quarta-feira, 2 de setembro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Quaest põe trade eleitoral à prova*


A ADP prepara o espírito para o payroll de sexta-feira e, no Brasil, a produção industrial testa os sinais de desaceleração


… A Quaest coloca hoje à prova o trade eleitoral que levou o Ibovespa a ensaiar os 180 mil pontos, embalado pela melhora de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e agora também pelas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Lá fora, o petróleo estendia os ganhos no eletrônico, após a resposta do Irã aos novos ataques americanos, reforçando a pressão sobre a inflação e os juros. A ADP abre a bateria de emprego nos Estados Unidos, que culmina com o payroll de sexta-feira e pode mexer nas apostas para o Fed. No Brasil, a produção industrial testa os sinais de desaceleração deixados pelo PIB. Na temporada de balanços, a Dell disparou no after hours em Nova York.


MORAES ENTRA NA ELEIÇÃO – As novas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro transformaram o caso Master em munição eleitoral e deram combustível à oposição, justamente quando as pesquisas começam a indicar uma disputa mais apertada.


… Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado cobraram ontem o afastamento, a renúncia ou o impeachment do ministro do STF. Lula foi o único entre os presidenciáveis a não se manifestar diretamente sobre Moraes.


… A campanha do presidente, porém, tenta se descolar da crise, segundo apuração dos jornalistas que cobrem Brasília. O ministro Guilherme Boulos afirmou que, se houve crime, deve haver investigação e punição. Gleisi Hoffmann e Haddad vieram com o mesmo discurso.


… A preocupação no entorno de Lula é com o impacto eleitoral do episódio, que fortalece o discurso de Flávio contra o STF.


… No Senado, contudo, os novos pedidos de impeachment devem encontrar resistência. Davi Alcolumbre, próximo a Moraes e a quem cabe decidir sobre o andamento dos processos, sinalizou a aliados que vai esperar a posição do STF antes de tomar qualquer decisão.


… O relator do processo no Supremo, ministro André Mendonça, que suspendeu o sigilo das mensagens de Vorcaro, quer levar o caso ao plenário.


PGR PEDE ARQUIVAMENTO – No fim do dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF a nulidade e o arquivamento do relatório da PF que detalha as relações entre Moraes e Vorcaro, sem entrar no mérito das mensagens.


… Segundo Gonet, André Mendonça não tinha competência para determinar diligências que acabaram por investigar outro ministro do Supremo.


… Na opinião do PGR, ele próprio envolvido no relatório da PF em mensagens sobre sua relação com Vorcaro, diante de indícios envolvendo Moraes, Mendonça deveria ter submetido o caso ao presidente da Corte para que o plenário decidisse se autorizaria uma investigação.


… Mendonça havia afirmado horas antes que, independentemente da manifestação da PGR, o “caminho inevitável” do caso seria o plenário do STF, que terá de decidir se autoriza uma investigação contra Moraes. A data da sessão caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin.


REDE DE INFLUÊNCIA – O relatório tornado público ontem, por decisão do relator André Mendonça, reúne mensagens encontradas no celular de Vorcaro que indicam uma relação próxima com Moraes e tentativas do banqueiro de obter sua ajuda contra o cerco da PF e do BC.


… Dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o País e se seria possível “fazer algo”.


… Em outras mensagens, o ex-dono do Master pediu que o ministro atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a Gonet para tentar evitar ou adiar medidas contra ele e o banco. As respostas de Moraes não foram recuperadas pela PF.


… O material também revelou que Moraes analisou a minuta do contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci. Metadados apontam uma edição atribuída a “Ministro Alexandre de Moraes”.


… Viviane confirmou que o marido foi consultado sobre eventuais impedimentos legais e afirmou que os serviços foram efetivamente prestados.


… A relação entre as famílias antecedia o contrato. Em dezembro de 2023, Vorcaro organizou uma experiência “ultra VIP” para uma comitiva de Moraes em Campos do Jordão. Dias depois, começou a negociação do contrato com o escritório de Viviane.


… Em outubro de 2025, o Master autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil aos filhos do ministro, a pedido do escritório de Viviane.


QUAEST TESTA TRADE ELEITORAL – A pesquisa Quaest, que será divulgada às 10h45, ganha peso depois que resultados mais favoráveis para Flávio Bolsonaro e a nova crise envolvendo Alexandre de Moraes reforçaram as apostas em uma virada na corrida eleitoral.


… A Real Time Big Data mostrou ontem Lula e Flávio com 44% cada no segundo turno. Em julho, o presidente tinha 45%, contra 42% do senador. No primeiro turno, Lula aparece com 38%, Flávio, com 30%, e Augusto Cury, com 11%.


… A leitura de que Flávio recuperou terreno e tornou a disputa mais competitiva animou investidores que apostam em uma mudança na política econômica e em maior compromisso com o ajuste fiscal num eventual governo de oposição.


… As revelações sobre Moraes acrescentaram combustível, diante da avaliação de que o desgaste do ministro pode favorecer o candidato do PL.


… O trade eleitoral prevaleceu até mesmo sobre a piora em Nova York, com o Ibovespa ensaiando superar os 180 mil pontos, queda do dólar, na contramão da moeda no exterior, e recuo dos juros futuros, apesar da leve surpresa com o PIB (leia mais abaixo).


… A confirmação pela Quaest de uma disputa mais apertada hoje, e pelo Datafolha amanhã, tende a reforçar o trade eleitoral.


GUERRA VOLTA A ESQUENTAR – O petróleo estendia a disparada no mercado eletrônico, ontem à noite, após saltar mais de 4% no pregão regular com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã.


… O Brent subia 0,92%, a US$ 95,52, e o WTI, 0,89%, a US$ 91,02, com novas ofensivas iranianas contra bases americanas no Oriente Médio.


… A alta desta terça-feira deu uma ajuda adicional ao entusiasmo com o trade eleitoral na B3, ao impulsionar as ações da Petrobras, mas no exterior reacendeu os temores com a inflação e pressionou os juros dos Treasuries (abaixo).


… O WTI saltou ontem 5,2%, a US$ 90,22, e o Brent avançou 4,6%, a US$ 94,65, depois que os Estados Unidos retomaram os ataques contra alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, em resposta às ofensivas de Teerã a navios comerciais e posições americanas na região.


… Trump classificou os bombardeios como “grandes e poderosos” e ameaçou uma ofensiva ainda mais dura se o Irã reagisse. A resposta começou horas depois, com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein.


… A Guarda Revolucionária afirmou ainda que os ataques dos Estados Unidos levarão o Irã a apertar o controle sobre Ormuz, aumentando novamente o risco para o fluxo de petróleo pelo Golfo. A escalada voltou a colocar uma interrupção mais prolongada da oferta no radar.


… Washington também prepara uma nova rodada de sanções contra bancos ligados ao regime iraniano.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos pretendem acelerar o estrangulamento econômico de Teerã e disse acreditar que o regime poderá entrar em colapso, abrindo caminho para um acordo.


… À noite, Trump afirmou que não está tentando forçar o Irã a negociar e disse preferir a atual posição americana, com “controle quase total” de Ormuz e a economia iraniana em colapso. “Eu não poderia me importar menos se assinarem um acordo sem valor para eles.” 


… A escalada ganhou ainda uma frente diplomática, com China, Rússia e os demais membros da Organização para Cooperação de Xangai condenando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais.


EMPREGO NO RADAR – A ADP divulga às 9h15 o relatório de criação de vagas no setor privado americano em agosto, com expectativa de um desempenho acima de julho (44 mil), com 46,5 mil novos postos de trabalho.


… O dado dá sequência à bateria do mercado de trabalho nos Estados Unidos, depois de a pesquisa Jolts mostrar ontem 7,271 milhões de vagas abertas em julho, ligeiramente abaixo do esperado, e contratações mais fracas.


… O foco culmina com o payroll de sexta-feira, que ajudará a calibrar as apostas para a reunião do Fed deste mês. A possibilidade de uma alta dos juros em setembro segue na mesa, sobretudo depois do tom duro adotado por Kevin Warsh em Jackson Hole.


… Também importante para projetar a política monetária, às 15h, o Fed publica o Livro Bege, com sinais sobre atividade, inflação e mercado de trabalho nas diferentes regiões dos Estados Unidos.


… Às 11h, saem ainda as encomendas à indústria de julho, com previsão de alta de 0,7%, após queda de 0,3% em junho, e com o petróleo novamente acima dos US$ 90, os estoques americanos ganham atenção às 11h30.


… A previsão é de queda de 300 mil barris nos estoques de petróleo bruto, de 1,7 milhão nos de gasolina e de 1,9 milhão nos de destilados.


… No Canadá, o BC divulga às 10h45 sua decisão de política monetária, com expectativa de manutenção dos juros em 2,25%.


… À noite, saem os PMIs de serviços do Japão, às 21h30, e da China, às 22h45.


FESTA DA DELL NO AFTER – A Dell disparou 8% no after hours de Nova York, depois de superar com folga as expectativas do seu balanço no segundo trimestre fiscal e elevar as projeções, embalada pela forte demanda por servidores de inteligência artificial.


… O lucro ajustado foi de US$ 7,04/ação (previsão de US$ 4,91), e a receita saltou 50,6%, para US$ 47 bilhões (previsão de US$ 44,9 bilhões). A projeção de receita com servidores otimizados para IA no ano fiscal foi elevada de US$ 60 bilhões para US$ 74 bilhões.


… Para 2027, a Dell espera que esse negócio triplique. Para o trimestre atual, projetou receita de US$ 49 bilhões e lucro ajustado de US$ 6,50 por ação, também bem acima do consenso de Wall Street.


BROADCOM – Após o fechamento dos mercados, divulga balanço.


MAIS AGENDA – Aqui no Brasil, a produção industrial de julho sai às 9h, depois de o PIB do segundo trimestre confirmar a desaceleração da atividade, apesar de a alta de 0,5% ter superado ligeiramente as expectativas.


… A mediana do Broadcast prevê avanço de 0,5% da indústria, após duas quedas consecutivas e o recuo de 1,8% em junho. As estimativas vão de -0,6% a +1,3%. A expectativa é de uma recomposição apenas parcial, sem sinalizar uma retomada mais firme do setor.


… A indústria de transformação continua pressionada pelos juros elevados e pela competição dos importados, enquanto a atividade extrativa tem mostrado maior sustentação. Na comparação anual, a previsão é de queda de 0,1%, após alta de 1,7% em junho.


