terça-feira, 11 de agosto de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo dispara antes dos dados de inflação*


Mercado recebe hoje a ata do Copom e o IPCA de julho. Os dois serão importantes para testar as apostas em novo corte da Selic

… A disparada de 5% do petróleo volta a pôr a inflação na mesa, justamente às vésperas do CPI dos Estados Unidos, que pode recalibrar as expectativas para os juros do Fed depois que o payroll fraco esvaziou as apostas de uma alta em setembro. O novo impasse entre Washington e Teerã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz devolveu o Brent para perto dos US$ 90 e reforçou os riscos inflacionários também por aqui, onde o mercado recebe hoje a ata do Copom e o IPCA de julho. Os dois serão importantes para testar as apostas em novo corte da Selic. Na temporada de balanços, investidores repercutem os números da JBS, enquanto B3 e Super Micro divulgam seus resultados após o fechamento.


PETRÓLEO DISPARA – O petróleo fechou em alta de 5% nesta segunda-feira, com o impasse entre Estados Unidos e Irã afastando a perspectiva de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz. O WTI/setembro avançou 5,05%, a US$ 82,13, e o Brent/outubro subiu 4,99%, a US$ 87,72.


… O clima piorou ainda mais no início da noite, quando o Irã criticou a estratégia americana de ampliar as sanções e alertou que a pressão econômica reduz as chances de uma saída diplomática para o conflito.


… Mais cedo, Trump afirmou que cobrará reparações do Irã pelas mortes e danos atribuídos a Teerã no Oriente Médio, em resposta à exigência iraniana de indenização pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel.


… Teerã reiterou que não reabrirá Ormuz enquanto Washington não atender às suas condições, que incluem o fim do bloqueio aos portos iranianos, indenizações pelos danos da guerra, retirada das sanções e liberação de ativos congelados.


… Enquanto as negociações emperram, o tráfego pelo estreito continua diminuindo. Segundo a Kpler, as travessias confirmadas caíram de 15 na sexta-feira para 11 no sábado e apenas seis no domingo.


… O Parlamento iraniano aprovou ainda a proibição da passagem de navios dos Estados Unidos, Israel e de outros países considerados hostis, enquanto a autoridade criada por Teerã para administrar Ormuz divulgou um novo procedimento para solicitar autorização de travessia.


… A tensão também aumentou fora de Ormuz. A Saudi Aramco adiou para 30 de agosto a retomada da refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil barris por dia, após novo ataque dos houthis no fim de semana.


… Em contraponto aos riscos geopolíticos, a produção da Opep aumentou 1,17 milhão de barris por dia em julho, para 19,85 milhões, segundo pesquisa da Reuters, prolongando a recuperação iniciada após a mínima registrada em maio.


ATA + IPCA – Depois de os juros subirem, pressionados pela disparada do petróleo e pela abertura dos Treasuries, o mercado recebe hoje duas referências importantes para calibrar as apostas sobre os próximos passos da Selic: a ata do Copom, às 8h, e o IPCA de julho, às 9h.


… Na ata, investidores buscarão mais detalhes sobre o diagnóstico do BC para a inflação e o mercado de trabalho, além de eventuais pistas sobre a reunião de setembro, depois que o comunicado da semana passada deixou em aberto a continuidade do ciclo de cortes.


… Uma das atenções estará na mudança de linguagem sobre o emprego. No comunicado, o Copom passou a classificar o mercado de trabalho como “aquecido”, depois de afirmar anteriormente que ainda havia “sinais de resiliência”.


… O mercado também espera esclarecimentos sobre a transmissão da política monetária para a atividade e o grau de preocupação do BC com a desancoragem das expectativas de inflação mais longas, além de mais detalhes sobre o balanço de riscos, assimétrico para cima.


… Já o IPCA deve desacelerar de 0,16% em junho para 0,03% em julho, segundo a mediana do Projeções Broadcast, com estimativas entre queda de 0,06% e alta de 0,22%. Em 12 meses, a inflação deve recuar de 4,64% para 4,40%, voltando para baixo do teto da meta.


… A desaceleração na margem deve ser favorecida principalmente pela deflação dos alimentos e pela acomodação dos combustíveis, além da queda dos preços de vestuário.


… Mais importante para a política monetária será o comportamento das medidas subjacentes.


… A média dos núcleos deve passar de 0,21% para 0,20%, enquanto os preços livres devem sair de alta de 0,11% para queda de 0,10% e a alimentação no domicílio aprofundar a deflação de 0,39% para 1,28%.


… Os serviços, porém, continuam no radar do BC.


… A mediana aponta aceleração de 0,34% para 0,40% no mês e dos serviços subjacentes de 0,22% para 0,29%, números que ajudarão a determinar a qualidade da leitura de inflação e a percepção do mercado sobre o espaço para novos cortes da Selic.


… Embora o Copom não tenha sinalizado pistas para as próximas decisões, o mercado reforçou apostas em nova queda de Selic, para 13,75%, na reunião de setembro – sabendo que deve acompanhar os indicadores para confirmar ou rever essa expectativa.


FOCUS – Divulgado nesta segunda-feira, o boletim do Banco Central apontou nova melhora marginal na projeção para o IPCA de 2026, que caiu pela sexta semana seguida, de 5,03% para 5,02%, ainda acima do teto da meta, de 4,50%.


… Para os próximos 12 meses, porém, a estimativa suavizada de inflação subiu de 4,19% para 4,24%. Já as projeções para 2027, 2028 e 2029 permaneceram em 4,22%, 3,80% e 3,50%, respectivamente.


… Para a taxa Selic, a mediana seguiu em 13,75% no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027.


MAIS AGENDA – Junto com a ata do Copom, a FGV divulga às 8h a primeira prévia do IGP-M de agosto. Em julho, o índice registrou deflação de 1,16% após queda de 0,50% em junho, acumulando alta de 2,76% em 12 meses.


… Às 11h30, o BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 2,5 bilhões, dando início à rolagem dos vencimentos de setembro. E às 11h45, o Tesouro realiza leilão de NTN-B com vencimentos em 2029, 2033 e 2055 e de LFT para 2032.


… Nos Estados Unidos, saem às 11h as vendas de moradias usadas de julho, com previsão de queda de 1% na margem, após -2,4% em junho.


… Os mercados do Japão permaneceram fechados hoje por feriado.


SUPER MICRO – As ações da Super Micro Computer, que divulga balanço hoje após o fechamento, subiram 1,06% ontem em Nova York, destoando do desempenho negativo de boa parte das fabricantes de chips. Nvidia e AMD perderam 2,86%.


