quarta-feira, 5 de agosto de 2026

BDM Riscala Matinal

 *Rosa Riscala: Copom abre nova fase dos juros*


A grande dúvida é o que o BC sinalizará para setembro, se indicará mais quedas, uma pausa ou se deixará todas as opções em aberto


… Com o petróleo abaixo de US$ 80, o Copom deve decidir hoje um novo corte de 25 pontos da Selic, para 14%. A grande dúvida é o que o BC sinalizará para setembro, se indicará mais quedas, uma pausa ou se deixará todas as opções em aberto, em meio a um ambiente marcado pelas incertezas fiscais e pelo avanço do calendário eleitoral. Nos Estados Unidos, a pesquisa ADP deve calibrar as expectativas para o payroll de sexta-feira, enquanto investidores esperam pelo acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. A temporada de balanços segue forte, com a repercussão de Itaú e SpaceX no after hours. Após o fechamento, sai Bradesco e, logo cedo, sai nova pesquisa da Quaest.


PETRÓLEO AFUNDA – O petróleo despencou pelo segundo pregão consecutivo nesta terça-feira e voltou a ser negociado abaixo de US$ 80 por barril, com o mercado reagindo à perspectiva de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.


… O Brent fechou em queda de 5,26%, a US$ 79,36, enquanto o WTI recuou 5,69%, para US$ 75,77, ampliando as perdas da véspera.


… O movimento ganhou força ainda pela manhã, depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que um acordo para reabrir Ormuz poderia ser fechado “entre hoje e amanhã”.


… Em seguida, a Al Arabiya informava que a reabertura completa da hidrovia poderia ser anunciada “nas próximas horas”, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, confirmava avanços nas negociações, embora tenha ressaltado que ainda não há um acordo final.


… Ao longo do dia, novas informações reforçaram essa percepção.


… A Associated Press informou que Irã e Omã avançam na negociação de um acordo para restabelecer a navegação pelo estreito, com rotas administradas pelos dois países e cobrança de taxas para garantir a segurança da via.


… Apesar do otimismo dos mercados, permanecem dúvidas sobre a viabilidade do acordo.


… O Irã insiste que negocia apenas com Omã, e não diretamente com os Estados Unidos, enquanto fontes do governo iraniano afirmam que um eventual entendimento entre Teerã e Mascate não garantiria a normalização da navegação sem o fim das ações americanas na região.


… Analistas da TD Securities avaliam que qualquer acordo continua sujeito a fracassar.


… Já o Mizuho afirma que as negociações têm como objetivo imediato reabrir o Estreito de Ormuz e restabelecer o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico, deixando para um segundo momento questões mais complexas, como o programa nuclear iraniano.


… Os termos do eventual acordo, portanto, ainda permanecem nebulosos.


OPEP+ – A produção da Opep aumentou em 1,16 milhão de barris por dia em julho, puxada por Arábia Saudita, Kuwait e Iraque.


… Mesmo assim, a oferta do cartel segue abaixo dos níveis registrados antes da guerra, em razão das interrupções no transporte de petróleo pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Vermelho.


RÚSSIA – Já as exportações russas de petróleo caíram para 3,9 milhões de barris por dia nas quatro semanas encerradas em 2 de agosto, o menor nível em sete semanas, segundo levantamento da Bloomberg.


COPOM GANHA ARGUMENTOS – Se dependesse do petróleo abaixo de US$ 80 e do tombo três vezes maior que o esperado na produção industrial do IBGE em junho (-1,8%), os juros futuros teriam caído. Mas o fiscal pegou antes do Copom.


… A curva operou na defensiva, diante da possibilidade de que o comunicado deixe a decisão de política monetária de setembro em aberto, em meio ao temor de que a não alternância de poder no Planalto piore as contas públicas.


… À espera de novas pesquisas eleitorais, os investidores observaram a dificuldade de Flávio Bolsonaro em reunir capital político junto ao Centrão para compor a sua chapa, vista como mais market friendly no quesito fiscal.


… Além disso, a sanção diplomática dos Estados Unidos contra o Brasil só ajudou a piorar o ambiente de negócios.


… Durante sabatina promovida por O Antagonista e G4 Hub, Flávio Bolsonaro se comprometeu com a proposta de promover um “tesouraço” na máquina pública brasileira, com redução da carga tributária e desburocratização.


… Ele citou a intenção de voltar a zerar o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo e de reduzir a alíquota do IOF para níveis próximos ao de 2022, além de rever o arcabouço fiscal, que qualificou de “calabouço fiscal”.


… A declaração repercutiu em entrevista do ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, ao podcast da Warren Investimentos, onde disse que seria “muito ruim” rediscutir a regra fiscal do zero neste momento.


… “Não adianta ter uma meta fiscal mais rígida sem os instrumentos para cumpri-la”, afirmou. Ele admitiu que o governo não tem bala de prata para resolver de vez a questão fiscal e defendeu maior flexibilidade no orçamento.


… Entrevistado ontem pelo BDM Live, o economista-chefe do Bmg, Flávio Serrano, apontou o fiscal como o “grande calcanhar de Aquiles”, com as medidas de estímulo do governo responsáveis pela deterioração nos últimos tempos.


… Segundo ele, se virar o ano (eleitoral) e o Brasil não passar por um ajuste, o País vai seguir pelo caminho errado.


… “Teria que fazer aqueles famosos 3Ds: desvincular, desindexar e desobrigar. Essa é a solução”, resumiu. “O mais fácil seria desindexar boa parte das despesas, especialmente previdenciárias, porque o Brasil está envelhecendo.”


 … Além do contexto fiscal delicado, o Copom chega hoje à reunião de política monetária com o desafio das expectativas de inflação, que continuam rodando altas, apesar do alívio das últimas leituras da inflação corrente.


 … “A inflação de 2028 é a mais importante agora e já estamos com projeção de 3,80%”, advertiu Serrano ao BDM, recomendando postura mais cautelosa do BC. O Bmg aposta em corte de 0,25 ponto e possível pausa em setembro.


… Serrano, no entanto, reconhece que o BC conta hoje com condições mais favoráveis para cortar a Selic, incluindo o IPCA-15 e as medidas dos núcleos, a pressão menor da renda dos salários e a desaceleração da atividade – o que pode evitar uma interrupção do ciclo.


BRASIL X EUA – A Casa Branca confirmou no fim do dia a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da escalada das tensões diplomáticas entre os dois países.


… Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta recíproca à decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois diplomatas americanos e à demora na concessão do agrément para que Daniel Perez assuma a embaixada em Brasília.


… Washington afirmou que a decisão não representa a expulsão da diplomata e poderá ser revertida caso o Brasil aceite a indicação de Perez.


… Em nota, o governo americano disse que deu ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, classificou a medida como uma ação de reciprocidade e afirmou que outras providências continuam em avaliação.


… O Palácio do Planalto reagiu elevando o tom. Em nota, a Secom repudiou a revogação do visto, classificou a decisão como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” e acusou os Estados Unidos de tentar interferir na eleição presidencial de outubro.


… O governo também rejeitou os argumentos de Washington, afirmou que não existe prazo para a concessão do agrément e reiterou que negou os vistos aos funcionários do Departamento de Estado porque eles pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.


BRASIL X ARGENTINA – Além do estranhamento com os Estados Unidos, o governo brasileiro enfrenta a crise diplomática com a Argentina.


… Nesta terça-feira, o Itamaraty rebaixou a relação diplomática com a Argentina ao nível de encarregado de negócios, após uma nova série de ofensas do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


… O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará ao país enquanto Milei mantiver os ataques ao governo brasileiro. A decisão foi comunicada oficialmente ao embaixador argentino em Brasília por meio de uma nota de protesto.


… A medida foi tomada depois que Milei voltou a chamar Lula de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto” em entrevista concedida após participar, no último fim de semana, do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.


AGENDA DO MERCADO – Principal destaque do dia, a decisão de política monetária do Copom, que será anunciada após as 18h30. A expectativa praticamente unânime do mercado é de um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, para 14% ao ano.


… Mais importante do que a decisão será o comunicado, que pode indicar se ainda há espaço para novas quedas ou se o ciclo será interrompido.


… Antes disso, a agenda doméstica começa com os PMIs composto e de serviços da S&P Global (10h). Às 11h30, o BC realiza leilão de até 50 mil contratos de swap cambial e, às 14h30, divulga o fluxo cambial semanal e o Índice de Commodities Brasil (IC-Br).


… Nos Estados Unidos, após o Jolts mostrar queda na abertura de vagas mais intensa do que a esperada, investidores monitoram hoje a pesquisa ADP com a criação de empregos no setor privado (9h45). A expectativa é de abertura de 75 mil vagas em julho (98 mil em junho).


… Na sequência, saem o PMI composto e de serviços da S&P Global, às 10h45, e o ISM de serviços, às 11h – importante termômetro da atividade no maior setor da economia americana.


… Ainda às 11h30, o Departamento de Energia (DoE) divulga os estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados, acompanhados de perto depois da forte queda do petróleo nos dois últimos pregões e das expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz.


… O mercado acompanha ainda discurso da diretora do Fed, Lisa Cook, às 17h, e uma conferência de Mary Daly (Fed/San Francisco), às 21h30.


SINAIS – Nesta terça-feira, em entrevista à CNBC, a dirigente do Fed Anna Paulson (Filadélfia) avaliou que a economia está forte, mas que a inflação continua “muito alta” e que o objetivo do BC americano ainda é reduzi-la.


… À noite, o presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmid, disse que algum tipo de aperto na política monetária será necessário para trazer a inflação de volta à meta de 2%. “Meu foco está totalmente na inflação, que continua alta demais.”


… Considerando que a última reunião do Fomc, na semana passada, teve três votos dissidentes em favor de uma alta do juro, essas indicações são importantes para formar expectativas para o próximo encontro de setembro.


BALANÇOS – A temporada de resultados segue intensa nesta quarta-feira, com destaque para Klabin, que divulga seus números antes da abertura do mercado, e para Bradesco, Axia Energia e Copel, que apresentam seus balanços após o fechamento.