… Ainda na agenda desta quarta-feira, às 5h, sai o IPC-Fipe de agosto, com mediana de 0,05%, após queda de 0,03% em julho. Às 8h, a FGV divulga o IPC-S Capitais. E a Fenabrave informa os emplacamentos de veículos de agosto.


… O Banco Central publica às 8h a ata do Comef e, às 14h30, os números do fluxo cambial semanal.


GALÍPOLO – Presidente do BC viaja hoje para Basileia, onde participará das reuniões bimestrais do BIS entre sábado e segunda-feira.


FISCAL DOMINA DEBATE – O ajuste das contas públicas e o nível dos juros dominaram os primeiros embates entre os assessores econômicos das campanhas presidenciais, em debate promovido ontem à noite pela GloboNews.


… Daniella Marques, de Flávio Bolsonaro, prometeu mudar o arcabouço e conter despesas. E Dario Durigan, de Lula, defendeu a trajetória fiscal do governo, afirmando que o Orçamento de 2027 é resultado do ajuste promovido nos últimos anos.


… O ministro da Fazenda destacou a previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Admitiu, porém, que “é evidente” a necessidade de avançar na consolidação fiscal e defendeu uma trajetória gradual, com metas de 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028 e 1,5% em 2029.


… Daniella disse que um eventual governo Flávio quer cortar privilégios e promover uma “autocontenção” das despesas dos três Poderes.


… Defendeu ainda uma nova regra fiscal, com uma trava automática para limitar a trajetória da dívida em relação ao PIB. Segundo ela, um mecanismo crível e estável ajudaria a recuperar a confiança e reduzir o custo do endividamento de empresas e famílias.


… Questionado sobre uma nova reforma da Previdência, Durigan afirmou que o tema terá de ser enfrentado nos próximos anos, e defendeu o aumento da idade de aposentadoria dos militares e o corte de supersalários no Congresso e no Judiciário.


… Daniella evitou se comprometer com uma nova reforma da Previdência e afirmou que a discussão não pode ocorrer antes de cortes em outras áreas. “Enquanto a gente sustentar alguém com 60 dias de férias, não há moral para se discutir um ajuste na Previdência de novo.”


CURTAS DA POLÍTICA – A CCJ do Senado deve votar hoje a PEC que acaba com a escala 6×1. A sessão começa às 9h e o relator, Omar Aziz, afirma que já há votos suficientes para aprovar a proposta. O governo espera levar a matéria ao plenário ainda nesta quarta-feira.


BLUSINHAS. Governo e Congresso chegaram a um acordo para votar hoje a MP que acaba com a taxa de importação sobre compras de até US$ 50. A comissão mista analisa o texto às 10h e a expectativa é de votação ainda nesta quarta-feira nos plenários da Câmara e do Senado.


… Ficou fora do acordo a proposta de condicionar a isenção ao transporte das mercadorias pelos Correios, rejeitada pelo governo.


TCU. A Câmara deve votar às 11h o nome de Rodrigo Pacheco para uma vaga no TCU, aprovado ontem pelo Senado por 63 votos a 4.


REDATA. O Senado aprovou ontem o regime especial que concede incentivos tributários para atrair investimentos em data centers ao País.


… O programa suspende tributos federais por cinco anos sobre a compra e a importação de equipamentos, exige investimentos em pesquisa e desenvolvimento e permite o uso de gás natural como fonte de baixa emissão. O texto vai à sanção.


XANDÃO DAY – A indicação de empate entre Lula e Flávio no segundo turno e as novas revelações do caso Master, com desgaste político a Moraes, que pode atingir a imagem do petista, deram um choque de otimismo no mercado.


… O Ibovespa emplacou a décima alta seguida e encostou nos 180 mil pontos no fechamento, depois de ter rompido esta marca no intraday, o dólar voltou à faixa de R$ 5,15 e os juros futuros caíram, ignorando a escalada do petróleo.


… Fontes do Broadcast e do Valor disseram que têm identificado um aumento das apostas na valorização dos ativos brasileiros após a eleição presidencial, com investidores montando posições em opções de compra do EWZ.


… Além do call no principal fundo de índice de ações brasileiras negociado no exterior, também os ADRs da Petrobras com vencimento em dezembro (após a corrida eleitoral) estariam sendo alvo do movimento comprador.


… Esta onda de interesse já tem sido percebida desde a semana passada e ajudou a impulsionar ontem o Ibovespa ao melhor nível desde maio, a 179.722 pontos, em alta de 1,30%, após ter tocado 181.061 pontos na máxima do dia.


… No target do fluxo de apetite pelo Brasil, Petrobras ligou o turbo ontem, tendo sido embalada ainda pelo rali do petróleo. As ações ON dispararam 4,14%, para R$ 52,37, e as preferenciais saltaram 4,11%, negociadas a R$ 46,87.


… A bolsa brasileira operou descolada da fuga do risco em Nova York com o agravamento da tensão com o Irã.


… Ainda no “kit estatais”, além de Petrobras, também BB se destacou, em alta firme de 2,27%, valendo R$ 21,21. Bradesco PN subiu 1,22% (R$ 17,40) e Itaú PN, +0,96% (R$ 39,88). Já Santander unit caiu 0,74% (R$ 29,34).


… Os papéis da Vale subiram 0,58% (R$ 78,30), superando o minério de ferro (+0,14%) no mercado chinês.


… Motivos o dólar teria tido vários para subir ontem, se dependesse da alta em escala global, da pressão renovada das taxas dos Treasuries e da disparada do petróleo. Mas a moeda só quis saber por aqui de curtir o trade eleitoral.


… A percepção de que Flávio vem reduzindo o favoritismo de Lula e que a proximidade de Alexandre de Moraes com Vorcaro renderá dividendos políticos à chapa da oposição colocou o real ontem como uma das moedas favoritas.  


… Na sessão de maior apetite por risco, o dólar à vista fechou em baixa de 0,47%, cotado a R$ 5,1557.


… O petróleo caro, que poderia ter sido lido negativamente ontem, pelo lado de aversão a risco, foi visto pelo câmbio sob a ótica do copo meio cheio, na medida em que beneficia o Brasil nas exportações da commodity.


SOBE PRA BAIXO – Apesar de o PIB doméstico do segundo trimestre (0,5%) ter superado o consenso de 0,4%, não abalou em absolutamente nada a aposta unânime entre os traders de que vem corte da Selic no Copom deste mês.


… A percepção dominante é que, embora não pareça à primeira vista, a economia exibe sinais de desaquecimento.


… Chamou a atenção ontem o relatório a clientes publicado pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, em que ele não descarta até mesmo a possibilidade de recessão da economia brasileira no ano que vem.


… Diante de um inevitável ajuste das contas públicas em 2027, depois do forte impulso fiscal observado em 2026, “será difícil não ver um crescimento frágil [do PIB]”, que pode culminar em um cenário recessivo, avalia.


… A MB está mais pessimista do que boa parte do mercado e espera expansão de 1,8% da economia brasileira para este ano e de 1% no próximo, abaixo da mediana das projeções no botem Focus, de 1,9% e 1,5%, respectivamente.


… O BofA manteve ontem a aposta de PIB ainda forte este ano, de 2,3%, mas reconheceu sinais de perda de fôlego.


… O banco observou que a qualidade do PIB do segundo trimestre foi pior do que o dado cheio indica, porque o resultado foi puxado por componentes e setores menos associados a um ciclo sustentado de demanda doméstica.


… Diante desta composição mais fraca e, à medida que alguns impulsos fiscais se dissipem, a perspectiva do BofA é de crescimento bem mais fraco da economia no ano que vem, de 1,3%, segundo a estimativa revisada em julho.


… Economistas do UBS destacam que o PIB do segundo trimestre foi puxado, em grande medida, pela agricultura, que avançou 2,8% na comparação trimestral. Mas os principais setores da economia têm crescido bem menos.


… O banco ressaltou ainda a queda de 0,4% do consumo das famílias na margem. “Isso provavelmente reflete um arrefecimento gradual do mercado de trabalho, juntamente com encargos elevados de serviço da dívida.”


… Em levantamento da Agência Estado após o PIB, o mercado mostrou redução de 0,3% para 0,2% da projeção mediana de crescimento no terceiro trimestre, mas manteve em 1,9% a estimativa para 2026. Para 2027, a previsão é de desaceleração para 1,5%.


… Além de o PIB não ter comprometido a expectativa de queda da Selic, também o salto do petróleo foi desprezado ontem pela curva dos juros futuros, que embarcou nas esperanças de uma disputa eleitoral mais apertada.


… No fechamento, o DI com vencimento em Jan/27 marcava 13,585% (de 13,610% no ajuste anterior); Jan/28, 13,760% (contra 13,815%); Jan/29, 14,110% (14,188%); Jan/31, 14,390% (14,499%); Jan/33, 14,495% (14,598%).


PRESSÃO TÁCITA – Com cada vez mais frequência, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, aproveita para defender publicamente a política coordenada dos Estados Unidos com o Japão a favor do iene.


… Participantes do mercado têm interpretado os comentários como uma forma de pressionar o BC japonês a elevar os juros, mas alertam sobre o risco de que a estratégia possa não servir de garantia para estabilizar o iene.


… Para o Rabobank, mesmo com um aumento da taxa de juros pelo BoJ neste mês, é improvável que a moeda japonesa, que ontem caiu a 160,25 por dólar, esteja livre de riscos, já que as condições fiscais preocupam.


… Durante reunião no G20 para discutir cooperação econômica, Bessent disse ao presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, e à ministra das Finanças, Satsuki Katayama, para evitarem volatilidade excessiva no câmbio.


… É uma tentativa de enfraquecer o dólar e os juros dos Treasuries, que recentemente tocaram patamares não vistos em décadas, diante da alta dos preços da energia, preocupações fiscais e os investimentos relacionados à IA.


… Em conversa com jornalistas após a cúpula do G20, Bessent minimizou a recente disparada dos juros dos Treasuries e considerou temporária a pressão dos preços do petróleo, que “devem cair em breve”.


… Apesar disso, o índice DXY do dólar subiu 0,25%, a 99,677 pontos, e as taxas dos Treasuries avançaram: a da Note de 2 anos foi a 4,395% (de 4,339%), de 10 anos, a 4,794% (de 4,744%), e do T-Bond de 30 anos, 5,266% (de 5,236%).


