a partir de 21/9.


AXIA converterá 69,9 milhões de ações PNC em ON e resgatará outros 41,6 milhões de papéis, com liquidação financeira de R$ 2,31 bilhões.


COPASA informou ao Ministério Público suspeita de sabotagem após quatro rompimentos de adutoras em Minas Gerais. Órgão avaliará abertura de investigação criminal.


JALLES MACHADO. S&P reafirmou ratings BB e brAAA, com perspectiva estável, citando resiliência de indicadores de crédito, flexibilidade financeira e disciplina na alocação de capital.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,4% US tech -0,6% US Semis +0,4% UE -0,4% Espanha -0,1% VIX 17,2% Bund 3,54%. T-Note 5,00%. Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 4,01% PT 3,91% ITA 4,42% FRA 4,50% Euribor 12m 3,33% USD 1,154 JPY 179,0/€. Ouro 4.292$. Brent 108,8$. WTI 105,8$. Bitcoin -4,1% (75.874$). Ether -6,4% (2.406$).

 

SESSÃO: Toda a atenção na Fed (19 h). É a reunião mais aberta dos últimos anos e chega também num momento de mercado complicado. Este atribui mais de probabilidade a uma subida de taxas de juros de +25 p.b., embora não seja descartável que as mantenha sem alterações em 3,50%/3,75%, tendo em conta que: (i) a inflação moderou-se nos últimos meses (+3,4% em agosto desde +4,2% em maio); (ii) não se apreciam pressões salariais de momento. (iii) O possível abrandamento do investimento em IA poderá pesar sobre o crescimento económico; e (iv) possíveis pressões políticas com o T-Note em níveis de 5%. Em qualquer caso, a mensagem de Warsh será provavelmente dura; devemos debater realmente entre estabilizar o T-Note em níveis de 5% em caso de manter taxas de juros e superá-los se optar por fazer uma subida. Em qualquer caso, o fundo de mercado continuará “abalado” enquanto os preços do petróleo se mantiveram acima de 100 $ e as dúvidas sobre a IA. Por isso, uma sessão lateral antes e depois da Fed não seria um mau cenário para hoje. 


FIM

terça-feira, 15 de setembro de 2026

OESP e Alexandre Shwartzman



Minha opinião




O artigo de opinião do Estadão de hoje, domingo, 13/09/2026, a dois dias da sessão que definirá não o destino de Xandão mas sim o do próprio tribunal que eventualmente o julgará (se chegarmos a este ponto, já estaremos no lucro: o mais provável mesmo é caminhar para a pizza suprema de sempre, mas espero estar enganado)... o que eu falava mesmo? Ah, sim, o artigo de opinião do Estadão é contra Lula e tudo o que ele significa. Não vou compartilhar aqui seu texto que de qualquer modo estará em breve em diversos murais; quero usá-lo apenas para expressar a minha opinião sobre o clima geral em relação às eleições daqui a exatas três semanas.




Negócio seguinte: após o fim da ditadura militar, o choque da morte de Tancredo Neves (lembro como choramos ao som de 'Coração de Estudante' na voz de Milton Nascimento) e o consequente susto de Sarney (lembro da imagem dele, quase congelado, na posse, o pavor estampado no rosto), tivemos bastante turbulência, parimos uma Constituição Federal coalhada de micro-gerenciamento e portanto fadada a se tornar a colcha de retalhos que é hoje, emendada em média 3,5 vezes por ano, vimos um caçador de marajás se revelar um caçador de propinas mas finalmente, após Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a nação parecia ter recobrado o controle da aeronave, escapado das turbulências e começado a voar em céu tranquilo, ainda com muitas desigualdades sociais mas com boas chances de reduzi-las progressivamente ao longo dos anos.




Aí aconteceu o PT na história do Brasil, e os vinte e três anos que se sucederam desde sua tomada de poder levaram ao Brasil de hoje. Interessante que essas duas letras sejam muito usadas popularmente para designar 'perda total', o que definitivamente não foi o caso. Sob o PT, em especial durante o primeiro governo Lula, muita coisa boa aconteceu, mesmo tendo ele abraçado ditadores ao longo de toda a sua carreira, mostrando uma afinidade quase doentia por qualquer um que enfrentasse de frente os ianques, não importa com que armas. Acontece que o escorpião não consegue mudar sua sina, e sempre vai picar o sapo. Tudo bem que o PT aceitou o resultado das eleições quando perdeu em 2018, e diz agora que aceitará novamente se o Lula IV não se concretizar. Isso é uma das poucas coisas que se pode dizer de positivo para recomendar o voto nele num segundo turno entre Lula e Flávio. Nada, absolutamente nada se compara ao desastre que foi o governo Bolsonaro, se é que se pode usar o termo 'governo' para o que aconteceu de 2019 a 2022. Nem vou entrar em detalhes, iria dobrar o tamanho desse texto que já está longo demais.




