Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sábado, 5 de setembro de 2026
Gente implicante, por Eduardo Affonso
É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir, quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários
05/09/2026 00h05
Era só o que faltava: já começou o Rock in Rio, a filha da Luana Piovani pegou piolho, mas a imprensa — sabe-se lá com que segundas intenções — só quer saber de fazer ilações em torno de mensagens privadas de celular.
Então um marido não pode ajudar a esposa na redação de um contrato? Ele não estava ali na condição de magistrado, mas de companheiro, honrando a promessa de apoiá-la na riqueza e na pobreza (esta, uma possibilidade um tanto remota diante dos R$ 130 milhões contratados, mas voto nupcial é coisa séria). E que pai recusaria um cartão de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos, ainda mais se o mimo viesse da pessoa de quem recebe mensagens afetuosas, do tipo “Seu legado pro Brasil será eterno”, “Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país”? Seria uma desfeita.
Por que um ministro não pode interferir junto a um procurador, a um diretor-geral, para amparar o amigo que pergunta, num momento de infortúnio, se ele “conseguiu bloquear a maldade e a sacanagem”? É anacrônica essa concepção do juiz numa torre de marfim, impedido de socorrer um investigado que deposita o próprio destino em suas mãos (“Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo”). É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir — quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários. Está na Bíblia: uma mão lava a outra, e as duas se enxaguam. E não é uma mão qualquer, mas a que digita “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. Seria uma ingratidão.
A lei até prevê a possibilidade de processar ministro do STF. Mas pense comigo: será que vale a pena quebrar uma tradição quase milenar de 135 anos, por uma bobagem dessas? E você faz ideia do que seja morar em Brasília, com um salário de R$ 46.366,19, ter de usar capa preta naquele calor e ainda passar o dia ouvindo relator ler voto de 80 páginas? A pessoa salvou a democracia, caramba! E a democracia não tem preço.
Aí falam que não sei quem mandou mensagem perguntando se podia incluir o filho na viagem a Londres e exclamando “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan (sic)”. Crucificam um pai que só quer a companhia do filho e, modestamente, nem exige que os charutos sejam um Cohiba ou um Montecristo. O que há de errado em essa pessoa depois querer anular todas as provas? Provas não provam nada.
As “medidas cabíveis e necessárias” são esquecer isso, sacudir a poeira e dar a volta por cima, como mandam as boas práticas republicanas. O Brasil precisa mirar o futuro, não ficar investigando suspeição, conflito de interesses, relações promíscuas, prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça, corrupção passiva, essas minudências.
Ha tanta coisa mais séria com que nos ocupar, como o combate à desinformação, a regulação da mídia, a exigência de diploma para exercício do jornalismo. E ficamos discutindo picuinha de ministro não poder assessorar investigado, presidente não conhecer lobista (ninguém conhece ninguém, nem a si mesmo. A alma humana é um abismo. Só porque a pessoa aparece com você em dezenas de fotos e frequenta a cozinha da sua casa, não quer dizer que você a conheça). Daqui a pouco não vai poder nem mais linchar estudante em universidade pública, com apoio do reitor e dos professores.
Por isso que o Brasil não vai pra frente: só tem gente implicante, cheia de mimimi.
Nota da Transparência Internacional
Nota da Transparência Internacional:
TEORIA ECONÔMICA DA CORRUPÇÃO, por Gustavo Maia Gomes
Qual é a taxa máxima de corrupção com que um país pode conviver sustentavelmente? Se as hipóteses e os parâmetros (apenas ilustrativos) do meu modelinho estiverem corretos, a resposta é 50% do PIB. Ou seja: se os agentes públicos ou privados de honestidade duvidosa tentarem se apropriar ilegalmente de mais do que isso, eles provocarão a queda persistente do produto interno bruto, até que o valor deste chegue a zero. Portanto, se quiserem maximizar seu fluxo de renda no longo prazo, os corruptores voltarão para os 50%.
