*Rosa Riscala: Petróleo, tarifaço e big techs no radar*
Expectativa é de que os Estados Unidos anunciem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros
… A guerra entre Estados Unidos e Irã continua comandando os mercados, agora com foco na segurança das principais rotas de transporte de petróleo. Após a interrupção no Estreito de Ormuz, as ameaças ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab-el-Mandeb impulsionaram o Brent acima de US$ 91 por barril. Enquanto isso, o Brasil convive com um segundo foco de incerteza, diante da expectativa de que os Estados Unidos anunciem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Em meio ao aumento da aversão ao risco, balanços das big techs movimentam Nova York, hoje com Alphabet, Tesla e IBM, após o fechamento. Na B3, WEG abre a temporada do segundo trimestre.
ROTAS DO PETRÓLEO SOB RISCO – A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou no 11º dia sem sinais concretos de descompressão e passou a concentrar as preocupações do mercado sobre a segurança das principais rotas de transporte de petróleo.
… Enquanto o Centcom afirmou que os novos ataques têm como objetivo reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz, o bloqueio anunciado pelos Houthis à Arábia Saudita ampliou também os riscos para o Mar Vermelho e Bab-el-Mandeb.
… O aumento das ameaças à logística do petróleo começou a produzir efeitos concretos.
… Dois petroleiros carregados com petróleo saudita mudaram de rota após alertas dos Houthis, enquanto empresas de navegação passaram a reavaliar operações na região. O Brent voltou a fechar acima de US$ 91 por barril e continuava a subir no eletrônico.
… Já o Goldman Sachs voltou a alertar que, em um cenário de interrupção prolongada do fluxo em Ormuz, os preços poderiam superar US$ 120.
… Apesar de mediadores continuarem tentando reativar negociações entre Washington e Teerã, as declarações de Donald Trump reduziram as expectativas de avanços diplomáticos imediatos.
… O presidente afirmou que os Estados Unidos não têm interesse em conversar “até que o Irã esteja pronto” e voltou a ameaçar instalações nucleares iranianas, enquanto Teerã respondeu que não retornará às negociações sob ataque militar.
… A escalada também começa a ampliar o risco de regionalização do conflito.
… Além da continuidade dos ataques americanos e das respostas iranianas, o bloqueio marítimo anunciado pelos Houthis contra a Arábia Saudita levanta dúvidas sobre um eventual envolvimento de novos atores regionais, diante do acordo de defesa firmado entre Riad e Islamabad.
… Até o momento, porém, o Paquistão continua atuando como mediador diplomático.
TRUMP AMPLIA PRESSÃO COMERCIAL – O presidente Donald Trump anunciou ontem à noite, em sua rede social, que vai impor tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos importados a partir de agosto de 2028.
… Os fabricantes terão dois anos de prazo para transferir a produção para os Estados Unidos.
… A alíquota sobe para 200% em agosto/2029 e deve atingir principalmente a Índia, maior exportadora de genéricos para o mercado americano.
NOVA TARIFA À VISTA –Aqui, o governo brasileiro espera que os Estados Unidos anunciem já a partir de hoje uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
… A medida, ligada à investigação sobre trabalho análogo à escravidão, ainda gera dúvidas sobre sua aplicação, principalmente, se será cumulativa às tarifas de 25% anunciadas na semana passada ou não.
… Enquanto aguarda a decisão de Washington, o governo reforça a estratégia de negociação e evita falar em retaliação.
… Após reuniões com representantes dos setores mais afetados, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo e descartou, por ora, qualquer resposta comercial imediata aos Estados Unidos.
… O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, também afirmou que ainda não há prazo para anunciar medidas de apoio, já que o governo continua ouvindo os setores para dimensionar os impactos da tarifa e definir eventuais ações de crédito e estímulo às exportações.
… Enquanto isso, o setor privado intensifica os esforços para tentar conter o avanço do tarifaço.
… Levantamento do Estadão mostrou que empresas e entidades brasileiras reforçaram a contratação de escritórios de lobby em Washington, na tentativa de preservar exceções e influenciar as negociações com o governo americano.