… O diretor do Fed Michael Barr alertou nesta terça-feira que a inflação americana está acima da meta há mais de cinco anos e que, se não moderar logo, será hora de agir “de forma decisiva” para aumentar as taxas de juros.


… Os comentários vêm dias depois de Kevin Warsh ter vestido a camisa de falcão em Jackson Hole e transformado a chance de uma alta dos juros na aposta principal para setembro (68,2%), esvaziando a possibilidade de manutenção.


… A precificação de um aperto foi reforçada ontem pelo petróleo perto de US$ 95, que assustou as bolsas em Nova York: Dow Jones, -0,79% (52.766,88 pontos); S&P 500, -0,71% (7.631,47 pontos); e Nasdaq, -1,03% (26.099,77).


… Na zona do euro, o dirigente do BCE Gediminas Simkus disse que um aperto monetário pelo BC europeu na reunião da semana que vem será insuficiente para trazer a inflação de volta à meta. O euro caiu 0,26%, a US$ 1,1592.


… A libra perdeu 0,30%, a US$ 1,3512, apesar de a dirigente do BC inglês, Catherine Mann, ter defendido que é melhor os juros ficarem elevados demais e corrigi-los depois, se necessário, diante do choque inflacionário.


CIAS ABERTAS NO AFTER – B3 teve dois autos de infração de R$ 2,2 bilhões cancelados definitivamente pelo Carf, sem impacto previsto nas demonstrações financeiras…


… B3 propôs acordo ao Cade para viabilizar a compra de 60% da CRDC, após recomendação técnica pela rejeição.


BRB. B3 determinou que as ações do banco deixem a negociação contínua e sejam submetidas a leilões durante toda a sessão, devido ao atraso na entrega de balanços.


PAGBANK informou que pretende distribuir pelo menos R$ 2 bilhões em dividendos em 2027 e 2028 e aprovou recompra de até US$ 150 milhões…


… Citi reiterou compra do papel, com preço-alvo de US$ 13 e potencial de alta de 42,2%.


RAÍZEN concluiu venda de operações na Argentina à Mercuria por US$ 1,42 bilhão e da Usina Caarapó (MS) para a Adecoagro por R$ 760 milhões. Recursos da operação argentina serão destinados à gestão da estrutura de capital.


MOTIVA concluiu a venda da plataforma de aeroportos para a mexicana Asur por R$ 12,2 bilhões…


… Conselho aprovou R$ 1,45 bilhão em JCP, ou R$ 0,7233 por ação, com pagamento em 17/9.


CPFL PAULISTA fará emissão de R$ 1,7 bilhão em debêntures, com vencimento em um ano e remuneração de DI + 0,18% ao ano. Recursos serão destinados ao reforço do capital de giro.


PAGUE MENOS. Morgan Stanley reduziu participação de 5,01% para 4,9% do capital da companhia.


ÂNIMA. Grupo controlador ampliou participação e passou a deter conjuntamente 50,48% do capital. Compostella Participações, ligada aos controladores, elevou sua fatia para 10,92%.


AMBIPAR. STJ suspendeu assembleia de credores até decidir se a recuperação judicial deve permanecer no Rio ou ser transferida para São Paulo. Companhia pediu reconsideração, alegando risco de insolvência.


EZTEC está em negociações avançadas para locação do Esther Towers, em São Paulo. Companhia não informou valores e disse que a conclusão ainda depende do avanço das tratativas e de condições usuais.


GAFISA planeja grupamento de ações para reenquadrar os papéis nas regras de cotação mínima da B3. Ação fechou a R$ 0,21; fator do grupamento ainda será definido e operação deve ocorrer até fevereiro de 2027.


AZEVEDO & TRAVASSOS vendeu por R$ 43,5 milhões toda sua participação no fundo ligado à Rota Mogiana, recuperando o capital investido. Saída evita compromisso adicional de mais de R$ 150 milhões no projeto.


VINCI concluiu a compra da plataforma imobiliária da Navi, adicionando cerca de R$ 800 milhões em ativos sob gestão, incluindo quatro fundos imobiliários listados na B3 ou no mercado de balcão.


T4F teve o fechamento de capital aprovado pela CVM e deixou de ser negociada na B3. Menos de 5% das ações permanecem em circulação e poderão ser objeto de resgate compulsório.

Fora!

 Editorial noturno do Estadão: Moraes tem de sair do Supremo


Diante das gravíssimas revelações feitas por este jornal sobre sua relação com o Master, o ministro tem a obrigação de renunciar, sob pena de arrastar o Supremo para sua crise pessoal:


Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.


Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas hoje pintam um quadro muito mais grave. O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.


Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.


Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.


Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.


Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher. O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.


Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.


O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável. Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes. Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu.


Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

UM TAPA NA CARA SOBRE O BRASIL - por Luiz Pondé

Trazer filósofos ao Market Makers nos colocou em um patamar diferente de profundidade das conversas. É um desafio delicioso, mas confesso que com o Pondé o negócio foi mais difícil.


Ele não veio trazer uma mensagem bonita, nem animadora, nem nada. Ele veio trazer como realmente vê as coisas no Brasil e no mundo. E ele não está muito feliz com o que vê.

"O Brasil precisa ter mais políticos que sejam menos delinquentes", disse ele ao falar sobre política brasileira.

Separei aqui as 10 passagens mais duras e marcantes desta conversa:

1. A civilização não é um estado permanente, é uma casca fina em cima de instintos primevos — e ela pode ruir mais rápido do que a gente imagina, inclusive dentro de casa, sem guerra declarada.

2. Guerra não precisa de exército regular pra existir. O Brasil convive com uma versão dela há tanto tempo que naturalizou o que deveria chocar: regiões inteiras onde o Estado não tem soberania.

3. Toda vez que um político — de qualquer lado — fala muito em "soberania" ou "pacificação", desconfie. São palavras que perderam o significado de tanto virarem munição eleitoral.

4. O empobrecimento semântico das redes sociais não é detalhe estético do debate público — é o motivo pelo qual discutir Brasil hoje rende menos substância do que rendia há quatro anos.

5. Quando o fato importa menos do que a pessoa que fala, a discussão pública deixa de ser sobre o mundo e vira sobre o ego de quem discute. Isso vale pra política e vale pro seu grupo de WhatsApp de investimento.

6. Poder e hiperexposição não combinam. Quem exerce muito poder — seja ministro do STF, seja gestor de fundo, seja CEO — deveria abrir mão de privilégios que gente comum tem, como o direito ao anonimato.

7. Corrupção estrutural não se resolve com indignação pontual em cima de escândalo. Se ela é parte da dinâmica de como as instituições convergem entre si, o remédio é institucional, não moral.

8. Dinheiro e felicidade têm relação, sim — fingir o contrário é leviano numa sociedade como a nossa. Mas riqueza sem saúde mental, sem propósito, sem rede de afeto, não fecha a conta sozinha.

9. Não existe fórmula testada de geração de riqueza fora da economia de mercado — nem mesmo com todos os efeitos colaterais violentos que ela produz. Quem defende alternativa sem evidência histórica está vendendo ideologia, não solução.

10. Mudança estrutural de país não acontece em um mandato. Se a métrica de sucesso da sua tese de Brasil é "o próximo governo", você está com o horizonte de tempo errado — o do Pondé é de 100 anos.

China pode ?



A China está promovendo uma das maiores reestruturações de seu ensino superior das últimas décadas. Entre 2021 e 2025, universidades do país encerraram ou suspenderam 12.200 ofertas de cursos de graduação, enquanto aproximadamente 10.200 novos programas foram criados. O movimento atingiu mais de 30% das ofertas de graduação chinesas no período e tem como um de seus principais objetivos aproximar as universidades das novas demandas do mercado de trabalho e das prioridades tecnológicas do país.


Os números foram divulgados pelo Ministério da Educação da China e repercutidos pelo South China Morning Post. Segundo o jornal, a reorganização ocorre em meio à tentativa chinesa de ampliar sua força de trabalho em setores considerados estratégicos, ao mesmo tempo em que o país enfrenta dificuldades para absorver o crescente número de graduados.

De acordo com o Ministério da Educação chinês, somente na rodada de reorganização referente a 2024, foram aprovados 1.839 novos programas de graduação. Ao mesmo tempo, 2.220 tiveram suas matrículas suspensas e 1.428 foram oficialmente cancelados. Outros 157 programas tiveram alterações na categoria do diploma ou na duração dos estudos.

Na mesma atualização, o Ministério apresentou uma nova versão do catálogo nacional de cursos de graduação, com 845 programas específicos. Foram adicionadas 29 novas formações, incluindo áreas relacionadas à neutralidade de carbono, tecnologia marítima, equipamentos médicos, engenharia molecular inteligente, informação espaço-temporal e aplicações de inteligência artificial.

A política do MEC chinês destaca a importância da integração interdisciplinar, da inovação e da incorporação de inteligência artificial ao ensino. Na prática, isso pode significar um curso de comunicação que incorpora IA generativa, um programa de design que inclui ferramentas computacionais ou uma formação audiovisual que combina produção tradicional com sistemas inteligentes. A ideia é que o profissional não precise necessariamente abandonar sua área de origem para trabalhar com tecnologia. Ele precisa aprender a trabalhar com a tecnologia dentro de sua própria área.

🔗 SAIBA MAIS: Para saber mais, leia a matéria completa no site do The University Journal por meio do link: https://lnkd.in/dnkrtH-J

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: PIB do Brasil e Jolts na agenda dos juros*


O investidor também deve dedicar seu tempo a avaliar o nível de credibilidade do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do ano que vem

… Índices de atividade industrial abrem a agenda internacional, que tem ainda o relatório de emprego Jolts de julho nos Estados Unidos, enquanto o mercado aciona a expectativa para o payroll, na sexta-feira. O indicador ganha importância redobrada depois de Kevin Warsh pegar pesado contra a inflação em Jackson Hole, adiantando as apostas de alta do juro pelo Fed para setembro. O petróleo de volta à faixa dos US$ 90 resgata pressão. Aqui, a aposta em corte da Selic em setembro deve ser consolidada hoje pela perda de fôlego do PIB do segundo trimestre, que o IBGE divulga às 9h. O investidor também deve dedicar seu tempo a avaliar o nível de credibilidade do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do ano que vem, apresentado no final da tarde de ontem pela equipe econômica.

