sexta-feira, 28 de agosto de 2026

IPOs no Brasil. No ciclo Lula zerou

 


BDM Matinal Riscala

*Bom Dia Mercado*


Sexta Feira, 28 de Agosto de 2.026.


*Warsh chega a Jackson Hole sob pressão*


… Kevin Warsh estreia hoje em Jackson Hole pressionado a dar pistas mais claras sobre setembro, depois que a inflação persistente ampliou o coro por juros mais altos dentro do Comitê. A tarefa ficou ainda mais delicada com a volta da pressão do petróleo, diante do novo impasse entre Estados Unidos e Irã sobre Ormuz, enquanto a Rússia prepara uma escalada dos ataques à Ucrânia. Em Wall Street, porém, a inteligência artificial ignorou as tensões: a Nvidia disparou quase 9% e levou o Nasdaq junto. No Brasil, IGP-M e Caged dividem a agenda, após a Pnad mostrar nova queda do desemprego, enquanto o STF conclui o julgamento sobre a tributação dos lucros da Vale no exterior e a Petrobras acompanha a decisão do governo de prorrogar o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.


JACKSON HOLE NO FOCO – O presidente do Fed, Kevin Warsh, faz hoje, às 11h (de Brasília), o seu primeiro discurso em Jackson Hole no comando do BC americano, em um momento de pressão crescente para que deixe mais claras as intenções do Comitê sobre os juros.


… Até agora avesso a oferecer guidance, ele chega ao simpósio com a inflação acima da meta e um Fed que endureceu o discurso desde a última reunião, quando Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan foram os três dissidentes a votar por uma alta de 25pbs.


… Beth Hammack foi enfática ontem: “É hora de agir”.


… Para ela, a política monetária não está restritiva e esperar mais tornará o combate à inflação mais doloroso. Hammack prevê inflação ao redor de 3% no fim deste ano e, “na melhor das hipóteses”, perto de 2,5% em 2027.


… Mas várias falas nesta quinta-feira mostraram que a preocupação com a inflação vai além desse grupo.


… Jeff Schmid também considera que os juros podem estar acomodatícios na ponta curta e afirmou que o Fed “ainda tem trabalho a fazer”.


… Susan Collins, embora mais cautelosa, disse estar disposta a apoiar uma alta caso não veja continuidade da desinflação e admitiu que o movimento pode ser apropriado já nas próximas reuniões.


… As declarações ganharam peso depois do PCE de julho, nesta semana, que mostrou inflação de 3,7% em 12 meses e núcleo de 3,3%.


… Austan Goolsbee resumiu a principal dúvida do Fed: saber se os choques provocados pelas guerras e pelas tarifas terão efeitos persistentes ou temporários sobre os preços.


… A pressão sobre Warsh não vem apenas de dentro do Fed. O aumento das recompras de Treasuries pelo Tesouro derrubou os juros longos na semana passada e abriu dúvidas sobre seus efeitos para a política monetária.


… O Rabobank alerta que taxas longas artificialmente mais baixas podem prolongar a inflação e criar atritos entre Tesouro e Fed. Para o ABN Amro, Jackson Hole ocorre em um momento crucial, com Tesouro e Fed já seguindo em direções opostas.


… O discurso de Warsh poderá também começar a preparar o mercado para setembro.


… A HFE lembra que, se o presidente pretende colocar uma alta em votação na reunião daqui a três semanas, o protocolo recomenda que comece a sinalizá-la agora. Os Fed Funds estão atualmente entre 3,50% e 3,75%.


… Além de Warsh, Isabel Schnabel, do BCE, fala em Jackson Hole, às 13h.


… A ata divulgada nesta quinta-feira mostrou que os dirigentes europeus não estão comprometidos antecipadamente com uma alta em setembro, mas consideram necessário voltar a apertar a política monetária se as perspectivas para a inflação não melhorarem.


TRÉGUA PERDE FORÇA – A preocupação do Fed com a inflação ganha mais um ingrediente com a volta da pressão do petróleo.


… Depois de três sessões de queda, a commodity subiu nesta quinta-feira, com o novo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduzindo o otimismo com uma solução para a guerra e para a reabertura do Estreito de Ormuz.


… As conversas emperraram depois que Donald Trump rejeitou retomar os termos do memorando de entendimento firmado em junho, enquanto Teerã condicionou qualquer avanço a medidas concretas de Washington.


… O acordo preliminar previa a reabertura de Ormuz, o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano e o fim da guerra, em troca de alívio das sanções e acesso do Irã a recursos congelados.


… Segundo o WSJ, Trump perdeu o interesse no entendimento, criticado nos Estados Unidos por ser considerado muito brando com Teerã.


… O Irã reafirmou, em reuniões com autoridades do Catar, que Washington precisa primeiro cumprir suas condições para que o estreito seja reaberto. O Conselho Supremo de Segurança Nacional disse que não confia nos americanos e ameaçou reagir em caso de nova ação hostil.


… A postura contrasta com o alívio do início da semana, quando a agência russa RIA Novosti informou que Washington e Teerã haviam concordado com um cessar-fogo que incluiria livre navegação em Ormuz. O acordo não foi concretizado.


… O tráfego no estreito melhorou, mas continua muito distante da normalidade. Segundo a Bloomberg, entre 6 milhões e 8 milhões de barris de petróleo por dia já atravessam Ormuz, aproximadamente metade do volume anterior à guerra.


… O Irã afirma que suas vendas continuam e que 40% da capacidade do campo de South Pars, atingido durante o conflito, voltou à produção.


… A pressão econômica americana, enquanto isso, aumenta.


… Trump afirmou que pode sancionar bancos chineses que mantenham relações com o regime iraniano, e Scott Bessent pretende pressionar ministros do G20 a cortar fluxos financeiros que sustentem Teerã e a Guarda Revolucionária.


… O petróleo reagiu à piora das perspectivas diplomáticas. Após três sessões consecutivas de queda, o WTI para outubro subiu 1,58%, cotado a US$ 83,53, e o Brent para novembro avançou 1,82%, a US$ 88,52.


RÚSSIA X UCRÂNIA – Outro foco de tensão vem de Moscou, que estaria preparando uma intensificação dos ataques depois de concluir que as negociações de paz chegaram a um impasse, incluindo a possibilidade de novos ataques contra Kiev e infraestruturas de outras cidades.


… A escalada já começa a afetar o transporte marítimo.


… A MSC suspendeu novas reservas de e para o porto russo de Novorossiysk depois que um de seus navios foi atingido por um drone. A Rússia também informou ter atacado um navio, tanques de combustível e infraestrutura portuária em Izmail, na Ucrânia.


… A deterioração levou o diretor da CIA, John Ratcliffe, a fazer uma viagem secreta a Moscou. Segundo o New York Times, ele teria pressionado a Rússia por um acordo antes que sua situação militar e econômica piore.


… Já o Wall Street Journal atribuiu à viagem outra preocupação: alertar Moscou contra eventuais planos de atacar países da Otan.


… Em meio às duas frentes de tensão, Trump descartou, por enquanto, sanções contra Moscou, afirmando que a Rússia “tem se comportado muito bem” em relação a Ormuz e que não acredita que Putin ataque países da Otan.


