segunda-feira, 8 de junho de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -2,6% EUA tech -4,8% EUA Semis -10,3% UE -0,7% Espanha +0,5% VIX 21,5% Bund 3,03%. T-Note 4,57%. Spread 2A-10A USA=+38pb B10A: ESP 3,46% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,68% Euribor 12m 2,842% (fut.12m 3,046%) USD 1,152 JPY 184,7/€ 160,3/$. Ouro 4.289$. Brent 97,6$. WTI 94,6$. Bitcoin +1,4% (62.731$). Ether -0,6% (1.653$). 


:: SESSÃO. Este golpe brusco serve de aviso e não é necessariamente mau. Um mercado estancado e até ocasionalmente a corrigir com força como acontece desde sexta-feira, com a desculpa da suposta debilidade de Broadcom, do bom emprego americano publicado precisamente na sexta-feira e/ou a reativação da guerra de desgaste e longo prazo entre o Irão e os EUA, previne sobreavaliações mais graves posteriores. Avisamos periodicamente sobre a possibilidade – e até conveniência – de que algo assim aconteceria. E acontece mesmo antes da saída à bolsa de SpaceX, esta sexta-feira (12). É bom que o mercado se detenha, corrija preventivamente e reflita um pouco sobre as hipotéticas consequências de avaliar tão generosamente as empresas de IA puras (xAI, Anthropic, OpenAI, etc). Nesta corrida para entrar na bolsa, com avaliações que só se justificam se considerarmos uma perspetiva a vários anos de distância e se tudo correr na perfeição, é importante agir com alguma prudência e aceitar que um fator de incerteza (isto é, prémio de risco) superior seria francamente prudente. Provavelmente é o que estamos a presenciar.


Ordenemos as ideias. Esta semana temos 3 referências:


1. A mencionada, a mais óbvia e a mais tardia (sexta-feira): saída à bolsa de SpaceX. Será comprada mais por razões subjetivas e emocionais do que por argumentos objetivos e numéricos. O resultado real não será conhecido, na prática, até (provavelmente) a entrada da noite europeia de sexta-feira. Isso significa que, independentemente do que acontecer, não impactará sobre o mercado europeu até segunda-feira.


2. Inflação EUA na quarta-feira (13:30 h). Espera-se +4,2% desde +3,8%, mas com a Subjacente (isto é, a tendencial) em +2,9% desde +2,8%. Isso ainda é compatível com as taxas de juros atuais da Fed: 3,50/3,75%.


3. Reunião do BCE, na quinta-feira, a partir das 13:15 h. Espera-se +25 p.b. até 2,25/2,40% e, além disso, entre outra e outras 2 subidas adicionais em 2026, visto que a inflação aumentou em maio, até +3,2%. Nós acreditamos que não irá aumentar as taxas de juros por 3 motivos: o aumento da inflação demonstrar-se-á passageiro, trata-se de uma inflação de oferta (petróleo) e este tipo de inflação não se trava com subidas de taxas de juros e, por fim, faria com que desaparecesse o crescimento na UE, visto que na sexta-feira (5) foi revisto o PIB 1T até apenas +0,3% desde +0,8% preliminar. Isto é, o PIB europeu está com respiração assistida e uma subida de taxas de juros poderia significar a retirada de oxigénio. 


:: CONCLUSÃO. Hoje, sessão complicada, mas certamente menos dura do que o que parece à primeira hora. Pode ser que evolua de mal a menos mal. E podemos esperar uma semana com padrão semelhante. Esta correção preventiva não é destrutiva. Mesmo tendo as negociações na Coreia sido suspensas esta madrugada, quando houve uma queda ca.-8%, porque essa bolsa é, eminentemente, tecnologia. Quando o mercado se passa, as correções devem ser interpretadas como reconduções para recuperar perspetiva e, por vezes, também sensatez. O contrário poderá levar-nos a um verão com sérias dúvidas em relação ao que realmente valem as bolsas, e isso seria pior.


