sábado, 5 de setembro de 2026

Nota da Transparência Internacional

 Nota da Transparência Internacional:

“Um juiz constitucional cercado por gravíssimos indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça já representa, por si só, um risco institucional em razão da natureza de suas condutas. Mas torna-se um elemento ainda mais desestabilizador pelas medidas que pode adotar em busca da impunidade. É nisso que o ministro Alexandre de Moraes se transformou diante das revelações que apontam para suas condutas com Daniel Vorcaro e, sobretudo, diante de sua retaliação autoritária, colocando o Supremo Tribunal Federal no caminho de uma crise institucional sem precedentes.
O Brasil precisa priorizar a defesa de suas instituições e de seu regime democrático, neutralizando imediatamente essas ameaças. O ministro Moraes deve ser afastado de suas funções para que as investigações possam ser conduzidas sem riscos de interferência e sem que a crise escale ao ponto de uma ruptura institucional. Da mesma forma, toda a rede de autoridades potencialmente implicadas ou que esteja obstruindo os mecanismos constitucionais de responsabilização também deve ser afastada e investigada.
Se as vias naturais de resolução estão sendo bloqueadas pelo procurador-geral da República e pelo presidente do Senado Federal, cabe aos plenários do Supremo Tribunal Federal e do Senado, bem como ao Conselho Superior do Ministério Público, desobstruir os mecanismos previstos pela Constituição para o enfrentamento dessa crise.
As investigações dos esquemas do Banco Master e de outros casos de grande complexidade exigem a atuação coordenada dos órgãos de investigação, persecução criminal e julgamento, cada qual dentro de sua competência constitucional. Somente assim é possível assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e a solidez das futuras responsabilizações, evitando que nulidades ou interferências comprometam a busca por justiça, reparação e recuperação da confiança pública nas instituições.
Em um contexto de grave tensão institucional, intensa circulação de desinformação e crescente instrumentalização política das investigações, especialmente durante o período eleitoral, a máxima transparência dos procedimentos torna-se ainda mais necessária e deve ser tratada como prioridade por todas as autoridades envolvidas.
Já estão em pleno curso as mesmas táticas que, no passado, foram empregadas com sucesso para enterrar investigações que alcançaram os mais altos níveis do poder no Brasil: a disseminação massiva de desinformação, a manipulação do debate público e a divisão da sociedade, impedindo que ela se una em defesa de seus próprios interesses. O Brasil precisa resgatar as lições do passado e impedir que a corrupção sistêmica volte a operar seus mecanismos de impunidade.
O que está em risco agora é muito mais do que a destruição das investigações sobre o maior caso de corrupção financeira da história brasileira. O que está em jogo é um colapso institucional na mais alta instância do sistema de Justiça, com potencial para contaminar o processo eleitoral e favorecer sua captura por forças populistas e autoritárias, em diferentes níveis, valendo-se da indignação popular.
A sociedade e as instituições precisam agir com responsabilidade, firmeza e respeito à ordem constitucional para conter a escalada da crise e preservar a integridade do Estado Democrático de Direito.”

TEORIA ECONÔMICA DA CORRUPÇÃO, por Gustavo Maia Gomes

Qual é a taxa máxima de corrupção com que um país pode conviver sustentavelmente? Se as hipóteses e os parâmetros (apenas ilustrativos) do meu modelinho estiverem corretos, a resposta é 50% do PIB. Ou seja: se os agentes públicos ou privados de honestidade duvidosa tentarem se apropriar ilegalmente de mais do que isso, eles provocarão a queda persistente do produto interno bruto, até que o valor deste chegue a zero. Portanto, se quiserem maximizar seu fluxo de renda no longo prazo, os corruptores voltarão para os 50%.

Se forem míopes, entretanto, ou seja, se enxergarem apenas o curto prazo, os corruptos ativos e passivos aumentarão a cobrança de propina até os 65% do PIB. É neste nível que a receita total da corrupção alcança seu valor máximo. Se eles continuarem a aumentar a taxa de corrupção daí para frente, irão ganhar cada vez menos. Percebendo isso, é de se esperar que eles voltem para os 65%.
Eis as hipóteses principais que suportam esta conclusão:
1) Na ausência de choques externos ou de modificações em seus parâmetros, a economia crescerá a uma taxa positiva constante. No meu exemplo numérico, essa “taxa tendencial de crescimento” (g*) é de 5% ao ano.
2) Fatores supervenientes provocam modificações para mais ou para menos em g*. Por exemplos: (a) um fluxo constante de inovações tecnológicas pode fazer com que g* suba para 6% ao ano; (b) o aumento percebido da “taxa média de corrupção” pode fazer com que g* caia para 4%.
Explicação para o último ponto: se as empresas sabem que terão de pagar proporcionalmente mais propinas, elas incluirão essa nova realidade em suas projeções de custos. A rentabilidade esperada dos novos investimentos cairá, fazendo com que certo número desses projetos deixem de ser executados. Consequentemente, g* cairá.
3) No meu exercício numérico, suponho que, no ano zero: (a) o PIB (Y) seja de $1.000; (b) a taxa média de corrupção (w) seja de 20%; (c) o “fator de desestímulo ao crescimento” seja igual a (w/10).
O “fator de desestímulo ao crescimento” é uma medida de como a corrupção afeta o produto. Se a taxa média de corrupção for zero, (w/10) também será zero. O PIB do ano um será, então, 5% maior do que o PIB do ano zero. Ou seja, prevalecerá integralmente a “taxa tendencial de crescimento”. Se, entretanto, a taxa média inicial de corrupção for de 20%, o “fator de desestímulo ao crescimento” será igual a 2%. Consequentemente, o PIB do ano um será apenas 3% (5% menos 2%) maior do que o PIB do ano zero.
4) A taxa média de corrupção (que é = 20% no ano inicial) cresce um ponto percentual a cada ano. Consequentemente, a cada ano, aumenta o “fator de desestímulo ao crescimento”. Portanto, a cada ano, a taxa de crescimento do PIB fica menor.
A figura dá uma ideia do que acontece numa economia (nenhuma semelhança com a nossa, claro) em que a taxa de corrupção cresce a cada ano:
(a) O PIB cresce a taxas decrescentes. Ele atinge um máximo no ano 31, quando a taxa de corrupção é de 50%. Daí para a frente passa a diminuir em termos absolutos.
(b) A receita obtida com a corrupção cresce a cada ano, mas também ela a taxas declinantes. Atinge um máximo no ano 46, quando a taxa de corrupção é de 65%. Daí por diante, declina em termos absolutos.
Quando a corrupção chega (hipoteticamente) a 100%, o sistema todo entra em colapso, podendo se supor que o PIB deixa de existir. Não tendo mais o que roubar, talvez os praticantes da arte, afinal, descubram que a insaciabilidade pode significar sua ruína.
É a minha esperança.

Reflexões de um economista cansado 1

 O cansaço advém da total impotência em "gritar" por moralidade, por descência neste país, até porque não há eco, parte da sociedade parece ter "banalizado" o ato em si.

Lutar por um pouco de ética! Dá para ser? E os cidadãos, lá em cima, sentados nas cadeiras do poder, pouco se importam, pouco estão preocupados com isso, a ponto de vermos toda a família, os filhos, envolvidos em "esquemas", ganhos paralelos as expensas do Estado Brasileiro.

É isso que dói, indigna e revolta. 

Isso acontece no Executivo em Brasília, no Legislativo, nas altas direções das Estatais. 

Lembrando que tudo piorou, na desastrada gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia, num embate inútil com parte da imprensa. 

Só de pinimba, diante da histeria de alguns veículos da imprensa, Bolso resolveu remar em direção contrária e acabou se afogando no "negacionismo" de discutir a origem da pandemia e a necessidade ou não no uso das máscaras, da vacina, vendo conspiração em tudo. Na minha opinião, acabou sendo a "pá de cal" do seu governo. Penso, inclusive, que seria este o motivo mais do que plausível dele ter ficando inelegível e ter sido preso. 

Não por causa daquela outra movimentação desastrada de articulação de um possível golpe de Estado, que acabou não se materializando por uma infinidade de razões, a maior delas, adesão praticamente inexistente. Ninguém, dos grandes batalhões, apoiou. Acabou algo brancaleônico, patético até, e a turma do submundo do STF bem se aproveitou. 

Em verdade, tudo isso para dizer que nos movimentos desastrados da pandemia, o Congresso foi em cima e por pouco, Bolsonaro não foi cassado durante o seu mandato. 

Em verdade, Bolsonaro acabou perdendo os anéis, numa negociação em que ele abriu para as emendas impositivas, um verdadeiro assalto aos cofres públicos, pois os políticos passaram a ter acesso a emendas individuais, nada mais do que recursos públicos, sem estabelecer uma prestação de contas. Estabeleceu-se então a corrupção oficial ou institucionalizada, um verdadeiro desastre. 

E tantas contestações, dado o comportamento rebelde e arrogante do ex-presidente Bolsonaro, acabou por fortalecer o outro lado. Se o objetivo era "enterrar" a quadrilha do PT, depois da LAVA JATO, o comportamento do Bolso acabou por fortalecer a oposição. Deu-se o que se esperava nas eleições atípicas de 2022. 

Importante, no entanto, que se diga, que o desgaste do PT é tão latente na sociedade brasileira, no seu "modus operanti oba oba", irresponsável, recheado de esquemas e aparelhamentos que, mesmo ganhando, a eleição foi muito disputada, na margem com uma vantagem em torno de 2 milhões de votos, pouco para um país da dimensão do Brasil. 

Lula foi eleito com a esta retórica de "defensor da democracia", ou seria dos seus "companheiros", mas logo se estabeleceu toda a variedade de pequenos a monstruosos esquemas de desvio, traficância, roubalheira...

Nos próximos textos, falemos do ciclo lulo-pestista no poder. 




Editorial OESP

 


Duas coisas chamam a atenção neste novo editorial do Estadão: a veemência das críticas ao Careca do Master e a mudança de tom em relação aos manifestantes do 8/1, outrora chamados de golpistas pelo jornal paulista e agora de arruaceiros. Falta agora pedir a revisão dos processos desses arruaceiros, muitos deles condenados por crimes que jamais cometeram.

“Sem quebrar um copo, o ministro Alexandre de Moraes infligiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dano mais grave do que o causado pelos arruaceiros que tomaram a Corte de assalto no fatídico 8 de janeiro de 2023. Na quinta-feira passada, Moraes vandalizou a instituição em nome de sua defesa pessoal.
O gatilho para a ira do ministro foi a revelação, feita por este jornal, de novos e inquietantes pormenores da promíscua – e potencialmente criminosa – relação entre ele e Daniel Vorcaro, que, como se sabe, celebrou um contrato de serviços advocatícios no valor de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. O teor das dezenas de mensagens extraídas de celulares de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) sugere que Moraes atuava como uma espécie de consigliere do banqueiro vigarista – nada menos.
Diante desse fato escabroso, o único caminho republicano seria Moraes se afastar voluntariamente do cargo, poupando o Supremo de ser atirado na fossa moral em que ele mesmo se meteu. Mas, em vez disso, o ministro acionou o “modo sobrevivência” e usou o famigerado inquérito das fake news, seu brinquedo de pequeno tirano, para declarar guerra ao colega André Mendonça, o relator das investigações sobre o Banco Master no STF, que ousou levantar o sigilo do relatório da PF e, assim, expôs o grau de proximidade entre Moraes e Vorcaro.
Já um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita. Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça. No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”. Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news.
Para salvar a pele, Moraes ainda tenta impor uma falsa equivalência entre legítimas dúvidas técnicas a respeito da atuação de Mendonça como relator do caso Master e as suspeitas gravíssimas que pesam sobre si mesmo. Ao que tudo indica, Moraes aposta na confusão generalizada para, ao fim e ao cabo, evitar ter de responder sobre o mérito dessas suspeitas, fixando-se na forma como foram expostas. Também não se pode condenar quem veja em sua campanha iracunda a pavimentação do caminho até a nulidade de todas as investigações sobre o caso Master no STF – sonho de todos em Brasília que colocaram suas almas à venda para servir aos interesses comerciais de Vorcaro.
Para piorar, o subproduto dessa crise é a instrumentalização escancarada da PF: ora acionada por Moraes para produzir “relatórios” a seu feitio, ora orientada pelo decano do STF a praticar desobediência civil, ignorando decisões de Mendonça que considere “ilegais”, ora ameaçada pelo próprio Mendonça com o afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues. Uma corporação que deve primar pela atuação legal, técnica e republicana virou joguete nas mãos de autoridades movidas por suas próprias agendas.
O STF se reergueu fisicamente dos escombros do 8 de Janeiro. É incerto, porém, se será capaz de se libertar do cativeiro em que foi aprisionado por Moraes, que faz da Corte refém de suas ambições. Agora cabe a Fachin liderar essa histórica missão de resgate. Se decidir fazê-lo, tomando as decisões que lhe cabem nessa hora grave, o ministro presidente pode estar certo de que terá do jornal O Estado de S. Paulo todo o apoio de que precisar.”

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Amplo overview da situação atual

 


“Equilíbrio entre razão e emoção eleva desempenho”, de Suzana Liskauskas, reflexões do Prof. Diego Marconatto, da Fundação Dom Cabral.

 


Gostei muito do que li hoje no Valor Econômico, no artigo “Equilíbrio entre razão e emoção eleva desempenho”, de Suzana Liskauskas, trazendo reflexões do Prof. Diego Marconatto, da Fundação Dom Cabral.

Uma frase, em particular, sintetiza muito do que acredito sobre liderança e tomada de decisão:
“A intuição não foi abolida pela era digital. Digamos que ela foi enriquecida pelos dados.”

Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, IA e velocidade, é tentador acreditar que boas decisões são resultado apenas de mais informação e maior capacidade analítica. O artigo nos lembra que dados estruturam a decisão, mas não substituem experiência, julgamento e intuição.

Outra reflexão importante é que a vantagem competitiva está justamente na forma como os líderes utilizam os dados, combinando razão e emoção para tomar decisões mais assertivas.

Talvez esse seja um dos grandes desafios da liderança contemporânea: não escolher entre razão e emoção, entre dados e intuição, mas desenvolver a capacidade de integrá-los.

Porque tecnologia pode ampliar nossa inteligência. Mas discernimento continua sendo uma responsabilidade humana.

Call Matinal

04/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0309)

O Ibovespa fechou estável (-0,01%), aos 185.188 pontos. O fato de o Ibovespa só ter parado de subir, ao invés de ter caído, pode ser indicativo de que ainda pode ter algum impulso adicional guardado neste momento mais market friendly. O volume de negócios desta quinta-feira foi expressivo, de R$ 26,2 bilhões, como tem sido nos últimos pregões. Já o dólar à vista preferiu devolver o movimento e esperar de lado. Fechou em queda marginal de 0,08%, a R$ 5,1045. Como este pouco que caiu, completou quatro pregões seguidos em queda.

 

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS       

Nos EUA, pelo payroll, o consenso de mercado espera a criação de 56 mil vagas de trabalho em agosto e projeta uma taxa de desemprego de 4,1%.

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

Dow Jones Futuro: -0,07%

S&P 500 Futuro: +0,08%

Nasdaq Futuro: +0,44%

Os índices futuros dos EUA operam mistos nesta sexta-feira (4), enquanto investidores aguardam o relatório de empregos (payroll).

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,30%

Nikkei (Japão): +1,26%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,74%

Nifty 50 (Índia): +0,29%

ASX 200 (Austrália): -0,16%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: -0,18%

DAX (Alemanha): -0,02%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,36%

CAC 40 (França): -0,21%

FTSE MIB (Itália): -0,56%

 

Commodities

 

 

 

🛢️Petróleo WTI, -0,56%, a US$ 90,76 o barril

Petróleo Brent, -0,22%, a US$ 95,31 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,04%, a 727 iuanes (US$ 108,24)

Bitcoin, -0,53%, a US$ 81.123,25

 

 

 

Dia 0409

No Brasil, o trade eleitoral segue à toda, com Lula e Flavio emparelhados, também na rejeição, os extremos se tocam. Na crise institucional do STF que necessita de um desfecho, com o afastamento do principal envolvido, Edson Fachin já tratou de colocar panos quentes, envolvendo ambos, e claro, pensando também em afastar André Mendonça, o que deve enfraquecer ainda mais alguma oposição. Alexandre de Moraes iria para o sacrifício, o mesmo acontecendo com o ministro super evangélico. Nos EUA, o payroll de agosto testa hoje a reviravolta provocada por Christopher Waller nas apostas para os juros americanos. Sua defesa de mais tempo antes de uma eventual alta deixou praticamente empatadas as apostas em aperto e manutenção pelo Fed em setembro e derrubou os Treasuries. No Brasil, a balança comercial completa a agenda.

 

BOM FIM DE SEMANA A TODOS!

Gente implicante, por Eduardo Affonso

É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir, quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários 05/09/2026 00h05 Er...