NVIDIA FAZ A FESTA – Em Wall Street, nem guerra, nem Jackson Hole pararam o entusiasmo com inteligência artificial. Nvidia (+8,7%) confirmou nesta quinta-feira a leitura positiva de seu balanço e arrastou junto boa parte do setor de tecnologia, ajudando o Nasdaq a subir 1,57%.


… Intel (+4,4%) e Broadcom (+4,5%) acompanharam o movimento, enquanto o ETF de semicondutores VanEck avançou 3%. Salesforce (+22,6%) também brilhou após superar as projeções no segundo trimestre e anunciar a expansão de sua parceria com a Anthropic.


… Mais do que os números do trimestre, foi a perspectiva de crescimento de cerca de 70% da receita no ano fiscal de 2028, muito acima dos 44% esperados pelo mercado, que reforçou a percepção de que o boom da inteligência artificial ainda está longe de atingir o pico.


… O BofA reiterou a recomendação de compra para a Nvidia, com preço-alvo de US$ 350, e elevou entre 19% e 28% suas projeções de lucro por ação para os anos fiscais de 2028 e 2029.


… Para o banco, a forte visibilidade de oferta e demanda sustenta um crescimento significativamente maior nos próximos anos.


… A escala dos investimentos ajuda a explicar o otimismo. A Nvidia estima que o backlog da indústria de nuvem já supere US$ 2 trilhões e que os cinco maiores hyperscalers desembolsem perto de US$ 800 bilhões em infraestrutura apenas em 2026.


… A própria companhia faturou US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal, mais que o dobro de um ano antes, dos quais US$ 89 bilhões vieram de data centers. Para o 3TRI, projeta receita recorde de US$ 108 bilhões, cerca de US$ 4 bilhões acima do esperado pelos analistas.


… A Jefferies avalia que a projeção de crescimento de 70% para 2028 pode ser apenas um piso: sem as restrições de oferta, a demanda seria suficiente para sustentar expansão próxima de 100%.


… Nem toda Wall Street, porém, participou da festa, que ficou concentrada nas empresas de tecnologia. Diante da cautela antes do discurso de Kevin Warsh, o Dow Jones subiu apenas 0,20%, com somente oito de suas 30 ações em alta, enquanto o S&P 500 ganhou 0,72%.


… Também no dólar e nos juros dos Treasuries, investidores ficaram na defensiva à espera do presidente do Fed (leia mais abaixo).


VALE – O STF formou maioria para permitir a tributação dos lucros de controladas da Vale no exterior. O placar está em 6 a 4 pela incidência de IRPJ e CSLL sobre os resultados das subsidiárias na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo. O julgamento virtual termina hoje.


… A discussão envolve cerca de R$ 22 bilhões e levou os ADRs da mineradora a caírem 0,67% no after hours em Nova York.


… Ao Broadcast, a Fatorial Investimentos ressalta que o valor não representa necessariamente uma saída imediata de caixa, mas aumenta a percepção de risco sobre a companhia e pode reduzir os recursos disponíveis para dividendos.


… A decisão é considerada um precedente importante para outras disputas sobre a tributação de lucros de empresas brasileiras no exterior.


PETROBRAS – O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) confirmou na noite de ontem que aprovou a prorrogação do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, a pedido da Fazenda.


… A alíquota será prorrogada por 60 dias, a partir de 8 de setembro, quando vence a atual vigência do imposto.


… Segundo interlocutores, a liminar da Justiça do DF que suspendeu a cobrança do imposto não deve interferir na decisão do Gecex, que é responsável por decisões em torno da política de comércio exterior do País.


… De acordo com o Broadcast, a equipe econômica acredita que conseguirá derrubar a liminar judicialmente. A avaliação é que a mesma tese já havia sido usada pelo setor em outros tribunais e acabou derrotada pelo governo.


… O secretário do Tesouro, Daniel Leal, disse que o compromisso do governo é cumprir a meta fiscal e, caso uma receita seja frustrada, como o Imposto de Exportação para petróleo, será necessário achar uma alternativa.


MAIS AGENDA – No mesmo horário em que Kevin Warsh inicia seu discurso em Jackson Hole, às 11h, sai a leitura final de agosto do sentimento do consumidor de Michigan, que deve recuar subir de 51,0 da preliminar para 55,2 em julho. Junto, saem as expectativas de inflação.


… De madrugada, serão divulgados o PIB da França no segundo trimestre, com previsão de alta de 0,2%, e, às 6h, os índices de sentimento econômico e confiança do consumidor da zona do euro.


… O Canadá também divulga o PIB do segundo trimestre às 9h30, com previsão de expansão anualizada de 2%.


… Ainda nos Estados Unidos, às 10h45, o PMI de Chicago deve recuar de 57,6 para 57 em agosto.


NO BRASIL – O IGP-M de agosto sai às 8h e deve registrar a terceira deflação mensal consecutiva. A mediana do Broadcast aponta queda de 0,30%, após -1,16% em julho, com estimativas entre -0,60% e +0,28%. Em 12 meses, a taxa deve desacelerar de 2,76% para 2,08%.


… Às 8h30, o BC divulga as estatísticas monetárias e de crédito de julho.


… O Caged sai às 14h30 e deve mostrar criação líquida de 114 mil vagas formais em julho, abaixo das 145.161 de junho. As projeções variam de 90,5 mil a 135 mil vagas. Economistas esperam que os dados confirmem a perda gradual de fôlego do mercado de trabalho.


… Ontem, a Pnad Contínua mostrou queda da taxa de desemprego de 5,4% para 5,3% no trimestre até julho.


… Às 17h, a Aneel divulga a bandeira tarifária de setembro.


ELEIÇÃO – As denúncias contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva ocuparam boa parte da sabatina de Lula ontem à noite, na TV Globo. O presidente acredita na inocência de Lulinha, mas repetiu que não vai interferir nas investigações da PF e que, se ele for culpado, pagará por isso.


… Os jornalistas Cesar Tralli e Renata Vasconcelos também questionaram Lula sobre as acusações contra “Marcola”, seu ex-chefe de gabinete, e Jaques Wagner, afastado da liderança do governo no Senado após envolvimento com o escândalo do Banco Master.


… Sobre a economia, Lula esquivou-se das perguntas em relação à trajetória da dívida pública e não admitiu a necessidade de um ajuste fiscal para cortar os gastos, afirmando que aprendeu a ter responsabilidade fiscal com sua mãe, dona Lindu.


… “A mim, não preocupa a dívida pública”, disse o presidente, acrescentando que o que quer é “fazer esse País crescer”.


… O presidente disse que foi o único dos países do G20 que fez superávit primário durante oito anos. “Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública porque chegamos a 80% (relação dívida/PIB), sabe por quê? Porque estamos há mais de dez anos sem crescer.”


… “80% de dívida não é muito se você olhar para os Estados Unidos, Japão, Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é de US$ 40 trilhões. Uma parte da dívida é pela taxa de juros, porque vocês defenderam a vida inteira o BC independente.”


… Lula disse ainda que não vai privatizar os Correios, embora tenha admitido seu alto endividamento, porque a companhia tem um importante papel social pela capilaridade em todas as localidades brasileiras – onde as empresas privadas não chegam.


FLÁVIO. Hoje, sexta-feira, será a vez de Flávio Bolsonaro participar da sabatina de presidenciáveis da TV Globo, às 21h05. O candidato prometeu anunciar na entrevista novos nomes que deverão compor sua equipe, se for eleito para o Palácio do Planalto.