FIM

domingo, 7 de junho de 2026

Soma de todos os medos

 “*Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar*


Ivan Ryngelblum05/06/26 14:35


“Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar


Principal índice da B3 recua 14,26% desde recorde, puxado pela saída dos investidores estrangeiros, política monetária mais dura, fiscal e tarifas dos Estados Unidos. Analistas colocam queda da taxa Selic em revisão


Após meses de forte alta, a bolsa de valores brasileira passa por um período de correção acentuada, levando muitos a reconsiderar o otimismo em relação a uma retomada do mercado de renda variável em 2026.


Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa recuou 14,26%, saindo do recorde de 198.657,33 pontos, apurado em 14 de abril, para 170.330,63 pontos em 3 de junho - recuando para o mesmo nível de janeiro deste ano.


Trata-se de uma perda de 28.326,70 pontos em apenas 50 dias, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. No período, um grupo de 305 empresas da Bolsa perdeu, em conjunto, R$ 778,1 bilhões em valor de mercado.


No ano, o Ibovespa ainda está em campo positivo, acumulando alta de 5,96%. Mas uma confluência de fatores negativos, internos e externos, faz com que o pessimismo ganhe espaço entre os analistas.


“É que nem o nome daquele filme, ‘A Soma de Todos os Medos’”, diz Flávio Conde, head de renda variável na Levante Investimentos, ao NeoFeed. “Tudo aconteceu ao mesmo tempo, e os estrangeiros estão vendendo.”


Um dos principais temores vem da política monetária. Em meio à deterioração do quadro inflacionário, os economistas passaram a revisar suas projeções para a taxa Selic no fim do ano. A perspectiva de alívio monetário vinha ajudando a atrair mais investidores para a Bolsa.


Com as projeções para o IPCA subindo pela 12ª semana consecutiva no Boletim Focus, atingindo 5,09% na última edição, a expectativa é de que a taxa básica de juros não caia tanto quanto o inicialmente esperado.


A equipe de economistas da XP Investimentos passou a prever apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, de 14,5% para 14%, seguidos por uma pausa para avaliação. Antes, a expectativa era de três reduções, para 13,75%. O BTG Pactual revisou a Selic terminal de 13% para 14,25% em 2026, com um último corte de 0,25 ponto percentual em junho.


O tema da inflação não é apenas local. Conde destaca que o mundo vive um momento de alta dos preços, com a guerra no Irã pressionando os preços da energia globalmente, em meio à indefinição de um acordo entre Washington e Teerã.


Nos Estados Unidos, a inflação medida pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) avançou 0,6% em abril em relação a março. Em 12 meses, a taxa atingiu 3,8%, superando as expectativas do mercado e gerando dúvidas sobre o que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fará, dado seu papel como balizador das taxas globais.


“A parte de inflação prejudicou todos os mercados, inclusive o Brasil, porque fez com que todos os bancos centrais — e o nosso vamos descobrir daqui a duas semanas — dessem uma pivotada na estratégia, não cortando mais; na melhor das hipóteses, mantendo, mas até pensando em elevar”, diz Conde.


No caso do Brasil, um ponto que segue pesando é a questão fiscal e as eleições. Os gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e as perspectivas eleitorais, após Flávio Bolsonaro ser atingido por notícias sobre um suposto relacionamento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prejudicaram o humor dos investidores.


Esses fatores estão drenando os recursos dos estrangeiros da B3, principal motor da alta do Ibovespa entre o segundo semestre de 2025 e o início deste ano.


O movimento começou em meados de abril e ganhou força em maio. Segundo levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da Bolsa no mês passado, considerando apenas operações no mercado secundário e desconsiderando aportes em IPOs e follow-ons.


Trata-se da maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022 e supera o recorde anterior de R$ 13,2 bilhões registrado em agosto de 2023, de acordo com a Elos Ayta. Os investidores internacionais aproveitaram para realizar lucros após a valorização que levou o Ibovespa à máxima histórica em abril.


Segundo Conde, os estrangeiros têm direcionado seus recursos para as Treasuries, que vêm apresentando taxas atrativas. Os títulos de dez anos estão na casa dos 4,54%, enquanto os de 30 anos pagam 5,02%. “Teve uma volta de dinheiro aos Estados Unidos, prejudicando até o Bitcoin”, diz.