VALE APRESENTA NÚMEROS SÓLIDOS – Divulgado ontem à noite, após o fechamento do mercado, o relatório de produção e vendas da Vale mostrou um desempenho operacional sólido no segundo trimestre.
… A produção de minério de ferro somou 84,255 milhões de toneladas, alta de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado, no melhor resultado para um segundo trimestre desde 2018.
… As vendas cresceram 3,1%, para 79,747 milhões de toneladas, impulsionadas pelo aumento da produção e pela comercialização de estoques formados em períodos anteriores.
… O destaque ficou com o cobre, cuja produção avançou 6,3% na comparação anual, enquanto as vendas aumentaram 9,7%.
… O preço realizado do metal subiu 56,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, refletindo a valorização das cotações internacionais e efeitos favoráveis de liquidações de contratos.
… No after hours de Nova York, os ADRs da Vale oscilaram, mas encerraram com leve alta, sugerindo uma recepção positiva, embora sem entusiasmo, aos números divulgados pela mineradora.
… Hoje, os investidores acompanham a AGE da Vale que escolherá o novo presidente do Conselho de Administração da companhia.
IA NO AFTER – Super Micro Computer disparou 20,5% no pós mercado após elevar a projeção de margem para o trimestre encerrado em junho.
… A fabricante de servidores atribuiu a revisão ao aumento dos pedidos e a um mix mais favorável de clientes e produtos, sinalizando demanda ainda robusta por infraestrutura ligada à inteligência artificial às vésperas da divulgação dos balanços das grandes empresas de tecnologia.
… O movimento antecede a divulgação dos balanços de Alphabet, Tesla e IBM, que saem hoje após o fechamento dos mercados em Nova York.
MAIS BALANÇOS – Além das big techs, AT&T e Santander na Espanha divulgarão seus resultados antes da abertura dos negócios.
… No Brasil, a WEG divulga seu balanço antes da abertura do mercado, inaugurando a temporada do segundo trimestre na B3.
SEM INDICADORES – A agenda da quarta-feira é esvaziada, com destaque apenas para o relatório semanal do DoE (11h30), que traz os estoques de petróleo nos Estados Unidos – importante diante da disparada dos preços com a escalada da guerra no Oriente Médio.
… Aqui, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal (14h30) e realiza leilões de swap cambial e de compromissadas.
CURTAS DA POLÍTICA – Pesquisa Indexa, divulgada nesta terça-feira, mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente aparece com 46%, ante 39% do senador.
… Na mesma pesquisa, 30% dos entrevistados apontaram Flávio como principal responsável pela crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, ante 28% que responsabilizam o presidente Lula.
JPMORGAN. Elevou a chance de reeleição de Lula, mas avaliou que a disputa segue aberta e deve permanecer indefinida até perto da votação.
… Para o banco, a polarização continua elevada, a terceira via tem poucas chances e a incerteza eleitoral tende a manter pressão sobre os ativos.
CAMPANHA. O TSE definiu os limites de gastos para as eleições de 2026. Os candidatos à Presidência poderão gastar até R$ 88,9 milhões no primeiro turno e mais R$ 44,5 milhões em eventual segundo turno, totalizando R$ 133,4 milhões.
NÃO É UM CONTRASSENSO – Quanto mais o petróleo sobe, mais o dólar cai por aqui, e ontem voltou à faixa de R$ 5,07 e fechou na cotação mais barata em mais de um mês, mesmo com o barril da commodity cotado a US$ 91.
… O que deveria parecer uma incoerência, na medida em que a tensão geopolítica pode pressionar o câmbio, tem toda a lógica, primeiro porque o salto do Brent favorece as moedas de países exportadores, como é o caso do real.
… Além disso, mesmo com o Fed engajado no tom hawkish, o carry trade segue favorável, diante da convicção de que o Copom pode pausar ou encurtar o ciclo de cortes da Selic para conter a inflação contratada pelo petróleo.
… O dólar vai se mantendo, assim, descolado da tendência de alta em escala global e do avanço das taxas dos Treasuries. Consolidando-se abaixo de R$ 5,10, a moeda americana fechou ontem em queda de 0,32%, a R$ 5,0731.