PROMESSA É DÍVIDA – Em coletiva para detalhar o texto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, vendeu o peixe e considerou ser “muito factível” o governo entregar um superávit primário em 2027.

… Horas antes, durante participação no evento do BTG Macro Day, ele havia dito que o PLOA não dependerá de nenhuma receita adicional do Congresso e que o governo não mandará nenhum projeto pedindo mais arrecadação.


… Sem exceções à meta, o resultado cheio efetivo tem previsão de um saldo positivo de R$ 18,6 bilhões no ano que vem, ou 0,13% do PIB. Se concretizado, será o primeiro superávit nas contas do governo federal em cinco anos.


… A última vez em que o resultado foi entregue no azul foi em 2022, durante o mandato de Bolsonaro. À época, o superávit foi de R$ 54,1 bilhões, mas para chegar a esse número o governo atrasou o pagamento de precatórios.


… No Estadão, quem ganhar a eleição, terá de fazer um esforço fiscal de R$ 70,6 bi para o PLOA virar realidade. Essa é a diferença entre o déficit projetado para este ano, de R$ 52 bilhões, e o superávit nas contas projetado para 2027.


… Para atingir este objetivo, a equipe econômica estimou crescimento de R$ 222,1 bilhões nas receitas primárias em comparação a 2026 e previu um aumento menor das despesas, de R$ 184,5 bilhões, graças ao crescimento do PIB.


… Mas aí já tem um desafio, porque o PLOA projeta alta de 2,46% do PIB, bem acima da aposta do mercado (1,5%).


… As despesas obrigatórias são estimadas em R$ 2,563 trilhões e as discricionárias devem atingir R$ 266,8 bilhões.


… O governo reservou R$ 44,8 bilhões para o pagamento de emendas impositivas (individuais e de bancada). O montante é R$ 4 bilhões maior que os R$ 40,8 bilhões previstos inicialmente na proposta orçamentária para 2026.


SÃO TOMÉ – Cético em relação a pontos do projeto, o economista-chefe da Warren, Felipe Salto, disse a clientes que o PLOA precisa dar explicações sobre a composição da alta da receita líquida e queda de despesas.


… O Orçamento, disse, está com despesas subestimadas. Ele aponta que o recuo de 0,34 ponto do PIB das despesas obrigatórias é muito expressivo em apenas um ano e precisaria ser entendido sem a adoção de novas medidas.


… Em relatório, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, concorda que o texto subestima as despesas obrigatórias e traz um superávit primário baseado em premissas bastante otimistas para o crescimento econômico.


… Do lado da receita, ela destaca a projeção de expansão do PIB bem melhor do que o consenso do mercado.


… Pelo lado dos gastos, adverte que as despesas obrigatórias estão subavaliadas, com expectativa de queda real em gastos com previdência, BPC e salários, o que exigirá maior controle e revisão de benefícios que vão além de irregularidades.


… “Apesar de alguns gatilhos acionados para limitar crescimento de algumas linhas, como pessoal, a projeção de crescimento de gastos ainda é elevada para a necessidade de ajuste fiscal”, na avaliação da economista.


TRAVAS – Foram adicionados no PLOA quatro gatilhos de contenção de gastos, relativos à despesa de pessoal, saúde e a vinculações legais que vão ficar limitadas ao arcabouço nas áreas de segurança pública, ciência e tecnologia.  


… Pela ótica das receitas, está vedada a concessão e ampliação de novos benefícios tributários em 2027.


… No lado das despesas, tem a trava de crescimento real de 0,6% para despesas de pessoal e a trava no limite de gastos com vinculações legais não constitucionais à regra geral do arcabouço fiscal.


… O quarto gatilho é o desconto do cálculo da Receita Corrente Líquida da arrecadação relacionada à comercialização de petróleo e gás natural.


… “Esse conjunto de medidas vai nos assegurar base maior de despesas discricionárias, que nós usaremos e, caso necessário, faremos o contingenciamento ano que vem para que a gente busque o centro da meta”, disse Moretti.


… A meta para o ano que vem é de um superávit de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB), mas o governo é autorizado a excluir do cálculo R$ 64,7 bilhões em despesas (como precatórios e alguns gastos com Defesa) para atingir o alvo.


… Considerando as exceções ou os abatimentos legais, o governo promete cumprir o objetivo com uma folga de R$ 10,1 bilhões em relação ao centro da meta – ou seja, um saldo positivo de R$ 83,4 bilhões no ano que vem.


… Conforme Durigan havia antecipado, o governo estima que o salário mínimo do ano que vem será de R$ 1.741, um aumento total de 7,40% (o equivalente a mais R$ 120) em relação ao piso vigente este ano, de R$ 1.621.


… O projeto orçamentário prevê arrecadação de R$ 636 bilhões com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e R$ 41,9 bi com o Imposto Seletivo. Durigan evitou antecipar a alíquota da CBS e disse que não cabe à Fazenda defini-la.


… Os aportes de capital em estatais previstos pelo texto para 2027 são de R$ 6 bilhões nos Correios e R$ 653 milhões para a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que administra a Eletronuclear.


PETRÓLEO NO PLOA – O valor do petróleo Brent considerado pela equipe econômica subiu de US$ 67,69 em abril para US$ 71,03, diante da persistência da guerra do Irã. Mas não há previsão de extensão do Imposto de Exportação.


… Segundo Moretti, a previsão de zero arrecadação com o tributo ocorre porque o governo confia em um cenário de volta à normalidade.


… A equipe econômica disse que preferiu projetar o preço do barril abaixo da cotação atual, para dar maior realismo às projeções macroeconômicas, já que um valor de Brent mais alto elevaria as receitas da União, ajudando no resultado primário previsto na peça orçamentária.


… O petróleo fechou em forte alta ontem, com a retomada dos ataques elevando novamente o prêmio de risco geopolítico. O Brent para novembro subiu 2,71%, a US$ 90,49, e o WTI para outubro avançou 2,83%, a US$ 85,76.


… Sempre bipolar, Trump afirmou pela manhã que Washington responderia aos ataques do Irã “com força”, mas à tarde disse que a ofensiva será “limitada”. Já o Irã prometeu responder a novas agressões, mantendo elevado o risco de escalada.


… Apesar da tensão, Trump disse que o Estreito de Ormuz está “indo muito bem” e que muito petróleo continua saindo pela rota. Segundo ele, em médio, trinta navios atravessaram a região na noite de domingo.


… As reservas estratégicas americanas acendem um sinal de alerta, e segundo analistas ouvidos pela Reuters, se aproximam de níveis críticos. Na semana passada, renovaram o menor nível desde 1982, a 289,7 milhões de barris.


… Trump se reunirá nesta terça-feira com empresários do setor de combustíveis para discutir a expansão da capacidade de refino e a redução dos preços da gasolina nos Estados Unidos.


… Ontem, O presidente americano anunciou que fechou novos acordos com nove fabricantes de medicamentos para que reduzam voluntariamente os preços dos seus produtos.


LULA E A NATA – Quatro dias após Flávio Bolsonaro se reunir com empresários e representantes do mercado, o presidente fez um gesto de aproximação e ofereceu jantar a 16 empresários e banqueiros no Palácio do Alvorada.


… O encontro reuniu nomes de peso da Faria Lima e da indústria, como André Esteves (BTG), Roberto Setúbal (Itaú), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Joesley Batista (JBS), Rubens Ometto (Cosan) e André Gerdau Johannpeter (Gerdau).


… Lula tenta reduzir a resistência à sua candidatura e ajustar o discurso econômico, depois da repercussão negativa de sua declaração à Globo, na semana passada, de que não tem preocupação com o crescimento da dívida pública.


… Procurando desfazer a impressão, garantiu que as contas não sairão do controle. A previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões contida no PLOA de 2027 foi apresentada como parte da mensagem de responsabilidade fiscal.


… Apesar da promessa de entregar as contas no azul e de ter reconhecido a necessidade de enfrentar os juros altos, Lula defendeu conciliar o ajuste fiscal com investimentos e políticas sociais.


… “Eu passei oito anos fazendo superávit fiscal, estou entregando superávit fiscal, vou seguir fazendo. Mas também não vou abandonar os mais pobres, nós temos que fazer com equilíbrio”, disse, segundo relatos ao Broadcast.


… Nesta segunda-feira, o BC informou que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que inclui governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 82,5% do PIB, o maior patamar excluindo o período da pandemia.


… Durante a conversa com os empresários, o tarifaço teria sido citado de forma superficial pelos empresários.


… Ontem, o ministro Márcio Elias Rosa e o chanceler Mauro Vieira tiveram encontro virtual com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, e disseram a ele que o governo Lula considera as tarifas injustas e descabidas.


… Como forma de dar continuidade ao diálogo, as partes concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial “em data oportuna”, para avaliar as tratativas técnicas bilaterais que serão conduzidas nas próximas semanas.


… No último sábado, em sua estreia na “diplomacia privada”, André Esteves (BTG) se reuniu com Trump por 45 minutos e discutiu Brasil, eleições, Venezuela e investimentos na América Latina. O tarifaço ficou fora da conversa.


ELEIÇÃO COM EMOÇÃO – A nova rodada de pesquisas eleitorais mostra disputa mais apertada entre Lula e Flávio.


… No BTG/Nexus, Lula tem 39% contra 33% de Flávio no primeiro turno e ambos estão tecnicamente empatados no segundo, por 46% a 45%. Na Atlas/Bloomberg, Lula marca 43,4% e Flávio, 33,7% no primeiro turno.


… No segundo, o petista vence por 47,1% a 42,6%, mas sua vantagem caiu de 6,3 para 4,5 pontos porcentuais.


… A novidade é que agora um “outsider” corre por fora: Augusto Cury ganhou força como terceira via e saltou de 2% para 11% no BTG/Nexus, assumindo a terceira colocação e acendendo o sinal amarelo nas campanhas de Lula e Flávio.


… A redução da vantagem de Lula sobre Flávio ajudou a animar os negócios nesta segunda-feira (abaixo).


… O noticiário político ainda foi movimentado pela decisão de Dias Toffoli (TSE) de suspender os atos de campanha de Renan Santos, incluindo propaganda eleitoral, repasses do Fundo Eleitoral e participação em debates.


… A decisão foi tomada por supostas irregularidades relacionadas a perfis do candidato do Missão nas redes sociais. Especialistas no Broadcast, porém, avaliam como baixa a chance de sua candidatura ser indeferida pelo TSE.