… Para o Bradesco, a expectativa é de lucro líquido de R$ 7 bilhões no segundo trimestre, alta de 15,3% em relação a um ano antes.


… Segundo as instituições consultadas pelo Broadcast, se confirmados, os números reforçariam a tese de recuperação gradual da rentabilidade, sustentada pela expansão da carteira de crédito, receitas de serviços e bom desempenho da operação de seguros.


… A Axia Energia deve voltar a apresentar resultados robustos, impulsionados pelos ganhos com a modulação da geração hidrelétrica.


… O mercado espera Ebitda de R$ 6,64 bilhões, alta de 16%, e lucro líquido de R$ 2,19 bilhões, avanço de 49%, além da possibilidade de anúncio de dividendos ou recompra de ações.


… Para a Copel, a expectativa é de um trimestre sólido, puxado pelo segmento de distribuição. As projeções apontam para Ebitda de R$ 1,62 bilhão, alta de 8%, e lucro líquido de R$ 586 milhões, com crescimento de 2,5%.


… Já a Klabin deve registrar Ebitda ajustado de R$ 1,85 bilhão, queda de 9,1% na comparação anual. Apesar disso, analistas esperam recuperação sequencial dos negócios de celulose, papel e embalagens, favorecida pela ausência de paradas de manutenção e pela melhora operacional.


… Também divulgam resultados nesta quarta-feira Dexco, Engie, Auren, Boa Safra, Brava Energia, Riachuelo, Smart Fit, Totvs, Banco Inter e Vivara, todos após o fechamento do mercado.


… No exterior, a temporada de balanços continua com os resultados de Walt Disney, Glencore e Heineken, todos antes da abertura.


AFTER HOURS – Os balanços divulgados após o fechamento movimentaram o mercado no after hours de Nova York. A ADM liderou as perdas, com queda de 8,82%, seguida pela SpaceX, que recuou 7,46%. Entre os ADRs brasileiros, o Itaú subiu 1,22%, enquanto a Gerdau caiu 1,18%.


… O Itaú divulgou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, em linha com as expectativas. O banco manteve a inadimplência praticamente estável, ampliou a carteira de crédito e voltou a apresentar rentabilidade elevada, com ROE de 24,3%.


… O principal ponto de atenção ficou para o corte na projeção de crescimento das receitas de serviços e seguros em 2026.


… Após o balanço, o ADR de Itaú recuperou parte da queda no pregão da B3 (-2,48%), onde liderou as perdas do setor, refletindo os receios de que as sanções do governo dos Estados Unidos possam voltar a incluir a Lei Magnitsky.


… A Gerdau também entregou números em linha com o esperado. O lucro líquido avançou quase 70% na comparação anual, para R$ 1,47 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 33,9%, para R$ 3,43 bilhões, impulsionado mais uma vez pela operação da América do Norte.


… A companhia ainda anunciou dividendos de R$ 0,23 por ação.


… Já a SpaceX decepcionou os investidores apesar das metas ambiciosas apresentadas por Elon Musk.


… O empresário afirmou que pretende antecipar para 2030 a meta de alcançar US$ 1 trilhão em receita, prometeu lançar data centers no espaço já em 2027 e anunciou que a empresa passará a priorizar chips da Nvidia em seus projetos de inteligência artificial.


… Ainda assim, as ações caíram feio no after hours.


… Já a AMD superou as expectativas de lucro e receita, impulsionada pelo forte crescimento da divisão de data centers, mas também caiu após Musk anunciar que a SpaceX deixará de utilizar seus chips, optando exclusivamente pela arquitetura Blackwell, da Nvidia.


… Confira abaixo em Cias Abertas os outros balanços divulgados ontem à noite.


CURTAS DA POLÍTICA – Genial/Quaest (7h) e Meio/Ideia divulgam hoje novas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, com perguntas sobre o tarifaço, a relação com Trump e as críticas de Flávio às urnas eletrônicas.


PROCURA-SE. O PL afirma ter fechado o nome do vice de Flávio, que será anunciado hoje, às 11h.


… Ontem, três partidos cortejados pelo PL formalizaram neutralidade na disputa eleitoral: União Brasil, Podemos e o Republicanos, que frustrou a tentativa de Flávio de ter a ex-presidente da CEF Daniella Marques como vice.


… Em meio à falta de alianças, o PL pode ter que recorrer a um vice do próprio partido, numa chapa puro-sangue. Flávio sinalizou muitas vezes a intenção de escolher uma mulher, com o objetivo de falar com o eleitorado feminino.


 … A pré-candidatura do senador tem exibido desidratação, especialmente diante dos escândalos do Master.


TETO DE VIDRO. De seu lado, a campanha de Lula à reeleição enfrenta o desgaste da revelação de que a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e suspeita de tráfico de influência, fez repasse ao ex-chefe de gabinete de Lula.


COMBINANDO COM OS RUSSOS. Lula e Putin conversaram por telefone ontem, durante uma hora, sobre o fortalecimento das relação bilaterais e sobre a guerra na Ucrânia, que já completa quatro anos e meio.


… Interlocutores do Palácio do Planalto já haviam informado que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu a Lula, durante a Cúpula de Líderes do G7, na França, que conversasse com Putin para destravar as negociações.


ENCURRALADOS – Na véspera do Copom, os juros futuros chegaram a recuar pela manhã com o petróleo e a produção industrial fraca, que indicou desaceleração importante da atividade econômica. Mas o sinal mudou à tarde.


… A turbulência na relação diplomática do Brasil com Trump e o risco político-eleitoral-fiscal afetaram a curva.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,795% (de 13,796% no ajuste anterior); Jan/28, 13,830% (contra 13,794% na véspera); Jan/29, 14,020% (13,974%); Jan/31, 14,210% (14,195%); e Jan/33, 14,340% (14,362%).


… Também o câmbio não escapou ileso ao trade eleitoral, que bate diretamente no fiscal, e teve de lidar ainda com a nova derrocada do petróleo, que isolou o real da tendência positiva de outras moedas emergentes.


… De volta ao patamar acima de R$ 5,10, o dólar à vista avançou 0,56%, para R$ 5,1155, destoando da estabilidade do índice DXY (-0,04%) lá fora, que fechou aos 99,858 pontos. O iene interrompeu o rali e caiu a 157,80 por dólar.


… O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, garantiu que o país fará “de tudo” para apoiar o iene, já que a estabilidade é importante para os Estados Unidos e impede uma depreciação mais ampla das moedas asiáticas.


… Entre as divisas europeias, o euro subiu 0,18%, a US$ 1,1532, e a libra esterlina ganhou 0,16%, a US$ 1,3450.


… Com o petróleo afundando rápido e esvaziando as pressões inflacionárias de curto prazo, as taxas dos Treasuries relaxaram: a da Note de dois anos caiu a 4,195% (de 4,252% na véspera) e a de 10 anos, a 4,618% (contra 4,252%).


NO TOPO – A desescalada da guerra e a safra positiva dos balanços em NY garantiram recordes de fechamento para os índices Dow Jones, em alta de 1,71%, a 54.085,94 pontos, e S&P 500, que subiu 1,79%, a 7.736,50 pontos.


… O Nasdaq não ficou para trás e disparou 2,59%, aos 26.584,99 pontos, em dia de brilho das ações de tecnologia.


… Antes do anúncio de seus balanços, AMD disparou 7% e Space X saltou 9,43% com a notícia de uma parceria com a  e Nvidia (2,54%). Os papéis da Palantir impressionaram com uma arrancada de 29,5% depois de seu resultado.


… Para o economista Mohamed El-Erian, 80% dos resultados corporativos da temporada superaram as expectativas, reforçando a narrativa de uma “impressionante resiliência econômica” nos Estados Unidos.


… O Ibovespa ficou de fora da festa em Nova York, porque Petrobras não teve como se desviar da derrocada do petróleo e o investidor não conseguiu ignorar a incerteza eleitoral e a sanção diplomática dos americanos ao Brasil.


… Itaú estressou horas antes de seu balanço (-2,48%; R$ 42,10) e Bradesco PN também entrou na pilha: perdeu 1,67%, a R$ 18,22, na véspera de seu resultado trimestral. Já Santander unit emplacou nova alta: +0,59% (R$ 29,10).


… Em grande medida, o Ibovespa só fechou estável (-0,06%), aos 177.894,97 pontos, porque Vale compensou os riscos e abriu uma recuperação firme, com alta de 2,24% (R$ 76,31), no sentido contrário do minério (-0,43%).


… Por mais um pregão, o volume financeiro negociado na bolsa foi insignificante, de apenas R$ 17,2 bilhões.


CIAS ABERTAS NO AFTER – METALÚRGICA GERDAU teve lucro líquido ajustado de R$ 1,464 bilhão no segundo trimestre, alta de 69,7% ante um ano antes…


… A receita cresceu 2%, para R$ 17,871 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 33,9%, para R$ 3,426 bilhões…


… A companhia distribuirá R$ 0,11 por ação ON ou PN em dividendos, com pagamento em 14/09. As ações ficam ex em 20/08.


PRIO teve lucro líquido de R$ 413,3 milhões no segundo trimestre, salto de 169% ante um ano antes. A receita cresceu 160%, para R$ 1,223 bilhão, e o Ebitda ajustado avançou 218%, para R$ 878,6 milhões.


GPA teve prejuízo líquido consolidado de R$ 252 milhões no segundo trimestre, 16,2% maior ante um ano antes. A receita caiu 9,6%, para R$ 4,2 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 7,3%, para R$ 450 milhões.


CBA teve lucro líquido de R$ 410 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 73 milhões um ano antes. A receita cresceu 28%, para R$ 2,6 bilhões, e o Ebitda ajustado atingiu recorde de R$ 705 milhões.


IGUATEMI teve lucro líquido recorrente de R$ 133,8 milhões no segundo trimestre, receita de R$ 396 milhões e Ebitda recorrente de R$ 290,5 milhões, todos em linha com as projeções do Broadcast…


… A Fitch reafirmou o rating AAA(bra), com perspectiva estável, destacando a qualidade dos ativos, a elevada ocupação e a estrutura de capital conservadora.