… Só o que não se sabe é como o câmbio doméstico vai se comportar se o cenário evoluir para um quadro mais assustador, de petróleo a três dígitos, em meio ao alerta do Goldman Sachs de que o barril pode cravar US$ 120.
… Atualmente, a projeção do banco é bem mais moderada, ao redor de US$ 75 a US$ 80, mas a instituição financeira adverte que o pior prognóstico não deve ser desconsiderado se o fluxo no Estreito de Ormuz continuar interrompido.
… Sem que Trump e o Irã se dobrem aos esforços de diplomacia, o Brent para setembro avançou 2,01%, a US$ 91,01.
… O impulso renovado do petróleo, que tem justificado o discurso mais agressivo dos Fed boys nas últimas semanas, fortalece o dólar e voltou a puxar ontem o índice DXY do dólar em Nova York, que subiu 0,22%, para 101,173 pontos.
… O euro fechou praticamente estável (-0,08%), a US$ 1,1404, a libra perdeu 0,35%, a US$ 1,3383, em meio aos ruídos fiscais na transição do governo britânico, e o iene recuou para 163,21 por dólar, para as mínimas em 40 anos.
… Segundo a ferramenta de apostas do CME Group, as chances de o Fed subir o juro em setembro oscilam perto de 70%, diante da possibilidade de que o choque energético se prolongue ou intensifique e bata na inflação americana.
… Antecipando este cenário, a taxa da Note-2 anos, mais sensível às decisões de política monetária, subiu a 4,263% (de 4,207% na véspera). Mas aqui os juros futuros operaram bem mais acomodados, à espera de Galípolo na sexta.
… O consenso no mercado é de corte da Selic em agosto. Mas se o presidente do BC quiser corrigir esta aposta por causa da guerra e sinalizar uma pausa, terá uma boa oportunidade de operar as expectativas durante evento da XP.
… Em clima de esperar para ver, a curva do DI subiu pouco ontem, apesar do petróleo acima de US$ 90.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,935% (de 13,923% no ajuste anterior); Jan/28, 14,135% (contra 14,126% na véspera); Jan/29, 14,410% (14,388%); Jan/31, 14,595% (14,565%); e Jan/33, 14,650% (14,624%).
NA TORCIDA PELO CORTE – Uma eventual mudança de expectativa para Selic estável, ao invés de queda, teria tudo para comprometer o fluxo e ser mal recebida pela bolsa doméstica. Mas, por enquanto, o Ibovespa vai se segurando.
… Ao mesmo tempo em que alimenta a cautela global, o petróleo ajuda os papéis da Petrobras, que partiram ontem para uma nova rodada positiva: ON registrou valorização de 1,43%, a R$ 46,78, e PN ganhou 1,24%, a R$ 41,66.
… A onda de ganhos da Petrobras, porém, mesmo combinada ontem com otimismo da Vale e dos bancos, não impediu um fechamento apático do Ibovespa (-0,03%, aos 173.325,65 pontos), com giro de só R$ 18,1 bilhões.
… A liquidação das varejistas e do setor de saúde roubou o fôlego do índice à vista. Azzas (-3,80%), C&A (-2,72%), Vivara (-2,50%), Hypera (-5,51%), Rede D’Or (-4,32%), RD Saúde (-3%) e Hapvida (-2,68%) atraíram vendas.
… Já entre as blue chips financeiras, BB ON chamou atenção com um rali de 3,52% (máxima de R$ 20,88), diante da perspectiva de melhora de indicadores após a MP que autorizou linhas de crédito para produtores rurais.
… Segundo o Valor, executivos da instituição financeira têm feito uma ofensiva junto ao mercado financeiro na tentativa de convencer investidores de que o pior momento da deterioração da carteira de crédito ficou para trás.
… Bradesco PN avançou 0,76% (R$ 18,55), Santander unit subiu 0,74% (R$ 27,21) e Itaú PN ganhou 0,65% (R$ 42,53).
… Vale contrariou a queda firme de 1,12% do minério de ferro e subiu 0,43%, para R$ 72,24, apesar da expectativa com a AGE de hoje e com o relatório de produção e vendas do segundo trimestre, divulgado ontem à noite.