CURTAS – A comissão mista que trata da MP que acaba com a taxa das blusinhas adiou para hoje, às 10h, a análise do relatório. Motta e Alcolumbre se comprometeram a votar o tema ainda nesta semana de esforço concentrado.


… O presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT), disse que o cashback, a desoneração e uma linha de crédito específica podem ser adotados como compensações contra impactos econômicos do fim do tributo.


REDATA. Senado marcou para hoje a votação do projeto de regime especial de tributação para data centers. O relator do texto, senador Cid Gomes, ainda não apresentou parecer; projeto foi aprovado pela Câmara em fevereiro.


PACHECO NO TCU. Alcolumbre oficializou ontem à noite a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, após Bruno Dantas anunciar sua aposentadoria antecipada da corte.


… A expectativa é que o nome de Pacheco seja colocado em votação no plenário já hoje.


TOMA LÁ, DÁ CÁ. A indicação de Pacheco ao TCU foi previamente acertada com Lula.


… Em troca da nomeação, Alcolumbre destravou pautas de interesse do governo no Senado, como a PEC que acaba com a escala 6×1, a PEC da segurança pública e o projeto de lei que trata da exploração de minerais críticos no Brasil.


… Alckimin vê chances de o fim da escala 6×1 ser votado no plenário do Senado ainda esta semana.


CARNE. A UE suspendeu importações de carne bovina brasileira, citando preocupações com segurança.


BANDEIRA VERDE. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) atualizou as suas projeções e passou a considerar a possibilidade de que as contas de luz deixem de registrar cobrança adicional a partir de outubro.


O PIB E O COPOM –A dinâmica de desaceleração gradual da economia doméstica deve reforçar o call de corte da Selic este mês, abaixo de 14%. A mediana do Broadcast aponta alta de 0,4% para o PIB do segundo trimestre.


… Se confirmado, o resultado confirmará a perda de ritmo, após avanço de 1,1% nos três primeiros meses. As estimativas variam de 0,2% a 0,7%. Na base anualizada, a mediana aponta +1,9%, contra 1,8% no primeiro trimestre.


… Ainda na agenda de hoje, o IPC-S (8h) deve aprofundar a queda para 0,33% em agosto, depois do recuo de 0,08% observado em julho. As projeções para o indicador, todas de deflação, vão de 0,44% a 0,29%.


… Sem horário confirmado, a Fenabrave soltas as vendas de veículos em agosto.


… Galípolo participa de reunião de BCs do G20 nos Estados Unidos. Já o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, discursa às 9h10 em evento da Zetta, em Brasília.


LÁ FORA – Os PMIs industriais movimentam o dia na Alemanha (4h30), zona do euro (5h), Reino Unido (5h30) e nos Estados Unidos, com onde o dado medido pelo S&P Global sai às 10h45 e o ISM industrial, às 11h.


… Ainda às 11h, merece atenção o relatório Jolts, que prevê a abertura de vagas de 7,35 milhões de vagas de emprego em julho e pode preparar o espírito do mercado para os dados do mercado de trabalho do payroll.


… Às 10h05, o diretor do Fed Michael Barr discursa sobre perspectivas econômicas e inclusão financeira.


… Às 6h, saem o CPI e a taxa de desemprego da zona do euro, além do PIB do segundo trimestre da Itália.


CHINA HOJE – O PMI/S&P Global industrial subiu de 50,9 em julho para 51,5 em agosto e frustrou previsão de 50,8.


JAPÃO HOJE – O PMI industrial subiu de 54,5 pontos em julho para 54,9 em agosto, segundo pesquisa final da S&P Global. O dado ficou abaixo da leitura preliminar (55,1 pontos), mas acima de 50, indicando expansão da atividade.


PÉ NO ACELERADOR – Faltando pouco mais de um mês para as eleições, a bolsa brasileira está cada vez mais sensível às pesquisas, se descolando do comportamento das pares americanas.


… Os levantamentos desta segunda-feira, mostrando redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, soaram como um convite às compras. As ações das estatais federais subiram mais que os papéis do mesmo setor.


… O Ibovespa cravou o nono pregão seguido de alta (+1,00%), aos 177.418,78 pontos e volume de R$ 23,1 bilhões. A sequência positiva quase apagou os 11 dias anteriores de perdas, com o índice fechando agosto de lado (-0,33%).


… Petrobras ON (+4,23%, a R$ 50,29) e PN (+3,38%, a R$ 45,02) dispararam na esteira do petróleo e das pesquisas, ajudando a compensar a queda de Vale ON (-0,93%, a R$ 77,85), que ignorou a alta de 0,76% do minério.


… O cenário eleitoral também impulsionou BB ON (+2,83%, a R$ 20,74), que se destacou entre os grandes bancos. Itaú PN (+0,84%, a R$ 39,52); Bradesco PN (+0,64%, a R$ 17,19); e BTG Unit (+2,11%, a R$ 54,71) também subiram.


… A exceção foi Santander Unit (-1,50%, a R$ 29,56). A lista de maiores altas trouxe MRV ON (+6,17%, a R$ 5,51); Cyrela ON (+5,52%, a R$ 24,29); e Fleury ON (+4,29%, a R$ 19,68).


… Na outra ponta do Ibovespa ficaram Embraer ON (-1,82%, a R$ 93,49); Minerva ON (-1,55%, a R$ 3,82); e Suzano ON (-1,50%, a R$ 45,30).


ACOMODOU  – O quadro de disputa mais acirrada ao Planalto no segundo turno estimulou redução das posições defensivas, com o câmbio devolvendo parte da alta de sexta-feira. A alta do petróleo também fortaleceu o real.


… O dólar à vista caiu 0,32%, para R$ 5,1801, em linha com o exterior (DXY -0,29%, aos 99,415 pontos). O euro subiu 0,27% (US$ 1,1616) e a libra ganhou 0,10% (US$ 1,3548). No mês, o dólar subiu 2,16% frente ao real.


… A Ptax fechou a R$ 5,1816, em baixa de 0,36% no dia e alta de 2,05% em agosto.


… Os juros futuros oscilaram pouco ao longo da sessão. Os vencimentos intermediários mostraram leve alta no fechamento, com o petróleo e a expectativa de aperto dos juros pelo Fed ditando o comportamento das taxas.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,615% (de 13,616% no ajuste anterior); Jan/28, 13,810% (contra 13,779%); Jan/29, 14,175% (de 14,153%); Jan/31, 14,480% (de 14,481%); e Jan/33, 14,600% (de 14,592%).


PÉ NO FREIO – Wall Street começou a semana no vermelho, ainda reverberando as declarações de Kevin Warsh em Jackson Hole e sentindo a disparada do petróleo após a escalada do conflito no Oriente Médio no fim de semana.


… A aposta de que o Fed deverá elevar os juros em setembro se consolidou como majoritária, atingindo 65,4% ontem, após ter saltado para 57,0% na sexta-feira, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também fez preço, ao comentar que ainda não fez nenhuma compra de títulos e afirmar que não há uma crise no mercado de Treasuries.


… Durante sua participação no G20, Bessent disse que a única saída para a dívida americana, que bateu nos US$ 40 trilhões em agosto, é por meio do crescimento da economia.


… Com a aversão ao risco falando mais alto, o Dow Jones caiu 0,70%, aos 53.185,90 pontos. O S&P 500 perdeu 0,33%, aos 7.686,14 pontos, e o Nasdaq teve baixa de 0,12%, aos 26.370,89 pontos.


… Apesar das perdas na última sessão de agosto, os índices acumularam ganhos no mês de 1,33%, 2,62% e 3,92%, respectivamente, com a safra de balanços de tecnologia reforçando as apostas na expansão da IA.


… Entre os destaques negativos do dia, Amazon caiu 2,50% após a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, em inglês) entrar com uma ação, alegando manipulação de preços e publicidade injusta pela plataforma de varejo.


… Em contrapartida, a alta do petróleo deu suporte às ações do setor: Chevron (+2,1%) e ExxonMobil (+2,7%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – SANTANDER informou, em comunicado, que vai protocolar documentos para Oferta Pública de Aquisição (OPA) da sua unidade brasileira nas próximas semanas e deve concluir a operação em 2027.


BB investiu US$ 5 milhões em nota estruturada digital emitida pelo Citi e registrada em plataforma blockchain da Euroclear. Operação faz parte da estratégia do banco de avaliar novas tecnologias para o mercado financeiro.


BANCO MERCANTIL ajustou acordo de acionistas, reduzindo de 57,6% para 55,63% do capital votante a participação vinculada ao bloco de controle.


FEBRABAN. Isaac Sidney deixará A presidência-executiva da entidade; Leandro Vilain assumirá o cargo.


GERDAU ampliou de US$ 875 milhões para US$ 1,125 bilhão sua linha global de crédito, alta de cerca de 29%. Nova linha substitui a anterior, tem prazo de cinco anos e permanece não sacada.


SUZANO acertou a compra de 10% da Imetame Logística Porto por meio do aporte de terrenos próprios. Projeto prevê a implantação de cinco terminais especializados.


CEMIG aprovou adesão às condições para renovar por 30 anos a concessão da hidrelétrica de Sá Carvalho, de 78 MW de capacidade instalada. Companhia terá 210 dias, após convocação do MME, para assinar o aditivo.


ENEVA concluiu a venda do complexo termelétrico Pecém II para a Diamante por R$ 748,4 milhões. Ativo foi avaliado em R$ 839,2 milhões e operação ainda prevê pagamento contingente de até R$ 149 milhões.


SMARTFIT aprovou R$ 40 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,065351 por ação, com pagamento em 30/10. Papéis passam a ser negociados ex-JCP em 4/9.


GRUPO SBF aprovou novo programa de recompra de até 12,8 milhões de ações ON, equivalente a 10% dos papéis em circulação.


JHSF captou R$ 800 mi em debêntures para lastrear CRIs, com custo médio de 102,65% do CDI e prazo médio de 5,8 anos. Operação busca alongar o perfil da dívida e reduzir o custo de financiamento.


FERTILIZANTES HERINGER obteve na Justiça suspensão por 60 dias de execuções e cobranças de credores convidados à mediação. Companhia afirmou que operações comerciais e industriais seguem normalmente.

Falar o que?