… Ontem à noite, Flávio Bolsonaro participou de jantar em São Paulo com integrantes do mercado financeiro no apartamento do executivo Marcelo Kayath, que presidiu o Credit Suisse no Brasil até 2016, e que declarou voto em Lula em 2022.


NOVA PREVIDÊNCIA – Menos de sete anos após a última reforma da Previdência, uma equipe liderada pelo economista Paulo Tafner quer apresentar aos presidenciáveis novas mudanças nas regras da aposentadoria.


… O texto prevê a elevação da idade mínima, saindo gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens, até chegar aos 67 anos para ambos os sexos, nas áreas urbana e rural. Arminio Fraga deu apoio ao projeto.


CURTAS – A comissão mista da MP que derrubou a “taxa das blusinhas” se reúne hoje, às 10h, para definir o comando dos trabalhos. A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) deve ser escolhida relatora, enquanto o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi indicado para a presidência.


… A MP perde a validade em 8 de setembro se não for aprovada pela Câmara e pelo Senado.


ESCALA 6X1. O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou parecer favorável à PEC que acaba com a escala 6×1 e manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara, rejeitando todas as emendas. O relatório será apresentado à CCJ do Senado na próxima semana.


… A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso por semana.


CRÉDITO. Em reunião extraordinária no final da tarde de ontem, o CMN ampliou em R$ 3 bilhões o limite para operações de crédito de órgãos e entidades do setor público em 2026, de R$ 23,625 bilhões para R$ 26,625 bilhões.


… Segundo a Fazenda, a medida realoca espaço fiscal já previsto e amplia a capacidade de contratação de empréstimos por Estados e municípios, com reforço também dos limites destinados ao Novo PAC.


GAP DE CORREÇÃO? – A confiança do governo de que conseguirá emplacar a prorrogação da alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo traz incerteza às ações da Petrobras, que ontem operaram embaladas.


… O rali dos papéis da companhia nesta quinta-feira (ON +3,00%, a R$ 47,31; PN +3,02%, a R$ 42,70) não respondeu somente ao avanço do petróleo, mas em boa medida à liminar judicial que suspendeu a cobrança do imposto.


… Depois da longa sequência negativa de onze pregões, em que caiu 6,55%, o Ibovespa vem ganhando terreno nos últimos dias e ontem completou o sétimo pregão seguido no azul, com alta acumulada de 5,19% neste período.


… O ganho de fôlego coincide com a retomada gradual do interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil, após a sangria recente. Pelo último informe da B3, no pregão de terça-feira, entrou R$ 1,369 bilhão em capital externo.


… Mas agosto vai chegando ao fim com retirada acumulada de R$ 20 bilhões. Analistas dizem que a bolsa continua barata e um interesse de compra continua dependendo da volta do apetite dos gringos e do trigger eleitoral/fiscal.


… O Ibov subiu só 0,31% ontem, mas retomou os 175 mil pontos (175.135,41), com giro reduzido de R$ 15,4 bilhões.


… Gestor ouvido pelo Valor observou que, apesar de o Brasil ser visto como um trade anti-IA, a bolsa doméstica não foi prejudicada ontem pelo fluxo de rotação para outros mercados despertado pelo rali do balanço da Nvidia.


… O frenesi com a inteligência artificial chegou até mesmo a ser faturado pelos papéis da Totvs, que bombaram 6,41% e fecharam a R$ 34,69, maior preço de tela desde maio, liderando o ranking de altas do Ibovespa.


… Vale ON (+0,84%, a R$ 79,11) também colaborou para os ganhos da bolsa, apesar da queda de 0,28% no preço do minério de ferro na China. Já os grandes bancos tiveram uma sessão predominantemente negativa.


… Itaú PN registrou desvalorização de 0,89%, a R$ 39,10; Bradesco PN perdeu 0,35%, a R$ 16,93; BTG Unit recuou 0,61%, a R$ 53,74; e Santander Unit caiu 0,87%, a R$ 29,47. Na contramão do setor, BB ON subiu 2,31% (R$ 19,97).


MAPEOU SAÍDAS – Apesar do leilão simultâneo no câmbio ontem, na operação que combinou venda de dólares no mercado à vista com compra no mercado futuro via swap reverso, a moeda americana subiu 0,20%, a R$ 5,1620.


… Traders destacaram que a variação pode ter respondido a ajustes pontuais de posição de final do mês e a alguma dose de cautela antes da participação do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole hoje.


… Reportagem do Valor trouxe que, por trás da operação do novo “casadão” no câmbio, esteve a identificação pelo BC de sinais mais fortes de saída de capital nos últimos dias pelo câmbio, com consequente pressão no dólar.


… Semana passada, houve a segunda maior retirada do ano: US$ 4,056 bilhões. O movimento é sazonal: especialistas comentam que agosto/setembro é um período em que o fluxo cambial historicamente costuma ficar mais negativo.


… Também na curva dos juros teve leilão ontem, o segundo maior do ano de títulos prefixados do Tesouro, de R$ 24,5 bilhões. A operação foi um sucesso, com todos os lotes vendidos. Num primeiro momento, houve pressão no DI.


… Mas, com o passar das horas, prevaleceu a percepção positiva sobre a demanda elevada e os contratos do trecho intermediário dos juros futuros zeraram a alta, descolando do avanço das taxas dos Treasuries e do petróleo.


… Só mesmo a ponta mais longa do DI é que ainda exibiu um resquício de prêmio, no hedge contra Jackson Hole.


… No day after da deflação do IPCA-15 de agosto, como se viu, a taxa de desemprego medida pela Pnad no trimestre até julho caiu para o menor nível para o período desde o início da série histórica, a 5,3%, em linha com o esperado.


… O ritmo forte do mercado de trabalho e o crescimento da renda pressionam a inflação, principalmente a de serviços, e colocam em xeque um ciclo estendido de queda da Selic. Mas o corte de setembro está garantido.  


… No fechamento, o DI para Jan/27 caía a 13,630% (de 13,668% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,770% (contra 13,830%); e Jan/29, a 14,075% (de 14,118%). Já o Jan/31 subia a 14,360% (14,348%); e Jan/33, a 14,480% (14,440%).


… Lá fora, na véspera da participação de Warsh em Jackson Hole, a trajetória de alta do petróleo e os comentários cautelosos dos Fed boys sobre a inflação persistente sustentaram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.


… O retorno da Note de 2 anos subiu a 4,229% (de 4,215%), o de 10 anos foi a 4,671% (de 4,653%) e o do T-Bond de 30 anos, a 5,190% (de 5,171%). As taxas se transformam neste momento em pivô de disputa entre o Tesouro x Fed.


… Em compasso de espera por Warsh, o índice DXY do dólar seguiu estável (-0,01%), a 99,159 pontos. O euro teve queda marginal de 0,02%, a US$ 1,1651, com a ata do BCE não dizendo nem que sim e nem que não vai subir o juro.  


… A libra também ficou de lado (-0,02%), a US$ 1,3590, enquanto o iene se enfraqueceu para 159,42 por dólar.


CIAS ABERTAS NO AFTER – MBRF aprovou emissão privada de R$ 825 mi em debêntures, com chance de chegar a R$ 1,03 bi em lote adicional. Títulos serão vinculados a CRAs e recursos destinados às atividades como produtora rural.