Por que estou escrevendo tudo isso? É que li um artigo, de novo no Estadão (é o primeiro jornal que leio toda manhã, mas não é o único), de Alexandre Schwartsmann, cujo texto vou reproduzir a seguir. Ele analisa, do ponto de vista de um economista, as causas da atual situação do Brasil. Concordo com cada palavra dele, e só faltou ele usar o termo que rima com peixaria (tem uma letra a menos, e também começa com 'p', mas se eu escrevê-la aqui o Facebook me censura). Segue seu texto.




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Rima com peixaria: a crise institucional é expressão do fracasso econômico

Por Alexandre Schwartsman

12/09/2026




Escrevo em meio ao conflito aberto no Supremo Tribunal Federal sobre um tema acerca do qual não costumo me pronunciar, embora tenha implicações econômicas para lá de sérias. E, muito embora não seja obviamente o mais indicado para responder se um ministro do STF tem poderes para revogar a decisão de uma das turmas da corte (quem, na verdade, sabe?), não é necessário muito para entender as consequências da bagunça que se tornou o tribunal mais importante do Brasil.




Vieram agora a público indícios de ligações suspeitas entre integrantes da corte o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hesito em tratá-las como “não republicanas”; são plenamente republicanas, desde que adicionemos as bananas.




Ministros se acusam. Um solitário ministro, no papel de Penélope, desfaz o que três outros fizeram. O presidente da corte assiste, assim como a população, a degradação institucional do que um dia foi chamado de Excelso Pretório.




Não ocorreu por acaso. O País enfrenta há décadas um esforço de demolição das suas instituições. Sempre nos inclinamos para o casuísmo, ignorando as regras que constrangem interesses momentâneos.




Temos uma Lei de Responsabilidade Fiscal, mas encontramos maneiras de contorná-la. A Regra de Ouro deveria impedir que o endividamento financiasse despesas correntes acima dos limites constitucionais, mas exceções terminaram por esvaziá-la. Driblamos o teto de gastos, o arcabouço fiscal e a lei de governança das estatais, sempre ao sabor dos poderes de plantão — e isso para ficar apenas nas matérias econômicas.




Houve, é bom que se diga, tentativas para mudar este estado das coisas. Reformas, aprovadas em diferentes governos, até que tentaram reverter o processo. No final, porém, prevalece a entropia.




Ao contrário, portanto, de países em que o enriquecimento se dá principalmente pela inovação, portanto elevação da produtividade, fundamento do crescimento sustentado, aqui compensa mais cultivar relações com o poder público.




Quando a proximidade com Brasília oferece retorno superior ao investimento, à concorrência e à inovação, não é difícil prever para onde migrarão dinheiro e talento. As festas de Vorcaro e sua presença ubíqua nos altos escalões da república são apenas uma manifestação particularmente vistosa de fenômeno muito mais amplo.




Não é por azar que o crescimento da produtividade é pífio, mal atingindo 0,2% ao ano de 2012 para cá. Quando todos buscam laços pessoais para ganhar dinheiro, faltam os que fazem o País crescer de verdade.




Não é peixaria, mas rima com ela.

Reflexões

Amanhã, acontece a superquarta. Mercado já precifica corte de 0,25 pp na Selic, a 13,75%, e elevação do Fed Funds, diante do stress do barril de petróleo, a US$ 108. Hoje, no entanto, as atenções se voltam, por aqui, ao STF, na sua decisão para o início das investigações de Alexandre de Moraes, depois que a PF lacrou uma investigação sobre o Banco MASTER, sendo ele um dos principais envolvidos. Várias gravações, para lá de comprometedoras, acabaram vazando, tornando a situação dele INSUSTENTÁVEL. Teria que ser um AFASTAMENTO rápido, mas tudo pode melar, se um dos ministros pedirem vistas do processo. Aí são mais 90 dias de enrolação. Se Lula for reeleito, acabou.

Call Matinal

15/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (1409)

O Ibovespa foi mal nesta segunda-feira (14) e recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, com giro de apenas R$ 17,1 bilhões. Influenciaram os desdobramentos da crise no STF em reflexos para a corrida ao Planalto. No câmbio, o dólar superou R$ 5,18 na máxima intraday, mas devolveu a cautela parcialmente e fechou abaixo de R$ 5,15. Desacelerou a alta para 0,44%, a R$ 5,1479, aproveitando que o petróleo reduziu a intensidade do rali.