MAIS BALANÇOS – A temporada de resultados do segundo trimestre segue movimentada nesta terça-feira. B3, Direcional, PagBank, Aeris Energy, Cury e Taesa divulgam seus números, todos depois do fechamento do mercado.


… No after hours em Nova York, os ADRs da JBS caíram 1,72%, após o balanço reportar prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2TRI26, revertendo lucro de US$ 528 milhões no mesmo trimestre de 2025. O lucro ajustado por ação ficou em US$ 0,20 no 2TRI26, queda de 61,5%.


… Já a receita líquida cresceu 13,8% na comparação anual, para US$ 23,900 bilhões, e o Ebitda ajustado (IFRS) caiu 18,5%, para US$ 1,429 bilhão.


… As operações da JBS apresentaram desempenhos distintos no segundo trimestre de 2026, com a oferta restrita de gado nos Estados Unidos pressionando a rentabilidade, enquanto a operação brasileira registrou Ebitda recorde para um segundo trimestre.


… Na JBS Beef North America, o Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 100 milhões, melhorando em relação à perda de US$ 264 milhões um ano antes. Já a JBS Brasil registrou Ebitda ajustado de US$ 273 milhões, avanço de 22,1% e maior resultado para um segundo trimestre.


… Na avaliação do CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, a retomada gradual das importações de gado vivo do México pelos Estados Unidos, a partir de 24 de agosto, deve melhorar de forma substancial a oferta de animais no mercado americano a partir de 2027.


… “Com a normalização do fluxo, a expectativa é recuperar quase integralmente o volume de gado mexicano exportado aos Estados Unidos.”


NOVO CEO – Nesta segunda, a JBS anunciou Wesley Batista Filho como CEO Global da companhia a partir de janeiro de 2027. A nomeação faz parte de uma transição de liderança planejada e reflete o compromisso com um processo de sucessão cuidadosamente elaborado.


… Wesley Filho iniciou sua carreira na JBS há 15 anos e ocupou posições de liderança em diferentes operações globais, como CEO da JBS Brasil, Presidente da Seara e, desde 2023, CEO da JBS USA.


… Gilberto Tomazoni conduzirá o processo de transição ao longo dos próximos cinco meses, antes de assumir as funções de vice-presidente do Conselho de Administração e Senior Advisor.


… Também continuará como presidente do Conselho de Administração da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC) e assumirá a Presidência do Conselho do Instituto J&F, instituição dedicada à formação da próxima geração de líderes empresariais.


… No Cias Abertas, confira os outros balanços de ontem à noite: Itaúsa, Natura, São Martinho, Terra Santa Agro, Caixa Seguridade e Movida.


CURTAS DA POLÍTICA – A agenda eleitoral terá novas pesquisas nesta terça-feira. A CNT/MDA divulga às 11h levantamento sobre intenção de voto, avaliação dos governos federal e estaduais e expectativas da população para emprego, renda e outros temas.


… Também sai hoje a pesquisa nacional 100% Cidades/Futura, que ouviu 2 mil eleitores entre os dias 3 e 6 de agosto. A semana terá ainda PoderData, na quinta-feira, e Quaest, na sexta, além de levantamentos estaduais.


COMBUSTÍVEIS. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo poderá buscar “outros caminhos” caso seja necessário manter os subsídios à gasolina e ao diesel para reduzir os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã.


… Silveira disse ainda que uma eventual mudança no imposto de exportação sobre o petróleo dependerá da cotação do Brent e afirmou que não considera justo que as empresas do setor lucrem com a guerra.


ENERGIA. Silveira informou também que o governo deve assinar nos próximos dias o decreto que regulamentará a abertura do mercado livre de energia elétrica para consumidores de baixa tensão.


… Pelo cronograma, consumidores industriais e comerciais poderão escolher seus fornecedores até novembro de 2027 e os residenciais, até novembro de 2028.


TARIFAÇO. A China pediu formalmente para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de até 37,5% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.


… Pequim argumenta que as medidas americanas afetam também as condições de concorrência dos produtos chineses. Os EUA já aceitaram realizar as consultas, primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC, mas ainda não há data para as reuniões.


NÃO DÃO O BRAÇO A TORCER – Enquanto Trump e o Irã continuam se fazendo de difíceis para um acordo, o petróleo escala, volta a flertar com os US$ 90, recoloca a inflação ao topo das tensões e põe o mundo na defensiva.


… O timing do novo rali do Brent é inoportuno e contamina o ambiente de negócios, nesse momento em que o mercado está em contagem regressiva para o CPI americano (amanhã) e a ata do Copom e o IPCA por aqui (hoje).


… No contexto de cautela, a arrancada do petróleo sustentou ontem as ações da Petrobras, mas não conseguiu quebrar a sequência de quedas do Ibovespa, tampouco ajudou o real e, nos juros futuros, trouxe pressão à curva.


… Só a ponta curta terminou estável, porque os traders querem ler a ata do Copom antes de descartar novo corte da Selic em setembro. Assim, o contrato de DI para Jan/27 marcou 13,740%, próximo ao ajuste anterior (13,743%).


… Já o vencimento para Jan/28 subiu ontem para 13,835% (contra 13,782% no pregão da última sexta-feira); Jan/29 avançou para 14,100% (de 14,029%); Jan/31 foi a 14,375% (de 14,280%); e o Jan/33, a 14,495% (de 14,402%).


… Os contratos aqui reproduziram o mesmo desconforto com o impacto do petróleo vista nas taxas dos Treasuries, com o yield da Note-2 anos subindo a 4,241% (de 4,193% na sessão anterior) e o de 10 anos, a 4,703% (de 4,640%).


… Dissidente no último Fed, Beth Hammack reforçou ontem a sua defesa hawkish. Disse que não sabe até que ponto o juro teria que subir, mas que uma única alta de 25 pontos-base pode não fazer o suficiente pela economia.


… Ela não vê, neste momento, a inflação recuando por conta própria e acredita que a taxa atual dos juros não está restringindo os preços de forma significativa. Apesar do payroll fraco, afirmou não ver problemas no emprego.


… Estrategista do Macquarie Group, Thierry Wizman disse para a Dow Jones que as principais medidas de inflação acompanhadas pelos analistas do Fed apresentam variações superiores a 3% em junho, na comparação anual.


… Em sua visão, nem mesmo um CPI fraco amanhã pode dissipar as preocupações da parcela de dirigentes do Fed que atualmente está favorável a uma política monetária mais restritiva e que defende um aperto em setembro.


… Pressionado pelo petróleo, o índice DXY do dólar avançou 0,27%, a 99,811 pontos. Mas o que mais chamou a atenção ontem no câmbio foi o iene, que voltou a operar enfraquecido, com o efeitos da intervenção se esgotando.