C&A teve lucro líquido de R$ 177,9 milhões no segundo trimestre, queda de 11,2% ante um ano antes. A receita cresceu 1,2%, para R$ 2,08 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 0,6%, para R$ 435,9 milhões.


VULCABRAS teve lucro líquido recorrente de R$ 143,7 milhões no segundo trimestre, queda de 0,8% ante um ano antes. A receita cresceu 11,2%, para R$ 994,8 milhões, e o Ebitda recorrente avançou 9,3%, para R$ 208,6 milhões…


… Conselho aprovou novo programa de recompra de até 15 milhões de ações ou 13,56% dos papéis em circulação.


RD SAÚDE teve lucro líquido ajustado de R$ 432 milhões no segundo trimestre, alta de 7,4% ante um ano antes. A receita líquida cresceu 9,8%, para R$ 11 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 17,9%, para R$ 1,017 bilhão.


ONCOCLÍNICAS. Justiça aceitou o pedido de recuperação extrajudicial e concedeu à companhia seis meses de proteção contra credores.


TENDA teve lucro líquido consolidado de R$ 179,1 milhões no segundo trimestre, queda de 12,2% contra um ano antes. A receita cresceu 30,1%, para R$ 1,290 bilhão, e o Ebitda ajustado avançou 64,9%, para R$ 275,2 milhões.


YDUQS aprovou a 13ª emissão de debêntures, no valor inicial de R$ 1,1 bilhão, que poderá ser ampliado para até R$ 1,375 bilhão.


ENEVA recebeu autorização da Aneel para iniciar a operação comercial da UTE Azulão I, no Amazonas. A usina terá receita fixa anual de R$ 278,3 milhões por 15 anos, além de remuneração variável pela geração.


TAESA. Energizações nas concessões Tangará e Ananaí adicionaram R$ 141,9 milhões à Receita Anual Permitida no ciclo 2026/2027.


EQUATORIAL PARÁ. Aneel adiou para 11/08 a decisão sobre reajuste tarifário médio de 7,6% para os consumidores da distribuidora.


TOTVS cancelará 20 milhões de ações mantidas em tesouraria e aprovou novo programa de recompra de até 30 milhões de papéis, válido até 05/08/2027.


LATAM teve lucro líquido de US$ 125 milhões no segundo trimestre, com alta de 28% na receita, para US$ 4,2 bilhões, e Ebitda ajustado de US$ 713 milhões…


… A companhia iniciará a primeira fase da operação com aeronaves Embraer E195-E2 e incorporará gradualmente até 14 aviões entre novembro de 2026 e março de 2027.


JALLES MACHADO aprovou financiamento de R$ 300 milhões junto ao BNDES, no âmbito do programa Brasil Soberano, para apoiar a produção de açúcar orgânico afetada pelas tarifas dos Estados Unidos.


MOTIVA. Grupo Mover condicionou a renovação do acordo de acionistas à conclusão da venda de sua participação ao Bradesco BBI e à decisão do banco sobre a permanência no acordo.


IRANI aprovou R$ 7,9 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,03 por ação, com pagamento até 20/8.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Chico Graziano

Fundada em 1927 por imigrantes japoneses, a Cooperativa Agrícola de Cotia foi uma das entidades pioneiras na comercialização de batatas, legumes e frutas no Brasil. Entre seus protagonistas se encontra Américo Utumi.


Com formação em direito pelo Largo do São Francisco (USP), desde os 18 anos o nissei Américo Utumi trabalhava como auxiliar de escritório na Cooperativa de Cotia, onde permaneceu por 40 anos (de 1952 a 1992). Chegou a ser vice-presidente. Empolgante, atencioso, querido, seu carisma o guindou a cargos de representação no movimento cooperativista, brasileiro e mundial. Tornou-se, mais que amigo, um braço direito de Roberto Rodrigues, o grande líder do setor, que presidiu a Aliança Cooperativa Internacional.


Fizeram a unificação do sistema e elaboraram, junto com tantos outros idealistas, a Lei Nacional do Cooperativismo (Lei 5.764 de 1971), marco legal vigente.


Fruto de sua destacada atuação, Américo Utumi foi eleito presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo, cumprindo 3 mandatos, de 1981 a 1993. Nessa época o conheci, precisamente em setembro de 1993, quando trabalhava no Ministério da Fazenda, em São Paulo, auxiliando Fernando Henrique Cardoso na articulação do Plano Real junto à agropecuária.


A estabilização da economia brasileira seria doída para os agentes produtivos que estavam endividados. Era o caso da Cooperativa de Cotia.

Américo Utumi me orientou, aconselhou, demonstrando uma virtude muito própria da cultura japonesa, mas rara por aqui: rigidez moral. Frente aos indícios de desvios e fraudes, ele não titubeou em endossar uma espécie de intervenção. A Cooperativa de Cotia estava falida. É triste, mas essa é a história final de uma cooperativa agrícola exemplar, que chegou a ser a maior da América Latina. Sua atuação estimulou a formação de tantas outras, significando muito para o desenvolvimento da horticultura e da fruticultura nacionais. Foram fundamentais também para o desenvolvimento do agro no cerrado, a partir da colonização em são Gotardo (MG).

Américo Utumi morreu em 1º de agosto, aos 92 anos. Deixou-nos seu exemplo. Seu sonho o torna inesquecível.

Leia o artigo completo.
https://lnkd.in/dk4GiN8x)

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Correção no petróleo, foco em Copom e balanços*


A temporada de balanços acelera com Itaú e Gerdau, após o fechamento, e o primeiro resultado da SpaceX desde o IPO, que coloca à prova o entusiasmo com a inteligência artificial


… Depois de a forte queda do petróleo aliviar, ao menos temporariamente, os temores de uma nova escalada militar no Oriente Médio, a commodity corrige parte do tombo com os sinais contraditórios sobre as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz. Aqui, as atenções se voltam para a reunião do Copom, que começa hoje e deve confirmar amanhã mais um corte da Selic. A dúvida não é a decisão desta semana, mas o que o BC sinalizará para setembro. Antes disso, investidores acompanham a produção industrial de junho no Brasil e o relatório Jolts nos Estados Unidos, enquanto a temporada de balanços acelera com Itaú e Gerdau, após o fechamento, e o primeiro resultado da SpaceX desde o IPO, que colocará à prova o entusiasmo do mercado com a inteligência artificial.


UM DIA DE CADA VEZ – Depois de semanas reagindo a cada ameaça de escalada militar, investidores passaram a interpretar as declarações de Trump menos como verdade e mais como um indicativo das intenções da Casa Branca no curtíssimo prazo.


… Se o presidente dos Estados Unidos fala em negociação, a leitura é de que um novo ataque dificilmente ocorrerá nas próximas horas.


… Isso ontem foi suficiente para provocar uma liquidação de quase 5% no petróleo e devolver parte do apetite por risco aos mercados globais. No fechamento do pregão regular, o Brent era negociado a US$ 83,77 (-4,73%) e o WTI a US$ 80,34 (-5,11%).


… O movimento ocorreu mesmo sem uma mudança concreta no conflito.


… Depois de suspender os ataques planejados para o fim de semana, Trump voltou a falar grosso, como quem está no controle, dizendo que é a “última chance” para um acordo com Teerã. Chegou a prometer que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto já nesta terça-feira.


… Segundo ele, a primeira etapa das negociações prevê justamente a normalização da navegação pela principal rota de exportação de petróleo do mundo, antes do avanço para um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.


… O problema é que praticamente ninguém confirmou essa versão.


… O governo iraniano voltou a negar negociações diretas com Washington e afirmou que os contatos com Omã se limitam à discussão de uma rota temporária para garantir a navegação em Ormuz. Até mesmo autoridades americanas minimizaram as declarações de Trump.


… Fontes do governo de Donald Trump admitiram que não existe uma nova rodada de negociações marcada, mas apenas conversas indiretas, por meio dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner (o genro do presidente), com mediação de países da região.


… Os fatos no front da guerra também continuam recomendando cautela.


… O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e por Bab el-Mandeb segue muito abaixo do normal, segundo dados da MarineTraffic, enquanto seis superpetroleiros sauditas desviaram a rota para o sul da África após novas ameaças dos Houthis contra embarcações do país.


… Ao mesmo tempo, Teerã manteve o tom agressivo e voltou a alertar para o risco de ampliação do conflito.


… Ainda assim, para os mercados, bastou a percepção de que o risco de uma nova escalada militar diminuiu no curtíssimo prazo.


… A guerra continua longe de uma solução, mas os investidores parecem ter deixado de negociar o desfecho do conflito para negociar apenas a probabilidade do próximo ataque. E, por ora, Trump deu ao mercado um motivo para acreditar que esse ataque pode esperar mais um dia.


O CONSENSO DO COPOM – Diretores do Banco Central reúnem-se hoje na primeira sessão do Copom para a Análise de Conjuntura antes da decisão sobre a Selic, que será divulgada amanhã, quarta-feira, minutos após as 18h30. Não deve haver surpresa com o resultado.


… A expectativa amplamente majoritária é de corte de 0,25 ponto porcentual, levando a Selic para 14% ao ano. O suspense é o que virá depois.


… O consenso do mercado mudou nas últimas semanas. Se até pouco tempo a percepção era de que agosto marcaria o último corte do ciclo, a sequência de indicadores mais benignos passou a sustentar a avaliação de que setembro continua em aberto.


… A combinação de inflação mais comportada, sinais de moderação da atividade e queda do petróleo levou diversas instituições a revisarem as projeções, embora nenhuma espere que o Banco Central antecipe seus próximos passos.


… HSBC, XP, Santander e Itaú convergem na avaliação de que o Copom evitará qualquer guidance, mantendo a dependência dos dados.


… A expectativa é de um comunicado neutro, que reconheça a melhora recente da inflação e a desaceleração da atividade econômica, mas mantenha o balanço de riscos ainda assimétrico e preserve a flexibilidade para decidir reunião a reunião.


… O Santander e o Bank of America já projetam mais um corte de 0,25 ponto em setembro, levando a Selic a 13,75%, enquanto o Boletim Focus desta semana também passou a incorporar esse cenário pela primeira vez desde março.