 


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Orçamento abre semana decisiva para os juros*


… O Orçamento de 2027 coloca a credibilidade fiscal à prova nesta segunda-feira, quando também saem os dados consolidados de julho. Amanhã, o PIB do segundo trimestre deve reforçar os sinais de desaceleração da economia e as apostas em novo corte da Selic. Lá fora, o payroll de agosto ganha ainda mais peso na sexta-feira, com o mercado sob o impacto do tom hawkish de Warsh em Jackson Hole, que virou as apostas para uma alta dos juros pelo Fed em setembro. O contraste entre Fed e Copom fica mais evidente justamente quando o petróleo volta a preocupar, após os Estados Unidos atacarem alvos iranianos em Ormuz neste domingo e Teerã prometer retaliar.


ORÇAMENTO TESTA CREDIBILIDADE FISCAL – O governo envia hoje ao Congresso o PLOA de 2027, prometendo entregar o primeiro superávit efetivo das contas públicas em anos, mas terá de convencer o mercado de que os números projetados vão se sustentar na execução.


… O Orçamento manterá a meta prevista na LDO, de superávit de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões.


… Segundo antecipou o ministro Bruno Moretti em entrevistas à GloboNews, à Folha e ao Valor, mesmo depois de contabilizadas as despesas excluídas da meta, o resultado “cheio” ficará positivo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, pouco acima de 0,1% do PIB.


… A projeção representa um ajuste de cerca de 0,5 ponto porcentual do PIB em relação ao déficit efetivo de 0,4% esperado para este ano.


… A diferença entre a meta oficial e o resultado efetivo decorre, entre outros fatores, das exceções permitidas pela legislação. Moretti destacou que parte das despesas com precatórios ainda fica fora da meta e está sendo incorporada gradualmente, à razão de 10% ao ano.


… O ministro do Planejamento afirma ainda que, diferentemente de Orçamentos anteriores, a proposta de 2027 não dependerá da aprovação pelo Congresso de novas medidas de arrecadação para fechar as contas.


… Entre as receitas previstas estão cerca de R$ 20 bilhões com o leilão de petróleo do pré-sal, adiado deste ano. O governo diz ter adotado premissas conservadoras, como uma cotação do Brent próxima de US$ 70.


… Do lado das despesas, a principal mudança estará na composição.


… Enquanto o limite do arcabouço crescerá 7,7%, os gastos obrigatórios sujeitos ao teto avançariam entre 6,8% e 6,9%, abrindo espaço para uma expansão de cerca de 20%, ou quase R$ 40 bilhões, das despesas discricionárias, que incluem custeio e investimentos, entre eles o Novo PAC.


… O salto das discricionárias chamou a atenção do mercado e ajudou a pressionar a ponta longa dos juros na sexta-feira (leia abaixo).


… Moretti argumenta, porém, que uma base maior de despesas não obrigatórias também amplia a margem para contingenciamentos caso haja frustração de receitas, permitindo perseguir a meta fiscal sem comprometer o funcionamento da máquina pública.


… O governo calcula ainda uma economia de cerca de R$ 100 bilhões em 2027 em relação ao cenário sem as medidas de contenção adotadas nos últimos anos. Desse total, R$ 80 bilhões decorreriam do pacote fiscal de 2024 e R$ 20 bilhões dos gatilhos acionados para o próximo ano.


… Entre eles, estão a trava que limita a 0,6% acima da inflação o crescimento das despesas com pessoal, a limitação do avanço de despesas financiadas por vinculações legais não constitucionais e a retirada das receitas com petróleo e gás do cálculo da receita corrente líquida.


… As contas de 2027 também serão favorecidas pela antecipação para este ano de R$ 3 bilhões em despesas temporárias de saúde e educação que originalmente seriam programadas para o próximo exercício. Já o salário mínimo será projetado em R$ 1.741, alta de R$ 120.


… A promessa de um superávit efetivo, porém, deve ser recebida com cautela após sucessivas diferenças entre as projeções e os resultados realizados. O PLOA/2024, por exemplo, previa superávit de R$ 2,84 bilhões e o ano terminou com déficit efetivo de R$ 43 bilhões.


… Por isso, mais do que o número anunciado nesta segunda-feira, o mercado deve avaliar a qualidade das receitas, a executabilidade das economias previstas e quanto do aumento das despesas discricionárias será efetivamente gasto.


… A reação da ponta longa dos juros será um dos primeiros termômetros da credibilidade atribuída às contas de 2027.


DEPOIS DE WARSH, O PAYROLL – Warsh deixou muito claro em Jackson Hole que a principal preocupação do Fed neste momento é a inflação, advertindo que não há garantia de que os preços retornem sozinhos à meta de 2% – uma fala interpretada como hawkish. 


… Reconheceu a melhora dos últimos indicadores, mas disse que eles ainda não mostram avanço significativo das tendências subjacentes. “Se não houver evidências claras de que a inflação está convergindo para a meta com velocidade suficiente, o Fed terá trabalho a fazer.”


… O recado virou as apostas para a próxima reunião do Fomc, em setembro. A probabilidade de aumento dos juros em 25 pontos-base passou a 57,5%, segundo o CME FedWatch, depois de o cenário majoritário na véspera ainda ser de manutenção.


… O mercado também passou a embutir pelo menos uma elevação dos juros até o fim deste ano e novos apertos em 2027, com reação imediata na Treasury de dois anos, que chegou a subir mais de 10 pontos-base, enquanto o dólar se fortaleceu e as bolsas perderam fôlego.


… Warsh não foi explícito sobre setembro, deixando os próximos passos dependentes dos dados. Agora, os números do emprego ao longo desta semana, culminando com o payroll na sexta-feira, vão testar até onde essa disposição para voltar a subir os juros pode ir.


… A bateria começa amanhã, terça-feira, com o Jolts de julho, que deve mostrar 7,35 milhões de vagas abertas. Na quarta, o ADP deve apontar criação de 46,5 mil empregos privados em agosto e, na quinta, os pedidos de auxílio-desemprego devem subir de 203 mil para 207,5 mil.


… O payroll de agosto será o último antes do Fomc de 16 de setembro e ganhou peso adicional após a perda de 23 mil vagas em julho, com a taxa de desemprego em 4,1%. Também serão acompanhados os salários, que avançaram apenas 0,1% em julho e 3,2% em 12 meses.


… Uma nova deterioração do emprego pode dificultar uma alta já em setembro, apesar do tom duro de Warsh.


… Em sentido contrário, sinais de resiliência do mercado de trabalho, que Warsh considerou compatível com o pleno emprego, reforçariam a leitura de que o Fed tem espaço para concentrar esforços na inflação e poderiam consolidar as apostas em aperto monetário.


… O pano de fundo já vinha ficando mais hawkish antes mesmo de Jackson Hole.


… A ata da reunião de julho mostrou três votos por uma alta dos juros e revelou que “vários” dirigentes defendiam um aumento de 25 pontos-base, enquanto “muitos” avaliavam que novo aperto poderia ser necessário caso a inflação permanecesse persistente.


… O Fed terá ainda o Livro Bege na quarta-feira, com novas indicações sobre atividade, emprego, salários e preços nas diferentes regiões do país e os “Fed boys” continuarão falando, entre eles, Michael Barr, Christopher Waller, Beth Hammack e Austan Goolsbee.


… As novas declarações serão acompanhadas de perto para medir quanto apoio existe dentro do Comitê para uma alta já em setembro.


SOBE LÁ, CORTA AQUI – Para os mercados emergentes, a mudança de cenário no Fed tem efeito direto.


… Juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar e reduzir a liquidez destinada a ativos de maior risco, justamente quando o Brasil caminha na direção oposta e o mercado dá como certo um novo corte de 25 pontos-base da Selic em setembro.


… A aposta ganhou força na sexta-feira, depois que o Caged mostrou criação de apenas 58,6 mil vagas formais em julho, praticamente metade das 114 mil esperadas pelo mercado e mais um sinal de moderação da atividade.


… A surpresa reforçou a percepção de que o mercado de trabalho começa finalmente a perder a resiliência que vinha preocupando o Banco Central e já levou alguns analistas a discutir a possibilidade de outro corte de 25 pontos-base em uma das reuniões seguintes.


… Mas o espaço para estender o ciclo não dependerá apenas da desaceleração da economia.


… Uma eventual alta dos juros pelo Fed estreitaria o diferencial de taxas justamente quando a eleição e as incertezas sobre a política fiscal do próximo governo tendem a elevar o prêmio exigido para os ativos brasileiros.


… E o fiscal, como você leu acima, ganha peso especial nesta segunda-feira, com a apresentação do Orçamento de 2027.


… A combinação desses riscos já apareceu na curva na sexta-feira: enquanto o Caged mais fraco ajudou a derrubar os juros curtos, as taxas longas avançaram mais de 10 pontos-base, pressionadas pelo cenário fiscal, pelos Treasuries e também por fatores técnicos.


… A divergência expõe o desafio para o Banco Central: os dados domésticos podem justificar novos cortes da Selic, mas Fed, fiscal e eleição podem limitar até onde será possível levá-los. Vai ser uma superquarta especial em setembro, com Fomc e Copom no mesmo dia.


E AINDA TEM O PETRÓLEO – O alívio provocado pela melhora do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz levou o petróleo a fortes perdas na semana, mas novos episódios no fim de semana lembraram que a situação continua longe de normalizada.


… Forças americanas atacaram neste domingo dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, no primeiro ataque reconhecido dos Estados Unidos contra o Irã em um mês.


… Segundo o Centcom, integrantes da Guarda Revolucionária preparavam-se para lançar foguetes carregados com minas nas águas do Estreito. Teerã prometeu retaliar, elevando novamente o risco de uma escalada militar.


… No sábado, um petroleiro já havia sido atingido por um projétil de origem desconhecida quando navegava em direção a Ormuz. Não houve vítimas nem vazamento de carga, mas a UKMTO recomendou cautela extrema às embarcações na região.


… As negociações continuam travadas. Washington já informou a mediadores que não pretende retomar os termos do acordo preliminar de junho, enquanto Teerã diz que a volta à mesa depende de os Estados Unidos “construírem confiança”.


… Ao mesmo tempo, Washington amplia a pressão econômica sobre Teerã.


… As novas sanções já atingiram o Banque Misr, um dos maiores bancos do Egito, acusado de manter operações relacionadas ao regime iraniano. A ofensiva continuará nesta semana no G20, onde Scott Bessent deve pressionar os participantes a restringirem o fluxo de capital para o Irã.