… A moeda japonesa caiu 0,80%, para 159,31 por dólar. A avaliação de parte dos agentes financeiros é de que será necessária uma mudança mais profunda na condução da política monetária e fiscal para sustentar o câmbio japonês.


… O iene não tomou impulso nem mesmo com a notícia do Kyodo News de que o BoJ teria sinalizado ao mercado que uma alta dos juros pode ocorrer já em setembro, em um passo relevante da normalização da política monetária.


… Com oscilações modestas, o euro caiu 0,14%, para US$ 1,1547, e a libra subiu 0,13%, a US$ 1,3511. Por aqui, o real não conseguiu faturar a alta do petróleo, porque o dólar fez o hedge contra a inflação e avançou 0,53%, a R$ 5,1107.


PORTA DE SAÍDA –É bom ficar de olho no fluxo para os mercados emergentes, neste momento em que um aperto do Fed no curto prazo está em jogo, ao mesmo tempo em que a aposta em mais um corte da Selic segue no radar.  


… Não passou despercebido o informe da B3, divulgado ontem, sobre uma grande saída de capital estrangeiro observada no pregão da última quinta-feira, de R$ 2,4 bilhões. Naquele dia, o fantasma da inflação já rondava.


… A fuga do k externo explica a rotina de volumes baixos ultimamente no Ibovespa. Na ausência gringa, ontem, o giro se limitou a R$ 17,7 bi. O índice à vista fechou estável (-0,19%), a 172.179,93 pontos. Não sobe há cinco pregões.


… O trade eleitoral já toma corpo. Ao Broadcast, o chefe de Economia para Brasil e Estratégia para a América Latina do BofA, David Beker, disse, porém, que o mercado ainda não assume posição firme, porque o resultado é incerto.


… Independente do resultado eleitoral, o BofA projeta que o Ibovespa não só será capaz de conquistar a marca histórica dos 200 mil pontos até o fim do ano, como cravará os 210 mil pontos, tendo como driver o Copom.


…  “Basicamente essa estimativa considera que o BC vai cortar a Selic para 13,75% em setembro e eventualmente pode ter mais espaço para cortar em 2027, porque a atividade vai desacelerar e vai ter algum tipo de ajuste fiscal.”


… Nesta segunda-feira, os ganhos da Petrobras (com o petróleo) e da Vale foram anulados no Ibovespa pela queda dos papéis dos bancos e das ações mais ligadas aos juros futuros, que exibiram dose de cautela com o petróleo caro.  


… Itaú PN perdeu 0,81% (R$ 40,42), Bradesco PN recuou 0,75% (R$ 17,18), BB ON caiu 0,15% (R$ 20,03) e Santander unit fechou estável (-0,07%, a R$ 29,25), porque ainda continua blindada pela OPA anunciada pela matriz espanhola.


… Vamos (-5,52%; R$ 2,91) e Yduqs (-5,28%; R$ 7,54) figuraram entre as piores quedas do dia.


… Já Petrobras se recobrou da frustração com as evidências de que a empresa não deve pagar dividendos extras e se inspirou no salto do petróleo para subir 3,33%, tanto na ação PN, cotada R$ 42,23, como na ON (R$ 47,21).


… Vale também foi bem (+1,28%; R$ 75,93), apesar do minério (-0,28%), e Embraer ganhou 2,31% com o balanço.


… Em Nova York, as bolsas caíram pouco, apesar do estresse sobre a inflação desencadeado pelo impasse em Ormuz e apesar ainda das suspeitas que circulam no mercado de gastos excessivos das empresas com a inteligência artificial.


… Intel afundou 4,04% após anunciar aumento de capital de US$ 15 bilhões para financiar investimentos voltados à IA. Mas o Nasdaq recuou só 0,32%, para 26.605,36 pontos. O S&P 500 fechou estável (-0,06%), para 7.753,11 pontos.


… O Dow Jones caiu de leve (-0,11%), para 53.975,98 pontos, em compasso de espera pela inflação do CPI.


CIAS ABERTAS NO AFTER – NATURA teve lucro líquido de R$ 35 milhões no segundo trimestre, queda de 82% ante um ano antes. Receita caiu 9,1%, para R$ 5,170 bilhões, e Ebitda recorrente recuou 22,2%, para R$ 620 milhões.


MAGAZINE LUIZA esclareceu que a amortização de cerca de R$ 900 milhões prevista para outubro é gestão ordinária do passivo e não uma projeção financeira…


… O esclarecimento foi feito em resposta a ofício da CVM, após notícia publicada pelo Estadão na semana passada.


AMERICANAS. Justiça autorizou a venda da rede Hortifruti Natural da Terra, inclusive após eventual encerramento da recuperação judicial, segundo O Globo/Ancelmo Gois.


GRUPO SBF teve lucro líquido de R$ 130,5 milhões no segundo trimestre, alta de 180,9% ante um ano antes. Receita cresceu 22,1%, para R$ 2,219 bilhões, e Ebitda avançou 53,8%, para R$ 327,6 milhões.


ITAÚSA teve lucro líquido recorrente de R$ 4,31 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,1% ante um ano antes. Companhia pagará R$ 2,8 bilhões em JCP, ou R$ 0,254 por ação, em 28/08.


CAIXA SEGURIDADE teve lucro líquido gerencial de R$ 1,14 bilhão no segundo trimestre, em linha com as projeções do Broadcast.


… Conselho aprovou R$ 1,050 bilhão em dividendos, equivalentes a R$ 0,35 por ação, com pagamento em 17/11. Ações ficam ex-dividendos em 04/11.


PICPAY nomeou André Cazotto como novo CFO, em substituição a Rodrigo Couto, que permanecerá como conselheiro especial até o fim de 2026.


BRAVA. Bradesco elevou participação de 3,99% para 5,99% do capital.


COSAN. Moody’s rebaixou o rating de emissor de AA.br para A+.br, com perspectiva negativa.


BRASKEM substituirá a KPMG pela Deloitte como auditora independente a partir do terceiro trimestre, em meio à mudança no controle e na governança.


ENGIE BRASIL. Fitch elevou o rating global de BBB- para BBB, com perspectiva estável.


AUREN ENERGIA concluiu manifestação prévia de interesse em aderir ao acordo para compensação por cortes de geração ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025.


TAESA obteve licença da Cetesb para iniciar obras da concessão Juruá, que tem RAP de R$ 20,5 milhões e capex previsto de R$ 244 milhões.


