Bernardo Guimarães (FGV, ex-LSE, Yale) escreveu a coluna mais didática do mês sobre juros na Folha. A pergunta é de boteco: "você está passando pano pro BC?". A resposta é de economista, e vale ler inteira.
O argumento dele em três frases: o BC escolhe entre juro alto com inflação baixa e juro baixo com inflação alta. Mas o BC não escolhe os parâmetros dessa troca. Quem define se a combinação "3% de inflação com Selic de 6%" é possível ou impossível é o governo. E ele traz a prova de conceito dos dois lados. Fracasso: 2011, Tombini cortou juros com inflação pressionando. Resultado: inflação disparou e anos depois a Selic foi a 14%. Sucesso: 2018, inflação de 3,75% com Selic de 6,5%. O que permitiu: BNDES cortou desembolsos de R$ 188 bi (2014) pra R$ 70 bi (2017), a TJLP virou TLP e o teto de gastos sinalizou responsabilidade. Menos crédito direcionado = mais espaço pro BC cortar sem gerar inflação. A frase que resume: "com situação fiscal ruim e bancos públicos expandindo crédito, o BC tem que optar entre a picada do inseto e o veneno do inseticida." É exatamente o que mostramos na thread do plano de governo do Lula: o documento promete mais crédito direcionado (NIB de R$ 860 bi), mais vinculação do mínimo e zero corte nomeado. É o cardápio que IMPEDE o BC de cortar. O plano e o juro são faces da mesma moeda.
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