Se forem míopes, entretanto, ou seja, se enxergarem apenas o curto prazo, os corruptos ativos e passivos aumentarão a cobrança de propina até os 65% do PIB. É neste nível que a receita total da corrupção alcança seu valor máximo. Se eles continuarem a aumentar a taxa de corrupção daí para frente, irão ganhar cada vez menos. Percebendo isso, é de se esperar que eles voltem para os 65%.
Eis as hipóteses principais que suportam esta conclusão:
1) Na ausência de choques externos ou de modificações em seus parâmetros, a economia crescerá a uma taxa positiva constante. No meu exemplo numérico, essa “taxa tendencial de crescimento” (g*) é de 5% ao ano.
2) Fatores supervenientes provocam modificações para mais ou para menos em g*. Por exemplos: (a) um fluxo constante de inovações tecnológicas pode fazer com que g* suba para 6% ao ano; (b) o aumento percebido da “taxa média de corrupção” pode fazer com que g* caia para 4%.
Explicação para o último ponto: se as empresas sabem que terão de pagar proporcionalmente mais propinas, elas incluirão essa nova realidade em suas projeções de custos. A rentabilidade esperada dos novos investimentos cairá, fazendo com que certo número desses projetos deixem de ser executados. Consequentemente, g* cairá.
3) No meu exercício numérico, suponho que, no ano zero: (a) o PIB
seja de $1.000; (b) a taxa média de corrupção (w) seja de 20%; (c) o “fator de desestímulo ao crescimento” seja igual a (w/10).O “fator de desestímulo ao crescimento” é uma medida de como a corrupção afeta o produto. Se a taxa média de corrupção for zero, (w/10) também será zero. O PIB do ano um será, então, 5% maior do que o PIB do ano zero. Ou seja, prevalecerá integralmente a “taxa tendencial de crescimento”. Se, entretanto, a taxa média inicial de corrupção for de 20%, o “fator de desestímulo ao crescimento” será igual a 2%. Consequentemente, o PIB do ano um será apenas 3% (5% menos 2%) maior do que o PIB do ano zero.
4) A taxa média de corrupção (que é = 20% no ano inicial) cresce um ponto percentual a cada ano. Consequentemente, a cada ano, aumenta o “fator de desestímulo ao crescimento”. Portanto, a cada ano, a taxa de crescimento do PIB fica menor.
A figura dá uma ideia do que acontece numa economia (nenhuma semelhança com a nossa, claro) em que a taxa de corrupção cresce a cada ano:
(a) O PIB cresce a taxas decrescentes. Ele atinge um máximo no ano 31, quando a taxa de corrupção é de 50%. Daí para a frente passa a diminuir em termos absolutos.
(b) A receita obtida com a corrupção cresce a cada ano, mas também ela a taxas declinantes. Atinge um máximo no ano 46, quando a taxa de corrupção é de 65%. Daí por diante, declina em termos absolutos.
Quando a corrupção chega (hipoteticamente) a 100%, o sistema todo entra em colapso, podendo se supor que o PIB deixa de existir. Não tendo mais o que roubar, talvez os praticantes da arte, afinal, descubram que a insaciabilidade pode significar sua ruína.
É a minha esperança.
Reflexões de um economista cansado 1
O cansaço advém da total impotência em "gritar" por moralidade, por descência neste país, até porque não há eco, parte da sociedade parece ter "banalizado" o ato em si.
Lutar por um pouco de ética! Dá para ser? E os cidadãos, lá em cima, sentados nas cadeiras do poder, pouco se importam, pouco estão preocupados com isso, a ponto de vermos toda a família, os filhos, envolvidos em "esquemas", ganhos paralelos as expensas do Estado Brasileiro.
É isso que dói, indigna e revolta.
Isso acontece no Executivo em Brasília, no Legislativo, nas altas direções das Estatais.
Lembrando que tudo piorou, na desastrada gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia, num embate inútil com parte da imprensa.