ENEL. Ministro Alexandre Silveira afirmou que a companhia perdeu condições de prestar o serviço em São Paulo.


MOVIDA teve lucro líquido de R$ 135,6 milhões no segundo trimestre, salto de 100,7% ante um ano antes. Receita cresceu 2,4%, para R$ 3,7 bilhões, e Ebitda avançou 22,3%, para R$ 1,7 bilhão.


JSL teve lucro líquido de R$ 12 milhões no segundo trimestre, queda de 43,7% ante um ano antes. Receita cresceu 4,9%, para R$ 2,5 bilhões, e Ebitda recuou 0,4%, para R$ 486,2 milhões.


HIDROVIAS DO BRASIL teve lucro líquido de R$ 100 milhões no segundo trimestre, alta de 97%. Receita caiu 3%, para R$ 664 milhões, e Ebitda cresceu 8%, para R$ 322 milhões.


ONCOCLÍNICAS. Acionistas ratificaram o pedido de recuperação extrajudicial aprovado pela Justiça de São Paulo…


… Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suposta fraude para evitar realização de OPA da companhia.


FLEURY aprovou a 11ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,825 bilhão, destinada principalmente ao pré-pagamento de dívidas.


SÃO MARTINHO teve lucro de R$ 38,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, queda de 39,3%. Receita recuou 17,6%, para R$ 1,530 bilhão, e Ebitda ajustado caiu 27,7%, para R$ 582,3 milhões.


TERRA SANTA reverteu lucro e teve prejuízo de R$ 12,55 milhões no segundo trimestre. Receita caiu 21,4%, para R$ 23,49 milhões, e Ebitda ajustado recuou 27%, para R$ 17,4 milhões.


NVIDIA confirmou parcerias estratégicas com a Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para mobilizar mais de US$ 500 bilhões em capital de terceiros para a construção de infraestrutura de IA.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Jonas Federighi

 O mercado imobiliário não encolheu. O bolso do comprador é que ficou menor.


O Globo desta segunda-feira traz um retrato importante para incorporadores, corretores, investidores e profissionais de novos negócios: diante de juros altos, orçamento familiar pressionado e capacidade de financiamento reduzida, a classe média não abandonou o sonho da casa própria. Ela está redimensionando esse sonho para aquilo que cabe na prestação.

Em São Paulo, o movimento já aparece claramente nos números: 54% das unidades residenciais lançadas em maio tinham dois dormitórios e esse produto respondeu por cerca de 65% das vendas. Os apartamentos entre 30 e 45 m² também ganharam enorme relevância. Não é simplesmente uma preferência arquitetônica por imóveis menores. É uma resposta econômica: ticket, entrada, prestação e localização passaram a comandar a decisão de compra.

E aqui existe uma mensagem poderosa para quem trabalha no setor: o mercado deve começar pelo bolso do cliente e só depois desenhar o produto. Incorporadoras precisam calibrar metragem, terreno, eficiência de planta, condomínio e preço final; corretores precisam dominar crédito e capacidade de pagamento, não apenas características do imóvel; investidores precisam observar liquidez, demanda de locação e localização. O metro quadrado continua importante, mas a verdadeira unidade de medida do mercado de massa tornou-se a prestação mensal.

Há ainda um componente estrutural: programas habitacionais, ampliação das faixas de financiamento e produtos mais compactos estão aproximando novamente parte da classe média do mercado. E isso ajuda a explicar por que imóveis menores, principalmente os bons e velhos dois dormitórios, continuam funcionando como uma das principais portas de entrada para a propriedade imobiliária.

Para Novos Negócios, a consequência é ainda mais relevante: não adianta comprar terreno olhando apenas quanto é possível construir; é preciso começar perguntando quanto o consumidor consegue pagar. O VGV possível nasce da renda disponível, do crédito e da prestação. O terreno é consequência dessa equação — e não o contrário.

A grande oportunidade talvez esteja justamente aí: não construir simplesmente apartamentos menores, mas construir imóveis financeiramente inteligentes. Menos desperdício de área, plantas melhores, condomínio racional, boa mobilidade, serviços próximos e preço compatível com a renda real.

O mercado imobiliário continua tendo demanda. O brasileiro continua querendo comprar sua casa. O desafio é fazer a casa caber no bolso. Quem entender essa mudança antes — incorporadores, loteadores, fundos, corretores e proprietários de terrenos — terá enorme vantagem competitiva nos próximos ciclos.

No final, o consumidor não compra metros quadrados. Compra a melhor vida que consegue financiar.

Call Matinal

Call Matinal

10/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0708)

MERCADOS

Na sexta-feira (07), o Ibovespa fechou em queda de 1,73%, a 172.513 pontos. Já o dólar fechou em queda de 0,46%, a R$ 5,08.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

O mercado entra em uma semana em que inflação e juros voltam a comandar o jogo. Nos EUA, depois do payroll mais fraco, CPI e PPI terão peso ainda maior na formação das expectativas para o Fed. No Brasil, IPCA e ata do Copom serão decisivos para entender como o Banco Central enxerga o equilíbrio entre inflação, atividade econômica e trajetória da Selic.

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

Dow Jones Futuro: -0,05%

S&P 500 Futuro: +0,15%

Nasdaq Futuro: +0,40%

Os futuros americanos mostram comportamento misto, com melhor desempenho do Nasdaq.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China): +0,67%

Nikkei (Japão): +2,08%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,05%

Nifty 50 (Índia): +0,14%

ASX 200 (Austrália): -0,33%

Ásia encerrou majoritariamente em alta, com destaque para o avanço de mais de 2% do Nikkei.

Europa

 

 

 

STOXX 600: -0,04%

DAX (Alemanha): +0,09%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,20%

CAC 40 (França): -0,23%

FTSE MIB (Itália): -0,10%

Europa opera próxima da estabilidade.

Commodities

 

 

 

🛢️Petróleo WTI: +0,36%, a US$ 78,46 o barril

Petróleo Brent: +0,41%, a US$ 83,89 o barril

Minério de ferro em Dalian: -0,28%, a 701,50 iuanes (US$ 103,96)

Bitcoin: +0,13%, a US$ 65.234,83

WTI e Brent começam o dia em alta moderada. A falta de avanços nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz mantém o prêmio geopolítico no radar.

 

Dia 1008

Nos EUA, depois da surpresa com o payroll fraco nos EUA, que reduziu as apostas em alta dos juros em setembro, a agenda desta semana traz a inflação do CPI e do PPI em julho, de maior interesse para o Fed. No Brasil, o futuro da Selic está em foco, com o IPCA de julho, que será divulgado amanhã, junto com a ata do Copom. Na bolsa, a temporada de balanços do segundo trimestre segue intensa, hoje com os resultados da Embraer, antes da abertura, e da JBS, após o fechamento. O calendário dos próximos dias prevê, ainda, B3, Banco do Brasil, CSN e Braskem, entre outras companhias. Já sobre as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, não houve avanços no fim de semana.

 

Agenda

Segunda-feira, 1008

08h00 – Brasil: FGV – IPC-S (jul)

08h25 – Brasil: Banco Central – Relatório Focus

15h00 – Brasil: Secex – Balança comercial

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,4% US tech +0,8% US Semis +2,9% UEM +0,3% España 0% VIX +14,9%. Bund 3,13%. T-Note 4,65%. Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,56%; PT 3,46%; ITA 3,90%; FRA 3,92%. Euribor 12m 2,90% (fut.12m 3,06%). USD 1,155. JPY 183,0. Ouro 4.349,11$. Brent 83,75$. WTI 78,21$. Bitcoin +0,10% (65.171$). Ether +0,01% (1.924$).

 

SESSÃO: Entramos nas semanas centrais do verão, o que costuma ser sinónimo de menos liquidez que por vezes gera mais volatilidade. As bolsas estão em zona de máximos, o objetivo é consolidar níveis. A geoestratégia continuará a marcar o tom, com vaivéns aos quais nos tem habituado. Declarações do Irão durante o fim de semana apontavam para a possibilidade de estar “muito perto” de um acordo com Omã para reestabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz, embora descartassem negociações diretas com os EUA. Desde que o preço do petróleo bruto não se aproxime dos 100 $/barril, o mercado permanecerá tranquilo.


Iniciamos a semana sem grandes referências macro nem empresariais:


Pelo lado macro, hoje destaca-se apenas o Indicador de Confiança Sentix na UE (09:30 h), que pode mostrar uma ligeira melhoria (-0,5 desde -3,1) em agosto. O mais relevante da semana serão os dados de preços nos EUA (quarta-feira, IPC de julho), que se espera que retrocedam uma décima (até 3,4% a/a Geral e até 2,5% Subjacente). Após a debilidade do mercado laboral nos EUA, na passada sexta-feira (-23k empregos em julho), será o principal foco de atenção para a Fed e, caso se confirme, seria positivo para as bolsas.


No lado empresarial, o grosso da temporada de resultados terminou. O crescimento de lucros tem sido um dos principais catalisadores dos mercados nas últimas semanas. Em termos gerais, foi superior ao esperado (com 87,2% do mercado americano publicado, o EPS cresce 51,8% a/a acima de 14,4% esperado no início da temporada, enquanto na Europa com mais de 75% publicado, o EPS é 27,3% a/a superando também as expetativas no início da temporada).


Em suma, sessão sem referências relevantes, com apoio na boa evolução empresarial recente. Consolidamos ligeiras realizações de lucros perto dos níveis de máximos históricos.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Inflação põe juros à prova aqui e nos EUA*


Semana traz a inflação do CPI e do PPI em julho, de maior interesse para o Fed. No Brasil, o futuro da Selic está em foco, com o IPCA de julho e a ata do Copom


… Após a surpresa com o payroll fraco nos Estados Unidos, que reduziu as apostas em alta dos juros em setembro, a agenda desta semana traz a inflação do CPI e do PPI em julho, de maior interesse para o Fed. No Brasil, o futuro da Selic está em foco, com o IPCA de julho, que será divulgado amanhã, junto com a ata do Copom. Na bolsa, a temporada de balanços do segundo trimestre segue intensa, hoje com os resultados da Embraer, antes da abertura, e da JBS, após o fechamento. O calendário dos próximos dias prevê, ainda, B3, Banco do Brasil, CSN e Braskem, entre outras companhias. Já sobre as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, não houve avanços no fim de semana.


ORMUZ MAIS DISTANTE – A expectativa de um acordo rápido para reabrir o Estreito de Ormuz, que ajudou a derrubar o petróleo na semana passada, perdeu força, depois que o Irã apresentou nas últimas horas novas condições aos Estados Unidos.


… Teerã deixou claro que as negociações com Omã sobre rotas marítimas não significam a liberação da passagem, depois que uma autoridade americana disse à Reuters, na sexta-feira, que havia progresso nas conversas entre Irã e Omã e que esperava uma solução “em breve”.


… Não adiantou Washington ter se comprometido em suspender o bloqueio aos portos iranianos “assim que fosse anunciado um entendimento” para restabelecer o transporte comercial sem restrições. As coisas complicaram no fim de semana.


… No sábado, o Conselho Supremo do Irã afirmou que Ormuz não será reaberto até que os Estados Unidos “corrijam seu comportamento”.


… Entre as exigências estão o fim permanente da guerra contra o Irã e seus aliados, a retirada das forças americanas da região, o levantamento do bloqueio naval e das sanções, a liberação de ativos congelados e compensações pelos danos causados pelo conflito.


… O chanceler Abbas Araghchi disse neste domingo que as conversas com Omã para definir novas rotas marítimas estão nas etapas finais, mas ressaltou que eventual acordo não representa a reabertura do Estreito, que depende do atendimento das demais condições iranianas.


… O impasse ocorre enquanto o tráfego pela região continua restrito. Na sexta-feira, o movimento de navios por Ormuz caiu 33% em relação ao dia anterior, segundo a Kpler. O Brent encerrou a sessão em alta de 1,29%, a US$ 83,55, mas acumulou queda de quase 5% na semana.


… Também aumentaram as tensões no Iêmen.


… Ainda ontem, os houthis reivindicaram um ataque com drone contra uma instalação ligada à refinaria da Aramco em Jazan, na Arábia Saudita, onde houve um incêndio sem vítimas, além de um ataque com mísseis e drones ao porto de Mocha, no Mar Vermelho.


… Apesar do impasse, Trump sinalizou que, por enquanto, prefere ampliar a pressão econômica sobre Teerã a lançar uma nova ofensiva militar. Segundo a Axios, o presidente disse estar mantendo um “perfil discreto”, enquanto acompanha a deterioração da economia do país.


… Já para o Wall Street Journal, Trump se preparava para declarar vitória na guerra contra o Irã caso o Estreito de Ormuz fosse reaberto, mesmo sem um acordo nuclear, mas as novas exigências de Teerã complicaram seus planos.


… O petróleo acompanha nesta quarta-feira os relatórios mensais da AIE e da Opep, que atualizam suas projeções para oferta e demanda global.


INFLAÇÃO EM DESTAQUE – Depois da surpresa do payroll, a inflação volta ao centro das atenções nesta semana nos Estados Unidos e no Brasil, em um momento em que Fed e o BC seguem dependentes dos próximos dados para definir os passos da política monetária.


… Nos Estados Unidos, o fechamento inesperado de 23 mil vagas em julho, contra expectativa de criação de 80 mil postos, reduziu as apostas em alta dos juros pelo Fed já em setembro. Segundo o CME Group, a probabilidade de elevação de 25 pontos-base caiu de 54,7% para 46,3%.


… A manutenção dos juros americanos na reunião do Fomc do mês que vem tornou-se o cenário majoritário.


… A discussão, porém, está longe de encerrada.


… O mercado ainda atribui mais de 50% de chance a uma alta em outubro, enquanto o BofA mantém a previsão de aumento de 75 pontos neste ano, começando em setembro, por considerar que o Fed continuará mais preocupado com a inflação do que com o emprego.


… Por isso, o CPI de julho, que será divulgado na quarta-feira (12), ganhou importância adicional. A expectativa é de alta de 0,1% no índice cheio e de 0,2% no núcleo. Na comparação anual, as projeções são de 3,4% e 2,5%, respectivamente.


… Na quinta-feira (13), sai o PPI de julho, com previsão de avanço de 0,1% no índice cheio e de 0,3% no núcleo.


… Além disso, até setembro, o Fed ainda terá pela frente outro payroll, duas leituras de inflação e o Simpósio de Jackson Hole – o que mantém o cenário bastante aberto. E, a depender dos dados, bastante volátil.


… No Brasil, o foco está no IPCA de julho, amanhã (11). A mediana do Projeções Broadcast aponta desaceleração da inflação de 0,16% em junho para apenas 0,03%, com as estimativas variando de queda de 0,06% a alta de 0,22%.


… Em 12 meses, o IPCA deve recuar de 4,64% para 4,40%, voltando a ficar abaixo do teto da meta. A desaceleração deve ser puxada principalmente pela deflação dos alimentos, pelo vestuário e pela acomodação dos combustíveis.


… O qualitativo também tende a ser favorável: a média dos núcleos deve desacelerar de 0,21% para 0,20%, enquanto alimentação no domicílio e bens industriais devem registrar deflação. O ponto de atenção permanece nos serviços, cuja mediana indica aceleração de 0,34% para 0,40%.


À ESPERA DA ATA – Também nesta terça-feira (11), o Banco Central divulga a ata da reunião do Copom (8h) que cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14%, e deixou em aberto os próximos passos da política monetária.


… A falta de guidance no comunicado aumenta a importância do documento, no qual o mercado buscará pistas sobre a possibilidade de um novo corte em setembro, hoje a expectativa da maioria dos economistas e o cenário majoritário na curva de juros.


… A precificação indica, porém, estabilidade a partir daí e uma Selic terminal em torno de 13,75%, mesmo nível projetado pela mediana do Focus.


… Entre os pontos que devem receber atenção na ata do Copom está a mudança na avaliação do mercado de trabalho, que passou de “ainda com sinais de resiliência”, em junho, para “aquecido” no comunicado da semana passada.


… Os analistas querem entender também por que o Banco Central retirou a referência às evidências de transmissão da política monetária para a desaceleração da atividade, presente no comunicado anterior.


… Na inflação, a expectativa é de que a ata detalhe o grau de preocupação do Copom com a desancoragem das expectativas mais longas, que foi destacada no comunicado, e com o balanço de riscos, que permanece assimétrico para cima.


… O documento sai uma hora antes do IPCA de julho, previsto para mostrar forte desaceleração da inflação e um qualitativo ainda favorável, dando ao mercado duas peças importantes para recalibrar as apostas sobre a Selic.


FOCUS – Daqui a pouco, às 8h25, sai novo Boletim Focus, acompanhado com atenção sobretudo pelas expectativas mais longas de inflação. Na semana passada, após cinco semanas de estabilidade, a projeção para a Selic no fim do ano caiu para 13,75%.


MAIS AGENDA – Além da inflação e da ata do Copom, a semana traz indicadores importantes de atividade.


… No Brasil, saem o volume de serviços de junho, na quarta-feira (12), e as vendas do varejo, na quinta (13).


… Nos Estados Unidos, também saem vendas do varejo de julho, que serão divulgadas na sexta-feira (14). No mesmo dia, a Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de agosto da confiança do consumidor e das expectativas de inflação.


… A agenda do Fed inclui discursos de Beth Hammack/Cleveland e de Tom Barkin/Richmond, ambos na quinta-feira (13).


… Na zona do euro, destaque para o PIB do segundo trimestre, na sexta-feira (14). Amanhã, terça, feriado fecha os mercados no Japão.


CHINA – No fim de semana, divulgou a inflação ao consumidor (CPI), que subiu 0,5% em julho na comparação anual, abaixo da previsão de 0,8%. Já a inflação ao produtor (PPI) avançou 3,5%, também aquém da expectativa de 3,9%.


ISRAEL – Ainda no domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou um plano de 15 pontos para Gaza apresentado pelo Conselho de Paz dos Estados Unidos e afirmou que não retirará as tropas israelenses enquanto o Hamas não estiver totalmente desarmado.


A CAÇADA CONTINUA – Fontes da ABC News informaram que Trump prossegue com a tentativa de demitir Lisa Cook do Fed, após o revés sofrido na Suprema Corte, e que a Casa Branca teria enviado carta a ela notificando a intenção.


… A correspondência exigia que ela respondesse às alegações (não comprovadas) de fraude hipotecária no prazo de três semanas, na medida que provavelmente desencadeará uma nova batalha jurídica sobre a independência do BC.


BALANÇOS – A temporada do segundo trimestre segue intensa no Brasil nesta semana.


… Hoje, além de Embraer, antes da abertura, estão previstos para depois do fechamento: JBS, Itaúsa, Natura, São Martinho, Terra Santa Agro, Caixa Seguridade e Movida. Amanhã (11), é a vez da B3, Direcional, PagBank, Aeris Energy, Cury e Taesa.


… Na quarta-feira (12), a agenda fica especialmente carregada, com Banco do Brasil, CSN, CSN Mineração, Suzano, Hapvida, Rede D’Or, Rumo e Sabesp, entre outros. Na quinta (13), saem Nubank, Stone, Braskem, MBRF, Raízen e Cemig. Cosan e Vibra Energia vêm na sexta-feira (14).


… Em Nova York, Super Micro Computer divulga resultados amanhã, terça-feira (11).


BERKSHIRE –A holding de empresas e investimentos de Warren Buffett praticamente dobrou o lucro líquido no segundo trimestre deste ano, para US$ 25,667 bilhões, ante US$ 12,370 bilhões do mesmo período de 2025.