NATURA. Acionistas dispensaram a obrigação de OPA pela Lotus, veículo da Advent, e ampliaram o conselho para até dez integrantes. Juan Pablo Zucchini e Rafael Patury Carneiro Leão, ligados à gestora, foram eleitos para o colegiado.


C&A. Morgan Stanley voltou a elevar exposição, para 5,1% das ações ON, equivalente a cerca de 14,7 milhões de papéis, além de posições em derivativos. Banco afirmou não ter objetivo de alterar o controle ou a administração.


MULTIPLAN captou R$ 300 milhões por meio de CRIs, com vencimento em 2034 e remuneração de 96,5% do CDI. Recursos serão destinados a construção, expansão, reformas e aquisição de participações em projetos imobiliários.


GPA rebateu na Justiça parecer do MP de SP contrário à homologação do plano de recuperação extrajudicial. Varejista defende que a classe de credores atende aos critérios legais de semelhança e tratamento homogêneo.


TOTVS fará em 8/9 o resgate antecipado de R$ 1,5 bilhão em debêntures da 5ª emissão, com recursos da nova emissão de mesmo valor. Operação substitui a dívida com vencimento em 2031 por títulos que vencem em 2033.


ONCOCLÍNICAS. OPA determinada pela CVM pode movimentar de R$ 12,4 bilhões a R$ 14,2 bilhões, no Valor, com preço estimado entre R$ 9,79 e R$ 12,60 por ação, já considerando correção pela Selic e bônus de subscrição…


… Amec afirmou que a Câmara de Arbitragem da B3 não pode desfazer a decisão da CVM que determinou OPA para todas as ações. Para a entidade, apenas o Judiciário poderia reformar a decisão da autarquia.


BRB. Fux determinou que TJ da Bahia prorrogue por 90 dias contrato com o banco para administrar depósitos judiciais. Vínculo garante entrada mensal de R$ 394 mi e, segundo o Distrito Federal, é relevante para liquidez.


PARANÁ BANCO fará emissão de até R$ 500 milhões em letras financeiras, com vencimentos de dois a quatro anos. Recursos serão usados para reforço de caixa e no curso ordinário dos negócios.


MOSAIC. O conselho de administração aprovou dividendo trimestral de US$ 0,22 por ação, com pagamento em 24/9 a acionistas registrados em 10/9.


HBR REALTY recebeu proposta da SPX Real Estate para compra de participações em quatro empreendimentos, incluindo Mogi Shopping e Patteo Olinda. Negociação entrou em período de exclusividade, sem valores divulgados.


ALLIED. Fundos Brasil Investimentos I e II venderam 11,58% do capital e reduziram participação conjunta para 27,53%. Já a família fundadora Radomysler ampliou sua fatia para 29,16% da companhia.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 

NY +0,7% US tech +1,4% US Semis +2,3% UEM -0,7% Espanha -0,9% VIX 14,5% Bund 3,25%. T-Note 4,68%. Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,70% PT 3,60% ITA 4,07% FRA 4,10% Euribor 12m 3,01%. USD 1,165 JPY 185,8/€. Oro 4.575$. Brent 89,3$. WTI 83,2$. Bitcoin -0,3% (79.828$). Ether -0,4% (2.499$).

 :: SESSÃO.

Após a apresentação dos resultados da Nvidia (+9% na sessão de ontem), hoje deveremos ter uma sessão tranquila, com um viés ligeiramente em alta. A referência do dia estará no discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole (15h), onde o mercado tentará procurar indícios sobre a posição da Fed relativamente aos últimos dados de inflação e aos esforços do Tesouro norte-americano para controlar as rendibilidades de longo prazo.

 Além disso, o preço do Brent recua hoje (89,0$/barril; -0,7%), após os comentários, durante esta madrugada, do chefe do Comando Central dos EUA de que o exército norte-americano limpou o Estreito de minas iranianas, afirmando que as rotas marítimas internacionais estavam abertas.

 Na frente macroeconómica, teremos as primeiras inflações de agosto na Europa, nomeadamente de França (+2,4% est. vs. +2,1%) e Espanha (+4,2% est. vs. +3,6% ant.), que poderão antecipar a tendência a seguir pelo dado da Zona Euro, que conheceremos na próxima terça-feira (+3,2% est. vs. 2,9% ant.) e que será determinante para a decisão sobre as taxas de juro do BCE de 10 de setembro. Neste sentido, conhecemos ontem as Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho, que refletiram que vários membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem provocados pela subida dos preços da energia, num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado.

 :: CONCLUSÃO.

Com tudo isto, se as inflações não surpreenderem muito, hoje deveremos ter uma sessão tranquila, pelo menos até às 15h, com um viés ligeiramente em alta graças à correção do petróleo. O impulso da tecnologia ontem graças aos resultados da Nvidia (e que se propagou a todo o restante setor tecnológico: +1,4%) continua a dar suporte a um mercado que, por enquanto, atribui maior importância aos sólidos lucros empresariais do que à incerteza geoestratégica.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RJ, as maiores empresas

 


Olhando para 2030, Gustavo Franco



O mês de julho de 2026 teve ao menos duas novidades importantes, ambas, na verdade, filmes velhos: o tarifaço americano é uma reprise piorada do que já foi visto em abril, e as flutuações dos candidatos nas pesquisas eleitorais também parecem meio repetitivas.

Para a primeira novidade, emerge a figura de Donald Trump. O tarifaço é obra dele, e tudo depende dele. Como hoje, no Brasil, tudo depende de Lula. Talvez ele arrume a casa em janeiro de 2027, se ganhar. Talvez não. Não há como saber — há muita gente em torno dele falando coisas sem sentido.

Talvez Trump perca o interesse no tarifaço, ou se esqueça do Brasil. Não há como saber. E também há, em torno dele, muita gente falando coisas sem sentido.

Em 2030, todavia, não teremos mais nada disso. Nem Lula, nem Trump, nem Bolsonaro. Como será a política em 2030, quando essa safra de líderes populistas estiver fora do jogo? As eleições de 2026 se desenham como a última dança entre Lula e Bolsonaro, não? E Trump não pode ser candidato à sua sucessão em 2028, confere?

Claro que o Brasil vai seguir e a política vai se renovar. Não se sabe ainda de que jeito, quais os nomes e os partidos. Os líderes de agora vão tentar preservar seus acervos e definir seus herdeiros. O processo está em andamento, e o público vai decidir.

Como tem sido generalizada a reclamação quanto à polarização política, e quanto ao populismo desregrado de ambos os polos do espectro, a ideia de mudança tem sido bem recebida, ao menos em tese.

Algo parecido se passa com a política fiscal: vai ser outra coisa, talvez mesmo a partir de janeiro de 2027, pois o que temos hoje é insustentável. Vai ser uma crise, ou um ajuste. Como está, não vai ficar.

Nem mesmo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, — cuja vontade de permanecer nesse posto parece clara — diz que a política fiscal está redonda. Não sem cruzar os dedos fora das vistas do interlocutor.

O ministro deve estar com os dedos dormentes. Freudianamente, todavia, ao sinalizar que as regras do arcabouço terão um “aperto” em 2027, o ministro está usando uma fórmula transversa de reconhecer que um aperto é necessário.