… O apetite do investidor estrangeiro pela B3 volta a ser notado. Na última sexta-feira, houve uma entrada expressiva de capital externo, de R$ 2,4 bilhões, completando quatro pregões seguidos de ingresso de k.
… Neste mês de julho, já entraram R$ 4,7 bilhões, elevando o saldo positivo do ano para R$ 38,6 bilhões.
… Em Nova York, as bolsas ignoraram ontem a guerra e pegaram embalo na recuperação do setor de tecnologia.
… Wall Street está assim: uma semana incorpora o ceticismo com a sustentabilidade dos investimentos em tecnologia artificial e sai liquidando os papéis das techs, mas poucos dias depois já volta a embarcar na euforia da IA.
… Na volatilidade que faz parte do jogo, os índices de ações voltaram a se aproximar das máximas históricas: Nasdaq subiu 1,29%, a 25.837,21 pontos; S&P 500, +0,89%, a 7.509,20 pontos; e Dow Jones, +0,74%, a 52.224,64 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – BRASKEM confirmou negociações com credores sobre uma possível reestruturação de sua dívida. As propostas recebidas são indicativas, não vinculantes e permanecem em análise.
NEOENERGIA teve lucro líquido de R$ 900 milhões no segundo trimestre, queda de 45% ante um ano antes, enquanto o Ebitda cresceu 11%, para R$ 3,55 bilhões.
*Rosa Riscala: Petróleo, tarifaço e big techs no radar*
Expectativa é de que os Estados Unidos anunciem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros
… A guerra entre Estados Unidos e Irã continua comandando os mercados, agora com foco na segurança das principais rotas de transporte de petróleo. Após a interrupção no Estreito de Ormuz, as ameaças ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab-el-Mandeb impulsionaram o Brent acima de US$ 91 por barril. Enquanto isso, o Brasil convive com um segundo foco de incerteza, diante da expectativa de que os Estados Unidos anunciem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Em meio ao aumento da aversão ao risco, balanços das big techs movimentam Nova York, hoje com Alphabet, Tesla e IBM, após o fechamento. Na B3, WEG abre a temporada do segundo trimestre.
ROTAS DO PETRÓLEO SOB RISCO – A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou no 11º dia sem sinais concretos de descompressão e passou a concentrar as preocupações do mercado sobre a segurança das principais rotas de transporte de petróleo.
… Enquanto o Centcom afirmou que os novos ataques têm como objetivo reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz, o bloqueio anunciado pelos Houthis à Arábia Saudita ampliou também os riscos para o Mar Vermelho e Bab-el-Mandeb.
… O aumento das ameaças à logística do petróleo começou a produzir efeitos concretos.
… Dois petroleiros carregados com petróleo saudita mudaram de rota após alertas dos Houthis, enquanto empresas de navegação passaram a reavaliar operações na região. O Brent voltou a fechar acima de US$ 91 por barril e continuava a subir no eletrônico.
… Já o Goldman Sachs voltou a alertar que, em um cenário de interrupção prolongada do fluxo em Ormuz, os preços poderiam superar US$ 120.
… Apesar de mediadores continuarem tentando reativar negociações entre Washington e Teerã, as declarações de Donald Trump reduziram as expectativas de avanços diplomáticos imediatos.
… O presidente afirmou que os Estados Unidos não têm interesse em conversar “até que o Irã esteja pronto” e voltou a ameaçar instalações nucleares iranianas, enquanto Teerã respondeu que não retornará às negociações sob ataque militar.
… A escalada também começa a ampliar o risco de regionalização do conflito.
… Além da continuidade dos ataques americanos e das respostas iranianas, o bloqueio marítimo anunciado pelos Houthis contra a Arábia Saudita levanta dúvidas sobre um eventual envolvimento de novos atores regionais, diante do acordo de defesa firmado entre Riad e Islamabad.
… Até o momento, porém, o Paquistão continua atuando como mediador diplomático.
TRUMP AMPLIA PRESSÃO COMERCIAL – O presidente Donald Trump anunciou ontem à noite, em sua rede social, que vai impor tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos importados a partir de agosto de 2028.
… Os fabricantes terão dois anos de prazo para transferir a produção para os Estados Unidos.
… A alíquota sobe para 200% em agosto/2029 e deve atingir principalmente a Índia, maior exportadora de genéricos para o mercado americano.
NOVA TARIFA À VISTA –Aqui, o governo brasileiro espera que os Estados Unidos anunciem já a partir de hoje uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
… A medida, ligada à investigação sobre trabalho análogo à escravidão, ainda gera dúvidas sobre sua aplicação, principalmente, se será cumulativa às tarifas de 25% anunciadas na semana passada ou não.
… Enquanto aguarda a decisão de Washington, o governo reforça a estratégia de negociação e evita falar em retaliação.
… Após reuniões com representantes dos setores mais afetados, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo e descartou, por ora, qualquer resposta comercial imediata aos Estados Unidos.
… O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, também afirmou que ainda não há prazo para anunciar medidas de apoio, já que o governo continua ouvindo os setores para dimensionar os impactos da tarifa e definir eventuais ações de crédito e estímulo às exportações.
… Enquanto isso, o setor privado intensifica os esforços para tentar conter o avanço do tarifaço.
… Levantamento do Estadão mostrou que empresas e entidades brasileiras reforçaram a contratação de escritórios de lobby em Washington, na tentativa de preservar exceções e influenciar as negociações com o governo americano.
VALE APRESENTA NÚMEROS SÓLIDOS – Divulgado ontem à noite, após o fechamento do mercado, o relatório de produção e vendas da Vale mostrou um desempenho operacional sólido no segundo trimestre.
… A produção de minério de ferro somou 84,255 milhões de toneladas, alta de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado, no melhor resultado para um segundo trimestre desde 2018.
… As vendas cresceram 3,1%, para 79,747 milhões de toneladas, impulsionadas pelo aumento da produção e pela comercialização de estoques formados em períodos anteriores.
… O destaque ficou com o cobre, cuja produção avançou 6,3% na comparação anual, enquanto as vendas aumentaram 9,7%.
… O preço realizado do metal subiu 56,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, refletindo a valorização das cotações internacionais e efeitos favoráveis de liquidações de contratos.
… No after hours de Nova York, os ADRs da Vale oscilaram, mas encerraram com leve alta, sugerindo uma recepção positiva, embora sem entusiasmo, aos números divulgados pela mineradora.
… Hoje, os investidores acompanham a AGE da Vale que escolherá o novo presidente do Conselho de Administração da companhia.
IA NO AFTER – Super Micro Computer disparou 20,5% no pós mercado após elevar a projeção de margem para o trimestre encerrado em junho.
… A fabricante de servidores atribuiu a revisão ao aumento dos pedidos e a um mix mais favorável de clientes e produtos, sinalizando demanda ainda robusta por infraestrutura ligada à inteligência artificial às vésperas da divulgação dos balanços das grandes empresas de tecnologia.
… O movimento antecede a divulgação dos balanços de Alphabet, Tesla e IBM, que saem hoje após o fechamento dos mercados em Nova York.
MAIS BALANÇOS – Além das big techs, AT&T e Santander na Espanha divulgarão seus resultados antes da abertura dos negócios.
… No Brasil, a WEG divulga seu balanço antes da abertura do mercado, inaugurando a temporada do segundo trimestre na B3.
SEM INDICADORES – A agenda da quarta-feira é esvaziada, com destaque apenas para o relatório semanal do DoE (11h30), que traz os estoques de petróleo nos Estados Unidos – importante diante da disparada dos preços com a escalada da guerra no Oriente Médio.
… Aqui, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal (14h30) e realiza leilões de swap cambial e de compromissadas.
CURTAS DA POLÍTICA – Pesquisa Indexa, divulgada nesta terça-feira, mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente aparece com 46%, ante 39% do senador.
… Na mesma pesquisa, 30% dos entrevistados apontaram Flávio como principal responsável pela crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, ante 28% que responsabilizam o presidente Lula.
JPMORGAN. Elevou a chance de reeleição de Lula, mas avaliou que a disputa segue aberta e deve permanecer indefinida até perto da votação.