… Para o HSBC, o cenário-base ainda é de uma pausa prolongada após agosto, embora o banco admita extensão do ciclo caso a inflação continue surpreendendo para baixo. A XP também considera que esse corte pode ser o último, mas não descarta reduções adicionais.


… A principal ressalva continuam sendo as expectativas de inflação. Mesmo com a melhora dos índices correntes, economistas seguem alertando que as projeções para os próximos anos permanecem acima da meta.


… A Bradesco Asset, por exemplo, reduziu sua projeção para o IPCA de 2026, mas continua vendo riscos relevantes ligados ao El Niño, aos preços de energia e ao comportamento dos alimentos.


… Já o Citi permanece entre as poucas instituições que ainda acreditam na manutenção da Selic em 14,25%, argumentando que a desancoragem das expectativas, a expansão fiscal às vésperas das eleições e a resiliência da atividade ainda recomendam cautela.


… Em suma, a decisão desta quarta-feira parece praticamente contratada. O que o mercado tentará decifrar será a redação do comunicado: se o Copom apenas deixará a porta aberta para setembro ou se começará a preparar o terreno para uma pausa ou para um novo corte.


BDM LIVE – O economista-chefe do Bmg, Flávio Serrano, fala hoje (10h) sobre a mensagem esperada para o comunicado do Copom, em entrevista a Rosa Riscala e Téo Takar. Confira: https://tinyurl.com/mtur5tbx.


AGENDA – Antes do Copom, o mercado confere o ritmo da desaceleração da economia com a produção industrial de junho no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o relatório Jolts abre a sequência de indicadores do emprego, que culmina com o payroll, na sexta-feira.


… Em pesquisa Broadcast, a mediana das estimativas da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de junho, às 9h, aponta queda de 0,6% na produção, após recuo de 0,2% em maio, refletindo principalmente a acomodação da indústria extrativa e do processamento de petróleo.


… Na comparação com junho do ano passado, porém, a expectativa é de aceleração, com alta de 3,0%, ante avanço de 0,2% no mês anterior.


… Mais cedo (5h), a Fipe divulga o IPC de julho, com a mediana das projeções apontando para alta de 0,03%, após avanço de 0,18% em junho, com desaceleração puxada principalmente pela queda dos preços dos alimentos e da gasolina.


… Às 11h, o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-B com vencimentos em 2031, 2037 e 2050, além de LFT para 2032.


… Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio divulga às 9h30 a balança comercial de junho, com expectativa de redução do déficit para US$ 72,4 bilhões, ante US$ 77,6 bilhões em maio. Já o relatório Jolts será conhecido às 11h.


… A mediana aponta para 7,40 milhões de vagas abertas em junho, abaixo dos 7,59 milhões postos registrados em maio.


SPACEX – Após a forte reação aos balanços de Microsoft e Amazon, a temporada de balanços entra em um novo teste para a inteligência artificial. A SpaceX divulga hoje, após o fechamento, seu primeiro balanço após o IPO.


… Desde a badalada oferta, a SpaceX acumula queda de cerca de 20% e de mais de 50% em relação à máxima.


… Os números da companhia poderão influenciar o humor do setor de tecnologia, especialmente diante das dúvidas sobre o retorno dos pesados investimentos em IA. Também após o fechamento, sai o balanço de AMD.


… Representantes das big techs terão reunião hoje com a Casa Branca, segundo o The Information.


… Ainda nesta terça, antes da abertura dos mercados, divulgam resultados HSBC, Lufthansa, BP, Whirlpool, Caterpillar e McDonald’s.


AFTER HOURS – Palantir deu show (+14,97%) depois de o lucro por ação ajustado saltar 156%, para US$ 0,41, superando de longe a projeção de US$ 0,3, e a receita com o governo americano dobrar para US$ 809 milhões.


… A empresa afirmou que a demanda por seu software de IA impulsionou a receita pelo 12º trimestre consecutivo.


ITAÚ – Aqui, a grande expectativa da temporada de balanços é o resultado do Itaú Unibanco, divulgado hoje após o fechamento.


… O mercado espera lucro de R$ 12,5 bilhões no segundo trimestre, alta de cerca de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo o banco como o mais rentável entre os grandes do setor.


… Além do lucro, os investidores estarão atentos ao crescimento da carteira de crédito, à qualidade dos ativos, como inadimplência e provisões (PDD), ao desempenho das receitas com tarifas e às sinalizações da administração para o segundo semestre.


MAIS BALANÇOS – A temporada do segundo trimestre acelera também na B3, com resultados de Gerdau, Gerdau Metalúrgica, GPA, Iguatemi, Prio, RD Saúde, C&A e Tenda, todos após o fechamento.


… Entre eles, Gerdau deve registrar um dos melhores desempenhos do trimestre, com expectativa de lucro de R$ 1,48 bilhão (+71% no ano), sustentada pela resiliência das operações na América do Norte e pela melhora das margens na América do Sul.


… Confira abaixo no Cias Abertas os balanços de BB Seguridade, BradSaúde e Marcopolo, divulgados ontem à noite.


CURTAS DA POLÍTICA – Depois de recuperar terreno na pesquisa BTG/Nexus, que mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (45%) e Lula (46%), nesta segunda-feira, o senador sofreu novo revés no esforço para ampliar sua base de apoio.


… O Republicanos, que ficou de consultar seus diretórios estaduais sobre a participação de Tereza Cristina como vice na chapa, informou ao PL que a maioria de seus diretórios estaduais prefere manter a neutralidade.


… Hoje, Flávio participa da primeira sabatina da campanha eleitoral, promovida por O Antagonista e G4 Hub, a partir das 11h.


LULA. Já o presidente abre nesta terça-feira a série de entrevistas dos presidenciáveis promovida pela GloboNews e pelo G1, às 14h.


… No campo diplomático, uma nova sequência de ataques de Javier Milei a Lula complicou a tentativa de normalização das relações entre Brasil e Argentina – um tema que é tratado com cuidado pelo Planalto, em meio à exploração eleitoral do bolsonarismo.


MAIS PESQUISAS. Os institutos Genial/Quaest e Meio/Ideia divulgam amanhã novas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, com perguntas sobre o tarifaço dos Estados Unidos, a relação dos candidatos com Trump e as críticas de Flávio às urnas eletrônicas.


CONGRESSO. Retoma os trabalhos nesta semana, mas as votações só devem ganhar ritmo a partir do dia 10, por causa do calendário eleitoral.


… Entre as prioridades estão projetos ligados ao agronegócio, a PEC da Segurança Pública e propostas econômicas como o PLP dos Combustíveis e a política de minerais críticos. O governo também pretende avançar com a PEC do fim da jornada 6×1.


VÁLVULA DE ESCAPE – Sustentável ou não, o afastamento do petróleo da marca dos US$ 90 provocou queima dos prêmios de risco nos juros futuros, aqui e lá fora, na medida em que desarma a pressão sobre o canal inflacionário.


… Na véspera da decisão do Copom, ainda a novidade do boletim Focus de queda na projeção da Selic do ano, de 13,75% para 14%, animou as apostas de que o corte de juro esperado para amanhã possa não ser o último do ciclo.


… Vai depender de muita coisa: 1) de uma solução diplomática na guerra que garanta queda para valer do petróleo e esvazie as expectativas de inflação; 2) de uma postura dovish do Fed (que Warsh já deu a impressão que pode ter)…


… E mais importante que tudo, de um cenário fiscalmente responsável, no contexto eleitoral ainda indefinido.


… Entre os traders, a aposta de que o Copom cortará o juro também em setembro ainda continua majoritária (60%), mas segue bem próxima da precificação de uma pausa (40%), porque todo mundo quer ler antes o comunicado.


… Não que o mercado esteja confiando que o documento passará algum recado. Mesmo assim, espera por ele.


… Além do ajuste na Selic, o Focus trouxe ontem a perspectiva de alívio na inflação deste ano, de 5,12% para 5,03%, enquanto as estimativas para o IPCA de 2027 e de 2028 permaneceram em 4,22% e 3,80%, respectivamente.


… Encorajada pelas surpresas baixistas das últimas leituras da inflação, a Bradesco Asset reduziu a projeção do IPCA de 2026 de 5,4% para 5,1%, mas observou que os núcleos rodam em nível incompatível com a convergência à meta.



… Apesar dos riscos à volta, o alívio do petróleo nesta segunda-feira viabilizou queda consistente na curva do DI.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,805% (de 13,795% no ajuste anterior); Jan/28, 13,810% (contra 13,860% na véspera); Jan/29, 13,980% (14,096%); Jan/31, 14,190% (14,382%); e Jan/33, 14,355% (14,573%).


… Lá fora, depois do salto recente, a taxa da Note de dez anos voltou a operar abaixo de 4,70%, em 4,252%, contra 4,707% na última sexta-feira, enquanto a de dois anos caiu para 4,252% (de 4,267%), na cola do tombo do petróleo.


… Ninguém vai comprar tão fácil a perspectiva de uma solução rápida da guerra, marcada por tantas reviravoltas.


… Mas os Treasuries aproveitaram ontem para realizar lucro, depois de a credibilidade do Fed ter sido colocada à prova na semana passada pela percepção de que Kevin Wash pode ser mais tolerante com as pressões inflacionárias.


… Destoando dos três dissidentes da última reunião de política monetária, John Williams (presidente do Fed de Nova York) disse que a sua previsão é que a inflação caia na segunda metade deste ano e “ainda mais no próximo ano”.


… Ele garante que, se este prognóstico não se concretizar, o Fed não hesitará em responder com alta dos juros.


… O que preocupa o mercado é o medo de o BC americano se atrasar e não reagir tão rápido a eventuais choques.


ARIGATÔ – Quanto mais tempo o Fed demorar para apertar a política monetária, tanto melhor para o Japão, que tem apelado às intervenções cambiais para conter a fragilidade do iene, desencadeada pelo diferencial dos juros.


… Depois da recente atuação dupla do governo de Tóquio e de Trump, a moeda japonesa continuou subindo ontem (+0,28%), para 156,92 por dólar, mas o mercado mantém o debate sobre a eficácia das investidas no câmbio.