Para piorar, dois novos “medos” se juntaram recentemente para pressionar o Ibovespa: as novas tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump ao Brasil e a decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.


Na segunda-feira, 1º de junho, o governo americano propôs uma tarifa punitiva de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, alegando políticas e práticas brasileiras “irrazoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio americano. No dia seguinte, o país foi incluído em uma lista de 60 países, além da União Europeia (UE), que apresentam falhas no combate ao trabalho forçado e que receberão uma taxa adicional de 12,5%.


“A classificação de grupos terroristas pesa na decisão de alocar mais dinheiro no Brasil, porque o Brasil não está na lista de amigos dos Estados Unidos na América Latina; está ao lado de Venezuela, Cuba e Nicarágua, sendo que o país nunca fez nada para estar nesse grupo. Se você é analista ou gestor de fundos de ações dos Estados Unidos, não vai recomendar ao cliente investir no inimigo dos Estados Unidos”, diz Conde.


Pensar em uma reversão dessa situação, nas condições atuais, exige bastante otimismo. O principal alívio pode vir de fora, caso Trump mude de opinião sobre o Brasil e feche um acordo com o Irã. Já a situação fiscal é um tema que ainda deve demorar para se resolver.


“A Bolsa vai ficar andando de lado. E não adianta falar: ‘ah, está barato, está exagerado’. Enquanto o Brasil não sair da lista de inimigos e as tarifas não forem revertidas, o dinheiro não vem”, afirma. “E o fiscal piorou demais e pode ficar ainda pior, se as políticas atuais não forem revertidas.”



https://neofeed.com.br/economia/soma-de-todos-os-medos-pressiona-o-ibovespa-e-nao-tem-prazo-para-terminar/

Leitura de sábado 2

 *Leitura de Sábado: governo terá de leiloar 2 rodovias por mês para atingir meta de 13 no ano*


Por Elisa Calmon e João Caíres


São Paulo e Brasília, 02/06/2026 - O governo federal terá de realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026. A agenda combina novos projetos e repactuações em um momento de aperto orçamentário para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões.


Das concessões previstas inicialmente para este ano, duas foram a mercado até o momento: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA). Com isso, aproximadamente 85% dos certames previstos para 2026 estão concentrados no segundo semestre. Sem leilões federais programados para junho até o momento, a agenda será retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), único certame com data já definida.


Se todos os ativos previstos forem leiloados, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 certames alcançado em 2025. No ano passado, a agenda acelerou na reta final, com cinco disputas promovidas até junho e outras oito realizadas no segundo semestre.


Apesar do ritmo mais lento no início de 2026, o ministro dos Transportes, George Santoro, reforçou a projeção para este ano. "Faremos 13 leilões este ano", disse após o certame da Rota dos Sertões, na semana passada, destacando que a atual gestão realizou 24 leilões rodoviários federais desde 2023, que somaram mais de R$ 260 bilhões em investimentos.


Após a Régis Bittencourt, a agenda inclui projetos como a Rota 2 de Julho (ViaBahia), a Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. A carteira também contempla repactuações de contratos como Arco Norte e Transbrasiliana.


O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, vê espaço para que o governo cumpra a meta prevista. "Vai ser preciso dar uma acelerada para fazer o que se espera nos próximos meses, mas dá tempo ainda", reforçou.


No entanto, para Luís Felipe Valerim, sócio do VLR Advogados, o sucesso da agenda dependerá mais da consistência dos projetos do que do número de certames. "Mais importante do que fazer 13 ou 10 leilões é manter um compasso com qualidade", afirmou. Segundo o especialista, a pressão para cumprir metas pode acelerar estudos e modelagens, aumentando o risco de problemas nos primeiros anos dos contratos.


Mesmo com a intensa agenda de concessões dos últimos anos, o interesse dos investidores pelos ativos rodoviários permanece elevado, com forte competição nos leilões recentes e a entrada de novos investidores no setor, avalia Diogo Nebias, sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados. "O principal risco não está na demanda do setor privado, mas nas questões institucionais para colocar os leilões de pé, como a modelagem e a estruturação dos projetos", ponderou.