… Para o banco, a polarização continua elevada, a terceira via tem poucas chances e a incerteza eleitoral tende a manter pressão sobre os ativos.
CAMPANHA. O TSE definiu os limites de gastos para as eleições de 2026. Os candidatos à Presidência poderão gastar até R$ 88,9 milhões no primeiro turno e mais R$ 44,5 milhões em eventual segundo turno, totalizando R$ 133,4 milhões.
NÃO É UM CONTRASSENSO – Quanto mais o petróleo sobe, mais o dólar cai por aqui, e ontem voltou à faixa de R$ 5,07 e fechou na cotação mais barata em mais de um mês, mesmo com o barril da commodity cotado a US$ 91.
… O que deveria parecer uma incoerência, na medida em que a tensão geopolítica pode pressionar o câmbio, tem toda a lógica, primeiro porque o salto do Brent favorece as moedas de países exportadores, como é o caso do real.
… Além disso, mesmo com o Fed engajado no tom hawkish, o carry trade segue favorável, diante da convicção de que o Copom pode pausar ou encurtar o ciclo de cortes da Selic para conter a inflação contratada pelo petróleo.
… O dólar vai se mantendo, assim, descolado da tendência de alta em escala global e do avanço das taxas dos Treasuries. Consolidando-se abaixo de R$ 5,10, a moeda americana fechou ontem em queda de 0,32%, a R$ 5,0731.
… Só o que não se sabe é como o câmbio doméstico vai se comportar se o cenário evoluir para um quadro mais assustador, de petróleo a três dígitos, em meio ao alerta do Goldman Sachs de que o barril pode cravar US$ 120.
… Atualmente, a projeção do banco é bem mais moderada, ao redor de US$ 75 a US$ 80, mas a instituição financeira adverte que o pior prognóstico não deve ser desconsiderado se o fluxo no Estreito de Ormuz continuar interrompido.
… Sem que Trump e o Irã se dobrem aos esforços de diplomacia, o Brent para setembro avançou 2,01%, a US$ 91,01.
… O impulso renovado do petróleo, que tem justificado o discurso mais agressivo dos Fed boys nas últimas semanas, fortalece o dólar e voltou a puxar ontem o índice DXY do dólar em Nova York, que subiu 0,22%, para 101,173 pontos.
… O euro fechou praticamente estável (-0,08%), a US$ 1,1404, a libra perdeu 0,35%, a US$ 1,3383, em meio aos ruídos fiscais na transição do governo britânico, e o iene recuou para 163,21 por dólar, para as mínimas em 40 anos.
… Segundo a ferramenta de apostas do CME Group, as chances de o Fed subir o juro em setembro oscilam perto de 70%, diante da possibilidade de que o choque energético se prolongue ou intensifique e bata na inflação americana.
… Antecipando este cenário, a taxa da Note-2 anos, mais sensível às decisões de política monetária, subiu a 4,263% (de 4,207% na véspera). Mas aqui os juros futuros operaram bem mais acomodados, à espera de Galípolo na sexta.
… O consenso no mercado é de corte da Selic em agosto. Mas se o presidente do BC quiser corrigir esta aposta por causa da guerra e sinalizar uma pausa, terá uma boa oportunidade de operar as expectativas durante evento da XP.
… Em clima de esperar para ver, a curva do DI subiu pouco ontem, apesar do petróleo acima de US$ 90.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,935% (de 13,923% no ajuste anterior); Jan/28, 14,135% (contra 14,126% na véspera); Jan/29, 14,410% (14,388%); Jan/31, 14,595% (14,565%); e Jan/33, 14,650% (14,624%).
NA TORCIDA PELO CORTE – Uma eventual mudança de expectativa para Selic estável, ao invés de queda, teria tudo para comprometer o fluxo e ser mal recebida pela bolsa doméstica. Mas, por enquanto, o Ibovespa vai se segurando.
… Ao mesmo tempo em que alimenta a cautela global, o petróleo ajuda os papéis da Petrobras, que partiram ontem para uma nova rodada positiva: ON registrou valorização de 1,43%, a R$ 46,78, e PN ganhou 1,24%, a R$ 41,66.