A demanda por otimismo no Brasil é invencível. A nova fórmula para ficar otimista com o Brasil é a de mergulhar um pouco mais fundo na ideia de que não é possível manter a situação fiscal como está por muito mais tempo. Claro que há um paradoxo nessa observação, mas é antigo: remonta a Santo Agostinho.

Funciona assim: no Brasil, o insustentável é efêmero, inclusive porque não se sustenta. Algo necessariamente vai se passar. Não é possível que não venha um desfecho, possivelmente uma solução. O responsável pelo insustentável sabe do problema, e sabe que vai ter que resolver o problema em algum momento.

A fala de Santo Agostinho é simples:

“Deus, dai-me castidade, mas não agora”.

Como há uma eleição em andamento, e está apertada, o pecado parece inevitável. O governo está gastando uma fortuna, desarrumando suas contas a olhos vistos. O incumbente não deveria ter todos esses poderes. Mas tem, e usa. O governo parece utilizar todos os recursos de que dispõe, e todos os que pode tomar emprestado também.

É muito dinheiro; a eleição era para ser uma goleada.

Mas não é o que se passa. A aprovação do presidente está se arrastando, e a rejeição resiste. Não fora a fraqueza dos adversários, o presidente da República talvez estivesse encolhendo. A fadiga é evidente
É como se a polarização estivesse perdendo energia. É como se 2030 estivesse já querendo se mostrar. Não se deve perder de vista que é uma eleição geral – Câmara e dois terços do Senado, vinte e sete governadores e suas assembleias. Vai ficar tudo muito diferente já agora em janeiro de 2027. Vai ser possível enxergar 2030 com mais nitidez.

Uma boa maneira de reclamar da vida em 2026 é afirmar otimismo para 2030.

Inclusive porque em 2030 também não vai ter mais Donald Trump.

Donald Trump e o tarifaço

Dois tostões de prosa sobre Trump e seu tarifaço, na verdade a segunda tentativa, seguindo-se à derrubada pela Suprema Corte americana das tarifas anunciadas com grande pompa no chamado liberation day, evento que perdeu o primeiro de abril por exatas 24 horas.

Naquele momento, as tarifas eram para todos os parceiros comerciais dos EUA, com isso indicando que a medida era geral, tal qual uma desvalorização cambial com o intuito de melhorar as contas externas americanas.

Escritos de assessores do presidente Trump davam apoio à interpretação pela qual o “tarifaço” funcionaria como uma espécie de “Acordo do Plaza” unilateral, construído a partir de tarifas e subsídios, e não mais através de intervenções cambiais coordenadas com parceiros cooperativos.

Não obstante essa arquitetura multilateral da medida, o presidente Trump introduziu temas bilaterais em muitos dos aumentos de tarifas com vistas a dar tratamento midiático e político ao assunto. Mas o que era nada mais que um tempero virou o principal assunto.

No caso do Brasil, a carta que Trump assinou no tarifaço original, ainda que em modelo igual às cartas para outros países, tinha referências a Bolsonaro, com o que, tudo se transformou. Na verdade, as relações bilaterais foram atiradas num rabbit hole, uma toca de coelho, uma expressão americana que remonta ao “Alice no País das Maravilhas”, livro de 1865, de Lewis Carroll, em que Alice, por pura curiosidade, entra um mundo mágico e incompreensível do qual terá problemas para sair.

Donald Trump parece ter perdido o controle da situação, o que não parece incomodá-lo. Ele parece estar no seu elemento, tirando vantagem do desconserto do adversário. O neomercantilismo de Trump já tem, inclusive, uma designação: geoeconomia. É a geopolítica praticada com ferramentas econômicas.

Mundo afora, as vítimas ficam confusas. Nada disso se parece com as negociações comerciais do passado.

O assunto acabou voltando para a esfera da “diplomacia presidencial”, mas de um jeito novo. O presidente dos EUA fala através de redes sociais, e Lula responde através de “cacos” em discursos de improviso.

Não é uma boa dinâmica para as relações bilaterais.

O lado bom de tudo isso é que em 2030, que está logo ali na esquina, nenhum desses personagens terá mais a mesma relevância. Muitas de suas encrencas vão simplesmente desaparecer. Na verdade, 2030 pode estar mais perto do que se imagina.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*

Quinta Feira, 27 de agosto de 2026.

*IA SEM FREIO ENTRE O FED E O COPOM*


*A Nvidia voltou a elevar a régua para o crescimento da inteligência artificial*

… A Nvidia voltou a mostrar que a inteligência artificial segue sem freio, ao projetar crescimento de 70% da receita no próximo ano fiscal e virar para forte alta no after hours. Mas os juros continuam impondo limites aos mercados. Nos Estados Unidos, o PCE acima do esperado manteve vivas as apostas em alta pelo Fed às vésperas de Jackson Hole. No Brasil, o movimento é inverso: a deflação do IPCA-15 abriu espaço para estender os cortes da Selic, e a Pnad de hoje será mais um teste dessa perspectiva. Na geopolítica, Ormuz permanece fechado, apesar do avanço das negociações, enquanto a Rússia prepara uma nova escalada da guerra na Ucrânia, ampliando a tensão global.

NVIDIA SURPREENDE DE NOVO – A Nvidia voltou a elevar a régua para o crescimento da inteligência artificial.

… Depois de uma reação inicialmente negativa ao balanço divulgado após o fechamento, as ações viraram para alta de quase 5% no after hours, embaladas pela projeção de crescimento de 70% da receita no próximo ano fiscal, muito acima dos 44% esperados pelos analistas.


… Na teleconferência, a diretora financeira Colette Kress disse que as previsões dos clientes apontam para uma forte aceleração do crescimento no próximo ano e afirmou que a projeção ainda é limitada pelas restrições de fornecimento.


… “Sem a restrição de fornecimento, a perspectiva seria muito maior”, afirmou.


… A Nvidia também anunciou que elevará os preços de produtos e serviços no primeiro trimestre do próximo ano. E deu uma medida do tamanho da demanda: a Amazon Web Services pretende implantar mais 2 milhões de GPUs da companhia nos próximos anos.


… Os números do trimestre já haviam superado as expectativas.


… A receita mais que dobrou em um ano, para US$ 96,22 bilhões, acima dos US$ 92,17 bilhões projetados pelo mercado, enquanto o lucro líquido avançou 126%, para US$ 58,69 bilhões. O lucro ajustado por ação, de US$ 2,20, também superou os US$ 2,10 esperados.


… O negócio de data centers, coração da expansão da IA, faturou US$ 89 bilhões, mais que o dobro de um ano antes, e já responde por 92% das vendas da Nvidia. Só os principais clientes dessa unidade geraram US$ 40,3 bilhões em receitas no trimestre, avanço de 138%.


… Para o trimestre atual, a companhia elevou o guidance de receita para US$ 108 bilhões, com margem bruta de 74%. A projeção sequer considera eventual receita de computação para data centers na China.


… A teleconferência mudou o sinal, ao indicar que o principal obstáculo à expansão não é a falta de demanda, mas a capacidade de atender a ela.


… No final da noite de ontem, o The Information trouxe que a Nvidia concordou em comprar a plataforma de inteligência artificial Hugging Face por US$ 12,9 bilhões.


ORMUZ SEGUE FECHADO – O avanço das negociações sobre o Estreito de Ormuz manteve o petróleo em queda ontem, mas Teerã deixou claro que o acordo fechado com Omã não significa a reabertura imediata da principal rota de exportação do Golfo Pérsico.


… Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre a participação de cada país no estreito e o compartilhamento das receitas da passagem, em mais um passo nas negociações para normalizar o tráfego, após relatos de um cessar-fogo entre Washington e Teerã, ainda não confirmado.


… A Guarda Revolucionária, porém, afirmou que os Estados Unidos continuam criando obstáculos e manteve as exigências iranianas. Mas disse que, se a Casa Branca retornar ao memorando de entendimento, o estreito poderá ser reaberto nos termos negociados.


… Os sinais sobre o tráfego continuam contraditórios.


… Trump afirmou que o fluxo de petróleo por Ormuz permanece elevado e disse que 10 milhões de barris deixaram o estreito na terça-feira. Dados da MarineTraffic, porém, registraram apenas cinco travessias de embarcações no mesmo dia, 28,6% menos que na véspera.


… A incerteza deixou o petróleo volátil. O Brent para novembro chegou a US$ 88,52 no dia, mas terminou em queda de 0,37%, a US$ 86,94. O WTI recuou 0,16%, a US$ 82,23. Na semana, o petróleo já acumula queda de 6%, com a expectativa de avanço diplomático em Ormuz.


… As perdas nesta quarta-feira foram limitadas pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia.


… O petróleo chegou a zerar a queda depois que a MSC, maior companhia de transporte de contêineres do mundo, suspendeu novas reservas de e para o porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, após um de seus navios ser atingido por drone.


… Os ataques ucranianos contra instalações de energia russas também começam a pressionar o mercado de derivados.


… Segundo o Swissquote, os preços do diesel nos Estados Unidos subiram aos maiores níveis desde o início da guerra com o Irã, ampliando o risco de que uma nova frente de interrupções de oferta compense parte do alívio vindo do Golfo.


PUTIN PREPARA ESCALADA – A Rússia se prepara para intensificar a guerra na Ucrânia após concluir que as negociações para um acordo de paz chegaram a um impasse, segundo pessoas próximas ao Kremlin ouvidas pela Bloomberg.


… Moscou avalia ampliar os ataques com mísseis balísticos de alta potência contra Kiev e alvos de infraestrutura em outras cidades.


… Segundo as fontes, as estruturas de negociação entraram em colapso e Putin não pretende encerrar a guerra sob pressão das sanções econômicas e dos ataques ucranianos contra refinarias e redes logísticas russas.


… Já no fim de semana, o presidente russo sinalizou a mudança de postura. Ao minimizar os danos provocados pelos ataques à economia, disse que a Ucrânia “abriu a caixa de Pandora” e deveria se preparar para sofrer as consequências “nos setores mais sensíveis da economia”.


… Moscou também passou a tratar cada vez mais os ataques ucranianos como ações dos países da Otan, por causa do fornecimento de armas e informações de inteligência a Kiev. Segundo as fontes, a atual fase da guerra ainda não representa o ponto máximo da escalada.


DIPLOMACIA TRAVADA – Os esforços americanos para encerrar o conflito não produziram avanços, enquanto Trump concentrou as atenções na guerra com o Irã. O Kremlin também perdeu a confiança no entendimento que acreditava ter alcançado com Washington.


… O diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma rara visita a Moscou na terça-feira para conversar com representantes da inteligência russa, mas o Kremlin afirmou ontem que as relações com Washington continuam em uma “crise profunda”.


… A Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e redes logísticas russas, enquanto os dois países passaram a atingir navios comerciais e portos no Mar Negro, aumentando também os riscos para o abastecimento mundial de grãos.


… Rússia e Ucrânia respondem juntas por mais de um quarto das exportações globais de trigo.


INFLAÇÃO MUDA O RUMO DOS JUROS – Os dados divulgados ontem reforçaram perspectivas diferentes para o Fed e o Copom.


… Enquanto a deflação do IPCA-15 ampliou o espaço para o BC estender o ciclo de cortes da Selic, o PCE americano acima do esperado manteve vivas as apostas em alta dos juros pelo Fed e aumentou a expectativa para o discurso de Kevin Warsh amanhã, em Jackson Hole.


… O PCE subiu 0,2% em julho e a taxa anual ficou em 3,7%, acima dos 3,6% esperados. No núcleo, que exclui alimentos e energia, a inflação ficou em 3,3% em 12 meses, ainda bem distante da meta de 2% do Fed.


… A composição também mostrou pressões persistentes, enquanto o consumo deu sinais de perda de fôlego.


… O resultado elevou os juros dos Treasuries e reforçou as apostas em aperto monetário: a probabilidade de uma alta de 25pbs já em setembro passou de cerca de 36% para 44%, embora a manutenção dos juros ainda seja o cenário majoritário.


… Para a Pantheon, o PCE não é suficiente para antecipar a alta para setembro, mas, com o núcleo ainda em 3,3%, a discussão continua sendo “quando”, e não “se”, o Federal Reserve voltará a subir os juros.


… O Goldman Sachs não espera uma sinalização explícita sobre os próximos passos do Fed em Jackson Hole, mas prevê que Kevin Warsh reafirme o compromisso com a meta de 2% e discuta temas como produtividade e os choques que atingem a economia global.


CORTE SEM PAUSA – A XP foi uma das primeiras casas a revisar as expectativas para a Selic após o IPCA-15, e agora passou a prever que o Copom seguirá cortando a Selic sem interrupção até o fim do ano, com mais três quedas consecutivas.


… Diante dos sinais de que a desaceleração da atividade e da inflação está ocorrendo antes do esperado, reduziu de 14% para 13,25% sua projeção para a taxa básica no fim de 2026 e manteve em 11,50% a estimativa para o encerramento de 2027.


… Segundo a XP, o ciclo de calibração da Selic pode ganhar velocidade em 2027. Com a perda de fôlego da economia, prevê que o Copom acelere os cortes para 50pbs a partir da reunião de março, levando a Selic a 11,50% no fim do próximo ano.


… A deflação de 0,40% do IPCA-15 em agosto, ante alta de 0,06% em julho, ficou no piso das estimativas do mercado, que iam de queda de 0,40% a 0,18%, com mediana de -0,30%. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,24%, abaixo inclusive do piso das projeções, de 4,27%.


… A leitura reforçou a percepção de melhora da inflação corrente, com surpresas baixistas principalmente em alimentação no domicílio, passagens aéreas, produtos in natura e cigarros. A média dos núcleos também apresentou melhora marginal.


… A composição, porém, recomenda cautela. Os serviços subjacentes, medida acompanhada de perto pelo BC por reunir preços mais sensíveis à política monetária, aceleraram de 0,43% para 0,50% no mês e continuam rodando em 5% em 12 meses.


… Parte importante da deflação também veio de componentes mais voláteis, limitando a leitura positiva do índice cheio. Ainda assim, o resultado praticamente afastou as apostas pontuais em uma retomada da alta da Selic que haviam ganhado espaço antes do Copom de junho.


… No fim do pregão, a curva atribuía 87% de probabilidade a um novo corte de 25pbs em setembro, contra apenas 13% de manutenção, e já incorporava chances relevantes de outra redução em novembro.