… Para a consultoria britânica Oxford Economics, o efeito das intervenções durará mais que em ofensivas anteriores, mas ainda será insuficiente para reverter a tendência fraca do iene, que deve voltar a 160 por dólar no fim do ano.


… Análise do Valor também pontua que, historicamente, as atuações no câmbio raramente conseguiram mudar uma tendência determinada por fundamentos. No máximo, reduziram a volatilidade e movimentos especulativos.


… Na visão da Capital Economics, a capacidade do Tesouro americano de influenciar o iene é mais simbólica do que efetivamente prática, já que as reservas dos Estados Unidos são limitadas para bancar uma intervenção prolongada.


… Cálculos na BBG indicam que, na sexta, o Japão teria gasto 5,33 trilhões de ienes (US$ 34 bilhões) para intervir.


… Ontem, o euro recuou 0,16%, a US$ 1,1510, a libra caiu 0,36%, a US$ 1,3432, e o DXY ficou estável (-0,02%), a 99,897 pontos. Por aqui, o dólar subiu 0,33%, a R$ 5,0870, com o real enfraquecido pela liquidação do petróleo.


… Mas considerando que o barril derreteu e que o Copom vai cortar a Selic amanhã e, eventualmente, pode até deixar contratado um novo corte em setembro, dá para dizer que a moeda brasileira se segurou muito bem ontem.


SAIU BARATO – Por ter forte peso individual dos papéis diretamente ligados às commodities, o Ibovespa já antecipava um dia desafiador, com o petróleo e minério de ferro (-2,85%) no alvo de um forte movimento vendedor.


… Vale (-2,15%; R$ 74,64) e Petrobras não resistiram (ON, -0,86%, a R$ 48,62; e PN, -0,85%, a R$ 43,05), e o índice à vista passou boa parte do pregão no vermelho, mas reagiu na reta final e fechou estável, aos 178.000,24 pontos.


… Chamou atenção o volume financeiro de apenas R$ 15,9 bilhões, ainda mais baixo do que as médias recentes.


… O contraponto para a bolsa zerar as perdas veio dos bancos e das ações mais dependentes ao ciclo econômico. O recuo dos juros futuros animou Hapvida (+5,59%), C&A (+3,60%), Vivara (+2,98%) e Magazine Luiza (+2,58%).


… No setor financeiro, em véspera de balanço, Itaú PN avançou 0,70% (R$ 43,17). Bradesco PN ganhou 0,65% (R$ 18,55) e Santander unit ampliou a alta (+1,08%, a R$ 28,93), mesmo depois do rali recente provocado pela OPA.


… CSN liderou as perdas do índice à vista e despencou 6,82%, para R$ 4,51, após o corte de rating pela Fitch.


… A B3 divulgou ontem a primeira prévia do Ibovespa, que irá vigorar entre setembro e dezembro, com a entrada das ações da Tenda e saída de Petrorecôncavo. A bolsa vai divulgar mais duas prévias este mês, nos dias 17 e 31.


… Em Nova York, rolou ontem uma dose de euforia com o tombo do petróleo e com as big techs. Meta (+6,02%), Microsoft (+4,93%), Alphabet (+4,88%) e Amazon (+4,58%) puxaram os ganhos, em meio à temporada de balanços.


… O Dow Jones renovou seu recorde histórico acima dos 53 mil pontos e subiu 1,32%, para 53.178,41 pontos. O S&P 500 registrou valorização de 1,48%, para 7.600,50 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 2,13%, a 25.913,90 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – BB SEGURIDADE teve lucro líquido de R$ 2,151 bilhões no segundo trimestre, em linha com as projeções do Broadcast…


… Conselho aprovou R$ 3,850 bilhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 1,983285 por ação, com pagamento em 03/09. As ações ficam ex-direito em 07/08.


BRADSAÚDE teve lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, alta de 24,8% ante um ano antes. A receita cresceu 10,8%, para R$ 13,8 bilhões, e o ROAE ficou em 25,8%.


SANTANDER. Brookfield negocia a compra da torre do banco no Complexo JK por cerca de R$ 2,3 bilhões, segundo o Metro Quadrado.


CSN CIMENTOS. Huaxin, consórcio formado por Votorantim e Cementir e Polimix seguem na disputa pela companhia, segundo o Valor Econômico. A proposta da Huaxin seria de R$ 12 bilhões.


ISA ENERGIA teve lucro líquido regulatório de R$ 174 milhões no segundo trimestre, queda de 32% ante um ano antes. A receita regulatória cresceu 20,9%, a R$ 1,2 bilhão, e o Ebitda regulatório avançou 22,5%, a R$ 967 milhões.


ENEL. Área técnica da Aneel rejeitou as alegações finais da companhia e manteve a recomendação de caducidade da concessão em São Paulo.


COGNA. Vasta aprovou a incorporação pela Somos e o resgate compulsório das ações dos minoritários, como parte da reorganização societária.


MOVIDA aprovou a 28ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,140 bilhão, para gestão de passivos e pré-pagamento de dívida.


PAGUE MENOS teve lucro líquido de R$ 71,1 milhões no segundo trimestre, alta de 41,6% ante um ano antes. A receita cresceu 8%, para R$ 3,99 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 11,7%, para R$ 409,3 milhões.


ODONTOPREV teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no segundo trimestre, queda de 20,8% ante um ano antes. A receita líquida cresceu 5,6%, para R$ 635,3 milhões.


VALID concluiu a aquisição do grupo HST Card Technology por R$ 73 milhões, a serem pagos ao longo de três anos.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 272,4 milhões no segundo trimestre, queda de 14,7% ante um ano antes. A receita cresceu 3%, para R$ 2,37 bilhões, enquanto o Ebitda recuou 15%, para R$ 338,6 milhões.


TEGMA aprovou a distribuição de R$ 75,2 milhões em dividendos e JCP, equivalentes a R$ 1,14 por ação, com pagamento em 18/08.


RUMO. Debenturistas aprovaram fiança bancária complementar de R$ 87,5 milhões do Banco ABC para a segunda série da 18ª emissão de debêntures.


MOTIVA. Grupo Soares Penido, Votorantim e Itaúsa manifestaram intenção de renovar o acordo de acionistas.


PARANAPANEMA homologou aumento de capital de R$ 5,9 milhões, com a emissão de 9,6 milhões de ações, e reduziu a dívida em R$ 5,8 milhões.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,4% US tech +1,7% US semis +1,1% UEM +1,1% España +1,0% VIX 15,9% Bund 3,15% T-Note 4,68% Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,59% PT 3,49% FRA 3,94% ITA 3,94% Euribor 12m 2,94% (fut.3,09%) USD 1,151 JPY 180,9 Ouro 4.054$ Brent 83,8$ WTI 80,3$ Bitcoin +1,3% (63.742$) Ether +0,4% (1.867$).


SESSÃO: O tom é bastante positivo. Principalmente graças a uns resultados empresariais que continuam a oferecer grande apoio ao mercado (ON Semiconductor, Palantir…). No plano macro, as referências que serão publicadas dificilmente serão capazes de direcionar o mercado, enquanto tudo continua a girar à volta da geoestratégia e a evolução do preço do petróleo que, de momento, se mantém <90 $/barril…


Aspetos importantes:

Continuam os vaivéns nas negociações entre Irão/EUA. Nas últimas horas, Irão nega as negociações com os EUA e o petróleo aumenta ca. +1,5% até 85 $/barril. Contudo, as bolsas quase não reagem à notícia e os futuros americanos e europeus vêm a subir +0,3%/+0,5%... E a realidade é que os resultados empresariais são o que dirige o mercado…


A temporada de resultados mostra um saldo francamente positivo com ca. 50% das empresas publicadas: EPS +61% vs. +24% esp. com especial atenção ao setor tecnológico (ontem tecnologia EUA +1,7%). De facto, ontem, no fecho de N. Iorque, publicaram resultados ON Semiconductors (semis) e Palantir (IA aplicada a defesa). Ambas bateram tanto em resultados como em guias. Sobem +6% e +15% em aftermarket, respetivamente. Continuando com a frente empresarial, ontem Trump afirmou que as petrolíferas Chevron e Exxon estão a beneficiar em excesso do contexto atual e considera que os lucros de ambas devem ser “devolvidos” aos consumidores. Não especificou se isso se fará através de uma redução dos preços ou de impostos extraordinários… Em qualquer caso, o mais provável é que fiquem prejudicadas na sessão. Hoje também estaremos pendentes dos resultados de SpaceX no fecho de N. Iorque que, embora se esperem um pouco erráticos (EPS -0,236 $), daqui a dois dias aumentará o seu free float (~6,9%) que elevará o seu peso em índices. Veremos…


No plano macro, as referências concentram-se nos EUA: Balança Comercial (13:30 h), Pedidos à Fábrica e Vagas de Emprego/Jolts (15 h). Provavelmente nenhuma terá força suficiente para direcionar o mercado. Principalmente porque depois da última reunião da Fed, ficou bastante claro que o foco da mesma está mais na inflação do que na economia. 


Com esta mistura, estimamos uma sessão com um tom bastante positivo e apoiado na solidez dos resultados empresariais. Desde que não cheguem notícias da frente geoestratégica que provoquem uma subida do petróleo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Marilda Sotomayor




"Aos 82 anos, ela organizou um congresso em São Paulo e viu três ganhadores do Nobel de Economia atravessarem o Atlântico só para sentar na plateia e ouvi-la.Ela mesma, quando perguntada sobre o prêmio, respondeu sem rodeios: "jamais vou ganhar o Nobel".

Não foi resignação. Foi constatação.
Marilda Sotomayor nasceu no Brasil, formou-se matemática, e na juventude pensava em ser professora primária. Em vez disso, tornou-se uma das poucas latino-americanas a construir carreira internacional relevante em Teoria dos Jogos — uma área dominada, até hoje, por universidades americanas e europeias.

No fim dos anos 1980, ela pegou um modelo criado por David Gale e Lloyd Shapley — o problema de "casamento estável", que explica como parear dois grupos (candidatos e vagas, por exemplo) de forma que ninguém tenha incentivo para trocar de par depois — e fez algo que ninguém tinha feito: estendeu a teoria para mercados com dinheiro envolvido.