… A onda de ganhos da Petrobras, porém, mesmo combinada ontem com otimismo da Vale e dos bancos, não impediu um fechamento apático do Ibovespa (-0,03%, aos 173.325,65 pontos), com giro de só R$ 18,1 bilhões.
… A liquidação das varejistas e do setor de saúde roubou o fôlego do índice à vista. Azzas (-3,80%), C&A (-2,72%), Vivara (-2,50%), Hypera (-5,51%), Rede D’Or (-4,32%), RD Saúde (-3%) e Hapvida (-2,68%) atraíram vendas.
… Já entre as blue chips financeiras, BB ON chamou atenção com um rali de 3,52% (máxima de R$ 20,88), diante da perspectiva de melhora de indicadores após a MP que autorizou linhas de crédito para produtores rurais.
… Segundo o Valor, executivos da instituição financeira têm feito uma ofensiva junto ao mercado financeiro na tentativa de convencer investidores de que o pior momento da deterioração da carteira de crédito ficou para trás.
… Bradesco PN avançou 0,76% (R$ 18,55), Santander unit subiu 0,74% (R$ 27,21) e Itaú PN ganhou 0,65% (R$ 42,53).
… Vale contrariou a queda firme de 1,12% do minério de ferro e subiu 0,43%, para R$ 72,24, apesar da expectativa com a AGE de hoje e com o relatório de produção e vendas do segundo trimestre, divulgado ontem à noite.
… O apetite do investidor estrangeiro pela B3 volta a ser notado. Na última sexta-feira, houve uma entrada expressiva de capital externo, de R$ 2,4 bilhões, completando quatro pregões seguidos de ingresso de k.
… Neste mês de julho, já entraram R$ 4,7 bilhões, elevando o saldo positivo do ano para R$ 38,6 bilhões.
… Em Nova York, as bolsas ignoraram ontem a guerra e pegaram embalo na recuperação do setor de tecnologia.
… Wall Street está assim: uma semana incorpora o ceticismo com a sustentabilidade dos investimentos em tecnologia artificial e sai liquidando os papéis das techs, mas poucos dias depois já volta a embarcar na euforia da IA.
… Na volatilidade que faz parte do jogo, os índices de ações voltaram a se aproximar das máximas históricas: Nasdaq subiu 1,29%, a 25.837,21 pontos; S&P 500, +0,89%, a 7.509,20 pontos; e Dow Jones, +0,74%, a 52.224,64 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – BRASKEM confirmou negociações com credores sobre uma possível reestruturação de sua dívida. As propostas recebidas são indicativas, não vinculantes e permanecem em análise.
NEOENERGIA teve lucro líquido de R$ 900 milhões no segundo trimestre, queda de 45% ante um ano antes, enquanto o Ebitda cresceu 11%, para R$ 3,55 bilhões.
MINERVA homologou aumento de capital de R$ 2 mil, em decorrência do exercício de bônus de subscrição por parte de alguns investidores, elevando o capital para R$ 3,134 bilhões.
UNIFIQUE aprovou R$ 30 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,077032959 por ação. O pagamento será em 5/8 e os papéis ficam ex-JCP em 27/07.
CLARO BRASIL teve Ebitda de R$ 6,05 bilhões no segundo trimestre, alta de 4,6% ante um ano antes, enquanto a receita cresceu 5,1%, para R$ 13,48 bilhões.
MERCADO LIVRE captou R$ 1,5 bilhão em letras financeiras, em operação que atraiu demanda de R$ 3,3 bilhões.
MINERVA homologou aumento de capital de R$ 2 mil, em decorrência do exercício de bônus de subscrição por parte de alguns investidores, elevando o capital para R$ 3,134 bilhões.
UNIFIQUE aprovou R$ 30 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,077032959 por ação. O pagamento será em 5/8 e os papéis ficam ex-JCP em 27/07.
CLARO BRASIL teve Ebitda de R$ 6,05 bilhões no segundo trimestre, alta de 4,6% ante um ano antes, enquanto a receita cresceu 5,1%, para R$ 13,48 bilhões.
MERCADO LIVRE captou R$ 1,5 bilhão em letras financeiras, em operação que atraiu demanda de R$ 3,3 bilhões.
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