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS

Os mercados operam em baixa nesta terça-feira (15), pressionados pela alta dos preços do petróleo e os imbróglios no estreito de Ormuz.







MERCADOS 5h30




EUA

Índices

Comentários




Dow Jones Futuro: -0,62%

S&P 500 Futuro: -0,47%

Nasdaq Futuro: -0,50%

Os mercados de NY em baixa nesta terça-feira (15), pressionados pela alta dos preços do petróleo, que aumentou a pressão sobre os títulos do Tesouro americano, levando o rendimento dos títulos de 10 anos a níveis vistos pela última vez há 19 anos.


Ásia-Pacífico








Shanghai SE (China), -0,54%

Nikkei (Japão): -0,01%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,00%

Nifty 50 (Índia): -0,56%

ASX 200 (Austrália): -0,88%




Europa








STOXX 600: -0,77%

DAX (Alemanha): -0,78%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,80%

CAC 40 (França): -0,78%

FTSE MIB (Itália): -0,83%




Commodities








Petróleo WTI, +1,96%, a US$ 103,38 o barril

Petróleo Brent, +1,84%, a US$ 107,58 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,56%, a 707,50 iuanes (US$ 105,43)

Bitcoin, -2,84%, a US$ 76.838,26






Dia 1509

Superterça, superquarta, semana agitada!

Hoje, o STF se reune para deliberar sobre a investigação ao ministro Alexandre de Moraes, no embate contra o ministro André Mendonça, o que deve paralisar o país. Muito se comenta que o ministro deve arrastar outros personagens, nesta “lavagem de roupa suja” do banco Master e seu CEO, que tentou comprar a República inteira. Infelizmente, grande parte do mundo político de Brasília deve ter se beneficiado de alguma forma das suas cinecuras, rega bofes, etc. Em verdade, muita gente sujou as mãos.

No rally eleitoral, a campanha de Lula da Silva sofre um desgaste por todos saberem do envolvimento de muita tente do PT neste mar de lama. Pesquisa recente da Quaest mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula e revela forte aumento da desconfiança no Supremo.

E ainda temos a “Superquarta” de juros, quando o Fed deve elevar (ou não) sua taxa e o Copom, na direção contrária, cortar a Selic, a 13,75%, estreitando o diferencial entre Brasil e EUA. No exterior, o petróleo segue acima de US$ 100 e a discussão sobre os riscos da inteligência artificial adiciona pressão às bolsas.

Sobre a crise do STF, os fatos, favoráveis ou não, ao ministro Moraes, que sejam associados ao presidente Lula, tendem a repercutir em tempo real nos mercados de ativos diversos.

Minha percepção, infelizmente, pois esta crise tinha que ser rápida e cirúrgica, é de que um dos ministros da segunda turma, talvez Gilmar Mendes, deve pedir vistas do processo, e atrasar em 90 dias uma decisão. A partir daí, já terá passado as eleições e, muito provavelmente, se Lula for eleito, tudo terminando numa grade pizza.

Mercado deve sentir o tranco, e a bolsa de valores ingressar num rally de perdas. Lamentável.



Agenda, 15/09

Brasil

08h00 – FGV divulga o ICOMEX (Indicador de Comércio Exterior) de agosto

08h00 – FGV divulga a Sondagem do Mercado de Trabalho de agosto

09h00 – IBGE divulga as vendas no varejo restrito e ampliado de julho

09h00 – IBGE divulga o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto

09h00 – CNT/MDA divulga pesquisa eleitoral

09h00 – Instituto Indexa divulga pesquisa eleitoral

10h00 – STF analisa relatório da PF sobre Vorcaro e Alexandre de Moraes

11h00 – Tesouro realiza oferta de NTN-B e LFT

11h30 – BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial (US$ 2,5 bi) para rolagem de outubro

11h45 – Tarcísio de Freitas participa de sabatina na TV Globo

12h00 – BC oferta até R$ 5 bi em operações compromissadas de 3 meses



Indicadores Globais

05h15 – Alemanha: Claudia Buch (BCE) participa de evento na Universidade Goethe

06h00 – Alemanha: ZEW divulga o índice de expectativas econômicas de setembro

09h30 – EUA: Fed de Nova York divulga o Índice Empire State de atividade industrial de setembro

11h00 – Alemanha: Piero Cipollone (BCE) participa de evento na Universidade Goethe

14h00 – Alemanha: Isabel Schnabel (BCE) participa de jantar do SPD Economic Forum

Call Matinal

Call Matinal, by Julio Hegedus 1) Ontem, dia 17, o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil....