segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Antoninho Trevisan

 Todo mundo correndo no meio do canavial, advogado, auditor, acionistas, naquela fazenda no interior de São Paulo para alcançar o surrupiador do relatório que demonstrava o valor da companhia e que indicava como separar as duas metades para os membros da família em guerra.


A assembléia havia sido convocada para acontecer num barracão no meio do canavial numa tarde escaldante.

Tínhamos sido contratados por um grande escritório de advocacia para produzir um laudo que suportasse o valor da usina. Trabalho complexo e de altíssima sensibilidade/periculosidade porque as famílias brigavam a céu aberto.

Chegamos ao local e o clima já estava tenso. Pude notar alguns seguranças armados com escopetas... cutuquei o jovem advogado ao meu lado e ele me disse para ficar tranquilo porque tudo estava sob controle e que ele já tivera uma reunião prévia com ambos os acionistas... na hora pensei nos meus jovens filhos.

Assembléia aberta o advogado que presidia a sessão determinou que a leitura do nosso laudo fosse feita em voz alta e que, claro, constasse em ata.

Na metade da leitura, eis que surge um dos capangas e arranca os papéis das mãos do meu sócio e sai correndo em disparada com o relatório numa mão e a escopeta na outra.

... ato contínuo sai todo mundo correndo, pelo meio do canavial, numa fila indiana para alcançar o meliante.. atrás da fila correndo atrás de nós os outros capangas...

...pensei comigo... isso vai virar uma chacina...

... do nada surge a polícia e leva todo mundo pra delegacia da cidade...

...seguros naquela delegacia e assistidos pelo delegado a assembléia foi concluída e dali partimos para o cartório a fim de registrar a ata e o laudo, com segurança... ninguém saiu ferido.

Meses depois as famílias entraram num acordo e convidaram a nossa firma para ser os auditores oficiais deles. Fomos seus auditores por mais de 15 anos.

Esse episódio me foi lembrado recentemente pelo então advogado do escritório. Meu corajoso sócio da época foi o saudoso Márcio Martins Villas.

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