Essa extensão não era um detalhe técnico. Ela tornou o modelo aplicável ao mundo real, onde quase todo emparelhamento envolve preço, salário ou custo.

Shapley ganhou o Nobel de Economia em 2012 por esse campo. Sotomayor, coautora de um dos textos mais citados da área, não.
O motivo prático por trás disso é simples: o Nobel não é dado a quem constrói sobre uma ideia, mesmo que a construção seja essencial. E isso trouxe à tona uma pergunta desconfortável sobre como o crédito circula na ciência — especialmente para pesquisadoras fora do eixo Estados Unidos-Europa.

Mas o mais interessante é onde essa matemática mora hoje, sem que quase ninguém perceba:

→ Nos algoritmos que alocam residentes de medicina a hospitais nos EUA
→ Nos sistemas de troca de rim entre doadores e receptores incompatíveis
→ Nos motores de matching de apps de transporte e entrega, que decidem em milissegundos quem atende quem
→ Nos sistemas de alocação de vagas escolares em cidades como Nova York e Boston

Toda vez que um algoritmo decide "quem fica com quem" de forma que ambos os lados prefiram não trocar depois, há uma linhagem que passa pela mesa de trabalho de Marilda.

Existe um tipo de contribuição que nunca aparece em prêmio, mas aparece em toda infraestrutura que usamos sem saber que existe. Talvez o reconhecimento mais duradouro não seja uma medalha — seja o fato de que o trabalho continua rodando, silenciosamente, décadas depois.

Uma homenagem a essa brasileira incrível e que nos dá tanto orgulho."

SBCE, IFRS, CVM, ETS, CBAM, GRI, NR-1, ISO, GHG Protocol, PR 2030: por onde começar nessa sopa de letrinhas?



Cristiane V Leme

Climate & Nature Risk | Sustainability Strategy | Project Leadership | Carbon & Nature-based Solutions


29 de julho de 2026


A vida do gestor empresarial tradicional já não é simples com metas de venda, gestão de pessoas, concorrência, financiamento, retorno do investimento, resultado, expansão ou retração de mercado, revolução IA, câmbio, inflação e macroeconomia, tarifas e geopolítica que tornam tudo mais emocionante!

Aí vem uma galera falar de impacto, carbono, risco climático e de natureza, saúde e segurança do trabalho, relatório de sustentabilidade, mercado regulado e gestão ESG. Já são termos que aparecem com mais frequência na mídia, pelas redes e cada vez mais nas decisões das organizações, isso não podemos negar. Mesmo que não estejam nomeadas assim, esses desafios aparecem!

Essas agendas se cruzam na regulação, na estratégia, no financiamento, na competitividade, na operação e na gestão de riscos e oportunidades.

O problema é que as siglas são muitas vezes apresentadas separadamente, aleatoriamente, e quando juntas, por vezes como se tratassem da mesma coisa. Não tratam. Desconectadas do negócio. Não são. Ou não deveriam ser.

Este artigo organiza alguns instrumentos e termos de forma introdutória. A proposta é criar uma base de letramento e ponto de partida para conteúdos posteriores sobre mercado de carbono, risco climático e adaptação, soluções baseadas na natureza, saúde, relatórios e estratégia empresarial, incluindo alguns mergulhos e suas aplicações ao setor de energia.

Embora seja um artigo longo, não trataremos aqui o aprofundamento em cada um desses termos, nosso objetivo por hoje é situar eles dentro do dia a dia empresarial.

Para começar…
1. A empresa precisa estruturar e demonstrar sua gestão ESG no Brasil

A ABNT PR 2030 é uma prática recomendada voltada à incorporação dos aspectos ambientais, sociais e de governança à gestão das organizações.

Sua aplicação considera temas e critérios ESG, além de uma jornada de maturidade baseada em planejamento, implementação, monitoramento e melhoria contínua. A planilha de autoavaliação utilizada pela ABNT avalia políticas, responsabilidades, processos, indicadores, metas, riscos, controles e evidências.

A PR 2030 não é uma norma para elaboração de um relatório de sustentabilidade. O relatório é um dos elementos avaliados dentro de uma estrutura mais ampla da gestão.

A que este instrumento responde: Como a organização estrutura, executa e aprimora sua gestão ESG?

Nesse contexto, onde entram as normas ISO? Enquanto a PR 2030 organiza a visão integrada do ESG e avalia a maturidade da gestão, normas ISO específicas podem oferecer estruturas operacionais para implementar e controlar partes dessa agenda. A ISO 14001, por exemplo, aprofunda e orienta a gestão ambiental, contribuindo para o “E” de ESG, enquanto a PR 2030 ajuda a integrar três eixos. A adoção da ISO 14001 pode fornecer evidências de processos estruturados, controles e melhoria contínua no eixo ambiental (E), mas não substitui a avaliação mais ampla exigida pela PR 2030. Consegue ver a complementaridade?

Importante destacar neste ponto para não falarmos mais de ESG como se fosse o todo que a Sustentabilidade aborda. Sustentabilidade Corporativa é criar valor e resultado no seu mercado e com os recursos necessários hoje garantindo que recursos e benefícios seguirão existindo para a empresa e a sociedade no futuro. O ESG é a forma que o mercado financeiro decidiu incorporar o tema, e isso reflete de maneira mais direta nas empresas porque, sim, vivemos num sistema capitalista e de rentabilidade. O que se mede em termos financeiros sempre ganha mais atenção. Não quer dizer que o que não tem medida financeira hoje não possa representar um grande número amanhã. Nossa dificuldade em precificar riscos e oportunidades hoje não pode nos limitar na visão de futuro que um modelo de negócio sustentável exige. Às vezes esse futuro nem é tão distante assim, é apenas efeito da miopia. Portanto, coloque a lente certa, não simplifique a análise, mas simplifique sua operação, e tente não se confundir ao longo do processo, ok?
2. OK. A empresa precisa divulgar riscos de sustentabilidade ao mercado financeiro?

As normas IFRS S1 e S2, emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), são diretrizes de divulgação financeira relacionadas à sustentabilidade dentro de um consenso internacional. As informações são dirigidas principalmente a investidores, credores e outros provedores de capital. A normativa vem sendo cada vez mais recomendada em alguns países, inclusive no Brasil.

A IFRS S1 trata dos riscos e oportunidades de sustentabilidade que podem afetar as perspectivas da entidade. A aplicação da IFRS S1 considera orientações setoriais para apoiar a identificação de riscos, oportunidades e métricas potencialmente relevantes, mas a avaliação deve ser feita conforme as circunstâncias específicas da entidade.

A IFRS S2 aplica essa lógica especificamente aos riscos e oportunidades relacionados ao clima, incluindo riscos físicos, riscos de transição, governança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metas.

A diferença em relação à PR 2030 está na finalidade:

a PR 2030 orienta e avalia a maturidade da gestão ESG;
as IFRS (S1 e S2) estabelecem requisitos para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e clima.



Uma organização pode utilizar a PR 2030 para estruturar processos, responsabilidades, controles e indicadores. Isso pode apoiar a produção das informações necessárias à aplicação das IFRS S1 e S2, mas não assegura, por si só, conformidade com essas normas.

A que a IFRS responde: Quais riscos e oportunidades de sustentabilidade podem afetar economicamente a empresa e precisam ser informados aos provedores de capital? O que relacionado à sustentabilidade pode ser medido em termos financeiros para o negócio?
3. Onde entra a CVM nesta conversa?

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o órgão regulador do mercado de valores mobiliários brasileiro. Sua função, nesse contexto, é estabelecer as regras aplicáveis às companhias e aos demais participantes submetidos à regulação do mercado de capitais brasileiro.

A relação entre os instrumentos pode ser compreendida da seguinte forma:

o ISSB emitiu as normas IFRS S1 e S2;
a CVM, ao incorporar o modelo ao ambiente normativo brasileiro, estabelece (ou deveria estabelecer) as regras aplicáveis às entidades sob sua supervisão os padrões



Este órgão (CVM) determina: Quais regras de divulgação de sustentabilidade se aplicam às empresas de capital aberto no Brasil (submetidas à CVM)?

Atualmente a IFRS, que seria obrigatória a partir de 2026 pela CVM 193, voltou a se tornar voluntária (CVM 244 que alterou a 193), causando enorme repercussão no mercado, tanto dos que eram favoráveis à obrigatoriedade quanto dos que comemoram a flexibilidade de se manter voluntária. Esta semana o debate voltou a ficar quente, pois o Ministério Público entrou na jogada para tentar reverter e manter a obrigatoriedade. Vale um ponto de atenção e pelo qual aguardarei ansiosa o início do próximo ano: a empresa que optar por não seguir esta norma internacional, mesmo que o CVM a mantenha como diretriz voluntária, deve explicar o motivo do não uso ao mercado. Quem mais aí está curioso para ler as explicações? Eu to muito!

Embora a regulamentação da CVM alcance as companhias abertas e demais entidades sob sua supervisão, as IFRS S1 e S2 podem servir como referência para outras empresas, especialmente na identificação, gestão e comunicação de riscos e oportunidades de sustentabilidade.
4. A empresa precisa ou quer relatar seus impactos sobre a sociedade e o meio ambiente?

O Global Reporting Initiative (GRI) é um conjunto de padrões para relato de sustentabilidade. Seu foco está nos impactos mais significativos da organização sobre a economia, o meio ambiente e as pessoas, incluindo os direitos humanos. A determinação dos temas materiais considera impactos positivos e negativos, reais e potenciais, associados às atividades e às relações de negócios da organização. É um modelo que visa manter transparência e dialoga muito com a parte reputacional da empresa e suas marcas.

A comparação com as IFRS ajuda a compreender a diferença:

GRI: quais são os impactos mais significativos da organização sobre a economia, o ambiente e as pessoas? Como se comunica isso ao público geral e seus stakeholders?
IFRS S1 e S2: quais riscos e oportunidades de sustentabilidade podem afetar as perspectivas econômicas da entidade?



O mesmo tema pode aparecer nos dois sistemas, mas por razões diferentes.