Só de pinimba, diante da histeria de alguns veículos da imprensa, Bolso resolveu remar em direção contrária e acabou se afogando no "negacionismo" de discutir a origem da pandemia e a necessidade ou não no uso das máscaras, da vacina, vendo conspiração em tudo. Na minha opinião, acabou sendo a "pá de cal" do seu governo. Penso, inclusive, que seria este o motivo mais do que plausível dele ter ficando inelegível e ter sido preso.
Não por causa daquela outra movimentação desastrada de articulação de um possível golpe de Estado, que acabou não se materializando por uma infinidade de razões, a maior delas, adesão praticamente inexistente. Ninguém, dos grandes batalhões, apoiou. Acabou algo brancaleônico, patético até, e a turma do submundo do STF bem se aproveitou.
Em verdade, tudo isso para dizer que nos movimentos desastrados da pandemia, o Congresso foi em cima e por pouco, Bolsonaro não foi cassado durante o seu mandato.
Em verdade, Bolsonaro acabou perdendo os anéis, numa negociação em que ele abriu para as emendas impositivas, um verdadeiro assalto aos cofres públicos, pois os políticos passaram a ter acesso a emendas individuais, nada mais do que recursos públicos, sem estabelecer uma prestação de contas. Estabeleceu-se então a corrupção oficial ou institucionalizada, um verdadeiro desastre.
E tantas contestações, dado o comportamento rebelde e arrogante do ex-presidente Bolsonaro, acabou por fortalecer o outro lado. Se o objetivo era "enterrar" a quadrilha do PT, depois da LAVA JATO, o comportamento do Bolso acabou por fortalecer a oposição. Deu-se o que se esperava nas eleições atípicas de 2022.
Importante, no entanto, que se diga, que o desgaste do PT é tão latente na sociedade brasileira, no seu "modus operanti oba oba", irresponsável, recheado de esquemas e aparelhamentos que, mesmo ganhando, a eleição foi muito disputada, na margem com uma vantagem em torno de 2 milhões de votos, pouco para um país da dimensão do Brasil.
Lula foi eleito com a esta retórica de "defensor da democracia", ou seria dos seus "companheiros", mas logo se estabeleceu toda a variedade de pequenos a monstruosos esquemas de desvio, traficância, roubalheira...
Nos próximos textos, falemos do ciclo lulo-pestista no poder.
Editorial OESP
Duas coisas chamam a atenção neste novo editorial do Estadão: a veemência das críticas ao Careca do Master e a mudança de tom em relação aos manifestantes do 8/1, outrora chamados de golpistas pelo jornal paulista e agora de arruaceiros. Falta agora pedir a revisão dos processos desses arruaceiros, muitos deles condenados por crimes que jamais cometeram.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
“Equilíbrio entre razão e emoção eleva desempenho”, de Suzana Liskauskas, reflexões do Prof. Diego Marconatto, da Fundação Dom Cabral.
Gostei muito do que li hoje no Valor Econômico, no artigo “Equilíbrio entre razão e emoção eleva desempenho”, de Suzana Liskauskas, trazendo reflexões do Prof. Diego Marconatto, da Fundação Dom Cabral. Uma frase, em particular, sintetiza muito do que acredito sobre liderança e tomada de decisão:
“A intuição não foi abolida pela era digital. Digamos que ela foi enriquecida pelos dados.”
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, IA e velocidade, é tentador acreditar que boas decisões são resultado apenas de mais informação e maior capacidade analítica. O artigo nos lembra que dados estruturam a decisão, mas não substituem experiência, julgamento e intuição.
Outra reflexão importante é que a vantagem competitiva está justamente na forma como os líderes utilizam os dados, combinando razão e emoção para tomar decisões mais assertivas.
Talvez esse seja um dos grandes desafios da liderança contemporânea: não escolher entre razão e emoção, entre dados e intuição, mas desenvolver a capacidade de integrá-los.
Porque tecnologia pode ampliar nossa inteligência. Mas discernimento continua sendo uma responsabilidade humana.
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