… Do outro lado, Vladimir Putin se reúne com Xi Jinping e Pezeshkian na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, enquanto o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, pediu neste domingo união dos países muçulmanos contra Estados Unidos e Israel.


… Outra novidade no mercado de petróleo veio da Venezuela.


… Trump anunciou um acordo que dará aos Estados Unidos participação majoritária em uma nova operação envolvendo 17 campos venezuelanos, com potencial de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia.


… Segundo os termos divulgados até agora, os Estados Unidos terão direito a 55% da produção efetiva e poderão comprar petróleo a preço de custo. Parte dos barris será destinada à recomposição das reservas estratégicas americanas.


… O impacto sobre a oferta, porém, não será imediato. A deterioração da infraestrutura venezuelana exigirá investimentos bilionários e anos para que o País consiga recuperar parte relevante da capacidade perdida.


… Assim, após acumular quedas de 4,2% (WTI) e 6,6% (Brent), o petróleo começa a semana novamente sob pressão, dividido entre a melhora gradual dos fluxos por Ormuz e a ameaça de retaliação aos novos ataques americanos, que mantém elevado o prêmio geopolítico.


… Na sexta-feira, o WTI fechou cotado a US$ 83,40 (-0,16%) e o futuro do Brent para entrega em novembro a US$ 88,10 (-0,47%).


ELEIÇÃO – Em plena campanha eleitoral, Lula recebe hoje à noite no Palácio da Alvorada grandes empresários e banqueiros para um jantar organizado pelo presidente do PT, Edinho Silva.


… Entre os convidados estão André Esteves, do BTG Pactual, Roberto Setúbal, do Itaú, Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, Joesley Batista, da JBS, e José Seripieri Júnior, da Amil.


… O encontro ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro também participar de um jantar com banqueiros e empresários. Lula já havia recebido André Esteves fora da agenda oficial há cerca de dez dias.


CAMPANHA. Lula e Flávio estrearam no sábado na propaganda eleitoral gratuita. O presidente defendeu o legado do governo e atacou o adversário, enquanto Flávio concentrou críticas na economia e procurou ampliar os acenos ao eleitorado feminino.


… Neste domingo, Flávio prometeu dar um “tesouraço” nos gastos públicos, com uso de tecnologia e IA, e voltou a criticar o nível da Selic.


… O candidato também defendeu acelerar a exploração de petróleo na Margem Equatorial e apresentou como alternativa à PEC do fim da escala 6×1 uma proposta que permitiria aos trabalhadores escolher a própria carga horária e os dias de trabalho.


TSE. A campanha de Lula pediu a inelegibilidade de Flávio por suposto abuso de poder econômico em sua participação na Festa do Peão de Barretos. A defesa alega uso de estrutura financiada por empresas e órgãos públicos e caracteriza o evento como um “showmício disfarçado”.


… Já o ministro Dias Toffoli retirou da pauta do TSE o julgamento do registro da candidatura de Renan Santos, do Missão, previsto para começar hoje no plenário virtual, apontando “indícios de ilicitude” relacionados às informações sobre perfis em redes sociais.


CURTAS – Em semana de esforço concentrado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, acelerou a tramitação da MP que acaba com a taxa das blusinhas e marcou para hoje à noite a votação da proposta no plenário. O texto precisa passar também pelo Senado.


6X1. Senadores da base governista articulam votar amanhã a PEC que acaba com a escala 6×1. O relator na CCJ, Omar Aziz, já apresentou parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara. Lula afirmou no sábado que o Congresso aprovará a proposta nesta semana.


BRASIL-EUA. Os negociadores dos dois países retomam hoje as conversas sobre o tarifaço, por determinação de Lula e Donald Trump. O encontro virtual, às 14h30, reunirá o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.


… A negociação foi reaberta depois da conversa entre Lula e Trump no dia 21.


… O governo brasileiro, porém, não espera uma reversão das sobretaxas americanas no curto prazo e mantém em andamento tanto a ação na OMC quanto o processo para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade.


CONGRESSO. O Senado deve aproveitar o esforço concentrado desta semana para analisar também o projeto que cria o Redata. Outra proposta na pauta é a criação da política nacional de minerais críticos, já aprovada pela Câmara.


BANDEIRA AMARELA. A Aneel anunciou na sexta-feira que as contas de luz seguirão com taxa adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos no mês de setembro, mesmo patamar verificado desde maio.


… A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) projeta que as tarifas devem permanecer na bandeira amarela até novembro. A partir de dezembro, com o fim do período seco, podem seguir para a bandeira verde.


MAIS AGENDA – Além do payroll, a agenda internacional traz uma bateria importante de dados de atividade e inflação. Aqui, o Orçamento de 2027 domina as atenções, mas ainda hoje tem o resultado fiscal de julho e, amanhã, o PIB do segundo trimestre.


… No Brasil, o Relatório Focus abre o dia às 8h25, com os dados fiscais divulgados pelo BC às 8h30.


… A mediana das Projeções Broadcast aponta para um superávit primário de R$ 6,6 bilhões para o setor público consolidado, após um déficit de R$ 55,313 bilhões em junho. As estimativas variam de superávit de R$ 1,060 bilhão a R$ 14,300 bilhões.


… Apesar da melhora mensal, a trajetória da dívida continua no radar. Para 2026, a mediana das projeções indica déficit primário de R$ 55 bilhões, enquanto a Dívida Bruta do Governo Geral deve superar 82% do PIB em julho.


… Para o PIB do segundo trimestre, nesta terça-feira, a mediana das Projeções Broadcast aponta crescimento de 0,4% sobre os três meses anteriores, desacelerando ante a alta de 1,1% do primeiro trimestre, e avanço de 1,8% na comparação anual.


… Também amanhã saem a produção industrial de julho e o IPC-S de agosto. Na quarta, o IPC-Fipe e, na sexta, a balança comercial de agosto.


EVENTO DO BTG PACTUAL – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa às 9h30 do Macro Day do BTG Pactual. No mesmo evento, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti fará uma palestra sobre o Projeto de Orçamento de 2027, às 10h45.


GALÍPOLO NO G-20 – O presidente do BC está nos Estados Unidos para a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais.


LÁ FORA – A Alemanha divulga hoje, às 9h, a leitura preliminar do CPI de agosto, com expectativa de alta de 0,3% no mês e 2,8% em 12 meses. À noite, a China informa o PMI industrial medido pelo setor privado (22h45).


… Ontem à noite, saiu o PMI industrial oficial, que subiu de 49,2 em julho para 49,8 em agosto e superou o consenso de 49,5. Apesar da melhora, o dado abaixo de 50 indicou contração da atividade pelo segundo mês seguido.


… Amanhã, a inflação da zona do euro deve desacelerar para 2,5% em 12 meses, ante 2,9% em julho. Também serão divulgados os PMIs industriais da região e o ISM industrial dos Estados Unidos.


… Na quarta-feira, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de juros e o Fed divulga o Livro Bege, com novas indicações sobre atividade, emprego, salários e inflação. Também saem os estoques americanos de petróleo e, após o fechamento, o balanço da Broadcom.


… Na quinta-feira, os destaques são os PMIs de serviços e o ISM de serviços dos Estados Unidos, além do PPI da zona do euro.


FALCÃO DESDE CRIANCINHA – Se algum dia Warsh foi dovish, nem ele mesmo se lembrou disso na sua estreia em Jackson Hole desde que assumiu o comando do Fed, incorporando o discurso de prioridade no controle da inflação.


… Os comentários tiveram efeito imediato nos negócios: o dólar se fortaleceu globalmente, piorou o iene, depreciou o real, pressionou os juros dos Treasuries e a curva do DI, e derrubou as bolsas em NY. Mas o Ibovespa se salvou.


… Desde a coletiva após a decisão do Fed em julho, quando o juro ficou estável, Kevin Warsh andava devendo um recado duro sobre a inflação e, desta vez, não fugiu da raia, a ponto de ter virado as apostas para setembro.


… O mercado, que só precificava chance majoritária de um aperto monetário em outubro e dezembro, antecipou a aposta para setembro, agora com 57,5%, contra 35,4% na véspera e contra 43% de chance de manutenção. 


… Warsh afirmou que a meta de inflação de 2% é “firme e inalterável”, que é difícil classificar as atuais condições financeiras como restritivas, levantando a lebre de que o Fed pode ser mais agressivo. Mas alertou o mercado para não interpretar suas palavras como forward guidance.


… “Chame meu discurso de um delineamento, uma trajetória, mas não chame de forward guidance”, afirmou, em uma tentativa clara de não engessar as próximas ações e tentar assegurar a flexibilidade da política monetária.


… Warsh pode até pedir para ninguém tomar conclusões precipitadas, mas o tom hawkish fez a cabeça do mercado.


… O Société Générale passou a esperar três altas de juros no ano, juntando-se ao BofA, Deutsche e Barclays. O JPMorgan manteve o call de manutenção em setembro, mas sublinhou os riscos se a inflação surpreender para cima.


… “A responsabilidade agora recai sobre o Fed para anunciar um aumento da taxa de juros em setembro, a menos que os dados de emprego e inflação de agosto venham muito fracos”, observou o Bank of America. O payroll vem na sexta e o CPI sai dia 11.


… A mensagem firme de Warsh destoa do tom mais brando adotado em julho, quando destacou que o choque do petróleo não havia se espalhado para a inflação em geral, e se alinha agora ao discurso cauteloso de outros Fed boys.


… Mesmo quem não foi dissidente em julho, está alerta. Austan Goolsbee, que votou por manter os juros na última reunião, concordou que o foco principal neste momento deve ser descobrir se a pressão inflacionária vem para ficar.


TESOURO AGRADECE – Robin Brooks, ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), avalia que Warsh conseguiu ancorar as expectativas e evitar com seu discurso um novo salto dos juros dos Treasuries longos.


… Duas semanas atrás, o Tesouro ampliou o programa de recompra de títulos de longo prazo, numa tentativa de aliviar os rendimentos, sinalizando o desconforto do governo de Washington com as taxas longas acima de 5%.


… O rendimento do T-Bond de 30 anos ficou praticamente estável na sexta-feira, a 5,210% (contra 5,190%), enquanto o retorno da Note de dois anos, mais sensível à política monetária, subiu bem, de 4,229% para 4,351%.