Perspectivas


O avanço dos projetos ocorre em meio a restrições orçamentárias nos órgãos responsáveis pelas concessões. O governo federal bloqueou R$ 8,3 bilhões das pastas de infraestrutura para cumprir as metas fiscais previstas no Orçamento. O Ministério dos Transportes teve R$ 1,7 bilhão contingenciado, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) perdeu R$ 56 milhões em recursos destinados às atividades regulatórias.


As repactuações também adicionam incertezas à agenda. Das 11 concessões rodoviárias previstas para este ano, cinco envolvem contratos já existentes. "É um cronograma difícil de prever porque não depende só do governo, mas também da construção de consenso entre as partes e, só depois disso, da estruturação do processo competitivo", afirmou Valerim.


Por outro lado, o calendário eleitoral não é visto como um obstáculo relevante para a agenda de concessões. "A carteira de projetos já vem sendo anunciada há algum tempo e, apesar de atravessarmos um período eleitoral em breve, isso não deve afetar a agenda de leilões", disse João Paulo Pessoa, sócio do Toledo Marchetti Advogados.


Valerim, por sua vez, explica que as restrições normalmente associadas ao período eleitoral afetam principalmente contratações de obras públicas, e não concessões. Na avaliação do advogado, a proximidade das eleições pode até acelerar a conclusão de projetos já em fase avançada de estruturação. "A máquina pública tende a fazer um sprint final para entregar projetos e mostrar resultado antes das eleições", afirmou.


Para Barcelos, a carteira de projetos já estruturada para os próximos dois anos reduz o risco de descontinuidade da agenda de concessões após as eleições. "Quem sentar na cadeira de ministro a partir de 2027 vai viver o melhor dos mundos, com uma forte agenda de inaugurações, e não vai querer retroceder", disse o presidente da ABCR.


Contatos:elisa.ferreira@estadao;com; joao.caires@broadcast.com.br 


Broadcast+

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: brilho de 'big techs' reduz atratividade de ativos locais e tira força do real*


Por Antonio Perez


São Paulo, 01/06/2026 - Sinais de esgotamento da tendência de diversificação global de investimentos que favoreceu ativos emergentes ao longo dos primeiros meses do ano ajudam a explicar o tropeço do real em maio, em meio à maior atratividade das ações das 'big techs', afirmam analistas ouvidos pelo Broadcast.


Dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,104 bilhões da bolsa doméstica em maio, após ingresso líquido de R$ 3,179 bilhões em abril. Em 2026, o fluxo de capital externo ainda é positivo em R$ 42,44 bilhões. Com a saída do investidor estrangeiro, o Ibovespa amargou perda de 7,22%, embora ainda avance 7,86% no ano.


O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destaca que houve uma volta do apetite por ações de tecnologia nos EUA no mês passado, com o anúncio de investimentos pesados por parte das empresas de inteligência artificial. O índice Nasdaq, que concentra as ações das big techs, bateu sucessivos recordes ao longo de maio, acumulando ganhos de mais de 8% no mês.


“Os Estados Unidos voltaram a atrair capitais, o que ajuda a fortalecer o dólar. As bolsas americanas estão nas máximas históricas”, afirma Alves. “Os fluxos para emergentes foram direcionados a países com alguma ligação a setores relacionados à inteligência artificial. O Brasil não é um player nesse sentido. Vimos os fluxos para a bolsa brasileira diminuírem bastante nas últimas semanas.”


O gestor de multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, observa que o bom desempenho das big techs pode trazer de volta a tese do “excepcionalismo americano”, que reinava antes do início da diversificação global de carteiras, o que reduziria o apelo de ativos emergentes. Esse quadro se soma à postura mais conservadora do Federal Reserve em relação à inflação, em um ambiente de atividade resiliente e impulso fiscal nos EUA.


"São vetores para alta do dólar. A dúvida é como o real vai reagir nos próximos meses caso haja um fortalecimento global da moeda americana e se confirme um quadro desfavorável à oposição na eleição presidencial", afirma Aun.


Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, afirmam que o real se beneficiou, em boa parte do ano, de um fluxo “nunca antes visto” para economias emergentes, sobretudo para países distantes do conflito no Oriente Médio e com elevada exposição a commodities. Além disso, havia incertezas em torno dos "valuations" das empresas de tecnologia nos EUA.


“Prospectivamente, acreditamos que um cenário de distensionamento dos conflitos geopolíticos deveria provocar um movimento de ajuste ao fluxo recente, seja pela normalização do preço do petróleo, seja pelo 'momentum' positivo para ativos de crescimento e tecnologia”, afirmam os economistas, em relatório.


Para o Bradesco, apesar de o fluxo global de realocação de portfólio ter perdido força, o movimento segue oferecendo suporte ao real. A instituição prevê taxa de câmbio ao redor de R$ 5,00 no fim deste ano e do próximo.


“Uma rápida normalização dos preços do petróleo ou um fluxo de retorno aos EUA por conta dos investimentos em empresas de tecnologia são ameaças de curto prazo à moeda, mas não deveriam alterar o quadro mais estrutural de não fortalecimento do dólar globalmente”, afirma o Bradesco, ressaltando que o Brasil segue no radar dos investidores por ser “exportador líquido de petróleo e pelo diferencial de juros elevado”.


Contato: antonio.perez@estadao.com


Broadcast+

sábado, 6 de junho de 2026

Ray Dalio

 ✨ *Ray Dalio alerta que estamos em níveis de bolha comparáveis a 1929 e 2000.*


O megainvestidor alerta que o frenesi atual com a Inteligência Artificial apresenta sinais clássicos de bolha, aproximando-se dos níveis especulativos vistos em 1929 e 2000. No entanto, ele ressalta que o estouro só ocorre quando a "riqueza" em papéis precisa ser convertida de volta em dinheiro líquido. [1, 2]


O fundador da Bridgewater Associates baseia sua avaliação em métricas que monitoram a concentração de mercado, sentimento do investidor e valors (avaliações de preço) em relação aos lucros reais. Ele aponta que grandes revoluções tecnológicas sempre geram euforia, mas muitas vezes os investidores confundem o sucesso da tecnologia com a valorização das ações. 


*Para Dalio, os maiores riscos incluem:*


Conversão de riqueza: Os mercados de tecnologia e IA estão seguindo uma trajetória na qual as empresas são forçadas a gastar fortunas para capturar market share, mas enfrentam o desafio de provar a lucratividade real desses investimentos. 


*Disparidade econômica*: Historicamente, essas bolhas tecnológicas geram enormes abismos na distribuição de renda. 


*Gatilho de estouro*: O estouro do mercado pode não acontecer do nada, mas sim quando houver uma forte necessidade de converter riqueza em dinheiro (como para cobrir obrigações tributárias ou necessidades de capital). 


*Texto com IA*


Materia completa: https://fortune.com/2026/06/04/ray-dalio-stock-market-1929-2000-bubble-debt-crisis-point-of-no-return/

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Otaviano Canuto

 Política tarifária de Trump é "gol contra" e prejudica EUA, diz estudo

Trabalho de instituto alemão cita o Brasil e mostra que 96% dos custos das sobretaxas são absorvidos por companhias e consumidores americanos
VALOR 5junho2026 Rafael Vazquez e Eduardo Belo
A iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retomar a sua política tarifária contra o Brasil e outros países é um "gol contra" e prejudica empresas e consumidores americanos, segundo estudo conduzido por economistas e pesquisadores ligados ao Kiel Institute, think thank com sede em Kiel, Alemanha. O estudo cita especificamente o exemplo do Brasil. Enquanto Trump afirma que a taxação ajudará a equilibrar as relações comerciais a favor do seu país e reparar injustiças, o trabalho dos pesquisadores Julian Hinz, Aaron Lohmann, Hendrik Mahlkow e Anna Vorwig, intitulado "America"s Own Goal: Who Pays the Tariffs?", aponta que o governo americano está insistindo em jogar contra os próprios interesses: importadores e consumidores americanos arcam com quase todo o custo.
Exportadores estrangeiros absorvem apenas 4% do ônus tarifário. Os 96% restantes são repassados a compradores americanos, diz o levantamento.
Sem comentar o estudo propriamente, especialistas ouvidos pelo Valor têm avaliação semelhante. "No fim do dia, tarifas são um tiro no pé de Trump", comenta Lívio Ribeiro, pesquisador do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria.
"Está bem mapeado que quem paga é o próprio agente americano, não necessariamente o consumidor na largada, mas pode ser o importador ou o lojista que está absorvendo a maior parte do aumento de custo", afirma. "Inúmeros artigos apontam e quantificam que isso está acontecendo."
Para ele, a inflação decorrente das tarifas ainda não chegou "em toda a sua plenitude" para a sociedade americana. O que está afetando mais - e incomodado o consumidor dos Estados Unidos -, no momento, é o preço do combustível, pressionado pela guerra com o Irã. Mas a chegada do aumento de custos aos preços finais é questão de tempo, defende.
Com a economia americana surpreendendo para cima, com mercado de trabalho deixando de piorar uma "sensação geral de maior aquecimento" da atividade, afirma Ribeiro, "os intermediários americanos, os que usam insumos, o pessoal do varejo e até o da logística vão acabar repassando esses custos adiante".
Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial, integrante do Policy Center for the New South, também entende que o custo fica para a própria economia dos EUA. "Às vezes as empresas optam por redução da margem de lucro para absorver o impacto, mas isso não tem sustentação. Mais cedo ou mais tarde elas terão que reajustar", afirma.
Para Canuto, o ônus maior, além do ônus para o consumidor, é das indústrias que precisam de insumos que foram sobretaxados, "porque perdem competitividade".
Nesta semana, após as conclusões de investigações iniciadas no ano passado sob a seção 301 da sua Lei de Comércio de 1974, o escritório do representante comercial dos EUA (USTR) anunciou que pretende impor tarifas de 25% a uma boa dos produtos brasileiros exportados para o país sob acusações tão diversas quanto dispersas, como a consolidação do Pix como meio de pagamento que supostamente prejudica a concorrência de empresas americanas, além de uma suspensão temporário à rede social X por não cumprir determinações da justiça brasileira e outros temas como o desmatamento.
Houve ainda o anúncio que o Brasil, junto com ao menos mais 60 países, pode sofrer uma taxação extra de mais 12% às suas exportações aos EUA devido a denúncias de trabalho forçado, sob a alegação de que as práticas, mesmo sendo a exceção e não a regra das empresas no país, prejudica a competitividade de companhias americanas.
O movimento a partir da seção 301 da Lei de Comércio americana ameaça retomar o tarifaço de 2025, quando os EUA impuseram "tarifas de reciprocidade" a quase todos os países do mundo.
De acordo com o Kiel Institute, a receita alfandegária dos EUA aumentou em aproximadamente US$ 200 bilhões em 2025, mas a sobretaxação foi repassada quase inteiramente aos americanos, o que fere a lógica da política tarifária.
O estudo cita nominalmente o exemplo do Brasil, que chegou a ter produtos sobretaxados em 50% durante 2025, até que os EUA concedessem isenções e depois a Suprema Corte invalidasse a imposição tarifária por decreto.
Ao estimar o efeito dinâmico das tarifas aplicadas ao Brasil em 2025, os pesquisadores identificaram que os produtos brasileiros que circularam pelos EUA durante o período aumentaram mais do que as mercadorias exportadas por outros países do continente.
"Após a imposição de uma tarifa de 50%, os exportadores brasileiros não reduziram substancialmente seus preços em dólares. Os coeficientes estimados rondaram em torno de zero, com intervalos de confiança que excluem reduções de preços economicamente significativas. Essa constatação confirma nossos resultados de referência em um cenário no qual os exportadores brasileiros não "absorveram" a tarifa. O ônus da tarifa de 50% foi repassado quase integralmente aos importadores dos EUA", conclui o estudo.
O efeito negativo para os exportadores brasileiros tende a ser, portanto, a redução do volume de comércio com os EUA. Mas os autores apontam que as empresas e os consumidores americanos também perdem.
O levantamento também identifica um efeito similar na Índia, mas, ao obter mais dados alfandegários da Índia do que do Brasil na investigação, os autores detectaram ainda mais claramente que o efeito atingido é apenas a queda do volume do comércio, sem ganhos para a população americana.
Embora uma das justificativas usadas por Trump é, que ao evitar a entrada de produtos estrangeiros massivamente no país, os EUA retomarão a força industrial que perdeu durante a globalização acelerada, sobretudo a partir da década de 1990, os autores argumentam que os EUA são um mercado importante, mas não o único, e que no médio e longo prazo os países devem encontrar mercados alternativos para seus produtos.
Além disso, segundo escrevem os pesquisadores, muitos importadores dos EUA têm relações de longa data com fornecedores estrangeiros e não podem facilmente mudar de parceiros. "Isso dá aos fornecedores existentes um poder de precificação. Eles sabem que seus clientes nos EUA não podem substituí-los imediatamente e, portanto, enfrentam menos pressão competitiva para reduzir os preços", afirma o estudo.
Carlos Primo Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial lembra que os Estados Unidos já usaram a Seção 301 contra o Brasil, na década de 1980, conta a então Lei de Informática brasileira. "Isso gerou tarifas e também e implicações para a exportação de bens de informática para o Brasil. A lei da informática não foi alterada de forma significativa, embora em relação à propriedade intelectual tivesse havido medidas para melhorar a proteção de copyright", afirma. Ma a mudança só ocorreu na década de 1990 e teve muito mais a ver com mudanças na política comercial brasileira do que por imposição da Seção 301.
Na visão de Primo Braga, as decisões desta semana mostram de modo "muito claro que se trata de recuperar as políticas tarifárias que tinham se tornado impedidas por decisão da Suprema Corte" em fevereiro.
"Existe um aspecto político em relação ao Brasil, mas é importante o Brasil reconhecer que isso é parte de uma estratégia global dos Estados Unidos em relação à utilização de tarifas", afirma o professor associado da Fundação Dom Cabral.
"A estratégia do Brasil, como já ocorreu no ano passado, é diversificar as suas exportações", comenta Primo Braga. Além de procurar alternativas, o país deve apostar também no acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, em implementação provisória desde o início de maio, recomenda.
"A ideia de tarifa para ajudar a indústria local está cheia de buracos, e 95% dos economistas analisam de forma muito cética a reindustrialização americana a partir da tarifação", comenta Otaviano Canuto.
Ele afirma que as tarifas específicas da Seção 301 sobre o Brasil, assim como as outras sobre 60 países por trabalho forçado nada mais são que um meio de Trump "reerguer a muralha tarifária que ele colocou no ano passado" e foi derrubada pela Suprema Corte em fevereiro.
Para Lívio Ribeiro, a situação ainda não está definida. Não me parece que o escopo final esteja definido. "A Seção 301 é específica, tem uma investigação longa, que pode chegar a ideias estapafúrdias, que é o que estamos enxergando não somente no caso do Brasil, mas também na taxação a países que usam práticas trabalhistas inadequadas", afirma.
A decisão sobre trabalho forçado é o tipo de questão, que por ser ampla e pouco fundamentada, costuma "gerar muito ruído e acaba gerando espaço para negociação", diz. "Mas a Seção 301 específica do Brasil, a que sugere taxação de 25%, é resultado de uma abertura de painel, de investigação e de debates em que as justificativas apresentadas pelo governo brasileiro claramente não foram aceitas pelo negociador americano." Nesse caso, comenta, é mais difícil é mais difícil dizer se e quando se pode flexibilizar as propostas, cujo tom é "mais político e ideológico que comercial".
Para Ribeiro, Trump tem um problema imediato, a eleição legislativa de meio de mandato, que ocorre no fim do ano e na qual "a situação está ficando cada vez pior para ele, em função de atoleiros em que se meteu e de vespeiros nos quais ele resolveu por a mão". Políticas como essa de tarifaço não vão melhorar as condições "nas coisas que são mais importantes para a governabilidade agora que é manter maioria nas duas casas legislativas na eleição", afirma.

Multiplicador keynesiano

 


BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Juros aliviam, balanços comandam* … A guerra no Oriente Médio está longe de ser resolvida, mas não comanda mais sozinha os m...