O caso Master corre o risco de ser destruído não pela inexistência de crimes, mas pela guerra política instalada dentro do Supremo Tribunal Federal. As investigações estão divididas entre André Mendonça e Flávio Dino, hoje representantes de grupos antagônicos na Corte. Essa disputa pode contaminar procedimentos, provocar nulidades e permitir que Daniel Vorcaro e as autoridades supostamente beneficiadas por seus negócios escapem pela porta dos fundos do formalismo jurídico.
Os sinais são preocupantes. Dias Toffoli, primeiro relator do caso, deixou a função após a revelação de possíveis conflitos de interesse, mas decisões tomadas durante sua relatoria poderão ser questionadas. Agora, Edson Fachin suspendeu investigações conduzidas por Mendonça até que o STF resolva sua crise interna. Quanto mais o processo permanece paralisado e fragmentado, maior o risco de que erros processuais sejam posteriormente utilizados para invalidar tudo.
Foi essencialmente esse o roteiro que levou à chamada “descondenação” de Lula. As condenações não foram anuladas porque o STF declarou sua inocência, mas por decisões sobre competência territorial e imparcialidade judicial. Naquela ocasião, o mesmo movimento aconteceu de maneira menos ostensiva, construído nos bastidores dos gabinetes e por meio de uma sucessão de decisões processuais. O resultado político foi transformar condenados em vítimas, enfraquecer a Lava Jato e devolver ao poder personagens que haviam sido alcançados pelas investigações.
A consequência institucional foi ainda mais grave: a explosão da ousadia dos canalhas. Quando poderosos percebem que crimes, provas e confissões podem ser soterrados por nulidades produzidas pelo próprio sistema, o risco deixa de funcionar como freio. O caso Master não pode repetir esse roteiro. As investigações precisam ser imediatamente retomadas, preservadas tecnicamente e conduzidas até o fim. Caso contrário, o Brasil confirmará a pior de suas mensagens: para quem possui dinheiro, influência e acesso aos gabinetes certos, o processo não serve para fazer justiça — serve para fabricar impunidade.
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