… “Inequivocamente, esse é o tipo de reação esperada diante de um Fed com postura mais hawkish, o que sugere que Warsh conseguiu transmitir uma mensagem capaz de restaurar a credibilidade do Fed”, resumiu o Jefferies.


… O grande perdedor apontado em Jackson Hole foi o iene, com o dólar voltando a superar 160 ienes. Robin Brooks argumentou que intervenções cambiais não funcionam sem apoio da política monetária. Ou seja, o BoJ terá que agir.


… O consenso agora é que o BC japonês aumente sua taxa de juros na próxima reunião, em 17 e 18 de setembro.


… No final da semana passada, o vice-presidente do BoJ, Ryozo Himino, adotou um tom bem mais agressivo em entrevista coletiva de imprensa, citando o risco de “ficar para trás se não agirmos de maneira oportuna”.


… Apesar disso, o iene caiu para 160,11 por dólar depois de Warsh, enquanto Bessent defendia nova intervenção no iene, porque qualquer volatilidade extrema na moeda japonesa poderia levar a uma alta de juros dos Treasuries.


… Refletindo a ansiedade de Tóquio após o iene ter tocado o piso em 40 anos, o Japão gastou US$ 98,7 bilhões em julho para sustentar o iene, na ação conjunta com os EUA – intervenção recorde com impacto modesto até agora.


… Sob o efeito Warsh, o índice DXY subiu 0,51%, a 99,660 pontos, e derrubou o euro (-0,59%, a US$ 1,1584) e a libra (-0,42%, a US$ 1,3536). O presidente do BC inglês (BoE), Andrew Bailey, enfatizou a meta de trazer a inflação a 2%.


… Mas afirmou que ainda não sabe quanto tempo isso levará, de acordo com entrevista à Bloomberg.


SE DÁ AO LUXO DE ESPERAR – Enquanto os grandes BCs se mobilizam para a urgência de um aperto monetário, o Copom contrata novo corte da Selic em setembro, embora possa ser o último, a depender do trade eleitoral e fiscal.


… Jogam a favor do BC especialmente os indicadores que mostram desaceleração gradual da atividade doméstica.


… Na sexta-feira, mais um dado entrou para a coleção, com o menor Caged para o mês de julho em seis anos. Foram criados 58,5 mil postos de trabalho no mês passado, abaixo do piso da pesquisa Broadcast, de 90,5 mil vagas.


… Como disse o Santander, o emprego formal se aproxima agora de um patamar compatível com a estabilização, depois de um período prolongado de resiliência. Para a XP, os dados mostram moderação do emprego e da renda.


… A casa adverte que não se trata ainda de uma reversão do cenário de mercado de trabalho apertado. Ainda assim, o Caged reforça o cenário de PIB fraco no terceiro trimestre e próximo de zero neste segundo semestre do ano.


… O ministro do Trabalho em exercício, Chico Macena, disse que o varejo vem sucessivamente perdendo postos de trabalho. Ele descartou a existência de uma crise estrutural no setor e falou em “reposicionamento momentâneo”.


… Disse ainda que pretende apurar o vazamento dos números do Caged, publicados no site do Ministério do Trabalho e Emprego mais de uma hora antes do horário informado pela pasta para a divulgação dos resultados.


 … Com os dados confirmando a tendência de desaquecimento da economia e abrindo espaço para o Copom relaxar em setembro, os juros curtos fecharam em baixa, enquanto as taxas intermediárias e longas subiram com Warsh.


… Além, disso, a previsão de salto das discricionárias no PLOA chamou a atenção e ajudou a pressionar os juros.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,610% (de 13,631% no ajuste anterior); Jan/28, 13,795% (contra 13,765%); Jan/29, 14,170% (de 14,066%); Jan/31, 14,505% (de 14,360%); e Jan/33, 14,625% (de 14,479%).


… O câmbio reproduziu o conservadorismo em Jackson Hole e, no momento de maior pressão, o dólar não só rompeu R$ 5,20, como chegou até R$ 5,2308. Mas desacelerou, para fechar em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,1965.


PINGANDO ALGUM DINHEIRO – Diariamente, têm sido observadas entradas mais consistentes de capital externo na B3, após a fuga desenfreada. No pregão da última quarta-feira, o investidor estrangeiro aportou mais R$ 1,3 bilhão.


… As saídas acumuladas no mês ainda estão elevadas, em R$ 18,7 bilhões, mas o BofA avalia que a volta de parte do apetite pelo Brasil neste final de agosto explica o melhor desempenho do Ibovespa contra seus pares latinos.


… Na sexta-feira, o índice à vista passou quase o pregão inteiro no vermelho, mas virou na reta final e fechou em alta moderada de 0,30%, aos 175.664,62 pontos. O volume financeiro é que não deu para nada: só R$ 14,6 bilhões.


… Faltando só o pregão de hoje para o mês acabar, o Ibovespa acumula perda de 1,31% em agosto.


… Na última sessão, Petrobras ON (+1,99%, a R$ 48,25) e Petrobras PN (+1,99%, a R$ 43,55) tiveram ganhos expressivos, apesar da queda do petróleo, com sinais de navegação em Ormuz. Circularam rumores de um possível acordo entre o Irã e Omã.


… Vale ON caiu 0,67%, a R$ 78,58, embora o minério tenha subido 0,91% na China. O STF suspendeu o julgamento que discute a tributação de lucros obtidos por controladas e coligadas de empresas brasileiras no exterior.


… A análise, que deveria ter sido concluída na sexta-feira, será retomada no plenário físico, ainda sem data definida.


… Entre os grandes bancos, o dia foi majoritariamente positivo, apesar do ambiente externo de risco. Itaú PN subiu 0,23%, a R$ 39,19; Bradesco PN, +0,89%, a R$ 17,08; BB ON, +1%, a R$ 20,17; e Santander Unit, +1,83%, a R$ 30,01.


… Com Warsh linha dura, as bolsas americanas caíram, mas pouco. O Nasdaq teve baixa de 0,52%, aos 26.402,42 pontos, e o S&P 500 perdeu 0,25%, aos 7.711,76 pontos. Já o Dow Jones ficou estável (-0,02%), a 53.559,99 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – CASAS BAHIA conseguiu antecipar efeitos da recuperação para se blindar de credores…


… A Justiça de São Paulo deferiu a antecipação dos efeitos do “stay period” para suspender por 180 dias todas as ações e execuções contra a companhia, e vedar novos atos constritivos…


… Dessa forma, a empresa fica protegida de processos de cobrança e execuções de credores…


… A companhia retirou pedido de ressarcimento de R$ 422 milhões contra o BB e disse à Justiça que negocia solução consensual com o banco, na Folha. Conselho também aprovou fiança superior a R$ 50 milhões em favor do Digio.


SABESP. Acionistas elegeram chapa indicada pela administração para o conselho, mantendo praticamente a composição atual. Paulo Pedrosa, presidente da Abrace e conselheiro da Equatorial, substitui Tinn Freire Amado.


BRB. STF liberou 23 imóveis dados em garantia de créditos vendidos pelo Banco Master ao banco. Ministro André Mendonça determinou o cancelamento dos bloqueios que atingiam seis Cédulas de Crédito Bancário.


CEMIG. Governo de MG indicou Márcio Augusto Vasconcelos Nunes para a presidência, enquanto Alexandre Ramos Peixoto foi indicado para presidir o conselho…


… Safra cortou preço-alvo da Cemig de R$ 12,50 para R$ 11,90, mantendo recomendação neutra.


ELETRONUCLEAR. Governo estuda aporte de R$ 650 milhões para preservar as obras de Angra 3 e cumprir obrigações contratuais e de segurança, segundo O Globo. Estatal disse desconhecer tratativa ou decisão sobre o aporte.


ENEVA e Itaú negociam aumento da participação do banco na Eneva Participações III, que reúne ativos do Complexo Parnaíba. Itaú investiu R$ 1 bilhão na empresa em 2023 e seguirá como acionista minoritário após a nova operação.


AXIA. Acionistas aprovaram a incorporação de quatro controladas: Juno, Tijoá, Retiro Baixo Energética e Nova Era Janapu Transmissora. Operação faz parte da estratégia de simplificação da estrutura societária.


BRAVA ENERGIA recebeu renúncia de Julián Fernando Lemos ao conselho de administração, em razão de mudanças administrativas na Ecopetrol. Companhia colombiana tornou-se controladora da Brava, com 51% do capital.


RANDONCORP. Goldman Sachs passou a deter 4,98% das ações preferenciais da companhia, equivalente a cerca de 11,1 milhões de papéis.


HBR REALTY convocou AGE para 18/9 para deliberar sobre oferta de permuta destinada a adquirir o controle da Helbor e posteriormente fechar seu capital. Oferta prevê R$ 2,52 por ação, pagos com papéis da própria HBR.


CYRELA. TRX colocou em renegociação acordo para compra de cinco imóveis da incorporadora por R$ 2,1 bilhões, após rever o pipeline da 13ª emissão do TRXF11. Operação ficou fora do material atualizado da oferta.


TECNISA aprovou grupamento de ações na proporção de 10 para 1, sujeito à AGE de 21/9, para recuperar cotação acima de R$ 1. Capital social permanecerá em R$ 1,86 bilhão.


GAFISA adiou pela terceira vez a divulgação do balanço do segundo trimestre, agora para 28/9, após a auditoria independente BDO pedir prazo adicional para concluir a revisão das demonstrações financeiras.


AGROGALAXY adiou novamente a divulgação de balanços: o do quarto trimestre de 2025 ficou para 30/11 e os resultados do primeiro e segundo trimestres de 2026 foram postergados para 29/1/27 e 26/2/27, respectivamente.


CORREIOS tiveram prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,5% ante um ano antes. No semestre, porém, o prejuízo aumentou de R$ 4,26 bilhões para R$ 5,55 bilhões…


… Estatal busca nova captação de R$ 7 bilhões com garantia da União.


TRIUNFO fará emissão de R$ 205,7 milhões em debêntures, com prazo de dois anos e remuneração de DI + 8% ao ano. Recursos serão destinados às obrigações ligadas à modernização da concessão da Concebra.


ARCELORMITTAL investirá até R$ 5 bilhões na expansão da Usina de Tubarão (ES), com nova capacidade de 560 mil toneladas por ano de aço laminado galvanizado. Operação deve começar no primeiro semestre de 2030.

Call Matinal

Call Matinal, by Julio Hegedus 1) Ontem, dia 17, o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil....