domingo, 30 de agosto de 2026

Correios

 *Correios: Prejuízo líquido sobe no 1º semestre, a R$ 5,5 bi, mais cai no 2º tri, a R$ 2,4 bi*


Por Aramis Merki II


São Paulo, 29/08/2026 - Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões de igual período de 2025.


No segundo trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,39 bilhões, queda de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões, houve redução de 24,4%.


A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 4,01 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,41% ante os R$ 4,24 bilhões registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita cresceu 3,8%, segundo o balanço de resultados publicado neste sábado, 29.


Em nota, a empresa aponta que os resultados ocorrem em meio à implementação de um plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.


"O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade das medidas de reestruturação, com foco na recuperação sustentável das receitas, o aumento da eficiência operacional, a revisão de despesas e contratos e a modernização do modelo de negócios", afirma a administração dos Correios em nota que acompanha os resultados.


O governo já assumiu compromisso de realizar um aporte de capital no montante de R$ 6 bilhões até o final de 2027 nos Correios. O compromisso de injetar recursos está previsto no contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pela estatal no ano passado com cinco bancos e garantia do Tesouro Nacional. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o aporte estará incluído na proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.


Contato: merki@broadcast.com.br


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sábado, 29 de agosto de 2026

Peguei do grande Roberto Freire

 O texto a que me refiro é do Cronista Artificial

"Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quando o cinismo deixa de ser objeto do jornalismo e passa a ser admirado como competência política. Foi essa a sensação vendo a GloboNews depois da entrevista de Lula. Lula não precisa convencer que algo é verdadeiro. Precisa apenas dizer com segurança suficiente para que o painel examine se funcionou com o eleitor. Respondeu bem? Neutralizou o problema? Recuperou sua agenda social? Sustentou a narrativa? Percebam a mudança de profissão. A pergunta jornalística deveria ser: isso é verdade? A pergunta do marketing político é: isso colou? Quando uma redação abandona a primeira pergunta para se concentrar na segunda, ela deixa de analisar o poder de fora. Passa a analisar a eficácia do poder como faria uma equipe de campanha. E é aí que aparece algo muito mais inquietante do que uma imprensa simplesmente comprada: uma imprensa instrumentalizada. Instrumentalizada não significa que exista alguém distribuindo ordens ou envelopes. É algo mais sofisticado. Existem códigos, consensos profissionais, manuais de redação, escolhas terminológicas e enquadramentos que determinam como determinados temas devem ser tratados, quais palavras são aceitáveis e até qual percepção da realidade deve ser considerada legítima. Troca-se “favela” por “comunidade”, por exemplo. Parece apenas uma escolha vocabular. Mas ela revela uma profissão que passou a acreditar que também lhe cabe administrar a maneira correta de nomear — e, portanto, de perceber — a realidade. Depois de algum tempo, ninguém precisa mandar. O código já foi internalizado. E quando esse código cultural, moral e linguístico coincide com o código do grupo que ocupa o poder, a imprensa pode continuar se considerando independente enquanto funciona como instrumento de legitimação desse mesmo poder. Por isso a cena é tão reveladora. Não parecia uma bancada examinando criticamente o que Lula acabara de dizer. Parecia uma reunião de pós-campanha: onde foi bem, onde neutralizou danos, onde recuperou terreno, onde sua narrativa ressoou. O cinismo vira técnica. A técnica vira mérito. O mérito vira análise positiva. Numa democracia saudável, a imprensa observa o poder. Quando começamos a viver essa sensação de ditadura, acontece algo diferente: ligamos a televisão procurando jornalismo e encontramos uma sala analisando a performance do governante como se estivesse discutindo o próprio produto. A imprensa não foi necessariamente comprada. Ela foi instrumentalizada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Argentina, de Javier Milei (Antonio Cabrera)

 

A Argentina não tem maioria no Congresso. E, mesmo assim, está reformando o país.

Javier Milei nunca teve bancada própria suficiente para governar sozinho. Precisa negociar, construir apoio e formar maiorias a cada votação.

Nesta semana, conseguiu mais três avanços importantes:

1. Reforma da Carta Orgânica do Banco Central: a Câmara aprovou a proibição do financiamento direto do Tesouro pelo BCRA por meio de emissão monetária e recolocou a preservação do valor da moeda como missão central da instituição.

2. Inocência Fiscal II: amplia garantias ao contribuinte e limita o poder do Fisco de revisar períodos anteriores sem elementos concretos.

3. Mercosul–Singapura: o Parlamento argentino concluiu a ratificação do acordo de livre comércio, abrindo um mercado asiático com tarifa zero para os bens agrícolas e industriais do Mercosul.

Não foi maioria automática. Foi articulação política para fazer uma agenda avançar.

E os números ajudam a explicar por quê:

Pobreza: 41,7% → 28,2%.
PIB: -1,3% em 2024 → +4,5% em 2025.
Inflação: 211,4% → 31,5%.
Dívida bruta: 154,6% do PIB em 2023 → 80,3% em 2025.
Aluguéis reais em Buenos Aires: queda superior a 30% nos novos contratos.

Enquanto isso, o Brasil continua atolado no problema fiscal.

Pelo mesmo indicador do FMI, a dívida bruta brasileira chegou a 93,3% do PIB em 2025, acima dos 80,3% da Argentina. Para 2026, o Fundo projeta 97,8% para o Brasil e 70,4% para a Argentina.

E recentemente o próprio Tesouro brasileiro chegou a cancelar leilão de NTN-B em meio às dificuldades de formação de preços e à forte tensão no mercado de títulos públicos.

A diferença começa a ficar desconfortável.

A Argentina, mesmo sem maioria parlamentar, tenta atacar as causas de sua crise.
O Brasil continua administrando as consequências da sua.

Reformas exigem votos.
Mas, antes dos votos, exigem direção e coragem.

Piso do economista

 


Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?, por Ana Paula Vescovi

 Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?


Essa discussão tem ganhado destaque e está presente em vários fóruns, especialmente nesse período eleitoral.

Ontem, na FGV EESP, participei de um seminário dedicado a essa pergunta. O encontro, promovido pelo professor Márcio Holland, também marcou o lançamento de seu livro “Taxa de Juros no Brasil: caminhos para o Brasil conviver com taxas de juros civilizadas”. Participei do painel ao lado de Felipe Scudeler Salto e Daniela Lima , com mediação de Juliana Rosa comentários de Márcio Holland.

Essa é uma das questões mais antigas da economia brasileira, especialmente no pós-estabilização. Talvez parte da dificuldade esteja na busca por uma única resposta.

Antes de responder, é preciso separar o juro global, o componente cíclico da política monetária, o prêmio de prazo (~0,9 p.p.) e o risco soberano. (~1,4 p.p.).

Depois de descontados esses componentes, o Brasil continua apresentando um juro real estruturalmente elevado, e entre os maiores do mundo.

A literatura aponta múltiplas causas: baixa poupança, risco cambial, fricções financeiras, baixa produtividade, rigidez fiscais, histórico inflacionário e elevada sensibilidade das expectativas. A explicação parece estar na combinação desses fatores e na forma como eles se reforçam.

O fiscal merece atenção especial porque atua por diferentes canais.

A expansão fiscal pressiona a demanda e pode exigir maior restrição monetária. O aumento da dívida eleva o prêmio exigido pelos investidores, afetando a curva longa, o câmbio e as condições financeiras. O FMI estima que um esforço fiscal estrutural adicional de 0,6% do PIB poderia permitir juros entre 0,4 e 0,7 ponto percentual menores.

Há ainda um terceiro canal. Em situações de maior fragilidade fiscal, a deterioração das expectativas eleva os juros e o serviço da dívida, reforçando a própria percepção de fragilidade.

O fiscal é parte central da explicação, mas não a esgota. Mesmo quando descontamos da curva de juros o componente associado ao risco soberano, os juros reais brasileiros permanecem elevados.

A agenda, portanto, vai muito além da política monetária: estabilizar a dívida pública, melhorar a qualidade do gasto, elevar a produtividade e a capacidade de oferta, reduzir fricções financeiras (assimetrias tributárias, crédito direcionado e atuação parafiscal), e preservar as âncoras fiscal e monetária, o regime de câmbio flutuante e a credibilidade da política econômica.

O objetivo deveria ser construir uma economia que precise de juros menores para permanecer estável.

Eliana Cardoso

 


Elena Landau

 


Gente implicante, por Eduardo Affonso

É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir, quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários 05/09/2026 00h05 Er...