Uma situação de escassez hídrica ou poluição pode ser relevante no GRI quando a organização causa, contribui ou está diretamente ligada a impactos sobre comunidades e ecossistemas. Nas IFRS, o mesmo fator pode ser relevante quando afeta as perspectivas econômicas da empresa, ainda que ela não seja a causadora do risco.

A que a GRI responde: Quais impactos a organização produz ou tem potencial de produzir, como eles são gerenciados e o que precisa ser comunicado às partes interessadas?
5. A empresa está sujeita a um mercado regulado de carbono?

Um ETS, ou Emissions Trading System, é um sistema de comércio de emissões. Em sistemas desse tipo, os participantes abrangidos precisam cumprir regras relacionadas às suas emissões de gases de efeito estufa e aos ativos reconhecidos pelo sistema. O sistema regula atividades econômicas em determinada Região, País ou Estado subnacional. Esse é o termo global e usual para este tipo de mecanismo. O EU ETS é o sistema de comércio de emissões da União Europeia.

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa — SBCE é seu equivalente no Brasil, instituído pela Lei nº 15.042/2024. Sua estrutura compreende regras, ativos e obrigações relacionados à mensuração, ao relato, à verificação e ao cumprimento das exigências de redução e remoção de emissões aplicáveis aos setores regulados pelo país. As atividades, fontes e instalações abrangidas terão obrigações definidas pela regulamentação, considerando os critérios de cobertura e os limites estabelecidos no sistema. Essas obrigações estão atualmente em regulamentação, dentro das fases previstas para a implementação do SBCE.

Os sistemas de comércio de emissões diferem entre si porque são desenhados de acordo com as características econômicas, institucionais, produtivas e ambientais de cada país ou região, bem como com seus perfis de emissão e suas metas climáticas. Embora existam mecanismos internacionais que busquem maior convergência e cooperação entre mercados, os países mantêm autonomia para definir o desenho, a cobertura e as regras de seus próprios sistemas, considerando suas circunstâncias nacionais e seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris.

Também é necessário evitar generalizações. A criação do SBCE não significa que todas as empresas ou todos os agentes de um setor estarão automaticamente submetidos às mesmas obrigações. Mo Brasil a produção primária agropecuária e os bens e infraestruturas diretamente dentro dos imóveis rurais foram excluídos das obrigações do SBCE pela lei. Outras atividades ligadas às cadeias do agronegócio podem ter tratamento distinto conforme sua natureza e regulamentação. Embora a produção primária agropecuária esteja fora das obrigações do SBCE, suas emissões permanecem incluídas nos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. A redução dessas emissões dependerá, portanto, de políticas, mecanismos de monitoramento e estratégias setoriais distintas do sistema de comércio de emissões.

A incidência de um mercado regulado, portanto, depende das regras de implementação, das atividades abrangidas, dos custos e dificuldades de descarbonização e dos critérios aplicáveis na jurisdição a qual se propõe influenciar a transição. Pode ser um país, como o Brasil, uma região como a União Européia, ou um Estado, como o Estado da Califórnia (US).

A existência de um mercado regulado também não significa que o mercado voluntário de carbono acaba. As metas voluntárias de companhias e as transações deste mercado já consolidado seguem acontecendo pelo mundo todo, inclusive no Brasil. São mercados que podem ter pontos de intersecção, e avançar em convergência e interoperabilidade, mas não um não substitui o outro.

No Brasil, as obrigações de monitoramento, relato e verificação (MRV) no âmbito do SBCE teve consulta pública aberta dia 28/07/2026, e se encerra em 28/08/2026. É mais uma ação que exemplifica o esforço da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, criada para conduzir esta regulamentação vinculada ao Ministério da Fazenda, sendo a Subsecretaria de Regulação e Metodologias, Coordenação Geral de Regulação a responsável por este processo de escuta e consolidação. Também temos uma outra consulta pública sobre ITMOs, que se encerra dia 06 de Agosto, mas debateremos mais sobre esta sigla e outros aprofundamentos sobre SBCE em próximos artigos, na medida que as definições avançam.

Por que ter atenção ao instrumento que regula um mercado de carbono? A atividade, seus produtos e serviços, está submetida a regras de mensuração, relato, verificação e cumprimento relacionadas às emissões? No Brasil? Em algum mercado externo (ex: EU ETS)?
6. A empresa exporta ou participa de cadeias ligadas ao mercado europeu?

O Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) é o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira. Está relacionado às emissões incorporadas em determinados bens importados pela União Europeia e busca aproximar o tratamento do carbono aplicado aos produtos importados daquele enfrentado por produtores europeus submetidos ao EU ETS.

O objetivo principal dele é manter os produtos internos europeus competitivos mesmo com o custo da descarbonização, ao mesmo tempo que influencia que uma produção com alta emissão lá não seja simplesmente transferida globalmente de um local para outro por questões de custos, e assim uma transição global e real de baixo carbono seja prejudicada.

O CBAM não é um padrão, não é um crédito de carbono ou um sistema voluntário de compensação. É um instrumento regulatório e comercial europeu relacionado ao carbono incorporado nos produtos abrangidos.

Para empresas brasileiras, sua relevância depende, entre outros fatores, do produto comercializado, do mercado de destino e da posição ocupada na cadeia de valor.

No setor de energia, o CBAM se relaciona a discussões sobre combustíveis renováveis, a eletricidade de baixa emissão usada em alguns processos, a intensidade de carbono da produção e distribuição dessa fonte de energia (que pode ser exportada) e a competitividade comercial e industrial do nosso país. Essa agenda se relaciona com: cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. O SAF (combustível sustentável para aviação) embora integre a agenda mais ampla de transição e competitividade internacional do Brasil com novos combustíveis, não está atualmente entre os produtos cobertos pelo CBAM.

A que o CBAM responde: A empresa produz, exporta ou fornece insumos para cadeias afetadas pela regulação europeia de carbono e de barreiras comerciais? Qual o custo desta exportação e como compete com o mercado local?
7. NR-1. Mais uma sigla dentre tantas no repertório dos empresários e executivos

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece disposições gerais e regras para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Ela integra a legislação brasileira de segurança e saúde no trabalho e estabelece obrigações relacionadas à identificação de perigos, avaliação de riscos e adoção de medidas de prevenção.

A NR-1 incluiu recentemente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso não corresponde a uma avaliação genérica da saúde mental do trabalhador. O foco está nos riscos associados às condições e à organização do trabalho.

Parece tema desconectado de tudo que tratamos aqui? Não, não é! Primeiro porque toda a agenda da empresa e da sustentabilidade é feita por pessoas. Segundo porque uma normativa como essa reconhece e eleva a importância desse risco nas discussões de sustentabilidade da operação porque mexe em custo, eficiência, produtividade e impacto social.

A NR-1 é um tema atual e que tem rodado pelos Boards de muitas empresas. Pode se conectar à PR 2030 como evidência de gestão de riscos e conformidade, ao GRI pelo relato dos impactos sobre trabalhadores e à IFRS S1, quando riscos trabalhistas afetam custos, produtividade ou perspectivas econômicas relevantes da organização.

A que esta normativa responde: Quais perigos e riscos ocupacionais precisam ser identificados, avaliados, prevenidos e monitorados para manter a companhia sustentável?

—-- Uma parada na leitura, e convite à reflexão —-

"Uma única e mesma informação (de segurança hídrica a saúde mental) pode ser relevante em mais de um desses instrumentos, mas cada um possui finalidade, público e requisitos próprios. O que não se pode é ficar refém dos instrumentos e normas. Eles devem apenas ajudar a empresa a olhar, entender, priorizar, decidir. E vejam, tudo no final acaba se relacionando com custos, reputação, riscos e oportunidades para o próprio negócio e sua gestão eficiente, para agora e pra o futuro."
8. Créditos de carbono, CBIO e certificados de energia renovável. O que são, onde entram?

São todos atributos ambientais certificados, negociados em mercados próprios, mas não são equivalentes.

O crédito de carbono representa uma unidade (1 tCO₂e) associada a uma redução ou remoção de emissões de gases de efeito estufa, conforme as regras e metodologias do programa responsável por sua certificação e emissão (a mais amplamente utilizada no mercado voluntário é a Verra - VCS Program, mas existem outras metodologias e programas que seguem princípios similares). Importante entender que nem toda iniciativa ou projeto que reduz ou remove emissão é um crédito de carbono. Uma redução ou remoção de 1 tCO₂e só se torna um crédito de carbono negociável depois de quantificada, monitorada, validada ou verificada e emitida segundo as regras de um programa com integridade reconhecida. Créditos podem ser utilizados no mercado voluntário ou, quando expressamente reconhecidos pelas regras do sistema de emissões de um país, em mercados regulados.

O CBIO é um Crédito de Descarbonização do RenovaBio. Sua emissão é lastreada na comercialização de biocombustíveis por produtores ou importadores certificados e na eficiência energético-ambiental da produção do biocombustível. Possui negociação na B3 e aposentadoria para cumprimento das metas dos distribuidores. A ANP acompanha a geração de lastro, emissão, negociação e aposentadoria desses ativos.

Os certificados de energia renovável I-REC(E), estão relacionados à comprovação dos atributos da energia gerada e consumida. Cada usina de fonte renovável registra a energia gerada em um sistema autorizado. Cada 1 MWh recebe um certificado eletrônico que pode ser: 1. transferido ou comercializado | 2. comprado por uma empresa | 3. cancelado em nome dessa empresa para comprovar o uso do atributo renovável.

Todos estes instrumentos e atributos ambientais mensuráveis, rastreáveis e comparáveis podem integrar uma estratégia empresarial, mas não devem ser tratados como sinônimos ou comparados entre si. Cada qual tem seu próprio mecanismo, controle e mercado. A utilização inadequada pode gerar erros de contabilização, comunicação e tomada de decisão.

A que estes instrumentos respondem: Qual atributo ambiental pode ser adquirido ou contabilizado, como é quantificado e gerado, para qual finalidade pode ser utilizado dentro da estratégia e sustentabilidade da empresa?