… O resultado, divulgado no sábado, foi impulsionado por ganhos de US$ 16,077 bilhões com investimentos e reavaliação de ações em carteira.


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara terá semana de esforço concentrado e deve votar o projeto que reduz tributos sobre combustíveis em 2026. A pauta será definida amanhã, terça-feira (11), em reunião de líderes.


… No Senado, as votações serão retomadas depois de uma semana sem sessões deliberativas. Também há expectativa de um novo encontro hoje entre Lula e Davi Alcolumbre, após a reaproximação dos dois na semana passada.


… Na última semana antes do início oficial do período eleitoral, Lula deve concentrar a agenda em Brasília, sem viagens previstas, antes de intensificar a campanha nos Estados.


ELEIÇÕES. No Dia dos Pais, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta afirmando ter o aval de Jair Bolsonaro para disputar a Presidência. Lula, por sua vez, voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, dizendo que os pais merecem ter mais tempo com os filhos.


QUAEST. Nos recortes da última pesquisa Genial/Quaest, Lula lidera entre as mulheres em todos os cenários de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, tem 47% das intenções de voto feminino, ante 35%, enquanto entre os homens Flávio aparece à frente, com 44% a 40%.


… Por idade, Lula lidera contra Flávio entre os eleitores de 16 a 34 anos, por 44% a 38%, e entre aqueles com 60 anos ou mais, por 48% a 34%. Na faixa de 35 a 59 anos, os dois estão empatados em 42%.


TEMPO DE TV. A coligação de Lula deverá ter o maior tempo de propaganda eleitoral na televisão, com cerca de 5 minutos e 30 segundos.


SOBERANIA. Em meio à crise diplomática com os Estados Unidos, o programa de governo de Lula cita 31 vezes a palavra “soberania” e promete manter o arcabouço fiscal. O documento também faz referências diretas a Trump e críticas à família Bolsonaro.


… Em meio às tensões entre Brasília e Washington, o Departamento de Estado americano afirmou à CNN Brasil neste domingo que respeitará qualquer governo escolhido pelos brasileiros em eleições “livres e justas”.


… Segundo fontes ouvidas pela emissora, o governo brasileiro sinalizou que deve continuar adiando até depois das eleições a decisão sobre o agrément de Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos no País.


ACORDO. No Estadão, o Planalto negocia com Alcolumbre um acordo que prevê apoio à sua reeleição à presidência do Senado em 2027, caso Lula seja reeleito, assim como apoio a um novo mandato a Hugo Motta. O acordo prevê ainda nova indicação de Jorge Messias ao STF.


TIRA-TEIMA – A fraqueza inesperada do payroll despertou apostas de que o Fed pode demorar mais para elevar os juros. Mas o relatório de emprego não é conclusivo para a decisão de política monetária de setembro.


… Analistas mantêm a convicção de que a inflação, muito mais que o mercado de trabalho, segue como protagonista da próxima ação do Fed. Até lá, como se viu, além de mais um payroll, saem mais duas leituras da inflação.


… Além disso, a participação de Warsh e de outros Fed boys no simpósio de Jackson Hole ganhará atenção redobrada, neste momento em que a divisão interna no BC americano sobre um aumentos de juros se aprofunda.


… Segundo a Bloomberg, cinco anos de inflação elevada testam a paciência dos dirigentes do Fed e comentários recentes sugerem a existência de uma parcela minoritária, mas significativa, que defende elevar os juros em breve.


… Além dos três dissidentes do placar do último encontro (9 x 3), alguns outros integrantes começam a reconhecer que está se esgotando o espaço e o tempo de esperar para ver se a inflação consegue desacelerar naturalmente.


… “São os relatórios de inflação que ditam as regras do Fomc. A leitura dos salários [do payroll] é útil para prever algum afrouxamento, mas se torna notícia velha e o foco se volta à inflação”, disse Jeff Rosenberg (BlackRock).


… Os dados do payroll contrariaram a previsão de mercado de trabalho sólido nos Estados Unidos e, além de mostrar o fechamento de 23 mil postos em julho, os resultados dos dois meses anteriores foram revisados em baixa: maio (129 mil para 63 mil) e junho (57 mil para 20 mil).


… A surpresa com os números fracos esfriou as apostas em alta do juro e deu suporte à aposta de pausa.


… Mas este é um retrato do momento, que no curtíssimo prazo já poderá ser abalado pelo CPI de julho (na quarta-feira). 


… Seja como for, o payroll fraco ditou no último pregão uma onda global de desvalorização do dólar, que por aqui furou R$ 5,10, após ter passado três pregões seguidos acima desta marca. Fechou em baixa de 0,46%, a R$ 5,0836.


… Para o real e o fluxo, a melhor combinação em termos de atratividade do carry trade seria um Fed dovish com um Copom hawkish, uma equação que esta semana será testada não só pelo CPI americano, como pelo IPCA e pela ata do Copom.


PRAZO DE VALIDADE – Descontando os riscos de que os próximos indicadores possam sugerir que a inflação continua rodando alta nos Estados Unidos, os negócios não desperdiçaram o alívio proporcionado pelo payroll.


… O índice DXY recuou 0,39% e permaneceu abaixo dos 100 pontos (99,539), com alta do euro (+0,34%), para US$ 1,1567, da libra (+0,35%), para US$ 1,3501, e do iene, para 157,49 por dólar, reacendendo alerta de intervenção.


… Uma alta repentina da moeda japonesa foi deflagrada assim que a ministra de Finanças do país, Satsuki Katayama, disse que tem mantido contato próximo com Washington e que ambos os lados não hesitarão em intervir no câmbio.


… Depois de o payroll ter mobilizado a aposta mais dovish (ainda que ela possa se provar temporária), as taxas dos Treasuries se ajustaram em baixa: a da Note-2 anos caiu a 4,193% (de 4,241%) e a de 10 anos, a 4,640% (de 4,663%).


… Por aqui, os juros futuros seguiram o movimento à risca e corrigiram a pressão do dia anterior, reavaliando o cenário para a decisão do Fed em setembro e mantendo no centro do debate as dúvidas sobre o próximo Copom.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,745% (de 13,764% no ajuste anterior); Jan/28, 13,790% (contra 13,853%); Jan/29, 14,035% (de 14,108%); Jan/31, 14,275% (de 14,322%); e Jan/33, 14,390% (de 14,431%).


… O Bradesco mantém como cenário-base a chance de Selic cair para 13,75%, mas não descarta cortes sequenciais além de setembro, para 13,25%, se a atividade econômica confirmar uma desaceleração mais acentuada.