TIRA-TEIMA – A Pnad será mais um teste para medir o fôlego do mercado de trabalho e as chances de ampliar o horizonte para os cortes da Selic. A mediana do Broadcast aponta recuo da taxa de desemprego de 5,4% para 5,3% no trimestre até julho, com estimativas entre 5,2% e 5,7%.


… Os dados serão divulgados às 9h pelo IBGE (e amanhã tem Caged).


… Apesar da desocupação ainda muito baixa, economistas já identificam sinais de perda gradual de fôlego do mercado de trabalho.


… O Daycoval espera estabilidade da taxa dessazonalizada em 5,5% e vê arrefecimento em alguns setores, especialmente comércio, além de alojamento e alimentação. O C6 também avalia que a atividade perde força gradualmente, sem sinal de deterioração abrupta do emprego.


… A renda segue como contraponto: embora tenha recuado na margem, continua crescendo com força na comparação anual, ajudando a sustentar a atividade e a manter elevada a inflação de serviços.


… Assim, mais do que a taxa cheia de desemprego, a composição da Pnad será importante para saber se o mercado de trabalho começa a confirmar a desaceleração que já aparece em outros indicadores e que sustenta as apostas em uma extensão do ciclo de cortes da Selic.


MAIS AGENDA – Antes do emprego, o BC divulga as contas externas (8h30). A mediana aponta déficit em conta corrente de US$ 6,7 bilhões em julho, com projeções entre déficits de US$ 9 bilhões e US$ 4 bilhões, ante resultado negativo de US$ 2,33 bilhões em junho.


… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana das estimativas indica entrada líquida de US$ 7,760 bilhões em julho, ante saldo positivo de US$ 9,075 bilhões em junho. As expectativas vão de US$ 6,90 bilhões a US$ 8,82 bilhões.


… À tarde, às 15h30, o Tesouro divulga o resultado do Governo Central de julho, com a mediana do Broadcast indicando um superávit primário de R$ 11,1 bilhões. As estimativas vão de déficit de R$ 25,2 bilhões a superávit de R$ 25,9 bilhões, após déficit de R$ 48,178 bilhões em junho.


… No câmbio, o Banco Central realiza às 9h20 operações simultâneas, com oferta de até US$ 1 bilhão em dólares à vista e até 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes a US$ 1 bilhão. Às 11h45, o Tesouro faz leilão de LTNs e de NTN-Fs.


LÁ FORA – Nos Estados Unidos, começa hoje o simpósio anual de Jackson Hole, que terá amanhã como principal atração o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh. Entre os indicadores, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego devem subir de 206 mil para 210 mil (9h30).


… Na zona do euro, o BCE divulga às 8h30 a ata de sua última decisão de política monetária. Mais cedo, de madrugada, o índice GfK de confiança do consumidor da Alemanha deve melhorar de -29,6 para -29,2 em setembro.


… Na China, continua a reunião do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo.


JAPÃO HOJE – O vice-presidente do BoJ, Ryozo Himino, disse que segue atento aos riscos inflacionários e à necessidade de debate de um aperto na política monetária, elevando as especulações sobre a reunião de setembro.


TUDO BEM ENTRE ELES – Depois de meses de distanciamento e tensão entre o Planalto e o Congresso, Lula, Motta e Alcolumbre saíram do almoço de ontem no Alvorada como melhores amigos e com uma extensa agenda de votações de interesse do governo, antes da eleição.


… Jornalistas políticos apuram os bastidores dessa nova relação e revelam que a reaproximação ocorre em meio às articulações para a sucessão no comando do Congresso no ano que vem. Lula vinha negociando apoio à reeleição de Motta na Câmara e de Alcolumbre no Senado.


… Após o encontro, os três pareciam muito satisfeitos. Motta classificou o resultado como “extremamente positivo” e disse que a reunião ajudou a destravar pautas. Alcolumbre afirmou que a relação construída com Lula e Motta tem produzido “muitos frutos positivos”.


… O acordo colocou no caminho das votações cinco prioridades do Planalto: o fim da taxa das blusinhas, a PEC que acaba com a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, o marco dos minerais críticos e terras raras e o Redata, que concede benefícios tributários para data centers.


… Alcolumbre prometeu colocar na pauta da semana que vem, durante o esforço concentrado, a MP que acaba com a taxa das blusinhas, o marco dos minerais críticos e o Redata. As PECs também devem avançar, inclusive o fim da escala 6×1 e a proposta da Segurança Pública.


ELEIÇÃO – Na agenda eleitoral, Renan Santos (Missão) participa às 10h30 de sabatina de O Globo/Valor. Às 21h05, é a vez de Lula na TV Globo. A Quaest divulga hoje pesquisas eleitorais regionais.


CURTAS – A Fazenda defende a prorrogação por mais 60 dias do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo, segundo o Valor.


… A Camex decide hoje sobre a medida, que perderia validade em 9 de setembro. A Pasta cita a volatilidade internacional, as restrições logísticas e os riscos em Ormuz e avalia que a cobrança não comprometeu a atratividade do setor.


CRÉDITO. O Comef alertou que o aumento da inadimplência, do comprometimento da renda e do endividamento das famílias exige cautela adicional na concessão de crédito.


… O BC prepara medidas para reduzir os riscos relacionados ao peso das modalidades mais caras na dívida das famílias.


CARNE. Trump ampliou temporariamente as importações de carne bovina magra sem tarifa adicional, numa tentativa de aumentar a oferta e conter os preços nos Estados Unidos. A medida valerá por 90 dias a partir de setembro e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas/mês.


JOGOU PARADO – Na medida em que a deflação do IPCA-15 de agosto só reforçou a chance de corte da Selic mês que vem, a reação foi morna na curva dos juros futuros, com a ponta curta permanecendo perto dos ajustes.


… Também sem maior emoção, os contratos mais longos operaram estáveis ou com viés de alta, já que o PCE conservou a chance de aperto monetário pelo Fed em algum momento deste ano (setembro, outubro ou dezembro).


… Quem sabe amanhã a participação de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole renda alguma novidade.


… Quanto ao Copom, parte do mercado acredita que um ciclo estendido de queda do juro ainda não está garantido pelos sinais de desinflação e perda gradual de fôlego da atividade econômica, e que o futuro ao BC pertence.


… É um fato que, nas duas últimas leituras, o IPCA-15 mostrou sinais de esgotamento da pressão. O dado veio perto de zero em julho e negativo em agosto, sob o efeito passageiro dos bônus de Itaipu. A briga ainda não está ganha.  


… O BC não vai subir os juros, mas é importante ver até onde terá espaço para cortar. O câmbio não assusta e joga a favor da continuidade de flexibilização da política monetária, apesar do recente repique do dólar acima de R$ 5,20.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,670% (de 13,673% no ajuste anterior); Jan/28, 13,825% (contra 13,813%); Jan/29, 14,110% (de 14,096%); Jan/31, 14,335% (de 14,348%); e Jan/33, 14,435% (de 14,454%).


… Apesar da tendência de queda da Selic, o juro continua alto e protegendo o real. O dólar subiu pouco ontem, só 0,22%, a R$ 5,1518, porque acompanhou o exterior, onde o PCE levou o DXY a retomar a linha dos 99 pontos.


… O câmbio doméstico tem operado comportado, apesar do fluxo negativo. O BC informou ontem que, na semana passada, houve saída de US$ 4,056 bilhões (US$ 3,337 bilhões pelo canal financeiro e US$ 719 milhões via comércio).