Na mesma linha de atributos ambientais têm sido cada vez mais discutidos os créditos de biodiversidade. Ainda é, como mercado, considerado incipiente, embora as questões de metodologias, MRV, tecnologias e demais estruturas necessárias para se formar um mercado esteja evoluindo.
9. O tema emissões apareceu em vários pontos deste artigo. Mas, qual é a ordem das decisões em uma estratégia de descarbonização?

A existência de instrumentos como créditos de carbono, CBIOs e certificados de energia renovável não substitui a necessidade de reduzir emissões na própria operação e na cadeia de valor. Cada instrumento cumpre uma função diferente e deve ser utilizado de acordo com o objetivo, a metodologia e a obrigação aplicável.

Uma estratégia de descarbonização é algo muito maior do que estes mercados. Precisa distinguir diferentes tipos de ação, como:

mudanças operacionais e tecnológicas
aumento da eficiência energética
substituição de combustíveis e fontes de energia
contratação ou geração de energia renovável
eficiência logística
atuação sobre fornecedores e cadeia de valor
custos, receitas, diferenciais para o negócio de cada uma destas decisões
uso de instrumentos de compensação para finalidades limitadas e bem definidas
salvaguardas socioambientais desta composição entre transição e compensação



Cada ação dessa não produz necessariamente o mesmo resultado e não devem ser apresentadas como equivalentes. É um mosaico e um jogo de equilíbrio.

Em termos gerais, a organização deve primeiro medir suas emissões, depois identificar oportunidades de redução e substituição de fontes, atuar sobre a cadeia de valor e, por fim, avaliar o uso de instrumentos ambientais para finalidades específicas e bem definidas. Antes de optar por adquirir qualquer certificado, a organização precisa definir:

qual inventário ou indicador pretende tratar
qual emissão, impacto ou objetivo climático está sendo abordado
qual padrão, metodologia ou obrigação se aplica
qual alegação será feita publicamente
quais evidências sustentam essa alegação



A organização está reduzindo suas emissões ou apenas adquirindo instrumentos para tratar uma parte delas? Está fazendo compensação? Em qual proporção de esforço x impacto? Como seu setor e concorrência vem lidando com o mesmo tema? Seus clientes e fornecedores estão exigindo ou valorizam baixa emissão?

O básico e primeiro passo no desafio de descarbonização, é ter um bom inventário de emissões. O GHG Protocol Corporate Standard é uma referência amplamente utilizada para elaborar inventários corporativos de emissões de gases de efeito estufa. Ele não é o mercado de carbono, não gera crédito e não certifica energia renovável. Ele é uma metodologia de contabilização de emissões. O padrão ajuda a organização a responder: quanto emitimos, onde emitimos e quais fontes estão sob nossa responsabilidade direta ou indireta.

A empresa primeiro define o limite organizacional do inventário, escolhendo uma abordagem de consolidação: participação societária | controle financeiro | controle operacional. Depois define os limites operacionais, classificando as emissões em Escopos 1 (diretas), 2 (de energia) e 3 (da cadeia).
Caramba, depois de tanta sopa de letrinhas e definições, por onde começar?

Antes de escolher uma sigla ou aderir a uma norma de forma cega, no efeito de manada ou no hype corporativo, a organização precisa entender que, para trabalhar sustentabilidade, deve ser capaz de responder:

Quais obrigações se aplicam a mim?
Quais impactos, riscos e dependências gero e existem?
Quais emissões e recursos precisam ser medidos?
Quais públicos precisam receber quais informações?
Qual instrumento atende a cada finalidade ou ajuda a responder cada questão?



Espero com este artigo facilitar parte de suas respostas a estas perguntas (ou a entender as não respostas - sei que não terá todas), como podem se conectar ao negócio e em qual instrumento confiar para planejar, estruturar, monitorar e agir.

As siglas da sopa de letrinhas se conectam, mas não se substituem. Compreender a distinção que fomos trazendo neste artigo é o ponto de partida para compreender como os riscos ambientais, climáticos, sociais, ocupacionais e regulatórios entram na gestão e na decisão econômica das organizações. Não esquecer que essas análises precisam dialogar com custos, receitas, investimentos, riscos e resultados da empresa - DRE (demonstração de resultados do exercício) da empresa, e seu plano estratégico de negócio.

Nos próximos conteúdos, alguns desses temas serão aprofundados separadamente. Se quiser deixar nos comentários ou mandar DM com sugestões, dificuldades, contrapontos ou mesmo me contar qual assunto ligado a sustentabilidade corporativa ou clima quer debater mais, fica à vontade! 😉

(Esta publicação foi feita em parceria com a Nós Energia, onde atuo como consultora parceira).

Ajax Asset RESUMO

 03/08/2026 – AJAX ASSET


_Resumo: Na Europa, EuroStoxx sobe 1,0%; enquanto, nos EUA, S&P 500 avança 0,6% e Nasdaq ganha 0,3%. Na Ásia, Nikkei encerrou a sessão em baixa de 1,0%; e Shanghai caiu 0,6%. Nas moedas, DXY recua 0,1%, aos 99,8 pontos, e MXN deprecia 0,1%. Já nas commodities, brent recua 5,1%, aos USD 83,4/barril; e as taxas das treasuries fecham até 07 bps ao longo da curva_


CENÁRIO EXTERNO


• Geopolítica: Ontem, Trump disse que os EUA adiarão um novo ataque ao Irã, desde que um acordo seja alcançado rapidamente para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz. Essa desescalada pressionou o petróleo para baixo, que recua mais de 5%, e dá suporte aos ativos de risco.


• Macro: (1) Alemanha – PMI de Manufatura atingiu 52,2 pontos, em linha com estimado; (2) Zona do Euro – PMI de Manufatura ficou em 51,9 pontos (vs consenso de 52,0 pontos); e (3) Reino Unido – PMI de Manufatura atingiu 51,9 pontos (vs consenso de 52,8 pontos).


• Agenda – EUA: (i) 10h45 tem PMI de manufatura de julho; e (ii) 11h tem ISM de manufatura de julho.


BRASIL


• Mercados: Lá fora, Petróleo tem forte queda, após os EUA adiarem um novo ataque ao Irã, dando fôlego aos ativos de risco, com as bolsas em alta e os juros em queda. Por aqui, mercados devem refletir bem humor internacional, com queda nos DIs e dólar, e alta na bolsa (exceção de Petrobras). 


• Política: Neste domingo, Lula formalizou sua candidatura à reeleição, em convenção nacional do PT. Destaques: (i) pretende deixar um legado para além do Bolsa Família; e (ii) indicou que o “Lulinha paz e amor” dará lugar ao “Lulinha porreta”, com relação aos embates envolvendo Congresso e controle das emendas parlamentares – necessário que o Planalto tenha mais controle sobre o orçamento e a destinação de verbas. Por fim, (iii) evitou apresentar promessas mais concretas que ampliem os gastos do governo, assim como evitou falar sobre mudanças na área econômica e medidas de ajuste fiscal a partir de 2027. Faltam 62 dias para o 1º turno das eleições.


• Sobre as eleições: Segundo a pesquisa Nexus, no cenário de 1º turno, Lula tem 41% das intenções de voto (vs 42% na sondagem anterior), enquanto Flávio Bolsonaro tem 37% (vs 33% na pesquisa anterior) e Ronaldo Caiado marca 5%. Já em cenário de 2º turno, Lula passou de 47% para 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 43% para 45%. Ou seja, vantagem de Lula recuou de 4 p.p. para 1 p.p. na última semana.


• Aneel: Na última 6ª feira (31), a Aneel manteve a bandeira tarifária amarela para agosto de 2026, preservando o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A decisão reflete a continuidade das condições menos favoráveis de geração de energia durante o período seco, com redução dos níveis dos reservatórios e maior necessidade de acionamento de usinas termelétricas. A decisão veio em linha com as expectativas. Essa manutenção da bandeira amarela pelo 4º mês consecutivo prolonga o custo adicional já incorporado às tarifas de energia elétrica, sem gerar impacto adicional sobre as projeções para o IPCA.


• Setor Público Consolidado (jun/26): déficit primário de R$55,3 bilhões atingindo R$ 157,2 bilhões em 12 meses (1,2% do PIB). A surpresa negativa ficou concentrada principalmente nos governos regionais (déficit de R$6,6 bilhões), destoando do padrão de junho até mesmo nos últimos anos eleitorais. O déficit das estatais (R$1,5 bilhão) também pesou, mas com magnitude semelhante ao observado em jun/25. Na dívida, a DBGG avançou para 81,9% do PIB, reflexo principalmente pelos juros nominais apropriados e pelas emissões líquidas de dívida, parcialmente compensadas pelo crescimento do PIB nominal. Em suma, a leitura é de deterioração fiscal mais disseminada, com pressão adicional de juros e nova alta da dívida bruta. Essa combinação de primário fraco, juros elevados e DBGG em 81,9% do PIB mantém o fiscal como principal fator de risco para os ativos domésticos.


• Agenda: (i) 8h25 tem Boletim Focus; e (ii) 15h tem balança comercial semanal. 


EQUITIES


• Setor de Papel & Celulose: dados da última semana, segundo a Foex. Destaques: (1) China - preços da celulose de fibra curta caiu USD 2/ton, para USD 567/ton, e os preços de celulose de fibra longa recuaram em USD6/ton, para USD 646/ton. Os movimentos são reflexo da demanda ainda fraca, queda nos contratos futuros e maior volume de celulose de baixo custo para revenda, que continuaram a pressionar as importações. Vale notar: diferença de preços entre as celuloses caiu para USD 74/ton (vs média de 5 anos de USD 143/ton). Mais: os preços de revenda de fibra curta ficaram em USD 545/ton; e os preços de fibra longa recuaram USD 8/ton, para USD 587/ton. Na (2) Europa, os preços da celulose de fibra longa ficaram em USD 1.650/ton; enquanto os preços da fibra curta recuaram para USD 1.410/ton. Conforme temos abordado, se observa demanda à vista mais fraca e estoques mais elevados na Ásia, o que pode trazer novas preocupações no curto prazo.


Ajax Asset Management

Jairo Jose da Silva

 Quando eu cheguei a Berkeley em setembro de 1980, dias antes do início do trimestre de outono, quando começa o ano letivo, para fazer meu d...