… Apesar de o banco projetar o IPCA em 5% neste ano, o economista-chefe, Fernando Honorato, afirmou que a dinâmica à frente tende a ser mais favorável, com a acomodação do petróleo e um câmbio comportado.


… De outro lado, economistas continuam advertindo sobre a urgência de um ajuste fiscal, mas admitem que o tema é impopular e dificilmente ganhará espaço de discussão na campanha eleitoral e nas negociações com o Congresso.


… “Se a gente coloca uma contabilidade similar à usada no resto do mundo, em linha com o que o FMI faz, nós já estamos na casa dos 90% e pouco de endividamento do governo”, disse o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman.


… “Já estamos batendo os recordes da pandemia [em dívida pública]. Isso era compreensível na pandemia, mas hoje é injustificável”, afirmou ele, durante o primeiro debate da série do Estadão Brasil 2027: Caminhos para o País.


O NÃO O MERCADO JÁ TEM – Pouco convencido de que o petróleo vai se bancar acima de US$ 80 por muito tempo, o diretor Financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse ser improvável ter dividendo extraordinário no ano.


… O investidor não teve como esconder a frustração e, apesar de o balanço da estatal ter superado com folga as expectativas do mercado, as ações afundaram na última sexta-feira: ON, -3,42%, na mínima de R$ 45,69; e PN, -2,99%, a R$ 40,87.


… A declaração de Melgarejo foi dada pela manhã à CNN Money e reforçada durante a teleconferência com analistas, acentuando a percepção de que, se surgir um acordo com o Irã, a Petrobras não pagará dividendos extras.


… O Ibovespa fechou em queda firme de 1,73%, na mínima em um mês, a 172.513,42 pontos, com giro de R$ 21 bilhões. Vale registrou perda de 0,56% (R$ 74,97), na contramão do minério (+0,35%). Os bancos também atraíram vendas.


… Itaú PN caiu 2,58% (R$ 40,75), Bradesco PN perdeu 2,20% (R$ 17,31) e BB, que divulga os seus resultados na próxima quarta-feira, registrou desvalorização de 1,08% (R$ 20,06). BTG Pactual recuou 4,07% (balanço sai amanhã).


… Em Nova York, as bolsas foram embaladas pela chance, aberta pelo payroll, de o juro só subir em outubro.


… O Dow Jones foi o que menos subiu, só 0,28%, aos 54.036,93 pontos. Já o S&P 500 ganhou 0,62% e renovou seu recorde histórico de fechamento, aos 7.757,64 pontos, e o Nasdaq engatou alta de 1,30%, para 26.690,62 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Citi reiterou compra e preço-alvo de US$ 20 para a JBS após avaliar positivamente o acordo com fundo soberano da Indonésia. Potencial de valorização é de 40,5%.


GERDAU. A PF pediu bloqueio de bens da companhia para garantir eventuais indenizações por contaminação ambiental em Salvador (BA), informou O Globo/Lauro Jardim. Empresa foi multada em R$ 50 milhões.


BB pagou R$ 100 milhões à União no novo cronograma de quitação do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida. Saldo remanescente será amortizado até 2029.


AMERICANAS. Ajuste elevou de R$ 152,9 milhões para R$ 162,05 milhões o valor da venda da UPI Uni.Co à Fan Store; saldo será pago em cinco parcelas anuais.


IGUATEMI acertou venda de participações em cinco ativos ao TRX Real Estate por R$ 876,1 milhões. Companhia manterá a administração dos empreendimentos.


MULTIPLAN fará emissão de R$ 300 milhões em debêntures a 96,5% do DI, com recursos destinados a investimentos e aquisições em imóveis e empreendimentos.


COGNA. Inter recomenda compra e vê potencial para a ação chegar a R$ 2,66, apoiado na melhora operacional, geração de caixa e redução da alavancagem. Na sexta-feira, Cogna ON fechou cotada a R$ 2,22.


TEGMA comprará 70% da Transcopa por R$ 99,4 milhões, ampliando atuação em logística integrada e portuária. Operação ainda depende de condições como aval do Cade.


TENDA distribuirá R$ 78 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,6363 por ação, com pagamento em 30/12. Ações ficam ex-dividendo em 14/8.


M.DIAS BRANCO. Fitch reafirmou rating AAA(bra), com perspectiva estável, destacando forte perfil de negócios e estrutura de capital conservadora.

sábado, 8 de agosto de 2026

Marcola é Lula



"As notícias que se sucedem diariamente _ sobre a relação de um número impressionante de autoridades no topo de nossas mais importantes instituições do Estado com a corrupção e negócios escusos _ deveriam deixar claro para toda a população brasileira que a vitória de uma das facções mafiosas em um ciclo eleitoral (seja por ser a nossa preferida, a menos odiada, ou uma combinação dessas duas coisas), além de não representar a "vitória definitiva do bem sobre o mal", também não significará um avanço institucional na direção da conformidade com o bem comum e o interesse público.


A conclusão de quem observa a sucessão de notícias é a de que a "moeda em circulação" no país, com a qual disputamos o cara ou coroa eleitoral, é falsa.


Infelizmente, a "galera militante" (que se orgulha de não ser omissa ou isenta) não está nem aí para esse "detalhe"... e está preocupada unicamente se "vai dar cara", ou se "vai dar coroa".


A verdade é que a face do populista, estampada no lado da moeda que cairá para cima na eleição, não irá mudar nem o fato de que usamos uma moeda falsa... nem o fato de que o processo político em nosso país se tornou uma farsa, um jogo de cartas marcadas completamente dissociado de qualquer um dos princípios e causas nobres usados no discurso dos oportunistas que lideram as máfias político-partidárias.




A briga entre populistas irresponsáveis é a distração na qual o povo brasileiro está viciado.




"Todos" estamos única e exclusivamente preocupados em apostar no vencedor da próxima eleição, enquanto tudo ao nosso redor se torna cada vez mais arbitrário e injusto.


Solução?


Imediata?


Não existe.


Porém, o caminho mais razoável é claro:


Precisamos parar de achar que a nossa repulsa, convicção, ou sensação de superioridade moral, poderia substituir a necessidade de debatermos políticas, criticarmos a falta de resultados, reconhecermos os retrocessos, exigirmos mudanças de curso.


É preciso reconhecer o fato básico da política:




O poder corrompe e só a vigilância constante _ com a troca da "fralda do bebê" sempre que os sinais olfativos assim o sugerirem _ "salva".

Peguei do grande Roberto Freire

  O texto a que me refiro é do Cronista Artificial @CronistaIA "Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quand...