… Apesar disso, no período, o real subiu 1,6%, porque investidores desmontaram parte das apostas contrárias à moeda brasileira, como esclareceu o sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, em nota a clientes.


… Ele explicou que os estrangeiros reduziram sua posição comprada em derivativos cambiais em US$ 3,7 bilhões ao longo da semana passada, enquanto os fundos locais aumentaram a posição vendida em US$ 500 milhões.


… Hoje, a operação simultânea de swap reverso e venda de dólares à vista influencia o câmbio. O BC anunciou que dará início na semana que vem (dia 2) à rolagem de swap que vence em outubro (não informou o montante).  


… Lá fora, o PCE levemente acima do esperado levou o índice DXY a subir 0,25% e superar os 99 pontos (99,165), porque o Fed não tem como escapar de uma alta do juro antes de o ano acabar, dando voz aos dissidentes de julho.


… Com o dólar mais fortalecido pelo indicador de inflação, o euro operou em queda de 0,19%, negociado a US$ 1,1651, a libra esterlina perdeu 0,36% e fechou cotada a US$ 1,3592, enquanto o iene caiu para 159,36 por dólar.


… O PCE entra para a coletânea da ala mais conservadora do Fed e ontem puxou as taxas dos Treasuries. A da Note de dois anos subiu para 4,215% (contra 4,181% na véspera) e a de dez anos avançou para 4,653% (de 4,628%).  


COFRINHO – Depois de a sangria de capital estrangeiro da B3 ter sido interrompida na última sexta-feira, o informe do pregão de segunda-feira indicou que caíram mais algumas moedinhas de k externo na bolsa: R$ 69,2 milhões.


… É pouco, para não dizer nada, mas só de não ter saído dinheiro já dá um respiro, porque estava de assustar aquela avalanche de fuga dos gringos. Em agosto, o saldo ainda está negativo em R$ 21,3 bi. No ano, positivo em R$ 15 bi.


… O Ibovespa fechou estável (+0,01%) nesta quarta-feira, aos 174.586,26 pontos, com giro de R$ 19,3 bilhões.


… O viés negativo das bolsas em NY após o PCE acima do esperado e as altas do dólar e dos juros futuros colaboraram para uma realização parcial nos ativos de risco, com investidores embolsando parte dos ganhos.


… Entre as blue chips, Vale ON caiu 0,32%, a R$ 78,45, apesar da alta de 0,49% do minério de ferro na China. Petrobras ON (-0,11%, a R$ 45,93) e PN (+0,24%, a R$ 41,45) oscilaram pouco, assim como o petróleo (-0,37%).


… Entre os grandes bancos, Itaú PN terminou de lado (+0,03%, a R$ 39,45), enquanto Bradesco PN subiu 1,25% (R$ 16,99), BB ON recuou 0,26% (R$ 19,52), BTG Unit caiu 0,24% (R$ 54,07) e Santander Unit subiu 0,13% (R$ 29,73).


… Em clima de suspense pelo balanço da Nvidia, as bolsas em Nova York registraram quedas marginais. Apesar de o PCE ter corroborado o ambiente para uma política monetária restritiva, a cautela exibida pelos índices foi limitada.


… O S&P 500 (-0,02%), aos 7.675,70 pontos, e o Nasdaq (-0,08%), aos 26.130,20 pontos, fecharam no zero a zero, enquanto o Dow Jones caiu 0,21%, para 53.463,88 pontos. Nvidia perdeu 1,59%, mas hoje o dia promete um rali.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Cofundadora do NUBANK Cristina Junqueira vendeu 90 mil ações por US$ 1,33 milhão, a US$ 14,79 cada, dentro de plano previamente estabelecido de negociação…


… Após a operação, passou a deter cerca de 11,79 milhões de ações.


CAIXA teve lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 5,9% ante um ano antes. Margem financeira cresceu 20,2%, para R$ 19,7 bilhões, e ROE ficou em 9,16%.


ONCOCLÍNICAS. CVM determinou OPA para toda a base de acionistas em até 60 dias, com correção pela Selic desde novembro de 2024. Valor da operação poderá superar os R$ 6,5 bilhões inicialmente estimados, segundo o Valor…


… Fontes do Broadcast disseram que a Oncoclínicas apresentou à Justiça uma versão do plano de recuperação extrajudicial que negocia com credores desde julho e que poderá sofrer alterações até 13 de setembro…


… Credores poderão optar por receber integralmente em parcelas até 2042 ou aceitar deságio de 80%.


C&A prevê abrir de 60 a 80 lojas e reformar de 100 a 120 unidades até 2030. Novo plano estratégico prevê investimentos anuais equivalentes a 7% a 8% da receita líquida…


… Morgan Stanley reduziu a participação na companhia de 5,1% para 4,8% das ações ON, equivalente a cerca de 14 milhões de papéis, além de derivativos com liquidação física.


CEMIG. Governador de MG, Mateus Simões, decidiu indicar novo CEO à companhia apenas três meses após a posse de Alexandre Ramos, segundo o Brazil Journal. Marcio Nunes, ex-Copasa, é apontado como favorito.


MOTIVA extinguiu a diretoria de Inovação, Tecnologia e Risco após a renúncia de Pedro Paulo Archer Sutter. Medida busca simplificar a estrutura, em meio à venda da plataforma de aeroportos e à redução de custos.


HIDROVIAS DO BRASIL. Citi elevou preço-alvo de R$ 3,20 para R$ 3,40 e manteve recomendação neutra, citando riscos hidrológicos no Arco Norte e cenário menos favorável para fretes.


AZEVEDO & TRAVASSOS assinou concessão da Rota Mogiana com o governo de SP. Projeto prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos durante 30 anos e abrange 520 km de rodovias.

Bernardo Guimarães

 Bernardo Guimarães (FGV, ex-LSE, Yale) escreveu a coluna mais didática do mês sobre juros na Folha. A pergunta é de boteco: "você está passando pano pro BC?". A resposta é de economista, e vale ler inteira.


O argumento dele em três frases: o BC escolhe entre juro alto com inflação baixa e juro baixo com inflação alta. Mas o BC não escolhe os parâmetros dessa troca. Quem define se a combinação "3% de inflação com Selic de 6%" é possível ou impossível é o governo. E ele traz a prova de conceito dos dois lados. Fracasso: 2011, Tombini cortou juros com inflação pressionando. Resultado: inflação disparou e anos depois a Selic foi a 14%. Sucesso: 2018, inflação de 3,75% com Selic de 6,5%. O que permitiu: BNDES cortou desembolsos de R$ 188 bi (2014) pra R$ 70 bi (2017), a TJLP virou TLP e o teto de gastos sinalizou responsabilidade. Menos crédito direcionado = mais espaço pro BC cortar sem gerar inflação. A frase que resume: "com situação fiscal ruim e bancos públicos expandindo crédito, o BC tem que optar entre a picada do inseto e o veneno do inseticida." É exatamente o que mostramos na thread do plano de governo do Lula: o documento promete mais crédito direcionado (NIB de R$ 860 bi), mais vinculação do mínimo e zero corte nomeado. É o cardápio que IMPEDE o BC de cortar. O plano e o juro são faces da mesma moeda.

Peguei do grande Roberto Freire

  O texto a que me refiro é do Cronista Artificial @CronistaIA "Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quand...